8 de fev de 2017

F1 2017: Hora de se valer da segurança conquistada?

Depois daquele maio tenebroso em 1994 a F1 passou por uma corrida desenfreada em busca da segurança.
Caçaram-se bruxas, é verdade... Curvas foram transformadas em retas; retas ganharam chicanes; autódromos foram modificados, desfigurados e alguns até riscados do mapa.
O símbolo mor desta caça às bruxas nem foi a plástica feita em Imola onde se extinguiu a curva Tamburello, visto por muitos (erroneamente) como a principal vilã naquele primeiro de maio, mas uma estúpida chicane instalada em plena Eau Rouge em Spa-Francorchamps.

Mas coisas boas foram feitas também.
Desde 1994 o número de óbitos na F1 se reduziu a – infelizmente doloroso – um caso.
E nem foi pela insegurança do carro ou dos equipamentos.
As pesquisas de materiais que resultaram em capacetes mais resistentes (e leves), as células de sobrevivência que protegem o piloto mesmo com os carros se desmanchando inteiros nas pancadas entre outras coisas...
O hans para a proteção do pescoço e cabeça contra o efeito chicote, a obrigação de que os cockpit fossem elevadas até acima dos ombros dos pilotos.
E diferente das mutilações, o asfaltamento das áreas de escape também faz parte do rol de coisas boas.
Brita é muito bom para “punir” piloto que ultrapassa os limites da pista, ou erra, no popular. Mas era inseguro para segurar carros desgovernados.
A punição fica por conta dos track limits, que só precisam sem melhor vigiados.
O asfalto se encarrega de diminuir a velocidade quando possível e claro, não deixar tratores extremamente mau posicionados também ajuda bastante.

Seria bom que agora, com toda esta segurança que sabemos ter sido conseguida, os pilotos fossem liberados para disputar e defender posições mais livremente.
Não de forma selvagem ou desonesta, mas a regra sobre mudança de direção na defesa bem que poderia ser relaxada um pouco.
Quem sabe com a Liberty e Ross Brawn no comando?

Mas voltando a segurança e ao baixo número de acidentes fatais na categoria desde 1994, creio que a maior contribuição para que acontecesse veio em 2011, quando Robert Kubica, de uma forma não muito ortodoxa, deu adeus às pistas de F1.

4 comentários:

Marcelonso disse...

Groo,

Queremos ver pilotos andando no limite o tempo inteiro, até porque essa é a essência do esporte. Esse negócio de "salvar" motor, combustível, pneu e etc, não está com nada...

Hoje os carros e circuitos são seguros, é obvio que o risco estará sempre presente, é fato. No entanto, é preciso resgatar a essência desse esporte, andando no limite o tempo inteiro, caso contrário, o interesse pela categoria ficará menor ano após ano.


abs

Rubs disse...

Max Mosley diz que a F1 está indo numa direção errada. Isto porque, desde a sua criação, a finalidade das regras sempre foi torná-la mais lenta. Resultado: inventaram a chicana das chicanes e mataram todos os autódromos dignos do nome.
Por outro lado, Jack Stewart diz que o que está faltando mesmo são acidentes. A F1 deveria ter mais acidentes com o mínimo de riscos. No fundo, o que os fãs querem é ver acidentes. Este é realmente um ponto importante: o público que ver sangue; sangue escorrendo no asfalto. Entre um misto de horror e prazer, todos se aglomeram em torno de um acidente, paralisados, silenciosos e fascinados pelo sangue. Este é um fascínio irresistível que suscita temor e tremor, a reverência religiosa diante do sacrifício inocente. O sangue derramado está na base de todas as religiões em que o sangue do inocente filho da promessa é sacrificado pelo próprio pai e em que até o sangue do filho de Deus é derramado em cada celebração.
Jack Stewart é um comentador perigoso. Não convém ficar revolvendo tabu desse jeito.

Anselmo Coyote disse...

1. Robert Kubica na F1 é mais inexplicável do que um país quebrado perdoar uma dívida de 1 trilhão e doar 120 bilhões para as teles e ainda acabar com a aposentadoria de 200 milhões de pessoas por causa de um rombo (inexistente) de 100 bilhões. Chamar o Kubica de ruim é elogio.
2. Depois de bater forte em Mônaco o repórter perguntou ao Verstapinho: qual lição vc tira desse acidente. Ele - que os carros de F1 são muito mais seguros do que eu pensava; agora sei que posso abusar mais.
3. Verstapinho vai ser um grande piloto, como o Hamilton, quando parar de dar blackouts.
4. O Rubs Cascata é pura cascata mesmo, o que justifica seu pomposo nome.
Abs.

Anônimo disse...

Calma lá. Religiões, Rubs. Rápido: 2017. Estamos em 2017. A morte não era televisionada em 17 ou 117. Ou 1017. Youtubizada, então. No Espírito Santo, numa das filmagens do mundo melhor de Gregório esquerdóide Duvivier, uma mulher gritava 'mata ! mata ! para ou grupo que conseguiu pegar um meliante. Ela poderia ir, sim, ao Coliseu. Em 117. Se fosse romano das antigas, iria ao Coliseu para ver Naumaquia. Teatro, cinema, eu gosto. Matam pacas, cê não vê ninguém estrebuchando.Mas, outra cultura, né ? Poderia eu, um cristão católico, hoje, naqueles anos, ir ver um irmão de religião ser engolido por um leãozinho. Comendo um cachorro quente. Eu só tive coragem de rever a batida do Senna depois de anos. Vi 'ao vivo', tudo. Torcia por ele. E há anos não a vi mais. Fiquei se assistir corridas naquele 1994. 1995, só os super GPs. 1996, a coisa melhorou um pouco. Mas tem os tarados que adoram sangue. Esses adoram MMFC, como é o nome daquelas lutas ridículas ? Gostava do Tyson porque a luta não durava dois rounds mesmo assim quando o Hollyfield deixou o Maguila tortinho no chão, deu uma peninha. E, rapidamente, quando a coisa é séria, panos enormes aparecem protegendo o acidentado dos curiosos mórbidos, dos pervertidos. Prefiro sacanagem do que ver sangue. Acho que iria muito à Pompéia... Vesúvio me mataria, dependendo do azar da época.
Você pode ter, sim, grandes pegas com momentos de estratégia( no futebol tem momentos chatérrimos e ninguém se levanta para ir embora do estádio quando está 1 a 1 no Fra X Flu nos 35 do segundo tempo. Só eu). Tem que mexer no televisivo e seguro pit stop obrigatório para trocas de pneus mas a volta do perigoso reabastecimento é necessária. Aumentem a capacidade do tanque, como antigamente. Ninguém pode saber se haverá parada ou não de qualquer equipe que seja. Usem os espiões novamente. Fim da asinha que abre e fecha. Fim da comunicação com os pilotos via rádio. Placas novamente. Tem piloto burro e/ou distraído. Pneus, 'careca' e biscoito', só. Sem obrigatoriedade de troca, repito ! Fui radical antes mas uma troquinha pode ocorrer. Ou não. Oras, um pneu que duro toda a corrida, outro, metade. E o biscoitão. Como o reabastecimento. Na realidade, que quiser parar 50 vezes, pode. Óbvio, não ganhará a corrida. Quem quiser abastecer várias vezes, pode. Óbvio, não ganhará a corrida. Um equilíbrio surgirá. Ah, do jeito que está é que não pode ficar.
A TV acabou com a F1.


M.C.L.