28 de abr de 2015

E Alonso finalmente tem razão...

Alonso chorou como sempre faz, é verdade, mas desta vez tem alguma razão.
O bicampeão do século passado lamentou que a categoria não ouça uma das principais partes do jogo: os pilotos.
"-Como um piloto, você está na posição de pedir muitas coisas, mas há muito interesse, as empresas e fabricantes no esporte, eles são mais poderosos do que a opinião de um piloto" – disse o asturiano.

Ultimamente o piloto não tem sido a parte mais importante da equação proposta para que se encontre o campeão de cada temporada.
Títulos como o de Hamilton no ano passado e o provável (muito, muito) deste ano são prova cabal.
“-Ah, mas você não tá citando os do Vettel nesta sua sanha de dizer que os pilotos da Mercedes são cones...”.
O dia que Hamilton ou Nico vencerem em Monza, debaixo de uma chuva torrencial e pilotando não mais que um carro de meio de grid, modifico minha opinião, antes não.
Se bem que isto não é de hoje, vale lembrar que Jacques Villeneuve, Damon Hill e Jenson Button também já ganharam campeonatos e não foi – nem a pau – por conta de seus maravilhosos talentos.

Para, além disto, voltando ao espanhol... A categoria sempre foi um negócio que contém esporte na composição: race on Sunday, sale on Monday.
Mas nunca a parte do buzines esteve tão fortemente ligada à gestão da coisa, nunca foi tão sufocante para a parte esportiva.
Pilotos são escolhidos pela quantidade de grana que podem trazer ao time e não pelos benefícios de sua condução.
Montadoras só aceitam vir e ficar se vencerem. Com prazos estipulados. Se os resultados não aparecem, elas também somem.
O custo exorbitante para se estar na categoria impossibilita o surgimento e a manutenção dos “garagistas” tão importantes para a consolidação do esporte em outras eras.
Custos para promoção dos GP´s tirando países e circuitos tradicionais do calendário em contrapartida de lugares sem tradição que geram corridas monótonas e afastam o público das poucas boas – e tradicionais – pistas que sobraram.
Sem contar o monopólio de certo desenhista de pistas alemão que é quase um Midas ao contrário.

Que os gestores não ouçam a torcida é até entendível (não aceitável), mas deixar de ouvir os pilotos é realmente inacreditável.
Na batida que está logo não serão necessários também, deixando a condução dos carros para alguém com um joystick nos boxes ou em algo parecido com os carros sem motorista que o Google anda testando.
Resta saber se haverá alguém interessado em ver isto já que com pilotos do calibre de Alonso, Vettel, Kimi, Bottas e Ricciardo a coisa já esteja um tanto difícil de aguentar...

3 comentários:

Marcelonso disse...

Groo,

A artificialidade que toma conta do esporte a motor é como um câncer que se instala, quando menos se esperar já "Elvis"...

O que mais escutamos em todos os cantos é a dependência das traquitanas para ultrapassar, push to pass, asa móvel e o cacete a quatro...sem esses artificios, os caras não conseguem mais superar os adversários.

Quanto a Hamilton, permita-me discordar, pode não ser um gênio, mas tem suas qualidades.


abs

Manu disse...

Excelente Groo, excelente! Alonso está certo e seu texto comprova essa razão. E penso exatamente isso: eu como admiradora dos dois pilotos da Ferrari, e ainda simpatizando com outros, não consigo ânimo bom para levantar da cama toda vez que tem corrida. A coisa está deveras ruim e não tem perspectiva de melhora... :/

Abs!

Jaime Boueri disse...

Entendo seu posicionamento quanto a Villeneuve, Damon e Jenson...

Mas, o campeonato de 1996 foi disputado até o fim por um Jacques 'endemoniado' (no bom sentido, se é que há). Fez corridas memoráveis! Além disso, veio de um título indiscutível na Indy.

Damon também disputou de igual pra igual as temporadas de 1994 (quando teve o FW14B) e 1995, antes de levar o caneco em 1997. Depois, ainda teve boas atuações por Arrows e Jordan...

O Button... Ah, o Button é um cagão mesmo. Não gosto dele!