2 de jan de 2017

F1 2017: Enter - Mudanças

A Liberty Media deu um passo em direção a modernização da gestão da F1, categoria que pretende ter o controle total em breve. Hoje, o grupo é dono apenas de aproximadamente 18% das ações, montante comprado junto à CVC no decorrer de 2016.
A empresa quer introduzir na categoria algo parecido com o salary cap, algo que funciona – e muito bem – na NFL.

O teto orçamentário seria para equilibrar os gastos das equipes grandes com o das pequenas e nanicas e claro, com a Ferrari, talvez a maior gastadora do grid e provável em entrave a introdução.
Segundo diretores da Liberty, “-Não faz sentido esquipes gastando mais de $400 milhões anuais se isto não traz nada de bom ao fã da categoria.”.
Segundo os mesmos, isto cria duas classes dentro do esporte e impede “os azarões de ter uma chance de vencer.”.
No que somos todos obrigados a concordar sem fazer nenhuma ressalva.
Enquanto times como Mercedes e Ferrari gastam montanhas de dinheiro, times pequenos lutam bravamente para sobreviver sem nenhuma perspectiva no horizonte de vir a ter êxito maior que andar no meio do pelotão. O que convenhamos, não vale muita coisa.
A medida, obviamente, tem que ser discutida com os times e a própria Liberty sabe que a batalha não vai ser nada simples.
Será difícil convencer os times grandes que, aos poucos, a falta de competição vai matar o esporte por monotonia. E se pensarmos que Mercedes, Renault, a própria Ferrari e em menor escala a McLaren, que não tem a F1 como principal atividade, a coisa pode ser mais complicada ainda.

Por outro lado, a Liberty também acenou com a ideia de usar outra característica vinda do football americano para melhorar a imagem da F1 junto aos fãs.
A empresa quer que cada corrida da F1 seja como um pequeno superbowl (a grande final da NFL) em termos de grandiosidade de evento.

O Superbowl vai bem além do jogo em si, levando à cidade que o sedia uma gama de eventos que visam aproximar o fã dos atletas com palestras, brincadeiras, ações de marketing localizados, feiras e shows de grande porte com nomes consagrados (locais e mundiais) durante o fim de semana.
Isto funciona perfeitamente para o football, tanto que o Superbowl é o maior evento esportivo anual, visto por milhões de pessoas ao redor do mundo e leva ao local do jogo uma quantidade de pessoas absurda e que nem sempre tem ingressos para o jogo em si. Sem contar os milhões em publicidade.

A ideia é boa, mas – ao meu ver – esbarra em duas coisas difíceis de serem contornadas.
São elas: a mentalidade tradicionalista europeia vigente na F1 que contrasta totalmente com a ideia de show business americana.
E mais, mesmo com toda a festa em torno do evento, com suas feiras, shows e tudo o mais, nada se sustentaria sem um ótimo jogo valendo taça dentro de campo.
E convenhamos, a F1 tem produzido bem poucas corridas dignas de se dizer que sustentariam o aparato todo. Sem contar a falta de tradição de muitos dos lugares onde tem corrido nas últimas décadas.

Mas enfim, o gigante parece que vai se mover.
Se para frente ou para trás, só o tempo vai dizer.

3 comentários:

Anselmo Coyote disse...

Perfeito, mas.... (tem sempre um).
Show grandioso com muita pirotecnia (sem pejoração), público feliz etc etc etc, como mto bem descrito. Para viabilizar a façanha corte$$$ profundos e doloridos na carne de Ferrari, Mercedes, Renault e McLaren... E estas avaliando: muito bom - nós fazendo o show e esses insipientes enchendo as burras. O que ganhamos com isso?
Obviamente que o velho brutalhão Rubs Cascata resumiria tudo a: Então eles acham que vamos segurar cabrita pr'os outros mamarem. Vão esperando.
Abs.

Rubs disse...

A pois. "Todos tretam por tal regra: proseiam de ruins, para mais se valerem, porque a gente ao redor é duro dura." "Vi tanta cruez".
Numa entrevista para a Sky, Adrian Newey diz que a F1 passou a ser uma batalha de recursos em vez de ser uma batalha de pilotos vinculada à criatividade de engenheiros. Segundo ele, as fábricas estão mais interessadas em propaganda do que levar tecnologia para os carros de rua. Isso torna ainda mais absurdo o que se gasta no esporte. Em vez de restringir a aerodinâmica, a FIA devia restringir o uso de túnel de vento e as especificações de chassis.
Ora, a FIA está careca de saber disso, o que nos leva a pensar em uma relação promíscua entre a criação e aplicação de regras e as grandes equipes. Estarei sendo gato escaldado? O tribunal de sacanagem com os executivos?
Pouco me importa. Como torcedor formiga-atômica, acho que a F1 precisa só das equipes grandes mais a Williams. Dane-se os resto. Morram protestando na Paulista.
Eu prefiro a F1 do jeito que está do que ver um monte de chassis Dallara com pneus pirelão e motores Honda, Chevrolet e Mercedes idênticos.
Nunca vi tanta bruteza. Mas os brutos estão certos.

Aline Rodrigues disse...

Vi a pesquisa com os leitores do PitPass. "Vocês querem 20 SuperBowls por ano?" 75%: No thanks.