31 de jan de 2012

As 10 fases do 1Bnismo


Fase 1 – Ansiedade
Atitudes mecânicas
Saem rumores na imprensa de que ele poderia testar pela equipe X, Y ou B, não confirma e nem desmente, mas dá declarações de que poderia ser legal.

Fase 2 – A confirmação
Movimentos involuntários
Confirma o tal teste, mas tenta de todas as formas minimizar. Diz que são apenas testes e que há motivos mais fortes para aceitar uma possível proposta, mas deixa no ar: “Se eu gostar...”

Fase 3 – Aceitação
Estímulos elétricos
Mesmo sem ter achado grande coisa, aceita e faz elogios. Diz desde que o carro é bonito até que é o melhor que já pilotou. E todos os pilotos companheiros de equipe são gente boa.

Fase 4 – Auto ufanismo
Tempestades mentais
Aceita, mesmo contra todas as evidencias de que vai dar caca, e começa a disparar frases do tipo: “Estou no meu melhor”, “Estou motivado como nunca”, “Este ano é meu” e "Serei campeão".

Fase 5 – Caindo na real
Choro compulsivo
O campeonato começa e ele vê que não era daquilo. Aliás, já sabia, mas não aceitava, então começa a dizer que as coisas às vezes não são como se apresentam e outras desculpas. E então começa a ser sistematicamente batido pelos companheiros.

Fase 6 – O emputecimento
Riso histérico
Começam as reclamações públicas, os esporros velados nos mecânicos porque afinal de contas: “Eu sou muito macho pô!” E todos os companheiros de equipe passam a ser “uns desleais”.

Fase 7 – A retratação.
Euforia, vertigens. Estados alterados da mente
A equipe o manda ficar quieto e não dar declarações sobre o ambiente interno ou a forma de como se trabalha.

Fase 8 – A negação
Devaneios, delírios, desvarios 
Depois de receber o “sabão público” passa a declarar que o que disse não era bem aquilo, que foi deturpado por uns “irresponsáveis” que “deviam ser punidos”. Faz juras de amor para o time temendo que de alguma forma o episódio possa dificultar as possíveis próximas conversas...

Fase 9 – O pé na bunda
Estados alterados da mente
É preterido por outro piloto qualquer por um motivo qualquer, diz que não está chateado por que há diversas opções, que o “amor pela velocidade é infinito e...” bla bla bla...

Fase 10 – Começar tudo de novo...
Legendas: Estados Alterados Da Mente, Titãs in Titanomaquia

30 de jan de 2012

A inspiração da Caterham

From:  Tony Fernandes (Ex-chappman_cover@ex-lotus.com)
To: Gordon Murray (fui_igual_ao_newey@someday.com)
Subject: O novo carro.

Gordon, eu sei que você já trabalhou com os melhores e que fez até a Brabhan campeã, então acho que não preciso dizer muita coisa sobre nosso projeto.
Sei também que você entende as nossas limitações, mas confiamos em você.
A única coisa que eu queria mesmo pedir era que você se inspirasse naquele desenho animado... Eu não consigo me lembrar exatamente do título, mas era um personagem que vivia fugindo... Bom... Não me lembro mesmo, mas confio em seu trabalho.
Sem mais,
Tony (CEO of Catherham)


From: Gordon Murray (fui_igual_ao_newey@someday.com)
To: Tony Fernandes (Ex-chappman_cover@ex-lotus.com)
Subject: Re- O novo carro.

Wally Gator car da Catarrão
Está ai o que você me pediu, o carro lembra exatamente o personagem. E por uma sorte tremenda até nas cores... Veja ai o comparativo. Já estamos divulgando o carro. Vai ser um sucesso!
Gordon Murray, projetista 



From: Tony Fernandes (Ex-chappman_cover@ex-lotus.com)
To: Gordon Murray (fui_igual_ao_newey@someday.com)
Subject: Re Re – O novo carro.

Hey Gordon, vendo o comparativo que você me mandou do novo carro com o personagem me lembrei do nome dele... Era Papa Léguas... Muito diferente do que você desenhou e construiu... E agora?
Tony Fernandes (CEO of Caterham)


From: Gordon Murray (fui_igual_ao_newey@someday.com)
To: Tony Fernandes (Ex-chappman_conver@ex-lotus.com)
Subject: Re Re Re – O novo carro.

Agora eu não sei... Mas dá próxima vez que não lembrar direito de algo, recomendo que use o Google...
E seja o que Deus quiser.
Gordon Murray, projetista

29 de jan de 2012

E eu pensando que era porque ele não queria...

-Então você não vai se aposentar?
-Não... Me atrasei para juntar os documentos do INSS
-Duzentos e vinte e dois. – grita a atendente do INSS chamando a próxima senha.
-Acho que é seu numero... – diz um cidadão loiro sentado ao lado.
-Como? – desperta 1B que cochilava na cadeira.
-Duzentos e vinte e dois! – chama novamente a atendente.
-Acho que agora é seu número. – repete o alemão.
-Não é o seu? – pergunta ele enquanto procura sua papeleta da senha no bolso.
-Duzentos e vinte e dois? Não tá ai mais? Então duzentos e vinte e...
-Aqui! – se levanta 1B interrompendo – Já estava indo...
-Se o senhor demorasse mais um pouquinho chamava o próximo e ai não poderia reclamar de que passei o alemão ai com o “dois dois três” na sua frente... – diz a atendente.
-Mas eu não reclamo...
-Ah não?
-Não! Só que...
-Chega de desculpinhas... – diz ela interrompendo – Trouxe os documentos?
-Sim... Claro! – diz 1B.
-Informe dos rendimentos?
-Sim...
-Todos?
-Aqui estão... Jordan, Stewart, Ferrari, Honda, Brawn e Williams.
-Comprovante dos depósitos do FGTS?
-Aqui neste envelope...
-Hum... Onde estão os da Williams?
-Não estão ai?
-Não... Se estivesse eu não perguntaria.
-É que o desligamento da empresa é recente... Acho que é por isto que não estão ai ainda.
-Vou olhar no sistema... – verifica na tela do computador – Sim... Estão aqui.
-Frank sempre cumpre seus compromissos... Então está tudo certo?
-Não.
-Não?
-Não há registros dos depósitos do FGTS da Brawn.
-Como assim? Ross não depositou meu fundo de garantia?
-Não.
-Mas... Mas... Tenho que ir atrás disto então?
-Se quiser se aposentar...
-E o que eu faço agora?
-Se quiser entrar em contato com o seu ex contratante, fique à vontade.
-A senhor espera um minuto?
-Não... Por favor, ceda a sua vez para o próximo número, quando resolver seu problema pegue outra senha e aguarde... – e grita – Duzentos e vinte e três!
-Sou eu! – e se levanta o homem loiro que portava a próxima senha após a de 1B.
-Vai lá alemão... – diz 1B – passa na minha frente... Espero que você tenha melhor sorte que eu... Acho que vou desistir de me aposentar e continuar trabalhando...

27 de jan de 2012

E o resto é história...


-Arnolpho... Passou um pessoal ai querendo falar com você.
-Um pessoal?
-É... Achei bem estranho eles.
-Quem era?
-Não sei.
-Quantos eram?
-Três... Dois cabeludos e uma menina.
-Sério? Devem ser eles... Tomara que seja.
-Eles quem menino?
-A senhora não conhece, mas se for mesmo o que estou pensando e também o que quero que aconteça, vai ser o mesmo que ser convidado pra tocar com os Beatles!
-Tocar com quem?
-Nada, nada...  Eles vão voltar?
-Não disseram, mas deixaram um telefone. Está preso na geladeira...

Arnolpho Lima Filho então liga para o telefone que foi deixado.
-Alô?
-Alô, aqui é o Liminha...
-Fala bicho! Aqui é o Arnaldo. Será que você pode dar um pulo aqui na Pompéia?
-Vou sim... À tarde estou ai.
-Beleza!

Naquela mesma tarde Arnolpho Lima Filho se dirige ao tradicional bairro paulistano na zona oeste para se encontrar com Rita , Sérgio e Arnaldo.
Após ouvir dos irmãos Baptista que gostariam que ele fosse o novo baixista d´Os Mutantes para que Arnaldo se ocupe mais dos teclados e – claro – aceitar, Liminha ouve dos três a seguinte pergunta:
-Bicho, cê já experimentou maconha?
Então, quase que solenemente, Arnolpho Lima Filho responde:
-Não! Nunca! – e pensa – “-Estão querendo me testar.”
E recebe de volta...
-Não? Pô! devia... É maior barato!
História adaptada de uma passagem do livro de Antonio Calado: A divina comédia dos Mutantes, editora 34.

25 de jan de 2012

Um conto paulistano - São Paulo 458 anos


Na região da Praça Princesa Isabel, no centro velho de São Paulo há uma estatua eqüestre de Duque de Caxias.
Garboso, o herói da guerra do Paraguai está montado em seu vistoso cavalo em pose de vitória: o cavalo trota enquanto o cavaleiro brande ao ar a espada.
A obra é do nobre artista italiano Victor Brecheret e foi inaugurada em Vinte e Cinco de Agosto de Mil Novecentos e Sessenta. Tem a altura de um prédio de dez andares, contando claro, com o pedestal feito em granito.

Como todo monumento em toda metrópole, após um tempo ninguém dá a mínima importância. Passa-se por ele e nem se da conta de que está lá.
Se não estiver, muita gente nem vai notar.

Estátua de Dq. de Caxias na Pça Princesa Isabel/SP
Porém há um detalhe na estátua, que diga-se, sempre esteve lá, mas que nestes tempos de “politicamente correto” começou a incomodar um tipo de gente muito especial que, só com muito tempo ocioso - e pago com dinheiro público – se incomodaria: os nobres vereadores.

-O nobre colega há de convir que é uma indecência! – diz um situacionista.
-Até é, mas não é tanto assim... Afinal todo mundo tem um daqueles... – retruca um da oposição e assim vai adiante a discussão.
-Alto lá, senhor vereador! Todo mundo necas! Lembre-se o senhor que se trata de um cavalo de quase onze metros, logo o tamanho da indecência é muito maior que a que nós todos temos... A não ser que o nobre colega da oposição... Não é?
-O senhor está insinuando o que? Que eu tenho um daquele tamanho? Eu vou lhe dizer o que é que eu tenho que é daquele tamanho...
-Ordem... Ordem – pede o presidente da casa – Não é brigando aqui que os nobres senhores vão arrumar uma solução para o caso... Vamos dar a palavra ao nobre colega que trouxe o problema a esta casa. Com a palavra o nobre vereador Nico Cajaz...
-Bem, eu... Eu fico até com vergonha de dizer isto... Mas aquele enorme cú eqüino lá tem que sair... Eu fico imaginando minha mãe passando pela Avenida Rio Branco e olhando para cima... O quanto a minha mãezinha, dona Rosa Cajaz não ficaria chocada...
-Mas o nobre colega tem a mesma opinião de sua mãe? Ou acha que toda a população tem a mesma opinião? Eu particularmente não tenho uma formada.
-O senhor já passou por lá?
-Não...
-Então nunca olhou debaixo da cauda erguida do cavalo do Caxias?
-Sinceramente não. O que tem demais lá?
-Uma protuberância saltada, como se o pobre do animal sofresse de hemorróidas!
-Olha... Mas é possível sim, viu – interrompe novamente o presidente da câmara, e prossegue – Diz aqui no livro dos monumentos que para a inauguração da estatua foi servido um lanche para os que trabalharam em sua confecção, lá no Liceu de Artes..
-Mas meu presidente? O que tem isto com o que estamos discutindo?
-Meu caro colega... Vai que neste lanche se serviu calabresa, vatapás ou outras comidas apimentadas quaisquer?
-Mas... Nobre presidente? O cavalo é de bronze! Dificilmente comeu um destes lanches?
-Dificilmente? – gritam todos os presentes em uníssono. – Mas tu é burro heim?
-Não o cavalo, sua cavalgadura, mas um dos operários que ajudaram a fazê-lo... Ai sentiu os resultados e resolveu expressar no cavalo...
-Mas o artista ia permitir isto? Vamos lembrar que é de Victor Brecheret!
-E por acaso, por ser artista, ele estava isento?
-De impostos?
-Não... De hemorróidas...

O fato é que não chegaram a nenhuma conclusão sobre o que fazer com a parte saltada da anatomia anal do cavalo. E como toda vez que isto acontece a voz popular é chamada a opinar e um plebiscito é convocado.
Outros equinos menos nobres...
Sem maiores explicações a cédula de votação traz as seguintes opções:
1 – deixar lá como está.
2 – tirar a base de lima, já que é de bronze.
3 – trocar o rabo do cavalo, para que ele fique abaixado e assim encubra a vergonha.

Nas ruas, um jornalista que sem mais o que fazer se ocupou da história e entrevistava pessoas na rua.
-O que a senhora acha deste plebiscito?
-Uma besteira... Imagino que o imbecil que primeiro se ocupou desta coisa deva ser um desocupado... Acha que um cú de cavalo vai aborrecer quem vê um monumento destes?
-Muito obrigado... Qual seu nome, por favor?

-Rosa... Rosa Cajaz. Com “z” meu filho...

23 de jan de 2012

E segue o seco 2 - Bruno na Williams


Não tenho opinião formada sobre Bruno Senna ainda, e ao que me parece – e tomara que esteja enganado – não será este ano que formarei uma.
O motivo é que - pelo que se lê - o contrato do piloto com a Williams é de apenas um ano, o que em tese seria suficiente para que mostrar serviço e ganhar mais algum tempo pilotando para o terceiro time mais vencedor da F1, atrás apenas da máfia de Maranello e de sua cópia menor sediada em Woking, mas...

Eu quero ver este mesmo sorriso no fim da temporada, de verdade.
A Williams pela qual Bruno pilotará não mais é a mesma equipe que tanto venceu e fez italianos e ingleses comer poeira mesmo quando tinha em seus volantes nomes menores como Damon Hill ou ridículos como Jacques Deusmelivre.
Os tempos são bicudos e a maneira com que Sir Frank ainda enxerga a F1 e seus meandros fizeram com que o time encolhesse financeiramente o que levou a um encolhimento técnico de proporções ainda maiores.
Os resultados (ou a falta deles) estão ai para deixar qualquer apaixonado pelo time (como eu) com a pulga atrás da orelha. Não é mais uma equipe onde um piloto possa enxergar uma tábua de salvação para sua carreira.

E nem é pelo fato de Bruno ter tido que amealhar patrocínios para poder ficar com o lugar na equipe que cria a dúvida sobre a manutenção de sua carreira, veja bem...
Ficando Barrichello ou entrando Sutil a coisa seria a mesma.
A incerteza sobre os resultados seriam os mesmos, porém se eles não aparecessem seria menos prejudiciais a Rubens que (fala sério!) não tinha mais nada a buscar na categoria (título para ele é utopia) ou Adrian que por mais que seja jovem ou que estivesse em um período que necessitasse de auto-afirmação, é praticamente um desconhecido se levarmos em consideração o sobrenome que Bruno carrega e das expectativas que gera.
Trocando em miúdos... Mais um ano ruim para a equipe com Sutil ou Barrichello no volante seria apenas mais do mesmo para os dois. Já para o primeiro sobrinho...

Então, como disse, não tenho formada uma opinião sobre Bruno como piloto.
E a menos que um milagre técnico recaia sobre Grove, ou uma daquelas jogadas onde a sorte aparece com um truque genial, o carro será mais uma vez sofrível (embora como todos os outros - menos os vermelhos de 1998/99 que lembravam ferraris – lindos) e poderá não dar outra chance para que forme uma.

Parece ou não uma daquelas trapizongas de Maranello?

20 de jan de 2012

Um conto gospel


-Mas pastor...
-Nem “mas”, nem meio “mas”. Sinto muito.
-Por favor, o pessoal está animado em gravar com a gente, vão ficar frustrados.
-São jovens, vão superar.
-Mas que mal tem em tocar com a gente?
-Vocês não fazem música gospel. Não dá para misturar o sagrado e o profano.
-Poxa, é tudo música.
-Não, não é tudo música. A que meus meninos fazem agrada a Deus, é feita em seu nome e louvor. A de vocês não.
-Não faz sentido... O senhor já viu nosso contrabaixista tocar?
-Sim, vi...
-Então, o senhor é maestro, entende de música... Ele não é bom?
-Sim, não disse que ele ou mesmo vocês não são bons. São ótimos músicos. Mas não.
-Então... Se o senhor mesmo concorda que ele é bom e que nós tocamos bem, me diga: de onde o senhor acha que vem?
-Que vem o que?
-Nosso talento. Eu posso chamar de talento não posso?
-Pode... Claro que pode.
-Sabia que nenhum de nós estudou o instrumento a fundo?
-Ah não?
-Não...  Estudamos o básico.
-Onde você quer chegar?
-Simples: Nós fazemos música por dom e o senhor mesmo vive dizendo que isto é coisa de Deus. Tô errado?
-Bem... Não. Teoricamente não...
-Então, se nós temos o dom e se isto é coisa de Deus, logo a nossa música deve agradar a Ele, não? Afinal, fazemos aquilo que ele nos mandou fazer.
-Está bem... Tudo bem então... Eu libero o naipe de metal da igreja para gravar com vocês. Os dois trompetistas, o saxofonista, os trombonistas... Pode avisar a eles que eu liberei para a gravação.
-Obrigado pastor!  Eu vou agora mesmo reunir todos eles e correr para o estúdio.
-Rapaz... Só por curiosidade: o que vocês irão gravar?
-Um cover de um tema de jazz dos Squirrel Nut Zippers.
-Ah... Não conheço. Qual o nome?
-Hell.

19 de jan de 2012

Ferrari 2012: dolphin car?

E vazam as primeiras imagens da nova Ferrari para 2012.
O carro é inovador e embora não seja agressivo como os boatos davam conta.

-Pensamos em fazer um carro condizente com a imagem do time.  – disse o chefe de equipe Stefano Domenicali – Arrojados, mas sem a agressividade aparente... Como os golfinhos que nadam muito rápido.

-Encomendamos a nosso projetista um carro que desse saltos de qualidade! Para que fosse o ponto de virada rumo aos títulos – discursou Luca Di Montezemolo ratificando o assunto.

Massa disse esperar que o ano seja realmente diferente em termos de resultado e confia no novo desenho.
Fernando Alonso, além de mostrar muita confiança ainda declarou que o novo carro ferrarista atrairá a atenção de todos.
Sobe, salta pra fora da água na sexta e afunda de novo no domingo
Procurado pela nossa reportagem, Sebastian Vettel após ver a foto do novo carro declarou.
-A nova frente da Ferrari parece mesmo um golfinho e realmente traduz o que eles tem feito: sobem tirando a cabeça pra fora da água e fazem uma graça nas sextas e no domingo afundam de novo...

18 de jan de 2012

E segue o seco...


Não serei hipócrita. Continuarei não gostando de sua obra...
Não lerão que foi injusto o fato de Bruno ter ficado com a vaga apenas porque tinha uma carteira mais recheada.
Não leram quando Petrov ficou com a vaga na Lotus pelo mesmo motivo. Questão de coerência.
Não é porque acabou – se é que acabou – a longa passagem do 1B pela F1 que encontrarão aqui nada light ou condescendente.
Em minha ótica, sempre perdeu o bonde. Sempre perdeu as horas certas para algumas decisões.

O maior exemplo é aquele fatídico e emblemático GP da Áustria em 2002 quando cedeu a posição para o primeiro piloto. Poderia ter feito sem alarde. Não precisava gostar da idéia, ficar feliz...
Mas resolveu fazê-lo em cima da linha de chegada na intenção de deixar marcado que não estava de acordo. Se não estava de acordo e não havia nada que o obrigasse (entenda-se contrato), não fizesse. Simples assim.
Mas se havia algo escrito e firmado... A hora de ser o rebelde não era no último metro da última volta. Aquilo ao invés de significar rebeldia acabou marcando como o momento do “capachismo”.

E Rubens infelizmente não soube a hora de parar.
Poderia ter saído após um ano (2009) redentor com vitórias e poles pilotando o fenômeno Brawn. Seria a hora ideal... Sairia por cima, vencendo...
Era melhor ter ido ver o filme do Pelé...
Há quem dirá que seria impossível não aceitar uma proposta da Williams, uma das maiores e mais vencedoras equipes da F1.
Eu como fã talvez concordasse, mas a Williams que o contratou já não era a pálida sombra do time vencedor pelo qual um dia correu Piquet, Prost, Mansell e alguns outros menos cotados. Senna tio não vale por na conta...
O viés de baixa era visível e o tamanho da ladeira que começaria a descer parecia incalculável.
Em 2011, seu segundo ano pela Williams, marcou apenas quatro míseros pontos tendo assim sua segunda pior temporada na carreira, ficando atrás apenas do ano em que correu com a EcoHonda pintada com o mapa mundi...
O poço da equipe era, infelizmente, tão fundo que teve de alugar – não há outra palavra pra definir – suas duas vagas para este ano.
Era ou não para ter declinado do convite de Sir Frank Williams e ter ido curtir uma aposentadoria escolhida por conta própria e não imposta como a que agora se apresenta?

Porém pior que esta aposentadoria “forçada” seria fazer sua possível vigésima temporada andando em sub-F1 como os da HRT, única vaga ainda restante e pela qual eu não duvidaria que ele ainda esteja brigando.

Mas também não lerão mentiras. Ninguém lerá aqui que ele é um perdedor...
O cara fez na vida o que quis e o que gosta.
Ganhou dinheiro, estabilidade e notoriedade - em suas próprias palavras – se divertindo.
O que faz dele, no âmbito pessoal, um vencedor.
E na esfera esportiva também tem suas vitórias: é o recordista em largadas, o homem com mais GP´s disputados e com uma das mais longevas carreiras na categoria top do automobilismo.
São pequenas, insignificantes diante do título mundial que nunca veio, mas são vitórias...
Ainda assim continuarei não gostando de sua obra...

17 de jan de 2012

Pergunte ao Groo (Mas não espere uma resposta decente)


Tem gente que leva algumas coisas à sério demais.
Eu aqui escrevo algumas besteiras que vez por outra dá a falsa impressão de que entendo algo sobre a F1.
Não nego que sou apaixonado pelo mundo da velocidade, seria burrice com a quantidade de textos sobre o assunto que despejo aqui, mas... Daí até receber por e-mail perguntas sobre a categoria ou outros assuntos...
Não vou dizer quem perguntou, mas ai vão algumas respostas.

Ron, por que você, sendo brasileiro, prefere a F1 ao futebol?
Você nunca vai ver um piloto fazendo isto...
Bem... Você já viu algum piloto, depois de realizar uma ultrapassagem, fazer a dancinha do Teló? E quando evitam uma, você já viu algum sair correndo e tirar o macacão e ficar rodando acima da cabeça? E quando acaba a corrida, você já viu alguma equipe sair comemorando com o bonde do ferrarão sem freio? Precisa Mais?

Groo... É horrível uma segunda feira em que não houve corrida no domingo né?
O que responder?
Não acho... Ainda bem que tem uma segunda feira depois de um domingo sem corridas... Imagina ai se a segunda resolvesse ficar chorando e dizendo que não é uma segunda e sim um domingo 1B. “-Sou só um diazinho contra este semanão todo!”

Ron Groo, qual sua opinião sobre a onda de denuncias que derrubam ministros um atrás do outro neste governo da Dilma?
São os lados da moeda: cara e cara. Sem coroa.
-Frustrado... Sinto como se ainda estivesse sob um governo do PSDB ou do DEM...

Ron, o que você acha do UFC?

Falta uma desta no octógono

É bacana, mas tem algumas falhas... Tipo: legal ter a tela separando o publico dos praticantes, mas deviam por lá um plaquinha: “proibido alimentar os animais”.

E uma das ultimas...

Ron, se o Bruno acertar com a Williams, teoricamente o Barrichello só teria a HRT pra negociar uma vaga, mas o pessoal de lá já adiantou que quer um piloto mais jovem. O que você acha? Acabou pro brasileirinho contra o mundo?
Perto do De La Rosca, até meu vô é mais jovem...
Eu não acho nada... Mas veja bem. Tendo em vista que o primeiro piloto que a HRT contratou é o De La Rosa, qualquer piloto que eles contratem agora seria mais jovem. Barrica tem todas as chances...

16 de jan de 2012

Duelo

Quem leva?
Rubens: -Vamos ver quem saca a carteira mais rápido, Kid Bruno?
Bruno: -Não se trata de velocidade Rubens  Old Crazy Turtle...
Rubens: -Então estou em vantagem!

publicado originalmente no Pódium GP

Um pouquinho de cobotinismo:
Fui convidado - e obviamente aceitei - pelo gentil Max Fischer e a talentosa Débora Cestare a participar do podcasting Fishes and Bracciolas.
Creio não ter feito feio, confere lá: parte dois, parte um e a terceira já está aqui

13 de jan de 2012

Música de sexta (porque de sério basta a segunda...)

Band of Horses é o nome de uma banda formada em Seattle, EUA, mesma cidade de onde veio toda uma geração de roqueiros sob o nome de grunge.
Diferentemente de seus conterrâneos, seu som e visual é mais parecido com a música caipira – country – americana.
Um dia fizeram uma canção que pensaram ser o seu grande hit!
Então se esmeraram nos arranjos tornando o refrão fácil e assobiável, de melodia simples e capricharam no sotaque country.
Porém como acontece muito ao redor do globo, não estourou. Passou em branco.
Mas um dia...

-Alô! É do estúdio dos Horses?
-Sim, quem fala?
-É o Cee, quem fala ai?
-É o Chris...
-Chris, to ligando para perguntar se posso regravar uma canção de vocês em meu próximo disco.
-Hum... Qual?
-No one´s...
-Se quiser, manda ver... Mas esta música não deu em nada. Disseram nas rádios que era “americana” demais.
-Ok... Obrigado darei os devidos créditos.

Algum tempo depois em uma rádio qualquer dos EUA...

"-E você acabou de ouvir Cee Lo Green, e SUA sensacional música “No one´s gonna love you”.  Mais uma grande canção americana!"
Realmente ficou lindo, mas vai entender os critérios...

12 de jan de 2012

Wrooom 2012 in loco

Imagens bonitas, chocolate quente de primeira, fondues de queijo suíço e mulheres com rosto bonito (o resto não dá nem pra imaginar com tanta roupa) e excelentes acomodações dão a tônica do Wroom 2012.
Mas infelizmente, com o orçamento reduzido que o Ultrapassagem.org disponibilizou só pude ficar hospedado na casa de um brasileiro que reside na região.
Credencial pra entrar na bagaça... Mas não era minha não
E por conta disto perdi os primeiros dias do evento, só podendo mandar as primeiras impressões agora.
Estive hospedado na casa de Juscelino que é mineiro e foi batizado em homenagem ao ex-presidente.
Ao entrar na casa, ele me disse que ficasse a vontade e então, com fome, ataquei um queijo gorgonzola que estava em cima da mesa.
Infelizmente, Juscelino só me avisou tarde demais que não era um gorgonzola e sim um queijo minas enviado por sua família, mas que ele suspeitava que já estivesse estragado.
O queijo era enorme só sobrou este pedacinho
Mas vamos às informações...

Aqui em Madonna di Campiglio o evento anual da Ferrari segue a todo vapor...
Aquele vapor incomodo que sai da boca da gente quando falamos, já que aqui ta um frio do cão!
Ainda não consegui falar com nenhum dirigente da Ferrari, nem com pilotos, nem com mecânicos. Todos saem fora quando apareço e penso ser por conta deste agasalho ridículo do Palmeiras (cortesia do Claudemir, que não pagou a passagem, mas deu o agasalho).
Se vier para cá no ano que vem, além de melhor agasalhado, trarei camisas do Santos FC pra tentar quebrar o gelo.

Por falar em gelo, foi emocionante ver um dos bólidos de F1 do time de Maranello andando em uma pista congelada.
A aceleração fazia com que o carro dançasse muito, parecendo até aquelas derrapagens controladas tão comuns na década de 70.
Curiosamente o piloto da maquina era Felipe Massa, que – não se sabe bem o motivo – reclamou da dificuldade de aquecer os pneus.
Os pneus permaneceram frios
Os pilotos do time vermelho fazem a festa dos repórteres fotográficos posando enquanto esquiam.
Os jornalistas que não estão ocupados em tirar fotos fazem a festa na mesa de comes e bebes dando pouca ou nenhuma importância ao resto.
Aliás, me peguei pensando: qual a importância disto aqui se não ostentar poder?
Não achei resposta.

Os pilotos da MotoGp ligados à marca também estão no evento.
Valentino Rossi declarou que sua equipe – a Ducatti - não está em condições de vencer o campeonato deste ano e teve a solidariedade de seu companheiro de equipe Nicky Hayden.
Por sua vez, Fernando Alonso disse que seu companheiro de equipe, Felipe Massa, não tem nenhuma chance de ser campeão este ano e teve a solidariedade de toda a equipe.
-Nem vocês e nem o Felipe! - teria dito Alonso
Volto assim que tiver mais alguma novidade ou outra besteira qualquer.

Texto publicado originalmente no Ultrapassagem.org de Claudemir Freire.

11 de jan de 2012

E cada um tem o que merece...

Alonso e sua Ferrari azul
A festa de Alonso é em Madonna di Campligio...

Massa e seu Fiat Uno
Massa vai - no máximo - na festa de Joelma di Calypso...

10 de jan de 2012

F1 2012: Esquisita e curiosa


Na Espanha disseram que podem abrir mão do GP de Valência (já vai tarde) e agora também do GP da Espanha, nos arredores de Barcelona. Não só: também diz que não sabem se poderão organizar a MotoGP.
Tempos ruins para o esporte a motor na terra da (intragável) paella.
E tudo alegando a – real e severa – crise financeira que assola a Europa.
A parte curiosa é que a mesma crise parece nunca afetar o futebol daquele país... Ao menos não os dois maiores times.
Se isto não é esquisito, não sei o que é esquisito então...
Ou aquilo dá muito certo e é administrado de forma louvável e seus dirigentes deveriam ser primeiro ministro e ministro da fazenda, ou todos deveriam estar presos... Tenho fortes tendências a crer na segunda opção.

Helmut Marko disse que os pilotos da Toro Rosso – Alguersuari e Buemi – não são pilotos vencedores.
Aqui também tem um lado curioso.
Alguns dias depois Helmut contrata Buemi para ser o piloto reserva da matriz Red Bull.
E isto depois de sondar Alguersuari que, segundo dizem, recusou.
Será que aquela pedrada danificou mais que um dos olhos do cara?

Vazou na imprensa que Felipe Massa será o primeiro a andar no modelo 2012 da Ferrari.
Ora, ora... Que beleza. Será que é para mostrar que os pilotos têm o mesmo peso na scuderia?
Ou será que é o tipo da coisa: “-Vai lá fio... Amacia pro chefe...”
No futebol - aquele treco esquisito - tem muito disto: um moleque da base joga com a chuteira do profissional para amaciar.
Aqui no caso Massiar...
Tá bom, piada horrível.
Seu Madruga é melhor que o Bozo, logo é o Alonso...
Perguntado através do twiter o ricopracarai Eike Batista disse que Bruno Senna vai correr pela Williams.
Bom... Onde há fumaça há fogo, mas... O que pensar de um patrocinador que fosse a público dizer que seu patrocinado não tem chance nenhuma?
Até sir Frank bater o martelo tudo é suspense.
Agora, surpresa nenhuma na definição que está por vir.
Curioso mesmo seria se Eike mandasse lá no twiter mesmo: “-Comprei a Williams.”

Fotos meramente ilustrativas... Ou não.

9 de jan de 2012

A F1 e os direitos humanos no Bahrein


-Senhor Ecclestone?
-Sim Jones...
-É James, senhor.
-Pois não.
-Recebemos alguns pedidos para que não realizemos o Grand Prix do Bahrein deste ano.
-Pedidos vindos de onde? Do gerente do nosso banco? Corremos algum risco de perder dinheiro lá?
-Não senhor...
-Não foi do gerente ou não corremos riscos?
-Não foi do gerente senhor.
-Mas então corremos risco?
-Tecnicamente senhor.
-Explique melhor, Jhons...
-É James, senhor... Os pedidos vêm de grupos de defensores dos direitos humanos.
-Eles de novo?
-De novo?
-E o que alegam?
-A situação política. O povo ainda está sob jugo de governantes totalitários. Suas manifestações pedindo mais liberdade ainda são reprimidas com violência.
-Sério?
-Sim...
-Me lembra muito a situação da África do Sul nos anos de Apartheid... O governo de minoria branca descia a lenha na maioria negra... E ainda usava a F1 para tentar mostrar ao mundo que lá dentro tudo ia muito bem. Aquilo era odioso.
-Mas o senhor liderou as equipes e realizou a corrida lá!
-Sim, claro... Então porque eu iria deixar de correr no Bahrein?
-Mas e os direitos humanos? Vale passar por cima só por dinheiro?
-Direitos Humanos? Eu sou humano, tenho direito a ganhar o dinheiro!
-Mas tem uma coisa que pode nos fazer repensar a corrida lá no Bahrein.
-O que, senhor?
-O povo barenita.
-Mas isto é louvável! Quer dizer então que se o povo do Bahrein pedir o senhor cancela a corrida?
-Pedir? Não... Mas se eles começarem a explodir algumas coisas...
-Ah! Quer dizer que o senhor tem medo então?
-Julius... Eu sou ganancioso, não burro.
-É James, senhor... James...

6 de jan de 2012

Enquanto isto em Grove...

Após a saída de Patrick Head da parte esportiva da Williams F1, Sir Frank se viu obrigado e fazer uma redistribuição de papeis dentro da equipe.
Ele, como sempre, seria o CEO, o chefão.
Toto Wolf seria o responsável por atrair novos investidores.
E para resolver a questão do companheiro de Maldonado, Sir Frank conversa com Adam Parr.

-Adam, você tem sido de muita utilidade na equipe, além claro de ser um cavalheiro.
-Muito obrigado Sr.Williams, faço o que estiver ao meu alcance.
-Deixe de modéstia, tem feito muito mais do que o possível.
-É só minha obrigação.
-E ainda assim tem feito muito bem... Mas agora tenho uma tarefa para você que não é das mais simples. Gostaria que você arrumasse um jeito de definir o outro piloto para a equipe.
-Mas isto é simples... Eles estão batalhando por melhores patrocínios, quem trouxer o maior, fica.
-Meu caro Adam, há coisas que aceitamos e outras que fingimos aceitar... Não gosto desta idéia de ter dois pilotos pagantes no time.
-Eu sei... Mas não há outra forma.
-Concordo, mas ainda assim... Ao menos as aparências eu gostaria de manter. Já temos o venezuelano que é claramente um locatário de vaga, gostaria que o outro piloto ao menos aparentasse estar lá por méritos. E é nisto que eu gostaria de focar.
-Mas...
-Nada de “mas", meu caro... Veja bem... Eles se equivalem no quesito patrocínio. Um deles pode vir com dinheiro de um mega empresário de seu país, seja lá qual for o nome da empresa que o homem queira usar... Sem contar a tal empresa de telecomunicações. É relativamente jovem, rápido e tem um sobrenome que pode atrair muita visibilidade.
-Certo.
-O outro parece ter fechado um bom contrato com uma fábrica suíça de chocolates, que também atua no Brasil. É experiente, é querido por todos na F1... E sabe como poucos se submeter a ordens.
-Também é verdade... Menos a parte do querido por todos, talvez aquele alemão, o senhor sabe quem... Não lhe é muito fã.
-Bobeira...  E o terceiro pode trazer bons patrocínios da Alemanha, mas mais que isto: fez um ano muito bom na equipe daquele indiano caloteiro. Como você vê, se equivalem nos âmbitos financeiros, e no esportivo todos tem seus méritos. Por favor, resolva esta questão e deixe transparecer o mínimo possível que a escolha foi financeira.
-Sim senhor – e Adam Parr sai da sala coçando a cabeça.

Algumas horas depois se encontram novamente e Adam tem a solução.
-Senhor Williams, pensei muito e cheguei à conclusão que podemos decidir pedindo aos três uma prova de proatividade. Pedir a eles que, além claro de pilotar, fizessem algo mais pela equipe. Acumular funções...
-É uma boa idéia... No que pensou?
-Pensei em pedir para Rubens, já que é o mais velho, ser além de piloto, ficar como porteiro. É uma atividade que não cansa e muito comum entre pessoas na idade dele...
-Bom... E Bruno?
-Bruno é mais jovem, provavelmente mais rápido. Que tal office boy?
-Pode ser... Tem o perfil dele... E para Adrian?
-Então... Pesquisei bastante e quase não encontro nada com o perfil dele. Apenas camareira ou diarista... Sabe como é... Com aqueles uniformes e tal...
-Mas Adam! Nunca vi camareiros ou diaristas homens, apenas mulheres ou...
-Isto... Matou a charada Sr Williams é por conta deste “ou” que eu pensei nisto... Uma pena que o Nico também não esteja interessado na vaga. É outro que daria certinho como secretária...

5 de jan de 2012

Comédias da vida real na F1 #5 - Nobreza e cavalheirismo para o bem e para o mal


O automobilismo é mais que um esporte de competição, velocidade e coragem.
Nos primórdios a F1, sua maior expressão, até era tida como esporte de cavalheiros
Histórias existem aos montes.

Como esta recolhida do blog F1 Corradi em que Mike Hawthorn, pilotando uma Ferrari lidera o grande prêmio da França de 1958 na pista de Reims,
O inglês encosta na Masserati pilotada por Juan Manuel Fangio - que não havia se dado muito bem nas longas retas do circuito - e está a ponto de lhe colocar uma volta de vantagem.
Hawthorn surpreendentemente segue até o fim da corrida atrás de Fangio sem sequer ameaçar ultrapassá-lo.
Ao termino da prova, perguntado por que não ultrapassou o argentino respondeu reverentemente: “-Não se coloca uma volta em Fangio!”
Fangio
Não tão ético, mas com o mesmo senso de cavalheirismo e nobreza, dois personagens mais recentes também têm sua história.
Ao perceber que Bernie Ecclestone, então proprietário da equipe Brabhan iria burlar a regra de peso mínimo dos carros na pesagem pós-classificação para o GP de Mônaco de 1975, um mecânico de Frank Williams entra no motorhome de sua equipe aos berros.
-Senhor Frank, senhor Frank! Ecclestone vai burlar a regra! Eu o vi colocando chumbo em seus carros após o treino!
E recebe de volta de seu chefe.
-Eu sei... Mas por favor, fale baixo e não conte isto a mais ninguém... Fui eu que emprestei o chumbo a ele...
Frank Williams e Bernie Ecclestone

3 de jan de 2012

F1 2012 - Brasileiros renovando as esperanças

Os três pilotos brasileiros, escaldados com o ano ruim que terminara – ao menos no âmbito profissional – resolveram se cercar de ajuda extra para a temporada 2012.
Todos os três já haviam tido a experiência de serem cuidados espiritualmente por Pai Tião, mas os resultados nunca eram os esperados.
Desta vez foram atrás de um sábio, que segundo ouviram falar, tinha respostas para tudo.

-Cê tem certeza? – pergunta Bruno.

-Claro! Eu já me enganei? – Responde Rubens.
-Bem... Já sim. Lembra daquela pulseira do equilíbrio? – diz Felipe.
-Bom... Mas não fui eu quem trouxe para o nosso meio aquele charlatão do Pai Tião.
-Charlatão nada! – Quando trabalhou para a Ferrari sempre dava certo.
-É... E quando ele disse que o problema não era meu e sim do dono da Hispânia também estava certo. Foi só vender que o time evoluiu. – defendeu Bruno.
-Mas só andou mesmo depois que você saiu, não foi? – atacou Rubens.
-Até foi, mas eu também acabei num lugar melhor.

O silencio recai sobre o trio de pilotos enquanto chegam a Franco da Rocha onde, segundo foram informados, mora o sábio.

-Por favor, o senhor sabe onde podemos encontrar o sábio Gente Boa? – pergunta Felipe.
-Gente Boa? Sábio? Quem foi que te disse isto meu filho? – diz uma velhinha que estava na estação de trens.
-Foi o que disseram pra gente. – intervém Rubens.
-Espera ai? Você eu conheço! – aponta ela para o veterano.
-Conhece! Conhece sim... Tenho certeza.
-Você faz stand up comedy! – afirma.
-Como? – pergunta perplexo enquanto os outros dois abafam o riso.
-Sim... Você é comediante... Porque toda vez que aparece falando meu marido e meus filhos caem na risada. – diz a simpática velhinha apontando em direção as Casas Bahia da cidade – É lá que vocês vão encontrar o dorme sujo... Ele fica lá assistindo as televisões do mostruário. Mas vou dizendo... Ele só diz coisas sem sentido.
O trio agradece e comenta entre si que talvez não sejam besteiras o que ele diz, mas sim coisas sabias, porém cifradas.
-Tem que ter discernimento... Tem que interpretar...

Ao encontrarem Gente Boa, nem se dão ao trabalho de se apresentar, afinal, o sem teto conhece tudo sobre o esporte a motor mais famoso do planeta e como tal, os conhece.

-Senhor Boa... Eu quero continuar na categoria, nem que seja como piloto de testes. O que devo fazer? – pergunta Bruno.
-Tem cuidado! Testador de supositório tanto testa que acaba ficando sem efeito quando precisa... - diz Gente Boa.
-Gênio! Acabou de me dizer para tentar uma vaga de verdade, que se eu ficar testando demais acabo como o De La Rosa, sem moral! – diz Bruno com um sorriso iluminado sem se dar conta que De La Rosa ao menos tem vaga garantida.

-E eu? Tenho contrato ainda para este ano, mas no meu time as coisas são muito bem definidas. – é a vez de Felipe.
-Quem anda com lobos, uiva. Quem anda com gambás fede...
-Mas é isto mesmo! Tenho que me comportar como o Alonso. Exigir atenção! – diz o eufórico Felipe sem se dar conta que há muito mais braço entre ele e Alonso que do que a vã filosofia (e pachequismo) pode mostrar.

-Seu Gente Boa... Eu to nesta há muito tempo, sério... Mas ainda estou muito motivado e quero chegar à vigésima temporada. Eu sei que ainda tenho muito a dar para minha equipe e que posso ajudar muito. Tem uns caras ai... – diz Rubens apontando sorrateiramente para Bruno com o polegar -... Que querem meu lugar, mas eu confio em minha experiência. Estou certo em me manter confiante?
-Se cruzardes o deserto com um camelo, ele chegará primeiro porque tem um pescoço mais longo que o teu, porém...
-Já entendi! Ele pode ter um pescoço longo, ou seja, ser mais jovem... |Mas eu chegarei mais inteiro por conta da experiência! Genial...
Os três se despedem do andarilho deixando com ele bonés de suas equipes e algum dinheiro que logo viraria cachaça.

-Ô Gente Boa? Foi isto mesmo que você quis dizer para os caras? – pergunta um dos vendedores da loja.
-Bão... Cada um acredita no que quer, não é?
-É... Claro... Mas aquilo que o baixinho cabeçudo mais velho entendeu? Era aquilo mesmo?
-Sei lá... Eu ia dizer que o camelo chega primeiro e você fica fedendo, mas... Deixa ele. Deixa ele...