4 de mai de 2010

1º de Maio de 1994: E se tivesse sido diferente?

Prefiro esquecer o primeiro de Maio, mesmo não sendo fã ardoroso (xiita?) de Senna, gosto mais de imaginar como teria sido se ele sobrevivesse...

Quando o Williams numero dois saiu reto na curva Tamburello do circuito de Imola e bateu violentamente contra o muro, a respiração de todos os fãs de automobilismo ficou suspensa por alguns instantes.
O carro havia ficou totalmente destruído, mas no momento em que chegam os fiscais de pista e o carro médico, Ayrton Senna se levanta dos restos do Williams e fica por longos minutos olhando para eles.
Um grande alívio se ouviu em Ímola!
O grande Ayrton Senna sobrevivera ileso ao mais tenebroso acidente de sua carreira.

Porém ele se mostra irritado, e, numa atitude de revolta, chuta o único pneu que ficou preso ao carro: “-Que droga! Eu iria alcançar o alemão!” - diria mais tarde na entrevista coletiva.Aquela prova que quase terminara em tragédia foi ganha facilmente por Michael Schumacher e sua Benetton de outro mundo e – dizem - outro regulamento.
A situação de Senna naquele campeonato havia ficado complicada.
Schumacher abriu uma confortável vantagem de trinta pontos sobre o brasileiro.

Na prova seguinte, em Mônaco, Senna vence pela sétima vez, mas, trás o Benetton do alemão colado em sua caixa de cambio…
Devido aos problemas no projeto do FW16, que sofrera muito com a perda dos aparatos tecnológicos - como a hoje lendária suspensão ativa - Senna não voltaria a vencer naquela temporada.
Mesmo fazendo corridas memoráveis não conseguiu evitar que uma nova força surgisse no automobilismo: Michael Schumacher viera para ficar e mostrou isso conquistando aquele título.

O ano de 1995 começou promissor.
Os testes de inverno mostravam que a equipe de Frank Williams viria forte.
O FW17 é cerca de um segundo mais rápido que todas as outras equipes envolvidas nos testes coletivos na pista da Catalunha, Espanha.
Tanto Senna quanto seu companheiro de equipe -o filho de Graham Hill, campeão mundial de 1962 e 68 - Damon Hill voavam durante os treinos preparatórios e tinham discursos otimistas para a temporada.

Quando o campeonato começa quem dá as cartas outra vez é a Benetton e o alemão queixudo.
No Brasil, ele tem uma vitória convincente, mas é desclassificado cinco horas depois da bandeirada final.
A justificativa é o uso em seu carro de um combustível fora das especificações do regulamento.
A vitória foi dada de bandeja a Gerhard Berger, da Ferrari que tinha terminado a prova uma volta atrás do alemão.
Senna? Bem, Senna teve problemas na caixa de câmbio de seu carro e abandonou.
Na Argentina o vencedor foi Hill, com ligeira vantagem sobre Jean Alesi, segundo piloto da Ferrari.
Foi uma corrida conturbada. Senna, ao tentar sair dos boxes com vantagem sobre Schumacher, bate no carro do alemão causando assim a retirada dos dois pilotos da prova portenha.Um dado curioso é que apenas nove carros chegam ao fim da prova sendo o último o italiano Domenico Schiattarella pilotando um Sintek-Ford a quatro voltas do vencedor.

Em Imola, um ano depois do acidente mais grave que sofrera em sua carreira Senna faz uma corrida discreta, chegando apenas em quinto lugar.
No Brasil corria à boca pequena uma teoria de que Senna teria aliviado o pé todas as vezes que passara pela Tamburello. Ele nunca confirmou, mas também não desmentiu.

A vitória coube novamente a Hill com Alesi de novo em segundo.
Na Espanha, Schumacher voltou a vencer, marcando uma dobradinha da Benetton com Johny Herbert na segunda posição.
Em Mônaco todos esperavam a redenção de Senna, já que era – e ainda é - o maior vencedor daquele GP. Ledo engano.
Schumacher vence inapelavelmente fazendo uma ultrapassagem cinematográfica na freada da curva La Rascasse.
Isto abate o animo do tri-campeão, que passa o resto do ano andando mal e termina a temporada numa má quinta colocação, enquanto Michael se sagra novamente campeão mundial.

Com o final de temporada melancólico, Senna estava em xeque.
A torcida nacional se perguntava: “-Teria ele perdido todo o talento naquela curva? Seria Senna, agora, um piloto comum? Sem a velocidade que o caracterizara?”.
Naquele momento todos os holofotes estavam virados para Rubens Barrichello, a nova estrela do automobilismo nacional.
Rubens despontava na Jordan, equipe novata, mas que ameaçava crescer.
Senna dá entrevistas elogiando o novato, mas, às escondidas, não esconde a sua insatisfação por ter perdido o posto de queridinho da mídia nacional.

Já a nova sensação da mídia mundial era Michael Schumacher, que derrotara duas vezes o grande Ayrton Senna.
Na temporada de 1996, porém, o alemão parte para a Ferrari.
Transfere-se para Maranello para tentar realizar um projeto ambicioso: Reerguer a equipe que andava em baixa há algum tempo.
Por tudo isso, Senna vem mordido para a temporada.
Mas seu quarto título é relativizado pelos especialistas, já que Schumacher sofre para se acertar na equipe italiana.
Justamente por isso, o seu quarto título é considerado o mais fácil de todos, já que não havia nenhum rival com equipamento à altura.

De toda a forma, com oito vitórias, foi um título muito comemorado por Ayrton.
E duas destas vitórias tem um gosto muito especial: Brasil e Mônaco.
Em sua terra natal, a festa do público foi impressionante. A torcida invadiu a pista, enlouquecida, e festejou muito com o seu ídolo. Foi cogitada uma interdição do circuito e multa para os organizadores da prova, mas, como sempre acontecia na Fórmula 1, isso ficara de lado mais uma vez.

Já em Mônaco, vence pela oitava vez no Principado e, para deixar a vitória ainda mais especial, devolve a ultrapassagem em Schumacher no mesmo ponto em que havia sido batido em 1994.
De toda a forma, Senna não parecia satisfeito: “-Eu queria mesmo era poder devolver aquela do Piquet, na Hungria!”.

Naquela temporada, Senna teve como seu pior resultando na pista um quinto lugar na Bélgica.
Um fato chamou a atenção nas comemorações: Senna apareceu em uma histórica capa da revista Manchete, dividindo uma réplica do troféu de campeão do mundo com o técnico Carlos Alberto Parreira sob os dizeres “O Tetra é nosso”.
Esta capa, publicada originalmente nas comemorações da conquista da seleção brasileira de futebol na Copa de 1994, foi considerada pelos supersticiosos uma das explicações pelo azar que perseguiu Senna naquela temporada e na seguinte.
Na reedição, a revista dizia que era uma capa profética, que previa a glória de ambos…
Depois de garantir o tetra, Senna voltou a pilotar para a McLaren em 1997.
Era a aposta da equipe inglesa, agora parceira da Mercedes-Benz, para retomar o caminho das vitórias.
A equipe, agora prateada, fizera um enorme investimento ao tirar, de uma só vez, Adrian Neway e Ayrton Senna da Willams, porém, pelo menos para Senna, não foi das temporadas mais produtivas.
O brasileiro voltou a ter um desempenho irregular, semelhante ao que demonstrara em seus primeiros anos de Williams, não conseguindo ser competitivo pela equipe prateada.
Pior ainda para ele seria ser superado pelo seu companheiro de equipe: Mika Hakkinen.

Ao final da temporada, ficou em terceiro lugar no campeonato com apenas duas vitórias – Austrália e Monza, esta sua ultima vitória na categoria.
Hakkinen, no final das contas, ficou conhecido como o piloto que superou Senna.
Afinal, fora brilhante na temporada em que o levara ao título, deixando o brasileiro em segundo plano dentro da equipe.

Prestes a completar 38 anos, decide se aposentar.
A equipe inglesa, para substituí-lo, resolve investir em mais um talento da equipe Williams, e, desta vez, tira David Coulthard da equipe de Groove.
O brasileiro recebe todas as honras que cabem a um piloto multi campeão e continua ligado à Mclaren, trabalhando como consultor da equipe.
Porém, Senna infelizmente não tem muito tempo de curtir a sua aposentadoria.
Em primeiro de maio de 1998, vem a em São Paulo para resolver problemas particulares. Durante um vôo para casa, no interior do Estado, o helicóptero pega uma tempestade durante o vôo e cai, matando o tetra-campeão.

Era pra ter saido ontem... Mas o site deu um pau e não postou a atualização... Já arrumei.

8 comentários:

Daniel Médici disse...

Imaginar o que teria sido de Ayrton Senna, na minha opinião, é absolutamente natural, dadas as condições de sua morte, do trauma que causou etc.

Um professor meu foi entrevistado recentemente para uma campanha. Perguntado sobre qual o legado do piloto, ele respondeu: "Para mim, ele não deixou legado algum quando piloto. O que me faz lembrar dele é vê-lo pegando a bandeira do Brasil depois de uma vitória, mostrando que o país poderia vencer o resto do mundo, numa época em que nenhum brasileiro acreditava nisso".

Eu prefiro ver 'ao contrário': o legado dele como herói acaba por esconder seu legado como piloto, o que é uma pena.

Bruno Aleixo disse...

Exercício interessante Groo, embora existam muitos boatos de que ele seria o cara da Ferrari em 96.

Acredito que, em 95, ele teria disputado o título de forma mais incisiva com o alemão. Se ia ganhar, é outra história.

Paulo Maeda™ disse...

Lembro de ter lido esse texto do Groo ano passado. Ae paro pra pensar "caramba, jah se passou mais 1 aniversário da morte do Senna..." Realmente um herói fica pra sempre marcado e concordo com o Groo, não gosto dos "xiitas" que endeusam Senna. Ele foi um grande piloto de qualidade inquestionável mesmo, e como o Daniel disse, seu legado de herói esconde o legado do piloto Ayrton Senna.

Lucas Ferreira disse...

É... eu acho que ficou do jeito que imaginei mesmo, Senna em 94 iria se aposentar, mas acredito eu, que graças a morte dele, o Senna hoje é visto com um super-idolo, não apenas como mais um piloto Brasileiro como o Piquet, que é um grande piloto, talvez, talvez tão bom quanto o Senna, mas isso é outra coisa, para se dicutida outra hora.

Grande Abraço, e otimo texto.

Marcelonso disse...

Groo,

Interessante exercicio,mas penso que o caminho de Senna fosse mesmo a Ferrari depois de um caneco pela Williams,mas como o "se"não joga...


abraço

Manu disse...

Gostei Groo. Havia pensado na questão do 1 de maio diferente, mas juro que nunca concluí de forma coesa.
De qq forma a certeza que tenho é que aos meus 7 anos eu deixaria de ver a cena de minha prima e irmã chorarem tanto, qt vi naquele dia.
Abs!

Net Esportes disse...

assim como Paulo Maeda eu me lembrei do texto do ano passado, engraçado é que eu não me lembrava do meu comentário e no final pensei a mesma coisa que eu escrevi naquele dia !!!!! kkkkk que coisa .... !!!!!!!!!!!!

Teca disse...

Poxa... bacana, Ron... mas como imaginar "se"...?

Beijos.