1 de ago de 2017

F1 2017: F1 como jogo coletivo e jogo de equipe limpo

Há quem diga que a F1 não é um esporte de equipe.
Eu mesmo já acreditei nisto durante muito tempo.
As explicações do pessoal que afirmava o contrário não satisfaziam de forma nenhuma: são dois carros para formar uma equipe; há um time para preparar o carro com as indicações dos pilotos; tem o povo dos boxes que troca os pneus; os engenheiros estrategistas e a cereja do bolo: tem um chefe de EQUIPE.
Na minha visão, o piloto estava sozinho dentro do carro (principalmente na F1 pré-rádio) tendo que se virar com as situações e os problemas que a máquina pudesse apresentar durante as corridas.
E não raramente alguns pilotos ganhavam corridas e davam a entender que tinham feito tudo sozinhos. Porém, quando perdia, a culpa era do time dos boxes.
Malandragem... E havia o jogo de equipe, que “de equipe” não tinha nada porque sempre prejudicava um mesmo personagem: o segundo piloto.

Durante um bom tempo, quando se falou em “jogo de equipe” o que vinha a cabeça de forma invariável era o segundo piloto abrindo passagem para o piloto principal da escuderia melhorar sua posição no campeonato.
Foi assim com Massa, com Barrichello, vimos Kimi fazer isto entre outros.
As vezes por pontos realmente importantes para a disputa, outras vezes, como no caso da Áustria 2002, nem tanto.
De uma forma ou de outra, aprendeu-se a odiar a expressão “jogo de equipe”.
Ficou visto como algo, além de desnecessário, injusto.
Várias pessoas se acostumaram a fazer referência ao jogo como sujeira ou falta de esportividade e até começou-se até uma campanha para colocar na ilegalidade.

Mas a o GP da Hungria de 2017 entortou a percepção sobre a noção de equipe na F1 de forma surpreendente.
Ainda que com as reclamações via rádio de Kimi Raikkonen, a Ferrari jogou de forma brilhante (por bem-sucedida) e limpa.

Kimi fez o escudo para evitar a aproximação de uma Mercedes a Vettel, que tinha problemas. Isto em um momento em que os carros prateados estavam melhores na pista, após a troca de pneus.
Principalmente quando a Mercedes, em uma manobra que poderia ser bem mais contestada, inverteu Bottas e Lewis em pista, de forma limpa e muito clara, dando a chance de Hamilton atacar pessoalmente a Ferrari de Kimi e – se tivesse sucesso – chegar em Vettel que estava pouco à frente e andando menos que o finlandês.

Já a estratégia do time alemão acabou por não dar certo, muito por conta da configuração da pista húngara.  Sempre foi muito complicado ultrapassar por lá e este ano não seria diferente, mas não deixou de ser surpreendente saber que a estratégia tinha um plano B e que este era ainda mais surpreendente: se não conseguisse passar por Kimi, Lewis teria de devolver a posição à Bottas para que este não ficasse no prejuízo em relação à briga pelo título.
A dúvida se Lewis iria ou não cumprir o combinado era real e honesta, afinal, o inglês chegou a estar pouco mais de sete segundos na frente do finlandês, que para piorar ainda era atacado por Max Verstappen, que convenhamos, não pensa muito em uma disputa de posição...

Porém, com um senso de equipe raro na categoria, Lewis se atrasou propositalmente e cedeu a posição na última curva abrindo mão de três pontos em relação a Vettel e manteve Bottas na briga.
A corrida húngara foi a prova cabal de que sim, F1 é um esporte coletivo.

3 comentários:

Rubs disse...

A F1 sempre foi um celeiro de ditadores. Negócios bilionários não combinam com gestões participativas. O verdadeiro jogo de equipes foi inventado por Don Enzo Ferrari, o Ego de óculos escuros, quando inaugurou a sinergia perfeita entre a venda de carros superesportivos e a aplicação dos lucros em carros de corridas. Se o espírito puritano levava os americanos a reinvestir os lucros nas próprias companhias, o espírito da famiglia mafiosa levava Enzo a dividir os lucros com as corridas. Foi este brilhante espírito que levou Enzo Ferrari a ordenar que Peter Collins estacionasse o carro nos boxes e o cedesse para Fangio em Monza, 1956. Collins perdeu a corrida e o campeonato.
Vê-se que, historicamente, a Ferrari, outrora jocosamente chamada de "Ferrada" pelo amigo, faz um jogo de equipe brilhante, solidário e justo.
A mesma Ferrari sempre teve uma relação privilegiada com chefões que diziam que Hitler não foi um ditador e que eram flagrados em orgias sádicas vestidos em uniformes nazistas. Ao fim e ao cabo, a Ferrari detém o direito de vetar qualquer coisa. Talvez seja por isso que o genial blogueiro tenha feito da sigla "FIA" um divertido anagrama: "International Association of Ferrari".
Mas, não se pode esquecer que agora, assim como na década de 50, a Ferrari está enfrentando a Mercedes.
Curiosamente, a pressão seletiva faz com que as coisas e os genes mudem, o que só torna ainda mais desconcertante a sentença gnômica de Salomão, para quem "nada é novo por debaixo do sol".
Abs

Anônimo disse...

bOm DiA !

. Só lá, no início, não conseguia ver 'equipe', 'team'. Já faz bastante tempo isso e coloco, na equipe, os que trabalham na 'fábrica' tanto que boa e seleta gente ainda dá mas crédito ao campeonato de construtores do que de pilotos. Uma equipe até exagera. Nome aos bois: Ferrari. Segundo piloto, sou do tempo que eles diziam ser segundos pilotos mas, de umas décadas para cá, o marketing nos seus países os impedem que digam ser segundos pilotos aí pira os fanáticos amadores. Tudo combinandinho com as tvs e seus narradores e comentaristas.
. Bom, de ' Já a estratégia do time alemão ...' até o '...e andando menos que o finlandês', discordo. Sou torcedor do inglês e o senhor é anti-Hamilton até o último fiapo de cabelo. GH-3 nada fez para ultrapassar o finlandês a olhos vistos o que critico e muito. Não houve uma defesa sequer do Kimi. Uma ! Na reta e só na reta era para a coisa acontecer e não ficar colando - chegando perto, o correto - naquelas curvas chatas sem possibilidade alguma de ultrapassagem. Razões para isso ? Sei lá. Achando aquilo muito chato, dar tchauzinho pruma gata húngara ou Teatro da F1. O eterno teatrinho para a decisão chegar aos últimos autódromos e manter o ibope, coisa já vista mas ainda tem gente que acredita no que os olhos dos outros veem e nas palavras destes mesmo que enxergue a mesma coisa. Que o futebol e F1 antes de tudo é entretenimento. Mas dou uma chance. GH-3 sabe que as próximas corridas é 'pau no burro'. SPA e Monza. O Totó Lobinho até disse que o circuito ajudou a Ferrari no que acredito. Agora, se os projetistas da Ferrari descobrirem algo de bom neste descanso de agosto. Mas testar não pode. Ou pode...
. O que acho interessante, muito interessante, das pessoas com cérebros sequestrados, foi a postura 'política' do finlandês Bottas. Estes 7 segundos são bastante estranhos para quem, em Bakú assado, foi porque foi prá cima do Lança. Era para seguir de pertinho o Hamilton. 'Atacado' por Olha o Menino Ui ? Verstappadinho já estava, aquela altura, com as zoieias quentes de tanto ouvir da cagada feita com o companheiro de equipe. Faria mais uma ? E ultrapassar o Bottas naquele circuito ? Na reta, o motor Mercedoca fala bem mais alto que o Relógio da Red Bull. Vejam, meu cérebro ainda não foi sequestrado, deixem-me repetir isto, por favor. Bottas queria pressionar Hamilton a cometer uma tolice. Deve saber que o fator rejeição de Hamilton é enorme pelo mundo, aqui, então, bate recordes. Os caras da Red Gloob vibram e se apavoram quando Hamilton 'cresce' na corrida. E não adianta por Cristo Redentor no capacete, não. Piora. O inglês não sabe que carioca sofre como ele. Tanto que, fez o que cumpriu - mostrando muito do caráter de Lewis Hamilton - e não vemos alguém elogiá-lo com veemência.
Agora, se fosse o contrário...
obs: e da vergonha ferrarista de submeter um piloto campeão 'da casa' ao segundismo. Fica no muro nessa é melhor, né, senhor Groo ? Tucanou...

M.C.

Manu disse...

De fato, concordo. Não me frustrei com as decisões da Ferrari. Teria odiado, caso Hamilton ultrapassasse Kimi por algum problema mecânico do finlandês, o que comumente o afeta. Mas nas melhores das expectativas, Hamilton lutou para que ele errasse, e isso raramente Kimi faz. Dessa forma, só duvidei que Hamilton devolvesse a posição ao Bottas, duvidei mesmo. Que bicho mordeu o pessoal da Mercedes, ainda estou para descobrir.

Abs!