16 de mai de 2017

F1 2017: Para além das pistas na Espanha

Há bem pouco tempo atrás a antiga direção da F1 inventou de colocar embaixo dos carros placas para que durante a prova batessem no asfalto e criassem fagulhas.
Aquilo era plasticamente bonito e remetia aos anos 80...
Houve quem gostasse, claro, mas de fato, não ajudou em nada a melhorar aquilo que mais queriam os fãs: a qualidade (em termos de emoção) das corridas.
Ok, foi uma ideia pensada dentro dos escritórios pelos antigos proprietários da categoria e, convenhamos, nasceu morta.
Até foi implementada, mas, ver carros soltando fagulhas a torto e direito mesmo fora de situação de disputas (como naquele icônico pega entre Senna e Mansell na reta de Barcelona) não fazia muito sentido.
Resultado: nem sei se as placas ainda estão lá.

Nesta edição do GP da Espanha um fato ocorrido nas arquibancadas do autódromo foi flagrado (palmas para o cinegrafista que flagrou e para o diretor de imagens que teve a sensibilidade de mandar ao ar) entrou na ordem do dia das discussões como uma grande ideia para atrair a simpatia dos fãs (ou não fãs, vai saber).
Na largada, a Ferrari de Kimi Raikkonen foi tocada por Max Verstappen e teve sua suspensão quebrada.  Fim de prova para o finlandês (e também para Verstapinho).
Na torcida, um garotinho vestido com as cores da scuderia italiana ao ver a cena chora copiosamente.
A cena é mostrada para Kimi, que um tempo depois recebe o garotinho e o presenteia com um boné do time, um autógrafo e – o mais difícil de conseguir de Raikkonen – um sorriso.

Não dá para cravar com certeza se a ideia foi de alguém dentro da Ferrari ou uma ação de marketing pensada (rapidamente) pelos novos donos da F1, mas atraiu uma simpatia enorme e somou pontos para os dois lados.

Como algo pontual e espontâneo está ok!
Foi emocionante e divertido. Uma história boa de ser contada até porque, de uma forma ou de outra, nos identificamos em algum nível com o moleque, porém, se virar um modus operandi, algo corriqueiro, a coisa estará errada e colocada perigosamente contra aquilo que o fã realmente quer: emoção nas corridas.
Porque é muito mais fácil atrair atenção e simpatia com ações “fofinhas” e relegar o que é realmente importante em uma modalidade esportiva e mascarar a falta de competitividade com este tipo de coisa do que conseguir competitividade.
Ainda que agora exista a briga entre dois pilotos vitoriosos em times diferentes, nada garante que em um futuro próximo o campeonato volte a ser um monólogo de uma equipe só?
Ficarão os cinegrafistas e diretores de imagem de olho neste tipo de coisa o tempo todo para encontrar mais histórias? Buscando a cada domingo mais “emoções fáceis” e dirigindo a atração para um lado mais “popular” como em um imenso programa do Gugu.
E quando não houver nada? Vão se produzir histórias? Dias de princesa com fãs indo conhecer motor homes, pilotos e chefes de equipe? Reforme meu carro deixando as latas velhas nos boxes das equipes? De volta para minha terra com torcedores que estão longe de casa?
É exagerado, eu sei, mas é também deste tipo de “americanização” demasiada que dá medo em relação a Liberty: Tornar algo bacana em artificialidade.
Como no caso das fagulhas do primeiro paragrafo.
Espero que pare no garotinho fã da Ferrari.

3 comentários:

Manu disse...

Depois que vc falou do programa do Gugu no Twitter Groo, fiquei pensando: por parte do Kimi não achei que foi artificial. Sabemos o quanto ele é sisudo, mas certamente foi uma tática da direção de prova que a Ferrari não negou fazer. Mas daí pensei que toda etapa algo fora da pista teve holofote, de uma mínima fala de um holandês contra um brasileiro, até um piloto "mudando" de categoria.
E tbm espero que pare no garotinho, para não chegarmos à uma total artificialidade do sensível. Não acho que se repetirá. Acho que mudarão cada vez o foco dos externos. Já prevejo Hamilton desfilando com uma loira modelo e fazendo discursos miméticos sobre o Senna e suas namoradas loiras em Mônaco, por exemplo. (Ele em si está demorando aparecer nesse "palco" com alguma coisa...)

Abs!

Anônimo disse...

. Esta foto é histórica. Os dois se entreolharam, sim ! E após a ultrapassagem do Senna, a Williams de Mansell, para conseguir freá-la, rebolou um pouco. Perdeu a tangência. Não me esquece nunca mas, quem ganhou esta corrida. Verei depois.
. Era a tecnologia da época. Carro pesadão, downforce atuando, qualquer desnível na pista, menos 'ondulada' que fosse, era um show de faíscas ! Fireworks !
. Isso é comum e quem inventou, o 'sentimentalismo babaca', foram os americanos. Todos que trabalham nas tvs são preparados para achar algo que emocione o público. Agora, então, o ibope registra, só tem que realmente ama a F1 e é necessário trazer aquele público que não ama tanto mas gosta destas babaquices. Ao contrário da Manu, acho que só irá aumentar este tipo de aparição. Crianças chorando( emoção sincera, delas), brigas na arquibancada( ruimllianistas contra macmaquianos. Xi !), gostosas de montão( algumas serão pagas, tudo combinado...). Show, entretenimento. E, por quê não ?, torcedores chorando de verdade. Minha última emoção na F1 foi, infelizmente, em 1994. Até hoje fico triste. No futebol, 2008, o gol do Coração Valente no São Bambino paulistano, nas Libertas. No 7 a 1, ri pacas ! Fui contra a Copa( e as Olimpíadas).
. Quando vi o menino andando todo feliz com a mãe, e na voz do Gagálvão alegre com a imagem, logo notei que estava numa cilada emocional típica das tvs. Gagálvão, talvez, sabendo que Régi Nau é frio - mostra bem isso na fala, nas análises e entrevistas. Isso não quer dizer que Gagálvão seja 'superhumano' - pediu ao comentarista para falar do menino no Fanático. E, ontem, Ruilliam Bom Né, no 'Jornal', repetiu. É.
. Vejo as corridas fazendo parte de turismo e entretenimento. Vão continuar mas que tenham cuidado com as crianças. Uma imagem falsa, com crianças, será o fim. Melhor as gatas das camisas molhadas.
. Fica caqui a minha dúvida. Será que, naquela idade, o garoto sabe quem pilotava o bólido vermelho ? O choro foi mesmo para o Vodka ?
. Eu, lá, com 100 anos de F1, dependendo onde estivesse nas arquibas, torcedor do GH-3, minha emoção seria outra. Só ficaria mais tranquilinho, menos eufórico, quando soubesse, pelos telões, que era o finlandês.

HA !


M.C.

Anônimo disse...

E aí, senhor Groo ?
O Brasil... acabou ?