18 de set de 2015

Rock in Rio 2015: faltou ousadia?

Hoje começa o Rock In Rio, edição comemorativa dos trinta anos do evento original.
Aqui não se trata de dizer que o bacana foi o de 1985 ou reclamar das escalações esdrúxulas (tipo colocar Erasmo Carlos antes das bandas de metal ou por Carlinhos Brown para tomar latada na jaca). Longe disto.
Muito menos reclamar por trazerem artistas de fora da cena “rock and roll”.
É algo muito necessário. Afinal, além de promover é necessário vender ingressos.
E o festival, meu caro roqueirinho de esquerda imbecializado, é para dar lucro.
Mas a turma desta vez é realmente fraca.

Uma olhadinha no noite a noite comprova a tese.
Tanto palco Sunset como palco mundo tem nomes sofríveis.
Já o palco Eletrônico... Que se foda! Quem liga pra tocadores de pen drive?

Vai ser interessante ver o Ira! dividindo o palco com Tony Tornado, claro, Rappin Hood estará lá, mas não é novidade ver a banda paulistana com um rapper. Edgard Scandurra é fã confesso do estilo e tudo o mais.
Também poderá ser bacana ver Ministry (embora por aqui sejam pouco conhecidos), assim como Lamb of God, Deftones, Erasmo e Ultraje e claro: Lenine que é sempre ótimo.
Já o restante...
Ou são desconhecidos crônicos ou coisas constrangedoras como a tal homenagem ao Rio de Janeiro.
Já a parada para Cássia Eller deve ser um enorme karaokê que deve funcionar, mas sério... É chato pra carai! Duvido que Cássia curtisse.

Já no palco principal, nenhuma novidade...
Apenas gente com as carreiras já estabelecidas e muitos até em franca decadência.
Rod Stewart e Elton John são os casos mais fortes da última afirmação.
Junte aos fracos Motley Crue (quem liga para hair metal hoje em dia?), Queens of the Stone Age e a palhaçada pouco ouvida do Slipknot (show ok, música nem tanto) e um monte de gente meio sem expressão e quase desconhecida por aqui.

Um capitulo a parte é a noite de abertura em que – em tese – reinaria soberano o Queen (que junto com Al Jarreu, Rod Stewart e os Paralamas do Sucesso participaram da primeira edição).
Por mais que a história do Queen seja bacana e seus hits sejam enfileirados, não é a banda original. Ok! Tem Brian e Roger, mas não tem Deacon e principalmente: não tem Mercury.
Vai ser ruim? Não, claro... Mas assim como foi com a formação com Paul Rodgers, o cheiro de cover de luxo vai sempre estar pairando no ar.
O que vem antes é simplesmente nulo.

A única coisa que pode se dizer ser uma injustiça é não por os Paralamas para encerrar ou, no mínimo, ser a penúltima atração de uma das noites.
Tanto pela importância da banda na história do rock brasileiro, quanto pelo fato de ser a última grande banda (com formação original) da época do primeiro festival.

A esperança é ver Mastodon e Faith no More que lançaram bons álbuns a bem pouco tempo. Já os outros, embora bons nomes, não lançam nada novo – ou bom - há muito tempo.
Metallica, Systen of a Down e A-Ha tem hits suficientes para vários shows, mas infelizmente, são sempre as mesmas canções. Rihana e Katy Perry, por mais que encham a cidade do rock também não são o que há de mais quente mesmo em seus estilos no momento, e pior: corre-se o risco de ver o playbacão comer solto no palco, assim como foi no superbowl do ano passado.
Pela grandiosidade do festival e pela efeméride redonda, é bem pouco.
Mas viva a festa e que comece a diversão para quem quiser se divertir.
Embora eu ache meio complicado com estes nomes, eu quero.

2 comentários:

Manu disse...

Ruim, ruim de péssimo não está. Mas achei bem estranho qd bandas de meu gosto pessoal que encabeçam festivais europeus, aqui ficam apenas com o tal palco Sunset.
Mas sempre o festival tem algo de bizarro, algo que alguém discorde.
Eu queria ir no show do Slipknot: com o tempo, aprendi a respeitar a banda. Metallica, por mais repetitivos que sejam, ainda fazem SHOW com letras maiúsculas. Minhas sensações no show deles em 2010 são ainda indescritíveis. E eu queria ver A-Ha. Minhas irmãs foram à um show deles quando eu era muito nova e eles, no ápice da carreira. Saberia cantar muita coisa. :D
Faith No More é 8 ou 80: nunca se sabe como Patton vai se portar. Algumas músicas da bandas não me parecem boas mais qt as antigas (talvez por falta de maturidade não consigo ouví-las).
Mas de fato, o festival é mercado. Um tanto irritante o costume da maioria que vai ao evento achando que é micareta, mas é isso. Jamais teremos um festival genuinamente a moldes ideias.

Abs!

Marcelonso disse...

Groo,

Realmente não é uma maravilha, mas na boa, selecionados, dá pra curtir alguns via Multishow.

abs