27 de fev de 2009

Notinha do busão




E não podia ser diferente.
Os comentários dentro do coletivo tinham mesmo de girar em torno do navio "Costa Romântica" que ficou parado na costa do Uruguai com mil e quatrocentas pessoas à bordo.
As noticias oficiais dão conta de que um incêndio de causa desconhecida teria causado o incidente, mas segundo o motorista; o cobrador e alguns passageiros do ônibus que uso diariamente os motivos foram um tanto diferentes:
Zé Pequeno, que está de volta ao cockpit do busão após ter ido participar dos festejos de 2 de Fevereiro na Bahia – dia de Iemanjá – acha disse que o navio era velho e japonês.
Carleto, o cobrador acrescenta que os motores do navio eram todos novos e alemães.
Dona Marialva, que é assistente social e utiliza o transporte sem muita regularidade disse que a troca dos propulsores não foi uma idéia muito boa e que o acerto dos motores – que são verdadeiros canhões – naquele casco velho e desajeitado teria de ser melhor trabalhado o que atrasaria o lançamento da embarcação ao mar novamente.
Pedro Paulo acha – não tem certeza portanto – que a culpa é da nova gerência da empresa que é toda ela inglesa.
Eu, claro, disse que o comandante do "Costa Romântica" devia ser um argentino e se chamar Ruben.
Mas todos foram unânimes em dizer que com esta configuração de maquinas e comando o mais certo é que esta viagem fizesse água mesmo.
Ah sim... Um jornal diário de São Paulo trouxe uma declaração exclusiva do pai de um dos funcionários do navio, que ao ver a casa das maquinas em chamas disse ao filho: "-Deixa esta porcaria queimar..."

26 de fev de 2009

Tinha começado tão bem...




E na sede do Speed Channel , os proprietários da mais nova equipe de F1 – a USF1 – Ken Anderson e Peter Windsor falam aos jornalistas e fãs de automobilismo do mundo todo sobre os planos para seu time.
PW: - Well, nos queremos trazer definitivamente o gosto pela F1 ao povo norteamericano...
KA: - Yes... And pensamos que a melhor forma seria promovendo uma nova visão e fazendo assim a ligação mais intima de um homem com o esporte: A ligação pela pátria.
Repórter: - Mas para isto já não existe a A1GP?
PW: - E o senhor assiste A1GP?
Repórter: - Não...
PW: - Nem os americanos.
KA: - Ninguém assiste, como levar à sério uma categoria onde Portugal tem uma equipe de ponta...
PW: - Tem é?
KA: - Tem!
PW: - E os búlgaros? Tem uma equipe forte?
KA: - Quem? Búlgaros?
Repórter: - Ao que parece não... Não tem equipe forte, não.
KA: - E a Bulgária realmente existe?
Repórter: - Nem sei... Nunca conheci ninguém que tivesse ido nem vindo de lá.
Outro repórter: - Mas como os senhores pensam em estreitar os laços do povo dos Estados Unidos com a F1.
KA: - Além de estar lançando uma equipe com know-how totalmente americano?
Outro repórter: - É!
KA: - Criando ídolos locais. Trazendo pilotos americanos para conduzir nossos carros.
Mais um repórter: - Mas isto não criaria uma antipatia nos torcedores de outros países e equipes?
PW: - Não, de forma alguma,. Veja bem... Nós somos a resposta para aqueles que diziam que era preciso trazer de volta os "garagistas". E agora quando as montadoras estão debandando ou ameaçando sair, aparecemos.
KA: - Serviremos de exemplo, depois de nós outros "garagistas" podem também tomar coragem e se aventurar.
Repórter: - E quanto a Bernie e Max?
PW: - Eles devem saber que não podem ser reféns das montadoras.
KA: - Eles sabem que a continuar do jeito que está indo, seremos nós, os idealistas "garageiros" o futuro da categoria. Assim como fomos o passado dela.
Outro repórter: - Mas com quais pilotos norte-americanos?
PW: - Pensamos em alguns nomes: Danica Patrick, Marco Andretti, Kyle Busch...
Repórter: - Mas destes nenhum tem experiência em F1, não seria temerário?
KA: - É... Seria, por isto pensamos em ter um segundo piloto não americano e mais experiente.
Outro repórter: - (Ahahahah) Boa piada, segundo piloto e experiente só se fosse o Barrichello! (Hahahaha)
KA: - Mas foi nele mesmo que pensamos...
No mesmo momento todos os repórteres, cinegrafistas, fotógrafos e até faxineiros presentes se levantam e saem da sala rindo e falando alto. A frase que mais se escutava era: "-E nós achando que eles falavam sério..."

25 de fev de 2009

E voltando a trabalhar...

“-Acabou... Acabou...” – Diria o Galvão Bueno.
Finalmente acabou, ainda que enquanto alguém ai estiver lendo este texto é bem possível que haja um bloco, uma agremiação, um afoxé ou alguns desocupados pulando em algum canto do país.
Pessoalmente não gosto. Não vejo graça.
Gente que afeta um sorriso de felicidade quando se acendem as câmeras de TV, gente que faz do carnaval desculpa para agir como idiota e encher a paciência dos outros.
Os entendidos em samba que insistem em falar das nuances e diferenças entre as batidas das baterias das escolas de samba... Para cima de mim não cola, é o mesmo baticum o tempo todo e com um pouquinho de esforço é capaz de colar nela a métrica de todas as letras dos sambas enredo.
Letras aliás que contém em sua grande maioria palavras pomposas que os compositores nem imaginam o que querem realmente dizer.
Sem contar o maçante papo de “comunidade” que todos os carnavalescos entrevistados insistem em mandar. Quando na verdade, se pudessem, encheriam as alas e carros alegóricos apenas com modelos e atrizes famosas que usam o carnaval para se promover.

Acabou também, ao que parece, as esperanças de termos vinte carros na largada da prova de abertura do mundial de F1.
O grid não contará mesmo com a Honda e pelo andar da carruagem nem com uma equipe que pudesse surgir de seus escombros.
Seu presidente, que também é demissionário disse em entrevista coletiva no ultimo dia 23 que não houve nenhuma proposta que eles considerassem séria.
Não aprovaram o dono da gravadora Virgin e nem a proposta de Bernie Ecclestone.
Ao que consta os japoneses tem medo de que por um passe de mágica o carro apareça competitivo e isto mostre que o problema eram eles mesmos e não qualquer outro fator.
Vale lembrar que em todos os boatos até agora era dado como certo de que os motores seriam Mercedes,
Ah! Claro... Também teve uma proposta do português – Tony Teixeira - que administra uma equipe da A1GP, mas como disse num post dias atrás estou à procura de piadas de búlgaros, de portugueses eu não conto mais...

E para terminar um pouco do que me ajudou a manter a sanidade durante os festejos de Momo:
Esperem que gostem do estilo cinematográfico desta canção.
Eu gostei.


19 de fev de 2009

Re post - A cidade depois do viaduto - Capitulo XII

Esta história - que dá título a este post - vem sendo escrita já há algum tempo, e nunca estou completamente contente com os restultados.Porém, este é um dos capitulos que mais gosto e já havia publicado ainda no outro blog.
Espero que gostem.


Uns dias.
O expresso do oriente/rasga a noite passa rente.
Paralamas do Sucesso in Bora Bora


Sandro sempre foi um sujeito surpreendente. Suas atitudes eram tão imprevisíveis quanto suas letras. Tinha rompantes geniais, e momentos de pasmaceira completa.
Podia tanto ser uma besta como ser bestial. Tudo dependia do estimulo. Estivesse sua platéia a fim de por fogo e ele se incendiava.
Mas se a recepção fosse morna, não precisava nem ser frívola, ele ia esfriando até se tornar um bloco de gelo.
Geralmente queimava. Os pais de seus amigos, não todos, mas uns e outros tinham o habito de assistir no domingo pela manhã o programa ‘Som Brasil’ do compositor e contador de causos Rolando Boldrin, o Sr. Brasil, e justamente neste dia um destes amigos estava na sala e viu de relance, enquanto Sr. Boldrin anunciava as atrações do dia, a figura do Sandro em cima do palco.
Enquanto o apresentador chamava o intervalo comercial, este amigo ligou pra um que ligou pra outro. Que ligou pra mais um e foi-se formando uma cadeia.
Logo quase todos na Vila Bela e em parte de Franco da Rocha estavam sintonizados no ‘Som Brasil’.
Na volta dos comerciais aparece em cena o apresentador.
Plano fechado da cintura pra cima e Sr. Boldrin conta um causo:
-Então o homem manda chamar o fiscal de bilhetes do trem e lhe diz: ”-O Senhor me acorde na estação de Limeira, que lá vou fechar negocio numa partida de laranja pra suco. Lhe dou $500, adiantado, mas não deixe de me acordar em Limeira...”
O fiscal aceita o encargo, embolsa o dinheiro e volta a sua ronda.
O homem põe-se a dormir e ronca sono alto, dos justos.
Passado os quilômetros o homem acorda com o fiscal gritando a plenos pulmões: “-São Carlos, São Carlos”.
O Comerciante de laranjas, sobressaltado e com os olhos embaçados de sono, vê que sua estação passou e que seu negocio tinha sido arruinado.
Levantou-se e pegou o fiscal pelo colarinho enquanto gritava:
“- Vosmece arruinou meu negocio, eu lhe pedi. Eu lhe paguei! Tinha que descer em Limeira e nós já estamos à altura de São Carlos! Estas horas já não chego a tempo na fazenda, não compro mais a partida de laranja pra suco, estou arruinado comercialmente... O que foi que o senhor me fez? Hã?”
Nisto duas velhinhas que estavam sentadas umas poltronas atrás do comerciante de laranjas comentam entre si: “-Como ficou bravo este senhor...” - No que a outra responde - “É porque você não viu como xingava o homem que ele jogou pra fora do trem em Limeira...”
Os aplausos romperam o silencio e a admiração com que a platéia ouvia o apresentador e logo na seqüência um conjunto regional ataca tocando ‘O trem das Onze’do compositor paulista Adoniran Barbosa: “-Não posso ficar mais nem um minuto com você/sinto muito amor, mas, não pode ser/moro em Jaçanã, se eu perder este trem que parte agora às onze horas/só amanhã de manhã...”.
Enquanto a musica ia sendo tocada, as câmeras davam close nos cantores; nos instrumentistas. Passeavam pelo palco, mostrando ora um, ora outro violeiro; percussionista; os cantores.
Os amigos que assistiam ao programa perceberam que Sandro estava sentado entre os violeiros, com a viola no colo, fazendo os movimentos com a mão direita, mas sem mover um dedo da mão esquerda. Ou seja, não estava tocando absolutamente nada!
O Sr. Brasil também percebeu e ao fim da apresentação - como sempre fazia - foi trocar um dedo de prosa com os convidados:
“... Tenho minha casa pra cuidar, eu não posso ficar”. – Aplausos.
-Parabéns ocês são muito bão! Parabéns... – Disse o Sr. Brasil.
-Obrigado Sr. Boldrin, pra nós é muito gratificante estar aqui! – Disse um dos cantores.
Nisto Rolando Boldrin, se vira para Sandro e emenda um dialogo rápido:
-Ocê deve de ser de uma família tradicionar de violeros, num é?
-Sou sim! – Mentiu Sandro. E continuou: - Meu pai tinha uma dupla com um amigo...
-E quem eram eles? – Quis saber Boldrin.
-Laurito e Loreto. – Continuou mentindo.
-E qual deles era o senhor seu pai?
-Até hoje eu não sei... – E a platéia explodiu em risos enquanto o apresentador olhava para a câmera com cara de espanto.
-Não, não... Não é que eu não saiba quem é meu pai, eu sei sim. Só não sei quem era quem na dupla...
- Ah bão! Assim, sim! – Aliviado o Sr. Brasil continuou. – Eu me lembro apenas de um, do Loreto...
- Pois é, esse ai era meu pai... – Continuou a mentira na maior cara de pau.
-Mas este cantava suzinho...
- Pois é... Meu pai foi um dos pioneiros. Foi cantar solo.
- Desmontou a dupra?
-É ele que começou com isto, de cantar sozinho... Desmontou a dupla e montou uma umpla!

Rolando Boldrin balançou a cabeça negativamente, a platéia riu e entraram comerciais. Num movimento como o da queda de dominós quase todos os televisores da Vila Bela e parte dos de Franco da Rocha foram sendo desligados ou mudados de sintonia. Exalando um aroma de decepção profunda no ar.

18 de fev de 2009

Mundo afora...

O ministro das finanças japonês Shoichi Nakagawa, pediu demissão do cargo após ter sido acusado de comparecer bêbado a uma reunião do G7 – grupo dos sete países mais ricos – em Roma no dia 14 de Fevereiro ultimo.
Ele negou, disse que não estava bêbado e sim sob o efeito de remédios contra uma gripe.
-Era shó uma gripezinha... E tem maish... Che o Kimi pode pilotar, por quê eu não pocho fazer um discurso?
Particularmente acreditamos em Soichi, o remédio para gripe que ele tomou é muito usado aqui no Brasil: Conhaque com limão.



Não nego que a xenofobia exista por lá, mas acompanhando o caso da brasileira que diz ter sido atacada por extremistas de direita na Suíça sinto um forte cheiro de fraude no ar.
A imprensa fala em skinheads. Se fosse mesmo um ato dos ‘carecas’ – como são conhecidos aqui - ela não contaria a história.
Quem conhece esta ‘tribo’ sabe dos métodos empregados quando o assunto é xenofobia ou homofobia. Nada tem haver com riscos nas pernas ou tortura psicológica. E não acredito que o governo ou a policia suíça fosse capaz de forjar laudos médicos num caso destes. Isto criaria um mal estar diplomático muito maior do que admitir que não seriam capazes de punir possíveis culpados.
É bom lembrar do histórico de neutralidade e honestidade deste país ao longo dos tempos.
O ruim é que o brasileiro de uma forma geral se acostumou tanto a ter – por negligência própria, diga-se – políticos e policiais corruptos e usurários, gente de pouco ou nenhum escrúpulo dirigindo suas instituições que tende a pensar que no mundo inteiro é igual.
Suíça não é Brasil, e se ela – a menina - realmente estiver mentindo, seja lá qual for o motivo, então que pague as custas do processo; uma indenização e até as despesas hospitalares, como quer o tal partido extremista acusado de ser responsável pelo fato, que o contribuinte suíço não tem nada a ver com isto.

E se Suíça não é Brasil, infelizmente o contrário também é dolorosamente verdade.
Fosse no país europeu as declarações do senador Jarbas Vasconcelos sobre seu próprio partido – PMDB – teriam efeito devastador gerando CPI´s sérias, ondas de protesto, demissões e afastamento, processos etc.
Partidos políticos, tanto aqui quanto lá, porém, mais notoriamente aqui são latas de vermes e só podem ser abertas por dentro. Fica aqui a sugestão aos senhores senadores de outros partidos: Façam a mesma declaração! Abram também as latas do PSDB; DEM; PT; PSOL; PQP, enfim. E que se passe do espanto a ação, investigando com seriedade e punindo rigorosamente.
Duvido...


Hugo Chávez conseguiu nas urnas o direito de candidatar-se ad infinitun...
Tudo democráticamente, sem coação, sem intimidação de adversários e sem uso da maquina pública. Sei, sim... Claro! Acredito.
O próximo passo dele será garantir que além de se candidatar também ganhe as eleições ad infitamente.
Mas tudo democraticamente ele diz!
As oposições sumirão democraticamente.
A imprensa contrária ao Chavismo será fechada, democraticamente.
Os inimigos serão calados. Democraticamente...
O povo venezuelano vai continuar passando fome democraticamente...
Ele terá o controle total sobre as riquezas do país para usar como bem entender, democratiamente...
E no fim, todos estarão usando aquelas ridiculas camisas e boinas vermelhas que o "Guerrilheiro do Século 21" tanto adora.
Mas democraticamente, claro!

17 de fev de 2009

Inventário de boatos - Faça o seu!

Se for para especular...
Muito tem se escrito sobre o futuro do espólio da equipe Honda de formula um.
Já foi dito que um milionário mexicano, magnata das telecomunicações teria comprado o time.
Que um pool de empresas inglesas iria encampar a fabrica de Brackley.
Também foi ventilado que a própria Honda voltaria à categoria por que seria mais barato manter o time na ativa do que indenizar os quatrocentos funcionários que perderam seus empregos com a extinção do time japonês.
E mais recentemente uma história amalucada em que Bernie Ecclestone iria financiar - dos cofres da entidade que preside - o inicio da temporada e então os patrocinadores para o restante. Nick Fry e Ross Brown assumiriam a equipe e seriam responsáveis por manter toda a parte esportiva estável e funcionando. Sem contar claro, a captação de mais patrocinadores.
Até agora todas estas histórias não passaram de boatos que, mal eram lançados e já tinham o desmentido oficial para jogar água na fervura de parte da imprensa que veiculava tudo como sendo verdade.

Só que total inverdade também não era, já que todas, absolutamente todas tinham ao menos um de seus pontos em comum.
Sejam os pilotos, sempre Bruno Senna e Jenson Button (who?).
Button por ser inglês e experiente e Bruno por ostentar um dos sobrenomes mais forte da F1, capaz de atrair tanto as atenções da mídia, bem como também patrocinadores interessados em ligar suas marcas ao nome do legendário tri campeão.
Ou fosse o fornecedor de motores que dizem ser a Mercedes - parceira da McLaren – e fazendo assim a vontade de Ron Dennis que há tempos sonha em ter um time B da McLaren que com a frustrada tentativa com a Prodrive. A Force Índia não conta já que tem um dono e chefe quase tão durão e mandão quanto o próprio Dennis. Outro boato dava conta de que a Petrobras seria a fornecedora oficial de combustíveis da nova equipe, mas parece que este naufragou antes mesmo de ganhar força.
A Honda havia assinado um contrato de exclusividade com a petrolífera brasileira - também patrocinadora pessoal do Senna sobrinho - que fornecia a gasolina para a Williams F1, mas com a retirada da montadora japonesa a situação ficou indefinida. Aliás, até veicularam também que só os patrocinadores de Bruno- Petrobrás incluída - trariam trinta milhões de dólares ao time, quando sabemos com certeza que os esforços conjuntos de todos eles não dariam para acumular nem um terço deste montante.
Mas deve haver mesmo alguma brasa queimando por trás desta fumaça toda.
Fica aqui a torcida para que alguém sopre, abane ou o que tiver de fazer com esta brasa para que realmente pegue fogo e queime durante o campeonato inteiro.
Nem que seja para a gente fazer piada com a ruindade dos carros...
Aproveite a deixa e faça você mesmo seu boato sobre a salvação da ex Honda.
Vai que um deles cola...

16 de fev de 2009

O nome da coisa

E se conseguir a salvação?
Como vai se chamar o time que emergirá das cinzas da ex Honda?
Também não tenho idéia, o que não me impede de especular, certo?
Pois bem...
Se o grupo que ficar com os restos da equipe for:

Mexicano – A equipe se chamará Flying Burrito Brothers, e terá os mariachis Bruno Senna no violão e Jenson Button na guacamole, que usarão sombreiros em vez de capacetes.

Francês – Ai vai se chamar Les enfants du Honoré de Balzac – LEHB diria o Galvão – e terá como pilotos Senna de Beauvoir e Jenson Paul Sartre. O carro será um Citroen 2CV.


ItalianoScuderia Coliseum. O mecânico que errasse seria atirado ao Webber (leão de treino) e os pilotos seriam: Brutus Senna e Jenson Cezar, o imperador que ninguém liga.
Se a equipe for muito mal o chefe de equipe Nero Fry atearia fogo nela. Burn Honda, burn!




BelgaArtois Racing Team – teria carros verdes e todos correriam atrás deles, só para apreciar o conteúdo. Pilotos: Para que pilotos? Com este combústivel quanquer um vira Xumaquer!



Búlgaros – Putz... Ai ferrou! Não tem nada na Bulgária... Como vou fazer piada com búlgaros se não sei nada sobre eles? Alguém ai sabe alguma piada de búlgaro? A Bulgária realmente existe ou é uma lenda do leste europeu? Ou a Bulgária é igual Niterói: Existe, mas ninguém vai lá.



Argentinos – Não... Não tem chance alguma. Depois de Fangio eles não conseguiram sequer ter um piloto campeão do mundo, que dirá uma equipe... Mas no campo da suposição o time se chamaria: Boca River Racers e teria Jenson Button num carro e Gaston Mazzacane no outro. Bruno Senna? Nem pensar... Mazzacane é melhor que ele de longe, assim como Maradona é melhor que Pelé! Pelo menos é o que eles pensam.



Ingleses – O time seria prateado se chamaria Laurel and Hardy Racing Team e teria clones de Lewis Hamilton nos dois carros, já que depois de Mansell ele é o único piloto inglês de F1 que vale a pena ser citado.
Button? What a fuck is Button?


Stanley Laurel: - E este, Oliver quem é?
Oliver Hardy: -Um desempregado, Stan...



Francorrochenses – Depois das experiências mal sucedidas da Copersucar e Forti Corse, o Brasil nunca mais cogitou ter uma equipe de F1. Mas desta vez a coisa tem tudo para dar certo.
O time teria um nome impronunciável em tupi. Um dos pilotos seria Barrichello porque aqui ainda se acha que devagar se vai ao longe e o outro seria um parente qualquer de um dos acionistas. Parte do dinheiro viria do prefeito (extra oficialmente) e o resto seria dividido em partes iguais entre empresas que pleiteariam deduzir o patrocínio do importo de renda.
Ah sim... O governo criaria uma loteria que cederia parte de suas arrecadações para a equipe. Mais ou menos nos mesmos moldes da timemania.
Os pilotos seriam Zé Pequeno e Rubens, não o Barrichello, que o nosso é muito melhor.

Se alguém tiver outra idéia qualquer ai que mande ver nos coments...

14 de fev de 2009

Re post - Que disco te marcou um periodo?

Discos não têm o poder de mudar vidas, mas em certos aspectos muda então...
O ano é 1986, e eu então moleque de treze anos só queria saber de musica se fosse cantada em inglês, mesmo que à época não entendesse nada.
Português nem pensar.
Ficava fulo da vida quando ouvia as músicas metidas a engraçadinhas da Blitz e a ingenuidade das letras de Paulo Ricardo e seu RPM não me atraíam: “Loiras geladas” nunca foram meu forte, tanto que até hoje não as tomo.
“Chope com batatas frita” eu até gosto, mais da segunda que do primeiro, só que musicalmente esta mistura me era simplesmente intragável.
Meu negócio era outro: Queen; Beatles; ACDC; Scorpions; Iron Maiden... Estas coisas de heavy metal e algum punk-rock. Ramones para dizer a verdade.
Mais adolescente impossível.
Vestia as camisetas, que por conta do Rock’n’Rio – o original - viraram ‘carne-de-vaca’.
Quando chegava da escola, ligava meu radio gravador Sanyo (será que existe isto ainda?) e colocava minha fita cassete virgem (e isto? Será que existe?) e ficava esperando que tocasse um som de uma destas bandas para capturá-la.

Tarefa ingrata, raro passar uma.
Comprar discos não dava, só fui começar a comprá-los em 1989 quando comecei a trabalhar. Minha mãe é que vez em quando me dava umas fitas gravadas de alguns discos do Queen - hoje nem se fabrica mais, como os vinis.
De resto eu gravava minhas “Basf’ em casa de amigos, que tinham os discos e principalmente... As vitrolas 3 em 1, máximo dos máximos.
Certa noite eu estava lá, firme e forte aguardando um especial de rádio que prometia: Kiss ao vivo!
Meses depois vim saber que o especial nada mais era que a execução na integra de um disco de 1979! Só que naquela noite não foi o Kiss que me chamou atenção e sim uma canção vejam só, cantada em português!
A letra era longa, complicada e não tinha refrão.
A voz era por vezes poderosa; noutras sussurrava.
Confesso que demorei muito a compreender a letra. Culpa minha por não ler os livros certos à época. Teimava em querer ler Kafka e Humberto Eco...
Frases como: “Tentei chorar e não consegui” retirada de Nietzche, bem como toda a parte sobre “cortar pano de chão de linho nobre, pura seda”, tiradas de Bertrand Rusell, me encantaram. Chaparam mesmo. E o arremate então? “Eu quis o perigo e até sangrei sozinho, entenda...”.
Logo, as citações da canção não eram coisas para adolescentes, mas a banda caiu no gosto deles de qualquer forma.
Era eu! Renato Russo cantava sobre mim e meus “problemas” de adolescente. Se é que adolescente tem problema! Aliás, pra adolescente tudo é problema.
Naquela noite, nem curti o Kiss direito. Fiquei com os tecladinhos de “Índios”- a tal canção - assim mesmo, com aspas, na cabeça.
A letra, ou fragmentos dela rodando na mente.
E a radio que não tocava mais a música? E eu que não tinha grana pra comprar o disco? E meus amigos que nem sabiam do que se tratava?
Era sacaneado... Diziam que eu tava inventando.
Depois de uma semana já estava insuportável. Não queria ouvir outra coisa, minhas fitas cassete estavam até empoeiradas. Decidi fazer algo.
Entrei em casa decidido.
Peguei uns cartuchos de vídeo-game Atari e corri pra vender... Mesmo assim a grana arrecadada não dava.
Apelei para o banco-mãe e com muito custo ela me deu o que faltava: o dinheiro da condução para ir até o Bairro da Luz e uma grana para a coxinha.
Voltei segurando o cassete do álbum ‘Dois’ da Legião Urbana com tanta força que parecia que minha vida dependia daquele gesto. Ouvi o cassete umas tantas vezes quantas foram possíveis, ou até meu pai mandar desligar, pois já não agüentava mais ouvir o “Jerry Adriani” que era quem ele pensava estar cantando.
Ouvi “Índios”; “Fabrica”; “Metrópole”.
Quando ouvi “Acrilic on canvas” decidi que escrever era o que queria fazer.
Renato ia narrando o fim de um relacionamento enquanto fazia metáforas com apetrechos de pintura... “De você fiz o desenho mais perfeito que se fez/A armação fiz com madeira/da janela do teu quarto/do portão da sua casa/fiz palheta e cavalete...”. E terminava: “Às vezes é difícil esquecer”.
Mas o que baqueou mesmo o adolescente Groo foi um verso de “Andrea Doria”: “Nada mais vai me ferir/é que já me acostumei/com estrada errada que segui com minha própria lei...”.
Era juvenil, era rebelde, era rock’n’roll e era em português!
Os rocks em inglês foram perdendo espaço, eu fui conhecendo outras bandas e logo outros estilos musicais como a MPB de Caetano, Gil e Chico entre outros, com textos melhores até.
Hoje já nem escuto mais Legião Urbana como ouvia na adolescência, cresci e mudei muito minhas prioridades musicais, só que o estrago já estava feito.
A porta de entrada da língua portuguesa em meus aparelhos de som (que viriam futuramente) foi este disco....



Legião Urbana - Andrea Doria

E o de vocês? Teve um? Mais? Qual foi?

13 de fev de 2009

Sóbrio?

Vi no ótimo blog F1-V8 das irmãs Fernanda e Giselle que o ‘manguaceiro-mor’ da F1 moderna deu um basta no vício.
É isto mesmo: Kimi Raikkonen disse que parou de beber. Pelo menos na escala industrial em que entornava.
Segundo o campeão ‘soft ass’, os efeitos de tanta cangibrina estavam influindo diretamente no resultado de seu trabalho e que a temporada extremamente apagada de 2008 é a mais visível consequência.
Disse também que tomou esta decisão sozinho. Para assim brigar pelo seu segundo título mundial.
Mas como não sou de deixar bola levantada na área sem um chute, eis aqui o momento de redenção do ‘ice vodca’:

Na placa presa à porta lia-se: Alcoólatras Anônimos da Finlândia.
Varias cadeiras dispostas em circulo no centro da sala estavam todas ocupadas por usuários do programa.
Um homem, alto e magro levanta-se e vai o centro da roda:
-Meu nome é Aarii, sou o membro mais velho desta entidade, estou a seis anos sem beber.
E todos o cumprimentam: - Olá Aarii!
-Eu gostaria de apresentar o mais novo colega. – Continua ele. – Nosso amigo e irmão: Kimi Raikkonen.
-Olá Kimi Raikkonen! – Dizem todos ao mesmo tempo.
-Olá pessoas! Como vocês sabem, sou campeão mundial e F1 e resolvi ingressar neste programa para ganhar o segundo título, já que a bebida atrapalhou muito ano passado. E tem mais... Acho que se eu parar de beber vou dar uma desinchada, perco um pouquinho do peso e não vou ter problemas para me adaptar ao kers...
-Mas você acha que foi mesmo a bebida que te atrapalhou ano passado, Kimi? – Perguntou um dos membros do AAF.
-Foi sim, tenho certeza... Por quê? – Quis saber o campeão.
-É que veja o caso do Rubinho, por exemplo, nunca bebeu e suas temporadas sempre foram iguais a sua ultima... – Explicou com certa razão.
Mas Aarii corta a conversa ao se lembrar de que Kimi não disse ao se apresentar a quanto tempo estava sem beber.
-E quanto tempo faz que você não ingere álcool, Kimi?
E Raikkonen, meio sem jeito olha todos que estavam a sua volta e devolve:
- Que horas entrei aqui mesmo?

12 de fev de 2009

New kids on the grid

Alguns de meus amigos vêem com certa desconfiança a chegada de mais uma equipe “made in USA” à F1.
Foram várias e nenhuma foi muito longe.
À saber: América Anglo Racers (Eagle); Hass; Kurts Kraft; Parnelli; Penske; Scarab, Snowberger e Veritas. (A lista é cortesia da Wikipédia, se houver alguma incorreção ou absurdo me perdoem, mas foi o único lugar onde achei as informações).
Nenhuma conseguiu ganhar o campeonato, aliás, nenhuma não européia conseguiu.
Já pelo lado dos pilotos a coisa nem é tão ruim assim.
Phil Hill foi campeão e também Mario Andretti, ainda que sobre este último seja bom dizer que era naturalizado.
Eu vou remar na contramão, mas não sem dar certa razão a quem desconfia.
Também penso que o enorme orgulho ufanista do povo estadunidense não suportaria por muito tempo uma equipe que andasse no fim do grid, tomando tempo de um carro da Force Índia, por exemplo.
Porém, contudo, entretanto, quem disse que eles virão apenas para andar no fim da fila?
Se a formula um é uma categoria em essência européia, não podemos esquecer também que o automobilismo é muito forte nos Estados Unidos mesmo não sendo levados tão a serio pelo resto do mundo.
Seus campeonatos têm sempre um bom público e é voltado para o espetáculo, coisa que a F1 deixou de proporcionar faz algum tempo.
E, quando decidem fazer algo bem feito...
Mas o que faz a diferença no caso da USF1, nome que a provável equipe vá utilizar, é que será uma equipe totalmente americana.
Com sede – óbvio – na terra do hambúrguer e mais mecânicos, chefes de equipe, engenheiros e claro, pilotos americanos.
Ai reside o grande golpe de marketing que tanto vai agradar Bernie e Max, que assim matariam dois coelhos com uma caixa d´agua só:
Uma equipe para tentar popularizar a F1 na terra do Tio Sam definitivamente, e que ainda por cima traria uma mulher para a F1, já que rumores dão conta de que Marco Andretti, neto do campeão Mario e ao contrário do avô, um legitimo estadunidense poderia pilotar um dos carros; e mais: Danica Patrick, a queridinha da mídia americana e do senhor Luciano do Valle - que mesmo vendo a mulher perder cinco posições em meia volta é capaz de dizer que ela esta fazendo uma corrida excepcional - estaria no outro. Claro que para que a estratégia funcione a contento seria necessário que o time fosse ao menos competitivo, com alguma chance de chegar a ser de ponta. O que pode até ser difícil, mas não é impossível, já que teremos muito mais mudanças no regulamento para o próximo ano, podendo até ser que se institua um teto máximo para os gastos das equipes em cinquenta milhões de euros, ou dólares - vai saber - o que provavelmente nivelaria a categoria por baixo e igualaria um pouco as coisas.
O único problema nisto tudo seria a hora em que os dois, a anã e o neto do Mario tiverem que fazer curvas também para a direita...

11 de fev de 2009

A quarta

As crônicas do Nardo


Se os olhos não podem ver...

Tinha alguma coisa errada demais no ar.
Faltavam apenas quinze minutos para o fim do expediente e ainda nada tinha dado errado.
Dias assim são raríssimos e costumam preceder verdadeiras tragédias profissionais.
Este era o medo.
A vontade de que algo desse errado naquele dia era tanta que chegávamos a fazer pequenas sabotagens, mas mesmo assim tudo corria bem. Demais até.
Ficávamos imaginando, cada qual em seu canto e sem contar ao outro o que poderia dar errado nos dias seguintes se aquela segunda feira terminasse sem que algo de estranho acontecesse.
Para ter-se uma idéia do grau de estranheza que nos rodeava basta dizer que de um momento para o outro até o drive de cd´s do computador voltara a funcionar. Ele que nem sequer abria a gaveta para que pudesse recuperar o disquinho do Eric Clapton que estava lá dentro havia pelo menos seis meses.
Do nada, como que por encanto a gaveta abriu, entregando de bandeja o objeto prateado.
Aproveitando o ensejo, recolocaram o mesmo na gavetinha e pressionaram o botão para fechar. Em ato continuo a musica encheu o ambiente, alegrando-o.
Pensamos que aquilo talvez pudesse ser bom sinal, e não mau agouro como imaginávamos.
De repente poderia representar o inicio de um novo tempo, sem as zic ziras tão comuns dentro do escritório.
Sorrimos. É... Porque não?
Eis que antes que a terceira musica começasse a tocar, um vulto surge no balcão, deformado pelo vidro canelado do aquário. Bate no balcão com certa impaciência.
Quem estava agora sentado em um dos banquinhos e com os braços apoiados no balcão era um senhor de nome Pedro Luiz Barboza, mas que atendia a todos apenas por ‘seu’ Barboza.
Homem alto e forte. Aparentava ter menos idade do que tinha.
Estabilizado na vida, era dono de varias casas em diversos bairros da cidade, todas ocupadas e com os aluguéis rigorosamente em dia. Era também dono de uma pequena frota –cinco- de carros da marca Gurgel, com uma curiosidade à parte. Todos cinco eram veículos modelo X12.
Uns com capota rígida e outros de lona, mas todos em perfeito estado de conservação.

Outra curiosidade?
‘Seu’ Barboza era cego. Não era cego de nascimento, havia ficado cego aos vinte e poucos anos por conta de uma infecção adquirida no trabalho. Tudo que tinha agora, inclusive os carros, eram frutos da vultosa indenização a que tivera direito.
Mas... Para que serve uma frota de carros a um sujeito que não pode dirigi-los?
Oras! E para que dirigir se ele podia pagar para que fizessem isto por ele?
Sim, ‘seu’ Barbosa tinha um motorista particular.
Na verdade era o marido de sua irmã, burro como uma porta e que ao que diziam só tinha CNH porque o cunhado havia comprado para ele. Especulava-se até que fosse analfabeto.
O fato era que o homem estava agora no balcão e só agora, faltando menos de dez minutos para irmos embora encerrando assim a segunda feira é que nos dávamos conta de que não havia nem sido dada à entrada nos documentos junto ao órgão de transito da cidade.
Uma ‘comida de bola’ gigantesca já que os documentos em questão estavam em poder do escritório a pelo menos cinco dias. E ninguém sabia dizer por que carga d´água não tinha sido tocado em frente. Ou seja, não havia uma explicação convincente para ser dada à ‘seu’ Barboza.
E pior... Toda vez que ele telefonava perguntando sobre a documentação, quem atendia lhe dizia que já estava para ficar pronta. Sem ao menos procurar o processo.
Agora o homem estava pessoalmente ao balcão para pegar o documento que, calculava ele, já estava pronto.
Diante da duvida se estava pronto ou não, ele se enfureceu. Óbvio... Reclamou muito e soltou a perola:
-Só saio daqui depois de ver o documento.
-Então ferrou! – disse alguém.
-Por quê? O documento não tá pronto?
-Também, pode ser...
-E o que mais?
-Bem... É que mesmo que estivesse pronto...
-Nem continua! Nem continua...
Um grande impasse estava criado. O que fazer? Já estávamos fechando as portas de vidro e ele sentiu os movimentos neste sentido e se agarrou na ponta do balcão e reiterou:
-Não saio daqui sem o documento.
Então alguns dos cinco espíritos de porco que lá trabalham teve a genial idéia de dar ao homem qualquer documento que estivesse à mão. Ele não poderia ver mesmo para conferir e assim, ainda por cima, descobririam se o cunhado/motorista era mesmo analfabeto.
-É arriscado, mas é melhor que um bate boca no balcão.
E assim foi feito.
‘Seu’ Barbosa, convencido de que o documento estava sendo entregue era mesmo o seu agradeceu e foi embora.
O cunhado/motorista olhou o documento e também agradeceu.
Detalhe: Leu o documento segurando-o de cabeça para baixo.
Acharam maldade? Deveriam ver o que foi feito e dito quando, uma semana depois o homem voltou ao balcão reclamando que seu carro havia sido preso por conta de não estarem eles portando o documento do carro e sim, segundo a autoridade de trânsito os documentos de um caminhão.
Mas isto é história para outra crônica...

10 de fev de 2009

Notinha do busão - Segunda feira alagada.

O dia nem bem começara e já estava estragado.
A lama, a água suja enfim, o caos.
A chuva que caiu durante toda a noite sem violência, diga-se, inundou tudo.
Arrastou alguns carros, tombou uma carreta no Paço Municipal, melecou todo o centro novo e de quebra ainda mostrou que o centro velho não mudou nadinha. Inundou também.
Para chegar ao ponto de ônibus costumeiro teria de atravessar um mar de lama. Sem contar que talvez o coletivo nem passasse naquela rua. Como realmente não passou.
Melhor ir até outro ponto que talvez estivesse melhor. Talvez...
Mas não estava, aliás, parecia uma cena de “Guerra dos mundos”.
Era lá que estava a tal carreta tombada com todas as dezesseis rodas para cima.
Ao menos o local que serve de ponto de ônibus lá estava assim por dizer “utilizável”.
Um trânsito medonho. Uma fila quase infinita de carros em velocidade reduzidíssima para poder passar pela enorme poça de água.
Passaram uns três ônibus que serviam. Não pararam.
A irritação ganhava força quando quarenta minutos depois o mesmo ônibus que primeiro passara quando cheguei ao ponto para que eu embarque.
-Quanto tempo faz que você tá ai?
-Só uns cinquenta minutos...
-Mas eu passei aqui há quarenta minutos, e você não tava ai...
-Tava sim... Você não me viu ou não quis ver.
-Que isto... Se tivesse visto eu parava.
-Olha a velha...
-Que velha? Aquela?
-Era... Você não viu?
-Vi!
-E por que não parou?
-Era pra parar?
-Ela deu sinal...
-Já foi...
A viagem foi até emocionante. O ônibus derrapava na lama, “rabeava”.
O motorista se transformou em piloto e foi ultrapassando uma ruma de carros e caminhões até chegar ao destino.
Ao chegarmos lá ele se levanta de sua poltrona e como se desabafasse diz:
-Eu adoro dirigir em pista molhada, não disse pra você que meu nome era Rubens?
Engulo seco e salto.
Ao dobrar a primeira esquina um antigo cliente pergunta, como todos os dias, retoricamente:
-Será que chove?
-E eu lá tenho cara de meteorologista? Sei lá p***a!
Ao chegar ao trabalho, mesmo estando mais de cinquenta minutos atrasado ninguém diz nada. Nem bom dia, vai que eu respondo...

7 de fev de 2009

Quando inventaram as corridas...

“-Quando foi mesmo que inventaram as corridas de carro?”.
“-Ih faz tempo... Foi quando terminaram de construir o segundo carro.”.
Deve ter sido isto mesmo.
Assim que o segundo carro ficou pronto, que foi apertado seu ultimo parafuso alguém deve ter tido a brilhante idéia: “-Vamos ver qual dos dois anda mais rápido?”.
E o cara que estava dando uma limpadela no primeiro carro construído pensou: “-Ora! Porque não?”.
Alinharam as carroças sem cavalo, pediram para que alguém, muito provavelmente um garoto que freqüentava a oficina, dar a largada. Avisar quando eles poderiam começar.
O moleque então pega um pano sujo de graxa, se posta entre os dois bólidos e avisa:
“-Quando o pano aqui cair no chão vocês saem, ok?”.
Os dois concordam. Arrumam-se nos bancos com os motores devidamente ligados. Lembre-se que pra dar a partida nos primeiros carros era preciso girar uma manivela que ficava embaixo do pára-choque.
O menino então solta o pano, que pesado de graxa cai rapidamente.
Dirão os maldosos que o pano caiu muito mais rápido do que os carros conseguiram largar. Maldade sim, mas não exagero. Na verdade o guri ainda teve tempo de abaixar e pegar de volta o paninho antes que os carros se movessem.
Mas se moveram, e ao alcançaram a velocidade máxima de exorbitantes 28 quilômetros por hora.
Então o piloto do primeiro carro chega à frente para contornar a primeira curva, por questão de segurança diminui o ritmo.
Por loucura ou por descuido o piloto do segundo carro não diminui. Faz a curva com o carro de lado, nos mesmo vinte e oito quilômetros por hora. A poeira sobe e encobre os dois. Quando desce a nuvem de pó já estão de novo em linha reta e o segundo carro agora lidera. E vai aumentar a diferença de espaço a cada curva.
Eis o primeiro piloto, em contraste com o primeiro motorista.
Só que aquele garoto que deu a partida para a primeira corrida e assistiu tudo prendendo a respiração a cada curva do primeiro piloto começou a pensar que aquilo sim era diversão. E que ele poderia fazer melhor.
Quando não estava trabalhando na limpeza das ferramentas ou da própria oficina sentava-se no banco de um dos carros e fantasiava estar pilotando, mas não aos prosaicos vinte e oito quilômetros.
Em sua fantasia ele ia a cem, duzentos, quem sabe trezentos quilômetros por hora...
“-Não... Trezentos não...”. - ele pensa. – “-Nunca uma maquina vai se mover a trezentos quilômetros por hora. Mas e se existir uma maquina que chegue a isto? Como doma-la? Até onde pisar no pedal do acelerador? Por quanto tempo segurar o pedal sem aliviar? Quando aliviar? E o quanto aliviar? Pisar no freio?”.
Mas ele tem de esperar por sua vez de comandar uma maquina daquelas.
Alguns anos depois a chance aparece. Ele está mais velho e o carro agora é muito mais veloz. Já alcança os cento e cinqüenta quilômetros por hora em curvas. Na reta com um pouco de coragem chega aos duzentos.
Então ele se senta. Esperou muito por isto, não vai perder a chance.
Liga a maquina e sai. Não são os trezentos quilômetros por hora de seus devaneios, mas que diabos, quem liga?
Ele a doma com a ponta dos dedos. Pisa no acelerador até encostá-lo no assoalho do carro, segura o pé no fundo até se aproximar o máximo e o mais rápido possível da curva e só então alivia. Pouco.
Apenas toca no freio, o suficiente para que o carro contorne a curva no trajeto e com segurança. E pensa nisto tudo enquanto o carro se movimenta. Tudo ao mesmo tempo.
Eis o primeiro fora de série. Logo aparecem mais construtores de carro, mais pilotos. Só alguns são fora de série. Muitos são apenas motoristas. Todos querem correr. Todos querem ser os melhores.
Eis o primeiro campeonato.
E é assim até hoje.
Que venham as emoções desta temporada. Que apareçam mais moleques de oficina.
Estamos prontos.

6 de fev de 2009

3,1416 e Bourdais fica com a vaga

A prova - como não poderia deixar de ser - foi marcada para o autódromo sagrado de Monza.
Dizem que é lá que se separam homens de meninos na formula um.
Os candidatos eram: Takuma Sato; Sebastien Bourdais; Bruno Senna e até Jenson Button.
Todos chegaram cedo aos boxes e foram se ajeitando nos melhores lugares.
Logo em seguida chega o titular já confirmado da Toro Rosso: Sebastien Buemi que se senta em um banquinho ao lado da mesa do examinador.
Então chega Franz Tost com um laptop e alguns livros debaixo do braço.
O nervosismo toma conta dos pilotos, todos transpiravam muito e Buemi percebendo o fato abre uma janela para arejar o ambiente.
Franz então pega um maço de folhas e faz com que sejam distribuídas entre os quatro e pede para que no momento apenas a assinem.
Depois olha no relógio e diz:
-Assim que acabar o minuto de silêncio pela morte do Lux Interior - cantor dos Cramps - começa o exame de avaliação. Vocês terão duas horas para responder todas as questões. Não será permitido cola. Alguma pergunta?
-Senhor Tost, o Lux Interior gostava de automobilismo? De formula um? - Pergunta Buemi.
-Não sei... Mas eu gostava dele e o Ron Groo também. Grande perda para o rock´n´roll, vamos respeitar. Boa sorte a todos e que vença o melhor.

Todos se empenham. Fazem cara de duvida. Pensam muito, apagam varias vezes as respostas.
Sato chega até a furar seu gabarito. Erra varias questões e é reprovado. Não entende nada de física.
Bruno Senna também erra muito inclusive questões simples de aritmética e história geral. Não sabe dizer de que país Napoleão foi imperador.
Janson Button erra menos, até sabe quem foi Napoleão, mas quem liga para o Button?
Ambos são reprovados.
Duas horas depois o grande vencedor é mesmo Sebastien Bourdais, garoto aplicado, bom piloto. Um tanto desconfortável com o carro na temporada de estréia.
Errou tanto quanto os outros, mas levou a vaga por ser o único que sabia corretamente o valor de Pi.
Ao saírem do autódromo cantando "Bikini girls with machine guns" dos Cramps, viram um diretor da Toro Rosso conversando com um outro piloto:
-Desculpe Rubinho, mas você chegou atrasado. Não posso fazer nada...


Discover The Cramps!

5 de fev de 2009

Discutindo a relação e o orçamento

- Amor... Amor! Amor? – Ele a chamou varias vezes sem obter resposta.
- Andei olhando os extratos de nossas contas e os dos seus gastos no cartão de crédito...
Ela continuava sem lhe dar ouvidos. Já estava cansada daquelas conversas sobre gastos.
- Olha... Gastar $400 milhões de dólares é um tanto abusivo, cê não acha?
Ela continua sem responder, cortando as unhas do pé.
- Veja bem... – continua ele – Estamos num período difícil e perigoso. Muita gente boa, e bem mais forte que nós já teve problemas e se não sumiu do mapa financeiro, pelo menos encolheu.
Ela continuava impassível. Agora escolhendo o esmalte.
- De forma que eu pensei então... Que tal se a gente diminuísse os gastos? Fizesse um plano para corte de custos? Seria uma boa, não? Ao menos nos manteria ativos enquanto o momento turbulento não passa...
Ela escolhe um esmalte de cor tradicional: "Vermelho Maranello" e começa o delicado ritual de pintura das unhas...
- Pensei em diminuir nossas viagens ao exterior, limitar o numero de carros em nossa garagem, padronizar as marcas para obter desconto com os fabricantes. O que você me diz?
Ela nem lhe dá ouvidos. Permanece dobrada sobre si própria, espalhando o esmalte com o minúsculo pincel que vem preso à tampa do vidro. Porém sua respiração já mostra que não está contente com o rumo da conversa.
Então ele se enche daquele pouco caso todo e brada aos quatro ventos.
- Se é assim então vou limitar os gastos num corte brusco! Não quer me ouvir e me dar razão então tá! Estou limitando os gastos a meros $50 milhões, e você que se vire!
Então ela se ergue. Tampa o esmalte e o deposita sobre a mesinha, olha bem nos olhos dele e num grito só expressa o que está sentindo:
- Então quero o divórcio!
Provavelmente teremos muita briga ainda...

4 de fev de 2009

Nelson Angelo Piquet, ano II

Seu ano de estréia não foi nada de surpreendente.
Foi muito criticado pela inconstância e por ter feito um inicio de campeonato muito ruim melhorando no decorrer do ano.
Acontece que nem tanto ao céu e nem tanto a terra.
Mesmo argumentando-se que podia ter feito mais, já que pilotava uma Renault e que seu companheiro de equipe até ganhou corridas penso que sua estréia foi razoável.
Seu companheiro de equipe pouco serve como parâmetro para um estreante. Afinal trata-se do bi campeão mundial Fernando "sobrancelha" Alonso. Um sujeito que por mais que não se goste dele – e conheço muita gente que não gosta, nem eu – tem de se admitir que é um piloto excepcional.
Claro que as vitórias vieram em circunstâncias extraordinárias e no fundo o carro da montadora francesa na temporada passada era pouco mais que uma carroça. O que reforça minha tese de que a estréia de Piquet filho não foi tão desapontadora assim.
Nelson marcou bons pontos e conseguiu um pódio, que obviamente pesou a favor da renovação de seu contrato. E se a equipe confiou nele, porque nós iríamos desconfiar?
E agora em seu segundo ano?
Este ano será crucial para sua carreira já que agora ele não é apenas mais um estreante com sobrenome famoso. E o pior é que esta tudo contra ele.
Desde a nova configuração aerodinâmica dos carros; a desconfiança de parte dos torcedores de que ele é do clube dos herdeiros que não deram em nada; o novo regulamento técnico e até o fato de que terá de perder por conta da adição do malfadado kers ao carro.
Sem contar os rumores de que o R29 não passa de mais uma bomba sobre rodas.
Este é o panorama que aguarda o filho do tri campeão.
Saindo-se bem com certeza terá ainda muitos anos na categoria e com um pouco mais de sorte até brigar por títulos no futuro. Mas se fracassar estará enterrando sua carreira de forma irreversível.
Alguém tem outra opinião?

3 de fev de 2009

E na fábrica da Renault...

Ao chegar a Fábrica de carros de corrida da Renault, Fernando Alonso foi logo reclamando de tudo:
- O carro não anda... Não desenvolve, no tem personalidade!
O engenheiro que estava mais livre no momento se interessou pela choradeira e pediu mais detalhes.
- Eu quero um carro que se sobressaia, um bólido que tenha alma.
- Então ce quer uma Ferrari? – Disse o engenheiro, um dos únicos alemães a trabalhar na Renault.
- Não, não... Quero um Renault mesmo! – Disse o Asturiano mesmo sem crer que tinha dito.
- Mas me diga: Como assim alma?
- Me faça um carro veloz, que queira sair do controle como se tivesse vida própria, como se pensasse. Que eu tenha dificuldades em dominar.
- Dificuldades em dominar? E quer competir com ele?
- Oras! Eu sou Fernando Alonso!
- E quer que ele seja bonito ainda por cima?
-Não... Beleza não é fundamental. Mas que pelo menos seja simpático!
O engenheiro alemão bateu nos ombros do piloto e disse:
- Não se preocupe, terei o carro para você antes do GP da Austrália. – E saiu.
Alonso ficou feliz com aquilo. Era bom ter uma equipe boa e com funcionários inteligentes como a Renault. Afinal eles tinham criado o Clio; o Sandero; e o 21 Laguna...
Alguns dias depois Fernando é chamado a sede da empresa.
O engenheiro o leva até uma sala fechada e apresenta o carro dos sonhos de Alonso.
- Me inspirei num velho modelo de minha terra: Eis seu carro com alma!


2 de fev de 2009

Notinha do busão







Dois de Fevereiro é dia de festejar Iemanjá. A senhora das aguas.
Dia de Festa na Bahia e meu amigo motorista de ônibus Amaral, o Zé Pequeno, foi até Salvador para prestar suas homenagens à Rainha do Mar.
Com certeza Zé também participará da lavagem da escadaria na igreja de Nosso Senhor do Bonfim.
Este que é sem duvidas o maior ritual do sincretismo religioso brasileiro.
As mães e filhas de santo, praticantes do candomblé, lavam as escadarias do templo católico com água de cheiro e rendem suas homenagens à Senhora das Marés – Santa Barbara no catolicismo – deixando oferendas a Iansã em barquinhos por toda a orla de Salvador.
Alguns maldosos disseram que Zé vai participar dos festejos vestido de baiana do acarajé. Eu não duvido, mas espero sinceramente que nosso chauffeur não leia esta nota.
Mas os objetos destas pequenas notas do busão são sempre fatos passados nas viagens e acontece que desta vez a coisa foi estranha.
A viagem que era para ser feita entre quinze e vinte minutos, demorou trinta e cinco!
Nosso ônibus ia muito lento nas retas, perdia muito tempo atrás de caminhões e não conseguia ultrapassar um ônibus prateado de outra empresa nem quando este parava nos pontos. Irritando todos os passageiros.
Ao chegar ao ponto final, com um mal humor de fazer inveja a Hunfrey Bogart perguntei ao motorista qual era ser nome.
-Rubens, ao seu dispor.
Desisti de perguntar porque viera tão devagar. Me pareceu sintomático e desnecessário.