13 de jun de 2017

O capacete do segundo colocado

Que Lewis é fã confesso de Ayrton não é segredo e nem detalhe escondido, logo, para ele, poderia fazer mais sentido festejar ultrapassar seu ídolo do que o recordista real, mas... Hamilton é o tipo de cara que briga sempre pelos melhores e maiores números e não pelos mais significativos. Até por isto a surpresa ao receber o mimo.
Já para o IAS...
Por que catzo o Instituto Ayrton Senna foi até o Canadá festejar o fato de Hamilton ter igualado em número de poles o seu representado?

Ayrton foi o grande nome em sua geração. É e será sempre um dos maiores deste esporte.
Prost ganhou mais títulos, mas não foi tão icônico para o esporte quanto Senna por tudo que aconteceu e blá blá blá...
Nem vou citar o sete estrelas Schumacher para não atrair haters, ufanistas e pachecos em geral.
Mas o tempo é implacável e com sua chegada os nomes vão sendo colocados em posições relativizadas por quem viu e quem não viu correr.
É normal ocorrer discussões sobre quem foi melhor: Fangio, Ascari, Emerson, Clark, Graham Hill etc... Mas hoje em dia são muito poucos os que viram algum destes correr e por mais que haja vídeos de Senna rodando o mundo intenético, sabe-se que em highlights até Takuma Sato pode ser sensacional.
Comparação injusta, óbvio.
O número dos que viram Senna correr vai diminuindo pouco a pouco e logo as novas gerações de fãs só terão a literatura, os highlights e algumas testemunhas oculares já sob forte influência da nostalgia para alimentar as discussões.
Entre os pilotos idem. Para ter uma pequena noção, dos atuais pilotos do grid, apenas Hamilton cita Senna como seu ídolo. (Massa não conta...)
Logo, restarão os números frios.
E com a novos ídolos e seus novos números se dará a tal da relativização comentada acima.

Só assim se explica o porquê do IAS aparecer no episódio de Hamilton e os números de Senna e não quando este atingir o recorde de poles (hoje pertencentes a Michael Schumacher) que fatalmente acontecerá.
Uma forma (esperta) e simpática aos olhos do público geral de promover a memória de Ayrton.
Claro que não há nada de errado e nem é crime fazer este tipo de marketing, mas alguém viu o IAS fazer a mesma coisa quando Schumacher estabeleceu seu número? E olha que o alemão também chorou e disse ter se inspirado no brasileiro em diversas vezes.
E ninguém verá acontecer se Vettel, por exemplo, que já citou outros pilotos e não Senna –  e hipoteticamente ainda tem chances -  também igualar e ultrapassar o número.

Não há porque criticar a emoção genuína de Hamilton ao receber logo após cravar a pole position com que igualou seu ídolo o capacete de Ayrton Senna.
Mas é impossível não enxergar oportunismo do IAS (com as bênçãos da Liberty) em promover um pouco mais a imagem (já bastante promovida e nem sempre pelos motivos certos, vide o apoio ao prefeito da capital paulistana bem pouco tempo atrás) de seu representado.


Nada errado e tudo até bem bonito, mas serviu mais para atrair um “owwwnnn” de brasileiros saudosos e favorecer um pouco mais a imagem da “nova F1 da Liberty” do que marcar um evento realmente importante.
Afinal, ultrapassar o segundo colocado não dá o lugar mais alto do pódio.

8 comentários:

Anônimo disse...

Perái. Chamando o passado, câmbio ! Passado, câmbio !

. O REI das poles até maio de 1994, no comecinho mesmo, primeiro dia daquele mês, daquele ano já ficando cada vez mais longe, o REI das poles era o senhor Ayrton Senna, o saudoso Tiozão ! Que diabos mais significativo do que isso ? É tri como ídolo, mais significativo ? Passou-o em números de vitórias...
eu, hein ? E é fã do cara e sempre lembra dele, Ayrton ! IAS foi lá ? Fez bem.
. Meio midiático, galvanices tolas inseridas, vá lá, mas um dos grandes nomes de sua geração foi.
. Prost, pelo estilo de pilotagem, é ídolo dos engenheiros. O Senna provocava paixão e era politicamente correto. Estava sintonizado com o seu tempo( e o hoje). Piquet... restaurante barra pesada de Hells Angels no meio de uma estrada californiana. Onde tirei isto ? Para poucos como eu. Leão quase chegou lá. Para muitos ingleses, é o cara. Mas, mundialmente, sem dúvidas, Senna.
. Schumacher. Óbvio, é ídolo mas ficou meio 'Mike Tyson'( salvo as devidas e justas proporções) devido aqueles 5 títulos consecutivos, de uma F1 de um piloto só. Aquilo quase mata a categoria. Ferrari levou ele mas é um superpiloto. Até o acidente, suspeitava ser um robô. Assim como a McLaren levou Senna mas tinha um supercampeão na cola, Prost. Tanto que ele, Senna, num 'on board', chama por Prost, com saudade. Dizem que quem realmente ajustava a máquina era o francês... E soltaram, uns anos atrás, o Senna atacando o Schumacher, direto. No You Tube. Intimidando-o. Estranho.
. Depende dos olhos. Se são apaixonados não aceitam, ficam com raiva do novo. Vemos só as 'editadas vitórias'. 'Melhores momentos'. Um cara, na internet, pegou os piores momentos do Pelé. Cara... GH-3 andaria bem com a turma dos anos 1980, 1990. Mas tem You Tube para comparar. Os galvões ingleses gritam com GH-3 ! Não tenho saco.
. É. Concordo. Mas também, se procurar, acha-se coisas ruins como Pelé sendo desarmado de forma bisonha... Terá de Senna também. E de GH-3.
. Paracum-içú ! Daqui a 20 anos, GH-3( GH-4 ou GH-5) estará na mesma condição que Senna, Piquet, Prost. Pô.
. Zaca é queima filme. Agora entendeu porque o IAS foi ao Hamilton, nééé ?
. Não vejo relativização alguma. Você é que não gosta e aceita Lewis Hamilton como um genial piloto. Fazer o quê ? Vettel é excelente piloto e Alonso, que sacanagem, na minha McLaren e sem motor. Eu, como uma Marilena Chauí do espanhol, 'odiaaaava' o espanhol. Fui gostando dele até torcer deseperadamente para os japas incompetentes( existem !) consigam acertar aquela porcaria de motor Honda ! Mudei. O senhor, não.
. Mas, kala-aaaro ! IAS deve ter suas quedas de arrecadação. Mas a justa homenagem para um fã importantíssimo, conta.
. Schummy ? Teve atrito entre Senna e ele, sim. Gerado pelo Senna. E quer queira ou não, 'O Cara' é o Schummy. E ainda estava 'quente'. Agora, se pensarmos assim, Schummy está lá, tadinho, mal pacas. Hora então da IAS dar um pulinho lá na Aelmanha.
. Por não ter citado Senna, Vettel não terá 'mimos' da IAS. Ué ? Simples.
. Se vc não sabe, darei uma dica: qual dos pilotos da F1 é o mais querido por crianças e jovens do mundo todo ? Depois do Stig. HA !
. Pô, que 'segundo colocado' foi ultrapassado... Uau.

M.C.

silvio [latueiro] disse...

Muito bom mesmo meu caro Groo.....vc so esqueceu que o Vettek se declarou fã do Piquetão e o danado foi la e tacou aquele abraço no muluke e esse por enquanto ta guiando marionetado pelo idolo sera kkkkkkkkk...Mas pra turma global foi so pra implicar com o comandante Amilton Senista. Verdadeiro ou falso

Anselmo Coyote disse...

A galinha dos ovos de ouro não pode ser enterrada se ainda põe ovos, ainda que de prata compartilhados e em breve de prata.

Anônimo disse...

Esse latueiro conheço de outros carnavais...
mas era com outra alcunha que eu usava.


M.C.

Anônimo disse...

Senna era um baita piloto, mas foi o primeiro a sacar o poder da mídia, e a agir em função dela também, lembrando que era um baita piloto. As imagens produzidas foram eterizadas em função da manutenção da marca, e é isso que o IAS fez, aproximou a marca de um piloto midiático da atualidade, fortalecendo-se. É o que Fernando Alonso vem fazendo de uns tempos para cá, mesmo com um carro sem destaque, senão na próxima década poucos falarão dele. É por esse motivo que Max Verstappen pode se dar bem, além de piloto ja demonstrou que é midiático.
Marcelo

Rubs disse...

"O mito do herói é o mais comum e o mais conhecido em todo o mundo. Encontramo-lo na mitologia clássica da Grécia e de Roma, na
Idade Média, no Extremo Oriente e entre as tribos primitivas
contemporâneas. Aparece também em nossos sonhos. Tem um poder de sedução dramática flagrante e, apesar de menos aparente,
uma importância psicológica profunda. São mitos que variam muito nos seus detalhes, mas quanto mais os examinamos mais
percebemos o quanto se assemelham na estrutura. Isto quer dizer que guardam uma forma universal mesmo quando desenvolvidos por grupos ou indivíduos sem qualquer contat o cultural entre si — como, por exemplo, as tribos africanas e os índios norte-americanos, os gregos e os incas do Peru. Ouvimos repetidamente a mesma história do herói de nascimento humilde, mas milagroso, provas de sua força sobre-humana precoce, sua ascensão rápida ao poder e à notoriedade, sua luta triunfante contra as forças do mal, sua falibilidade ante a tentação do orgulho (hybris) e seu declínio, por motivo de traição ou por um ato desacrifício "heróico", onde sempre morre."
Joseph L. Henderson
"Além disso, não precisamos correr sozinhos o risco da aventura, pois os heróis de todos os tempos a enfrentaram antes de nós. O labirinto é conhecido em toda a sua extensão. Temos apenas de seguir a trilha do herói, e lá, onde temíamos encontrar algo abominável, encontraremos um deus. E lá, onde esperávamos matar alguém, mataremos a nós mesmos. Onde imaginávamos viajar para longe, iremos ter ao centro da nossa própria existência. E lá, onde pensávamos estar sós, estaremos na companhia do mundo todo."
Joseph Campbell

Heróis são extraordinários e sobre-humanos, mas, também, cheios de defeitos, o que acaba por levá-los a sucumbir ao próprio orgulho.
Heróis se tornam modelos simbólicos para a auto-realização coletiva. Eles são os representantes do coletivo: o campeão escolhido para o combate singular contra o inimigo, cujo desempenho depende a vitória ou a derrota, a conquista ou a servidão.
Senna, conscientemente ou não, assumiu o papel de herói nacional: o jovem brasileiro de talento sobre-humano que venceu na Europa; aquele que, em seu tempo, realizou proezas inimagináveis; que venceu os inimigos, especialmente quando a natureza lhe era desfavorável; que enfrentou, sozinho, o dragão da FIA; que alegou contar com ajuda sobrenatural nas suas provas; que foi campeão, quando os direitos do povo eram roubados. Sua auto-confiança levou-o ao destino inevitável do herói: a morte.
Jamais testemunhei tamanha comoção nacional tão grande. E todos os que compareceram ao seu funeral são unânimes em dizer o mesmo.
Marketing? Oportunismo? Depende da perspectiva de quem vê. Tudo na vida requer o momento oportuno. Mas aposto mais que a principal motivação foi a tentativa de se manter o mito do herói vivo, embora isso requeira empreendimento e fluxo de caixa positivo.
Num mundo tão tecnológico, os heróis se sucedem e se trocam como se sucedem as folhas nas mudanças das estações.
Pode ser que o herói seja esquecido, ou que seja substituído por outros mais prosaicos. Não obstante, negar a Senna a personificação do herói brasileiro do século XX é desconhecer as necessidades profundas da natureza humana.
Os iconoclastas encontram prazer ao reduzir todas as coisas à sua própria medida humana.

A propósito: sempre preferi a habilidade egoísta do anti-herói Piquet.
Abs

Anônimo disse...

Beleza, Rubs. Assino embaixo mas ver Jesus no céu numa curva de Suzuka a 200 km/h é demais oportunista, não ?

M.C.

Anônimo disse...

Vai ver ele viu. Quem sabe? Eu tive um amigo de infância que ficou maluco de jogar pedra. Eu gostava de tomar café com ele, juntamente com as vozes que ele ouvia. Eu partia da premissa de que para ele as vozes eram a realidade mais verdadeira. Por ser amigo, eu respeitava, mesmo convicto de que a minha realidade era completamente diferente. Morreu de enfisema, mas, antes, me disse que eu fui o único amigo que o respeitou do jeito que ele era.
Pode ser que Senna só quisesse impressionar a galera da igreja pentecostal. Pode ser que ele visse anjos e coisas do tipo. Vai saber?
Rubs Cascata