25 de mar de 2016

Groo recomenda: American Recordings, de Johnny Cash

Quem me acompanha nas redes sociais (só facebook e twiter que eu sou preguiçoso pra aprender a usar outras, e claro, como nem o Google está no Google + porque eu estaria?) já deve ter se deparado com um ou outro post em que fico indignado com os novos shows de calouros da TV mundial.
Mundial sim... Até porque os daqui são cópias vagabundas e rareadas dos de fora.
Nestes programas os cantores todos se assemelham entre si e com as coisas que os supostamente influenciam.
Logo, ao se fechar os olhos é possível visualizar o cantor original das canções que eles escolhem sem fazer muito esforço.
Quando muito, tentam enfiar uma pegada R&B onde não tem e por vezes nem cabe.
Colocando técnica e gritos onde deveria haver apenas delicadeza e emoção.
Pior, quando pegam números consagrados e desandam a fazer malabarismos ou afetam algum tipo de modernidade irritante.
E ainda somos obrigados a ler “expezialistas” dizer que aquilo foi incrível.
Dói no saco.

Traduzindo em mudos: cover só se for homenagem pontual ou como fez Johnny Cash quando supervisionado por Rick Rubin (o bruxo da produção de rap e hard rock nos anos 90) emendou uma sequencia de discos com suas visões pessoais de canções alheias.
Não dá para chamar de cover os trabalhos feitos na série American Recordings/1994; II Unchained/1996; III Solitaire Man/2000; IV The Man Comes Around/2002; V A Hundred Higways/2006; IV Ain´t no Grave/2010.
É bem verdade que nem tudo são versões, mas as que são soam poderosas. Mesmo mantendo um resquício da original, Cash imprime sua assinatura nas músicas de forma indelével.
Johnny Cash canta o que enxerga nas canções, como se as visse por dentro e trouxesse à tona uma beleza escondida (diferente da beleza que as canções já têm, sem desmerecer nenhuma original). Canta como se fossem suas canções, feitas para ele e para sua voz já maltratada pelo tempo e pela vida.
Se não se emocionar com esta série, acredite: nada mais é capaz de tocar seu coração.



Personal Jesus é uma música original da banda Depache Mode (nada pode ser mais diferente do Johnny Cash que isto), para quem quiser ouvir o original clique aqui: Depache Mode

Um comentário:

Régis disse...

Como você disse no quinto, pobre do povo que ainda precisa que lhe recomendem Cash. Deveria ser obrigatório.