31 de dez de 2012

Crônica do último dia do ano


Todo 31 de dezembro é a mesma coisa...
A gente se reúne com familiares e amigos para ficar contando as horas do ano que está acabando e refletir sobre o que fizemos e o que deixamos de fazer.
Passamos também a limpo aquelas promessas que tínhamos feito no ultimo dia do ano anterior.

Aqui posso falar por mim.
Eu não fumo. Nunca fumei. E prometi que não começaria este ano e não comecei! Então? Ponto para mim?
Não parei de beber, tudo bem... Mas bebo tão pouco que nem parece que bebo... Posso contar o ponto?
Prometi emagrecer e isto eu consegui!
Não importa se foi forçado (alô infecção intestinal!), mas consegui.

Até aqui são três pontos em três promessas.

Também prometi levar uma vida mais saudável. Caminhar, comer mais legumes, mais frutas, menos refrigerantes...
Bom, não deu.
Passei a morar perto do trabalho, coisa de atravessar a rua.
Caminhar ficou sem chance.
Ah, caminhar para o trabalho não vale? Então lascou! Então nunca caminhei na vida...
Eu até tentei comer mais legumes. Sério...
Até coloquei algumas cenouras, alguns pepinos, beterrabas e rabanetes com alguns torresmos... Mas já viu né?
Torresmo a gente tem que comer ainda quentinho e o treco esfria muito rápido.
Então não dá para deixar de lado e focar nos legumes. Vai-se primeiro neles e quando nos damos conta, já estamos satisfeitos e os legumes ainda estão no prato.
Quanto a tomar menos refrigerante, bom... Já tentou acompanhar torresmo com água?
Não dá.
Cerveja sim... Mas lembre-se que prometi beber menos.
Não há melhor representação da vida que o círculo.
Então, em uma rápida e safada adaptação de um trecho da obra de Gessinger Filmes de guerra, canções de amor podemos dizer: “E chegamos ao fim do ano, chegamos quem diria, voltamos enfim ao inicio e nunca se é tão rápido quando se anda em círculos”.
 E sendo assim...
Prometo que: não vou fumar, vou beber ainda menos, vou ser mais saudável, vou por menos torresmo junto com os legumes, que tomarei refrigerantes diet ou light sei lá...
E espero que o circulo em que andamos nesta vida se feche em dezembro de 2013 para que eu possa voltar aqui e contar que talvez não tenha conseguido fazer nada do que prometi e assim como estou fazendo agora, prometer tudo de novo.
E claro, encontrar todos vocês novamente...
A todos um feliz ano novo.

24 de dez de 2012

Feliz Natal ai...


Não vou aqui desejar aquelas coisas de sempre para o natal.
Felicidade, paz, amor, fartura, serenidade, alegria e tudo o mais deveria ser tratado como direito básico de todo e qualquer ser humano.
Infelizmente não é.
Muito pelo contrário.
É um privilégio de poucos e grande parte não tem nenhum dos itens...
Espero que você que está lendo agora seja uma das exceções e tenha todos ou - ao menos - grande parte da lista.

Mas, se não vou desejar estas coisas tão normais à época, para que fazer este texto?
Bem...
Não vou desejar aquilo tudo, mas posso desejar coisas mais simples e que no fundo acabam por depender mais da gente do que se pensa.
Então vamos lá.
Quero desejar um natal sem:
Simone cantando versão do John Lennon
John Lennon cantando Happy Xmas (war is over)
Compra de natal na Rua 25 de Março, Saara ou outro mercado popular.
Papai Noel fedorento depois de passar o dia todo debaixo do sol.
Especial do Roberto Carlos (cada ano mais chato)
Presépio de qualquer espécie.
Aqueles corais desafinados que cantam (?) se balançando.
Ligações da LBV, IURD, PQP e outras picaretagens pedindo doação.
Cartão de natal do vereador eleito (no qual você não votou).

Enfim... Um Feliz natal a todos os amigos ai...


21 de dez de 2012

Crônica do fim do mundo


O mundo esta realmente acabando...
Sinais? Sim... Tem muitos.
Primeiro: não tem cerveja na geladeira. Como posso ter esquecido?
-Ah! Mas ai é falha sua. – pode dizer. Mas se o mundo não estivesse acabando, eu teria lembrado que acabaram as Stella Artois.
Quer mais? Não achei para comprar em supermercado nenhum...
Tinha Heineken, mas de barrilzinho custando cinquenta paus.
Porra! Cinquenta paus por cinco litros de cerveja? É ou não o fim do mundo?

Outro sinal?
Salame.
Não tinha salame no barzinho que frequento.
O cara me ofereceu provolone à milanesa.
Declinei.
Só eu sei como fica meu intestino quando como aquilo e não queria ser acusado de ter começado o apocalipse.

E você tá se perguntando ai se só isto serve de sinal para afirmar que o mundo está acabando. Não está?
Pois é... Não serve...
E você também deve estar rindo achando que eu confio em profecia maia.
Ai você se engana, não confio em maia nenhum... Basta lembrar que tem uns Maias no congresso, no senado... Tudo mentiroso.
E na rua que eu moro mesmo tem outro maia que mente para caramba...
Mente de tudo. Desde a altura até a opção sexual.
Mas o nome é verdadeiro.

Ainda tá duvidando?
Bom... Procure por sinais mais perto de você então.
Ligue o rádio e gire o botão de sintonia.
Se encontrar menos de cinco estações de rádio tocando funk, sertanejo, pagode ou falando do curintia pode ficar tranquilo, mas como sei que vai encontrar muito mais, então se prepare: a visita do capetoso é realmente iminente.

E por falar no capeta, preste atenção.
Os Maias – incluindo meu vizinho – não falam em anticristo em sua profecia, mas se olhar pros lados vai identificar um monte deles.
E não to falando daquele coreano gordinho que dança a eguinha pocotó não...  Longe disto.
Mas para muita gente, mas muita mesmo o “sem pele”,  “o que fede enxofre”, o “coisa ruim” e outros nomes está mais presente que nunca.
Como identificar?
Bem, algumas dicas: tem língua presa, não enxerga nada e só pode contar até nove...

E para terminar.
Verifique na folhinha ai... É dia vinte e um ainda e se olhar na sua conta corrente vai ver que já está no vermelho.
Pode até não ser o fim do mundo, mas que dá a sensação de que é, ah isto dá!

19 de dez de 2012

Balas acidas


Um que sai.
Norbert Haug deu tchauzinho à Mercedes.
Não espanta. Montadora é assim.
O investimento nos outdoors mais rápidos do mundo não dá o retorno esperado e eles vão à caça às bruxas.
Se no ano que vem a maré não mudar, mesmo com Lewis Hamilton por lá, não duvido que de tchau a categoria.

Um que desiste.
Já o japonês Kamui Kobayashi declarou que não estará na F1 em 2013.
Desistiu
Por desistir, entenda-se: não conseguiu grana.
Por um lado é uma pena, não teremos um japonês na categoria. E um japonês de razoável talento.
Por outro lado... Não tem outro lado.
Pelo menos não mandei grana para o “Kamui Esperança”

Um que fica.
Romain Grosjean foi oficialmente mantido na equipe Lotus.
Assim fecha-se uma porta para Bruno Senna.
O espantalho é rápido. Estabanado, mas rápido. E convenhamos: com ele no grid as largadas nunca serão previsíveis.

Um que chega.
Max Chilton vai pilotar para a Marussia
Assim fecha-se outra porta para Bruno Senna.
Só não sabemos se damos as boas vindas ou os pêsames por ir correr numa equipe como a Marussia.

Um que falou demais.
Christian Horner declarou que não renovaria com Massa levando em consideração o inicio de seu campeonato deste ano.
Horner é um cara legal, dirige uma equipe vencedora, mas é um mentiroso.
Disse que não renovaria com Massa, mas renovou com Webber que teve um inicio tão ruim quanto o de Felipe Massa e ainda tentou sabotar o título de Vettel no fim da temporada.

17 de dez de 2012

Crônica do dia chuvoso (após os dias quentes)


O calor não iria persistir para sempre afinal de contas e então, no último fim de semana da primavera, os quarenta graus de temperatura ambiente deram lugar a uma insistente chuva.
Em alguns momentos: forte. Com alguns raios e trovões.
E em outros branda. Uma garoa mesmo, daquelas de molhar bobo...

E foi numa destas horas de garoa que saí para fazer algumas compras de última hora.
Nada mais apropriado que ficar molhado pela garoa por precisar comprar coisas que poderia ter deixado para outra hora sem problema algum.
Mas como disse, a garoa era para molhar bobo e lá estava eu.
Mas não sozinho... Bobos devem ter alguma espécie de imã. Afinal, se atraem.
Debaixo do mesmo termômetro da prefeitura, aquele que marcava uns quarenta graus estava o papai Noel. O mesmo da outra história com os mesmos gorro, calça e casaco vermelhos, mas agora completamente encharcado.
E me reconheceu.

-Você não é o cara que ia me fotografar e fazer piadinha? – disse.
-Errrr... Sou. Mas não fiz não. – respondi com um meio sorriso provavelmente amarelado de vergonha.
-Não fez por quê? Eu não tinha autorizado?
-Até tinha... Mas achei sacanagem te zoar. Afinal você nem sabia se ia ser ou não pago.
-Mas fui. Além de pagar o mês que já havia trabalhado ainda me adiantou o mês seguinte.
-Quanto tempo faz que está fantasiado de papai Noel?
-Desde novembro. Vou ficar até o dia seis de janeiro.
-Sério?
-Sério, até já recebi pelo mês de dezembro, como te falei.
-Mas cê não acha estranho ver a figura do papai Noel andando por ai depois do dia 25?
-É... Estranho é, mas vou fazer o que?
-Muda a fantasia para uma de ano novo.
-Ano novo? E como seria?
-Ah, sei lá! Veste uma toga branca, calça umas sandálias de amarrar na canela, pinta o cabelo...
-E a barba?
-Tira ué... Não é falsa?
-Não... É minha mesmo.
-Então raspa. Até o próximo natal cresce de novo.

Um sujeito - aparentemente embriagado - que ouvia a conversa comentou meio que entre dentes, mas perfeitamente audível.
-Toga branca, sandália amarrada na canela e cabelo pintado... Sei não. Algo me diz que vai ser o ano novo mais viado da história.
-Como é? – perguntou o papai Noel molhado.
-Nada não... Tô pensando em voz alta que no horóscopo chinês 2013 é o ano do veado.
-É mesmo? – pergunto inocentemente.
-Se não é, estão querendo que seja... Ah estão...

13 de dez de 2012

Os peões da obra. (Mais uma crônica de um dia quente)


Desde que a companhia ferroviária resolveu trocar a estação da cidade de lugar (coisa de cem metros) – construindo uma novinha com modernas instalações a vida na cidade tinha se tornado um inferno.
Não bastasse o transtorno, o pó da demolição do casario que estava no lugar da nova estação, ainda tinha o barulho da obra e claro, os peões.
Sentados à hora do almoço por todos os cantos da nova estação, faziam às vezes de olhos, ouvidos e boca da obra.
Nada acontecia pelas imediações sem que eles soubessem e pior: comentassem.
A menina que é gerente da loja tomando um esculacho do namorado foi hit entre eles semanas atrás.
Hoje ela passa pela obra e não ouve os tradicionais assobios, mas um insistente e jocoso “cocóricó”.

Ao ouvir o sapateiro da rua reclamando que odiava o próprio apelido (o nome do homem é Baltazar, mas pelas costas todos o chamam de “cobra” que na verdade é uma simplificação para “engole cobra”) fizeram um simpático sambinha que é cantado toda vez que o indigitado aponta no inicio do quarteirão e só para quando dobra a última esquina: “-Cobra... Seu Baltazar cobra... Cobra o serviço que eu pedi/ Não é porque somos amigos que o senhor vai ter que engolir... Cobra, seu Baltazar cobra...”.

Nesta última semana o calor infernal que se abate sobre a cidade parece ter acirrado os ânimos. Houve até barraco.
O caso é que Batistão (que é prejudicado verticalmente) é casado com uma tremenda gostosona, - e por ser anão todos ficam melindrados ao dizer qualquer coisa à ele, o que não impede os comentários maldosos pelas costas.
O mais comum é quando passa o cotoco de gente de mãos dadas com o avião (abraçado não dá, a mulher teria dor nas costas) é: “-Macumba... Só pode ter sido macumba.”.
Outro comentário - que foi recebido com certa desconfiança pela comunidade local - foi exatamente do sapateiro Baltazar: “-Anão costuma ter bilau grande.”.
E quando os olhares se voltaram para o sapateiro: “-E o que dizem... Eu nunca vi... É o que dizem.” – tentava explicar ou consertar.
Mas o certo é que apesar das piadas ninguém podia dizer nada de concreto de Dinorah, a esposa do toco de amarrar jegue. Havia desconfianças, mas todos guardavam apenas para si. Alguns acreditavam sinceramente na devoção da gostosa pelo tampa de caçulinha.
 -É amor!– diziam – Só pode ser... O cara é feio, anão, pobre... Só pode ser amor. – diziam.

Mas quando Dinorah passava pela obra da estação os comentários não eram velados e cochichados, mas escancaradamente gritados.
“-Ô mulher econômica, até homem ela escolhe pela metade...” – ou – “-Vem ni mim (sic) que aqui não tem economia não...”.
Ela sorria... Talvez aquilo aumentasse sua autoestima ou... Vai saber?

Quando descobriu os gracejos, Batistão foi até o portão da obra e sem medir consequências chamou todo mundo pro pau.
“-Podem vir todos ai... Dou rabo de arraia em todo mundo!” – gritou.
Obviamente não desceu ninguém. Uma briga com alguém do local poderia despertar a ira em todos da comunidade e até acabar em demissão por justa causa. Além de – claro -saber que estavam errados.
“-Não vai descer ninguém é? Cambada de frouxo!” – disse vitorioso o piloto de autorama que girou nas solas dos sapatos e se encaminhou triunfante para o bar. Havia vencido a parada contra os maledicentes.
Pega então uma meia cerveja e volta para a porta do bar, com ares de superior.
Olha firmemente para o alto da futura nova estação e dá goles vigorosos em sua cerveja.
-Aê cambada de peão! Tão vendo esta cerveja aqui? É minha... Grita ai que é gostosa, que é econômica... Ainda assim vou tomar sozinho. Entenderam?
-É que é meia... – diz alguém em cima da obra sem se deixar identificar.
-Não entendi... – diz o anão.
-Você toma sozinho porque é meia cerveja.
-Não faz sentido. Cê acha que se fosse uma cerveja grande eu não tomaria sozinho?
-Não... Vai vendo. É como sua mulher.
-O que tem ela?
-Se fosse uma meia mulher, que nem você que é só meio homem, seria só tua...
Batistão até queria continuar a discussão, mas por azar (ou sorte) no começo da quarteirão aparece Baltazar e logo se ouve apenas o sambinha... “-Cobra... Seu Baltazar cobra... Cobra o serviço que eu pedi/ Não é porque somos amigos que o senhor vai ter que engolir... Cobra, seu Baltazar cobra...”

11 de dez de 2012

Pequenas maldades.


Pelas bandas dos EUA houve queima de  fogos.
Já na Stock a comemoração foi contida.
1B fechou com a categoria e vai correr a temporada toda.
-Já ficam nos zuando porque tem pista com trilho de trem, e ainda com o 1B seria muito complicado... – disseram na Indy.
-Comemoração pelo 1B? Não... Estamos festejando o quinto título do Cacá. – foi dito na Stock.
Só lembrando... Meddley não é uma empresa de genéricos? Tá explicado então... Vai ter um piloto genérico.

Por falar em Stock, venceu o melhor.
Não se desmerece ninguém que pilota por lá, mas a verdade é que Cacá Bueno é bom para caramba.
E para os azedos que o criticam apenas por ser filho do Galvão.
Chupa!
O cara é penta.

Webber disse outro dia ai que a Red Bull sabe que ele é capaz de superar Vettel.
Desculpe.
Hahahahahahahahaahahahahah, cof cof, hahahahahahhaa ihihihihiihi, ai ai...
Claro que sabe.
Ahahahahahahahahahahahahahahahahaha.

Uma agência ai cravou que Adrian Sutil é favorito para a vaga na Force Índia.
Curioso, não foi de lá que ele foi corrido para fora por dar com os cacos de uma taça ou garrafa na cara de alguém?
Ou o cara é um ás em perdoar ou é masoquista. Do tipo sado.
Se bem que o cara era da Renault né? Hum...
Então a viadagem é de outra categoria...

Jenson Button disse que está pronto para liderar a McLaren no ano que vem.
Hum...
Ele está pronto para liderar, mas o que é a liderança quando se anda em círculos?
E no caso dele um tanto pior, já que só vai ver liderança quando chover.
E ele vai ter de esperar que chova em todas as provas do ano.
Começo a solidarizar com aqueles que dizem que o time do Ron Dennis vai sentir falta do Hamilton.

Fora do automobilismo temos o Curintia indo pro Japão.
Bacana...
Alguns índices como os de furtos, roubos e vandalismo caíram um pouco no Brasil.
Já no Japão subiu.
Mas os caras se esforçaram. Até aprenderam japonês para a viagem.
No aeroporto em Tokio o que mais se ouvia era: “Ae Amareru, perderu, né?”.
Coitado do Japão, não bastassem os terremotos, os tsunamis...

10 de dez de 2012

Crônica de um dia quente


Reclamar do calor não refresca.
Se refrescasse, não se venderia sorvete, suco, água...
O calor tem suas vantagens e desvantagens como todo estado climático.
Não consigo me lembrar no momento de nenhuma vantagem, mas enfim...
Esta é uma crônica de um dia quente like a hell.

A prefeitura instalou nas duas praças centrais da cidade uns painéis eletrônicos.
Daqueles de led que mostram propagandas alternando com temperatura, sabe qual é?
Então... Mas o treco não foi bem regulado, ao menos a parte do termômetro e –desde sua instalação- aponta sistematicamente de quarenta graus para cima.
É certo que após sua instalação não houve dia ameno, mas quarenta e tra lá lá?
Em meu smartfone o máximo que apurei foram trinta e oito.
E no sol!

Olhava para o treco pensando no quanto aquilo é inútil e de repente me deparo com um vistoso e muito bem caracterizado Papai Noel.
Porra, se eu (de bermuda, camiseta branca e tênis) estava com calor, o que será que estava sentindo aquele homem?
Involuntariamente o fantasiado parou abaixo do indigitado painel.
A visão era surreal.
Um homem vestido com uma grossa jaqueta vermelha, sobre uma calça igualmente grossa e vermelha. Botas, luvas e um gorro tão inacreditável quanto todo o resto parado debaixo de um painel/termômetro marcando 43 graus.
Saco do telefone e me preparo para fotografar a cena.

-Vai fazer o que? Parceiro...
-Fotografar... É muito curioso ver você ai todo paramentado debaixo desta “lua”.
-Engraçado né?
-Curioso, eu diria.
-E esta foto serviria para que?
-Facebook, sei lá...
-E qual seria a legenda?
-Deixa ver... “Está com calor? Imagina este cara ai...”.
-Bom... Mas não vai fazer não.
-Não?
-Não... Acha que eu to fazendo isto porque gosto? Espírito natalino?
- Claro que não... Deve ser grana né?
-Obvio.
-Comercio local?
-Prefeitura...
-Então desculpa, mas não vai rolar, duvido que o prefeito que está saindo te pague. E o que vai entrar, menos ainda...
-Você não é o primeiro que diz isto. Estou fazendo papel de palhaço...
-É... Pode ser.
-Então vai, fotografa... E pública, mas dá o serviço completo, com nome e tudo. Quando faço papel de palhaço, vou até o fim.

7 de dez de 2012

Mortadela


Sempre que ia passear na região do Parque Dom Pedro, em São Paulo, ficava encantado com os armazéns importadores de secos e molhados. Desde muito pequeno.
Os aromas, a variedade de produtos como: azeitonas, azeites, vinhos, vinagres, queijos e principalmente: mortadelas.
Mas não de uma forma comum, encantavam mais pelo fato de estarem dependuradas no teto.
Passava por baixo das “bexigas” de mortadelas e peças de queijo provolone enormes sustentadas apenas por um cordãozinho.
Porém o sentimento que tinha não era de medo. Não temia que uma das peças despencasse lá de cima e acertasse sua cabeça, mas um troço confuso. Queria agarrar uma das peças e arrancá-la. Sair correndo do armazém com a mortadela nas costas.
Óbvio que não precisava disto, nunca precisou.
Se pedisse quando criança, provavelmente, seu pai teria comprado uma delas e lhe daria de presente. Um presente não convencional, mas um presente.
E agora, depois de crescido, já formado e muito bem empregado, uma peça de mortadela que custa noventa reais não lhe seria problema comprar. O que queria era realizar aquele sonho louco de infância que nunca contou a ninguém.

Naquele natal teve a ideia que alguns chamarão de brilhante, outros de “coisa de jerico”: iria até um dos armazéns que costumava visitar quando criança e colocaria seu plano em prática.
-Boa tarde, posso ajudar?
-Pode sim, eu quero mortadela...
-Senhor, desculpe... Não vendemos fatiados.
-Não, não... Eu quero uma peça inteira.
-Ah sim... E qual?
-Pode ser desta aqui... – aponta com os dedos.
-Bologna ouro defumada... É uma ótima escolha... Vou pegar a faca para tirar ela daí.
-Olha, não...  Desculpa, mas eu quero arrancar do cordãozinho e sair da loja com ela sem embrulhar.
-O senhor quer roubar a mortadela? É isto?
-Não... Eu vou pagar... Aliás, quanto custa?
-A peça toda? Noventa e seis reais... É um produto importado da Itália.
-Que bom... Que bom... Então... Eu vou pagar, mas quero eu mesmo arrancar ela daí e sair com a peça sem embrulhar.
-O freguês é quem manda.
-Aceita cartão?
-Claro, claro... Crédito ou débito?
-Débito. Aqui está.

O funcionário do armazém faz a operação e com um sorriso lhe aponta a peça de mortadela que agora pertence ao freguês.
-Só mais uma coisa... O senhor pode fingir que está distraído?
-Como?
-Fingir que está distraído... Assim, sei lá... De costas, olhando para a janela...
-Bem... Tá certo. Já começamos com a loucura, vamos até o final, não é?
Vira e se ocupa com a limpeza das garrafas de azeite extra-virgem em uma bancada mais afastada, mas não sem, de vez em quando, dar uma olhada no maluco.
Maluco, aliás, que tentava de todas as formas arrancar a mortadela de seu cordão sem sucesso.
Puxava com calma, depois nervosamente, com fortes trancos e chegou até mesmo a se dependurar nela.
Mas nada... Continuava presa a seu forte barbante e pendurada ao teto.

-O senhor quer uma ajuda?
-Acho que vou precisar. Do que são feitos estes cordões? Aço?
-Não, não... Acho que é de algodão cru, mas não sei...
O homem estava abraçado à mortadela como um goleiro que encaixa uma bola.
-O que pode fazer?
-Bom, posso pegar uma faca e dar um talho no cordão. Não cortar ele todo, mas dar um trisco nele, assim acho que fica mais fácil de sair se o senhor puxar com força.
-Tá! Eu aceito.
E o funcionário pega sua faca e dá um pequeno corte no fio. O homem então põe as mãos na mortadela e ameaça puxar, mas se detém.
-O que foi? Tem que cortar mais?
-Não, acho que não... Mas... Queira se distrair por favor? – diz ele com um sorriso.
-Ah... Tá... Tá... Tenha um feliz natal e um próspero ano novo. – e se vira para continuar limpando as garrafas.
O homem se agarra à peça e força com seu peso todo para baixo, chegando mesmo a tirar os pés do chão e ficar dependurado junto com a mortadela até que por fim o cordão cede e o homem cai sentado no chão. Mas com a mortadela junto ao peito.
Então se levanta, desajeitado e dolorido, abraçado à peça e sai da loja como se fugisse.
Do outro lado do balcão o atendente sorri pensando que um dia morre, mas não vê tudo.

Ao chegar a seu carro, um bonito sedan importado, abre o porta malas e joga lá dentro sua aquisição. Seu presente de natal para si próprio.
Entra no carro onde lhe espera sua esposa e lha dá um grande abraço e um beijo.
-Amor, cê demorou... Todo este tempo para escolher uma mortadela?
-É que são tantas! – e sorri satisfeito.
-E que horror... Você esta cheirando a mortadela! Como foi que escolheu? Abraçando?
Ele não responde.
Apenas sorri enquanto vai acelerando o carro pela Avenida. Senador Queiroz enfeitada para homenagear o bom velhinho.

5 de dez de 2012

Pilantropia: você ainda vai ajudar uma causa destas


Tem certas coisas que fogem ao bom senso, infelizmente.
Também na F1.
Então de repente Kamui Kobayashi se tornou unanimidade total na F1.
É o mais carismático, é um grande talento e tem um grande potencial etc, etc etc...
Ok.
Mas a chefe dele por N questões que não vem ao caso não acha.
Sua vaga foi vendida sem nenhum pudor a um cara que diz para quem quiser ouvir que não sabe se está preparado para pilotar um F1.
Fazer o que? Business antes do esporte.
C´est la vie.

Mas os fãs, aqueles que descobriram no japonês o ultimo panteão da F1 romântica ou sei lá o que, resolveu intervir (ou tentar) na ordem das coisas e criou um fundo de ajuda a Kamui Kobayashi.
E já arrecadaram uma ótima quantia segundo se lê por ai. Inclusive com doações vindas daqui do Brasil.
Diz-se que é para ajudar o primo distante do Paulinho (antigo perna de pau que jogou no Santos) a garantir uma vaga na F1 para 2013.
Vale a pena?

Sei lá... Mas assim.
É muito engraçado ver um povo adora malhar projetos como “Criança Esperança”, “Teleton” e outros se cotizando para mandar uma grana para um piloto.
Tá com grana sobrando? Quer jogar fora? Então...
Manda para a “Casa do Pequeno Ron Groo”, uma instituição pilantrópica que visa me ajudar a comprar uma Nikkon novinha.
Tenha paciência...

3 de dez de 2012

Em gomos


Algumas besteirinhas que sobraram a titulo de aspas.
Ai vão elas em gomos, como linguiça.

A Pirelli, uma das grandes responsáveis pela excelente temporada que a F1 teve em 2012 declarou que espera uma longa parceria com a categoria.
Fala em oito ou dez anos...
Isto é para aqueles que diziam que a fábrica de pneus não era capaz de fazer nada que durasse mais que uma corrida...


Luca di Montezemolo, sim... Aquele que manda, desmanda, morde e assopra na Ferrari cutucou o chefão Bernie Ecclestone em entrevista.
Até ai normal... Ele vive fazendo isto.
Mas desta vez ele foi contundente: “-Velhice é incompatível com certos papéis.” – declarou.
Pode parecer preconceituoso da parte do mauricinho rosso, mas não... Depois ele completou: “-Eu mesmo, quando for da idade do Bernie, deixarei de ser viado...”.
Explicado né?

A HRT acabou.
Os únicos que choraram o fim da nanica mais nanica da temporada foram aqueles que assistem Ghost, E o vento levou e o Segredo de Brockback Montain cem vezes e choram em todas.
 Dizem as más línguas (a minha, por exemplo) que foi a coisa mais rápida que a equipe já produziu em sua história: a tuitada que anunciou o fim.

Bruno Senna vai lançar uma coleção de roupas ou coisa que o valha.
Bruno não é mau piloto, também não é assim uma coca cola com limão geladinha...
Piada infame: será que as roupas combinam com Bottas, por exemplo?

E por fim, um off automobilismo.
Cafu foi o apresentador oficial da bola que será usada na copa das confederações, a cafusa.
Não, ela não é fabricada pela Cafu S.A., é apenas a junção das palavras: “carnaval”, “futebol” e “samba”.
Carnaval enquanto indústria (como o futebol), futebol ruim (como o carnaval) e samba da pior qualidade, tipo pagodinho de FM.
Mas depois de Fuleco, do Isentão doado para clube privado com dinheiro público, pé na bunda do Valcke, cota de ingresso para índio, elefante branco na Amazônia, não espantaria se fosse algo do gênero...
Perguntinha: ainda existem cafuzos em nossa população? E eles têm cota também?

29 de nov de 2012

As aposentadorias de Schumacher


Ao terminar a temporada de 2006 A Formula 1 colocou mais duas legendas em sua vasta galeria.
Uma foi Fernando Alonso, príncipe desafiante que a bordo de uma Renault conseguia o seu segundo título mundial e dali partiria para fazer história na categoria. Para o bem e para o mal...
A outra legenda foi a primeira aposentadoria de Michael Schumacher, o maior vencedor da categoria com sete títulos por duas equipes diferentes.
Ao se retirar do circo Schumacher deixou além dos títulos, o legado de ter sido o responsável direto por mudanças em regras e pontuação após dominar completamente os campeonatos entre 2000 e 2004.
Voltou em 2010 sem o mesmo brilho e força, algo até compreensível em face da velocidade das mudanças que a categoria passou neste meio tempo em que esteve afastado.

Mas o que era a categoria durante aquele ano de 2006? O que exatamente Schumacher estava deixando?
 E agora em 2012?  Quais as diferenças e semelhanças na F1 nos anos das aposentadorias do hepta campeão?

Os motores em 2006 já eram os V8, mas ainda não havia o congelamento no desenvolvimento de propulsores para corte de gastos.
Honda, Renault, Ferrari, Mercedes, Toyota, Cosworth e BMW eram as fornecedoras.
Em 2012 os V8 ainda estavam lá, embora estejam com os dias contados e quase as mesmas fornecedoras ainda estão na categoria.
Exceção feita a Toyota, Honda e a BMW, que abandonaram a F1 alegando que a crise econômica mundial havia afetado suas vendas de tal maneira que era impossível continuar gastando verbas e mais verbas em um esporte que não estava dando o retorno esperado.
A sensação era que a saída se dava mais pela falta de resultados em pista.
Na verdade, nenhum dos motivos era totalmente falso.

Existia o controle de tração, que ajudava a não patinar nas largadas, atuava na chuva, nas saídas de curva.
Hoje está banido.

Duas empresas forneciam os pneus: a francesa Michelin e a japonesa Bridgestone.
Eram sulcados a pedido da Comissão de Ultrapassagem da FIA.
Em 2012 há apenas uma fornecedora: a italiana Pirelli e os pneus voltaram a ser lisos (slicks) e são construídos de forma que se degradem rápido, o que tornou a competição mais atraente e (milagrosamente) trouxe mais ultrapassagens às corridas.

Os carros já eram bastante apoiados nos conceitos de aerodinâmica, com asas grandes, pequenas e aletas em profusão.
Agora, os projetistas - que já haviam levado a aerodinâmica para baixo dos carros com a introdução dos difusores duplos (também banidos hoje) - passaram a usar os gases do escapamento para melhorar a aderência.
As asas traseiras podem se mover, o que não era permitido em 2006, mas apenas em trechos pré-determinados para cada corrida.

A própria categoria era menos “cuidadosa” e não se punia tanto como hoje.
Nem tudo era considerado “perigoso” ou “temerário” pelos comissários de prova sendo mais constantes os toques entre carros nas disputas por posição sem que os envolvidos fossem postos sob investigação.
A F1 parecia mais corajosa.

Na parte humana havia um panorama um tanto envelhecido com nomes como Rubens Barrichello, David Couthard, Jarno Trulli, Pedro de La Rosa e Ralf Schumacher.
Na pista - ainda que não durante o ano todo – havia além do alemão e de Fernando Alonso, apenas mais um campeão: o contestado Jacques Villeneuve.
Podia-se apontar como promessas o alemão Nico Rosberg, então piloto da Williams; Robert Kubica que veio substituir exatamente o campeão mundial Villeneuve na BMW Sauber; Felipe Massa, o segundo piloto da Ferrari; Jenson Button na Honda.
Kimi Raikkonen já estava estabelecido como grande piloto e pilotava pela McLaren, faltava-lhe apenas o título para se consolidar.
Havia um piloto português: Tiago Monteiro e o japonês cult da época era Takuma Sato
Foi também o ano em que Juan Pablo Montoya decidiu abandonar a F1 para pilotar na Nascar.
Os nomes de menos expressão também estavam presentes, como sempre.
Pouquíssima gente sentiu saudades quando nomes como os dos japoneses Sakon Yamamoto e Yuji Ide, ou do francês Frank Montagny deixaram de aparecer nas tabelas de classificação.
Bem como os do americano Scott Speed ou dos holandeses Christijan Albers e Robert Dorboos.

Em 2012 o alemão deixa uma categoria entregue a nomes consolidados.
Sebastian Vettel disputou até a última prova com Fernando Alonso e acabou sagrado como o mais jovem tri campeão da história.
Além dos dois, também Jenson Button, Lewis Hamilton e Kimi Raikkonen fazem companhia ao alemão no clube dos campeões da F1.
Há um piloto indiano e o japonês cult da vez é Kamui Kobayashi.
Pilotos de mediano para baixo acabaram por tomar conta do grid em numero muito alto por conta dos patrocínios que conseguem amealhar: Pastor Maldonado, Bruno Senna e Nico Hulkemberg que apresentam um nível um tantinho maior de talento dividem espaço com nomes do quilate (baixo) de Timo Glock, Narain Karthikeyan, Charles Pic, Kovalainen e Vitaly Petrov. Fica difícil apontar uma promessa.
Nico Rosberg e Felipe Massa ainda estão na ativa. Pedro De La Rosa também está no grid, mas não se pode dizer que esteja na ativa, já que pilota um dos piores carros do grid.

Já nas equipes, além da onipresente Ferrari e das tradicionais Williams e McLaren, apenas a Sauber e as coirmãs Red Bull e Toro Rosso estavam no grid em 2006 e permanecem para a segunda despedida de Schumacher.
Midland, BMW, Toyota, Honda, Renault e Super Aguri foram sendo substituídas por nomes como Marussia, Caterhan, HRT, Force Índia.  Contando ainda com a volta de nomes consagrados como Lotus e Mercedes, a equipe da segunda aposentadoria.

França e Sam Marino ainda faziam parte do calendário em 2006, que contou com dezoito etapas.
Herman Tilke, o desenhista oficial de circuitos assinava – e assassinava – apenas quatro circuitos: Bahrein, Malásia, Turquia e China.
Destas, apenas a Turquia não faz mais parte do calendário em 2012 que conta com vinte grandes prêmios e o arquiteto alemão é responsável por nada menos que nove pistas da temporada: Bahrein, Malásia, China, Cingapura, Valência, Coréia do Sul, Índia, EUA e Abu Dhabi.

E por último, quando abandonou a categoria ao final de 2006, a Red Bull era apenas uma equipe muito promissora que andava no meio do grid, hoje, o time do austríaco Dietrich Mateschitz tem três títulos de construtores no currículo e é o time a ser batido.

Mas mais do que isto, quando Michael Schumacher se aposentou naquele ano, além das mudanças profundas na categoria e seus recordes, deixou também um saudável sentimento de quero mais, de que ainda não era a hora de parar.
Quando a prova em Interlagos terminou no domingo passado, a única coisa que Schumacher deixou foi a duvida: valeu a pena ter voltado?

28 de nov de 2012

Psicologia invertida


E de nada adiantaram os mind games de Fernando Alonso, Sebastian Vettel se manteve frio e calado o tempo todo.

Quando Alonso disse que não tinha Vettel como adversário, mas sim Adrian Newey, o alemãozinho não respondeu.
Juntou-se com o projetista e discutiu qual a melhor forma de utilizar seu equipamento em cada uma das pistas que faltavam.

Quando Alonso novamente abriu a boca para dizer que além dele, apenas Lewis Hamilton vence corridas com carros inferiores, também não houve resposta.
Venceu foi vencendo as corridas que pode e chegou otimamente classificado nas que não venceu: terceiro em Abu Dhabi, segundo em Austin e sexto em Interlagos.

Quando a Ferrari criou o factoide da punição a Felipe Massa em Austin, jogando o asturiano para o lado mais emborrachado da pista, Vettel não reclamou e nem solicitou a Red Bull que fizesse o mesmo com Webber.
Simplesmente largou e fez sua prova da melhor maneira possível.
Enquanto o espanhol falava, Vettel trabalhava.

A tal pressão psicológica que tanto se alardeou e que alguns disseram estar afetando o trabalho de Sebastian a ponto de não ter feito a pole no Brasil se mostrou uma grande piada.
Ou será que alguém pressionado faria uma corrida de recuperação como a do alemão após o choque na primeira curva?

Mas depois da corrida em Interlagos Vettel finalmente respondeu.
Como uma garrafa de refrigerante que acumula gás ao ser chacoalhado e jorra o liquido quando aberta mandou aos jornalistas:
“-Quero que vocês entendam minhas palavras: tentaram fazer de tudo contra a gente este ano. Mas eu aprendi desde criança a ser honesto. E ganhamos este campeonato assim: na honestidade.”.

Curiosamente, enquanto dava esta declaração, Fernando Alonso aparecia para parabenizar pelo título.
Não se sabe se o asturiano ouviu, mas que seria bem interessante saber de sua reação à frase, isto seria.

27 de nov de 2012

Lado B do GP - Os segundões


Nada mais lado B que piloto B, não?
Neste fim de semana tivemos um monte deles.
Foi tanto segundo piloto tentando inverter a ordem que foi uma maravilha.

Começa pelo sábado.
Felipe Massa acaba a classificação na frente de Fernando Alonso e dá entrevista todo bravinho e negando veementemente que haverá uma mutreta qualquer da equipe que fará o espanhol ganhar ao menos mais uma posição no grid.
Ao menos não mentiu.

No domingo, 1B original ataca de repórter da emissora oficial.
Não adiantou nem mudar de profissão.
A maldição do segundão o acompanhou e o boquirroto acabou como segundo repórter da Globo, correndo atrás de Carlos Gil pelo grid...
Mais lado B ainda foi quando tentou entrevistar Michael Schumacher, que nem deu bola, mandando afivelar o cinto de segurança e colocando o capacete.

Então aparece Webber, o segundão da Red Bull querendo a todo custo chamar a atenção para si.
Na largada consegue ficar atrás de Vettel, mesmo se classificando a frente.
Então espreme o alemão contra o muro na entrada do S e o força a frear, o que causou – em partes – a colisão com Bruno Senna.
Depois, após uma rodada de pit stops, volta perto do companheiro de equipe e se não tivesse errado na mesma entrada do S teria impedido a ultrapassagem de Vettel.
Isto se não o tivesse jogado para fora novamente.

Um que não é segundo piloto, mas protagonizou um belo lado B foi Kimi Raikkonen que ao errar na Junção acaba pegando uma entrada para o antigo traçado, só parando quando enxerga que não há saída.
A manobra e o retorno foram hilários.
Na hora lembrei do esporro que deu no engenheiro em Abu Dhabi.
Será que ali, ele sabia o que estava fazendo também?

25 de nov de 2012

F1 2012 - Brasil - CHUUUUUPA ALONSO!


A semana inteira o que mais ouvir falar foi (com voz irritante): “-Se chover o Alonso é campeão”.
Pois bem... Choveu.
E não foi pouco e nem foi constante. O que é pior já que obriga a uma troca constantes de pneus e estratégias.
Para ajudar, Vettel é tocado, roda, cai para último na primeira curva e ainda tem parte da carenagem do carro e do assoalho quebrados.
E o que aconteceu? Nada.

Alonso não conseguiu ser campeão da mesma forma.
O espanhol não é o deus supremo da pista molhada como parte da imprensa e seus fãs mais xiitas pintaram durante toda a semana.
E nem Vettel é o “Zé Mané” mor da pista molhada, basta lembrar de sua primeira vitória, debaixo de um senhor pé d´água, com uma carroça da Toro Rosso e no mais veloz dos circuitos da F1.

A maior prova disto é que mesmo com a pista molhada, Alonso não superou as McLarens - enquanto as duas estavam na pista – e Vettel, numa recuperação fantástica veio de último para a quarta posição e com o carro perdendo pedaços.
Não bastasse, ainda teve que brigar contra o próprio companheiro de equipe por duas vezes.
Na primeira, aliás, foi obrigado a frear para não ser espremido no muro da entrada do S e acabou sendo acertado por Bruno, sobrinho do dono da curva.

A corrida, por fim, foi emocionante e tensa. Uma verdadeira decisão.
Com tudo que a palavra pode trazer em si e serviu para acabar de vez com aquela farofada de que é possível vencer um campeonato com o carro inferior tirando apenas no braço e com joguinhos mentais ridículos.
Por mais que sejamos obrigados a reconhecer – seria burrice não fazer – que Alonso pilotou o fino nesta temporada, é impossível não rir de orelha a orelha vendo-o chegar em segundo, tanto na corrida quanto no campeonato.
Chupa Alonso.

No fim, a vitória de Button, que é mestre em guiar por pistas ligeiramente ensaboadas, acabou muito justa.
O inglês gente boa venceu a primeira do ano (Melbourne), a primeira após as férias (Spa) e a última da temporada.
Mas como digo sempre: Quem liga para o Button?

Viva Vettel, o mais jovem tri campeão da história.
E que venha 2013 e seja tão boa como a temporada deste ano.

23 de nov de 2012

1B no oftalmologista



-Que letra é esta? – pergunta o oftalmologista apontando o cartaz.
-F... – responde o paciente.
-Muito bem, muito bem... E esta aqui? – aponta uma menor.
-E.
-Hum... E esta?
-Agora complicou! Tá bem pequeno... Seria um R?
-Quase isto... São dois.
-E então? Estou bem da visão?
-Ruim não está... Mas acho que vou ter que lhe recomendar óculos.
-Para descanso?
-Para corrigir uns defeitinhos.
-Eu tenho defeito na visão?
-Sabe como é... Idade, esforço... Tudo isto prejudica um pouco.
-Mas doutor... Eu não quero usar óculos.
-Bem, se é por vaidade, pode usar lentes de contato.
-Não... Nem é questão de vaidade, é pelo trabalho mesmo.
-O que o senhor faz?
-Como assim o que faço? O senhor não me conhece? Não gosta de corridas?
-Não, não sei quem é o senhor e não gosto de corridas. Como não é negão e é brasileiro, não deve ser queniano.
-Não, não... Me expressei mal. Não gosta de automobilismo?
-Ah! Corrida de carros?
-Isto!
-Não gosto também não... Mas fiquei curioso: quem é o senhor?
-Sou Rubens Barrichello, duas vezes vice-campeão mundial de F1! – diz orgulhoso.
-Entendi... Acho que é por isto que não o conheço.
-Não gosta de F1?
-Não gosto de vices... Por isto não torço pelo Vasco, Mas falando sério: os óculos...
-Não, não... Eu não posso usar óculos... Eu ainda piloto e eles não ficam confortáveis por baixo dos capacetes. Prefiro as lentes mesmo.
-Mas o senhor ainda pilota? Nunca mais vi o senhor na Globo.
-Não assiste stock car?
-Não...
-Deve ser por isto, mas vai por mim, ainda há algumas pequenas chances de eu voltar para a F1, ai o senhor vai ouvir falar de mim mais vezes na Globo novamente.
-Ah... Claro... Me dá aqui então esta prescrição de óculos.
-Vai me prescrever lentes?
-Não... Cirurgia.
-Cirurgia? Mas por quê? Disse que eram apenas pequenos defeitos de cansaço!
-Me enganei... Você está vendo coisas onde não existem. Melhor operar logo...

21 de nov de 2012

Manchetes Win or Wall

E Perez continua causando dúvidas
Os últimos resultados e suas declarações não estão ajudando o mexicano. Ele sim vai ser o verdadeiro Win or Wall. Ou vence e cala a boca de todo mundo, ou dá razão a todos eles...

Mario Andretti sugere terceiro carro para equipes da F1
Mario sabe das coisas, tem visão americana da parte promocional do esporte. Isto é bom.
Só precisa aparar as arestas das idéias...

Originalidade no pódio texano
Ok, não é tão ridículo quanto a dancinha indiana, mas que ficou parecendo coisa da festa do peão em Barretos ninguém duvida.

Alonso elogia a "honestidade" da Ferrari em Austin
Depois desta, Martins Withmarsh, o chefe da McLaren disse que tinha dúvidas sobre o caráter de Alonso e disse também que quando correu por lá, teve este tipo de ação negada pela equipe. Hum... Sei... Sei... Mas xerocar o carro da Ferrari não foi pedido do asturiano foi?
O sujo falando do mal lavado.

Montezemolo elogia trabalho de Felipe Massa
Não poderia ser diferente. Aceitou de boa e nem reclamou de perder cinco posições sem necessidade aparente.
Ah se fosse aquele outro lá... Meu deus...

José Dirceu condenado pelo mensalão
Não é sobre F1, mas poderia ser... Ele só não seria condenado se fosse da Ferrari. Disto tenho certeza.

visite o tumblr (cazto de palavra) Win or Wall

20 de nov de 2012

Lado B do GP - O pódio


Com uma corrida dentro do que se pode chamar de boa, há pouca coisa há se destacar como lado B, mas, na boa?
Por mais que estivesse no contexto, os chapéus de cowboy poderiam ter ficado fora do pódio. Não?

Não.
Em categorias nacionais os americanos são os reis do pódio bizarro.
Há uma corrida no mesmo Texas que o vencedor comemora dando uns tiros para cima. Para eles faz sentido, ainda que para nós não.
Isto sem contar aquele em que o troféu é uma Gibson Les Paul e outras em que tomam leite, suco de laranja...
Esta do leite foi até copiada nas corridas da Indy aqui no Brasil, só que em vez do cara tomar o suco de vaca vindo de uma bonita garrafa de vidro, faz biquinho para mamar o liquido direto da caixa longa vida.

Agora, imagino se a moda dos chapéus pega e vão fazer corridas na Noruega, por exemplo.
Seria no mínimo surreal ver os pilotos com capacetes de viking com tranças e tudo.

Mas pelo lado bom não teve dancinha em frente aos pilotos como na Índia.
Se bem que sendo à moda texana, o mais provável é que Hamilton, Vettel e Alonso tivessem presenciar uma apresentação de jamboree - como diz a letra de Rio de Whisky do Matanza – “... dando tiro pro alto, bebendo e batendo o pé.”
Ou uma bela briga de sallon como nos filmes sobre o velho oeste...

19 de nov de 2012

F1 2012 - EUA : Texas blues


E pode-se dizer que o evento foi um sucesso.
Um tremendo sucesso.
A pista, ainda que calcada no CRTL C e CRTL V e por isto mesmo um tantinho sem alma, funcionou bem. Lisa, não castigou os pneus.
Ultrapassagens em todos os pelotões, público em bom número e participativo.

Ponto negativo para a história mal contada da troca de câmbio no carro de Felipe Massa onde – novamente- apenas Alonso saiu favorecido ao mudar de lado na fila de largada.
Saiu do lado “sujo”, sem emborrachamento para a o lado com melhor tração.
A conversa era de que largando do lado “sujo” além de não poder nem sonhar em saltar a frente, ainda corria-se o risco de perder uma ou duas posições para os que viessem de trás.
Realmente!
Foi o que aconteceu com quem ficou por lá.
Já Alonso deu um salto de duas posições
Mas isto vindo da casa do mal é coisa normal.
Como também foi normal – e louvável – a Red Bull não se utilizar do mesmo expediente e forçar uma punição por troca de qualquer coisa no carro do canguru motorista para devolver o piloto do lado sujo da força para o lado sujo da pista.

Na parte esportiva, a vitória de Lewis Hamilton acabou servindo – ainda que não tanto assim – a causa alonsiana não deixando a diferença ir níveis “intiraveis”.
A decisão fica mesmo para a última corrida e tem um cenário ainda confortável para Sebastian Vettel.
Basta o alemãozinho boca suja não perder Alonso de vista que será o mais jovem tri campeão da história.

E mesmo com o cara pilotando o fino, entramos em contagem regressiva para o maior “chupa Alonso” de todos os tempos.
Vou regar meu brado com um bom vinho espanhol e ouvindo blues, não é Javi?


17 de nov de 2012

GP dos EUA inesquecível


Grande Prêmio dos EUA, ao menos para os brasileiros é sempre cercado de uma mística, de uma aura histórica.
Primeiras vitórias de Emerson e Piquet.
O primeiro título de Piquet.
Vitórias de Ayrton Senna e até de Rubens Barrichello, ainda que deste último pareça – até hoje – uma compensação pela patacoada ocorrida na Austria no mesmo ano em que a poucos metros da linha de chegada o brasileiro tenha cedido – ou sido obrigado a ceder – a posição ao alemão Schumacher.

Mas olhando atentamente também há passagens cômicas ou dramáticas.
Pista em estacionamento de shopping, corridas com calor infernal em que pilotos até desmaiavam e o mais curioso de todos os casos: a corrida de 2005.

Não que a crise dos pneus a aquela altura fosse uma comédia, longe disto.
O perigo de haver muitos acidentes por conta da falha nos Michelin realmente existia e não tinha nada de engraçado.
O protesto – inusitado, inédito e muito válido – na largada do GP dos EUA de 2005 trouxe outras nuances, estas sim cômicas (quase trágicas) da F1.

A elas:
Ralf Schumacher, o irmão esquisitão foi um dos pivôs da crise ao bater na curva 13 - única curva original do circuito oval do templo de Indianápolis – onde curiosamente no ano anterior, sem problema nenhum nos pneus, ele bateu no mesmo lugar e tão forte quanto.
Era a primeira pole position da equipe Toyota, e nem sequer largaram.
Foi a única corrida como titular de Ricardo Zonta naquela temporada.
Mesmo largando apenas na quinta posição Michael Schumacher ainda estava a frente do seu companheiro de equipe.
Mesmo com apenas seis carros na corrida, o piloto indiano Narain Kartiqualquercoisa não escapou de ser um dos últimos.
Esta corrida foi o ponto alto da carreira de Patrick Friesacher na F1, marcando três pontos para a Minardi, que fazia então aquela sua ultima temporada. Depois, por motivos financeiros foi trocado por Robert Doornbos, o que convenhamos, não foi bom negócio para ninguém...
Foi também a última corrida em que a Minardi marcou pontos: 7, depois virou Toro Rosso, venceu um GP e revelou um campeão mundial.
Este GP acabou com a idéia estapafúrdia que em uma corrida head to head com Schumacher, Rubinho venceria.
Raras vezes a F1 reuniu nos EUA mais de 100 mil pessoas para assistir um grande prêmio, e justo daquela vez viram apenas seis carros largando para as 76 voltas.
Provavelmente foi a maior vaia que a categoria já tomou em um autódromo.


Os estadunidenses são acostumados com corridas com muitos pitstops, muitas interrupções por bandeira amarela, mas quando viram os carros se dirigirem aos boxes antes de completar a volta de apresentação devem ter pensado: “-Isto é ridículo...”.
E isto não deixa de ser engraçado...

16 de nov de 2012

F1 X Futebol: morre o burro fica o homem



A emissora oficial da F1 no Brasil optar por exibir na tarde deste domingo uma partida do – já decido – campeonato brasileiro de futebol já era até esperado. Favas contadas.
Nem com os atrativos de ser a penúltima corrida do ano, com possibilidade da decisão do título mundial de pilotos (em uma briga acirrada) e ser a primeira corrida na pista americana de Austin pesaram.
A emissora mostrará jogos de futebol de um campeonato decidido com três rodadas de antecedência e priorizará uma partida entre um time sem pretensões (Flamengo) e outro virtualmente rebaixado (Palmeiras) e exibirá em VT a corrida após o programa Fantástico.
Ao vivo apenas no canal pago SporTV, que também pertence à empresa.

Longe das questões comerciais que envolvem a grade da TV, o que se propõe aqui é discutir o valor jornalístico da escolha.
Qual é mais relevante?
Esqueça contratos de publicidade, com isto que se preocupem os anunciantes que pagam para exibir suas logomarcas tanto no futebol quanto na F1, mas jornalisticamente a decisão de um título que vem sendo anunciado pela própria emissora como o mais disputado e equilibrado em muito tempo parece ser mais relevante como noticia do que a queda (pela segunda vez em dez anos) de um time “grande” do futebol paulista.
Não?

Será um tremendo tiro no pé se por acaso o campeonato se decidir em favor de Sebastian Vettel neste fim de semana.
A emissora perderá de uma só vez o debut de Austin, a decisão do campeonato e a sagração do mais jovem tricampeão (real, seguido) da história e não terá um mote apelativo para as chamadas da corrida no Brasil, que perderá a importância esportiva totalmente.
Aí então todos nós fãs da F1 e da velocidade em geral, gostaríamos muito de ver a cara do homem, ou as caras do grupo que tomou a decisão.
Mas enfim: morre o burro e fica o homem.

Para quem não tem o canal pago ou não quer aguentar os narradores comentaristas com sotaque de furo em pneu (shiiiiiiiii, ou xiiiii) fica a dica: o site Ultrapassagem.org está exibindo um streaming ao vivo da prova com narração própria, mais precisamente minha e com comentários de Claudemir Freire e Sandro Pimenta a partir das quatro da tarde.
É uma forma de não perder a prova, não passar raiva com a narração sem sal do SporTV e ainda garantir boas risadas (espero).
Nos vemos por lá então.


15 de nov de 2012

Andretti e o terceiro carro


Mario Andretti, o campeão da temporada de 1978 foi escolhido – com muita justiça – o embaixador para a prova americana da Formula 1 em Austin.
Foi lá no circuito, deu algumas voltas e aprovou o traçado, tudo nos conformes.

Agora - como era de se esperar - faltando poucos dias para os carros entrarem para valer na pista, o patriarca do clã Andretti é procurado pela imprensa mundial (ao menos a ligada ao automobilismo) para entrevistas.
E não negou fogo:
“-Eu adoraria ver voltar à regra que permitia as equipes colocar um terceiro carro com um piloto local convidado a cada GP. Foi assim que eu entrei". – disse.

Mario fez sua estreia na categoria pilotando um terceiro carro da Lotus em 1968 nos GP´s da Itália e dos EUA, países onde nasceu e foi naturalizado respectivamente.

“-Esta é uma grande chance da F1 se afirmar mais nos eventos fora da Europa, afinal o público local adoraria ver um ídolo local levando a bandeira de seu país.” – e completou – “-Isto chama muito a atenção e quanto mais barulho, melhor.”.

Andretti acredita que, mesmo sem um piloto americano e após um intervalo de cinco anos as chances da corrida no novíssimo circuito texano ser um sucesso são muito grandes.
“-Mesmo com vários circuitos com mais tradição, poucas pistas de traçado misto tem as instalações e a estrutura para abrigar um evento deste porte. Penso que em toda a América do Norte apenas Montreal não ficou defasado.”

Mesmo sabendo que sua sugestão sobre a regra do terceiro carro está muito longe de vir a ser uma realidade é uma interessante visão de marketing e que os mais pragmáticos poderiam enxergar como mais um cockpit a ser vendido. O que não é assim tão ruim, já que com um cockpit a mais para ser negociado, as vagas dos pilotos “fixos” poderiam ser preenchidas com base na qualidade e não no montante financeiro do piloto.
Just business, mas desta vez para o bem.