21 de ago de 2017

F1 2017: A vez de Spa Francorchamps

Quem não tem uma pista predileta?
Todos nós temos, seja em que categoria for todos temos.
A minha é Monza.
Foi lá que assisti – pela TV, claro – o meu primeiro grande prêmio. E que maravilha! Piquet ganhou a corrida e de quebra levou o bi campeonato mundial.
Mesmo sem ter muita noção do que acontecia, vibrava com a Brabhan contornando a Di Lesmo, vencendo a Parabólica, as Variantes altas e baixas...
Monza é velocidade em estado bruto. E brutal, como algumas dezenas de mortes por lá podem atestar.

Mas, quem em sã consciência poderia desprezar uma pista como Spa Francorchamps? Eu não sou louco a este ponto e acredito que ninguém seja.
Quem gosta de automobilismo, gosta de Spa. Não há como dissociar.
A pista é um espetáculo, sempre foi. E mesmo agora em que com o passar dos anos, por necessidades nem sempre inerentes ao automobilismo ou a competição a pista foi sendo –pontualmente – modificada, nem assim conseguiram tirar a majestade desta seqüência de subidas, decidas, curvas para os dois lados, freadas fortes e muito flat - out no acelerador.

Começa-se pela La Sorce. Travadissíma e que faz com que a largada seja muito, mas muito mais tensa do que normalmente é. Com chuva então é quase um desafio de Titãs.
Não é raro que os pilotos usem – sem vergonha alguma – a área de escape desta curva.
Logo desembocam em uma reta em descida que precede um mito das curvas.
Eau Rouge não é apenas uma curva, é uma entidade.
Vencer a Eau Rouge com o pé em baixo é como chegar ao topo do Everst.
Berger disse que: “-enquanto se desce a pequena reta, a cabeça diz que não é possível contorna-la de pé embaixo. Mas o coração diz que sim e grita por isto como se fosse vital!”.
Nunca estive lá, claro, mas não duvido desta descrição.
A descarga de adrenalina no cérebro deve ser tão forte que apaga qualquer tentativa de raciocínio lógico em prol de uma “segurança” que lhe tiraria preciosos décimos de segundo.
Em resumo: Eau Rouge é para homens!
Ricardo Zonta que o diga...

A reta Kemmel é um trecho muito rápido e bonito, como todo o circuito é bonito, mas é onde se vê que o circuito é também uma bem urdida mistura de velocidade e inteligência na preparação do carro.
E foi nesta reta que Mika Hakkinen fez de bobo o grande Schumacher ao ultrapassá-lo usando como pivô Ricardo Zonta. Schumacher nunca imaginaria uma manobra daquelas e o brasileiro menos ainda. Uma das manobras mais bonitas da história deste esporte.

Diferente de Monza, onde se pede um bólido quase sem asas para aproveitar as retas, Spa pede um refinamento aerodinâmico que não impeça o carro de ser indescritivelmente rápido nas retas, mas também nas curvas.
E é no fim da Kemmel que vem a primeira prova disto: a seqüência Les Combes vem com uma freada tão forte que os estômagos mais sensíveis jogariam para fora o almoço de dois dias atrás.

A Rivage, Malmedy, Pouhon, Fagnes e Paul Frere são em descida, já dentro da histórica floresta de Ardennes, onde na Segunda Grande Guerra travou-se muitas batalhas sangrentas.
A batalha aqui é manter-se vivo e rápido o suficiente para ganhar tempo e força para encarar a subida que desemboca em outra lenda do automobilismo: a Blanchmont..
De pé empurrando o pedal do acelerador até tocar o assoalho do carro a curva é diabolicamente rápida e muito traiçoeira.
Um milésimo de distração e se é apresentado à barreira de pneus que tenta fazer a segurança do local.

A nova seqüência denominada de Bus Stop nada tem com a original. Na verdade é uma chicane das mais comuns, diferentemente do que era alguns anos atrás quando realmente se parecia com uma parada de ônibus.
O enquadramento da TV naquela época mostrava a dificuldade de fazer a chicane.
O carro vinha totalmente acelerado na saída da Blanchmont, freava muito forte e guinava para a direita, uma pequena reta e outro golpe no volante para a esquerda e tome aceleração...
Ayrton Senna fechou sua volta rápida em 1991 com fantásticos 1:47:08, na pole.
E some-se a tudo isto a sempre presente possibilidade de chuva, que se não no traçado todo, ao menos em algum ponto da pista. O que é ainda mais complicado.

E ainda há quem diga que o circuito original era ainda melhor! Para os que duvidam, fica aqui a sugestão. Veja a seqüência da corrida belga do filme Grand Prix, de John Frankenheimer.
A corrida que ele retrata lá á de 1966, com o circuito original.

2 comentários:

Anônimo disse...

Bom dia, senhor Groo !
Estava ontem, a tardinha, escrevendo aqui mas sem inspiração e apaguei tudo. O senhor sabe, é aquela coisa que o nosso colega Thomas, o Edison, disse: um gênio é 1% inspiração e 99% transpiração. Estava com cc. Pensei esperar algum colega de trabalho aparecer hoje mas, pelo visto, todos estão em greve, entonces, lerei novamente e espero estar transpirando genialidades agora.
. É. Monza. Tô contigo nessa mas domaram a fera. Sinceramente, não me lembro a primeira corrida que assisti. Acho que foi o GP de Reims-Gueux onde aquele argentino, Fangio, venceu. Papai estava com uma argentina milongueira, bebedora de champagne, a famosa 'bico de champanhe', torcedora do 'jovem' piloto e aí resolvi ir junto pentelhar papai. Mandou, o velho, ficar contando os carros. Inteligente, contabilizei 144 carros em 8 voltas ! É uma 'spa' também. Terminada a corrida, o pessoal saía pra entornar o que restava dos vinhos e champanhes da região e eu, sozinho, voltei pro hotel e contei prá mamãe. Só encontrei papai em Copabacana, com um tremendo traumatismo testiano devido arma de cozinha contundente conhecida como rolo de massa, dizendo que tinha sido minha culpa. Um mês depois. A argentina, fugitiva da ira materna, me trouxe para casa de volta e foi minha primeira experiên.... Bom, deixa prá lá. Voltamos de navio e aprendi tudo, a muié era tarada. Tinha 12 anos. E sou entendedor de tango, Malbec e Parrilla. Mamãe ? Portuguesa, voltou para casa dos pais em Trás-os-Montes e meus avós perguntaram se tinha esquecido algo na França. História triste...
. Morreu muita gente em Monza. Lembro do sueco.
. Sempre tem um. Por exemplo, conheço um cara que tem verdadeiro horror a Mônaco mas assiste vendo a corrida como se fosse um filme brasileiro de Glauber Rocha. Ou solos de guitarra de Jimi Hendrix. Dá um soninho após 15 minutos...
Continuando...

Anônimo disse...

. É. Só acho a tal da Eau Rouge uma mulata Globeleza. A Valéria Valenssa. Explico: estava eu no Barra Shopping e todo mundo gritando ' olha lá a globeleza '! e eu procurando, procurando, a mulata belzebu. E nada. Por sorte, vi um menininho apontando para ela e aquele arremedo de Adele Fátima ali, paradinha, de frente para uma vitrine. Bom, a Eau Rouge não é esta mulata 51 toda( conheci de perto, também, a Adele, bem antes do Lulalá se tornar a garota propaganda eterna da cachaça) porque se fosse teriam mudado o traçado perigosíssimo dela. Não é uma peraltada( extinta!) muito menos uma Tamburello ou mesmo a necessidade de alterar a curva após chicane( desde 1978 modificada até agora !) após o retão de Monza. E vão alterar novamente. Parece-me, para este ano, mas aí só embelezamento.
É bonita, a Eau Rouge, tem efeito plástico, televisivo, sendo gagalvânica ! Ouviremos o blablazeiro oficial blogal falar de boca cheia da curva o final de semana inteiro ! A curva globeleza ! É. Taí. Everest. Não é uma K2.
É, as outras citadas eram para mortos. Ai... Esta doeu... Até porque deve ter mortes na Eau Rouge. Deve ter morte até na curva do Pinheirinho( que não tinha pinheirinho algum. Era um piloto que fazia a curva com perfeição. O tal do Pinheirinho. Deve(ria) ser baixinho, o sr. Pinheiro).
. Ricardo, quem ? O Daniel ?
. Grande Mika ! Melhor que o Kimi. Aliás, o melhor finlandês.
. Ah, eles já tem a receita. E temos a asinha que abre e fecha que estraga tudo.
. Tá exagerado. '... manter-se vivo e rápido'. 'Vivo' ? Hoje, F1, é como pegar onda de 30 metros com bolsa de oxigênio.
. Cê pegou um gol e acelerou lá, senhor Groo ? Teve um cara, uns anos atrás que foi para autobahn alemã com um... fiat 500. Nem Abarth era. Alugou, o zémané. Ficou com raiva de mim após uma criticazinha amigável minha, educada, diria, e fechou o bloguinho. Claro, é preciso ter uma aulinhas para entrar nas autobahns( ele não disse isso) para quem quer acelerar mas vale a experiência e mercedocas 2.0 não são caras para alugar por lá e você fica na zona de conforto. Só ficar de olho nos retrovisores para os irmãos mais fortes tipo porsches, audis e mercedões. E Ferraris. E Lambos. E Mustangues. E... unos 1.0 turbos. HA !
. Puxa, Vettelino( fã de Piquet !) tem 1min 47s 263. Incrível, o saudoso Tiozão.
. Desde já, após esta ode a Spa, Spa-FrancordaRochaChamps !
Mas tô dentro.


M.C.