29 de ago de 2014

Bravo mundo novo

Em 1998 o Iron Maiden encerrava a turnê do disco Virtual XI tocando em algumas cidades brasileiras.
A banda sempre teve muitos e ardorosos fãs desde que veio para um único show no Rock in Rio de 1985 quando estava no auge de sua popularidade e cuspindo fogo pelas guitarras.
Porém o cenário agora era ligeiramente diferente.
Bruce Dickinson havia saído do grupo e o vocalista era Blaze Bailey, que já havia gravado dois discos - The X Factor e Virtual XI - e deixado descontentes (principalmente o segundo) os fãs da banda.
Ao vivo a situação era ainda pior: seu timbre mais grave não era adequado para as músicas que Bruce havia gravado.
A versão de The Evil That Man Do que se ouve no lado B do single de Futureal é quase constrangedora.
O ponto mais baixo são os shows no Rio de Janeiro, onde objetos são atirados no palco e um deles atinge o guitarrista Janick Jers.
Revoltados, deixam o palco e não retornam para o bis.
Diz a lenda que Jers teria, ainda nos bastidores daquele show, colocado Steve Harris contra a parede no melhor estilo “ele ou eu”.
A incerteza paira sobre a banda.

Eis que entra em cena Rod Smallwood, empresário da banda que, durante as férias ao fim da turnê, convoca Steve Harris para uma reunião e sem meias palavras diz que é necessário trazer de volta Bruce Dicknson ao grupo.
As vendagens estavam em queda, os shows não lotavam mais, as criticas eram em sua maioria esmagadora negativas e os próprios integrantes do Iron não estavam mais felizes.
Até Dave Murray, sempre discreto e gente boa, já havia manifestado sua insatisfação.
Como era de se esperar, a resposta de Harris é um sonoro não.
Rod não desiste e explica muito bem explicado o porquê da volta de Bruce ser absolutamente necessária e marca uma reunião com toda a banda em sua casa.
A reunião prometia ser longa, mas é rápida e rasteira: Bruce está de volta.

Todos se abraçam e trocam apertos de mãos e vão comemorar em um pub perto da casa de Rod onde – novamente diz a lenda – Harris teria dito com voz bêbada: “-Eu não concordo com a volta de Bruce ao Iron, mas esta é a coisa certa a ser feita.”.
Lá pelas tantas alguém tem a ideia de chamar de volta também o guitarrista Adrian Smith que havia saído logo após a turnê de Seventh Son of a Seventh Son.
Este prontamente aceita.
O comunicado oficial é feito em 11 de fevereiro de 1999 com Bruce alardeando aos quatro ventos que estavam de volta para por o Iron Maiden novamente no seu lugar de direito: o de maior banda de heavy metal da história.
Quem já ouviu Brave New World sabe que ele não mentiu.

 
Uma curiosidade sobre The Thin Line Between Love and Hate.
Fãs interpretam o título da canção como uma analogia da delicada relação entre Bruce e Steve.
Se é ou não, não importa, o fato é que a música é maravilhosa..

5 comentários:

Marcos Antônio Filho disse...

tb reza a lenda que o Adrian Smith era uma exigência para volta do Dickinson, pois ele tava tocando com ele na banda do projeto solo. O Harris tinha ficado meio putão achando que ninguém mais ia ouvir o baixo dele, mas no fim cedeu. E que bom que ele fez isso! rs

Manu disse...

Alguns dias atrás uns colegas de faculdade estavam zoando um outro que havia colocado uma música do Virtual XI no facebook. Um deles ainda disse que quem tem esse disco em casa é uma pessoa com sérios problemas mentais, entre outros adjetivos de baixo nível. Eu ri, mas nem pude comentar porque eu já cometi o delito de comprar o tal uma vez em promoção nas lojas americanas :D
Mas de fato, não tinha nada na cabeça rsrsrsrs...

Graças, Bruce voltou! ^^

=*

Ron Groo disse...

Eu nem acho o Virtual XI tão ruim assim.
Futureal, The Clansman e The Angel and the Gambler são ótimas músicas.

Aliás, Bruce também acha já que incluiu a segunda no repertório dos shows no Rio De Janeiro no Rock In Rio.
Só não tem status de clássico, mas é um disco passável.

andreh disse...

Cara, nao vejo a hora de ir num show desses caras! A ultima tentativa foi cancelada gracas ao terremoto e o tsunami aqui no Japao! Ingresso na mao!!! Dois dias antes do show!!! E pra enfiar o dedo no c. e rasgar!!! Na espera...
Abs

Manu disse...

Verdade, é passável e não dá para comparar com os outros, mas isoladamente, tem razão, há boas músicas. ;)