23 de dez de 2016

O conto de natal 2016

A história que vou contar pode ter sido verdade ou não.
Depende do quanto você acredita que o ser humano pode ser sacana...
Os nomes foram trocados por alcunhas convenientes para, obviamente, proteger as identidades dos envolvidos.
Pode ser visto como um conto de natal já que estamos na época e que contém muito do que este tempo desperta nas pessoas...  Mas veja bem: nem sempre é algo bom.

Ao chegar no trabalho para o último dia do ano, a única certeza é de que a confraternização teria ao menos alguma história constrangedora.
Sempre tem.
Uma reunião de pessoas diferentes que aturam suas diferenças o ano inteiro tentando manter um mínimo de civilidade e aparência amistosa é sempre tensa.
Apesar das inúmeras tentativas de dissipar a tensão com brincadeiras e piadinhas que nem sempre funcionam.
Claro, existem os que se gostam de verdade e conseguem um nível de coleguismo bem próximo a amizade, mas não chegam a ser maioria.
A programação daquele dia incluía, além dos comes e bebes (guaraná e salgados da padaria) uma variação da brincadeira “amigo secreto” feita com chocolates.

A coisa parecia não fluir direito já que ninguém confraternizava.
Todos olhavam fixos para a tela de seus celulares ou tablets. Às vezes riam e mostravam algo nas telas uns para os outros.
Cansado, um dos participantes que chamaremos de Narrador, resolveu fazer algum tipo de ação para tentar melhorar aquilo. Ou só sacanear mesmo...
Foi para a sala da secretaria com a intenção de trocar a senha do wifi sem que ninguém soubesse.
Desligar o aparelho, além de muito óbvio, seria algo facilmente revertido.
Sentou-se em frente ao PC e começou a digitar o endereço do roteador quando um dos colegas entrou na sala com uma sacola de supermercado.
Vamos chama-lo de Fiduma.
-Você tem, ou sabe se aqui na secretaria tem, um daqueles saquinho de embalar presentes? – Perguntou Fiduma.
-Não.... Não tenho. Mas acho que no armário deve ter algo que sirva.
-Preciso embrulhar o presente do amigo chocolate.
-Quem você tirou?
-Deise Lumbrada. E você?
-Não estou na brincadeira...
-Hum... E o que cê tá fazendo aqui na secretaria?
-Nada, nada... – e voltou a se concentrar no computador enquanto Fiduma encontrava o que queria no armário.
Então, Fiduma abriu a sacola do supermercado e retirou de dentro uma lata de quatrocentos gramas de achocolatado em pó colocando-a sobre a mesa.
A cena despertou a curiosidade de Narrador que ficou observando Fiduma abrir o saquinho para presentes e colocar dentro a lata de achocolatado e depois fechar com um belo laço feito com fitilhos verdes e vermelhos.
-Obrigado pela dica. – Disse Fiduma ao se retirar da secretaria.
-Por nada...  – Devolveu Narrador não querendo crer no que tinha visto.

Alguns minutos depois entra pela mesma porta Deise Lumbrada apenas para desejar um bom dia.
Narrador notou que em suas mãos, como não poderia deixar de ser, havia uma sacola de uma loja de chocolates com duas caixas dentro. Loja com preços altos e chocolates obviamente caros. Este era o jeito de ser de Deise: ostentava para si e para os outros deslumbradamente.
-Tem dois amigos chocolate? – Perguntou Narrador.
-Não.... Um só. Mas achei que apenas uma caixinha seria pouco.  – Sorriu Deise.
-Claro, claro... – concordou narrador segurando a expressão facial, mas se matando de rir por dentro.

Ao sair, Deise ainda disse que ele se apressasse, já estavam começando as entregas dos presentes e seria legal que ele estivesse lá, ainda que não participasse da brincadeira.
Ele concordou e assim que trocou a senha no roteador, derrubando a internet de todo mundo no recinto, finalizou a ação, desligou o computador e saiu para assistir ao espetáculo.
Sentou-se ao lado de um dos bons camaradas do trabalho e ria baixinho de vez em quando. Controlava-se a cada vez que alguém o encarava de modo curioso.
-Cara, não tá conectando na rede.... Tá pedindo senha... – reclamou o camarada.
-Pode ser problema de rede.... Coloque a senha.
-Já coloquei, diz que está errada.
-Tente alguma variação, sei lá... Letras maiúsculas.
-Será?
-Às vezes acontece...  – E riu quase sem controle.
-Não vai...
-Troque a senha.
-Mas para qual senha?
-Tenta: Nescau. – E riu mais ainda. Agora realmente sem controle algum...

Feliz natal!

2 comentários:

Manu disse...

Gente! Rindo até o ano novo!!!
Demais Groo! de-mais!

Abs!

Anônimo disse...

Feliz Natal, senhor Groo !
É o que desejam todos da M.C. Hillarius Corporation Services Co.
Boa ! Acho que é... ah, tudo é humano.
Hoje acordei e liguei a tv. Natalzinho chato, todo mundo de teto baixo.
History Channel e Natais dos anos 1960, 1970, 1980... Interessantes os presentes do passado. Como se tratava dos natais dos EUA imagine o que pareceu. Um eu guardei de tão fantástica a ideia. O cara ficou riquíssimo ! 'Pet Rock' ! Sua pedra de estimação ! Vinha numa caixinha dourada, bonitinha. Pensei:' pena não ter visto este programa antes, porque chamaria o senhor Groo e venderíamos milhões dessas pedras no Natal da Recessão !
Digamos que colocássemos no mercado 5 milhões de caixinhas de pedras ao custo de 2 reais cada. 10 milhões de reais o senhor bancava e venderíamos por 5 reais a caixinha dourada com uma bela pedra catada no rios nas cercanias de Franco da Rocha e Rio de Janeiro. 25 milhas ! 11 milhões pro senhor e 14 milhões para mim porque a ideia foi minha. Sou um Fiduma.

HA !


M.C.