7 de mai de 2014

Azuis

Quem disse que canções de amor têm de ser melosas?
Quem inventou isto nunca ouviu “Layla”.
A canção gravada no disco Derek and the Dominos de 1970 e que na realidade é o primeiro disco solo de Eric Clapton é uma ode ao amor não correspondido.

Após tocar com os Yardbirds, John Mayal´s Bluesbrakers, Cream e até – por pouco tempo -com o Blind Faith, Eric resolve se lançar solo e convida alguns colaboradores para ser seu time de apoio.
Diz a lenda, que após a primeira apresentação do grupo alguém perguntou a Eric qual seria o nome da banda.
-Eric and the Dynamos. – respondeu o guitarrista.
-Como? Derek and the Dominos?
-É, é...  – e sai andando.
Se não era, ficou sendo.

E neste primeiro disco, Eric que sempre foi chegado a fazer de suas canções válvulas de escape para seus sentimentos, cunha uma das mais memoráveis canções de amor não correspondido da história: “Layla”.
Feita para Patti Boyd que à época era esposa de George Harrison - um dos melhore amigos de Eric - que parecia preferir “Something” ao trabalho de Clapton, a canção passa longe de ser melosa.
Em grande parte por culpa – ou mérito – de Duane Allman, que convidado para uma participação especial no disco, pilotou sua slide guitar como se esta fosse um trem desgovernado. Resultando em um dos riffs mais famosos e devastadores do rock até desembocar no final da canção com um lindo solo em contrapondo o piano elegantemente sóbrio e angelical.

O já veterano produtor Tom Dowd, conhecido à época pelo mau humor e pela má vontade com que tratava os singles que produzia, após a sessão de gravação da musica, saiu dos estúdios dizendo: “-Esta porra é o melhor disco que fiz em dez anos!”.
Porém o reconhecimento de quem mais importava demorou um pouco a vir.
A canção só chegou a seu ponto mais alto nas paradas – quarto lugar – dez anos depois e Patti só levou seus belos olhos azuis para junto de Eric em 1979.

4 comentários:

Vander Romanini disse...

Texto música impecáveis!!

Francisco J.Pellegrino disse...

Ta virando poeta...excelente.

Marcelonso disse...

Groo,


Eis ai um dos monstros sagrados do Rock...
Dificil encontrar um sujeito que não curta as musícas dele...


abs

Rubs Cascata disse...

Imagine um sujeito ser comunicado pela esposa que está tendo um caso com o seu melhor amigo. George Harrison olhou para Eric e lhe disse: é melhor que isso tenha acontecido com um amigo do que com outro qualquer.
Este depoimento foi feito pelo próprio Eric no documentário de Martin Scorcese: George. Patti atribuiu os conflitos existenciais de Harrisson à ganância dos outros Beatles. Um filme imperdível.
Entre outras coisas, descobrimos que Paul McCartney não aceitou gravar "My sweet Lord". A música só foi gravada Clapton interferiu e se dispôs a tocar guitarra como convidado. Bem, eu nunca fui com a cara de Paul.