23 de mar de 2017

F1 2017: A paixão que se renova

A cada fim de temporada pensamos que já deu...  Equipes dominantes, pilotos que ganham sempre, algumas corridas maçantes... Mas é só se aproximar a primeira corrida do ano e a paixão se renova como fogo alimentado com gasolina.
F1 é pra quem ama, não pra quem quer emoção a qualquer custo.
Por isto escrevi este texto, por isto o republico: porque a paixão se renovou.
Vem temporada, estamos prontos.

Quando inventaram as corridas.

-Quando foi mesmo que inventaram as corridas de carro?

-Foi quando terminaram de construir o segundo carro.
Deve ter sido isto mesmo.
Assim que o segundo carro ficou pronto, que foi apertado seu ultimo parafuso alguém deve ter tido a brilhante idéia: “-Vamos ver qual dos dois anda mais rápido? ”.
E o cara que estava dando uma limpadela no primeiro carro construído pensou: “-Ora! Porque não? ”.
Alinharam as carroças sem cavalo, pediram para que alguém, muito provavelmente um garoto que frequentava a oficina, avisar quando eles poderiam começar.
O moleque então pega um pano sujo de graxa, se posta entre os dois bólidos e avisa:
“-Quando o pano aqui cair no chão vocês saem, ok? ”.
Os dois concordam.
Arrumam-se nos bancos com os motores devidamente ligados. Lembre-se que pra dar a partida nos primeiros carros era preciso girar uma manivela que ficava embaixo do pára-choque.
O menino então solta o pano, que pesado de graxa cai rapidamente.
Dirão os maldosos que o pano caiu muito mais rápido do que os carros conseguiram largar. Maldade sim, mas não exagero.
Na verdade, o guri ainda teve tempo de abaixar e pegar de volta o paninho antes que os carros se movessem.
Mas se moveram e alcançaram a velocidade máxima de exorbitantes 28 quilômetros por hora!
Então o piloto do primeiro carro chega à frente para contornar a primeira curva, por questão de segurança diminui o ritmo.
Por loucura ou por descuido, o piloto do segundo carro não diminui. Faz a curva com o carro de lado, nos mesmo vinte e oito quilômetros por hora que vinha.
A poeira sobe e encobre os dois. Quando desce a nuvem de pó já estão de novo em linha reta e o segundo carro agora lidera e vai aumentar a diferença de espaço a cada curva.
Eis o primeiro piloto, em contraste com o primeiro motorista.
Só que aquele garoto que deu a partida para a primeira corrida e assistiu tudo prendendo a respiração a cada curva do primeiro piloto começou a pensar que aquilo sim era diversão.
E que ele poderia fazer melhor.
Quando não estava trabalhando na limpeza das ferramentas ou da própria oficina sentava-se no banco de um dos carros e fantasiava estar pilotando, mas não aos prosaicos vinte e oito quilômetros.
Em sua fantasia ele ia a cem, duzentos, quem sabe trezentos quilômetros por hora...
“-Não.... Trezentos não...”. - ele pensa. – “-Nunca uma maquina vai se mover a trezentos quilômetros por hora. Mas e se existir uma maquina que chegue a isto? Como doma-la? Até onde pisar no pedal do acelerador? Por quanto tempo segurar o pedal sem aliviar? Quando aliviar? E o quanto aliviar? Pisar no freio?”.
Mas ele tem de esperar por sua vez de comandar uma maquina daquelas.
Alguns anos depois a chance aparece.
Ele está mais velho e o carro agora é muito mais veloz. Já alcança os cento e cinqüenta quilômetros por hora em curvas. Na reta com um pouco de coragem chega aos duzentos.
Então ele se senta. Esperou muito por isto, não vai perder a chance.
Liga a maquina e sai. Não são os trezentos quilômetros por hora de seus devaneios, mas que diabos, quem liga?
 Ele a doma com a ponta dos dedos. Pisa no acelerador até encostá-lo no assoalho do carro, segura o pé no fundo até se aproximar o máximo e o mais rápido possível da curva e só então alivia. Pouco.
Apenas toca no freio, o suficiente para que o carro contorne a curva no trajeto e com segurança.
E pensa nisto tudo enquanto o carro se movimenta. Tudo ao mesmo tempo.
Eis o primeiro fora de série.
Logo aparecem mais construtores de carro, mais pilotos.
Só alguns são fora de série. Muitos são apenas motoristas. Todos querem correr. Todos querem ser os melhores.
Eis o primeiro campeonato.
E é assim até hoje.
Que venham as emoções desta temporada. Que apareçam mais moleques de oficina.
Estamos prontos.

5 comentários:

Vander Romanini disse...

Foi com esse texto maravilhoso que o conheci!! Escreveu essa lá no Blog do Corradi, lembra??

Anselmo Coyote disse...

Esse, sem dúvida, é um dos 3 melhores textos do blog.
Lembro que fiquei tão... que fiz um desenho para ilustrá-lo. Não ficou à altura, mas o importante é que o texto me inspirou. Achei o máximo.
Já lhe parabenizei por ele, Groo? Não lembro, talvez sim. De qualquer forma parabenizo agora. Vc estava realmente inspirado ao criá-lo.
Abs.
PS. Se o Rubs Cascata, por um milagre, algum dia tivesse pelo menos um fiapo desta inspiração não falaria tanta bobagem.

Anônimo disse...

Senhor Groo.

Não... Os dois primeiros pilotos eram jóqueis excelentes e bem sucedidos na carreira. Adversários. Ricos, donos, cada um, dos possantes Berliet 1900 e Oldsmobile 1902. O jóquei dono do Berliet viu a mulher olhar pro outro, sorrindo, quando da ultrapassagem do importado Ods do inglês, mais novo e com pacotes aeromecânicos da hora. 'Potente...', disse a moça com seu guarda sol frufru a protegê-la. Prá quê ! O jóquei francês, enciumado, resolveu ir atrás do jóquei inglês descobrindo tangências ! Alan Tangence o nome dele. Nunca estudou matemática. O pai dele era produtor de vinhos Bordeaux e financiou a ida do rapaz para a escola de jóqueitagem pois o moleque adorava correr de cavalo pelos vinhedos causando prejuízos em suas derrapagens. Muitas videiras foram para as cucuias com o intrépido 'piloto', quer dizer, futuro jóquei." Se quiser morrer, que morra encima de um cavalo, num lugar seguro e non matandú minhas uvinhás....', disse o primeiro paitrocinador da história moderna. A mãe ficou arrasada ! Bom, voltando. Madeleine ficou com os faróis acesos, mais com a velocidade do que com a coragem do marido. Colando com o Odsmobile do inglês, o James Paddock, o francês mandou o metido parar. Os dois desceram do carro. Alan tirou a luva e pá ! no rosto do James.

Anônimo disse...

Devido a inveja de um textículo melhor, a segunda parte do meu textículo foi devidamente apagada assim deixando informaçôes precisas como 'Paddock', 'Box', 'Grande Prêmio', suas ligações com o Turfe, para as cucuias. Não contarei o resto da história novamente.
E tenho escrito.
Só perguntarei... Quem foi Tofu Dido Honda ? Qual a sua ligação com o touro miúra Fernan-Mac ?


M.C.L.

Anônimo disse...

Preparado para uma corridinha às 3 horas da manhã, senhor Groo ? Dormiu à tarde ? Tá chateado ? Por quê ? Deixa eu adivinhar ! A pole... A pole position !
Não é possível ! Como ? De novo !
Pensei num poema para animá-lo. No Poema do Cume mas, como o blogueiro anda arredio aos meus escritos, farei um poemeu.
Em homenagem à F1 !

. É o prata ou o verde do bólido
. que deixa o público agitado ?
. diria ser o piloto...
. mas para um torcedor,
. ele é um cone do capiroto !
. digo sempre: 'é um vencedor' !
. o torcedor é um devoto
. remedeio, é um apaixonado
. por um time, hoje, maroto
. com piloto desaposentado
. que, na verdade, foi teatro
. por isso, vou de quarenta e quatro
. e já estou ficando cansado
. será que ficarei acordado ?
. viva à McLaren !
. mesmo com um Honda... desanimado
. ao infinito e além !

Pronto, falei.



M.C.L.