18 de ago de 2014

O presente do Nelsão

Neste domingo (17/08) foi aniversário de Nelson Piquet, um dos gênios deste assunto de acelerar e fazer curva.
Obviamente, pulularam homenagens e homenagens por todos os cantos.
Merecidamente, diga-se.
Mas o maior presente foi o próprio que nos deu há muitos anos atrás.
Já tratei desta manobra por aqui um tempo atrás sob o título de A Kind of Magic, onde um moleque húngaro que vai à primeira corrida em Hungaroring – mesmo sem conhecer muito – vê a batalha e ultrapassagem em Ayrton Senna (outro gigante) e vai embora julgando que não haveria mais nada tão bonito assim até o fim da corrida.
Ouso dizer que não haverá até o fim dos tempos...
Mas qual o sentimento, naquele momento, foi despertado em cada pessoa?

Jack Stewart disse que foi como ver um looping com um Boeing, ou quase isto.
Aliás, esta frase e aquela do próprio Piquet sobre correr em Mônaco (“Andar de bicicleta na sala”) são duas das melhores definições sobre um assunto já feitas.

Piquet disse que após concluir a manobra, mandou o dedo médio para Ayrton e soltou um palavrão.
Não há como comprovar nem o dedo e nem o palavrão. Unicamente se acredita em Nelson ou não.
Sobre o palavrão, acredito firmemente.

Senna disse ter recolhido o equipamento para evitar um choque, também não duvido, mas a impressão foi que recolheu respeitosamente e até um pouco humilhado.

Particularmente, foi um turbilhão de sentimentos.
Ao mesmo tempo em que torcia para que Nelson fizesse a ultrapassagem, também torcia para que fosse de forma segura, sem risco de abandono para qualquer um dos dois pilotos brasileiros.
Pachecagem? Talvez, mas eram outros tempos e havia ali tanto talento junto que era impossível não torcer a favor.
De fato mesmo só a lembrança de ter ficado de pé no sofá e gritado um libertador: “-Putaqueopariucaralho!” a plenos pulmões e ter recebido no peito um chinelo voador vindo diretamente da cozinha, atirado por minha mãe, que, aliás, até hoje não gosta do Piquet por aquele palavrão... Vai entender.

E você? Como recebeu o presente do Nelsão naquele 10 de agosto de 1986?

6 comentários:

Eduardo De Campos disse...

Lembro que também soltei um grito naquele instante e também fui repreendido por minha mãe, que também não gosta do Piquet.Aliás, nunca gostou mesmo.Depois dessa ultrapassagem, piorou.O Senna já era o queridinho dela e de minha irmã caçula.
A rivalidade entre os dois era bastante acentuada lá em casa.Essa minha irmã já chegou a dizer que me odiava, pois eu ria a cada abandono do pato, como eu e meu irmão chamávamos o Senna.Demos esse apelido pois alguém havia perguntado ao Piquet se ele gostava de correr na chuva, como o Senna.A resposta?
"Não sou pato, pra gostar de água..."

Vander Romanini disse...

A reação foi igual, diferente mesmo foi que meu Pai olhou pra mim e disse:
"Que bonito, hein rapaz!! Vai ficar sem desenho por uma semana!!"
Tive que ficar uma semana assistindo a Gazeta...

Anônimo disse...

Eu gritei um AHHHHHHHHHHHHHHHHHHH... rsrsrsrs. Abraço, Everson Abreu.

Marcelonso disse...

Groo,

Ultrapassagem antológica...Nelsão era fantastico nas pistas.


abs

Tiago Montoya disse...

Isso aí frente a Villeneuve/Arnoux em Dijon é meio cretino de comparar, não que eu simpatize com piloto fulano ou beltrano, nem querer ridicularizar a postagem, todas são ótimas, mas nem acho grande coisa o que foi feito, tem diversas dessas ao longo da história da F1 seja recente ou antiga.
No mais parabéns ao autor do blog.

Anônimo disse...

Já que há tantas assim, poste alguns links para nós, então. Mas tem que ser com o cara deslizando nas quatro rodas, viu.
Na boa, mas que puta mania chata essa do brasileiro de desmerecer os feitos alcançados por Piquet e enaltecer os do finado, viu.
Meu, o cara é tão campeão quanto o falecido, sendo inclusive reverenciado em todo mundo por sua carreira. Mas no Brasil, terra onde só existem expert em tudo quanto é área, sedentos em busca de um mínimo detalhe que seja para usarem como argumento para desqualificarem esse ou aquele, é diferente. Neguinho se mata em busca de algo que julga ser possível de ser usado para desmerecer aqueles que fogem do politicamente correto. Ou seja, ter personalidade e dizer o que pensa em detrimento daquilo que querem ouvir é quase um crime. Faça-o, e serás odiado eternamente.
E o pior de tudo é que esses tais sabichões se julgam acima do bem e do mal. Em seus julgamentos faltam dizerem que sabem mais que os próprios profissionais da área em debate. Um cara como Jack Stwart, tricampeão mundial e anos de experiência vivida dentro de um cockpit de um F1, por exemplo, está errado ao afirmar que "foi como fazer um looping com um Boing", e você certo, claro, ao dizer que "não foi nada demais". Pelo amor, viu. Prepotência pouca é bobagem. Por isso dizem que brasileiro tem mania de comer camarão e arrotar caviar...