30 de mar de 2017

O rock no Brasil não acabou, você que é preguiçoso e acomodado

Uma das falas mais irritantes sobre o rock no Brasil é de que não há nada novo que preste.
Alguns ficaram presos na geração dos anos 80 (Titãs, Paralamas, Legião, Engenheiros, Barão...) e dizem que apenas naquele período houve bons letristas. Balela.
Outros estão ainda na geração 90/2000, provavelmente a última que contou com apoio maciço de gravadoras e divulgação. Sem contar os produtos lapidados e bem-acabados saídos da linha de montagem de Rick Bonadio.
O fato é que – ao menos na grande mídia – a música rock foi minguando a ponto de quase desaparecer.
Nas listas de músicas mais tocadas de 2015/2016 não havia um só artista do gênero.
Por sorte, as mídias consultadas (rádio e televisão) hoje em dia tem tanta expressão e peso quanto as gravadoras.
Ao menos para a música rock.

Mas aqui não se trata de tentar entender o porquê de o rock ter sumido das paradas (exceto nas emissoras direcionadas ao estilo, o que não conta...), mas de mostrar que fora da casca fina que recobre o cenário musical nacional e que mantém no topo estilos e gêneros de gosto duvidoso ou de apelo essencialmente popular, há sim música boa. Rock ortodoxo (puro) ou não.
A grande maioria é independente e rala muito para divulgar seu trabalho.
Os discos (com raras exceções) são distribuídos de graça nos sites das bandas, mas nem por isto são mal produzidos ou gravados como as antigas demos. São produtos bem-acabados estética, sonora e graficamente. Coisas que só a tecnologia avançada e bem mais barata ao alcance é capaz de proporcionar.
Para quem não tem preconceitos e nem preguiça de procurar, a variedade é enorme, os sabores diversos. Há progressivo, indie, heavy, hard... E claro, as misturas que fizeram da música por aqui algo único. E todos com excelentes instrumentistas.

Vindos da Bahia, o Maglore é um dos prediletos da casa.
Com três discos lançados, a banda passou por algumas modificações até chegar ao disco III (2015), uma obra prima com um pop perfeito privilegiando a canção. E o disco foi gravado de forma analógica, só para contrariar...

O Apanhador Só é do Rio Grande do Sul e já obteve mais espaço de mídia que seus contemporâneos.
O primeiro e homônimo disco é uma aula de peso, técnica, feeling e experimentação com o peculiar sotaque do sul.
Mas é no segundo disco, Antes Que Tu Conte Outra (2013), é que o bicho pega.
As experimentações atingem um nível absurdo, mas sem comprometer o gosto pop e a diversão.

Dingo Bells é outra banda vinda do RS, mas passa longe de ter a mesma pegada do Apanhador.
Com um direcionamento muito diferente, a banda é influenciada por coisas como Steely Dan, músicos mineiros do Clube da Esquina.
Seu único disco até agora é o maravilhoso Maravilhas da Vida Moderna (2015) que é aquele tipo de disco que termina com um gosto de quero mais.

Brutown (2016) dos sergipanos do The Baggios traz um blues rock inventivo, pesado e com um sotaque nordestino que há muito não se ouvia e com apenas bateria e guitarra. Os outros instrumentos sendo tocados por convidados ou por eles mesmos dependendo da gravação.
É provavelmente o melhor exemplo de rock pesado desta geração.

Dônica é carioca, mas tirando o sotaque que vez por outra se manifesta em seu vocalista (que também é o tecladista) nada tem com o rock feito por lá. Não espere letras engraçadolas sobre batatas fritas, chopp ou baratas anãs. E no som, nada parecido com os Los Hermanos (que não, não é uma banda ruim, aceite.)
O som lembra o que foi feito pelo Clube da Esquina, tanto que andaram recebendo elogios de Lô Borges e tem um dueto com Milton Nascimento no primeiro disco, Comunidade dos Parques (2015).

Há também algumas que já estão mais estabelecidas como as Vespas Mandarinas e O Terno, ambas de São Paulo.
O Scalene (DF) e o Suricato (RJ)  passaram pelo programinha da rede globo e acabaram gravando segundos discos mais leves e um tanto fora da proposta feita em seus primeiros discos, mas ainda assim bem bons.
Os Boogarins (GO), que fazem rock progressivo/psicodélico, mas na opinião da casa, peca pela semelhança exagerada com o Pink Floyd de Syd Barret.

Faça um favor a si mesmo e pesquise, visite os sites, ouça pelo streaming... Vale a pena uma audição mais apurada e detalhada dos trabalhos deste pessoal
E faça um favor a todos: pare de reclamar que só tem música ruim.
Afinal, a culpa é toda da sua preguiça.

8 comentários:

Anônimo disse...

Hoje estou um pouco Francis. 'Estou aqui digitando estas mal traçadas...'
Bom diiiia, senhor Groo !
. Não. A pravda. O rock errou e acabou, sim. E não é coisa de preguiçoso muito menos de acomodado. Constatação. Última banda, aqui ? Skank. Estava vendo alguns produtos do Rick Bonadio. Não à toa o Rio de Janeiro era o centro das atenções... NX Zero faz a festa. BR-1980, os caras eram de Liminha prá cima. É só comparar. Não. O cara é paulistano como o Rick mas os ares...
Que letra é essa ? Do Maglore ? Prefiro a Pitty se é para ficar na Bahia. Olha, para terminar. Jota Quest. Um monte de Jotsa Quests. Tocam prá caralho mas alma, letra, e ser 'ator', interpretar, estes novos, nem Jota Quest são. Postura de palco, zero.... Cabô.
E não sou eu que estou ficando velho, mal passado e que não vejo, não.
Cumé ? 'Pau no cú de quem não quer dividir este refri com a minha mulher...?' Pô ! Ele quer alguém para comer enquanto alguém come a muié dele, né ? Aahhhh, páracom- içú ! Me deixou surpresinho com esta coisa tão... tão... acintosa ! Ui !
. Bitous fez melhor. Até a Mandona. E o Renato.


HA !


M.C.L.

Hélio Soto disse...

Gostei do texto

Aproveitando, sabe algum site que se possa ter um acompanhamento das bandas nacionais? Porque hoje INFELIZMENTE a mídia não colabora com a divulgação delas. #PAS

Ron Groo disse...

Armazém do rock Brasil

Al Unser Jr. disse...

Nunca pensei em concordar com o amigo da McLaren, também normalmente os comentários dele, são sem noção, assim como o MCL32 motorzinho-de-dentista-Honda.

O programete da RGT... é uma bosta, o cara entra lá e some, pior que o Raul Gil.

...como diria o outro... #PAS

Márcio Chagas disse...

Dônica!!!!!

Anônimo disse...

O grande problema do escritor é ser original. Se é, parabéns. O seu trabalho será único. o toque individual. Tem gente que escreve bem pacas mas sem alma. Aí, apagar é o caminho.


M.C.L.

Alexsander disse...

O Rock nao morreu, nao. E continua lindo de ouvir!

Maglore nao precisa dizer muito, é do caralho. Foda MESMO!
Apanhador Só os caras já sao gigantes, consagrados. Antes que tu conte outra é uma obra prima. A faixa Reinaçao devia ser um hino.
Scalene curtia mais antes de eles passarem pelo programa. Mas ainda sim é um som muito bom de ouvir.

As demais que recomendou vou ouvindo aos poucos, degustando cada nota.

Lhe recomendo, nao sei se conhece, uma banda goiana que ainda conheço pouco mas ouvi uma faixa sensacional deles. Se chama "Horizonte de eventos" e a banda se chama Cadillac Cassino. Música digna de clássicas do Rock.

Abraço

Ron Groo disse...

Obrigado Alexander. Vou ouvir sim.