19 de nov de 2014

Curtas metragem

Entrou sorrateiramente, pé ante pé... Quase imperceptível.
Parou.
E colocando as costas em uma coluna, com o revolver em punho encenou a mais clichê das posições dos filmes de mocinhos e bandidos.
Queria aproveitar um momento de descuido, mas não teve paciência.
Ao saltar no meio dos mal feitores não matou apenas o personagem, assassinou também a bilheteria.

Ela viveu até os oitenta anos com saúde invejável. Comia alga.
Ele morreu aos trinta e cinco. Comia Olga
É que ela, que se chamava Helga descobriu.
E Olga?
Nunca mais foi vista.

No ultra-som era menino.
Nasceu e era menina.
Cresceu na duvida.
Hoje sabe que é mulher, foi sua namorada quem a convenceu.

A música sempre fez parte de sua vida.
Toda ela tocara trombone.
Até casou com uma musicista.
É verdade que depois de alguns anos de casados começaram a não se dar muito bem.
Ao morrer deixou em testamento que tocassem em seu velório “When the saints go marching in”, mas com ressalvas:
“-Oboé não, oboé não é instrumento musical e sim de tortura.”.
Sua esposa - oboísta -  não compareceu ao funeral.

Desde criança adorava animais.
Estudou zoologia, também se formou biólogo.
Prestou concurso para trabalhar no Zoológico Nacional.
Aprovado em segundo lugar, nunca foi chamado.
Hoje é bicheiro na Lapa.

3 comentários:

Manu disse...

Rsrsrsrs, sensacional!

Abs!

Anselmo Coyote disse...

Ah... bom.

Marcelonso disse...

Groo,

Hoje você está inspirado! Parabéns.


abs