22 de abr de 2015

Crônica do GP: Artificialidades: até quando e quanto mais?

Há algum tempo vem se procurando o que pode ser a essência da F1, o que a deixava atraente para o público e telespectadores em outras eras.
O tédio de muitas provas com certeza afastou grande parte do público, os preços praticados nos ingressos, a aproximação da categoria com mercados sem tradição e sem interesse pela coisa também, mas vamos deixar isto para outra hora...

Fala-se agora em aumentar espetacularmente a potência dos motores (elevar a 1000 HP) e retirar a limitação de giros e/ou consumo e liberar a aerodinâmica para os projetistas.
Coisas que e aqui abro aspas “para o bem da categoria e do espetáculo” foram regulamentadas ou banidas há bem pouco tempo.
Mas seria esta a solução?
Duvido...

Houve a criação de um grupo para trazer de volta as ultrapassagens em uma época, não sei se ainda se reúnem... Suas grandes contribuições foram coisas artificiais mais voltadas para o mercado (Kers, ERS e afins) sobre alimentando o motor que para o espetáculo em si.
Para este último criou-se a asa móvel, que unidos ao Kers/ERS dá mais velocidade ao carro que ataca, desde que dentro do intervalo de um segundo entre um carro e outro.
Não há a possibilidade de defesa para o carro que vai à frente, mas as ultrapassagens apareceram, é bem verdade, só que de forma bem artificial e acaba que nem isto trouxe os espectadores, seja in loco, seja pela TV de volta.

Então algum maluco, alguém meio alienado da realidade deve ter dado a ideia de que o que atraia o público eram as faíscas que os carros – mais notadamente nos anos 80, começo dos 90 – soltavam quando batiam o fundo nas imperfeições do asfalto.
Era bonito, claro... Mas era isto?
Não, mas mesmo assim regulamentou-se o uso de uma placa de titânio debaixo do bólido para soltar as tais faíscas.
Mais artificialidade... E tem gente que adora!
Mas aposto e ganho que isto também não vai atrair ninguém de volta.
Se enfiar um bombril no cu, por fogo e peidar, também saí faísca...
Então fico esperando a próxima grande ideia ou sacada.
Será que dirão que o que atraia o povo eram as explosões de motor com muita fumaça?
Ou os acidentes espetaculares como aquele do Kubica no Canadá?
E se disserem que eram os acidentes fatais da década de 60 e 70?
Não quero nem imaginar como artificializarão estas coisas...

3 comentários:

Marcelonso disse...

Groo,

A F-1 com sua artificialidade está preparando sua cova.

Do jeito que está, nem mesmo nós, amantes do esporte estamos aturando.

Olho para a MOTOGP e vejo disputas emocionantes entre três marcas distintas.

Só para ilustrar, a categoria proporcionou algumas facilidades/vantagens para que a Ducati pudesse se igualar a Honda e Yamaha, e funcionou.

Fico me perguntando, porque na F-1 não seguem caminho semelhante? Porque no auto da sua arrogância, Eccclestone não aceita nada que não tenha saído de sua caixola.

abs

Jaime Boueri disse...

Olha, eu digo por mim: o que fascinava na F1 era o perigo, sim. A idéia de o cara entrar no carro, acelerar como nunca (coisa que hoje também não acontece - o cara acelera quando PODE) e poder morrer tentando ser o mais veloz era algo visto como heroico. E era heroico, mesmo.

Faíscas? Vão se foder... Liberar os engenheiros pra fazer o que quiserem? Alguém ainda duvida de que os pilotos não precisariam existir hoje em dia? São "peças descartáveis"!

Eu baniria a telemetria e o rádio, apenas. Pronto! A F1 voltaria a ser legal pacas...

Eduardo Casola Filho disse...

Depois eu falo que a F1 está com problemas e que precisa mudar, reclamam que eu sou um rabugento, que só defende a "nascarização da Fórmula 1" sendo que estes mesmos apoiam ideias como essas.

Além disso, ainda ficam bravos com aqueles que falam que as corridas atuais são ruins e tentam de toda a forma convencer que está tudo bem. Haja paciência...