26 de jun de 2014

Samba? Blues? Só o idioma difere...

Há quem ache que o blues feito no Brasil é fake, puro pastiche da música negra de raiz norte americana.
Nem sempre.
Há quem defenda – por conta disto – que não temos bluesmans.
Besteira.
Temos sim e não devem nada aos americanos.
Só que vestem suas dores – como os americanos fazem com o blues – com sambas.
Quer dois?
Cartola e aquele que é objeto desta crônica: Nelson Cavaquinho.

Perguntado certa vez porque suas canções falavam tanto em morte, Nelson respondeu:
“-Falo muito nela para ver se ela se emociona e se fasta de mim. Quanto mais falo dela, mais ela fica agradecida e mais tempo demora pra me buscar.”

De outra, contou que teve um sonho em que morreria exatamente às três da manhã.
Acordou assustado e foi conferir no relógio que horas eram.
Faltavam exatos cinco minutos para as três da madrugada.
Pegou o despertador e não teve duvidas: atrasou o relógio para meia noite novamente.
Realmente foi embora na madrugada de 18 de Fevereiro de 1986, vitima de enfisema pulmonar. Mas não na hora marcada no sonho.
“-Pode até vir me buscar, mas não dou a ela o direito da pontualidade.” – disse.

Acredite... Se não fosse o idioma, você nem notaria a diferença entre os estilos.

Um comentário:

Giovanni disse...

Blues não é samba e vice versa.
Mas dá pra ouvir os dois sem ficar comparando.
Tudo música, quando é bem feita, claro.