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Mostrando postagens de Maio, 2017

O jeito americano - ou - As lebres e as tartarugas

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Entenda: As 500 milhas de Indianápolis são um evento puramente americano.
Tem até piloto de outra nacionalidade, mas é uma festa estadunidense nata.
Tanto que é disputada no dia dedicado aos veteranos de guerra e as ligações com coisas militares (desde o hino até a passagem dos aviões) são pontos altos da festa.
Se acha aquilo chato ou brega, pense bem... A Liberty tem a intenção de fazer a F1 ser algo bem parecido...

A corrida em si, neste ano, teve a adição de Fernando Alonso, bicampeão mundial de F1 e quase tudo foi focado nele.
Desde a abertura das transmissões com takes inteiros de sua corrida lá no pelotão intermediário onde foi parar após sua primeira experiência com largadas em movimento.
Quando assumiu a ponta, logo após os primeiros pits, a transmissão foi à loucura.
Mas com uma corrida longa como são as 500 milhas é normal não se sustentar por lá muito tempo.
Até para poupar o equipamento.
E ficou por ali, hora na ponta, hora um pouco mais atrás.... Sobrevivendo.

O interess…

F1 2017 - Mônaco: onde os fortes não bebem leite

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Corridas em Mônaco não são apenas as procissões intermináveis que muitos dizem ser.
A cada passagem pela Saint Devote, pela La Rascasse ou os S da piscina os carros raspam os guardrails. Um vacilo e adeus corrida.
De quem bateu e de quem estiver por perto.
E é uma corrida para homens de verdade. Depois da prova, ninguém toma leite.

Depois de mais de cem grandes prêmios, Kimi Raikkonen conseguiu a pole position novamente.
As brincadeiras sobre estar aposentado ficam por terra. Nenhum aposentado faz a pole em Mônaco.
Vettel ao seu lado era a esperança de uma briga ao menos na largada.
Não houve.
Como tem sido comum, a primeira passagem pela Saint Devote foi limpa: nenhum toque.
Com isto, a atenção se volta para as paradas para troca de pneus.
A estratégia esperada era a de apenas uma parada, a dúvida seria: quando?

Vettel seguia firme na cola de Kimi enquanto lá atrás uma Renault, a de Hulkemberg, soltava óleo em metade da pista até parar e abandonar com problemas no câmbio.
Outra coisa…

Motivo para assistir a corrida neste domingo sem tirar os olhos da TV

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É MÔNACO, PORRA!

Natal em Maio para o fã de corrida

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No fim de semana duas das três corridas mais tradicionais do automobilismo mundial serão disputadas. A outra são as 24 horas de Le Mans, mas esta não é bem uma corrida já que o maior mérito dos carros nem é ser o mais rápido, mas durar mais tempo na pista. Pode-se ganhar a corrida sem sequer ter feito uma das voltas mais rápidas... Mas isto é para outro dia...
Aqui o assunto são as 500 milhas de Indianápolis e o Grande Prêmio de Mônaco.

Uma é velocidade em estado bruto.
Quatro curvas para a esquerda, duas imensas retas e – infelizmente – ultimamente um monte de manetas, velhos ou rejeitos de outras categorias.
A ação de marketing (não se engane achando que não é, por mais bacana que seja) de trazer Fernando Alonso para a disputa trouxe uma nova luz e um interesse que fora dos meios automobilísticos mais apaixonados, já ia se esvanecendo.
Prova maior foi a vitória de um piloto horroroso como Alexander Rossi na edição de 2016.
Para este ano, enquanto o bicampeão de F1 ainda estiver na d…

F1 e EUA: A aproximação

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Quem acompanha a F1 já deve ter notado o esforço da nova proprietária da categoria em se aproximar dos Estados Unidos.
Ações como as conversas para um futuro GP em Nova York, a aferição da velocidade dos carros também em milhas por hora (a partir do GP da Espanha começou esta novidade) e a maior de todas as atitudes: Alonso nas 500 milhas de Indianápolis podem ser os primeiros passos e acertados passos.

Alonso chegou a Indianápolis para testar seu bólido para as 500 milhas.
Testou e gostou.
Andou bem sempre que esteve na pista e conseguiu entrar no fast nine com chances reais de ser o pole position.
Até o momento em que este texto estava sendo escrito a disputa pela pole não havia começado, porém, tanto faz a posição final de Alonso na classificação.
O fato de estar entre os nove primeiros em seu primeiro contato com a categoria, e mais, com a mítica pista oval (na verdade um retângulo) é algo a se admirar.

Mas o mais interessante é ver que todo mundo está ganhando com este crossover

Feel on black day

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Nunca gostei do termo “grunge”.
Acho vazio, acho mercadológico demais.... Acho uma merda.
Mas o rock feito em Seattle durante os anos 90 que veio a ser batizado com este termo é genial.
Guitarras esporrentas, baterias barulhentas, melodia... E vozes. Muitas e ótimas vozes.
Isto sem contar que substituiu nas rádios coisas que odiava!
Madona, Jequison e uma pá de bandas com muito cabelo, muita maquiagem, muita roupa grudadinha e uma música magrinha.... Quase tísica.  Tudo isto foi sendo trocado por Pearl Jam, Nirvana, Mudhoney, Stone Temple Pilot, Alice in Chains e principalmente – ao menos para mim – pelo Soundgarden.

Tomei conhecimento deles ouvindo rádio, pasmem.... Ainda se ouvia rádio!
Um programa no fim da tarde em uma das rádios rock, mais especificamente a Brasil 2000 FM em que Tatola e Roberto Maia sempre apresentavam coisas novas.
Eu estava trabalhando, mas deu para ouvir quando Maia disse que das bandas novas que estavam surgindo, o Soudgarden era o que mais se parecia com o …

F1 2017: Algumas manchetes e o que elas realmente querem dizer

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Bottas disse que teve de segurar Vettel para favorecer Hamilton.
Ou Bottas não sabe direito como funciona ser segundo piloto ou acha que todo fã de F1 é do tipo “no tempo do Senna era melhor”.
Óbvio que ele teve de segurar Vettel.
Também óbvio que tem o mínimo entendimento do esporte sabe que ele teve de fazer isto.
E mais óbvio ainda foi o passão que ele tomou de Vettel.
Afinal, era um tetracampeão mundial contra um gordinho que tapa buraco em equipe grande.

Felipe Massa lamentou a perda da chance de obter um quarto lugar e colocou a culpa em Fernando Alonso.
Claro... Alonso não estava ali tentando nada de melhor em um ano miserável com um carro miserável que está equipado com um motor ainda mais miserável.
E que ano fantástico está tendo Felipe Massa (sqn).
“-A culpa é minha e eu coloco em quem eu quiser. ”
Simpson, Massa.

Pastor Maldonado, o Gilles Villeneuve venezuelano, esteve no paddock em Barcelona.
Estava matando saudades do lugar onde foi herói cinco anos antes.
Não.... Vence…

F1 2017: Para além das pistas na Espanha

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Há bem pouco tempo atrás a antiga direção da F1 inventou de colocar embaixo dos carros placas para que durante a prova batessem no asfalto e criassem fagulhas.
Aquilo era plasticamente bonito e remetia aos anos 80...
Houve quem gostasse, claro, mas de fato, não ajudou em nada a melhorar aquilo que mais queriam os fãs: a qualidade (em termos de emoção) das corridas.
Ok, foi uma ideia pensada dentro dos escritórios pelos antigos proprietários da categoria e, convenhamos, nasceu morta.
Até foi implementada, mas, ver carros soltando fagulhas a torto e direito mesmo fora de situação de disputas (como naquele icônico pega entre Senna e Mansell na reta de Barcelona) não fazia muito sentido.
Resultado: nem sei se as placas ainda estão lá.

Nesta edição do GP da Espanha um fato ocorrido nas arquibancadas do autódromo foi flagrado (palmas para o cinegrafista que flagrou e para o diretor de imagens que teve a sensibilidade de mandar ao ar) entrou na ordem do dia das discussões como uma grande ide…

F1 2017 - Espanha: a diferença que uma boa briga faz

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O mais chato do GP passado, na Rússia, é que a corrida seguinte seria na Espanha.
Dos circuitos “tradicionais” e permanentes, este de Barcelona talvez seja o mais sem sal, o mais sem graça...
É um circuito seletivo, com várias situações como freadas fortes, curvas de alta, chicanes, curvas de baixa... Tanto que é usado para os testes pré-temporadas por estes atributos e pelo clima...
Talvez por isto as equipes não tenham problemas para achar o melhor do carro quando chega o fim de semana que vale.
E talvez seja por isto também que as forças ficam bem estabelecidas a ponto de quase não haver surpresas nas corridas espanholas. O melhor carro sempre vence.
Nem sempre com o melhor piloto.
Excetua-se Maldonado e sua Williams que – naquele caso – não era nem um e nem outro.

A chegada da categoria à Europa trouxe ao menos mais uma novidade. Estético, diga-se.
Alguns carros colocaram seus números de forma muito visível no bico do carro e na horrenda barbatana na tampa do motor.
Ótimo, é a mel…

Recriação não é cover

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Quem me acompanha nas redes sociais (só facebook e twiter que eu sou preguiçoso pra aprender a usar outras, e claro, como nem o Google está no Google + porque eu estaria?) já deve ter se deparado com um ou outro post em que fico indignado com os novos shows de calouros da TV mundial.
Mundial sim... Até porque os daqui são cópias vagabundas e rareadas dos de fora.
Nestes programas os cantores todos se assemelham entre si e com as coisas que os supostamente influenciam.
Logo, ao se fechar os olhos é possível visualizar o cantor original das canções que eles escolhem sem fazer muito esforço.
Quando muito, tentam enfiar uma pegada R&B onde não tem e por vezes nem cabe.
Colocando técnica e gritos onde deveria haver apenas delicadeza e emoção.
Pior, quando pegam números consagrados e desandam a fazer malabarismos ou afetam algum tipo de modernidade irritante.
E ainda somos obrigados a ler “expezialistas” dizer que aquilo foi incrível.
Dói no saco.


Traduzindo em mudos: cover só se for ho…

O sambista húngaro

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Canário acabara de chegar ao bar em companhia de Andrade que – aposentado - não tinha nada melhor para fazer.
Logo atrás entra pela porta ainda recém-aberta Derico, o fiscal da natureza.
Esbaforido, o rapaz não consegue dizer de pronto a noticia que trazia.

-Canário, dá um copo de água pra ele antes que ele tenha uma sincope.
-Mineral?  - Pergunta o botequeiro.
-Nada, dá de torneira mesmo... – devolve o professor aposentado.

Derico ao ouvir a conversa arregala os olhos como quem se sente ultrajado.
-Nem mineral e nem de torneira, cês tão querendo me matar?
Agora quem arregala os olhos são os dois.
-Me dá ou uma cerveja. Água faz mal.
-Como assim faz mal? – Pergunta Andrade.
-Eu posso ficar doente. – É a resposta.
-Fica doente nada... Ninguém fica doente tomando água. E você tem uma saúde de ferro!
-Por isto mesmo, Canário... A saúde é de ferro, cê me dá água pra tomar o que acontece? Enferruja.... Esquece a cerveja e me dá logo uma cachaça.

Canário então pega uma garrafa qualquer de á…

Quem prostituiu o que? - ou - Vamos falar sobre a imagem de Senna

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Aqui não é importante se o atual prefeito da capital do estado de São Paulo é marqueteiro (ele é) e nem se está fazendo um bom trabalho frente à prefeitura (os munícipes de lá que deem sua opinião).
Trata-se da apropriação da imagem do cara feita por fãs, gente pública e oportunistas vários.
Explico: durante a inauguração de uma praça, a irmã do piloto, Viviane Senna, fez um discurso inflamado dizendo que Senna era um trabalhador e que o prefeito da cidade era tão trabalhador quanto e que, nas palavras dela: “...João Dória é o novo Senna. ”
Foi a senha para que alguém levantasse uma bandeira com o tema de que o alcaide da cidade estava de provocação já que de posse da informação de que aquele era o início do “Maio Amarelo” (mês de alerta e conscientização sobre os perigos da alta velocidade no trânsito) resolveu nomear e inaugurar um lugar público com o nome de um “personagem que morreu por causa da velocidade”.
Imediatamente se iniciou uma gritaria nas redes sociais com a virulência …

Nem vem que não tem

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Simonal acompanhava a delegação canarinho no México.
Era uma espécie de cantor oficial do grupo, como tinha sido Elza Soares em 1962 com a vantagem de que ninguém no time queria come-lo...
A certa altura da preparação um atleta se contundiu e a comissão técnica tinha dúvidas se convocava outro para a mesma posição ou chamava Emerson Leão para a vaga de terceiro goleiro.
De sacanagem, Pelé, Jairzinho e Zagallo resolveram dizer a Simonal que, estando ele ali mesmo, porque não fazia um teste? Se fosse bem, porque não ficar ele com a vaga do jogador cortado?
E ele acreditou!
Solicitou ao técnico que fosse feito um treino de dois toques para que ele se ambientasse e mostrasse do que era capaz.
Não era evidentemente um atleta e ainda por cima partiu com tudo sob o ar rarefeito.
Com quinze minutos a conta foi cobrada e Simonal foi ao chão... Desmaiou.
Socorrido com máscara de oxigênio, aos poucos recobrou a consciência e deu de cara com muitos risos e gozações.
De presente, ganhou o tricampe…

F1 2017 - Outro jeito de ver o GP da Rússia: com muito esforço

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O GP da Rússia foi sonolento.
Se não contar as ultrapassagens do jump na largada e os retardatários, não houve sequer uma disputa por posição que resultasse em ultrapassagem na pista.
Nem usando o DRS...
De bom apenas a vitória de Valteri Bottas e só por ser a primeira, quem sabe, de muitas.
De ruim (para o próprio Bottas) é que sua primeira vitória foi na Rússia em um ano que não houve sequer uma ultrapassagem.
O GP da Rússia foi sonolento.
Até na hora de fazer um parágrafo de abertura.

Alonso é um cara visionário.
Sacou de antemão que a corrida ia ser um porre.
Nem completou a volta de apresentação e instalação.

Kimi Raikkonen teve seu melhor fim de semana até agora.
Andou bem nos treinos.
Fez uma classificação ótima.
Terminou a prova no pódio.
De quebra, ainda promoveu o melhor momento da corrida quando disse – no rádio da equipe – que não sabia como Bottas tinha ido parar em sua frente.
A resposta do engenheiro dizendo que o finlandês gordinho liderava a prova desde a largada dese…

Amar e mudar as coisas

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A obra de Belchior é recheada de versos  inquietantes, mas uma em especial me chama a atenção há muitos anos: “…Veloso, o sol não é tão bonito pra quem vem do norte e vai morar na rua.”
O verso está incluso da letra de “Fotografia 3x4”, de seu disco Alucinação (1976) e conta dos perrengues que passou ao vir para o sudeste tentar a vida como artista fazendo alusão direta à canção “Alegria, Alegria” (no verso: “...ela nem sabe eu até pensei em cantar na televisão, o sol é tão bonito...”) que denota uma certa vida mansa de Caetano Veloso ao fazer a mesma coisa anos antes.
Não diminui a obra do baiano, mas de certa forma - ao meu ver - engrandece a do cearense apaixonado e violento.

Curiosamente, agora que se foi, sua obra provavelmente será revista e terá uma valorização maior do que quando estava vivo. O que não é ruim, mas poderia ter sido feito enquanto estava vivo.
Aliás, enquanto vivo, ao menos nos últimos anos, Belchior era lembrado em matérias que davam conta muito mais de seu sum…