15 de mar de 2016

Franco da Rocha 10 e 11/03/2016

Aos poucos a cidade vai retomando seu ritmo normal. Não sua rotina, que esta demora a se restabelecer.
A quantidade de chuva foi extremamente grande.
Para ter uma ideia, a represa Paiva Castro estava com trinta e cinco por cento de sua capacidade e em quatro horas chegou muito próximo ao limite de segurança.
Foi necessário aumentar a vazão de suas comportas para estabilizar e evitar o risco de uma tragédia ainda maior.
Além da inundação propriamente dita e que trouxe prejuízos enormes aos moradores e comerciantes da cidade, também houve o problema dos deslizamentos de encostas.
Dezenas e dezenas de casas em áreas de risco tiveram (ou tem, já que alguns moradores se recusam a sair dos imóveis) de ser evacuados.
Na cidade, até onde se sabe apenas um óbito.
Relatos dizem que a pessoa tentou, sem necessidade, atravessar a enxurrada.
De fato, ninguém vai saber.

Mas a verdade é que sim, as pessoas se arriscam de forma absolutamente desnecessária.
Na manhã do dia 11 ao fotografar os estragos feitos pela água, me deparei com um par de senhoras atravessando a inundação com água pelas cinturas, vindo de uma área seca e indo para onde ninguém sabe. Muito menos o porquê.
De onde elas estavam vindo.
Elas

O que havia à frente delas
 Fora o risco – óbvio – de afogamento por conta dos inúmeros buracos e bueiros existentes na região, há também a chance (grande) de se contrair algum tipo de doença já que as águas do rio se misturam ali com esgotos e, claro, sujeira urbana (ratos etc.).

Foi realmente muita chuva, muita água evacuada pela represa, mas a educação da população também contribuiu para o evento.
Diariamente eram vistos nas ruas todo o tipo de lixo possível.
Desde sacos em frente às lojas esperando recolhimento, até lixo pessoal (embalagens, papéis, garrafas plásticas de água, refrigerantes...) que poderiam muito bem ter sido dispensado em uma das tantas lixeiras espalhadas pela cidade.
Fica o alerta e a lição: a natureza é realmente implacável, mas prevenção e educação ajudam a minimizar muita coisa.

Feito o balanço, contado o prejuízo a vida vai seguir, as coisas voltarão mais ou menos ao normal em breve, porém até lá, os olhos vão se erguer desconfiados e assustados a cada nuvem de chuva que se formar no céu.

6 comentários:

Manu disse...

Fiquei assutada com as notícias dessa chuva. O estrago foi feio.
Como vc ainda não entendo porque as pessoas arriscam sair. O risco é muito grande, e essas senhoras não deviam ter feito isso se não fosse realmente necessário.

Abs!

Rafael Schelb disse...

Enchente não é brincadeira não. Aqui em Muriaé a gente meio que tá acostumado e já até faz piada, mas é isso aí que você falou: muito da culpa é nossa, da nossa falta de educação.

Marcelonso disse...

Groo,

Enfrentei três enchentes aqui em Itajaí, e sei muito bem do que está falando. Ainda que as pessoas se conscientizem quanto a preservação e ao descarte adequado de lixo, quando a natureza entra em fúria, não há como conter. Tudo acontece tão rapidamente, que damos conta da nossa insignificância perante ela;


Fico feliz que tudo está bem com você e sua familia.

abs

Rubs disse...

As imagens são impressionantes. Imagino que podia ter sido pior.
A pior enchente que conheci ocorreu no rio Corumbá. Eu possuía um fordinho preto.
Abs.
R.

regi nat rock disse...

Atravessei o rio das Mortes no MT, em cima de um caminhão. pois a Brasilia, não passaria de jeito nenhum tamanha a agua. (1978) Qdo cheguei na fazenda, depois de umas 8 horas de barro terrível, a água do rio Kuluene estava a 20 metros da sede. Naquele dia, estimei que a largura do rio beirava os mil metros. A calha normal era de uns 50 metros. Impossível imaginar o que é isso! Só vendo e NÃO crendo no que a natureza é capaz, qdo de mau humor. Tenho outro amigo (além de vc) que mora aí e fonei pra saber como estavam as coisas. Mora pertinho do centro em área alta. Só não pode sair de casa.

Anônimo disse...

Minha solidariedade ao povo de Franco da Rocha.
Aqui, Rio de Janeiro, o céu desabou no sábado, dia 12. Não foi a primeira vez depois do fim da última era glacial e não será a última tempestade tropical até a próxima era glacial. Então, com isso, quero dizer, INCOMPETÊNCIA PURA DAS OTORIDADES prostituídas ! Seja federal, seja estadual, seja municipal, todos fazem parte do mesmo lixo ! Minha rua poderia fazer parte das Olimpíadas do Cocô. Virou uma corredeira e caiaques poderiam descer tranquilamente ! Entra ano sai ano, a mesma coisa ! Nós não temos avalanches de neve. Não temos nevascas. Não temos tsunamis. Não temos terremotos ! Não temos, nas cidades, aqueles incêndios como em Los Angeles. Temos chuvas torrenciais ! Ora, rios extravasores ! Exemplo da própria Los Angeles !

http://www.winecommonsewer.com/photos/uncategorized/2007/04/22/la_river.jpeg


Óbvio, do jeitinho brasileiro, se possível, a construção só custando o dobro do preço porque, além de ter água até a testa, o povão anda duro com a roubalheira, desemprego e a recessão. Maneirem aí, ladrões desgovernantes ! E não ponham a culpa na natureza porque o número de otários anda diminuindo assustadoramente para o desespero de ocês. Domingo passado foi a prova disso.


M.C.