30 de mai de 2017

O jeito americano - ou - As lebres e as tartarugas

Entenda: As 500 milhas de Indianápolis são um evento puramente americano.
Tem até piloto de outra nacionalidade, mas é uma festa estadunidense nata.
Tanto que é disputada no dia dedicado aos veteranos de guerra e as ligações com coisas militares (desde o hino até a passagem dos aviões) são pontos altos da festa.
Se acha aquilo chato ou brega, pense bem... A Liberty tem a intenção de fazer a F1 ser algo bem parecido...

A corrida em si, neste ano, teve a adição de Fernando Alonso, bicampeão mundial de F1 e quase tudo foi focado nele.
Desde a abertura das transmissões com takes inteiros de sua corrida lá no pelotão intermediário onde foi parar após sua primeira experiência com largadas em movimento.
Quando assumiu a ponta, logo após os primeiros pits, a transmissão foi à loucura.
Mas com uma corrida longa como são as 500 milhas é normal não se sustentar por lá muito tempo.
Até para poupar o equipamento.
E ficou por ali, hora na ponta, hora um pouco mais atrás.... Sobrevivendo.

O interessante desta corrida é que são duzentas voltas e como se sabe desde sempre, não se ganha corridas na largada.
As cinco primeiras voltas é só para não passar vergonha.
As 145 seguintes são para filtrar os mais manetoes que vão ficando pelo caminho junto com os que tem problemas no equipamento.
As cinquenta finais é que valem como corrida.
Isto se não inventarem aquelas estratégias esquisitas de economia de combustível ou fazer splash and go nas últimas voltas e ficar sem chances nenhuma após liderar por um tempo considerável.
E ainda assim é possível um zé mané qualquer (como o Alex Rossi no ano passado) vencer por conta de coisas extra pista.
Deviam cortar a corrida apenas para cinquenta voltas e chamar de Indy 50 laps.

E nas cinquenta voltas finais desta edição aconteceu o que sempre acontece.
Alonso, independente da categoria que estiver, se estiver de Honda, vai se decepcionar.
Motor estourado.
Um monte de manetão batendo e prova parada.
Outro F1 reject lidera: Max Chilton...
A corrida mais importante do automobilismo mundial acaba sendo uma prova de mais sorte do que talento.
E no fim, ganha um japonês que não esteve na ponta por nenhuma volta antes das 4 finais.
Takuma Sato ganha a “prova mais importante do mundo”.
E a gente acredita.

28 de mai de 2017

F1 2017 - Mônaco: onde os fortes não bebem leite

Corridas em Mônaco não são apenas as procissões intermináveis que muitos dizem ser.
A cada passagem pela Saint Devote, pela La Rascasse ou os S da piscina os carros raspam os guardrails. Um vacilo e adeus corrida.
De quem bateu e de quem estiver por perto.
E é uma corrida para homens de verdade. Depois da prova, ninguém toma leite.

Depois de mais de cem grandes prêmios, Kimi Raikkonen conseguiu a pole position novamente.
As brincadeiras sobre estar aposentado ficam por terra. Nenhum aposentado faz a pole em Mônaco.
Vettel ao seu lado era a esperança de uma briga ao menos na largada.
Não houve.
Como tem sido comum, a primeira passagem pela Saint Devote foi limpa: nenhum toque.
Com isto, a atenção se volta para as paradas para troca de pneus.
A estratégia esperada era a de apenas uma parada, a dúvida seria: quando?

Vettel seguia firme na cola de Kimi enquanto lá atrás uma Renault, a de Hulkemberg, soltava óleo em metade da pista até parar e abandonar com problemas no câmbio.
Outra coisa curiosa foi a reclamação de Button, corredor convidado, sobre a saída dos boxes de Pascal Wehrlein que resultou em cinco segundos de punição ao piloto da Sauber.
Jenson se comportou como os aposentados que vão ao banco bater papo e aumentam as filas...
Particularmente achei que soltaram o inglês quando Pascal já estava passando.... Vai entender.

E na volta 40, o pulo do gato
Kimi já havia ido aos boxes algumas voltas antes e Vettel assumiu a ponta de cara para o vento baixando ao menos duas vezes o tempo da melhor volta.
Resultado: voltou à pista com folga suficiente para contornar a Saint Devote e o Cassino sem problemas.
Sem conspiração e sem o dedo da equipe.
E com a mesma estratégia, Daniel Ricciardo também ultrapassou Bottas e assumiu a terceira posição.

Um dos lances mais surreais dos últimos tempos teve lugar na volta sessenta e um.
Na entrada dos boxes a Sauber de Pascal Wehrlein ficou parada no muro.... De lado.
Se não houvesse a proteção ali, o carro teria parado com o assoalho para cima.
Isto após se achar novamente com Jenson Button e tocar roda com roda...
Button que é um aposentado convidado só fez vergonha durante a corrida toda.
Andando em último, reclamando.... Não faz falta nenhuma e quando volta só faz porcaria.
Que fique onde está agora.

Safety car na pista juntando todo mundo.
Chance para Kimi passar Vettel?
Não... O finlandês protegeu Vettel enquanto Bottas encaixotado entre as Red Bull tentava algo mais.
Sem nenhum sucesso, diga-se.

Vettel ganhou a corrida com Kimi em segundo, mas o vencedor do fim de semana pode-se dizer que foi Hamilton largando em décimo terceiro e chegando em sétimo, colado ao sexto colocado. Primeira vitória da Ferrari em Mônaco desde 2001.
Fosse em outra pista, facilmente iria ao pódio.
Isto é Mônaco, o resto é corrida para quem bebe leite...

24 de mai de 2017

Natal em Maio para o fã de corrida

No fim de semana duas das três corridas mais tradicionais do automobilismo mundial serão disputadas. A outra são as 24 horas de Le Mans, mas esta não é bem uma corrida já que o maior mérito dos carros nem é ser o mais rápido, mas durar mais tempo na pista. Pode-se ganhar a corrida sem sequer ter feito uma das voltas mais rápidas... Mas isto é para outro dia...
Aqui o assunto são as 500 milhas de Indianápolis e o Grande Prêmio de Mônaco.

Uma é velocidade em estado bruto.
Quatro curvas para a esquerda, duas imensas retas e – infelizmente – ultimamente um monte de manetas, velhos ou rejeitos de outras categorias.
A ação de marketing (não se engane achando que não é, por mais bacana que seja) de trazer Fernando Alonso para a disputa trouxe uma nova luz e um interesse que fora dos meios automobilísticos mais apaixonados, já ia se esvanecendo.
Prova maior foi a vitória de um piloto horroroso como Alexander Rossi na edição de 2016.
Para este ano, enquanto o bicampeão de F1 ainda estiver na disputa, o interesse será enorme, mas arrisco dizer que assim que ele sair da prova (se sair, minha torcida é até para que ganhe!) os televisores fora dos EUA vão ser desligados ou a atenção à prova vai ser substituída pela rodada do brasileiro, um filme na Netflix ou a limpeza da caixa de areia dos gatos...
Não que a prova seja ruim, mas seus períodos de emoção são concentrados nas cinco primeiras voltas e nas cinco finais.
O meio é esfarrapado e enfadonho e depende de um acidente ou uma manetada para gerar algum interesse maior.

A outra é tensão.
Mesmo sem disputas diretas por posição e com a dificuldade quase intransponível das ultrapassagens a coisa é tensa. Muito tensa.
Os carros passam a duzentos por hora a milímetros dos muros e guardrails da cidade.
Em geral, não se perdoa o menor dos erros e até gente tida como “dos melhores” já sentiram na pele o que é ficar desatento por um milésimo que for por lá.
É difícil não manter a atenção na corrida, por isto é a minha preferida.

Na dúvida, assista as duas já que os horários não se atropelam.
A diversão é garantida.

22 de mai de 2017

F1 e EUA: A aproximação

Quem acompanha a F1 já deve ter notado o esforço da nova proprietária da categoria em se aproximar dos Estados Unidos.
Ações como as conversas para um futuro GP em Nova York, a aferição da velocidade dos carros também em milhas por hora (a partir do GP da Espanha começou esta novidade) e a maior de todas as atitudes: Alonso nas 500 milhas de Indianápolis podem ser os primeiros passos e acertados passos.

Alonso chegou a Indianápolis para testar seu bólido para as 500 milhas.
Testou e gostou.
Andou bem sempre que esteve na pista e conseguiu entrar no fast nine com chances reais de ser o pole position.
Até o momento em que este texto estava sendo escrito a disputa pela pole não havia começado, porém, tanto faz a posição final de Alonso na classificação.
O fato de estar entre os nove primeiros em seu primeiro contato com a categoria, e mais, com a mítica pista oval (na verdade um retângulo) é algo a se admirar.

Mas o mais interessante é ver que todo mundo está ganhando com este crossover entre as duas categorias de fórmula.
O público já está ganhando a chance de verificar como se dá um piloto da F1 na Indy.
Um piloto de ponta, diga-se...
A vitória de Alexander Rossi em 2016 não conta. Rossi nunca foi um piloto de F1 apesar de ter corrido lá. Não passou de um figurante sem graça e convenhamos: foi uma sorte que ele não terá nunca mais na vida.

Alonso já está ganhando também.
Mesmo que não vença a prova, o que é bem provável que aconteça o espanhol mostrou que não há diferenças muito grandes quando se tem talento para a velocidade.
E quem pode duvidar do talento de Alonso?
Sua imagem está melhor que nunca, tanto dentro da F1 quando para o restante do mundo do automobilismo.

Ganha a própria F1 que vai expondo sua marca por meio de seu melhor piloto (ainda que em tempos de vacas magras por conta de seu time) à um mercado que a bem da verdade está obrando e andando para ela. E se Alonso vier a vencer então...

Ganha a Indy que anda relegada a um plano regional apesar de ter pilotos de várias partes do mundo e que nem na terra natal é a maior categoria. Perde feio para a Nascar com seus taxistas malucos e sua multidão de expectadores onde quer que corra a cada fim de semana. E são muitas corridas por ano, provavelmente a categoria com maior número de provas do automobilismo.

Ainda para os fãs das duas categorias seria maravilhoso se esta aproximação trouxesse também a chance de poder ver os carros da Indy andando no (horrível crtl C crtl V) Circuito das Américas em Austin ou os F1 rasgando a pista em Road América, Watkins Glen ou qualquer outra pista tradicional dos EUA.
Para efeito de comparação seria sensacional.

E talvez isto não esteja tão longe de acontecer assim...
Quem viver verá.
E eu espero ver.

19 de mai de 2017

Feel on black day

Nunca gostei do termo “grunge”.
Acho vazio, acho mercadológico demais.... Acho uma merda.
Mas o rock feito em Seattle durante os anos 90 que veio a ser batizado com este termo é genial.
Guitarras esporrentas, baterias barulhentas, melodia... E vozes. Muitas e ótimas vozes.
Isto sem contar que substituiu nas rádios coisas que odiava!
Madona, Jequison e uma pá de bandas com muito cabelo, muita maquiagem, muita roupa grudadinha e uma música magrinha.... Quase tísica.  Tudo isto foi sendo trocado por Pearl Jam, Nirvana, Mudhoney, Stone Temple Pilot, Alice in Chains e principalmente – ao menos para mim – pelo Soundgarden.

Tomei conhecimento deles ouvindo rádio, pasmem.... Ainda se ouvia rádio!
Um programa no fim da tarde em uma das rádios rock, mais especificamente a Brasil 2000 FM em que Tatola e Roberto Maia sempre apresentavam coisas novas.
Eu estava trabalhando, mas deu para ouvir quando Maia disse que das bandas novas que estavam surgindo, o Soudgarden era o que mais se parecia com o Black Sabbath!
Eu sempre amei Sabbath e aquilo aguçou minha curiosidade a ponto de pedir que as pessoas (clientes inclusos) fizessem silêncio quando a faixa começou a ser tocada no rádio. Era “Outshined” e eu fui conquistado ali mesmo.
Era mesmo como o Black Sabbath, mas com um Ozzy que sabia cantar! Eu pensei.

Assim que consegui encontrar em uma loja, comprei o disco e ouvi o disco que se chamava Badmotorfinger tantas vezes que decorei as letras quando ainda sequer falava inglês macarrônico.
Sentado em minha bateria, imitava as batidas e levadas todas, enlouquecendo minha mãe. Minha bateria ficava no quarto que não tinha porta, logo, assistir TV comigo em casa era quase impossível...
“Rust Cage”, “Somewhere”, “With My Good Eye Close”, “Jesus Christ Pose”, “Drawing Flies” ...  Enfim, todas.

A voz de Chris Cornell era perfeita… Afinada, potente, emocionante.
Seus gritos enchiam os ouvidos, mas quando cantava mais tranquilo era uma coisa estupenda!
Em “Slavers and Bulldozers” ele gritava como se não houvesse outra faixa a ser gravada!
Depois, nunca mais perdi um lançamento dos caras.... Nem o relançamento do Badmotorfinger com o plus de um EP eu deixei passar e nele dava para ouvir a banda tocando “Into the Void”, do Sabbath e arrisco dizer, quase melhor que o original.

Quando li que Chris Cornell tinha partido, não quis acreditar. Fiquei mesmo meio fora de sintonia.
Ao chegar em casa coloquei o vinil do Temple of the Dog, o grupo tributo que era metade do Soundgarden, metade do que viria a ser o Pearl Jam, no toca discos e me sentei na sala.
Sem uma bateria para espancar peguei minhas baquetas e acompanhei batendo o pé para marcar o bumbo e batendo no braço do sofá como se fossem minha caixa e meus tambores.
Escolhi este disco e o não o meu preferido do Soundgarden para poder “tocar” minha “bateria” sem fazer força, para que o som das pancadas não encobrisse a beleza da voz de Cornell em “Hunger Striker”.
Tão bela que ofusca até Eddie Vedder, que também canta na canção.
Que se danem os rótulos, o rock vindo de Seattle perdeu sua melhor voz.
E eu um dos meus ídolos do microfone.


18 de mai de 2017

F1 2017: Algumas manchetes e o que elas realmente querem dizer

Bottas disse que teve de segurar Vettel para favorecer Hamilton.
Ou Bottas não sabe direito como funciona ser segundo piloto ou acha que todo fã de F1 é do tipo “no tempo do Senna era melhor”.
Óbvio que ele teve de segurar Vettel.
Também óbvio que tem o mínimo entendimento do esporte sabe que ele teve de fazer isto.
E mais óbvio ainda foi o passão que ele tomou de Vettel.
Afinal, era um tetracampeão mundial contra um gordinho que tapa buraco em equipe grande.

Felipe Massa lamentou a perda da chance de obter um quarto lugar e colocou a culpa em Fernando Alonso.
Claro... Alonso não estava ali tentando nada de melhor em um ano miserável com um carro miserável que está equipado com um motor ainda mais miserável.
E que ano fantástico está tendo Felipe Massa (sqn).
“-A culpa é minha e eu coloco em quem eu quiser. ”
Simpson, Massa.

Pastor Maldonado, o Gilles Villeneuve venezuelano, esteve no paddock em Barcelona.
Estava matando saudades do lugar onde foi herói cinco anos antes.
Não.... Vencer a prova naquele ano não foi heroísmo.... Aliás, foi bem suspeito, mas salvar o primo do incêndio ainda mais suspeito na garagem da Williams é que foi heroísmo.
Disse por lá que não cogita uma volta a F1.

A categoria agradece e torce sinceramente para que outro crash master –  um polonês aí... – dê uma declaração com o mesmo teor nos próximos dias.

A Force Índia declarou recentemente que está cada vez mais perto da Red Bull, mas disse também que a Williams ainda é melhor.
Se olhar o resultado puro e simples da corrida espanhola, sim... A Force Índia está bem perto da Red Bull.
E sim, o povo do carro rosa também é muito modesto.
Ou gozador...

Alonso pode vencer a Indy 500?
Sim, claro...
Se até Alexander Rossi (quem?) venceu, porque não um dos melhores pilotos de todos os tempos?
Ele vai vencer?
Difícil saber... A quantidade de coisas que podem acontecer entre a largada e a bandeirada quadriculada é muito grande.
Incluindo um grande e redondo nada...

16 de mai de 2017

F1 2017: Para além das pistas na Espanha

Há bem pouco tempo atrás a antiga direção da F1 inventou de colocar embaixo dos carros placas para que durante a prova batessem no asfalto e criassem fagulhas.
Aquilo era plasticamente bonito e remetia aos anos 80...
Houve quem gostasse, claro, mas de fato, não ajudou em nada a melhorar aquilo que mais queriam os fãs: a qualidade (em termos de emoção) das corridas.
Ok, foi uma ideia pensada dentro dos escritórios pelos antigos proprietários da categoria e, convenhamos, nasceu morta.
Até foi implementada, mas, ver carros soltando fagulhas a torto e direito mesmo fora de situação de disputas (como naquele icônico pega entre Senna e Mansell na reta de Barcelona) não fazia muito sentido.
Resultado: nem sei se as placas ainda estão lá.

Nesta edição do GP da Espanha um fato ocorrido nas arquibancadas do autódromo foi flagrado (palmas para o cinegrafista que flagrou e para o diretor de imagens que teve a sensibilidade de mandar ao ar) entrou na ordem do dia das discussões como uma grande ideia para atrair a simpatia dos fãs (ou não fãs, vai saber).
Na largada, a Ferrari de Kimi Raikkonen foi tocada por Max Verstappen e teve sua suspensão quebrada.  Fim de prova para o finlandês (e também para Verstapinho).
Na torcida, um garotinho vestido com as cores da scuderia italiana ao ver a cena chora copiosamente.
A cena é mostrada para Kimi, que um tempo depois recebe o garotinho e o presenteia com um boné do time, um autógrafo e – o mais difícil de conseguir de Raikkonen – um sorriso.

Não dá para cravar com certeza se a ideia foi de alguém dentro da Ferrari ou uma ação de marketing pensada (rapidamente) pelos novos donos da F1, mas atraiu uma simpatia enorme e somou pontos para os dois lados.

Como algo pontual e espontâneo está ok!
Foi emocionante e divertido. Uma história boa de ser contada até porque, de uma forma ou de outra, nos identificamos em algum nível com o moleque, porém, se virar um modus operandi, algo corriqueiro, a coisa estará errada e colocada perigosamente contra aquilo que o fã realmente quer: emoção nas corridas.
Porque é muito mais fácil atrair atenção e simpatia com ações “fofinhas” e relegar o que é realmente importante em uma modalidade esportiva e mascarar a falta de competitividade com este tipo de coisa do que conseguir competitividade.
Ainda que agora exista a briga entre dois pilotos vitoriosos em times diferentes, nada garante que em um futuro próximo o campeonato volte a ser um monólogo de uma equipe só?
Ficarão os cinegrafistas e diretores de imagem de olho neste tipo de coisa o tempo todo para encontrar mais histórias? Buscando a cada domingo mais “emoções fáceis” e dirigindo a atração para um lado mais “popular” como em um imenso programa do Gugu.
E quando não houver nada? Vão se produzir histórias? Dias de princesa com fãs indo conhecer motor homes, pilotos e chefes de equipe? Reforme meu carro deixando as latas velhas nos boxes das equipes? De volta para minha terra com torcedores que estão longe de casa?
É exagerado, eu sei, mas é também deste tipo de “americanização” demasiada que dá medo em relação a Liberty: Tornar algo bacana em artificialidade.
Como no caso das fagulhas do primeiro paragrafo.
Espero que pare no garotinho fã da Ferrari.

14 de mai de 2017

F1 2017 - Espanha: a diferença que uma boa briga faz

O mais chato do GP passado, na Rússia, é que a corrida seguinte seria na Espanha.
Dos circuitos “tradicionais” e permanentes, este de Barcelona talvez seja o mais sem sal, o mais sem graça...
É um circuito seletivo, com várias situações como freadas fortes, curvas de alta, chicanes, curvas de baixa... Tanto que é usado para os testes pré-temporadas por estes atributos e pelo clima...
Talvez por isto as equipes não tenham problemas para achar o melhor do carro quando chega o fim de semana que vale.
E talvez seja por isto também que as forças ficam bem estabelecidas a ponto de quase não haver surpresas nas corridas espanholas. O melhor carro sempre vence.
Nem sempre com o melhor piloto.
Excetua-se Maldonado e sua Williams que – naquele caso – não era nem um e nem outro.

A chegada da categoria à Europa trouxe ao menos mais uma novidade. Estético, diga-se.
Alguns carros colocaram seus números de forma muito visível no bico do carro e na horrenda barbatana na tampa do motor.
Ótimo, é a melhor forma para identificar o piloto em uma categoria em que os números são fixos, porém.... No GC da transmissão oficial a única identificação é o nome do piloto abreviado. Sem os números.
Ajudaria muito arrumar isto para quem não é aficionado.

A largada trazia, além dos habituais Mercedes nas primeiras filas, a companhia neste ano das Ferrari.
Está polarizado entre as duas e está bom. Poderia ser melhor, mas está bom.
A grande e espantosa novidade da largada era ver a McLaren de Alonso na sétima posição.
Não por ser Alonso, claro, é o melhor do grid, mas por ser este carro/carroça da McLaren.
Foi o maior achado, a maior tirada de leite de pedra da história recente da F1.
E aí veio a largada e nas palavras do Marcos Antônio, do F1 Fanático foi: “... Bottas deu um totó no Kimi que bateu no Verstapinho, Massa e Alonso se tocaram e Vettel passou o negão e a procissão começou! ”.

No entanto a Mercedes achou melhor mudar a estratégia de Hamilton que havia perdido a primeira posição e o mandou para os boxes após a parada de Vettel para colocar um composto de pneu mais duro, que em tese duraria mais.
E apostou que Valteri Bottas conseguiria segurar Sebastian Vettel por muitas voltas para que o 44 pudesse chegar mais perto.
Infelizmente para o time prateado Vettel é tetra campeão mundial e Valteri Bottas apenas um gordinho que está tapando buraco em uma equipe grande.
Com direito a drible e roda na grama, Vettel passou por Bottas após uma pega muito bom, como há muito não se via nem na F1 e muito menos na Espanha.
Ai sim, começou a parte em que a estratégia teria mais importância: com pneus diferentes, os ritmos de corrida e desgaste de pneus passaram a ser as estrelas do jogo, mais que os próprios pilotos.
Até que um incidente entre Massa e Vandorme mudasse tudo.
O piloto da McLaren deu um “chambão” (termo do turfe, viu...) no Williams do ex aposentado e quebrou a suspensão dianteira.
Virtual safety car e a Mercedes coloca pneus mais macios, na volta seguinte a Ferrari calça Vettel com pneus mais duros.

Uma inversão da situação.
A pergunta era: com pneus mais duros, Vettel iria até o fim da corrida de forma até certo ponto tranquila, mas... E Hamilton com os macios? Conseguiria?
Conseguiu...
Se manteve na pista, abriu o suficiente para não ser incomodado e ganhou a corrida.
Mas o que fica deste GP é que com duas equipes distintas brigando por vitórias de verdade, na pista ou na estratégia, até a Espanha é capaz de proporcionar corridas boas.
Se não foi o suprassumo da emoção, passou longe da modorrice de outros anos.

12 de mai de 2017

Recriação não é cover

Quem me acompanha nas redes sociais (só facebook e twiter que eu sou preguiçoso pra aprender a usar outras, e claro, como nem o Google está no Google + porque eu estaria?) já deve ter se deparado com um ou outro post em que fico indignado com os novos shows de calouros da TV mundial.
Mundial sim... Até porque os daqui são cópias vagabundas e rareadas dos de fora.
Nestes programas os cantores todos se assemelham entre si e com as coisas que os supostamente influenciam.
Logo, ao se fechar os olhos é possível visualizar o cantor original das canções que eles escolhem sem fazer muito esforço.
Quando muito, tentam enfiar uma pegada R&B onde não tem e por vezes nem cabe.
Colocando técnica e gritos onde deveria haver apenas delicadeza e emoção.
Pior, quando pegam números consagrados e desandam a fazer malabarismos ou afetam algum tipo de modernidade irritante.
E ainda somos obrigados a ler “expezialistas” dizer que aquilo foi incrível.
Dói no saco.


Traduzindo em mudos: cover só se for homenagem pontual ou como fez Johnny Cash quando supervisionado por Rick Rubin (o bruxo da produção de rap e hard rock nos anos 90) emendou uma sequencia de discos com suas visões pessoais de canções alheias.
Não dá para chamar de cover os trabalhos feitos na série American Recordings/1994; II Unchained/1996; III Solitaire Man/2000; IV The Man Comes Around/2002; V A Hundred Higways/2006; IV Ain´t no Grave/2010.
É bem verdade que nem tudo são versões, mas as que são soam poderosas. Mesmo mantendo um resquício da original, Cash imprime sua assinatura nas músicas de forma indelével.
Johnny Cash canta o que enxerga nas canções, como se as visse por dentro e trouxesse à tona uma beleza escondida (diferente da beleza que as canções já têm, sem desmerecer nenhuma original). Canta como se fossem suas canções, feitas para ele e para sua voz já maltratada pelo tempo e pela vida.
Se não se emocionar com esta série, acredite: nada mais é capaz de tocar seu coração.

10 de mai de 2017

O sambista húngaro

Canário acabara de chegar ao bar em companhia de Andrade que – aposentado - não tinha nada melhor para fazer.
Logo atrás entra pela porta ainda recém-aberta Derico, o fiscal da natureza.
Esbaforido, o rapaz não consegue dizer de pronto a noticia que trazia.

-Canário, dá um copo de água pra ele antes que ele tenha uma sincope.
-Mineral?  - Pergunta o botequeiro.
-Nada, dá de torneira mesmo... – devolve o professor aposentado.

Derico ao ouvir a conversa arregala os olhos como quem se sente ultrajado.
-Nem mineral e nem de torneira, cês tão querendo me matar?
Agora quem arregala os olhos são os dois.
-Me dá ou uma cerveja. Água faz mal.
-Como assim faz mal? – Pergunta Andrade.
-Eu posso ficar doente. – É a resposta.
-Fica doente nada... Ninguém fica doente tomando água. E você tem uma saúde de ferro!
-Por isto mesmo, Canário... A saúde é de ferro, cê me dá água pra tomar o que acontece? Enferruja.... Esquece a cerveja e me dá logo uma cachaça.

Canário então pega uma garrafa qualquer de água ardente
-Que isto Canário! Quer me matar mesmo, né?
-Cê não pediu cachaça? – Pergunta já se irritando.
-Cachaça, claro... Salinas, envelhecida quatro anos em barril de carvalho, não esta “três bombeiro” aí.
Mesmo contrariado o dono do bar serve uma cachaça mineira da cidade de Salinas.

-Mas agora conta o que você veio dizer. – Pressiona Andrade.
-Ah! É... Quase que esqueço. Ele voltou.
-Quem? Voltou de onde? – Quis saber Andrade.
-Camargo! O Camargo está de volta ao Brasil.
-E onde ele estava? – Pergunta Canário.
-Na Hungria, foi pra lá convidado para fazer algumas apresentações.
-Ora veja.... Eu nem sabia que ele cantava. – Diz Andrade.
-Pois é canta! Eu o encontrei agora a pouco e a tarde ele diz que vai estar aqui. - E entorna de uma só vez o copo com a nobre pinga.

A noticia se espalha e naquela tarde toda a turma se reúne no Canário´s para aguardar a chegada de Camargo.
Estão lá, entre outros, Andrade, Derico, Dito, Anízio, Pedro Marvio e Lucas tomando cervejas, comendo azeitonas e falando alto, mas todos se calam quando Camargo adentra o recinto.
-Boa tarde, pararam por quê?
-Opa, Camargo! – Cumprimenta Andrade – Não vamos ser cínicos não.... Estamos todos aqui pra saber esta história de você ter ido cantar na Hungria...
-Pois é meu caro professor.... Fui mostrar minha arte lá nas Europa! – E virando para o Canário – Me dá uma água tônica light.
-Light não tem... – diz Canário
-Então me dá uma comum.
Canário serve água de torneira, Camargo toma.
-Canário! Porra... Água de torneira? Eu pedi tônica!
-Tônica é a marca da torneira.... Agora conta pra gente aí que não aguentamos de curiosidade.
-Tá certo... Tá certo. Eu fui convidado para cantar uns sambas de minha autoria na Hungria e aceitei.
-Quem convidou? – Pergunta Pedro Marvio. – Quem foi o louco que você enganou?
-O grande empresário Manolo.
-Manolo é picareta! – observa Dito, o ex prefeito. – Tentou vender para a prefeitura um show de musica clássica sem nem ter uma orquestra.
-E o pior é que você comprou o show, não foi? – Diz Derico.
-Detalhe... Detalhe.... Mas continua. – Finaliza o ex mandatário.

-Claro... Dizia eu – caprichando na empáfia – Manolo me convidou para ir a Hungria cantar alguns sambas e eu fui. Chegando a Budapeste o grande Manolo agendou três shows em uma casa chamada Ingnoiev. Que recebe o pessoal húngaro da terceira idade... Na primeira noite e mandei meu repertorio: “Samba do Avião”, “Regra três”, “Você abusou” e “Tonga da mironga do kabuletê”. Foi um sucesso! Mas a certa altura o publico começou a pedir insistentemente: “-Julio, Julio, Julio...” e eu pensei que devia ser o cantor oficial da casa, mas Manolo veio me dizer que o publico queria ouvir uma musica do Julio Iglesias. Que eles queriam algo mais brasileiro.

-Espera aí canastrão.... Desde quando as músicas que você cantou são suas? Cê tava cantando Jobim, Vinicius e Toquinho!  E os caras pediram Julio Iglesias? E desde quando Julio Iglesias é brasileiro? - Se indigna Andrade.

-Calma mestre, eu sei, você sabe e talvez a torcida do Corinthians saiba, mas os húngaros não sabem que as canções não são minhas e que Iglesias não é brasileiro. E deixa eu continuar.... Então aleguei ao Manolo que não cantaria, afinal, nem gosto de Julio Iglesias, não sei uma musica dele sequer e nem falo espanhol. Mas ele disse: “-Ou canta, ou não recebe! ”. Na casa do sem jeito, aceitei... Peguei o violão, me sentei no banquinho e me esforcei para lembrar de algo do homem e num rompante de luz me recordei: “As veces tu, as veces yo”! E não tive duvidas, mandei um espanhol mandraque e quando chegava ao refrão, dava uma sacaneada básica e cantava: “-As veces c*, as veces b**da. Um dia mete outro no, quando no mete quer brigar...” e no fim era aplaudido de pé.

-Mas é safado mesmo.... Enganou todo mundo – recrimina Andrade – Mas já que ganhou dinheiro desonestamente, use para pagar as bebidas aí.... Vai!

Um “ehhhhh” foi ouvido até que:
-Não vai dar! – Disse Camargo - No ultimo show, logo no ultimo quando eu cantei o refrão da musica do Julio, uma turma se levantou no fundo da casa de shows e entre xingamentos e ameaças disse que aquilo era uma afronta! Que eu era uma fraude... O dono da casa foi até lá saber o que estava acontecendo e o porta voz do grupo explicou que o que eu estava cantando era uma indecência, uma imoralidade e que Julio Iglesias nunca cantaria aquilo... E traduziu pra ele o que era.... Fui expulso da casa sem receber um tostão...
-Húngaros que falavam espanhol? – Pergunta Derico. – Bem feito pra você, pilantra...
-Não.... Um bando de argentinos mesmo em excursão pela Europa.... Tinha que ser... O povinho safado estes argentinos.... Não podem ver ninguém trabalhando honestamente...

8 de mai de 2017

Quem prostituiu o que? - ou - Vamos falar sobre a imagem de Senna

Aqui não é importante se o atual prefeito da capital do estado de São Paulo é marqueteiro (ele é) e nem se está fazendo um bom trabalho frente à prefeitura (os munícipes de lá que deem sua opinião).
Trata-se da apropriação da imagem do cara feita por fãs, gente pública e oportunistas vários.
Explico: durante a inauguração de uma praça, a irmã do piloto, Viviane Senna, fez um discurso inflamado dizendo que Senna era um trabalhador e que o prefeito da cidade era tão trabalhador quanto e que, nas palavras dela: “...João Dória é o novo Senna. ”
Foi a senha para que alguém levantasse uma bandeira com o tema de que o alcaide da cidade estava de provocação já que de posse da informação de que aquele era o início do “Maio Amarelo” (mês de alerta e conscientização sobre os perigos da alta velocidade no trânsito) resolveu nomear e inaugurar um lugar público com o nome de um “personagem que morreu por causa da velocidade”.
Imediatamente se iniciou uma gritaria nas redes sociais com a virulência de sempre por gente que conhece o trabalho e a biografia do piloto e por gente que sequer o viu pilotando ou leu o livro escrito por Ernesto Rodrigues.

Morreu por causa de velocidade? Sério? Um piloto de corridas?
Ora, ora... Temos um Xeroque Holmes aqui... Não que seja a regra, mas a probabilidade em sua época existia e não era pequena.
Por partes.
Primeiramente o que estava por trás do ato?
A oposição ferrenha e as vezes intolerante ao prefeito publicitário que aumentou a velocidade máxima nas avenidas marginais dos rios Tietê e Pinheiros que havia sido diminuída pelo prefeito anterior que era queridinho de alguns setores, mas muito mal na opinião publica.
Depois, a fala da irmã do piloto ligando a imagem de alguém tão importante para a auto estima do povo à um político de direita.

Pessoalmente também penso na medida como populista e oportunista e desnecessária, afinal, o número de acidentes havia caído e o fluxo de trânsito naquelas vias tinha sensível melhora, mas não importa, não é o mérito da redução/aumento o foco, mas a forma de como a imagem do piloto foi usada para contestá-la.
A praça, bem.... Foi construída para abrigar uma escultura no parque do Ibirapuera e que tem o piloto como tema e – logo – inaugurá-la durante uma efeméride (aniversário de morte) relacionada ao piloto acabava fazendo sentido.
crédito da imagem: Alexander Grünwald
O último quesito é até patético.
A imagem pertence a pessoa e com ela o vivente faz o que bem entender.
No caso do piloto, faz algum tempo já que ele está impedido de tomar decisões quanto ao que se faz com sua imagem e nome.
Cabe a empresa que ele próprio criou para gerencia-los e – por acaso – quem manda na empresa agora é a irmã que fez o discurso.
Logo, ela faz o que bem entender já que o próprio não vai reclamar.
Não bastasse, conta a biografia citada lá em cima que quando vivo, Senna tinha pendencias à direita e uma simpatia muito grande com o malufismo, não seria estranho que – se vivo – fosse eleitor e até cabo eleitoral do publicitário.
E se assim fosse? Seus fãs deixariam de imputar ao cara a pecha de “santo” ou amar as coisas incríveis que ele fez nas pistas? Haveria protestos? Execração?
Onde está a prostituição da imagem dita em um artigo muito discutido alguns dias atrás? E se há, quem prostituiu?
Tempos toscos estes...

5 de mai de 2017

Nem vem que não tem

Simonal acompanhava a delegação canarinho no México.
Era uma espécie de cantor oficial do grupo, como tinha sido Elza Soares em 1962 com a vantagem de que ninguém no time queria come-lo...
A certa altura da preparação um atleta se contundiu e a comissão técnica tinha dúvidas se convocava outro para a mesma posição ou chamava Emerson Leão para a vaga de terceiro goleiro.
De sacanagem, Pelé, Jairzinho e Zagallo resolveram dizer a Simonal que, estando ele ali mesmo, porque não fazia um teste? Se fosse bem, porque não ficar ele com a vaga do jogador cortado?
E ele acreditou!
Solicitou ao técnico que fosse feito um treino de dois toques para que ele se ambientasse e mostrasse do que era capaz.
Não era evidentemente um atleta e ainda por cima partiu com tudo sob o ar rarefeito.
Com quinze minutos a conta foi cobrada e Simonal foi ao chão... Desmaiou.
Socorrido com máscara de oxigênio, aos poucos recobrou a consciência e deu de cara com muitos risos e gozações.
De presente, ganhou o tricampeonato.

3 de mai de 2017

F1 2017 - Outro jeito de ver o GP da Rússia: com muito esforço

O GP da Rússia foi sonolento.
Se não contar as ultrapassagens do jump na largada e os retardatários, não houve sequer uma disputa por posição que resultasse em ultrapassagem na pista.
Nem usando o DRS...
De bom apenas a vitória de Valteri Bottas e só por ser a primeira, quem sabe, de muitas.
De ruim (para o próprio Bottas) é que sua primeira vitória foi na Rússia em um ano que não houve sequer uma ultrapassagem.
O GP da Rússia foi sonolento.
Até na hora de fazer um parágrafo de abertura.

Alonso é um cara visionário.
Sacou de antemão que a corrida ia ser um porre.
Nem completou a volta de apresentação e instalação.

Kimi Raikkonen teve seu melhor fim de semana até agora.
Andou bem nos treinos.
Fez uma classificação ótima.
Terminou a prova no pódio.
De quebra, ainda promoveu o melhor momento da corrida quando disse – no rádio da equipe – que não sabia como Bottas tinha ido parar em sua frente.
A resposta do engenheiro dizendo que o finlandês gordinho liderava a prova desde a largada desencadeou a réplica: “-Eu pensei que fosse o Hamilton...”
Mas não.... Não vou ligar o bom desempenho do cara à vodca russa ou ao que teria para beber no pódio.
Não vou fazer isto.

Massa finalmente não foi o sexto ao fim da prova.
Foi o nono.
E ainda ouviu de Sebastian Vettel uma reclamação na última volta.
A resposta foi a melhor possível: “-Ele quase não reclama, né? ” – Soltou o brasileiro.

Voltando a Bottas, uma coisa chamou a atenção.
Após a prova no Bahrein, o descontentamento com as ordens da equipe para que não brigasse e facilitasse a ultrapassagem ficou evidente.
Há quem aposte que quando as portas se fecharam, o pau quebrou.
De fato, Bottas esteve perfeito o fim de semana todo e colocou Hamilton no bolso.
Convenientemente, Lewis não andou perto nem das Ferrari este fim de semana, logo, não ameaçou Bottas de forma alguma.
Mas, curiosamente, Hamilton reclamou durante a prova de falta de potência, mas logo em seguida baixou o tempo da melhor volta da prova (que seria batido outras vezes até o fim).
Não estou aqui dizendo que o bom fim de semana premiado com uma vitória foi um “cala boca” ou um “fica na sua”, mas se não voltar a acontecer nada parecido até o fim do campeonato, vou ter sérias dúvidas se não foi mesmo.

1 de mai de 2017

Amar e mudar as coisas

A obra de Belchior é recheada de versos  inquietantes, mas uma em especial me chama a atenção há muitos anos: “…Veloso, o sol não é tão bonito pra quem vem do norte e vai morar na rua.”
O verso está incluso da letra de “Fotografia 3x4”, de seu disco Alucinação (1976) e conta dos perrengues que passou ao vir para o sudeste tentar a vida como artista fazendo alusão direta à canção “Alegria, Alegria” (no verso: “...ela nem sabe eu até pensei em cantar na televisão, o sol é tão bonito...”) que denota uma certa vida mansa de Caetano Veloso ao fazer a mesma coisa anos antes.
Não diminui a obra do baiano, mas de certa forma - ao meu ver - engrandece a do cearense apaixonado e violento.

Curiosamente, agora que se foi, sua obra provavelmente será revista e terá uma valorização maior do que quando estava vivo. O que não é ruim, mas poderia ter sido feito enquanto estava vivo.
Aliás, enquanto vivo, ao menos nos últimos anos, Belchior era lembrado em matérias que davam conta muito mais de seu sumiço, de suas dívidas e menos de seu talento.
Obviamente, o artista deu motivos já que não movimentava sua obra com coisas inéditas há tempos.
Também não fazia shows e aparecia muito pouco em programas – tanto bons quanto ruins – de TV.
Mas também foi reverenciado por gente do quilate de Engenheiros do Hawaii (“Alucinação”, no disco Minuano (1997), Los Hermanos (que sempre que podiam tocavam “A Palo Seco” e com os quais fez show conjunto onde ficou claro que era uma das influências dos cariocas barbudos, The Baggios que regravou “Todo Sujo de Batom” para um disco tributo organizado pelo jornalista Jorge Wagner chamado: Ainda Somos os Mesmos (2014) junto com outros nomes da cena indie nacional e até por Chico Anysio, que em apresentação no programa Senhor Brasil, de Rolando Boldrin na TV Cultura declamou “Galos Noites e Quintais” sob os olhos marejados e emocionados do próprio.

Mas que recuperem sua obra, que relancem seus discos para que não se esqueçam da qualidade monstruosa de seu trabalho.
Viva Belchior.