12 de jul de 2017

O rock no Brasil não acabou, você que é preguiçoso 2: Besouro Rosa da Esquina.

Jackie Stewart, piloto tri campeão do mundo de F1, atribuiu uma vez à agua consumida por aqui o sucesso dos brasileiros na categoria.
Tendo em vista esta premissa, deve haver algo na água consumida em Minas para que tantos bons nomes surjam na música por lá.
Mas como músicos não são muito afeitos a consumir água, vamos dizer que é o ar das montanhas...
Do Clube da Esquina ao Sepultura passando por Skank e Pato Fu (J Quest não) os artistas vindos da terra do pão de queijo conseguem aliar – sempre! – boas letras com boas melodias e ótimos instrumentistas.
Não por acaso, também é assim com o Besouro Rosa da Esquina, banda formada em Muriaé, região da Zona da Mata mineira e que conta com Alessandro Supertramp (voz, guitarras) Rafael Schelb (bateria e percussão), Tyson Rodrigo (guitarra) e Leandro Oliveira (baixo)

O Início (2017, independente) produzido por Claudir Panda é o primeiro EP oficial da banda e tem, claro, todos os elementos que se encontra em primeiros trabalhos, para o bem e para o mal.
Não espere ouvir melodias intrincadas, cheia de notas e arranjos mirabolantes ou rocambolescos.
A simplicidade dá o tom. E importante, não confunda simplicidade com indigência. Tudo é muito bem composto e arranjado. Não há pontas soltas nas melodias e o disco é bem resolvido com o frescor de novidade sem invencionices. Sacou?

Começa com “Somos Todos Tolos” e uma slide guitar esperta sobre uma base sólida nos lembra country songs.
A harmônica tocada por Alessandro Supertramp remete aos anos sessenta, mas passa longe do sopra e chupa executado por Bob Dylan, por exemplo. Se for realmente necessário comparar, que seja à Lennon ou Jagger que impunham melodia ao instrumento.
Baixo e bateria dialogam enquanto um teclado (cortesia de Felipe Alves que foi convidado a gravar o instrumento) faz a cama para que Supertramp cante sobre a desesperança cínica que tomou conta do país e da falta de ações concretas para sair do buraco.

Tambores anunciam a chegada de “Deb Song”, uma canção de amor que consegue pôr no mesmo bar William Shakespeare e Napoleão Bonaparte e unir Don Quixote e o dragão de São Jorge.
O resultado final é uma canção que deixa o tema da separação amorosa leve e até engraçado, como aquelas histórias de que a gente ri depois de muito tempo que passou.

Já “Qualquer Lugar” conta uma letra bonita e melodia envolvente, Supertramp canta com emoção genuína e encontra soluções originais para a métrica da letra.
A banda toca de forma elegante e é possível, fechando os olhos, enxerga-los sobre o palco.

“Novembro de 2015” é um hard rock pesado, tanto na parte instrumental quanto na temática da letra.
A guitarra agressiva e as viradas da bateria conduzem a música até a entrada da parte recitada da letra que evoca o mega acidente ecológico em Mariana e cita também os atentados no Bataclan em Paris.
Mas quando o vocalista inicia um rap o show passa a ser do baixista Leandro Oliveira que conduz sob fio de navalha deixando espaço para as guitarras florearem em solos e bases iradas.
Vale a pena acompanhar a letra nervosa que mostra que a diversidade de temas é um caminho sólido para a banda.

O disco fecha com “A Força”, um rock com ares épicos e um solo de guitarra que gruda no hd do ouvinte e termina deixando um gosto bom de quero mais.

Depois de ouvir o disco algumas vezes passamos a duvidar tanto da máxima do piloto quanto da teoria do ar das montanhas.
A gente fica com o talento dos envolvidos e com uma pequena pulga atrás da orelha: será que não podia durar só mais um pouquinho?

Ouça aqui: 

Um comentário:

Anônimo disse...

Ouvi o som dos mano ai... Bacana.
O cara canta bem e a banda toca direitinho.

Jonatas