21 de jun de 2017

Gaiatos

O sabonete já fazia sucesso no mercado.
Não era caro como o concorrente Phebo e nem era tão barato quanto o popular quanto o Eucalol, mas vendia bem.
Tinha um perfume suave e durava o mesmo que os outros, mas dizia em sua embalagem que conseguia chegar a “cinquenta banhos ou mais! ”.
Seu nome? Sabilo. Pronunciava-se “sablo”, ignorando totalmente a vogal.
De olho em uma fatia maior do mercado, porque não? A pequena empresa paulistana que o produzia resolveu apostar na publicidade para aumentar um pouco mais as vendas e, quem sabe, fazer de seu produto um sucesso nacional.
Contratou uma agência ainda em crescimento para a empreitada e esta não decepcionou.
Espalhou pelos bondes da capital paulista cartazes com a marca “Sabilo” com os dizeres: “mais banhos, menos preço! ” e aguardou a resposta popular.
E quando esta veio, foi na forma mais saudável para uma empresa: as vendar subiram em uma percentagem considerável.
A popularidade do sabonete foi às alturas e com ela também veio a onda de gaiatos que sempre acompanha algo que faça sucesso.
Não se sabe de onde exatamente veio um jingle não oficial e não solicitado que grudou na cabeça e principalmente, nas vozes da população: “-Sablo, Sablo, sabonete pra cavablo...”
Após isto o sabonete perdeu vendas e sumiu do mercado sem nunca ter sido comercializado além das fronteiras do estado de São Paulo.

Outro caso curioso se deu com a Volkswagen que em 1965 resolveu apostar em um modelo novo para o então já consagrado VW 1200, o popular Fusca em terras brasileiras.
Certa de que com o calor feito por estas bandas, uma janela panorâmica no teto do carro seria algo, além de apreciado, muito desejado pelos compradores.
O popular teto solar foi implantado na produção e no final de 1965 chegava as concessionárias um dos primeiros, se não o primeiro, carro produzido no Brasil com a característica.
Porém, bastou o primeiro gaiato dizer que aquilo era para acomodar os apêndices da traição conjugal do motorista do veículo que as vendas despencaram para perto do zero absoluto até o fim de sua produção em meados de 1966.

Apelidado de “cornowagen”, os simpáticos carrinhos que já haviam sido vendidos começaram a receber chapas soldadas em seus tetos e cirurgia plástica completa para troca do forro interno.
O que não resolvia totalmente o problema daqueles que haviam comprado o veículo já que quando da revenda do carro, o possível comprador ao inspecionar achava os sinais da operação de tapagem do teto solar olhava desconfiado para o vendedor como quem inquiria: “-Perdoou a mulher, mas vai vender o carro né? Chifrudo...”


Por último, na cidade de Franco da Rocha, apostando em um mercado pouco explorado na região, um cidadão chamado Santiago Keller resolve fundar uma pequena metalúrgica especializada em parafusos, porcas, pregos e afins.
Batiza sua fábrica com seu pomposo nome e se põe a trabalhar incansavelmente para consolidar e expandir sua empresa.
Porém, os gaiatos locais nunca chamaram a fábrica pelo nome que seu fundador lhe deu e referiam-se a ela apenas como a “fábrica do zé ruelas”.
A empresa ainda existe e funciona, mas se alguém fora da região conhece-la pode-se considerar um pequeno milagre...

Um comentário:

Anônimo disse...

. Do sabão Sablo nunca ouvi falar. Lux de luxo, era bom...
Se fosse o dono do 'Sablo', acabava com a brincadeira do povão paulistano rapidinho. ' Sablo, o sabão bão prá diablo ! O Sabundão !' E metia uma bela bunda de muié( Gretchen, Rita Cadillac.., Claudia Raia, dessas aí) ensaboadinha na embalagem...
Poderia perder o produto mas até carioca saberia que ele existiu. HA !
Até americano !
. Essa é quente. Sabe por quê ? Teto solar virou moda... ai. Vou chamar um detetive particular. Goreeeeeeete !
Mas a verdade verdadeira, pravda mermo, é que o cornofuca saía mui caro e, depois, os problemas surgiam como ferrugens das brabas. O antiferrugem, aquele banho cinza maneiro de fábrica antes da colocação da tinta no veículo ainda não existia ou, se existia, quase não fazia efeito. Li várias Quatro Rodas com detalhes de onde surgiam pontos de ferrugens em diversos carros no Brasil e assim tentar conservar estes pontos fracos. Hoje, algumas empresas fazem o serviço de antiferrugem coisa ainda cara no 'socialista' Brasil. EUA, quer botar cor maneira no carango, banho do antiferrugem e depois aquele roxo shocking perolizado no mustangão fastback 1968, iééééé !
. Pô, os invejosos... Não é o mesmo caso do cornowagen que até poderia ter sido um sucesso( não foi) e aí as outras montadoras( na época Ford e GM, talvez, Chrysler ) usaram os seus departamentos de antimarketing para acabar com o produto concorrente bem sucedido. Inveja do Keller. Se ainda é jovem, ou o filho dele trabalhando na fábrica, Sujiro, meu amigo e, agora, meu mordomo, sugere aos dois: Fábrica Elbarto ! El Barto mas juntinho... para não ter um processo qualquer de apropriação intelectual( mesmo assim, pode acontecer). Mata os invejosos de vez.


M.C.