6 de fev de 2015

Aristeu

No carro, pela manhã
-Pô cara, eu tô criando um galo...
-Galo? Em apartamento?
-É... Que é que tem? O bicho é legal.
-Legal?
-É... Nem late... –  e sorri.
-Cê tá brincando, né? – preocupado.
O dono do galo não responde...

Mais tarde.
-Cara, o Julio disse que você cria um galo no apê... É verdade?
-É sim... Um carijó.
-É daqueles grandes?
-Não, não... Carijó é pequeno.
-Canta?
-Não sei... Ele fica lá andando pela sala, olhando a estante.
-Olhando para a estante?
-É... Acho que quando eu não tô olhando ele até dá uma folheada em algum livro... Sabe como é, pode ser que não cante, mas provavelmente compõe...

Durante o almoço.
-Ô Jurandir! Que história é esta de galo?
-O azeite?
-Não Jurandir... O que você tá criando no seu apartamento.
-Ah... O Aristeu.
-Aristeu?
-É... O nome do carijó é Aristeu.
-Ah... E ele vem quando você chama?
-Não, não vem... Mas acho que isto é influência do gato do vizinho.
-Os dois andam juntos?
-Nunca vi, mas o gato também não vem quando o dono chama... Daí...

No fim do expediente.
-Jura, vamos tomar um chope no happy hour?
-Desculpa Lourdes, mas não vai dar não... Preciso ir para casa.
-Ah! Vamos? Eu queria tanto tomar um chope com você.
-Não posso mesmo, o Aristeu tá lá sozinho, e nem sei se ele comeu...
-Aristeu? Esta história de criar um galo no apartamento então é verdade?
-É sim...
-Interessante Jurandir... E o que ele come?
-Ah... Come os restos de comida... Hoje mesmo, deixei frango que sobrou da janta do lado do poleiro dele...

2 comentários:

Luara disse...

E a sujeira?
Se bem que tem gente que cria cachorro em apartamento né?

Marcelonso disse...

Groo,

Aristeu não é fraco. Até carne ele come...


abs