1 de mai de 2017

Amar e mudar as coisas

A obra de Belchior é recheada de versos  inquietantes, mas uma em especial me chama a atenção há muitos anos: “…Veloso, o sol não é tão bonito pra quem vem do norte e vai morar na rua.”
O verso está incluso da letra de “Fotografia 3x4”, de seu disco Alucinação (1976) e conta dos perrengues que passou ao vir para o sudeste tentar a vida como artista fazendo alusão direta à canção “Alegria, Alegria” (no verso: “...ela nem sabe eu até pensei em cantar na televisão, o sol é tão bonito...”) que denota uma certa vida mansa de Caetano Veloso ao fazer a mesma coisa anos antes.
Não diminui a obra do baiano, mas de certa forma - ao meu ver - engrandece a do cearense apaixonado e violento.

Curiosamente, agora que se foi, sua obra provavelmente será revista e terá uma valorização maior do que quando estava vivo. O que não é ruim, mas poderia ter sido feito enquanto estava vivo.
Aliás, enquanto vivo, ao menos nos últimos anos, Belchior era lembrado em matérias que davam conta muito mais de seu sumiço, de suas dívidas e menos de seu talento.
Obviamente, o artista deu motivos já que não movimentava sua obra com coisas inéditas há tempos.
Também não fazia shows e aparecia muito pouco em programas – tanto bons quanto ruins – de TV.
Mas também foi reverenciado por gente do quilate de Engenheiros do Hawaii (“Alucinação”, no disco Minuano (1997), Los Hermanos (que sempre que podiam tocavam “A Palo Seco” e com os quais fez show conjunto onde ficou claro que era uma das influências dos cariocas barbudos, The Baggios que regravou “Todo Sujo de Batom” para um disco tributo organizado pelo jornalista Jorge Wagner chamado: Ainda Somos os Mesmos (2014) junto com outros nomes da cena indie nacional e até por Chico Anysio, que em apresentação no programa Senhor Brasil, de Rolando Boldrin na TV Cultura declamou “Galos Noites e Quintais” sob os olhos marejados e emocionados do próprio.

Mas que recuperem sua obra, que relancem seus discos para que não se esqueçam da qualidade monstruosa de seu trabalho.
Viva Belchior.

Um comentário:

Anônimo disse...

Gudiafiternum.

. Não diminui a obra do baiano mas também não engrandece a obra do cearense porque nada é bonito para quem vai morar na rua. Nem uma fogueirinha de papel, ób, ób, servando estrelas enema garota de Ipanema... Acho que aí o genial Belchior exagerou. Queria marcar posição e conseguiu.
. Duvido. Podemos colocá-lo como alta cultura musical brasileira. Hoje, com esses povo tolo, povo Hanittta e Nemgão, sei não. Será esquecido. Não por mim e nem por você, senhor Groo mas o povo tá fraco.
. Tô contigo mas tô pessimista. Como o Charlie Chaplin brasileiro...
o que penso ? O Brasil acabou.


M.C.