27 de out de 2014

F1 progressiva?

No fim dos anos 60 o rock and roll estava um tanto diferente.
Os shows, a exemplo dos discos, se encheram de solos longuíssimos, arranjos mirabolantes, efeitos diversos.
Até o modo de composição passou a ser diferente.
Lobão conta em seu livro 50 anos a mil que Patrick Moraz, ex-integrante do Yes que veio morar no Brasil após casar com uma brasileira recrutou a banda carioca Vímana para lhe apoiar a carreira solo e trazia para as reuniões de composição um quadro negro repleto de equações, metas, assuntos aos quais ele pretendia transformar em músicas e letras.
As canções já não tinham mais três ou quatro minutos, não eram dançantes ou doces baladas de amor. Pelo contrário, ocupavam um lado todo do vinil e nem sempre eram empolgantes e exigia do ouvinte alguma erudição para entende-la.
Os álbuns passaram a ter muito mais importância que os singles e para a compreensão da mensagem do artista...
Começou ali o distanciamento lento e gradual do músico que criava coisas muito longe da realidade do ouvinte.

Em resumo, o fã mais tradicional e de primeira hora acabou deixando a coisa um tanto de lado em nome da diversão pura e simples de outros estilos.
É inegável que grandes obras surgiram no período: Dark Side of the Moon, The Lamb Lies Down on Brodaway, Lark Tongues in Aspic, Fragile etc.…
Mas com o passar dos anos apenas alguns nomes continuam sendo reconhecidos realmente como grandes, relegando muitos outros a nichos ou até mesmo obrigando-os a repensar a carreira popularizando o trabalho.

Já perto do colapso de popularidade, no fim dos anos 70 um bando de moleques ávidos por diversão pura e simples tomou conta da coisa.
Músicas de três minutos ou menos com três acordes onde o segundo verso repete o primeiro - com um refrão ou não - sem se preocupar com poesia ou mensagens elaboradas.
Por vezes era possível ver os “ídolos” enchendo a cara nos mesmos bares que os fãs, possibilitando a entrada de quase qualquer um na cena.
Era o "Do it Yourself" dando as cartas e salvando o rock para as gerações futuras.

E ai? O que isto tem a ver com F1?
Fico só na espera do surgimento dos punks para salvar a categoria que virou um imenso grupo de rock progressivo com corridas longas, em sua maioria chatas e com cada vez menos gente tanto correndo quanto assistindo...

3 comentários:

Vander Romanini disse...

Groo, essa foi na mosca!!
Esse pensamento também pode ser usado no final dos anos 80 onde a Farofada tava no auge, quase que inatingíveis, até surgir o Grunge e todo o resto.
Não acha?

PH Miniaturas disse...

Poxa Groo, falando assim fiquei com vontade de fazer parte. Quem serão os punks e que ação eles tomarão pra salvar a F1 ? Campeonatos particulares? Ingresso mais barato no groupon? Sorteio de brindes? Isenção fiscal para indústrias que invistam em academia de pilotagem e fabricação de equipamentos?

Marcelonso disse...

Groo,

Ainda que o campeonato dessa temporada esteja aberto, muitas corridas foram entendiantes...

Dá para contar numa só mão as corridas que foram boas até aqui.

abs