9 de ago de 2017

O rock no Brasil não acabou 3: Os Paralamas ainda vivem

Que Herbert Vianna nunca foi um grande cantor é fato.
Herbert é o cantor possível e em se tratando de Paralamas do Sucesso, é mais do que suficiente.
Para quem se assustou com o primeiro single que dá nome ao disco, pode relaxar: a voz de Herbert não tem problema algum fora o desgaste da idade.
O que não chega a ser problema já que Herbert adaptou seu jeito de cantar e um registro de voz mais alta nem chega a fazer falta.
Mas não entenda mal... é suficiente e está totalmente dentro do espirito de honestidade e integridade que a banda traz em si desde seu primeiro disco.
Mas o estranhamento com o registro vocal em “Sinais do Sim” se dá muito mais pelas soluções encontradas para a métrica da letra do que por algum problema na voz. Nas outras faixas tudo volta ao normal.
Para o bem e para o mal.
João Barone e Bi Ribeiro se completam a ponto de parecerem uma única entidade.
É sem dúvida a melhor cozinha do BRock desde sempre.
Herbert é um guitarrista inventivo (não me venha falar dos reggaes, o guitarrista do Police Andy Summers usa e abusa e é tido como genial) e compõe solos maravilhosos.
João Fera e seus teclados fecham o time de forma coesa preenchendo os espaços, criando climas ou mesmo conduzindo.
Logo, não há o que se falar sobre a parte técnica instrumental dos caras.

Mas...  Teriam algo a dizer e coisas novas para mostrar a veterana banda nestes tempos esquisitos para o rock brasileiro que passa por um de seus melhores momentos em termos de novas bandas, mas que não alcança o sucesso de execução em rádios e fica longe das TVs?
Sim e muito.
Tanto que, diferente de outros medalhões, lançaram um disco de inéditas. O décimo terceiro da carreira.
E não é, nem de longe, um disco acomodado.
Em suas onze faixas o trabalho d`Os Paralamas do Sucesso é revisitado e renovado como uma profissão de fé em boas melodias, rocks faiscantes, reggae, a brasilidade, tudo que é, enfim, a essência da banda.
A produção de Mario Caldato coloca em primeiro plano todas as virtudes dos instrumentistas jogando a favor ao deixar de lado qualquer invencionice modernosa.
Arrisco dizer que é um disco que pode ser tocado ao vivo na integra em um show sem problema algum. O que não vai acontecer por ser impossível imaginar um show dos caras sem seus cavalos de batalha.

Entre as ótimas faixas se destacam “Medo do Medo” de Capicua e João Ruas em que Herbert canta: “...eles têm medo de que não tenhamos medo. ”
É a faixa mais política do disco e, para aqueles que reclamaram (sempre tem chatos) que a banda não fez música para a “situação aterradora que o país se encontra” (zzzzzzzz) fica a dica: Renato Russo já dizia nos anos 80 que o caminho natural para os Paralamas era se tornar cada vez mais e mais uma banda romântica. Ele não estava errado.


O quase blues “Corredor” também é muito boa, juntamente com “Blow the Wind” que é a única do disco assinada apenas por Herbert.
Mas a melhor é “Olha a gente aí”, que faz citação do poema O Sino da Minha Aldeia, de Fernando Pessoa.
Com uma levada contagiante, lembra a fase alegre de Sly and Family Stone tocando “Stand”.
A letra mostra bem a vibe otimista do disco e o estado de espirito da banda para encarar estes tempos esquisitos citados no começo do texto: “Ao sabor do vento que soprar/olha a gente ai! ”

2 comentários:

Anônimo disse...

Xi, senhor Groo. Uma espécie de transmimento de pensassão.
Estava lendo, às 6 da manhã, ' Guia politicamente incorreto dos anos 80 pelo Rock ' escrito pelo meu ídolo roqueiro, Lobão(o 'Grande Lobo', pros íntimos), e o negócio ficou feio e o nome do Herbert está no meio. Mas vamos ler o que o senhor tem a dizer.
. Verdade. Verdade. Precisou se adaptar, o acidente.
. Aí que o Lobão pega... e te pega. Desde o primeiro disco, não. O tal espírito.
. Não ouvi o cd( ainda existe ? Cds...). Bom, vou pelo que o senhor diz.
. João Barone sempre foi considerado o Stewart Copeland brasileiro. Gosto dele até porque tem um jeito conservador de ser e prestou homenagem à FEB já que o pai, foi ( ou é) do exército e esteve na 2ªG.G., algo assim. Aliás, o pai do Herbert foi aviador, não sei se da FAB. Já o Lobão, especialista em percussão( baterista é percussionista ), dá uma nele no livro. Bi Ribeiro, filho de diplomata, bom baixista.
. Verdade. Estão na história do senão único, do mais importante movimento roqueiro que existiu no Brasil.
. Bom, muitos copiaram o The Police. Que mal há nisso ? Éramos dominados pela MPB da máfia do Dendê e Chic BUááárgh de Paris ! Mas eles venceram no final. Estão aí enchendo o saco até hoje.
. 'Melhores momentos' não passa, não. Se passasse, estavam fazendo sucesso como estes aí, os Paralamas, fizeram nos anos 1980. O que esta turma de hoje faz é mais do mesmo. Os caras, do BRock, revolucionaram ! Naqueles anos eram só a rádio, revistsa e o programa do Chacrinha. E tinha concorrência forte da MPB ! Hoje tem sertanojo, axé e funk da pior qualidade... E não tinha You Tube ! Então, não força a barra, senhor Groo. O rock de hoje anda errando. Veja, pode ter ótimos músicos mas não tem aaaalma. Pior que o baterista do Legião Urbana não existe mas vemos moleques de hoje cantando 'Tempo Perdido'.
. Fui ler Medo do Medo. Multiculturalista de botequim. Esquerdista caviar das boas. Prefiro a velha ' Pulso ', Arnaldo Antunes, Titãs. Assusta muito mais e manda recado poderoso.
https://www.youtube.com/watch?v=PH3kNbvjN9E
E sou conservador. Tutá se saindo um ledzepelinista muito estranho...
. Renato Russo ? Se disse isso, não me lembro, até por que o próprio fazia músicas românticas cantadas até em italiano. Aliás, músicas italianas. 'Alagados', aquela esquerdice tola, caviarsíssima, até hoje o beija mão(ou o pé) de Herbert na máfia do Dendê. Se é do Berto Gil Berto ou deles, Paralamas, não sei, sem contar que é falsa e cínica. O Rio de janeiro, com seus punhos fechados na vida real, desde aquela época, era comandada por esquerdóides. Desde aqueles anos, estava começando a me enjaular e estes manés botando a culpa em mim. Antes dela, da música, viviam( Herbert...) fazendo música romântica para a QI de Abelha, aquela sem sal da Toler. Um saco ! A rapaziada já tinha apelidado os caras de 'Parachoques do Fracasso'.
. A sorte dos caras é que podem passar zil anos fazendo turnê pelo brasilzão afora vivendo do passado. Aliás, o Jumbão do Iron Maiden diz bem isso.
'Viva' o You Tube e a imaginação fraca e 'contaminada' dos novos.
. E vamos de desss paaa cito !

M.C.

Anônimo disse...
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