14 de jan de 2015

Crônica de um dia quente (em que a cabeça não funciona direito)

-Pô, que bicho feio é este ai? – perguntou o Baixinho.
-Sei lá... Só sei que é um pássaro. – respondeu Dinei.
-E como sabe que é pássaro?
-Tem pena, passa a mão nele...
-Eu heim... Vai que este bicho morde.
-Não morde não...
-Como cê sabe?
-Pássaro não morde.. No máximo pode bicar... E olha eu to segurando ele e não me bicou ainda...
-Vamos levar ele pro professor de biologia pra ele dizer que pássaro é este.
-Acho que é um pombo... Olha as cores do bicho: branco e preto. É pombo.
-Muito grande pra ser pombo.

No caminho até a escola onde estudavam as duas antas levavam o pássaro debaixo do braço e ouviam gracejos dos mais velhos.
-Vai por em cima da geladeira?
-Cadê o outro pra formar o logo da Antarctica?
E os dois – obviamente - não entendiam.
 Ao chegar à escola encontram o professor de biologia já de saída.
-Fessor.. Pera ai... Diz pra gente que tipo de pássaro é este aqui.
E mostram para o professor.
-Putz... Onde cês acharam ele? – perguntou o professor.
-Tava perdido na avenida da praia... – respondeu o Baixinho com o pássaro ainda debaixo do sovaco.
-Deve ter chegado aqui perdido em uma corrente marítima... Você deu alguma coisa para ele comer?
-Dei sim...  Salsicha.
-Cê é burro heim, Baixinho? Onde já se viu pombo comer salsicha? – tirou uma onda Dinei.
-Não é pombo sua besta... Já falei é muito grande pra ser pombo.
-Ele tem razão, Dinei. Não é pombo. É um pinguim.
- Que isto fessor... Pinguim tem um bicão – retrucou.
-Pqp! Às vezes me pergunto em que vocês estão prestando atenção quando estou dando aula... Este ai é o tucano Dinei!
-Tucano fessor? Gosto deste bicho não... É símbolo do Palmeiras... – Dinei era corintiano.
-Depois eu é que sou burro! – se indigna Baixinho – Aquilo é um porco, porra!
-E desde quando porco tem pena sua anta!
-Molecada... Deixa esta conversa de doido pra lá e me dêem o pinguim aqui pra eu levar pra onde possam cuidar dele.
O corintiano entrega o pássaro ao professor sob o olhar desconfiado do Baixinho.
-Vou levar para uma clinica veterinária... Salsicha, onde já se viu...

O professor põe o carro em movimento pensando onde é que estavam errando com a educação desta molecada. Liga o ar condicionado e coloca na potência máxima para que o pinguim se sinta ao menos um pouco melhor.
Na porta da escola as acusações de burrice mutua continuam.
De repente um pavão aparece caminhando pela rua e Dinei ao avistar este novo bicho se assusta
O pavão, impassível e tranqüilo abre a penagem da cauda em leque, exuberante.
-Pqp Baixinho! Olha aquilo!
-Carai! Que porra de galinha grande é aquela?

4 comentários:

luis marcelo iriarte disse...

Poh! Como pinguim lá acima achei que tu ia falar da Sauber!

Mais a metáfora ficou ótima: só pensei no charlie Whiting o tempo todo...

Manu disse...

Rsrsrsrs, sensacional! :D

Marcelonso disse...


Groo,


Duas figuras esses moleques. PQP, que porra de galinha grande é aquela, foi demais!

abs

Rubs Cascata disse...

A belezura do conto é igual à do pavão.
Mas eu nunca vi moleque mais burro. Não sabe nem a diferença entre "bicho", "animal" e "criação". Mais burro do que porteira de tronco.
Abs.
Rubs Cascata