21 de abr de 2017

Sobradinho

Sá havia sido levado por Gutemberg Guarabyra para conhecer o sertão do São Francisco entre as gravações e shows no ano de 1977.
Sá, segundo o próprio, era um “bicho completamente urbano” que só saia da cidade do Rio de Janeiro para – no máximo – ir até Teresópolis.
Lá, nas barrancas do rio São Francisco, maravilhado pelo que chamou de “um outro mundo” resolveu que iria se integrar ao lugar comendo um prato típico da região.
Guarabyra, já mais acostumado com o tempero do lugar pediu um pirão de peixe no que foi acompanhado pelo parceiro.
Sá ainda lembra o perrengue passado no dia seguinte, na casa dos pais de Guarabyra, para dar passagem pelo organismo a toda àquela pimenta malagueta que acompanhava o prato.

Entre uma urgência e outra, ouviu o pai de Guarabyra dizer que há poucos quilômetros dali havia caminhões de um tamanho que ele nunca pensou que existissem trabalhando.
Gutemberg Guarabyra, curioso se abalou até lá e descobriu que, de forma sigilosa, o governo militar estava construindo uma represa que reteria um volume de água seis vezes maior que o da Baía de Guanabara no Rio.
A represa colocaria debaixo d´água ao menos seis cidades da região.
Escreveu a letra de Sobradinho á qual apresentou ao parceiro que ajudou a musicar e na volta ao Rio, como todo artista da época, apresentou a canção aos censores da ditadura militar.
O assunto da represa era tão sigiloso, tão secreto que os censores não tinham a menor ideia do que a letra estava dizendo e a aprovaram de primeira, sem pedir a mudança de um verso sequer.
Depois de gravada e lançada, a canção fez um sucesso tremendo e acabou fazendo com que o governo tivesse de abrir para o país a história da represa e da inundação das cidades...
Foi assim que dois músicos intitulados de compositores de “rock rural” passaram a perna no governo militar.

Um comentário:

Anônimo disse...

E que grande disco!

Duzão.