28 de fev de 2011

Esta nem espanta... Muito.

A história de que Fernando Alonso, o príncipe das astúcias, pediu a Ron Dennis para que sabotasse a corrida de Lewis Hamilton no GP húngaro de 2007 pode até parecer novidade, mas não é.
O histórico de falcatruas do atual piloto da máfia rossa é antigo, extenso, muito extenso e incluem – entre outras – batidas forjadas, espertezas miúdas e tentativas de intimidação.

Sua história começa antes mesmo de seu nascimento, antes mesmo de sua chegada ao óvulo materno quando impedia os outros espermatozóides de chegarem à sua frente.
Como naquele lugar não há – ao menos não que saibamos – comunicação via rádio, o futuro Alonso conseguia, com pouco esforço, diga-se, causar um desconforto enorme ao seu portador acertando-lhe as paredes do saco escrotal com golpes de cauda, travando assim o coito e dando-lhe a chance de ultrapassar e vencer. Porém, houve um empate e pela lógica deveria nascer gêmeos como comprovam todos os ultrasons feitos até o parto.
Novamente se utilizando de meandros escusos, no parto aparece apenas um.
O médico obstetra jura de pés juntos ter ouvido algo como: “I´m faster than you” ao fazer a cesariana. No jardim de infância, o pequeno Fernando segurava seus coleguinhas pelo fundo das calças, impedindo que estes chegassem à fila da merenda na sua frente.
Nas horas de recreação sua principal diversão era organizar corridas de “totoquinhas” às quais vencia – invariavelmente – após deixar para trás todos os outros que, estranhamente, ficavam pelo caminho sem uma das rodas traseiras. Isto quando os pedais não giravam em falso não transferindo para a roda dianteira o esforço de seu ocupante.
Quando perdia soltava sua frase mais conhecida: “this is ridiculous!”.
Dizem que ele usava "totoquinhas" fora do regulamento. Nas aulas de educação física em sua adolescência Fernandinho optou por atletismo e pedia para que o professor desamarrasse os tênis de seus parceiros de corrida.
Como seus professores nunca aceitavam as maracutaias, ele não se deu bem neste esporte e assim resolveu desistir e partir para o kart.

Lá andava relativamente bem, dado a estranheza dos incidentes que ocorriam com seus companheiros de equipe.
Já na juventude se associou a um conhecido vendedor de roupas que tinha um sonho: vencer na F1 a qualquer custo. Ainda que este custo fosse alto para caramba. Como se vê, a ultima nem espanta mais... Só causa estranheza por ser uma revelação sobre outra safadeza do asturiano pedida à Ron Dennis que veio a luz em um livro sobre Bernie Ecclestone.
Vai entender...

25 de fev de 2011

e-bozeiro.com - a nova empresa de Pai Tião

Após seu ultimo trabalho ligado ao mundo da F1 - uma ponte entre Bruno Senna e seu tio – tirou um período de férias, limitando-se a alguns trabalhos em sua empresa virtual, a E-bozeiro.com para um tal Mustapha, que pagava muito bem.
Curiosamente, os conselhos que ele se lembra de ter dado a Mustapha apareceram depois seguidos à risca por Hosni Mubarak.
Ao ligar seu computador pessoal, que ele chama de “tibuque”, Pai Tião percebe que sua caixa de mensagens está mais cheia que de costume.
Então pensou em voltar à ativa.
Sabe que no meio da F1 há muita gente que aprova e acredita no seu trabalho e claro, um pouco a mais de dinheiro também não faz mal.
Então vai chegar sua caixa de e-mails por que sabe que lá estarão algumas mensagens vindas da categoria top da velocidade.
De Tony Kanaan: (narizveloz@semvaga.com)
Olá! Perdi minha vaga na equipe que estava, fui contratado por outra, mas não consegui fechar a cota de patrocínio. Acho que tem algo errado... Pode me ajudar?
Ah, sim... Um amigo até se prontificou a bancar minha temporada, mas agora o celular dele só dá ocupado.

Resposta de E-bozeiro.com:
Se você quer uma mandinga eu até posso ajudar.
Mas se for patrocínio, é melhor continuar tentando o celular do seu amigo...
E se ele atender, pergunta se ele pode ajudar o Di Grassi que me mandou um e-mail
igualzinho ao seu...
De Robert Kubica: (friend-of-papa@rallie.com.pl)
Caro Tião... Como o senhor sabe, sou católico praticante e protegido do JPsegundo, e sei que se não fosse ele eu teria me ferrado de vermelho e branco no acidente... Mas mesmo assim eu queria te pedir um favor: dá pra mexer os pauzinhos ai e por o Liuzzi no meu lugar na Renault? Desculpa usar o e-mail do rallie e não da Renault, é que este não está rastreado pela equipe...

Respota do E-bozeiro.com
Favor eu não faço não... Faço negócios. E-buzzines!
Se quiser favor vai pedir pro teu protetor... E olha, por o Liuzzi no teu lugar: não dá mais, além de já ter o barbudinho lá, nem todas as forças de todos os encantados mais os santos dão jeito. Aquilo é ruim demais.

De Bernie Ecclestone: (moneymoneymoney@imthekingoftheworld.com)
Perdi muita grana com o cancelamento da corrida no Bahrein, não estou acostumado a perder, só a ganhar... Eu pago o que for preciso para reverter esta situação. Até arrumo um emprego oficial para você na F1. Basta acabar com a briga no Bahrein, proteger Abu Dhabi e a Malásia e claro, me fazer voltar a ter lucro naquelas bandas...

Resposta do E-bozeiro.com
Arreda satanás, arreda!
De Ronaldo Fenômeno (comooquequiser@pizzaria9.com.br)
Então, eu quero me aposentar, ainda mais depois do fiasco da Libertadores, mas não sei como fazer... Tem como me dar uma dica? Mas por favor, responde logo.

Resposta do E-bozeiro.com
R9, eu ia sugerir exatamente o que você usou: hipotireoidismo. Agora é tarde... Vi seu e-mail só agora. Mas aqui só entre nós... Falar que os que fizeram piada com seu peso iriam se arrepender foi de doer... Agora é que vão surgir as piadas mesmo... Lembre-se que hipotireoidismo lembra “hipopótamo”. Mas não liga não, afinal você sempre foi um jogador de “peso”... Captou?
De Pastor Maldonado (thanks_hugo@chaves.com.ve)
!Hola! Me gustaria darle las grácias, todo fue bien, estoy em la Williams.
PS. Recebió el dinero?

Resposta do E-bozeiro.com
Tudo certo! Recebi sim... Agora, não
posso te proteger ai dentro. Se fizer burrada não vai por a culpa em mim.
E manda um abraço pro Rubens.

Outras histórias do Pai Tião.

A origem de Pai Tião.
O sapo de Hungaroring.
O novo emprego do pai de santo.
Previsões da temporada 08.
A Mclaren e o 23 de Abril.
Previsões da temporada 09.
Rubens e São jorge, o retorno de Pai Tião.
O Exu espanhol (Pai Tião na Campos Meta)
Pai Tião e o RB6
Ajuda para Bruno Senna

24 de fev de 2011

Antes pera pior... 4

Publicada originalmente no Pódium GP.

Continuando a série que diz que nada é tão novo assim na F1: o kers.
Com acionamento simples - um botão no painel - uma mistura "secreta" era introduzida no dispositivo fazendo com que ele liberasse alguns cavalos a mais no escapamento.
Foi banido depois que a Convenção de Genebra proibiu o uso de armas quimicas.

E está no ar mais uma edição da Rádio Onboard, com os sempre presentes Felipe Maciel, Fábio Campos e eu... Nesta edição demos uma esculhambada nas novas regras e falamos um pouco do Bahrain... Neste link: Regras idiotas Ouve lá.

23 de fev de 2011

A verdade sobre o cancelamento - cronologia.

15 de Janeiro de 2011.
Um dos assessores de imprensa da FOM, de nome Jhonie, entra na sala do supremo mandatário Bernie Ecclestone. -Senhor Ecclestone, saiu o resultado da nossa pesquisa de opinião com os fãs da F1.
-Que bom Joe... E as respostas foram positivas?
-É Jhonie, senhor, Quase todas as respostas foram.
-Quase? Quais foram negativas, Jones?
-As que tratam dos circuitos, senhor... E é Jhonie...
-Ah, mas sempre reclamam disto... Quando não é porque mutilamos Hockenhein é porque incluímos mais um asiático na lista...
-Novamente é isto, senhor.
-Mas fazer o que? Não é? Não se pode agradar a todos.
-Mas desagradar sim...
-Como?
-De seis mil respostas, todas, absolutamente todas foram contrárias à corrida do Bahrein.
-Ah... Agora é o Bahrein? Antes era Valência.
-Valência ainda teve bons votos, todos vindos da Espanha. Mas o Bahrein...
-Bem, Gilles... Façamos como sempre fazemos... Ignore. Fã é fã... No máximo pode comprar um boné de sua equipe. Pode estrilar nos blogs, nos sites, xingar a gente. Mas a decisão é sempre minha.
-Mas senhor Ecclestone... Acho que devemos ouvir ao menos desta vez, as vozes vindas do povo... E é Jhonie.
-Jhonie, Gilles, Joe... Tanto faz... Mas me diga: por que deveríamos ouvir a patuléia desta vez?
-Veja bem senhor... Tome por exemplo o Egito... A tal “patuléia” se acampou em uma praça e derrubou um governo de mais de trinta anos...
-E?
-Na Líbia a coisa está indo pelo mesmo caminho.
-Coincidência.
-E no Iêmen, Tunísia...
-Bobeira... Pode deixar os resultados da pesquisa ai e se retirar, Julius...
-Como quiser senhor... Mas antes... Há quanto tempo mesmo o senhor está à frente desta entidade?

O silêncio ocupa a sala enquanto Jhonie se retira com um sorriso diabólico nos lábios.
Em sua mesa, Ecclestone observa os papéis da pesquisa sem prestar muita atenção aos números, absorto em pensamentos que, por dias o acompanharia.

01 de Fevereiro de 2011.
Bernie Ecclestone pede ao próprio Jhonie que lhe consiga uma ligação para um numero que o assessor acaba por descobrir ser exatamente do Bahrein, e mesmo contrariando sua própria ética, fica na extensão ouvindo a conversa. -Alô? (...) Sim aqui é o Ecclestone, seguinte: Ando com problemas com o povo que segue a F1... Mais ou menos como vocês andam tendo ai com o governo de vocês, só que em posições invertidas. (...) Sim, sim... Ai vocês querem mudanças no governo e aqui querem mudar o meu governo, mas é detalhe... Eu queria propor uma coisa, quer ouvir? (...) Ok! É o seguinte: Eu financio os protestos, abasteço vocês com uma verba, vocês protestam até o clima ficar insuportável e for pouco recomendável um evento meu por lá. Assim eu cancelo o treco sem muita dor na consciência, sem ter que devolver a grana do Rei e ainda por cima faço um agradozinho aos fãs da categoria... Pode ser?

21 de Fevereiro de 2011.
Nos jornais se lê: “GP do Bahrein é cancelado devido aos protestos contra o governo local”
Bernie aparece em seu escritório com um surpreendente bom humor.
-Bom dia Jhonie!
-Bom dia senhor...
-Mande um telegrama aos promotores da corrida na Austrália e peça que a festa de abertura seja inesquecível...
-E o Bahrein?
-Já esqueci... E me faça um favor, procure saber se há descontentes com o governo em Valência...

A ultima foto foi retirada do site Podium GP.

22 de fev de 2011

Pilotos no programa Raul Gil: Crianças curiosas

Raul Gil: -Como vocês sabem criança é um ser puro e só diz o que pensa e nunca tem maldade, então não tem ninguém melhor para fazer entrevistas que elas: As crianças curiosas do Raul Gil!(Entra a vinheta)
-E hoje vamos ter aqui para enfrentar estas ferinhas vamos ter aqui um time de primeira. Eles são corajosos, eles são velozes e representam a nata da profissão. Eles são os pilotos de F1: Rubens Barrichello, Michael Schumacher, Felipe Massa e Nico Rosberg!
(Aplausos)

RG:-Tudo bem com vocês?
Felipe Massa: -Tudo em paz Raul, estamos ai na espera do começo do campeonato.
RG: -E esta briga no Bahrein? Não vai atrapalhar?
Rubens: -Atrapalha, mas eu sou um eterno otimista. Até a corrida tudo vai ser resolvido.
RG: -Ele acredita mesmo nisto Micheal?
Michael Schumacher: -Acho que sim... Ela acrreditar até hoje que vai ser campeão.
RG: - Mas eu chamei quatro pilotos... Quem é esta moça bonita aqui?
Nico Rosberg: -Eu não sou moça! (rindo) Sou moço.
RG: -Sério?
NR: -Sério... Sou filho do campeão mundial, o Keke Rosberg.
RG: -Então tá bom... Estão prontos para enfrentar as crianças?
Todos: -Estamos...
RG: -Que entrem então as crianças!
(Aplausos)

RG: -Olha lá em crianças, vejam bem o que vocês vão perguntar... Tem gente que veio de longe para participar do quadro... O primeiro a perguntar é Gabriel Geraldo!Gabriel Geraldo: -Eu quero perguntar pro Schumacher...
RG: -O senhor tava aposentado e voltou. Foi por que o dinheiro da aposentadoria era pouco, por que não tinha nada melhor pra fazer ou foi por conta dos comerciais?
MS: -Eu voltar porque amo a esporrte... Mas fiquei currioso... Que comerciais?
Gabriel Geraldo: -Os comerciais de Guaraviton, Gerovital, Grescin 2000 e Ginkobiloba.
MS: -Mas eu não fiz estas comerciais!
Gabriel Geraldo: -Devia, na sua idade... Devia....

RG: -Agora é a vez do Fábio Andrade! Fábio Andrade: -Pro Rubinho...
RB: Pode perguntar lindo... Sabia que tenho dois filhos pequenos também?
Fábio Andrade: -Sei sim... Mas eu queria perguntar uma coisa: O senhor começou na Jordan.
RB: -Foi. (calmo)
Fábio Andrade: -Ai foi pra Stewart, correu bem mas quem ganhou uma corrida lá foi o Herbert.
RB: -Foi... (apreensivo)
Fábio Andrade: -Ai o senhor foi pra Ferrari, até ganhou corrida mas quem era campeão era o alemão...
RB: -É... Foi. (cabreiro)
Fábio Andrade: -Foi pra BAR que virou Honda e o carro era ruim, mas quem se dava melhor era o Button.
RB: -Uhum...(irritando-se)
Fábio Andrade: -Então a equipe virou Brawn e quem foi campeão foi Button.
RB: -É... Foi... E? (já irritado)
Fábio Andrade: -O senhor chegou na Williams como o mais experiente e quem fez a primeira pole da equipe em muito, muito tempo foi um novato... O senhor não acha que está na hora de mostrar mais serviço que o companheiro de equipe?

RG: -É a vez da Manu. Manu: -Pro Felipe Massa... Este ano cê vai correr mesmo ou vai ficar pondo a culpa nos pneus?
FM: -Não é que a culpa era dos pneus, é que meu carro não gerava calor...
Manu: -Mas ué... Era carro ou fogão? Quem gera calor é fogão...
FM: -Que bonitinho... Quando você crescer vai entender de carro, viu!
Manu: -Sei não... Você é grande e parece que até hoje não entende.

RG: -O ultimo agora é Marcos Antônio e só pode ser para Nico Rosberg... Marcos Antônio: -O senhor não tem vergonha de ser o que é?
NR: -Não... Meu pai também era e antes dele meu avô também... Temos muito orgulho...
Marcos Antônio: -Eita! A família inteira? E ainda tem orgulho?
NR: -Sim, a família inteira, e claro que temos orgulho em sermos pilotos...
Marcos Antônio: -Ah! Mas eu não tava falando de ser piloto não... Era outra coisa...

21 de fev de 2011

Uma no prego outra nos que usam ferradura

Os problemas que causaram o cancelamento da corrida de GP2 no Bahrein nada têm com a onda de protestos por mais liberdade que varre aquela região.
Não senhores, não têm...
É bem verdade que toda aquela região tem seus sistemas de governo baseados em monarquias, ditaduras militares ou religiosas, mas o fator que proporcionou a briga no Egito – um “presidente” ad eternum – não é o mesmo.
No Bahrein a coisa é diferente e nem é pelo fato do governo ser sunita e os manifestantes serem xiitas... Claro que pesa, afinal o “saco de bondades” costuma deixar de fora quem não é da turma de quem manda, porém...
País rico, próspero e com um ótimo IDH. Que tem seus problemas sociais, verdade. Mas o fato foi que assistiram na internet ao vídeo em que Alonso dá um piti em Portugal por conta de paparazis.
Foi a gota d´água...
Durante os protestos foi possível ouvir: “-Olê, olé, olé, olá! Se o Alonso vier aqui, o bicho vai pegar...”.

Esta também é boa...
Robert Kubica deve estar bem, apesar dos pesares. Mas a imprensa ultimamente vem dando show de horrores na cobertura da situação do polaco.
No mesmo dia em que noticiam que o cara voltou à UTI para “check ups” – como se UTI´s fossem para isto – divulgam também entrevistas, declarações em que o polonês diz preferir este em detrimento de outro piloto para sua vaga.
Também divulga notas médicas dizendo que o cara chegou ao hospital com apenas um litro de sangue no corpo.
Só pra lembrar, uma pessoa tem entre cinco e seis de sangue, o que quer dizer mais ou menos sete por cento de seu peso. Então, ter apenas um litro de sangue no corpo todo é o equivalente a dizer que o cara morreu já que a quantidade não seria suficiente para irrigar todos os órgãos do corpo.
Sem contar que já confirmaram sua presença na beatificação (ou santificação, sei lá) de papa (ex-papa existe?) JPSegundo.
Ou o cara é mesmo protegido lá de cima ou a imprensa tem pacto com a coisa ruim... A coisa ruim de inventar noticia para continuar vendendo seus veículos e aumentando page views...

18 de fev de 2011

Cenas improvaveis

(Plano de câmera aberto, move-se lentamente até enquadrar a rainha e seu cavaleiro.)
O cavaleiro conta a rainha qual o plano para libertar o rei das mãos dos rebeldes.
Ela ouve atenta e ao fim da explanação abraça o cavaleiro e lhe diz:
(Close no rosto da rainha)
-Quando o libertar, diga que sofri em sua ausência, mostre o quanto eu o amo.
(Close no cavaleiro que mesmo sem saber como poderia fazer isto responde com a cabeça um sim)
Após a batalha, que foi dura e sangrenta, o cavaleiro encontra o rei em uma cela. Depois de libertá-lo lembra do que lhe disse a rainha.
(Close no rei).
-Pensei que tinham me esquecido.
(Close no cavaleiro)
-Jamais meu rei.
(Close no rei)
-E minha rainha? Está bem?
(Close no cavaleiro)
-Sim e lhe mandou isto...
(Abre o plano de câmera enquanto o cavaleiro agarra o rei surpreso e lhe beija a boca)

(Plano de câmera geral captando uma briga entre manifestantes, câmera move-se lentamente. Closes rápidos flagram os socos mais impressionantes e as quedas mais espetaculares)
-Senhores! Por que estamos brigando entre nós? – grita alguém enquanto a briga continua.
(Câmera fecha em close em seu rosto)
-O inimigo é outro, aqui somos todos amigos, companheiros. Estamos todos do mesmo lado! – continua.
(Câmera em plano geral captando a pausa da briga.)
-Isto... Vamos por a cabeça no lugar.
(Câmera passeando por todos os atores que brigavam e agora param, mas não se largam)
-Vamos lá, não vamos brigar... Não é hora de brigar. É hora de se unir.
(Câmera passando de grupo em grupo captando reações ao discurso.).
-E então? Alguém tem algo a dizer? Agora é a hora!
(close em um ator que se prepara para falar algo.)
-Cala boca seu viado! –grita ele.
(câmera aberta em plano geral)
-Ééééééé! – apóiam todos antes de voltar a brigar.

17 de fev de 2011

Antigamente era pior... 3

Se a cerveja for como a pilotagem do Fisichella, então a ressaca promete ser daquelas...
Porém podia ser pior.
Poderia ser o Luca Badoer como garoto propaganda...

Publicado originalmente no Pódium GP


E já está no ar mais uma edição da Rádio Onboard... Nesta Felipe Maciel, Fábio Campos e eu comentamos assuntos ligados ao acidente de Robert Kubica e outras coisinhas com muito humor. Neste link aqui: Rádio Onboard.

16 de fev de 2011

O conselho do tio

Dentro do cockpit da Lotus Renault, Bruno Senna parece distante.
Os olhos perdidos no horizonte são visíveis mesmo sob o capacete e balaclava. Não podia mesmo estar pensando em outra coisa... -É minha chance! – pensa ele – Não vou poder desperdiçar esta...

Ele sabe que não fez uma boa escolha ao aceitar pilotar pela Hispânia.
-Aquilo não valeu, não pode ter valido como ponto para meu currículo. – continua pensando. – O carro era uma cadeira elétrica, nem Fangio, nem Clark, nem Senna ou Schumacher conseguiriam resultados positivos ali...

Bruno sabe que agora vai poder mostrar seu potencial e sabe que terá de ser realmente muito bom se quiser superar a pilotagem de Nick Heidfeld, que se não foi fantástica, ao menos foi muito satisfatória do ponto de vista da equipe.
-Ninguém disse que seria fácil! – é o pensamento que atravessa sua mente.

A clara preferência dos homens da equipe pelo alemão não parecem um entrave, ao menos não parece ser.
-Sou brasileiro. – pensa ele – Sou conterrâneo do Rubinho, não posso desistir. Ele não desistiu nunca...

E em um momento mais intimo, ele eleva seus pensamentos e pede ajuda.
Lembra-se da história que seu tio costumava contar, sobre ter visto Deus na saída de uma curva. Nunca duvidou.
E agora - se realmente Ayrton tinha visto Deus - devia estar junto dele e não custava lhe pedir uma ajuda, uma força, um conselho...
-Ayrton... Sei que você está me vendo, sei que torce por mim... E me diga: você que já brilhou tanto aqui em baixo pilotando um carro com esta mesma pintura, com o mesmo nome... Tá certo, não é a mesma situação. É como se fosse a vida se repetindo em tom de farsa, mas ainda assim eu lhe pergunto: Se fosse você em meu lugar agora, tendo que pilotar bem, bater Heidfeld e fazer com que a equipe se lembre pouco de Kubica no momento. O que faria? Se você fosse eu, Ayrton... O que faria?

O silêncio atravessa seus pensamentos por um instante e o piloto retorna a realidade, pronto para acelerar o bólido pela pista espanhola e cumprir seu destino, mas uma voz sopra em seus ouvidos e lhe diz, calmamente.
-Se eu fosse você, sobrinho? Sinceramente? Desistiria....

15 de fev de 2011

Antigamente era pior... 2

Continuando a série que diz que nada é tão novo assim na F1 apresento o primeiro projeto do – hoje proibido – Duto F.
Mas por favor, só não me pergunte onde eram as entradas e saidas de ar…

Publicado originalmente no Pódium GP.

14 de fev de 2011

Egito, agora um pouco mais sério

E então a vontade popular ganhou.
Hosni Mubarak renunciou, pediu as contas, deu área, correu, pediu exoneração de cargo publico... Enfim, largou a esfiha.
E foram dezoito dias de confrontos e acampamento na Praça Tahrir.
Mesmo depois do pronunciamento em que, tal qual Pedro Primeiro, declarou o dia do “fico” para não deixar que o país “caísse no caos”, continuaram acampados.

E no dia seguinte ao pronunciamento, o homem pede arrego.
Como disse o poeta: a praça é do povo. Seja em Salvador, seja no Egito e nela o povo egípcio comemorou gritando: “-O Egito está livre!”.

Mas livre de que?
O problema é que ele largou a esfiha – por medo que lhe enfiassem o quibe violentamente - nas mãos dos militares que em lugar nenhum do planeta mostraram que sabem governar de forma justa uma nação.
E pior! Corre o risco de um novo governo ser formado por lideranças religiosas, nos moldes iranianos, o que – convenhamos – é um regresso.

Também pode vir a ser um governo pró-EUA, como deseja, veladamente, o vice Omar Suleiman. E que mesmo carregando a bandeira da “democracia” e da “justiça social” seria capaz de – por baixo dos panos, óbvio - facilitar que a cultura ianque vá aos poucos substituindo a milenar cultura egípcia.
Não nos espantaremos se ao lado das Pirâmides pipoquem McDonalds, Kfc´s e afins... Não nos espantaremos se Khaled, aquele de “El Arbi”, aparecer cantando rap.

Mas, por enquanto, o momento ainda é de festa, e para ajudar os caras, vamos enviar para lá nosso Moraes Moreira, para cantar versos como: “-Navio negreiro já era, e agora quem manda é a galera...”.
Mesmo que os Mohameds, Omares, Nazeeras e Zuleikas não entendam p**a nenhuma da letra, vão achar o ritmo bacana...

12 de fev de 2011

O que cantavam os egípicios na Praça Tahrir?

Sei que os canais oficiais diziam que era algo como: "O Egito está livre!", mas eu não me contentei e peguei o maior hit da terra dos faraós e múmias e traduzi para que todos tenham dimensão da felicidade que os caras estavam sentindo...
E para quem não fala a lingua dos caras, ele diz El Arbi, que quer dizer O Arabe, mas é como nós fazemos aqui... Não importa se egípicio, libanês, marroquino... É tudo arabe...



Oooooooohhh....
É nóis...

Yana l'arbi yaah weld l'ghaba wa l'hjel dellali...
Os mano arabe se acamparam e gritaram pra carai .

Dellali dellali heyeah
Disse que não saia, mas no dia seguinte pediu as conta.

Dan dan dan dan dan dan danaa ou dana nayni dellali...
Corre, corre mesmo, corre! Corre mesmo ou a gente te enfia o quibe.

Qeeluni dellali heyeah Ooooohhh
Aqui quem manda é nóis...

Yana l'arbi yaah weld ennaga wel'rmal dellali....
Os mano arabe se juntaram, e exigiram a renuncia.

Ddellali dellali heyeah
Ele disse que não saia, mas quando o bicho pegou, correu.

Yana l'arbi yaah weld essahra wel'tmar dellali...
Os mano tem um ditado que diz: quem tem C* tem medo.

Dellali dellali heyeah escafediahh
Disse que não saia, mas no dia seguinte se escafedeu.

Yana l'arbi yaah weld l'ghaba wa l'hjel dellali...
Os mano árabe se organizaram e mostraram como é que se faz.

Dellali... dellali heyeah
Disse que não saia...

Dan dan dan dan dan dan ou danaa ou dana nayni dellali...
Corre, corre. Corre! Corre mesmo ou vai se danar. Ou vai sentir o quibe entrar...

Qqeeluni dellali heyeah Oooooooooohhhh
Aqui quem manda é nóis.

Ooooooohhh
É nóis

Lzhar la memoon aah ou khallouni Ecclestone unda F1 nhoom dellali...
Agora a gente quer mais, vamos tirar o Ecclestone da F1...

Yah dellali dellali
E tem mais

Yana l 'arbi weld ennaga wel'rmal Alonso dellali...
Os mano árabe vão pegar também o Alonso...

Dellali dellali heyeah wired engod heyeah fedored quueluni 1B eehad
Eles dizem que não saem, mas quando virem o tamanho do quibe até o Rubens vai se mandar...

11 de fev de 2011

Curtas de saco cheio

Que Patrick Head esteja de saco cheio nós entendemos. Há anos ele vem tocando o barco ao lado de Frank Williams. Passando por perrengues financeiros, técnicos e quem sabe o que mais?
São anos em que teve de agüentar Jacques Deusmelivre; Ralf Schumacher, o amigo esquisitão do muro de Indianápolis; Juan Gordito Montoya; Crashzuki Estragajima e agora Pastor Maldolado... Ainda que o primeiro ao menos tenha sido campeão do mundo (grande coisa, Button também é e ninguém liga pra ele.).
Head, ao que percebemos não é como Sir Frank, que mantém a equipe como se fosse o último propósito de sua vida.
E talvez até seja.
Mas o saco enche também com outras coisas.
O oba-oba instaurado por conta do tal “vestibular” da Renault (Lotus é o carvalho) que envolve vários pilotos.
É um time em busca de resultados e que perdeu seu piloto mais importante e com certeza o mais pro ativo.
Ai precisa de outro, que seja ao menos dois quintos do que era o que se afasta.
Então lá vai:
Um é experiente, pilotou por times médios que queriam ser grandes, obteve resultados bons, embora nunca tenha ganho uma corrida. Participou do desenvolvimento de carros para uma grande montadora e testou pneus, foi cogitado para a vaga em uma equipe grande e acabou sendo piloto de testes da mesma.
O outro é o Bruno Senna.
Onde está a duvida?
Agora, o saco enche mesmo quando lemos coisas como: “asa móvel”, “kers”, “pneus que obrigam a parar mais vezes” e por fim “zona de ultrapassagem”.
Corrida de carro é coisa simples: alguns malucos fazem seus carros. Jogam na pista e botam para competir. O melhor carro ganha. Se os carros forem iguais, leva o que tiver melhor piloto e se estes forem equivalentes, a sorte se encarrega de dar um vencedor.
Mas não, nego tem que inventar artificialidades, detalhes desnecessários, bobagens marqueteiras.
Assim o saco enche mesmo e um dia acabaremos por repensar a paixão pela coisa...
E por último fica um assunto extra F1: O saco cheio do povo egípicio.
O presidente foi a TV e disse que não larga a esfiha, que vai levar o país em banho Maria até setembro, quando tem eleições. Prometeu coisas que já havia prometido e disse batendo o pezinho que não sai, não sai e não sai.
Na praça, que como diz a música do Moraes Moreira é do povo, a população grita palavras de ordem do tipo: “-Vamos enfiar o quibe nele!”.
A probabilidade de um confronto civil armado cresce. Como também a possibilidade de dar merda.

10 de fev de 2011

Antigamente era pior...

Para quem acha que asa móvel é coisa nova ai está a prova de que não é.
Só o acionamento é que mudou. Em vez de botões se fazia da seguinte forma:

“-Ai, agora é reta, encolhe os braços e se curva um pouco. Quando eu frear, você abre novamente...”.

Publicado originalmente no Pódium GP



E já está no ar a primeira edição de 2011 da Rádio Onboard com a analise de sempre com o humor de sempre e os comentaristas de sempre: Felipe Maciel, Fábio Campos e eu...
A Rádio agora também é parte integrante do Site Pódium GP, pode ser ouvida ou baixada por lá neste link: Rádio Onboard.
Ou no tradicional link - Podomátic.

8 de fev de 2011

MVR-02 - a continuação da rabeira

A apresentação.
-Queremos agradecer a presença de todos vocês aqui para o lançamento do MVR-02 e é com grande prazer que vamos agora explicar o carro...
(apreensão na platéia)
O nome da equipe.
-Somos a Marussia Virgin, e como todos sabem, somos russos. A palavra russa Marussia é um diminutivo para Maria... Seria então Mariazinha. Optamos por manter o “Virgin” no nome, mas não por conta da companhia daquele cidadão endinheirado que era dono da bagaça, mas por uma questão de coerência... Seremos em bom português a: “Mariazinha Virgem”. E por muito tempo, já que até nós duvidamos que uma dia ganharemos alguma corrida...

O nome do carro.
-MVR-02 não é a sigla para “Marussia Vehicle Racer 02” como alguns pensam... Até porque ano passado nem éramos Marussia e sim Virgin... A sigla quer dizer: “Muita Vergonha Racing -02”. Mas, alguns perguntarão: Por que o “02” se como foi explicado não éramos Marussia ano passado? Simples... É que o “Muita Vergonha Racing 01” atende pelo nome de Hispânia...

O carro.
-Novamente usamos o fabuloso programa CFD para criar o carro. Queremos esquecer de vez o conceito de túnel de vento. Além de os acharmos ultrapassados também achamos que é muito caro. Como sabemos? Baseados no fato de que Richard Branson tinha muita grana e também não comprou um túnel de vento. Imagina a gente então...

-Como somos inovadores preferimos não seguir tendências, então mantivemos o bico do carro baixo e largo. E como somos visionários e sabemos que não vamos ganhar nada mesmo, após a temporada venderemos os carros sob o slogan: os mais rápidos limpadores de neve do mundo.... -E finalmente as cores do carro. Optamos por preto, vermelho e branco para fazer uma citação ao São Paulo Futebol Clube... Na verdade é que não tínhamos grana pra entrar na briga pelo nome Lotus, e nem sequer para tentar comprar o nome Minardi... Então resolvemos arrumar uma polêmica qualquer para chamar a atenção... Já recebemos um telefonema do Sr. Juvenal Juvêncio nos oferecendo como acordo para evitar o processo que usemos apenas o branco e o preto no carro. Se apenas o Santos Futebol Clube usasse estas cores até aceitaríamos, mas é que corre o risco de nos associarem ao Corinthians e ai ninguém merece...

7 de fev de 2011

Domingo esquisito

Me lembro de ter comprado um disco de Gary Moore, há muito tempo atrás, ao vivo.
Fiquei impressionado com o feeling, com o sentimento que ele imprimia em cada música que tocava.
Era sim um guitar hero, sim, mas muito diferente da turma da velocidade (Joe Satriani, Steve Vai e outros), ele emocionava. Aliava técnica e coração.
Me lembro de apresentar a faixa “Parisienne Walkways” à um amigo - também guitarrista - e ver que durante a audição suas expressões variavam entre espantadas, divertidas e por fim muito emocionado, quase às lágrimas, que na hora, não consegui entender.
Eu, que não gosto de perder nem peso, fico muito triste com a partida de Gary Moore.
O rock - e mesmo a música - ficou um pouco menos emocional e emocionante...




Também é triste a noticia do acidente que pode ter tirado Robert Kubica ao menos do inicio da temporada.
Por mais que fiquemos tristes, por mais que nos doa – e dói, já que quando acontece algo com um piloto é como se acontecesse um pouco também com um de nós que amamos este esporte – ficamos resignados. Afinal são coisas da profissão, do esporte que ele próprio escolheu.
E aos que perguntarem se era necessário que ele estivesse disputando esta etapa de Rali fica aqui a minha opinião como resposta: sim.
Robert Kubica é piloto, e como tal fazia o que mais sabe: pilotar. E bem!
De bom, ao menos, fica que ele está vivo e fora de risco. No momento isto é o mais importante.
O resto, depois se vê.

4 de fev de 2011

O dia em que a musica morreu

Este texto foi originalmente publicado em 2009 aqui no blog e esta semana recebeu uma menção e foram citados alguns trechos dele em um jornal da cidade.

Tudo é conjectura. Tudo é suposição.
Mas tanto a carreira Buddy Holly quanto as de Richie Valens e Big Bopper talvez não fossem tão celebres se não tivessem sido abortadas ainda efervescendo.
Ok, claro que para muitos, inclusive mercadologicamente Richie Valens equivalesse a um Elvis hispânico. Pegou os caminhos do rock´n’roll e os temperou com as influências do folclore mexicano. Assim como o Rei levou a musica negra (rock era considerado race music, musica feita por negros e para negros, como o jazz dos anos 30) ao publico branco e racista dos Eua, Valens levou o rock´n´roll ao povo mexicano.
Mas do que tratarei aqui é de como o rock e o mundo mudaram após o dia 03/02/1959.
O dia em que a musica morreu.
Suas músicas – de Buddy, Ritchie e Booper - eram dançantes e/ou românticas. Valens tinha a questão latina, mas ainda assim era mais diversão que conscientização.
Então, quando o avião que viajavam bateu numa montanha devido a uma tempestade e tragicamente ceifou a vida dos três foi como se o rock and roll deixasse de ser divertido e simples. No sentido de não ser mais uma musica descompromissada. Tivesse que ter outros propósitos além de divertir.

Da metade da década de sessenta para frente, o rock tomou ares intelectuais e sociais que ainda não tinha. Os Beatles foram divertidos até “Ruber soul” e não deixaram de ser depois, mas passaram à categoria dos ‘geniais’, assim como Dylan e todo o pessoal que participou de Woodstock em 1969. A geração Flower Power, que protestava contra guerras. Mas carecia de um elemento, lá dos primórdios, que dava ao rock seu sobrenome: o ‘and roll’.
O rock já não dançava mais.

A esta altura, 1971, Elvis já era ícone – vivo, mas ícone – Os Beatles já não estavam mais juntos. Os Stones, bem os Stones não contam, afinal até hoje seu rock diz muito mais a eles e ao estilo de vida que eles criaram do que sobre qualquer outra coisa do mundo. Os Rolling Stones viveram sempre no planeta Stones.
E foi isto que percebeu 12 anos após o acidente de 03/02/1959 o cantor e compositor Don McLean.
Compôs então uma canção que chamava de volta o gingado para o rock, de forma cifrada e com uma letra com tantas ou mais citações e armadilhas que as obras de todos os citados juntos: American Pie.

Diz a lenda que o titulo da canção estava pintado na fuselagem do aeroplano, não achei confirmação. Mas como tudo na canção parece ser uma citação de algo, publique-se a lenda então.
As citações vão desde o disco “Book of love” dos The Monotones até o chamado “Verão do amor” de 1968 quando Allen Ginsberg, poeta beat, sugeriu que todos deveriam sair às ruas de San Francisco para gritar poemas e provocar terremotos.

Frases ambíguas que emulam tanto a John e Jaqueline Kennedy (Kings and Queens) quanto a Elvis Presley.
Faz referencia a Bob Dylan, quando cita o palhaço que “cantou para o rei e a rainha”. Lembrando que Dylan compôs “Jokerman” – literalmente palhaço.
E aponta que “nenhum anjo nasce no inferno” numa alusão clara ao episódio em que os Rolling Stones contrataram os Hells Angels para fazer a segurança num show em Altamont onde um fã morreu espancado pelos “seguranças”.

Particularmente, penso que a canção não diz só sobre a cena musical. Mas diz muito sobre a perda da inocência dos jovens americanos.
Marca o rito de passagem da adolescência para a vida adulta. Mas sem adolescência.
A guerra no Vietnã; a corrida espacial; o homem na lua e então vieram as mortes de Janis, Jimi e Jim.
O assassinato de Kennedy, o inicio da guerra fria e a corrida louca do relógio nuclear para bater a meia noite da humanidade e detonar o armagedom . Tudo junto e de uma vez só.
A entrada nos anos 70 e seu pessimismo.

De volta ao âmbito havia o rock progressivo e suas musicas etéreas e longas que afastavam o publico dos artistas e que foram responsáveis diretas pelo aparecimento do punk rock e sua violência, por vezes gratuita.
Definitivamente o rock não dançava mais. E os jovens americanos não sonhavam mais.

3 de fev de 2011

Pequena maldade

A impaciência era visível.
Andava de um lado para outro e cada vez que o portão de desembarque abria ficava na ponta dos pés para poder enxergar melhor.
Às mãos, trazia um pedaço de cartolina com a palavra “Gold” escrita. Porém em mais de quarenta minutos de espera ninguém havia aparecido.O vôo ao qual esperava atrasou, não tanto para que me tirasse o humor e nem o senso de observação.
O telefone toca, a criatura atende e num misto de inglês e espanhol diz que ainda não encontrou ninguém e que já está se preocupando. Pelas expressões faciais é fácil perceber que está tomando um senhor esporro de quem quer que esteja do outro lado da linha.
Ao desligar o aparelho dá um suspiro tão profundo que quase - disse quase – senti pena.

Novamente o portão se abre e uma nova leva de passageiros desembarca. Uns sorrindo, outros apressados e apreensivos, porém nada de “Gold”
O cidadão se desespera, saca o celular e diz a quem atende a ligação de que nada mudou.
Depois de ouvir algo diz: “-Se ao menos eu pudesse deixar a placa com alguém, iria lá”.

Quando todos os presentes vão se afastando com seus recém chegados sobram apenas ele e eu.
Um sorriso amarelo e um protocolar pedido de desculpas por me incomodar são a deixa para o verdadeiro intento: que eu segure a plaquinha enquanto ele vai até o balcão da empresa aérea verificar o que estava acontecendo.

Sem poder recusar me postei à frente do portão com a cartolina pelos vinte minutos até que a pessoa que esperava chegasse, e também pelos primeiros vinte minutos após sua chegada e nada de alguém se identificar com a dita...

Cansado e já um tanto chateado, procurei na pasta uma caneta do tipo pincel atômico igual a que foi usada pra escrever a placa, apenas para deixar a placa mais simpática e então ele chega.
Novamente se desculpa e conta uma história sobre perda de vôo na conexão e diz que ainda vai ter que esperar mais um pouco. Agradece e se afasta.

No caminho, enquanto olhamos as vitrines das lojas de conveniência, recebo os elogios por ter me prestado a ajudar uma pessoa a quem nunca tinha visto.
O sorriso enigmático que trago nos lábios talvez não denuncie a ela que a pequena alteração na placa fará com que provavelmente sua espera se estenda por mais algumas horas.

Na saída, antes de chegar ao carro ouvimos de passagem um casal comentando:
“-É cada coisa que se vê em aeroportos... Viu aquele senhor com placa de “compro ouro” em inglês?”.
“-Pois é... Deve ser a crise.”.

2 de fev de 2011

Substitutos

Andei pensando: Qual emprego disponível ultimamente é bom de se ter?
Óbvio que já tenho o meu e que estou contente (ou quase) com ele. Poderia ser melhor remunerado, claro...
Mas tenho fé que um dia será. Pelo bem do país.
Sobre o assunto... Cheguei a conclusão de que o melhor é ser substituto.

Vamos às possibilidades...


Parece que abrirá uma boa vaga no Egito para substituir o presidente daquele país.
O profissional que lá está agora exerce o cargo faz trinta anos! Estabilidade ótima e com aposentadoria garantida. Sem contar o fundo de garantia.
Tudo bem que a forma com a qual ele está sendo informado de que vai ser substituído não é das mais agradáveis, mas até ai... Nunca é bom saber que se vai ser demitido.
Ah sim... O salário deve ser bom.

No Chile também há vagas. Pode-se substituir os mineiros que ficaram presos embaixo da terra.Bom salário, embora seja um trabalho meio insalubre.
O bacana é que há transporte próprio e muito original para se sair do local de trabalho caso aconteça algo.
Também tem a seu favor o fato que após deixar o emprego pode-se lançar um livro contando as experiências, ou uma novela em estilo latino. Derramado e exagerado...
Ruim é ficar por meses enfiados num buraco escuro recebendo a marmita por tubos e tendo como diversão apenas videogames portáteis com Mario Bros na memória.
De bom, para alguns, apenas o fato de que banhos são desnecessários.

Também se pode querer ser político suplente em qualquer esfera, mas a carga negativa enviada pelo resto do mundo pode ser incomoda. Tem gente que não liga, mas para gente de bem é complicado.

Mas o melhor mesmo é ser piloto reserva na F1. Eu quero e quem haveria de não querer?
Viaja-se mundo afora e senta-se no carro para testes pouquíssimas vezes e ainda pode-se ter outro emprego rentável no período.
E o status? O cara pode não fazer sequer uma corrida durante o contrato todinho e andar apenas uma vez com o carro, mas vai botar banca: “-Eu sou piloto de F1”.
Enriquece o currículo que é uma beleza e sem contar que vai ajudar muito se o cidadão resolver trocar de ramo e for pilotar táxi, por exemplo:
“-O senhor já dirigiu táxi?”
“-Não, mas fui piloto de F1!”
“-Pilotou por qual equipe?”
“-Pilotar mesmo, nenhuma, mas fui piloto de testes em uma época que não havia teste.”

E também cria uma aura muito cult em torno de si porque sempre vai haver alguém que dirá:

“-Ele poderia ter sido campeão do mundo, mas não teve chances.”
"-Claro! Era reserva!"
"-Reserva não! Substituto!"
Melhor impossível.

1 de fev de 2011

F1 Fashion Week

(Entra a voz do narrador oficial)
-E estamos dando início aos desfiles da F1 Fashion Week... Os melhores estilistas automotivos se reúnem para apresentar a coleção 2011... (sobe a musica e segue até o fim)

(Entra a canção tema do primeiro desfile: “Simpathy for the devil” dos Stones)
-Para inaugurar o desfile temos a honra de apresentar a criação dos estilistas da Ferrari, com vocês- com o tradicional cavalino rapante - o F150! (entra o carro e sobem os aplausos)

-O modelo é dedicado em especial àquelas pessoas que não se importam em repetir roupa em festa. A musica escolhida é em homenagem ao primeiro piloto.

(Luz negra. Sobe o som de “I will survive” com a banda Cake).


-Prateada com tons esverdeados para mostrar que é antenada com o futuro (prata) e com o passado (verde mofo) a próxima a mostrar sua criação é a alemã Mercedes! (aplausos) -O modelo não é dos mais originais, porém a canção escolhida para o desfile é: Une o clássico rock para Schumacher, com um hino gay para Rosberg. Também conhecido como o carro do Ken e da Barbie.

(“Tequila” com os Ventures inunda o ambiente junto de luzes estroboscópicas)

-Ao som das guitarras a Sauber apresenta seu novo modelo e homenageia seu patrocinador...
-O carro não apresenta grandes inovações na roupagem, como não se espera mudança também na pilotagem de seu primeiro piloto. Porém a presença do logotipo de uma famosa marca de cachaça em sua carroceria nos faz pensar que: melhor seria se Raikkonen pilotasse o outro carro.
(Silêncio. Apenas uma luz branca sobre a passarela).
-Saudada como a renovação e o renascimento da antiga equipe de Collin Chapman por uns. Tratada como aproveitadora e oportunista por outros tantos. A verdade que a Lotus aparece com dois novos modelos.
-Na passarela o modelo Green: com linhas que lembram a coleção passada. (aplausos)
-Agora a o modelo Black & Gold, totalmente novo, mas que tem a intenção de remeter a glórias passadas estilizadas.
-Ignorando totalmente a critica – que desceu a lenha no imbróglio do nome – os dois grupos rivais do ateliê Lotus se uniram para lançar no mesmo dia sua nova coleção, só esqueceram de colocar uma trilha sonora. Mas nós damos um jeito e colocamos uma banda para fazer o fundo musical. A caráter para as duas vertentes da equipe que no fundo não passam de produtos do Paraguai. Apesar de malaias.



(Volta o narrador oficial)
-Outros estilistas ainda mostrarão suas criações. Entre eles os ingleses da Mclaren e seus modelos prata sem graça que não escaparão da tendência pico de pato/PM de boné...
Por enquanto enjoy it... E olha lá...

(Acendem todas as luzes, caem flores do teto e ouve-se “Rhapsody in blue”. Numa clara alusão do que vem por ai: as Williams F1!)