15 de jul de 2013

Conto funesto

Estou em recesso no trabalho, logo, com uma preguiça continental. Por isto vai hoje um conto antigo, mas que gosto muito. Espero que gostem.



Ah! A morte...
Mão pesada que tudo perdoa e a todos iguala, para o bem e para o mal dependendo do ponto de vista.
Para ela não há jeito.

Para a corriola de puxa sacos o morto era um semi-deus.
-Grande homem!
-Bom coração!
-Generoso...
-Diz que era bom marido, bom pai...

Para o valhacouto de desafetos era um mequetrefe de marca maior.
-Pulha.
-Canalha! Mão de vaca...
-Até a mãe dele o odiava.
-Ouvi dizer até que era via do...

E os indiferentes.
-Bem... Morreu que há de se fazer.
-Que vá em paz. Ou não.
-Já contei a vocês aquela piada do defunto que não aceitava que morreu?
-Não... Conta ai!

Os grupos cochichavam entre si sem, no entanto ouvirem um ao outro.
O fato é que Miguel tinha morrido devido a um enfarte naquela noite, mas foi encontrado em condições muito estranhas: nu na casinha do cachorro às duas e vinte da manhã.
Estes detalhes chegaram, para o espanto de todos, aos jornais que os presentes a seu velório já haviam lido.
Embora não comentassem, olhavam para o caixão com um grande ponto de interrogação sobre suas cabeças: "-Na casinha do cachorro? E pelado?".

Quem contou aos jornais e por quê?

A principio os únicos que sabiam era sua esposa; a empregada da casa, que foi quem o encontrou lá; seu filho, que foi o que o tirou de lá e claro: o cachorro que, óbvio, morava lá.
Embora este nunca conte nada a ninguém.
Já os outros...
Sua mulher o traía, há muito tempo e com muita gente.
Porém era apenas o troco...
O odiava, talvez não o quisesse morto.
Realmente não queria, mas já que morreu... Que se danasse!

Seu filho só vinha para casa uma vez por ano, não tinham contato e nem relação de pai e filho.
Desde moleque só o chamava pelo nome e às vezes de coroa.
Tanto fazia se morto ou vivo desde que ainda houvesse dinheiro em sua carteira.

A empregada era apenas isto mesmo, e como se sabe dificilmente uma empregada guarda segredo sobre as coisas dos patrões. Nem que seja para ter o que falar em rodas de fofoca entre domesticas.
Com ele morto talvez não ficasse na casa.
Que seja, vida que segue – a dela, claro! – arrumaria outro emprego.

Até onde se sabe era mesmo um sem vergonha, safado, mas nunca foi zoófilo e ao que se sabe seu cachorro também não gostava dele.
Curiosamente era o único que aparentava alguma tristeza.
Não balançava o rabo.

De onde se encontra - não se sabe se céu ou inferno - olhava tudo com certo desprezo.
O mesmo desprezo que tinha por todos em vida: puxa sacos, desafetos, familiares, indiferentes e até o cachorro.
E mais, além de dividas e alguns bens que com certeza não as pagarão, deixa a dúvida: Porque nu e na casinha do cachorro?

Ah a morte...
Que tudo perdoa e a todos iguala, para o bem e para o mal.
Depende do ponto de vista.
Para ela não há jeito.
E pelo visto, nem respostas...

7 comentários:

Anônimo disse...

.... bom dia ! Morto e na casinha do cachorro. Bom, depois de uma bebedeira e sem conseguir uma única muié, numa festa em búziis..., posso contar ?, faz tempo..., Lá pelas tantas, um amigo da pesada, do grupo mermo, mermão, bebeu feito um gambá e já vinha meio mal, se sentindo um vira-lata( "auto apelidou-se" assim ! Começou de gracinha mas foi continuando... continuando... ), já que " ninguém o amava, ninguém o queria " resolveu, num descuido nosso, da rapaziada amiga, fazer pipi na arvore feito um... cachorro ! Senna... costume, desculpem-me, cena ridícula ! Imaginem um rapaz, de quatro, tirando do bermudão, com dificuldade, já que poderia ter ficado de joelhos antes, o pingolinzinho( o dele é ), segurando-o e mirando a árvore ! Pior ! Perdeu o equilíbrio no meio da mijada ! Como um mau cachorro que foi( não é mais. Psicanálise. Mas pode ter recaídas), errou de arvore pois escolheu uma numa pequena inclinação do terreno. A casa ficava numa subida, num dos morros de búziis. "Colinas !" pros chiques. Fomos expulsos da festa, aliás, ele, mas fomos junto em solidariedade. Bom, depois desta pequena colaboração em forma de fato ocorrido anos atrás, acho que descobri o problema do morto do conto. Se sentia um cachorro. Sabia ser um cachorro. Cachorrão ! Assistiu "Bonitinha mas Ordinária" no Canal Brasil e foi morrer, lá, na casinha do cachorro. Geralmente, esses filmes passam no canal "traço mais meio ponto" - chato prá dedéu ! -, neste horário, o da morte... Cadê o Rubs ? Acalmou-se ? Au, au...


M.C.( Xerlóqui Gomes )

Rubs Cascata disse...

Tem razão em gostar. Bão dimais da conta.
Para morrer basta estar vivo?
Condição necessária, mas não suficiente. Há quem morra estando vivo, sem nem mesmo se dar conta, ao viver na e pela exterioridade. Morre por dentro. Parece ser o caso do finado referido, que fechou a porta do coração muito antes de morrer.
Por outro lado, há quem viva simulando-se morto, embora infunda vida para si e para outros. Parece ser o caso de um literato desconhecido, que, certa vez, me disse:
"Há, todavia, uma classe apagada (como deve ser mesmo) que moureja diuturnamente nessas lides reais, aplacando fúrias, incentivando e sugerindo a conciliação, colhendo provas...
Enfim, tentando conhecer os fatos e chamando para si o dever conhecer (...) sob a espada de Dâmocles. Sim, porque o verdadeiro poder é o que é exercido de dentro para fora, da porta que não tem maçaneta, a porta do coração que só pode ser aberta por dentro."

Há muito tempo não vejo esse companheiro. Não importa. Quando a porta do coração é aberta, a afeição é sempre viva.
Abs.

Anônimo disse...

... muito bom, Rubs, até porque não conhecia esta do Dionísio( o tirano não o deus) com o Dâmocles - mais a espada. Colhi conhecimento e com a espada lá. O cara recfuou ? Eu ficaria no trono. Dá prá fazer o mesmo com a Dilma ? É sempre assim com o conhecimento. Ignorante é que consegue viver sem ver a Maldade. Mas senti um pouco de pedantismo seu já que, acredito, esteja na turma que " moureja diuturnamente nessas lides reais, aplacando fúrias, incentivando e sugerindo a conciliação, colhendo provas...". Essa turma, seu participantes são quase santos ! Voce é um ? Sua fotinho... terno elegante. Clássico italiano... Armani ? De dentro para fora, claaaro. Quem sou eu para dizer " de fora para dentro " mostrando - ou querendo mostrar- uma aparência de um homem bem sucedido palestrando relaxadamente para uma suposta pequenina mas inteligente platéia ? São os meus olhos ! Prefiro o Paulo Francis de Franco da Rocha ! " Há quem morra estando vivo, sem nem mesmo se dar conta, ao viver na e pela exterioridade ". Bom, vai uma de um amigo, o Balzac. " Os costumes são a hipocrisia de uma nação ". Estamos nessa, parceiro. hipócritas ! Não adianta os belos escritos. Morrendo vivos. Nada mais humano. Só se você se julga um santo. Aí....

E o cara morreu porque estava bebum e assistiu " bonitinha mais ordinária "! Se ele tivesse lido o que escreveste, subiria na estátua do Cristo Redentor e, no braço direito, se lançava gritando: Ruuuuuuuuuuuuubiiiiiiiiiiiiiixxxx !
Não na casinha do cachorro, pô.
Humilhante.



M.C.

Papa Judas VI disse...

Que tragédia ! Esse é um retrato psicológico de um homem carregado de amor e ódio ao mesmo tempo . Esposo repudiado ... perseguido ... e se rebela contra o mundo ( menos com o cachorro ) que o rodeia rejeitando o conformismo tradicional, isto é : morrer no conforto da sua casa pra ir morrer na casinha do cachorro ! Que terrível fúria teve este homem com a esposa para morrer desse jeito . Trágico ! Muito trágico .

Anônimo disse...

... vocês não entenderam nada ! Só eu entendo a cabeça do senhor Groo ! Meu amigo quis virar cachorro ! Foi quase pro manicômio, pro hospício ! Pro Pinel ! É a volta do homem para antes das cavernas mas tem o maldito do cachorro ! Nós estamos mais acostumados a ver os cachorros do que os macacos ! e tem hollywood ! Lacy, Ritintin... O Lobo do patrulheiro rodoviário. Macaco só vive rindo, cobaia ou cobaia da Nasa ! Aí imitamos, quer dizer, o cara do conto e o meu amigo, os cachorros ao invés dos macacos. Não conheço outros apesar de ter visto um sujeito, 3 da manhã, na Lapa, se fazendo de cachorro para uma prostituta. De coleirinha e tudo ! Entrando, os dois, dentro duma Mercedes último tipo, da época. Com motorista... Ali rolou, eu sei, uma de sadomasoca mas era "cachorro". Era a época das crianças vestidas de bichinho parmalat. O cara estava de dálmata ! O cara do conto morreu de de ataque do coração. Na realidade, se sentia um cachorrão, gostava, um fetiche, mas teve o azar de morrer na casinha do cachorro. Meu amigo é um exibicionista que se deu mal. Ficou dando uma de vira lata por causa do Vagabundo da Disney. E pensava que as meninas iriam entrar na dele. Aí, continuou. Passou no vestibular, carro do ano, colou no vidro o bicho. O Vagabundo ! Com pose de feroz ! Ninguém entendeu mas levamos na curtição. " Lá vem o Viralata ", assim mesmo, dizíamos quando chegava lá no Oswaldo. Sem graça, não ? Aí, aconteceu o lance de Búzios, os pais foram avisados e pronto. Psicanalista e, depois, psiquiatra pois tentou morder o psicanalista. Uns remedinhos, ficou nos trinques. Não casou, ganha uma grana com veterinário eeee come umas cachorras por aí. Tudo em riba mas não mostro a Suéllen prá ele, não. Ela gosta de umas cachorrices mas eu dou uma de Lobo. E digo que ela é minha loba. Aí ela se sente numa categoria superior dos canídeos. Aúúúúú ! E aí, Papa Judas VI ? Vem ao Rio ? Vai ficar na casa de quem ? Tem o meu amigo cachorrão que vai ficar com três argentinas dançarinas de Tango. Suéllen foi para POA ficar com a mãe que tá doente, sobra uma portenha prá tú e levo fé em tú. Mais fé que com o Rubs. Topas ?


M.C.

Papa Judas VI disse...

...kkkkkkkkkkkkkkkkkk ...vou ficar em floripa mesmo ... kkkkkkk ... tu é muito psicodélico ... kkkkkk ... como falamos "poraqui" : "dazumbanho"( das um banho ),"ézum monstro"( és um monstro ), isso quer dizer que o cara é bom nas coisa que faz , ou diz. Ficou feliz meu " pombo " ? ... kkkkkk ...

Marcelonso disse...

Groo,

Olha só, apareceu mais uma manézinho por aqui, visse...

Essa do troféu Ezo e Dazo é mais pura verdade.

abs