29 de fev de 2012

Antes era pior... 11

O piloto dizia: "Se pressentir que vou bater, pule..."
Alguns chefes de equipe ainda reclamam das micro câmeras que são colocadas em seus carros dizendo que , mesmo pequenas, aumentam o peso final do conjunto...
Imagina antes, quando além da câmera, ainda tinham que levar o câmera man onboard...

28 de fev de 2012

Quem fala o que quer...


- Alain, você tem assistido filmes ultimamente? – pergunta um jornalista brasileiro.
-Não muitos... 
- “Senna, o filme”, você assistiu? – com sorrisinho sarcástico...
-Não e nem vou...
-Mas por quê? Um filme tão bom... Nós brasileiros adoramos... Ah... Vai ver que é porque você não quer lembrar o quanto era surrado pelo Senna né? – mal disfarçando o riso.
-Eu sinceramente prefiro ver “Jour de la victoire”...
-Sobre o que é este? – pergunta o espertalhão com uma curiosidade legitima...
-Dos três gols que a França enfiou no Brasil em plena final da copa do mundo de 98... 


27 de fev de 2012

Comédias da vida real na F1 #6 - Jesus X Suecas


O amigo jornalista Marcio Kohara, que escreve para diversos veículos – Pódium GP, Tazio, Best Cars – além do próprio blog, o Col de Turin, me disse uma vez.
“-Se a versão é mais interessante que o fato, publique-se a versão”. – ou – “-Jornalismo é saber separar o joio do trigo... E publicar o joio.”
Seguindo estes sábios conselhos, eis aqui minha contribuição com uma versão que tem tudo para ser joio...

O ano era 1975 e o campeonato era o europeu de F3. A corrida era no circuito de Anderstop, na Suécia, preliminar da prova de F1 daquele ano.
A equipe era a March, que também tinha seu braço na F1, oficialmente, seus pilotos para a F3 daquele ano eram o sueco Gunnar Nilsson e o brasileiro Alex Dias Ribeiro, provavelmente o primeiro atleta de Cristo e que um dia correria com a inscrição “Jesus saves” na carroceria de seu carro.
Alex Dias Ribeiro, sempre no lugar errado na hora errada
Gunnar Nilsson disputava a liderança da prova com o também sueco Connie Anderson, que pilotava um carro não oficial da mesma equipe March.
Atrás dos dois vinha Alex, que por conta de um pneu furado e um trabalho de boxes nos moldes da época (bem mais lento...) era retardatário em uma volta.
Restava ao brasileiro apenas tentar dar a volta mais rápida da prova, porém, no décimo quinto giro, Alex perde o controle do carro e acerta Nilsson, tirando-o da disputa pela vitória e também da prova.
Gunnar fica irado, porém... O que fazer? Ao fim do campeonato ainda se sagraria o campeão.
Connie Anderson #1, Gunnar Nilsson #2 e Alex #3
Ao voltar para a sede da equipe algum tempo depois, Alex, meio desconsertado, pensa que se o trabalho na troca dos pneus tivesse sido um pouco mais rápido, não teria voltado naquela posição, logo atrás dos lideres e resolve perguntar aos mecânicos o porquê pareciam cuidar melhor do carro e das corridas de Gunnar.

-Às vezes parece que vocês gostam um pouco mais do Gunnar Nilson do que de mim... Por quê? – perguntou o piloto brasileiro.
-Sabe Alex, gostamos de você... Sempre simpático, muito educado e nos presenteia sempre com bonitos exemplares da bíblia... Mas o Gunnar trás umas revistas lá da terra dele... – sorriu meio constrangido o mecânico

Talvez por estas histórias é que algum tempo depois surgiu a piada no meio da F1 “Jesus fail to saves Alex...”

24 de fev de 2012

Música de sexta - Back in Bahia

Quando voltou do exílio em Londres, Gilberto Gil veio cheio de novidades e idéias.
Por lá, assistiu shows de Hendrix, Led Zeppelin, Rolling Stones e Traffic entre outros.
Tocou com Jim Capaldi, Weather Report e Wayne Shorter.
Conheceu David Gilmour quando resolveu comprar sua primeira guitarra elétrica - uma poderosa Gibson 335 – na mesma loja onde Eric Clapton comprava as suas...
E mesmo triste por estar longe da terra natal, não parou de pensar a música e, diferentemente de Caetano que cogitou abandonar a carreira, continuou compondo.
E finalmente conseguiu a aproximação com a música pop com que sonhava ao fundar a Tropicália ao lado de Caetano, mas sem perder a brasilidade...

Ao voltar, gravou o hoje legendário Expresso 2222 para marcar seu retorno com tinta permanente na história da música no Brasil.
E é neste disco que está a música desta sexta: Back in Bahia.
A letra quilométrica faz um apanhado dos tempos de exílio, mas sem rancor ou qualquer traço de raiva, apresentando aqueles tempos como de aprendizado. (“Como se ter ido fosse necessário para voltar/tanto mais forte...”)
Claro, a saudade é peça central, porém é um sentimento que vai sendo amassado por uma banda de respeito que contava com: Tutty Moreno na bateria, Antonio Perna no piano, Bruce Henry no baixo e o genial Lanny Gordin na guitarra solo, mas quem brilha é Gil que empunha sua Gibson 335 pela primeira vez em uma gravação e tocando de pé surpreendentemente confortável no papel de band leeder, conduzindo a canção com um som metálico inconfundível, quase um hard rock. Aperte o play e fique impassível se puder...

22 de fev de 2012

Antes era pior... 10

Queria ver o Alonso fazendo isto...
Aqueles mecânicos da Ferrari que se embananam todos pra fazer um pit stop em bando, chegando a trazer apenas três pneus para o carro do Irvine ou deixar a mangueira de reabastecimento no de Felipe Massa, deveriam se sentir envergonhados quando vissem esta cena.
Antes, apenas um dava apoio ao piloto quando este parava para trocar pneus...
Ah... E o piloto ainda descia do carro e ajudava.

20 de fev de 2012

Carnaval e F1: mais iguais que a gente pensa


Carnaval não é só escola de samba paulista ou as ainda mais badaladas escolas cariocas.
Assim como a F1 não tem só equipe tradicional, aliás, só tem três, Ferrari, Maquilata e Williams.
Tem outras estrelas na festa. 
Existem também os blocos, os cordões, os ajuntados, os "pé sujo"...
Vê como não há diferença para a categoria máxima do automobilismo?

Na categoria de Escolas de Samba temos a divisão entre paulistas e cariocas, que dizem há uma diferença gritante...  Só não sei onde e nem em que...
Estação Primeira de Mangueira, Salgueiro, Beija Flor de Nilópolis ou as co-irmãs de São Paulo, Rosas de Ouro, Vai-Vai...
Acho todas iguais, entra uma, sai outra e para mim é como se fosse a mesma.
Não vejo diferença nem nas tais “passarelas do samba” de cada estado.
É o mesmo ticabumticabumticabum, pracapracapraca, ticabumpracabum...
Mas os especialistas - e creia, existem - enxergam diferenças abissais e esperam destas grandes shows, inovações, emoção.

A evolução e harmonia da largada
Assim também é com a Mclaren, Ferrari, Mercedes e até bem pouco tempo atrás a Williams.
Até na igualdade entre alguns (quase todos) carros, pode procurar as fotos dos carros deste ano... 
Se não fossem as cores diferentes era capaz de estarmos vendo sempre o mesmo carro.
E no caso da Mclata e da Mercedes ainda podemos ter esta sensação ampliada quando certo locutor gritar: “-E lá vem o Schumacher!”. 
E o comentarista consertar: “-Não... Este ai é o Button...”.

Fossem estas equipes escolas de samba correríamos o risco de ter os seguintes enredos para este ano:
Ferrari: Cornucópia: Se fizeram bem, a gente faz igual. A importância da cópia no ato da criação.
McLaren: 2011: Quando o numero dois andou na frente do um. (de novo)
Williams: Um só coração, uma só emoção. Um piloto só para a temporada.
Red Bull: De como um vendedor de latinhas com xixi ganhou duas vezes o mundial de F1.

Já equipes como a Lotus, Sauber e Toro rosso são blocos. 
É certo que alguns blocos têm mais história que muita escola de samba do grupo 1, mas aqui a comparação é pertinente.
Uma bagunça do carai...
A Lotus inclusive poderia fazer um carnaval com o tema: 
Operação plástica: Do passado para o presente. Nossa nome mudou, mas a ruindade é a mesma.

Force Índia, Toro Rosso são os cordões... Tipo “Bacalhau do Batata”, “Vai quem quer”, “Nóis num liga” e outras coisas do gênero.

E os tais de pé sujos ficariam por conta da Caterham, HRT (que nome horrível, lembra vírus de gripe, assim não tem quem ponha grana no projeto mesmo) e Marussia. 

Algumas até tem um pouco de seriedade, mas as outras...



Mas a  grande vantagem dos times de F1 sobre as agremiações do carnaval é que pelo menos, do som dos motores, a gente não enjoa.

17 de fev de 2012

Música de sexta: All I Could was cry


Em sua sala de gravação a banda tenta gravar com uma jovem promessa não uma, nem duas, mas vinte e quatro vezes a canção: All I could do was cry:

-Esquece... Você não é mulher para esta música...  – diz Leonard Chess, dono da gravadora que leva seu nome.
-Eu sou mulher para qualquer música. – responde Etta.
-Menos para esta... O que sabe você sobre perdas? O que sabe você sobre abandono? – continua ele.
-E o que sabe você sobre mim?- devolve a cantora com ódio no olhar.
Leonard, que até então realmente pouco sabia sobre sua contratada deu de ombros para a pergunta.
-Mais uma vez! – pede ela a banda e ele aceita. Dá ordem aos músicos para que toquem.
O diretor musical então conta: “-All I Could was cry, vigésimo quinto take...” e a banda ataca um blues suave, quase um soul.

O resto é história, mas não um conto de fadas...

16 de fev de 2012

A diferença que um câmbio faz

Anselmo, eu tô dizendo... O Rubs tem um cachorro que sabe dirigir...
-Para Ron, mentira dele... Aquele baixinho inventa muito.
-Não Anselmo, eu to falando por que eu vi...
-Viu? Mesmo?
-Vi sim...  E nem tinha bebido.
-Mas, o que você viu?
-A gente estava na frente do bar do Canário...
-A gente quem?
-Tonho Platão, Boquita, Zé Nerso e eu. E então ele chegou com o cachorro e...
-A pé?
-Não, não... Naquele Opalão preto, o Diplomata dele...
-Ele nunca quis me vender aquele carro... – e suspira – Mas continua...
-Então, ele chegou e chamou a gente para ver, falamos para ele que o carro a gente já conhecia e ele disse que não era o carro, mas o Hórus...
-Hórus? Então o cachorro dele que sabe dirigir é aquele dog alemão burro?
-Não é tão burro assim... Dirige um diplomata hidramático...
-Bah... Besteira... Cê ta inventando...
-Tô não... O cachorro senta no banco e o Rubs põe o cinto nele, daí ele põe as patas dianteiras no volante, as traseiras nos pedais de acelerador e breque e vai...  Pode perguntar pro caras que estavam lá.
-Vou fazer melhor... Vou procurar o Rubs e tirar isto a limpo... Mas não do Opalão dele, que aquele carro deve ser trucado... Mas no meu.
-Qual dos seus?
-O Kadett Turim...
-O Lazzaroni? Cê vai deixar um cachorro entrar no Lazzaroni?
-Se for pra desbancar o Rubs, vou...

Os dois se despedem e horas mais tarde se encontram novamente no bar do Canário.

-E ai Anselmo?
-Eu fui lá no Rubs, chamei pra provar a história que aquele cachorrão burro sabia dirigir.
-E então?
-Ele foi logo assobiando pra chamar o cachorro e tirando o Opala da garagem.
-E?
-E eu chiei... Qual é? E falei pra ele: “-Este seu carro ai é trucado, não vem não... Se o Hórus dirige mesmo, põe ele no Lazzaroni que eu quero ver...”
-E o Rubs?
-Ficou meio receoso, mas colocou o cachorro no banco, colocou o cinto nele e ia sentando no banco do carona, só que eu falei pra ele que era pra ir pro banco de trás, pra não ter chance de querer me enganar...
-E ele foi?
-Foi...
-E o cachorro?
-Ah... Besteira, eu falei que aquele cachorro era burro.
-Mas porra Anselmo! O cachorro não dirigiu então?
-Dirigir até dirigiu, mas porra, toda vez que ia engatar a terceira deixava o câmbio arranhar... Demorou quase uma hora pra entender que tinha que pisar no desembreia... Bicho burro...
só não sei se ele buzina...

15 de fev de 2012

Antes era pior... 9

Os capacetes têm, inegavelmente, salvo muitas vidas em todas as categorias do automobilismo.
São hiper resistentes, capazes de – nas palavras dos produtores – suportar um tiro de médio calibre.
Nós não vamos fazer o teste, acreditamos nas palavras das empresas, e sabemos dos exaustivos testes a que estas peças salvadoras de vida que (quase) sempre são também a identidade visual mais forte de um piloto são submetidas.
Maquinas imprimem toneladas de peso simulando impactos, pedradas e até marretadas nos cascos são dadas...
Mas nem sempre foi assim.
Antes, além de não serem seguros como hoje, ainda tinham formas inusitadas de testar sua resistência... 
Ainda bem que as coisas evoluem...
Publicado originalmente no Pódium GP.

14 de fev de 2012

Nota do busão


Já faz algum tempo que as notinhas do busão não aparecem por aqui, afinal, agora vou trabalhar a pé.
Mas vez em quando...
Ao entra no coletivo, sem ver Zé Pequeno ao volante ou o cobrador com cara de tonto que trabalhava com ele.
Ocupei um banco no fundo do microônibus, após a porta e comecei a me lembrar das histórias divertidas que ouvi em anos de uso do transporte público. Ri sozinho...
Até que entraram dois homens que se sentaram bem a minha frente.

Conversavam animadamente sobre posicionamento político. Só consigo ouvir trechos.
-Você tem tendência de esquerda, por isto pensa desta forma... – diz um.
-Tendência não, eu sou de esquerda. Sempre votei no PT... – disse o outro
-Ai está o erro... PT não é mais de esquerda... Aliás, todos que chegam ao poder tendem ao centro... Foi assim com o PSDB. – retruca o primeiro.
-E você continua votando neles?
-Claro...
-Então você é de direita.
-Tanto quanto você, votando no PT é de esquerda...

A conversa girava mais ou menos em torno disto. Não conseguia prestar atenção por estar tentando me lembrar de onde os conhecia.
Então um se vira e me reconhece.
-Mas olha quem está aqui? Lembra dele? – pergunta ao amigo se referindo a mim.
-Lembro! – mentiu o outro.
-Lembra da gente? – pergunta o primeiro.
-Claro! – respondo também mentindo.
-Ouviu nosso papo? O que você acha? Ou melhor... Qual a sua tendência? Direita ou esquerda...
-Bem... – começo – Depende...
-Depende do que? Vai dizer que é dos que apóia quem ta no poder? – diz o esquerdista.
-Não, não... Mas depende mesmo...
-Do que? – perguntam quase ao mesmo tempo.
-Da cueca que to usando... Às vezes fica pra direita, mas geralmente fica para a esquerda... Quando fica para a direita é terrível porque não sou muito acostumado ai se vem uma ereção daquelas inesperadas, quando passa uma gostosa e tal, dói pra caramba...

Os dois sorriem amarelo e o direitista se levanta para acionar o sinal de parada, não sei se antes de descer ainda conseguem me ouvir dizendo: “-Odeio discutir política no busão...”.

13 de fev de 2012

Duas elucubrações sobre dorgas


Quando morreu Amy Winehouse alguns “arautos do bom gosto” poluíram o mundo com comentários do tipo: “-Drogada!”, “-Burra!”, “Vadia!”, “-Foi tarde!”
Tanto pelo estilo de canções que ela cantava, quanto pelo estilo de vida que escolheu, como se isto fosse da conta de alguém.
Ai morre a Whitney Huston e os mesmos “donos da verdade e pais do bom gosto” voltam à carga: “-Diva!”, “-Cantava muito!”, “-Tão nova!”...
E eram os mesmos que até o sábado pela manhã a davam como acabada, burra, brega... A morte faz bem a algumas carreiras como se vê.
Mas o mais engraçado é que, até se prove o contrário a causa das mortes pode ser a mesma. Os históricos são iguais.
Mas e dai? Porra nenhuma, nunca gostei.
Gritava demais.
Muita demonstração de técnica e potencia, mas sem nenhum sentimento...
Bombástico e vazio.

Não quero dizer nada com isto, mas...
 A rede Bandeirantes de televisão agora faz propaganda da temporada de Formula Indy centrando o foco na possível participação do 1B no campeonato.
Coloca em todas as suas chamadas e transmissões de outros esportes que o boquirroto pode ir correr na categoria americana de carros de fórmula.
Eu não duvido que o Segundão vá para lá... Afinal, lugar de maneta...
Sempre houve brasileiros por lá... E gente até muito mais relevante que o eterno número dois.
Gente que ganhou a Indy 500 e outras provas importantes, sendo que assim, Boquirroto seria apenas mais um por lá.
O que eu quero saber – mesmo – é se com a ida do Matusalém para a Indy, a nobre transmissora vai transmitir as provas pela metade ou mesmo não transmitir ao vivo diante de qualquer pelada entre Ponte Preta e XV de Jaú?

Mas Indy com Rubinho e Whitney Huston?
Melhor ficar fora

10 de fev de 2012

Death on two legs


Eles já haviam lançado três discos com ótima aceitação e vendagem. Faziam turnês com vários shows inclusive no Japão...
Tocavam nas rádios com regularidade e apareciam em programas de televisão, mas segundo seus contadores, ainda estavam devendo para a empresa de som e de iluminação.
O baterista, Roger Taylor, que – devido a seu estilo enérgico - quebrava várias baquetas durante os shows foi avisado de que era melhor maneirar, pois simplesmente não havia mais dinheiro sequer para comprar baquetas novas.
Em resumo, apesar do sucesso e da aparente prosperidade, estavam à beira da falência.
Uma rápida auditoria e descobriu-se o óbvio: o dinheiro entrava no caixa, mas ficava com a gravadora por conta de acordos comerciais assinados às pressas onde a produtora é que negociava seus álbuns com uma gravadora ficando desta forma com uma parte leonina dos resultados.

Enquanto ensaiavam para a gravação do seu quarto álbum, alguém ligado a produtora apareceu nos estúdios guiando seu próprio Rolls Royce.
-Algo aqui está errado! – pensou Brian May – Estamos morando em kitinetes enquanto estes caras compram carros de luxo?
Romperam com a produtora e contrataram John Reid, que gerenciava – com sucesso – a carreira de Elton John e este disse: “-Façam o melhor que puderem fazer, e deixem o resto comigo.”

Tudo parecia então resolvido, mas não para Freddie Mercury que precisava expurgar a raiva que sentia daquela situação. E era tanta que até pensou em parar de compor.
Assim nasceu um dos faiscantes “tango-rocks” de todos os tempos: Death on two legs (dedicated to...).
As reticências do subtítulo deixam em aberto a interpretação de para quem seria tal declaração de ódio. Alguns vestiram a carapuça e tentaram processar a banda, porém as faltas de outras citações na canção ou no restante do disco fizeram com que os processos fossem arquivados.
Ao vivo, Freddie Mercury costumava introduzir a canção com frases do tipo: “-Esta é sobre um cavalheiro realmente filho da puta!” ou “A próxima canção é sobre o maior filha da puta que conheci...”


Para quem quiser a letra e sua tradução clique aqui => Death on two legs 

9 de fev de 2012

De bullyng e outras frescuras... (pt 1)


Quando era moleque e arrumava confusão na rua minha mãe tinha um procedimento padrão:
-Brigou?
-Briguei...
-Apanhou?
-Não...
-Ah bom... – e me dava uma surra....

Ou

-Brigou?
-Briguei...
-Apanhou?
-Sim...
-Reagiu?
-Sim...
Ah bom... – e me dava uma surra, mas menor, afinal, não deixei que ninguém montasse em minhas costas, como ela dizia...

Pqp! Caralho... Que tipo de cidadão estamos criando para o futuro?
Nós brigávamos, apanhávamos, batíamos...
Dávamos e ganhávamos apelidos...
Éramos perseguidos por moleques mais velhos e maiores, depois nos juntávamos em três ou quatro e dávamos o troco... Se necessário, pauladas, pedradas...
Perseguíamos os moleques menores e depois tomávamos pedradas, tapas dos irmãos mais velhos.
E hoje, somos todos conhecidos, talvez não amigos, mas quando nos encontramos damos boas risadas de tudo aquilo.

Hoje o que temos?
Escolas fazendo seguro contra bullyng...
Tudo é bullyng... Tudo é questão de correr para divãs de psicanalistas por que: “-É necessário falar sobre o que nos aflige para que possamos crescer sem traumas!”
Você ai que está lendo... É traumatizado por conta de um apelido escolar?
Você conversou som um psicólogo ou deu um jeito sozinho?
Se está aqui, vivo então parece que passou e superou o tal “bullyng”...
Esta coisa vai acabar virando muleta
Esta geração que estamos criando vai ser nossa ruína... Gente frouxa.
Imagino se um dia um louco qualquer resolve deixar crescer um bigodinho, arregimenta um bando de malucos que o sigam cegamente e saia por ai exterminando uma etnia qualquer com planos de dominação mundial, nós estaremos ferrados...
Esta geração ai vai achar, porque é assim que os estão criando, que conversar com um psicólogo sobre as agressões que os malucos estão fazendo ou ficar deprimidinho sentado no canto é muito mais eficaz que pegar nas armas e ir enfrentar a opressão.

Se nos anos 40, o bullyng estivesse na ordem do dia e junto com ele a forma de tratar a coisa, hoje estaríamos todos comendo repolho com salsicha, bebendo cerveja quente e deixando o ar irrespirável.
E claro, falando alemão: Mobbing ist dass wir locker

7 de fev de 2012

RB8 - Nariz de doze


E entram na sala Christian Horner e Adrian Newey.
A platéia presente - composta por jornalistas e alguns torcedores – aplaude.

Horner toma a palavra.
-Senhores... A Red Bull Racing, no intuito de continuar competitiva como sempre e se possível manter o mesmo domínio exercido na temporada passada, onde nosso Sebastian Vettel passeou pelo campeonato, apresenta agora o modelo RB8.
O pano que cobria o carro é retirado e o que se vê é a repetição do bico com degrau.
O RB8 de Sebastian Vettel
A decepção dos torcedores é quase palpável... E Horner continua:

-Só que para este ano temos novidades... E não é só no carro, mas na filosofia do time.
Não... Não é necessário que fiquem ai especulando sobre se vamos ou não fazer jogos de equipe e achar isto normal... Não é o caso. Mas vamos dar uma força a mais para Mark Webber e para isto encomendamos para nosso gênio Adrian Newey um sistema dentro das regras para que Mark possa se dar melhor na temporada e, se necessário, ajudar Vettel. Para explicar tudo sobre o carro e este aparato: o mago Adrian Newey!
(aplausos)

Newey toma a palavra.
-E assim, com este carro novo - e porque não dizer - revolucionário, vamos para a disputa do campeonato 2012 da F1.
O carro tem neste bico com um degrau sua maior inovação e por dentro dele aquilo que fará com que Webber se aproxime mais de Vettel, passando-o se puder, mas, sobretudo ajudando- o a conseguir ultrapassagens sobre seus adversários das outras equipes.

Carro de Webber com o dispositivo
-Mas tem o degrau nos dois carros... Por que ajudaria só o Webber? – pergunta um jornalista.
-Muito bem perguntado meu caro! – diz Horner e continua – Adrian irá explicar...

-Bem... Obrigado Crhistian... Como é notório, Vettel quase sempre larga na pole, sem ninguém a sua frente e assim abre vantagem... Com Mark, infelizmente não tem sido assim... Por isto ali naquele degrau do bico do RB8 de Mark, e só no dele, instalamos um dispositivo para possibilitar as ultrapassagens: uma espingarda calibre 12 de dois canos que recarrega automaticamente...
Mas se nem assim Mark Webber conseguir vencer corridas ou ao menos chegar em segundo, desistimos dele...
Os canos da calibre 12 no carro de Webber
(Mais aplausos...)

As imagens que ilustram este post foram gentilmente cedidas por Marcio Kohara

6 de fev de 2012

Enter F1 2012 - Fórmula Escada, Cyrano de Bergerac ou Juca Chaves


Por enquanto só houve dois lançamentos de carros para a temporada 2012.
O “novo” Maquilata e os outros.
“-Ah, então o Groo capitulou e agora está torcendo pela McLaren?”
De jeito nenhum! A versão inglesa da Ferrari em termos de safadeza não me agrada...  Mas ao menos o carro é um pouquinho diferente destas tralhas que parecem homenagear o Cyrano de Bergerac...
Cyrano: Maior ladrão de oxigênio da literatura
Aliás, isto suscita uma dúvida: Se os projetos são desenvolvidos a sete chaves e sob segredo absoluto, como é que quando são lançados os carros se parecem tanto?
Será que as mulheres dos projetistas conversam no mercado? Fazem academia no mesmo lugar? Facebook?
Enquanto não há resposta para este dilema, vamos aos lançamentos até agora.

A Force Índia
Pintura samba do indiano doido
O carro dos indianos malucos nunca foi um primor de beleza.
Se havia algo bonito no desenho, a pintura samba do indiano doido escondia.
Este ano, pasme, esta foi a vantagem: A pintura escrota escondeu um pouco o bico ridículo.

A Caterham
Trator com aerodinâmica
A feiúra do modelo, com o maldito bico em degrau, só não vai ser mais notada ainda porque não é o único e, claro, como vai ser de fim de grid, será pouco vista.O carro já foi apelidado de Wally Gator, Ornitorrinco F1, Caterpillar e Catarrão.
Ou será muito vista, se por acaso, tomar um monte de volta do líder...

A Lotus
Não tem degrau no focinho e ainda protege a casa
O carro é igual aos dois de cima.
Tá... Deve ter detalhes diferentes, mas não podemos ver se não tirarem a porra da carroceria.
Já ouvi dizer que o carro é bonito porque é preto e dourado.
Meu cachorro é preto e dourado, e mais, não tem degrau no focinho.

A Ferrari
Feio e copiado. É o fim do Byrne
Conhecida por não criar nada de novo há muitos anos, copiam na cara dura.
Agora copiaram a Caterham, que lançou primeiro, o que para mim é fim de carreira.
O legal é disto tudo é que quando a Maquilata copiou os projetos deles, o caso foi tratado como espionagem... Mas quando são eles que copiam...

A McLaren.
O mesmo carro só que com mais porta-treco
A Maquilata lançou o carro de 2010 com um novo estofamento, mais vinte porta-treco, um adesivo diferente na traseira escrito: “Sportspirit”.
Se F1 tivesse farol, provavelmente este viria com xenon... Mas de novo mesmo... Nada.
Ao menos não veio com o tal degrau o que já faz dele um sério candidato a carro mais bonito do ano. O que não chega a ser realmente um elogio.

Tomara que o desempenho deles sejam ao menos equivalentes, porque se além de feios, eles tornarem as corridas monótonas, estaremos na roça.
Vamos esperar as outras equipes...

3 de fev de 2012

Canções bobas de amor


John Lennon, aquele, um dia escreveu uma canção chamada “How do you sleep?” e a lançou em seu álbum Imagine de 1971.
Na canção questionava Paul McCartney, o outro, por só lançar canções tolas sobre de amor.
Numa atitude muito deselegante, diz que: “-Os caras estavam certos em dizer que morreu”, referindo-se a alguns malucos que enxergavam evidencias de que Paul havia morrido em 1966 e tinha sido substituído por um sósia.
E prosseguia: “... tudo que você fez foi ontem (Yesterday, canção de Paul nos Beatles) e desde então é só outro dia (Another Day, canção solo McCartney) e terminava questionando “-Como você consegue dormir?”

Paul, que com o fim dos Beatles formou os Wings e seguiu sua carreira de forma mais constante, demorou a dar a resposta, mas quando veio foi em grande estilo no seu álbum At the speed of sound, de 76
“-Você deve pensar que já existem canções bobas de amor o suficiente, mas olho ao meu redor e não vejo isto. Alguns caras querem encher o mundo de canções bobas de amor, o que há de errado nisto? Eu gostaria de saber, porque aqui vou eu de novo: Eu te amo! Não posso explicar o sentimento, você não vê?”
E alfinetava a relação de John com sua esposa Yoko – tida como autoritária - com versos sobre o seu próprio com Linda McCartney:
"-Ah, ela me deu mais, ela deu tudo para mim e o que há de errado nisto? O amor não vem em um minuto. Às vezes ele não vem nunca... Só sei que quando estou apaixonado ele não é bobo. O amor realmente não é bobo...”
John acusou o golpe. Não voltou mais ao assunto e segundo alguns até capitulou lançando em 1980, em seu último disco Double Fantasy a canção “Woman” que é linda e... Boba.
Aqui talvez caiba a discussão se a canção de Lennon é ou não boba, mas que a resposta de Paul ao insulto original é maravilhosa, isto ninguém há de duvidar ou negar, só faltou dizer: "Durmo muito bem! Obrigado!"

2 de fev de 2012

A estratégia (que falhou) por trás do MP4-27


Quando o dia amanheceu na Bahia de todos os santos os fieis já rumavam para a praia do Rio Vermelho com seus barquinhos repletos de oferendas à rainha do mar Iemanjá.
Espelhos, perfumes, flores, bijuterias entre outras coisas eram enviadas através das ondas para alto mar.
Assim é desde os tempos imemoriais, só que neste ano duas figuras diferentes estão entre os devotos e filhos de santo. E não é apenas por serem estrangeiros, porque muitos turistas participam da famosa festividade baiana assistindo, inclusive, a lavagem das escadarias do Senhor do Bonfim dias antes.
Mas porque estão vestidos de forma muito peculiar.
O mais velho com uniforme de chefe de equipe da F1 e o outro, incrivelmente, como piloto. De capacete e tudo.
Difícil achar os dois ai no meio, mas estão ai...
E não era qualquer equipe... Lá estavam Ron Dennis e Lewis Hamilton.

-Você tem certeza Lewis?
-Claro, Ron! É coisa certa...
-Mas de onde você tirou esta idéia? Foi coisa daquele pai de santo fajuto que você achou na internet? Pai... Pai... Tonhão?
-Pai Tião...
-Este... Tem algo com ele?
-Sim e não... Sim porque quando ele passou por Woking anos atrás, fez um bom trabalho e ainda me confundiu com um baiano... Achei que era um bom sinal... Mas não, porque ele não falou pra gente fazer o que vamos fazer aqui agora...
-Tá certo então... Qualquer coisa pra tentar acabar com este domínio da Red Bull.
-Correto, este é o pensamento... Verifica ai dentro do barquinho... Espelho com logo da McLaren?
-Confere.
-Miniatura com meu capacete?
-Confere, mas porque não trouxe o do Button também?
-Se eu não testemunhei nem a favor do Sutil pra livrar ele da cadeia, porque iria fazer pro Button pra ele ser campão mundial e em cima de mim?
-Faz sentido...
-Camisa e macacão?
-Confere...
-E tudo dentro de uma miniatura em escala 1:12 do MP4-27?
-Mas não era para ser um barquinho?
-Era... Mas achei que Iemanjá entenderia melhor o que quero se fosse em um carro.
-Confere...
E então os dois colocam a miniatura do carro de corrida no mar e esperam até que ele suma no horizonte e partem para conhecer o Pelourinho.
-Quem sabe a gente não conhece o Carlinhos Brown? – diz Lewis...

De repente o céu escurece, ventos fortes sopram vindos do mar, raios caem e trovões ribombam.
Um batuque estranho é ouvido e coincidentemente também a voz de Elis Regina cantando o Canto de Ossanha: “Coitado do homem que cai no canto de Ossanha, traidor...”
E dos céus despenca a miniatura com as bugigangas de Woking no mesmo momento em que uma baiana do acarajé, de olho na cena, vaticina:
-Ih zinfio, a Rainha do Mar rejeitou tuas oferendas... E pela mensagem, foi por causa de trairagem... Odô iyá!
Reconhecidos por um fã baiano que sem muito esforço entendeu o que se passava, os dois ainda tiveram que ouvir...
-Era melhor ter gasto mais tempo na prancheta fazendo um carro novo ao invés de fazer o mesmo carro desde 2010 e vir pedir ajuda de encantado... Que vergonha...

1 de fev de 2012

Caminhada


Então chegou realmente o ano novo e aquelas promessas bestas que você fez na noite do dia 31 de dezembro são todas esquecidas...
Todas?
Quase... Menos aquela que sua mulher não vai lhe deixar esquecer. Não tão fácil.

-Vai procurar uma academia! – diz ela – Teu sedentarismo te atrapalha até o sono.
-Não vou... Não quero gastar dinheiro com isto. – você responde.
-Então tá... Guarda pra gastar com um médico. E se não quiser gastar com o médico, tudo bem... Se você morrer, a casa é minha e eu vendo teus livros para um sebo e pago o funeral.
Com esta lógica inapelável ela te convence a pelo menos deixar de ser totalmente sedentário e ir fazer algumas caminhadas.

Aquele teu amigo professor de educação física diz que para começar a fazer efeito, qualquer exercício físico só faz efeito após os primeiros trinta minutos.
-Tá... – você diz sem muita convicção
-Aproveite o fim de tarde quando o sol já não está muito forte. – diz ele.
-Claro... – mas você pensa “-Não tem sol, mas vai continuar calor”.
-Ah, não use anti-transpirante... Deixe o suor escorrer, faz bem. – ele conclui com um sorriso.
-Pode até fazer bem, mas também vai trazer um puta mau cheiro! Nem na padoca para tomar uma coca gelada vai dar.
-Mas quem disse que é pra tomar coca cola?
-Não pode?
-Lógico que não... Toma um isotônico.
-Um o quê?
-Um gatorede.
-Aquilo tem gosto ruim... Parece urina.
-Cê já tomou urina?
-Como?
-Nada... Toma água então.
-Menos mal...

No primeiro dia você se sente cansado. Depois piora um pouco.
A musculatura da coxa fica pulando como se tivesse vida própria e quisesse te abandonar.
O problema é que depois de trinta minutos de caminhada a água já acabou ou está quente. E dificilmente tem um lugar pra reabastecer a porcaria da garrafinha.
Resolve então levar uma mochila com uma pet de dois litros e meio dentro.
Além de não resolver o problema já que quanto mais água você tem, mais água você toma.
Ainda tem a contrapartida: se entra, tem que sair. O que sempre vai fazer com que se quebre o ritmo da caminhada. Mas você segue andando nos fins de tarde mesmo sem saber que está ou não dando resultados. No fundo você duvida apesar de estar dormindo melhor.
 “-Também cansado, dormir fica fácil...” – você pensa sem dar o braço a torcer.

Até que quando chega Fevereiro, num fim de tarde qualquer e sua mulher te encontra tomando cerveja numa mesa ao sol.
-Ai é que é teu exercício?
-Se é pra ficar suado e mijando a cada vinte minutos, prefiro tomar cerveja no sol a caminhar. – e virando para o atendente do bar – E desce mais uns torresmos big grandes ai...
Caminhar, eu? Nem fodoscando!