19 de ago de 2016

Groo recomenda - Golpe de Estado: hard/heavy brasileiro de primeira qualidade

No fim dos anos 80 o rock nacional (BRock) ainda vivia sua fase de maior sucesso comercial e havia para todos os gostos: desde o levezinho pop do Kid Abelha até a pauleira que conquistaria o mundo impondo respeito ao heavy brazuca do Sepultura.
No meio destes haviam os gigantes da vez (Legião, Titãs, Paralamas, Engenheiros e Barão) e um grupo que chegou a fazer um certo barulho (no bom sentido) mas que não emplacou como os colegas mais radiofônicos: Golpe de Estado.

A formação clássica era composta por Hélcio Aguirra na guitarra, Paulo Zinner na bateria, Catalau na voz e Nelson Brito no baixo e apesar da banda ter continuado após a morte de Hélcio Aguirra (21.01.2014) e as saídas de Catalau e Zinner é o line up que importa aqui.
Hélcio era e provavelmente ainda é, o melhor guitarrista de hard rock/heavy metal do país.
Inventivo, criava riffs e solos na mesma linha de intensidade de um Tony Iommi, por exemplo. Aliava peso, melodia e velocidade como poucos.
Zinner chegou a ser cogitado para integrar o Whitesnake quando Cozy Powell deixou o grupo logo após o Rock In Rio de 1985.
Segundo o baterista, só não ficaram para fazer os testes porque estavam com os passaportes vencidos em Londres, foram presos e mandados de volta para casa. Virtuose, tocou com Rita Lee logo após sair do Golpe.
Catalau deixou o grupo em meio a problemas com drogas, se converteu e hoje é pastor de uma denominação evangélica. Não havia voz de hard rock no país que se comparasse.
Brito seguiu com o grupo.

Depois de dois lançamentos pelo selo independente Baratos Afins - Golpe de Estado (1986) e Forçando a Barra (1988), que trazia o proto hit “Noite de Balada” - o grupo assina com uma gravadora maior, a Eldorado que investe melhor na produção do próximo disco, o clássico Nem polícia, nem bandido. (1989)
O disco traz letras sobre drogas (“Velha Mistura”, “Janis”), amor sem ser piegas (“Paixão”) e política (“Nem Polícia, Nem Bandido”)
Mas é com o Quarto Golpe (1991), que a banda atinge seu maior sucesso de público e vendas.
Puxado por “Real Valor” a banda chega até a se apresentar no (então relevante) Programa do Jô, na rede Globo.
É o disco da banda melhor produzido com peso poucas vezes ouvido naquela geração de roqueiros dos anos 80/90.
O disco também tem a faixa “Caso Sério” que tocou muito nas rádios e de certa maneira foi a canção pioneira em trazer ao rock brasileiro preocupações ecológicas.
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Ainda lançariam pela Eldorado o disco Zumbi (1994) que apesar de boas canções e algumas covers (“My Generation” do Who e “Hino de Duran” de Chico Buarque”) já não emplaca.
Esta fase termina com o disco Dez Anos Ao Vivo (1996), mostrando exatamente o que era a banda em cima do palco: poderosa.
Quando aquele seu amigo teleguiado e com a cabeça feitinha disser: não vai ter golpe, pode gritar na orelha dele que vai ter Golpe sim! E se reclamar, vai ter "Nem Polícia, Nem Bandido" rolando no talo e no repeat.
Aproveite e grite também a letra de para ver se ele saca o lance dos dois distintivos na mesma blusa...

Um comentário:

Manu disse...

Esse "Vai ter Golpe" pareceu vantajoso hehehe...
Confesso que já vi algumas vezes a banda na revista Rodie Crew, mas nunca parei para ouvir atentamente e conhecer a fundo.

Abs!