Conto de natal - 2009

Mantendo a tradição, meu conto de natal para este ano.

-Mas por que não eu? – quis saber Fabio.
-A gente não quer te dar trabalho.... – mentiu engoliu em seco Julio.
-Que isto... Eu adoraria, sabe como é... Eu não tenho filhos.
-Olha, não precisa mesmo... Valeu sua boa intenção... – diz Nakano, o gerente.
-Que isto chefe, faço questão! Podem ir todos pro saguão que eu vou me arrumar...

Enquanto Fábio se afasta os três que sobram: Julio, Nakano e Gil, que até agora estava absolutamente calada.
-Fala alguma coisa, Gil.
-Vai dar merda japonês... Vai dar merda.
-Como assim? – quis saber Julio – O cara tá cheio de boas intenções e é nosso amigo.
-Amigo vá lá, mas você sabe o que penso sobre boas intenções.
-É a gente sabe... De boas intenções o Corinthians está cheio... – completa o japonês.
-Fato ou não? – ela insiste.
-Fato pode ser... Mas por que Corinthians? – quis saber Julio que nunca se conformou com o dito da colega.
-E você conhece outra sucursal do inferno nesta terra que não seja o Corinthians? –explica ela.
-Deixa pra lá... Mas a gente vai deixar que ele faça?
-Bem chefe... O que não tem remédio...
-A Gil disse tudo, japa... E agora ele até já foi procurar a roupa mesmo...

A situação é a seguinte: festa de fim de ano na empresa e os quatro funcionários do RH – Fábio, Nakano, Julio e Gil - mais precisamente da equipe de bem estar e recreação, procuravam alguém para ser o Papai Noel e entregar os brinquedos aos filhos dos outros funcionários.
Fábio se apresenta e apesar das evasivas do grupo e insiste.
É que seu histórico nestas festas não é dos melhores, por vontade própria ou por contingência das situações algo acaba sempre dando errado.
Num breve relato pode-se listar coisas como: aparecer na festa de páscoa com duas Kombis lotadas com panetones; promover festa de Helloween em pleno dia de São João, fazer com que a firma presenteie os funcionários com garrafas de vodka, até os que freqüentavam as reuniões do AA e por ultimo levar uma comissão de possíveis clientes vegetarianos para fechar contrato em uma churrascaria rodízio chamada “Boi fatiado”.
Por isto a apreensão com o que possa acontecer desta vez.

No salão Gil se apressa em reunir as crianças em torno do trono – improvisado – onde se sentará o bom velhinho. Julio toma conta da enorme caixa que contém as bolas, caminhõezinhos e bonecas, enquanto Nakano procura dar atenção aos funcionários, sempre cordialmente.
Porém todos estão preocupados com a demora de Fábio.

-Tá demorando... Gil, vai lá ver o que aconteceu.
-Eu não... Vai lá Julio.
-Eu não.. Quem poderia ter vetado não vetou, logo... Quem pariu Mateus que o embale...
De repente aparece em uma das portas surge uma figura extremamente estranha.
Os poucos que se dão conta da presença ficam espantados.Gil corre e o empurra de volta para a sala de onde viera, atrás dela vem o japonês e Julio, situando-se entre o espantado e o divertido.
-Mas que caralho é isto? – pergunta Nakano.
-Cê pode explicar pra gente que roupa é esta?
-Ah Gil... Foi a que tinha no almoxarifado... – responde ele e completa – Pó chefe, cê não disse que tinha uma fantasia de Papai Noel lá?
-Tinha... Não tinha?
-Acho que não. - diz Julio... O que tinha lá era isto ai mesmo... Uma fantasia de Pé Grande.
-Mas por quê? Pra que? Com qual finalidade?
-Ah chefe... Sei lá! Ce sabe Gil?
-Eu? Por que eu? Quem é o responsável pela turma de teatro?
-Tinha uma turma de teatro na empresa chefe?
-Não... Quer dizer... Tinha! Não tinha?
-Gente - interrompe o fantasiado Fabio – Agora não é hora de discutir isto... Tá um calor “dos inferno” aqui dentro e, seja fantasiado de Papai Noel ou de Pé Grande o que vai importar para a molecada são os presentes mesmo...
-É... Ele tem razão... Vamos lá gente. To contando com vocês para que tudo de certo. Tão prontos? Fábio?
-Com calor, mas pronto...
-Gil?
-Fazer o que, né?
-Julio?
-Vamos lá... Pior pro Fábio – hehehe – que ainda por cima tá fedendo.
-Tô não... – e entra recebendo uma ovação da criançada.
-Pô, Julio... A gente não ia falar nada sobre o cheiro....

Ao entrar no salão e tomar assento entre aplausos e sorrisos Fábio se emociona, talvez por ainda não ter filhos gosta muito de estar entre crianças apesar dos comentários que ouve naquela hora. -Você não é Papai Noel. -Sou sim...
-Não é não... Ce não é gordo.
-Fiz regime.
-Cê não tem barba...
-Mamãe Noel acha que eu fico mais jovem sem...
-Cê tá fedendo!
-Vai à merda moleque.
-Paiê! O bicho de natal me mandou à merda!
O pai do menino se aproxima e reconhece Fábio debaixo da fantasia de Pé Grande...
-Hahaha! O filho volta aqui! Não é bicho de natal não... É bicha. Hahaha.
-Engraçadinho, cê não ia rir assim se soubesse que seu nome tava na lista para me ajudar com isto aqui... – mentiu.
-Estava? Mesmo? – engole em seco o pai do menino. – Para fazer o que?
-Ser um dos viadinhos do Papai Noel.
-Sem graça... – e se afasta.
Durante todo aquele dia, Fábio distribuiu os presentes.
Agradou alguns, desagradou a outros como é normal em toda confraternização.
Foi fotografado com um sem numero de crianças. Algumas gostavam, outras choravam.
Duas ou três fizeram comentários sobre o cheiro estranho que vinha da roupa de pé grande.
Um - exatamente o filho do chefe japonês - disse que aquilo era um gambá de natal.
E no fim prevaleceu o espírito natalino...
Ainda que este espírito tenha vindo na forma de um Pé Grande e com cheiro forte de naftalinas.
Um feliz natal a todos!

Comentários

Não era o Sasquatch? O que o Wookie tá fazendo aí hahahahaahaah...

Conto engraçadíssimo, bem que o "Pé grande" poderia ser o Grinch, sem contar que o Fábio seria no mínimo 'excêntrico' ao promover festas fora das épocas (rs), muito bom , parabéns, que em 2010 seus contos continuem com toda a inteligência, sarcarmos e as itertextualidades de sempre.

Groo, um Natal Fantástico e um Ano Novo cheio de Boas Surpresas e Maravilhas. Sorte!

Abs.
Fábio Andrade disse…
O seu personagem se chama Fábio e, coincidentemente, fantasiou-se de Pé-Grande? Sei...

"Coincidentemente", eu calço número 45.

Mas, enfim, coincidentemente.

Groo, feliz natal. É clichê, mas essa é a hora de desejar coisas boas aos amigos, todos os anos. Saúde, sucesso, amor e felicidade na sua casa, não só no natal, mas em todos os minutos da vida de vocês.
Net Esportes disse…
Santa criatividade mirabolante caro Groo !!!! hahahaha o "Ce sabe Gil?" foi senacional !!!!!!

Um Feliz Natal pra vc tb !!!!!
Unknown disse…
Groo, sensacional!!!

Um feliz Natal e um bom Ano Novo.
Felipe Maciel disse…
Mas sobrou pro Fábio de novo? hehehe

Feliz Natal Groooooooooooooo!
Marcelonso disse…
Groo,

Esse Fábio é o cara hein!
Fantasia de Pé Grande no Natal nunca tinha visto.


Feliz Natal e um Ano Novo repleto de realizações com muita saúde.

grande abraço
Marcos Antônio disse…
fantasia d epé grand eno natal!rsrsrs mto bom esse conto, que já virou tradição de Natal1
abraços!

OBS: com certeza estarei presente!
Manu disse…
Ótimo isso! Hahahaha...
Feliz Natal p/ vc e toda sua família, Groo!^^
Tohmé disse…
Um lindo e cristão conto de natal...

Groo, boa festas
Anselmo Coyote disse…
Pé grande...rsrsrs,

Groo, vc é "o cara" (igual ao Lula).

Parabéns! Feliz Natal e Ano Novo.

Abs.
Daniel Médici disse…
Meu maior medo em festas de natal da "firma" é que elas sejam como sempre são.

Feliz natal, Groo!
Groo, excelente conto, abraço a vc e um feliz Natal junto aos seus familiares. Ótimo Ano Novo a todos.

Francisco e familia
Teté M. Jorge disse…
Aahahahahahaha

Vou acabar concordando que esse Fábio é "o cara" mesmo!

FELIZ NATAL pra você e os seus, Ron, e para todos que vêm aqui ler seus escritos ótimos.

Beijos e flores.
Feliz Natal, Groo!! Muita saúde e paz para vc e sua família. Que este 2010 seja tão próspero quanto este 2009 que termina.

Abração!