5 de dez de 2014

Novas joias na coroa da Rainha

O ano de 2014 chega ao fim com dois presentes para o fã do Queen.
Dois discos com material “novo” e “inédito”, de uma tacada só.
Agora em dezembro chega às lojas a coletânea Forever, que tem como atrativo principal três músicas “inéditas” com a voz de Freddie Mercury e o baixo de John Deacon, que não é visto em público desde o lançamento de Made In Heaven (1995).

Forever traz – como foi dito – três músicas “inéditas” sendo que, de “novo” mesmo não tem nada.

“Let Me In Your Heart Again” é faixa de um disco de Anita Dobson, esposa de Brian May: Talking of Love (1988).
“Love Kills” é o primeiro single solo de Mercury lançado na trilha de Metrópolis (1984)
“There Must Be More To Life Than This” é do primeiro album solo de Freddie: Mr. Bad Guy (1985).
As três tiveram o mesmo tratamento de algumas faixas do derradeiro álbum da banda, colocando o registro de voz de Mercury em uma nova roupagem produzida pela banda juntamente com o produtor da vez (William Orbit).
A última ainda conta com participação de Michael Jackson e podemos entender exatamente o porquê de Mercury preferir lançar em seu disco a versão sem a voz do cara...
O restante apresenta um Queen apenas baladeiro (exceção feita a “I Was Born To Love You” que apresenta algum ritmo e peso) que faz o não fã pensar que a banda não passava de uma espécie de Roupa Nova inglês.
São todas músicas ótimas, mas que só fazem sentido em seus discos originais como intervalos das cacetadas, como respiro ou descanso para os ouvidos.
Juntas, não deixam o álbum engrenar ficando eternamente na primeira marcha.
Vale a pena?
 Para o fã e colecionador inveterado, claro... Mas se não for, prefira a série Greatest Hits (I, II e se tiver grana o III), que são mais honestos na apresentação da banda.

O ouro do material "novo" está no outro lançamento, que chegou às lojas um pouquinho antes: Live At The Rainbow 74.

O lançamento traz em uma edição luxuosa (lá fora, aqui é digipack) duas apresentações do grupo no legendário Rainbow Theatre no ano de 1974.
Um dos discos trás o show de março, com o fim da turnê do álbum Queen II (1974) e o outro o show de novembro, de lançamento de Sheer Heart Attack (também de 1974).
Ainda que a primeira vista os set lists sejam parecidos, as gravações capturam o grupo em busca da fama, cuspindo fogo e incendiando a audiência.
É também chance ( a não ser que – novamente – seja fã e tenha os bootlegs todos) de ouvir ao vivo canções como “White Queen”, “Ogre Battle”, “The March Of The Black Queen”,  “In The Lap Of The Gods”, “Bring Back That Leroy Brown”, “Flick Of The Wrist” e a sublime “The Fairy Feller´s Master-Stroke”.
Periga ser, juntamente com o registro dos shows de Wembley em 1986 e Live At The Bowl, gravado em 1982, mas que só viu a luz em 2004, dos melhores discos ao vivo da banda.

2 comentários:

Rafael Schelb disse...

Sem mais, excelente análise! E poder ouvir The Fairy Feller´s Master-Stroke ao vivo, é uma das coisas mais fantásticas do mundo!

Marcelonso disse...

Groo,


Na boa, sou das antigas. Concordo plenamente com sua análise.

Quando se visa o lado comercial, perde-se a essência.

abs