15 de ago de 2014

Doce

Armação na música pop sempre existiu.
Os Monkeys, diversos grupos vocais e as boy bands de hoje em dia estão ai para provar cabalmente.
Óbvio que os Monkeys acabaram mostrando algum talento anos mais tarde, mas a principio eram uns caras “bonitos” juntados por um empresário “esperto” para colar na beatlemania.
Aliás, até os Beatles apareceram de forma meio fake com aqueles terninhos, cabelinhos de tigela e musiquinhas falando de pegar na mão e tal.
No mesmo período os Stones já queriam outras coisas...
Ainda bem que os “garotos” de Liverpool tinham talento de sobra para evoluir e merecer a fama que os acompanha até hoje.

Uma das melhores histórias de armação/redenção é a do pessoal cheio de glitter do Sweet.
A gravadora RCA/Capitol tinha visto e gostado de um grupo obscuro chamado Sweetshop onde tocavam Brian Cannolly (vocais), Steve Priest (baixo) e Mick Tucker (bateria) e apostou neles.
Após alguns singles fracassados, Andy Scott (guitarra) entra no grupo e a gravadora resolve colocá-los sob a direção de dois produtores hitmakers: Nicky Chinn e Mike Chapman. Além de trocar o nome para apenas Sweet.
´A dupla Chinn e Chapman escreve a maioria absoluta das músicas no primeiro disco, que faz algum sucesso, porém estar sob o controle de produtores e suas fórmulas não era bem o que os caras imaginavam fazer na carreira.

Pediram e a gravadora diminuiu a influência dos dois.
O resultado não poderia ser melhor musicalmente: Sweet Fanny Adans viu a luz do dia em 1974 e chegou até a respeitável posição número 27 dos álbuns mais vendidos do Reino Unido naquele ano com apenas duas músicas de Chinn e Chapman, porém, não tinha hits.

Para sanar este problema e catapultar a popularidade do grupo foram lançadas como singles canções da dupla de compositores: Blockbuster, Hellraiser e The Ballroon Blitz, (possivelmente seu maior sucesso até hoje). Todas adicionadas ao disco original nas reedições em CD.
Porém, com aquele vinil de nove canções a semente já estava plantada.
O som pesado, rápido, contagiante e poderoso do disco apontou os novos rumos para o Sweet, indo na direção do glitter rock feito por gente do calibre do T-Rex, David Bowie e Lou Reed (em Transformer).

Curiosidades sobre o disco.
O título faz alusão a um assassino do ano de 1867 e que tinha o nome Fanny Adams. Detalhe, o moleque tinha apenas oito anos de idade.
Outra curiosidade é que o título da canção incluída no disco: Sweet F.A. não é sobre o pivete, mas uma abreviação eufemística para Fuck all.
A canção Set me Free foi regravada pela banda de heavy metal Saxon em seu disco mais famoso, Crusader, de 1984.

4 comentários:

Vander Romanini disse...

Vi dia desses um documentário sobre a cena musical dessa época.
Basicamente, as bandas e ´cantores(as) ficavam a mercê de compositores que se achavam deuses até que uma famosa banda inglesa com nome de um membro da realeza resolveu compor um disco só com músicas próprias, coisa impensável na época, pois por uma lei deveria ter pelo menos 50% das músicas feitas por tais compositores.
E essa banda foi até os tribunais e ganhou o direito de ter seu disco 100% autoral ser vendido nas lojas!!!

Magnum disse...

Ótima dica!!! Não conhecia. O Judas Priest no começo dos 80 não estava tão longe deles...

andreh disse...

Putz, valeu Groo! So conhecia essa musica com o Saxon, por sinal uma das favoritas do Crusader! Nao fazia ideia q essa musica era antiga! Ta valendo cada visita aqui no blog! Valeu! Abs

Marcelonso disse...

Groo,

Não conhecia essa história, e tampouco tinha noção que essa música era da década de 70, tempo dourado do rock.

abs