24 de mar de 2015

E quando Ecclestone finalmente cair?

Há alguns anos já não há F1 na França.
Este ano não teremos na Alemanha.
E segundo Luis Fernando Ramos, o Ico, o grande prêmio da Itália corre sérios riscos para os próximos anos.
De realmente tradicional – e seminal – sobraria apenas a prova na Inglaterra.

Claro, existem as tradicionais e boas provas na Bélgica e (agora de volta) na Áustria, mas convenhamos e concordemos com o Ico: o DNA da F1 está se dissipando e corre o risco de desaparecer.
Enquanto isto se acumulam corridas (algumas péssimas) em lugares sem tradição, mas com muita grana como nos países árabes, China, Rússia e afins.
Culpa da forma como Bernie e sua FOM negociam contratos com realizadores e também da crise econômica no continente.
A segunda está longe de ser contornada pelo povo da F1, aliás, não compete a eles, mas... E a primeira?
Bernie com a sua visão sobre como conduzir os negócios da categoria é culpa única e exclusiva da própria F1.

Minha pergunta é: só tirar Bernie do comando da coisa é a solução para os problemas da F1 no continente europeu?
Gosto do Bernie e gosto do que ele fez pela F1, mas concordo que já é hora de virar a página.
Novo comando, novas ideias, mas... Seria só isto mesmo a solução?

Lembrando que a Europa começou a mandar a F1 para fora de seu território quando começou a restringir patrocínios.
Primeiro a indústria tabagista foi banida, logo após as de bebidas começaram a ser alvo de ameaças de banimento também.
Quem quer investir uma grana e de uma hora para outra se ver proibido de expor sua marca nos carros e autódromos?
Curiosamente, alguns dos novos países que sediam a F1 não permitem propaganda de bebidas. A Williams é obrigada a mexer no layout de seus carros para estas corridas.
E quanto tempo vai demorar para que a caça às bruxas também se dê em torno dos energéticos carregados de cafeína?

Sobraram os patrocínios de instituições financeiras, mas estas também fugiram com a crise.
Assim o já minguado orçamento das equipes pequenas foi sendo sufocado e os times novos que apareceram tem mais o aspecto de pequenas lavanderias de dinheiro do que agremiações esportivas.
As grandes sobrevivem de uma forma ou de outra, mas não é possível fazer um campeonato apenas com McLaren, Ferrari e Williams.
Em tempo, Red Bull não é bem um time esportivo - apesar dos aportes financeiros generosos em muitas modalidades - e a Mercedes é o time de uma montadora, que vem e vai embora ao sabor dos resultados.

A crise, portanto, vai muito além do “tirem o Bernie”.
É sim necessário arejar a cúpula da categoria, mas como? Colocando quem ou o quê no lugar?
Se não houver uma resposta satisfatória à esta pergunta, a queda de Bernie Ecclestone, por política ou por morte (o homem tem idade avançada), terá o mesmo efeito daquela corrida do cachorro atrás de pneus de carros: finalmente consegue pegar, não sabe o que fazer ou acaba atropelado pelo mesmo.

5 comentários:

Rubs disse...

Ron Groo,
Vovô Bernie alega que 70% do orçamento das equipes pequenas e médias dependem da receita de circuitos e ingressos caros. Toto Wolff propõe novos modelos baseados nas redes sociais e, claro, vovô não entende disso e teria de fazer um pronatec. Vovô, então, propõe a brilhante ideia de uma segunda divisão na F1, uma F1 série B, com chassi fabricado pela Red Bull e motor V8 de 1000 cv vendido por... Flávio Briatore! Além dessa, houve a proposta de um terceiro carro, o que só faria aumentar custos.
Se há uma coisa em que Mercedes e Audi concordam é com a diminuição do poder de Bernie. Veja ai:
http://bit.ly/1BoNIjY
Deviam aprender conosco, que temos a situação futura inteiramente sob controle: depois da dirigenta, temos o que Temer, uma Cunha e uma Velha Calheiros.
abs.

Rubs disse...

Ron,
Mais uma para tentar adivinhar o futuro:
http://bit.ly/1NaZQeO
Não sou nem profeta nem provecto, mas aposto que as montadoras vão usar a F1 como plataforma de marketing para produtos tecnológicos. Daí o interesse da Renault em comprar a Force Índia ou Toro Rosso, a volta da Honda, interesse da Audi na Red Bull, etc. Em Las Vegas, aposta-se que o futuro é os EUA.
Abs.

Anselmo Coyote disse...

O problema é o alinhamento do Bernie/FOM às grandes equipes. Uma categoria diferente poderia ser criada com os mesmos fundamentos da F1, aproveitando-se a oportunidade para não cometer os mesmos erros. Em suma, seria as equipes virar as costas para a marca Fórmula 1.
Se a F1acabasse e as equipes fossem pra GP2 com seus pilotos eu assistiria a todas as corridas. Poderiam fazer corridas nos circuitos tradicionais a um custo muito menor para todos.
A F1 que se virasse com Marussias e Caterhans em provas no Afeganistão, Vietnam, Botswana, Moldávia e outros equivalentes.
A F1 se enterraria de uma vez junto com o Bernie, que as estas alturas já está em estado avançado em suas negociações com o capeta.
Seria interessante: morreram hoje os moribundos Bernie Eclestone e a F1, o primeiro deixando para trás uma fortuna incalculável que será dilapidada sem dó nem piedade por alguém que nunca pisou em um autodromo de F1.
Abs.

Marcelonso disse...

Groo,

Ecclestone fez a sua parte, mas está mais que na hora de largar o osso. A categoria precisa modernizar a Gestão e principalmente, aumentar a divisão de dividendos entre as equipes.

Do jeito que está sendo conduzida, caminha para o buraco. Na boa, nem mesmo nós que adoramos esse esporte vamos suportar assistir corridas sem graça, como a última por exemplo.

Só para ilustrar, temos um grupo de amigos que costumeiramente se reune para assistir algum evento in loco.

A pauta para esse ano era a F-1, mas de "vinte cabeças", apenas três estariam dispostos a ir para Interlagos ver o GP do Brasil...

A maioria queria assistir a Indy em Brasilia. Como não virou, vamos todos para Curitiba ver a Stock.

abs

Rafael Schelb disse...

A Federação assumir diretamente o controle, como no WEC e Fórmula E, já seria meio caminho andado.