14 de out de 2016

Judas is rising, Bob Dylan Nobel

No final da tarde daquele domingo 25 de junho de 1965, Robert Zimmermann subiu ao palco para se apresentar no prestigioso festival de Newport.
Diferente das apresentações – todas! – do cantor e compositor anteriormente, desta feita estava acompanhado com uma banda completa, guitarras e baixos elétricos inclusos, e aquilo causou estranheza aos fãs.
Não era para menos.
Todos esperavam aquele garoto com voz fanha, violão e gaita tocando suas canções fortemente calcadas no folk. Influência de Woody Guthrie e o que aparecia diante deles era a encarnação daquilo que eles mais desprezavam.
O Bob Dylan de camisa laranja, jaqueta de couro, uma Fender e banda dispararam uma versão elétrica de “Maggie´s farm” e a destruidora “Like a rolling Stone” redefinindo, a partir dali o rock – até então juvenil e pueril em suas letras – como estilo mais rico, lírico e profundo.
Como resposta, naquela tarde de domingo, ouviu da plateia vaias e um grito: “-Judas! ”.
Em contrapartida, devolveu àquela parte do público outro grito: “You´re a liar! ”.
E o que veio depois é história.

Ao receber a honraria do prêmio Nobel de Literatura faz-se justiça por um lado e cria-se injustiças por outro.
Há tempos as letras de mr. Zimmermann são mais do que apenas a parte cantada de suas melodias. Aliás, nunca foram.
Como disse a curadora do prêmio: “-Dylan criou novas expressões poéticas dentro da grande música tradicional americana. ”
Arrisco dizer que Bob fez pela literatura mundial muito mais que os três últimos escritores horados com o Nobel. E é, sem dúvida, muito mais popular que eles.
Só para citar um exemplo: seu disco Infidels (1983) que tem a faixa “Jokerman” é um relato fantástico sobre o fim de um relacionamento. No caso, dele mesmo.
A injustiça fica por conta de ter sido o primeiro “cantor pop” a levar o prêmio, deixando para trás outros nomes tão importantes e “literários” quanto o poeta Leonard Cohen, que antes de ser cantor já era escritor de sucesso.
De qualquer forma, a porta agora está aberta, mesmo que seja muito difícil que outro músico ganhe o prêmio nos próximos anos.

Será que os puristas da música também o chamarão de Judas por atravessar mais esta barreira e assim como saiu do folk acústico para o rock elétrico, ter ganho um prêmio destinado à escritores?
Mas a grande piada sobre a premiação veio pelo twitter e dizia que um repórter procurou Dylan para saber o que ele pensava sobre ter ganho o prêmio e ele teria respondido: “-The answer my friend, is blowin´ in the wind... “.

Um comentário:

Anônimo disse...

Os velhinhos do prêmio Nobel deram uma deslizada boa na minha modesta opinião... Ou apertaram...

Marketing ? Pode ser. Esperemos os próximos anos.
Ele, Judas, quer dizer, Bob, escreveu uns livros mas, sinceramente, nenhum fez o menor estardalhaço. Tipo Chic Buááááá Argh de Paris, o alemão.
É. Uma jogada de marketing. Vendo a lista de feras que ganharam o prêmio Nobel de Literatura, um baita tropeço na pedrinha do crack mas pode ser uma abertura para o Brasil reivindicar um prêmiozinho ! Pau No Coelho !

' Pela sinceridade da obra '


'Eu sou astrólogo
Eu sou astrólogo
Vocês precisam acreditar em mim
Eu sou astrólogo
Eu sou astrólogo
E conheço a história do princípio ao fim...'

E tem gente que acredita que ele é mago... Merlin ! HA !
Já que tá riquíssimo, que divida o prêmio( o dindin) com a família do
Raúúú !




M.C.