28 de fev de 2014

Conto de carnaval

Soube certa vez de uma história, não importa quem contou e nem porque, mas que achei interessante.
O baile não tinha um título pomposo e se deu em um salão que hoje abriga bailes da terceira idade.
Reza a lenda – e não sei por que não era nascido – que os carnavais de antigamente eram festas em que realmente havia alegria e uma saudável permissividade.
Eram tempos em que havia pierrots, colombinas, arlequins, bailarinas e piratas.
As guerras entre blocos - chamados “corsos” - tinham como armas serpentinas, confetes e bisnagas de água.
Que no máximo o folião poderia sair molhado da festa carnavalesca.
De sério, mesmo, apenas se ficasse de boca aberta e recebesse uma leva de confetes goela abaixo.
Mas dizia da história...

Contam que eles se encontraram dentro do baile, dançaram de forma esquisita que foliões dançam ainda hoje, com os dedos indicadores subindo e descendo ao lado do rosto.
Ele se aproximou sorrindo.
Ela sorriu de volta protocolarmente e não mostrou maior interesse.
Ele vestido de pirata com papagaio de pelúcia preso ao ombro, tapa olho e tudo.
Ela com um bonito traje de arlequim quadriculado em branco e preto e mascara sobre os olhos.
Dançou-lhe em volta sem lhe tocar ou dizer palavra até o fim da música.
Palavras que nem seriam ouvidas tal a altura e intensidade com que a orquestra atacava a marchinha quando, enfim, se insinuou.
-Mascara negra? – disse ele.
-Sim, para compor com a fantasia...
-Não... A musica que a orquestra tocava.
-Deve ser... Não me atenho a musicas de carnaval.
-Eu gosto, são lúdicas... De letras quase débeis...
-Isso... Por isto não me ligo nelas, apenas danço.
-E lindamente... Devo dizer.
-Que bom que gostou.
-Adorei. Dança a próxima comigo?
-E porque não?

A orquestra que já tocava há quase uma hora sem parar pediu um tempo para se recompor.
Ele resignado sorriu e disse que esperava. Ela com um semblante mais tenso que o normal para a ocasião consultou o relógio de pulso escondido sob a luva preta da mão esquerda – a direita era branca – e respondeu constrangida.
-Que pena! Não posso esperar, preciso ir.
-Mas é carnaval, que compromisso pode ter?
-Aqueles que máscaras podem esconder, mas não anular... Desculpe.
-Apenas uma dança, a orquestra não deve demorar a voltar...
-Não sei e não posso esperar para descobrir. Fica para o próximo carnaval. – e sorri.
-Não sei se vou poder esperar...
-Que pena! – diz ela virando-se para sair quando é segura pelo braço.
Antes que reclame, abraça-a firme e canta: “-Se fosse por mim, todo mundo andava sambando assim nesse passo passando. Porque nada mais bonito que um brasileiro pé duro. Representante da raça, descendo no samba a ladeira da praça.”.
Ela entende o recado e se deixa levar ao centro do salão.
Os outros em volta também entendem abrindo espaço para o pirata e a arlequim e batendo palmas ajudam cantando em coro.
“-E se você merecer, inteira de graça ao ar livre. A fina figura de uma criatura representante da raça descendo no samba a ladeira da praça...”.
-Esta eu conheço! – diz ela continuando – “Presa no espaço e solta no ar, nem andando e nem voando... Só sambando. Descendo no samba a ladeira da praça.”.

Ao fim um rápido beijo, roubado da parte dele e consentido por ela, afinal é carnaval.
Soltou-se do abraço e correu tal qual uma Cinderela a meia noite.
Disseram que o pirata, nunca sequer contou à esposa que já esteve em um baile de carnaval. Muito menos depois de casado. Até diz não gostar. Sua esposa idem.
Mas quando se pegam pensando no passado lembram-se de um carnaval em que foram partners, ela de um pirata e ele de uma arlequim.

Só volto na quarta-feira de cinzas, se eu próprio não tiver virado.

26 de fev de 2014

What´s going on?

Quando Marvin Gaye entrou no escritório de seu patrão – e sogro – Berry Gordy para pedir que sua “What´s going on” fosse lançada em compacto ouviu um sonoro “não” como resposta.
Berry, dono da gravadora Motown, argumentava que a canção não tinha apelo comercial:
“-Aqui se faz disco pra vender, não pra ser obra de arte...”.
Revoltado com a decisão, Marvin lançou o ultimato: “-Ou é assim ou não gravo mais uma canção sequer nesta casa.”.
Marvin não só era um cantor e compositor de sucesso como também um produtor antenado com o gosto popular e responsável por vários discos de sucesso lançados pela Motown.
Berry podia ser tudo, mas não era burro, cedeu.
E “What´s going on” vendeu tão bem que o contrariado sogro/patrão, animadão, pediu um álbum com canções com a mesma temática social.

 

Marvin, esperto, já tinha algumas prontas, entre elas “God is love”, “Sad Tomorrows” e uma versão do que viria a ser “Fly high (in the friendly sky").
Criou mais clássicos instantâneos -“Mercy mercy Me”, “Save the children” e “Inner city blues (make me wanna holler”) – estruturou o álbum para que todas as faixas tivessem o mesmo direcionamento fortemente marcado pelas preocupações sociais, espirituais e pioneiramente ecológicas. Embaladas por uma elegante mistura de funk, soul e jazz.
Resultado: o álbum What´s going on é considerado um dos mais importantes da música norte americana e provavelmente o mais conhecido do artista.

Este sucesso garantiu a Marvin Gaye o total controle de criação e produção de seus trabalhos futuros e abriu os mesmos precedentes para outros artistas contratados pela Motown. O que possibilitou o surgimento de outro monstro da musica: Stevie Wonder.
E para os que à época ficaram pensando que Marvin Gaye se tornaria apenas um compositor canções engajadas (ainda que suingadas) uma ouvida na faixa título do disco seguinte, Let´s get it on, colocaria a teoria por terra, mas isto é assunto para outra crônica...

25 de fev de 2014

A verdade por trás do vírus na Marussia

Nos boxes da Marussia antes do treino no Baherein.

-Tem certeza que não tem problema?
-Tenho.
-É seguro?
-Pô! Mas é claro!
-E se eles rastrearem?
-Você anda vendo muito filme americano... Não tem este negócio de rastrear não.
-Tem sim... Tem um amigo que consegue descobrir o tal do IP e com ele sabe quem visitou um site ou até quem é anônimo... Vai dar merda.
-Confia em mim. Não vai.
-Então tá.
-Então vamos lá... Digita ai.
-Pode falar.
-Dábliu, dabliu, dábliu, ponto Ferrari ponto com ponto i te.
-Tá... Espera que é lento. O processador é AMD.
-Porra, nem para ser um dual core?
-Aqui é Marussia, e além de ter AMD o PC é Positivo.
-Mas vai?
-Vai, vai... Pronto. Site da Ferrari aberto. Mas não sei no que isto vai ajudar. Visitar o site da Ferrari muita gente visita.
-Mas não tem as manhas que eu tenho... Agora eu substituo umas coisas aqui no endereço, abro uma janela com prompt do DOS...  E voilá! Temos acesso ao banco de dados dos caras. Agora é só procurar uma pasta aqui... Está: F14T Project... Estes italianos são muito bestas mesmo...
-Cara você é genial! A gente pega uns segredos dos carcamanos e... Ela! Que tela preta é esta?
-Não sei... Nunca vi isto...
-Desliga, desliga... Eu falei que ia dar merda.
-Não... Tá voltando ao normal... Olha só... Apareceu uma foto do Alonso.
-Do Alonso?
-É... E... E... Olha a legenda!

E um som sai dos auto falantes.
“-No és autorizado para esto sitio”.
E o computador da Marussia desliga sozinha.
-E agora?
-Eu ligo de novo... Entrou em modo de espera.
-E agora?
-Está passando a antivírus.
-Ao menos o antivírus é bom?
-Deve ser... Peguei no Baixaki.
-Ih... Tá pegando um atrás do outro... Tem um monte de pasta infectada... Monte de trojam... Fudeu.

Horas mais tarde a equipe anuncia que perdeu grande parte do treino por problemas técnicos em seus computadores.

24 de fev de 2014

Gostando muito da temporada 2014

Gosto de chutadores.
A última?
A FIA instituiu os pontos dobrados na última prova para dar tempo para a Red Bull se recuperar. Ou seja: já sábia de antemão que os motores Renault estariam churrasqueando.

Gosto de otimistas.
A Renault, na voz de seu diretor Rob White, disse que a companhia evoluiu muito em relação às outras fábricas de motores.
Conseguiram dar mais voltas ainda que bem mais lentos – quase trinta quilômetros por hora a menos – que os outros.
O que ele se esqueceu de dizer foi que a melhor performance foi de Pastor Maldonado, o que convenhamos, não é um bom sinal.

Gosto de sensatos.
Ao ver o domínio dos carros de motor Mercedes nos dois testes, Fernando Alonso verbalizou o que penso: “-São só testes.”.
Claro, que onde há fumaça há fogo, pode perguntar para o povo da Red Bull... Mas já vimos em outros anos um domínio assustador que não se traduziram em resultados positivos na temporada.
A Mclata e a própria Mercedes que o digam.

Gosto de dissimulados.
Por outro lado, Alonso adora jogar a pressão para os outros.
Já mandou algumas do tipo: “-Não corro contra Vettel, e sim contra Newey.” - ou – “-Duas em doze, continuo na frente”.
Eu só fico na dúvida se isto é mesmo jogar a pressão para o outro lado ou dissimular que a vaca já foi para o brejo.

Gosto da diversidade.
Embora pareçam em sua maioria umas gambiarras – vide a Caterham que cortou o bico do ano passado e enxertou um treco para chegar ao limite do regulamento – os carros estão belos em suas diferenças.
Com certeza muitas equipes copiarão o bico que melhor se sair quando a coisa for para valer, mas até aqui está tudo ok.
E mais, o aparente fim de um domínio (Red Bull e não Seb Vettel que sem carro decente ninguém domina nada) é mais uma prova da beleza desta diversidade. Se vai aparecer outro dominante é outro assunto.

Gosto da solidariedade.
As demonstrações de apoio e esperança na recuperação do Sete Estrelas são realmente bonitas.
Num mundo tão competitivo ainda há lugar para humanidade.
#ForçaSchumacher.
Bruno Mantovani sempre traduz o espirito geral.

21 de fev de 2014

Jim Morrison free!

Um representante do grupo antidrogas Do It Now procurou Jim Morrison no escritório da banda para que gravasse um depoimento sobre os perigos da metedrina, conhecida como speed.
O consumo da droga estava em níveis alarmantes nos EUA e o grupo vinha pedindo sistematicamente a ídolos do rock para desencorajar publicamente seus fãs de fazer uso da substancia.
Os spots de sessenta segundos iam ao ar sob o título Speed Kills (speed mata) e para convencer Morrison, levaram gravações feitas por Frank Zappa e Alice Cooper.
Jim concordou em gravar imediatamente.
-Está ligado? – disse ele ao representante.
-Está. Pode começar.

Jim começa seu discurso:
-Olá! Aqui é Jim Morrison, dos Doors e quero dizer que speed mata... – silencio - Está mesmo ligado? Era só um teste... Vamos sério agora.
-Ok! Vou rebobinar a fita e você pode fazer novamente.

Jim retoma.
-Olá seus idiotinhas! Aqui é Jim Morrison, dos Doors e quero dizer a vocês que estão ai ouvindo rádio em vez de fazer lição de casa que speed mata...
O homem do Do It Now desligou o gravador e suspirou.
-Espera ai! Não acabei... – disse Jim piscando para seu secretário.
-Jim, por favor... Tem que ser conciso, tem que caber tudo em sessenta segundos.
-Ok... Ok. Estava só brincando e me aquecendo. Agora vamos sério.

O homem rebobinou o gravador novamente e deu o sinal para que Jim começasse.
-Olá! Eu sou Jim Morrison, dos Doors e queria pedir a você que não injetem speed em suas veias... É muito melhor que vocês cheirem e...
Novamente o homem para a gravação, visivelmente transtornado.
-Jim... Por favor. – e rebobina a fita novamente.

Jim sorri e recomeça.
-Olá, aqui é Jim Morrison, dos Doors e quero dizer que injetar speed não é inteligente... Veja só. Se injetar speed num ganso, por exemplo, ele vai nadar em círculos até ficar louco e...
Novamente o aparelho é desligado.
-Jim... Um take só. Era pra ser um take só... Não posso ficar o dia todo aqui.
-Hum... Entendo... Então tá. Vamos fazer uma ultima vez, pode ser?
O homem rebobina a fita e dá o sinal.

-Olá! Aqui é Jim Morrison, dos Doors e quero dizer que não injetem speed... O melhor é tomar downers (outros tipos de anfetamina) que são mais baratos e tem mais variedades como os tranks, os barbs...

O pobre do representante se levanta, veste seu casaco e se retira do escritório da banda sem sequer levar seu gravador.
E o Do It Now nunca teve o depoimento de Jim Morrison, que só não riu mais (e riu muito) porque sabia do perigo real que o speed representava, mas... Cada qual cada qual.
Morrison queria para os outros a mesma liberdade de escolha que ele tinha.
Até para fazer coisas que o prejudicassem.

20 de fev de 2014

Para que o ano da Red Bull não seja totalmente perdido

Há algum tempo digitei por aqui que acreditava na reação e redenção da Red Bull após o fiasco dos testes coletivos em Jerez.
Pelo que se viu no Bahrein, não mudou muita coisa além da minha opinião.
Claro, Adrian é genial, o time tem dinheiro para gastar e um bom corpo técnico (apesar de desfalcado este ano) então há chances – por que não? – de se acertarem. Mas agora já começo a duvidar se antes das férias de verão quando a vaca já terá ido para o brejo em termos de campeonato.
Então, como bom torcedor da Williams (acostumado a anos de vacas magras após conquistas) acho de bom tom sugerir algumas alternativas para o carro dos touros vermelhos oficiais.
Vamos a elas:
Repare na fumacinha...

Aquecedor.
Dá para levar o carro da Red Bull para os EUA que está passando uma friaca ducacete e tentar empurrar como aquecedor.
Se andasse mais que doze ou quatorze voltas, podia por para derreter neve nas ruas, mas infelizmente, não anda.

Chapa para lanches.
Imagina ai você comendo um x-tudo, um ovo com bacon, um churrasco com queijo feito no motor Renault de um legitimo carro do Adrian Newey?
Chique pra caramba.

Grill com grife.
Tem quase a mesma função da chapa ai de cima, mas pense pelo lado do marketing: depois do Grill George Foreman, nada mais legal que ter um legitimo grill Seb Vettel.

Churrasqueira para circuitos.
A FIA podia usar como um atrativo a mais para as corridas e colocar à disposição dos torcedores que comprassem os ingressos em setores mais caros um carro da Red Bull como churrasqueira.
Além de queimar a carne em grande estilo, ainda teria direito a passear pelo padock, afinal, é lá que fica o carro, não?

E em último caso, se não houver melhora significativa nem depois da parada das férias pode vender as unidades como peso de papel.
Só não pode deixar ligar o carro quando estiver sendo usado para este fim, se não pega fogo na papelada.

19 de fev de 2014

Vantagens que a Petrobrás trás

Williams fecha parceria com Petrobrás.
Bom?
Sei lá... Para mim, gasolina é gasolina...
Agora... O bom é que algumas das questões mais obscuras da F1 serão finalmente desvendadas.

São elas:
Massa será o líder que o time espera?
Bottas é mesmo o futuro?
Claire Williams fará um trabalho tão bom quanto seu pai?
Patrick Head se arrependerá de ter deixado o time de F1?
A nova pintura será retro?
Para todas estas uma única resposta: pergunta ali no postopiranga...

Agora... Se quiser saber sobre o que vem a ser:
Buraco aerodinâmico.
Defeito intermitente.
Largada moonwalker.
Kers incongruente.
Câmbio incoerente.
Fartura de pneu depois de treino ruim.
Ai não tem postopiranga, eduardsnowden, nsa, obama, paitião, mãediná, waltermercado ou qualquer outra coisa que responda.

18 de fev de 2014

Sexy Sadie

A piada é velha e para muitos bem sem graça.
O cara chega ao estabelecimento do vidente e o mesmo não está em sua mesa.
Após observar a decoração, os livros e as fotos do ambiente, o cara resolve anunciar sua chegada para ver se alguém se digna a vir atendê-lo e bate três vezes na mesa.
(toc toc toc)
-Eu sou o mago vidente, que tudo vê e tudo sabe! – diz o proprietário.
-Ótimo! – diz o cara.
-Quem está ai?
Após ouvir a pergunta, o cara se retira com um sorriso irônico nos lábios e pensando: “-Se fosse bom mesmo, saberia quem sou eu...”.

Como havia dito, a piada é velha, mas provavelmente você não sabia que quem começou com ela foi um tal John.
Convidado a se juntar a um mestre da meditação, o Maharishi Mahesh Yogi, passou algumas semanas na Índia juntamente com outros tipos famosos.
Lá, John ouviu dizer que o Maharishi andava pedindo dinheiro para algumas pessoas e esticando um olho já comprido para Mia Farrow.
(toc toc toc)
-Entre! Seja bem vindo! – disse o Maharishi
-Você sabe por que eu vim aqui?
-Não, é você quem vai me dizer.
-Mas você deveria saber.
-Não… É você quem vai ter que me contar...
Com um sorriso irônico John abandonou o evento e se mandou para casa.
Perguntado o porquê, disse que o guru estava mais interessado na mulher de Woody Allen que em meditação.
-Mandar um recado para ele? - sugeriu alguém.
-You made fool of everyone!

17 de fev de 2014

Opiniões soltas no vento

Ah estes comediantes...
Agora foi a vez de Jacques Deusmelivre dar o ar da sua graça e mandar piadas dignas de stand up.
Disse o careca que já fez campanha sobre ejaculação precoce que Sebastian Vettel (quatro vezes campeão mundial em sequência!) e Fernando Alonso (duas vezes campeão mundial e campeão universal do “chupa Alonso”) só aparecem bem na fita porque o restante do grid é medíocre...
Interessante é fazer um pequeno comparativo com o tempo em que o às no volante (atento à sonoridade) pilotava: fora os dois que citou têm mais três campeões mundiais, alguns bons pilotos, promessas e poucos cabeças de bagre.
Tem uns tontos também, mas provavelmente nenhum deles será mandado embora de sua própria equipe antes do fim de uma temporada...

Um dia disse que os feitos de Danica Patrick (uma vitória em uma corrida no Japão...) não tinha tanta expressividade assim.
Quer só tinha chamado a atenção por ser ela mulher.
Fui chamado de chauvinista, mas mantive a opinião e ainda acrescentei: nunca mais fará nada que preste.
O tempo passou e ela foi parar na Nascar (um rebaixamento natural, penso eu) e continuou sem acrescentar nada.
Agora, um dos maiores campeões daquela categoria diz exatamente a mesma coisa que eu já havia dito.
Normalmente eu diria que tinha gente de peso corroborando minha tese, mas deixa pra lá...
O cara é campeão da Nascar, que peso tem isto?
Nascar é o WWE do automobilismo.

E por falar em mulher guiando (nada contra, acho até que logo estarão em pé de igualdade com muito marmanjo, se já não estão), a Sauber anunciou Simona de Silvestro (Simone da Silvestre, Simona do Silvestre, Simona Silvestra, depende do remédio que Luciano do Valle tomou ou deixou de tomar) como piloto “afiliada”.
Não sei o que quer dizer o termo, mas beleza! Vá lá que seja.
Só espero, sinceramente, que não inventem testes em pista de aeroporto com caminhões pelo caminho.

E para fechar: Racismo - ou preconceito - é odioso de todas as formas (afinal, por baixo da pele somos todos vermelhos), mas nunca vi manifestação de artistas, entidades, ministro do supremo e presidenta quando o ofendido é um atendente de loja, gari... E olha que a mídia mostrou um monte.
Não somos brancos, negros, héteros ou gays. Somos pessoas.

14 de fev de 2014

Mais uma do blues: Lucille

A história tem ares de lenda, como muitas contadas pelos pioneiros do blues.
Mas é mais verossímil que a do pacto com o Demo feito por Robert Johnson, por exemplo...

Riley Ben King conta que estava tocando em uma biboca numa noite muito fria de 1956.
O aquecimento do local era apenas um latão de querosene incendiado no meio do salão e os músicos se revezavam durante a noite.
Em sua vez de tocar, subiu ao palco com sua recém-comprada guitarra elétrica.
Aos amigos que questionavam o porquê de uma guitarra elétrica para tocar blues (um gênero considerado rural que King ajudou a se tornar urbano) ele respondia que havia visto e ouvido T-Bone Walker (um de seus ídolos) interpretando Stormy Monday e aquele foi o som mais belo que ele já havia ouvido e queria reproduzi-lo.
Então, logo no inicio de seu set, dois homens iniciam uma briga tendo como razão a cozinheira do local, uma tal Lucille.
Os dois se atracam e acabam caindo sobre o latão de querosene em chamas provocando um incêndio no local.
Na ânsia de se salvar, King esquece sua guitarra no palco, porém lembra-se a tempo de poder voltar para salvá-la.
Batiza a mesma então de Lucille, em homenagem a cozinheira causadora da confusão.

Até o começo dos anos 2000, King já contabilizava pouco mais de quinze “lucilles” em sua vida.
Mas em todas, absolutamente, tocou Stormy Monday com a mesma beleza e devoção que iria aplicar naquela noite...

13 de fev de 2014

O pastel do pit wall

Os mafiosos de Maranello adoram fazer concorrência desleal com quem tenta ver algum humor na F1 atual...

Stefano Domenicalli quis botar pressão em Raikonen e se saiu com esta:
-Kimi sabe que chegar em segundo na Ferrari é uma tragédia.
Verdade...
Que o digam 1B, Massa e até o próprio Kimi, que andou atrás do Massa em 2008 (foda-se seu título no ano anterior.).
Mas a faca é de dois gumes, penso...
Afinal, Kimi é bom piloto, superestimado ou não, pode fazer um grande campeonato - e por que não? - andar na frente do espanhol chiliquento.
E ai? A tragédia pode ser asturiana?
Ia ser engraçado o espanhol ficar atrás do finlandês e a equipe fazer valer a máxima da tragédia e enquadrar chiliquento como segundão ou rasgar seu contrato como fez com o bebum...
Isto se o próprio Stefano pastel não for limado, claro...

Ainda o rapaz deu uma aliviada dizendo que Kimi está mais maduro.
Maduro?
Kimi bebe, mas nunca o vi embrulhado em jornal debaixo da pia.
No máximo, pode estar mais curtido...
Mas de boa?
Piloto quando amadurece fica mais lento.
Será que é isto que o pastel do pit wall quer dizer?
O tempo – e a temporada deste ano – dirão.

12 de fev de 2014

A colher do Willie

Willie Dixon era foda...
Não era um grande músico, tocava contrabaixo apenas razoavelmente, mas compunha... E compunha como ninguém!
Em sua primeira passagem pela Chess Records, encontrou uma forma sui generis de emplacar suas composições com as duas maiores estrelas da gravadora: o jogo de cintura.
Como Muddy Waters e Howlin Wolf não se davam bem – na verdade se detestavam - sempre acusavam Willie de não lhes passar as melhores ou mais adequadas canções para seus estilos.

Dixon, bonachão e amigo de todo mundo tinha um ótimo transito com os dois.
Quando escrevia uma canção que pensava ser mais do estilo de Muddy, por exemplo, apresentava a ele dizendo:
-Muddy, olha só a musica que fiz para o Wolf! Vai ficar perfeita na voz dele...
-Por que para o Wolf? Eu quero esta para mim...
Assim acontecia também quando a canção era para Howlin...

E foi desta forma que Dixon convenceu Wolf a uivar Spoonful.
Para nossa sorte.

11 de fev de 2014

Nem a F1 salva o humor em dia quente

Ai Bernie Ecclestone promete prêmios em dinheiro para quem denunciar times que gastam mais do que o teto orçamentário.
Vai ter que apresentar nota fiscal?
Se não precisar... Sugiro que a Lotus faça uma denuncia por mês, assim consegue melhorar a situação do caixa.
Mas a pergunta é: vai acatar denuncia contra os italianos, os alemães da Mercedes, os ingleses da McLata e o time austríaco?
Sim, porque as outras, nem querendo vão conseguir gastar mais que o teto do orçamento.

Mercedes diz que a relação com a McLaren deve mudar.
Claro, principalmente se a McLaren começar a andar na frente do time principal.
Se bem que, com um novato e um aposentado em atividade... Sei não.

Enquanto as notícias sobre a Williams...


Fora da F1...
Noticias dão conta que instrutor de homens bomba explode alunos por engano.
Ah gente, vá lá... Quem de vocês ai nunca fez uma cagada no trampo?

Obama é acusado por paparazi de ter caso com Beyoncé.
Já tem gente fazendo comparações com JFK e Marylin Monroe.
Talvez, sei lá... De maldade... Que tal comparar com Clinton e Lewinski?
De qualquer forma é melhor Obama não ir a Dallas por algum tempo.


10 de fev de 2014

Conto de um dia quente

E lá estava o leão.
Magro, feio, fedido... Encostado preguiçosamente em uma das paredes de grades de sua jaula sob o sol.
Um calor miserabundo (mistura de miserável com vagabundo) cozinhava os que aguardavam em fila para comprar ingressos para o espetáculo daquela tarde.
O circo estava na cidade e aquele seria sua primeira apresentação em matinê.

Adolescentes passavam pela grade zombando do bicho.
-Que puta leão feio! – diziam.
-Carái! Não ‘tão alimentando este bicho? Que magrelo.
-Porra, nem dá pra sentir o cheiro gostoso da pipoca com este fedor todo.
O leão em seu felino silêncio parecia resignado: nem sequer ameaçava rosnar.

Um casal de namorados, também na espera sua vez de comprar os bilhetes quando a fila para bem em frente à jaula.
Trocam beijinhos, olhares sem sequer notar o leão ou se notam, não dão a mínima.
Em torno deles, crianças jogam pipocas não estouradas no leão.
-Levanta gato besta! – gritam.
Alguns esfregam os dedos dizendo: “bichano, bichano” ou “isca, isca” obviamente sem sucesso.

Até que em movimento lento e aparentemente desajeitado, se levanta balançando a cabeçorra enjubada e, sem emitir ruído algum, chega às grades próximas da cerca onde adolescentes – e o casal de namorados – torravam ao sol.
-Êêêê! – comemoram alguns – Tá vivo!
-Tira a menina daí – dizem outros para que o namorado afaste e menina da grade.
-Este bicho feio, magro não assusta e nem faz mal pra ninguém! – diz ele e continua – Só se for pelo cheiro horrível que ele tem.

O leão então se encosta às grandes e se deixa cair pesadamente, com a mesmíssima preguiça de antes.
-Não falei? Não faz medo e nem constrange ninguém... – diz ele.
Como se entendesse a última parte da frase, o leão move as patas traseiras e num ato contínuo despeja um jato de urina que molha a namorada do quadril para baixo completamente.
O silêncio é cortante. Ninguém ri.
A menina, constrangida ameaça correr e é segura pelo namorado.
-Não, sai andando com dignidade...
-Dignidade? Eu estou toda mijada!
-Mas poxa... É de leão! Quantos aqui já foram mijados por um leão?
-Mas é um leão feio, magro e fedido!
-Tá, eu prometo, um dia te levo no zoo, lá os leões são mais bem cuidados e bonitos.
E saem...

E alguns dirão que podem jurar ter visto o leão sorrir...

7 de fev de 2014

Salvando almas

Os caras já haviam lançado seu primeiro disco homônimo: Big Bad Vodoo Daddy, petardo que depois foi relançado como Americana De Luxe  e conquistado muitos fãs, mas foi em seu terceiro disco que lançaram a faixa que pode ser considerada profissão de fé da banda.
Save My Soul – que também dá nome ao disco - é um swing jazz lento, denso e com uma letra cheia de imagens impressionantes do mundo original dos que curtem este tipo de música.

Andar pelas ruas de Nova Orleans ao lado da garota que ama, assistindo dezenas de bandas tocando pelas esquinas.
Os velhos bêbados de cartola e bengala que cantam blues...
Um cenário que certamente remete à decadência, mas o personagem principal se considera um sujeito de sorte, já que está apaixonado pela garota, pela cidade e pelo rio de lama que está à frente de seus olhos.
Lama? Do Mississipi, que dizem: engole homens e sonhos.
Mais?
Diz que tomou drinks com o fantasma do velho Louis (Armstrong); ouviu (o arcanjo) Gabriel cantar e tocar seu chifre (horn).
Declara seu amor por Jelly (Roll Morton), Fats (Waller), Fes e King (Oliver), que ensinaram o mundo a dançar.
Tudo isto antes de implorar a Nova Orleans que o deixe saber onde pode salvar sua alma.
De boa? A alma já estava salva e ainda ajudou a salvar a de quem ouviu a canção.

Com a assessoria inexorável de Paulo Levi, que ajudou a destrinchar as inúmeras referencias na letra da canção. 

6 de fev de 2014

Mau humor do calor

Que naba pegou a médica cubana que fugiu do “mais médicos”...
Nada contra o programa, quanto mais médicos melhor, mas pedir exílio beleza, mas logo do DEM? Vai virar bandeira da direita...
Se bem que...
Se pedisse no Itamaraty é capaz de ser devolvida à Cuba como uma Olga contemporânea.

Quando o povo foi às ruas no meio de 2013, logo o pessoal da situação culpou a oposição.
Chamaram de coxinhas, vândalos e manipulados e disseram que todas as ações (em todos os lugares) foram orquestradas pela direita.
Agora o mesmo povo se revolta com o péssimo transporte público paulistano e promove alguma gritaria durante mais uma das inúmeras quebras do metrô.
O que faz o pessoal do governo estadual (que por sinal é a oposição ao governo federal) culpa quem? A esquerda, claro... Chamam de paus mandados, manipulados, vândalos profissionais etc etc...
Parabéns partidos políticos, conseguiram o que sempre quiseram!
Ninguém mais pensa por si só, são todos orquestrados e manipulados por algum dos lados.

Henrique Pizzolato, o fugitivo, foi preso na Itália.
Uma operação conjunta das policias brasileira e italiana o capturou em Maranello com passaporte falso e agora está preso em Modena.
Ligue os pontos...
Cooperação entre policias o cacete: foram Alonso e Montezemolo que deduraram o condenado.
Motivo? Não suportam concorrência.

Por último:
Esquerda-manos dizem que a grande imprensa protege corruptos da oposição.
Direita-boys dizem que grande imprensa protege corruptos do governo.
Ambos estão certos
Então? Qual a cor da imprensa brasileira afinal? Vermelha ou azul?
Sou daltônico, enxergo tudo marrom...

5 de fev de 2014

Ano do cavalo

Há uma canção do Ultraje a Rigor que prega que todos deveriam virar japoneses.
Bom...  Segundo eles: japonês é joia, japonês é quente, japonês apoia os projetos da gente.
Proponho ir além.
Proponho virar chinês.

Lá – na China, claro – acabam de entrar no Ano do Cavalo.
E dizem que é bom!
Particularmente, sei porra nenhuma sobre horóscopo chinês e – sendo horóscopo, não importando se daqui, da China ou da PQP, mas gostei da sonoridade do negócio: Ano do Cavalo.
DO CAVALO.
Todos deveriam aderir...

Sabe aquele filme promocional do CONAR em que um casal fica inquirindo o garçom sobre a apresentação dos pratos e querendo ligar tudo à discriminação?
Ok...  A ideia é ótima e o CONAR faz um trabalho bem legal, mas aquele garçom deveria aderir ao ano do cavalo.
-E este paio? Que é obviamente um trocadilho de conotação sexual de muito mau gosto?
-Então senhora, deve até ser, mas repare que ele veio à mesa em rodelas. Se a senhora não quiser comer, finja que é um cofrinho e coloque todas as rodelinhas no...

E aquele cara que foi trabalhar de saia no RJ e –obviamente – ganhou seus quinze minutos de fama.
Segundo o cara foi por conta do calor excessivo dos últimos dias e pela proibição de usar bermudas no trabalho. O cara é funcionário público.
Beleza! Direito dele e eu apoio.
Primeiro foram os pedidos para que se abolisse o paletó e a gravata nos fóruns feitos pelos advogados. Justo.
Logo depois apareceram enxurradas de matérias em jornal falando dos profissionais que pediam a seus chefes para poder trabalhar de bermudas. Bacana.
Ai surge o cara da saia...
Se tivesse aderido ao ano do cavalo apareceria com um fio dental atochado no rego e gritando: “Proíbe agora FDP!”.
E seus colegas de trabalho diriam: “-F@#-se!

Sabe aquele cara que foi encontrado à deriva? Aquele mexicano que disse ter passado meses no mar... Ele aderiu.
Foi questionado sobre estar tanto tempo naufrago e ainda assim ser resgatado em aparente ótimo estado de saúde e gordinho.
Como resposta mandou um sorriso e deu mais um gole em sua Budweiser.
Cavalo light...

Também vou aderir.
Mas vou dar coice adoidado.

4 de fev de 2014

Sobre Jerez e os problemas

Ninguém é obrigado a concordar, óbvio, mas na modesta opinião deste blogueiro os grandes beneficiados com os testes coletivos em Jerez foram: Ferrari e - pode rir ai se quiser - Red Bull.
Será o "bonitinho ordinário"? Acho que não.

Estes testes sevem para três coisas apenas e são elas:
A) Apresentar o carro à imprensa e ao público. Eventualmente aos patrocinadores.
B) Ver se funciona.  Se o carro liga, se o carro anda. Se não se desmancha no meio de uma volta, se não se solta nada e finalmente.
C) Ver se há algum tipo de defeito, avaria ou inconformidade que possa ser sanado a tempo de alinhar bem na primeira corrida do campeonato.
Red Bull e Ferrari fizeram as três coisas.

Não?
Bom... Os testes são feitos quase dois meses antes da primeira corrida, sendo assim, é muito difícil imaginar que Ferrari e – principalmente – a Red Bull cheguem à Austrália da mesma forma que saíram de Jerez.
A Ferrari, claro, em menor escala, já que seus problemas foram aparentemente menos sérios que os da equipe austríaca.
Muito bonito, só falta a pintura definitiva.
Logo, aos que pregam que o ano da Red Bull já está comprometido é recomendável prudência e cautela.
Os problemas com as unidades de motores Renault não poderiam ter aparecido em melhor hora: quando não vale absolutamente nada!
Dá tempo de corrigir os defeitos e se houver perdas no inicio da temporada à vera, serão menores.
Há também aqueles que pregam que o problema é maior pelo retrospecto da Renault com o motor turbo.
Bem... As tecnologias agora são outras, impossível comparar com a primeira era turbo.

Já os times que não tiveram problemas agora e ainda fizeram bonito (para o público, patrocinadores etc.) se vierem a ter problemas, qualquer um, terão pouquíssimo tempo (o intervalo entre uma corrida e outra no inicio da temporada é de quinze dias) para tentar resolver de forma satisfatória e ai o caldo pode entornar...

Enfim... Numa panorâmica restrita aos dois times que tiveram problemas, ouso dizer que a Red Bull tem mais chances de resolver os seus e fazer um campeonato de igual para igual com qualquer um.
Ganhar ou perder será consequência do trabalho e mesmo que perca, não significa que não é mais time grande ou de ponta.
A menos, claro, que tenha um ano como o da McLata em 2013.
A depender do ângulo, os carros ficam aceitáveis 
Mas e a Ferrari? Não crê neles?
Mais ou menos... Com o retrospecto do time quando dirigidos por italianos é complicado.
Ou já esqueceram que os carcamanos levaram apenas três rodas para um pit stop, deixaram um macaco em baixo de um de seus carros antes de uma largada (hahahahahahahahahaha) problemas com mangueiras que não saiam do bocal de combustível... E por ai vai.

3 de fev de 2014

Também vou opinar #2 - Futilidade

Assim que as bocas dos atores se tocaram houve comoção nacional!
Em todos os lares que estavam sintonizados na novela as famílias se levantaram de seus acentos e fizeram uma ola.
Pessoas foram às sacadas de seus prédios gritando: “-Estamos redimidos!”. E nem eram gays.

Num passe de mágica a emissora passou de grande vilã do país a redentora.
A mais correta, a mais nobre, a que dá vez e voz a todos,  que não tem preconceitos.
A emissora que promoveu o primeiro beijo gay na TV brasileira.
E em horário nobre!

Pouco importa se há tempos atrás a emissora do Abravanel promoveu um beijo lésbico...
Menos ainda se a MTV promoveu programas inteiros dedicados ao namoro gay e que sempre rolavam beijos entre os participantes (lesbicas, travestis, homens...) que nem atores eram. Gente real. Gays de verdade.
O que importa é que foi na Globo.

Ser na Globo é como uma vitória dos new adicts e pseudo intelectuais que veem no canal uma forma de atraso e uma maquina de manipulação cruel de mentes.
Mais?
Enxergam a emissora como o maior artífice do poder da direita consolidada que nunca será vencida se não lhe calarem a voz.
Para estes, o canal ter mandado ao ar uma cena com dois atores é um sinal inequívoco de que o Golias está tendo de se render ao Davi e fazer o que este quer para que não lhe aplique com uma funda a pedrada fatal.
Beleza...
O problema é que mesmo, vociferando, babando ódio, cobrando retidão, idoneidade, neutralidade, os Davis estavam lá, de olho na tela dando a audiência que pede que lhe neguem “pelo bem do Brasil”.

E para terminar, no sábado pela manha, na fila da padaria, duas senhoras – uma evangélica – discutiam animadamente o assunto e nem se deram conta de que já era a vez delas para fazer o pedido. Louvavam a coragem de todos os envolvidos.
-As senhoras não vão pedir? – disse o padeiro com forte sotaque lusitano.
-Ah, senhor Adão, nem nos demos conta! Estávamos falando sobre o “beijo gay”... O que o senhor acha daquilo?
-Eu acho que não aumentou as vendas do pão e nem abaixou o preço de ele... – disse o portuga.
-Ah, mas eram dois homens se beijando? O senhor não tem opinião a respeito?
-Não, e se estivessem um a por no vaso traseiro do outro, também não ligava a mínima.
-Seu Adão!
-Está a achar ruim porque sou eu a falar, se fosse na TV estavam ai a achar bonito...

Melhor tradução da situação, impossível.

Em tempo: perguntei a minha esposa o que aconteceu com a vilã da novela.
Ela respondeu que a mulher morreu eletrocutada numa cerca elétrica em uma cena muito dura.
Estranhei. Não vi comentários sobre a violência da cena.
É de se pensar...
A violência já não nos causa mais nada, mas o amor, seja ele hétero (também houve comentários iguais aos de agora quando houve outros primeiros beijos (o primeiro beijo com personagens da terceira idade, interracial...) ainda incomoda muita gente.