29 de nov de 2012

As aposentadorias de Schumacher


Ao terminar a temporada de 2006 A Formula 1 colocou mais duas legendas em sua vasta galeria.
Uma foi Fernando Alonso, príncipe desafiante que a bordo de uma Renault conseguia o seu segundo título mundial e dali partiria para fazer história na categoria. Para o bem e para o mal...
A outra legenda foi a primeira aposentadoria de Michael Schumacher, o maior vencedor da categoria com sete títulos por duas equipes diferentes.
Ao se retirar do circo Schumacher deixou além dos títulos, o legado de ter sido o responsável direto por mudanças em regras e pontuação após dominar completamente os campeonatos entre 2000 e 2004.
Voltou em 2010 sem o mesmo brilho e força, algo até compreensível em face da velocidade das mudanças que a categoria passou neste meio tempo em que esteve afastado.

Mas o que era a categoria durante aquele ano de 2006? O que exatamente Schumacher estava deixando?
 E agora em 2012?  Quais as diferenças e semelhanças na F1 nos anos das aposentadorias do hepta campeão?

Os motores em 2006 já eram os V8, mas ainda não havia o congelamento no desenvolvimento de propulsores para corte de gastos.
Honda, Renault, Ferrari, Mercedes, Toyota, Cosworth e BMW eram as fornecedoras.
Em 2012 os V8 ainda estavam lá, embora estejam com os dias contados e quase as mesmas fornecedoras ainda estão na categoria.
Exceção feita a Toyota, Honda e a BMW, que abandonaram a F1 alegando que a crise econômica mundial havia afetado suas vendas de tal maneira que era impossível continuar gastando verbas e mais verbas em um esporte que não estava dando o retorno esperado.
A sensação era que a saída se dava mais pela falta de resultados em pista.
Na verdade, nenhum dos motivos era totalmente falso.

Existia o controle de tração, que ajudava a não patinar nas largadas, atuava na chuva, nas saídas de curva.
Hoje está banido.

Duas empresas forneciam os pneus: a francesa Michelin e a japonesa Bridgestone.
Eram sulcados a pedido da Comissão de Ultrapassagem da FIA.
Em 2012 há apenas uma fornecedora: a italiana Pirelli e os pneus voltaram a ser lisos (slicks) e são construídos de forma que se degradem rápido, o que tornou a competição mais atraente e (milagrosamente) trouxe mais ultrapassagens às corridas.

Os carros já eram bastante apoiados nos conceitos de aerodinâmica, com asas grandes, pequenas e aletas em profusão.
Agora, os projetistas - que já haviam levado a aerodinâmica para baixo dos carros com a introdução dos difusores duplos (também banidos hoje) - passaram a usar os gases do escapamento para melhorar a aderência.
As asas traseiras podem se mover, o que não era permitido em 2006, mas apenas em trechos pré-determinados para cada corrida.

A própria categoria era menos “cuidadosa” e não se punia tanto como hoje.
Nem tudo era considerado “perigoso” ou “temerário” pelos comissários de prova sendo mais constantes os toques entre carros nas disputas por posição sem que os envolvidos fossem postos sob investigação.
A F1 parecia mais corajosa.

Na parte humana havia um panorama um tanto envelhecido com nomes como Rubens Barrichello, David Couthard, Jarno Trulli, Pedro de La Rosa e Ralf Schumacher.
Na pista - ainda que não durante o ano todo – havia além do alemão e de Fernando Alonso, apenas mais um campeão: o contestado Jacques Villeneuve.
Podia-se apontar como promessas o alemão Nico Rosberg, então piloto da Williams; Robert Kubica que veio substituir exatamente o campeão mundial Villeneuve na BMW Sauber; Felipe Massa, o segundo piloto da Ferrari; Jenson Button na Honda.
Kimi Raikkonen já estava estabelecido como grande piloto e pilotava pela McLaren, faltava-lhe apenas o título para se consolidar.
Havia um piloto português: Tiago Monteiro e o japonês cult da época era Takuma Sato
Foi também o ano em que Juan Pablo Montoya decidiu abandonar a F1 para pilotar na Nascar.
Os nomes de menos expressão também estavam presentes, como sempre.
Pouquíssima gente sentiu saudades quando nomes como os dos japoneses Sakon Yamamoto e Yuji Ide, ou do francês Frank Montagny deixaram de aparecer nas tabelas de classificação.
Bem como os do americano Scott Speed ou dos holandeses Christijan Albers e Robert Dorboos.

Em 2012 o alemão deixa uma categoria entregue a nomes consolidados.
Sebastian Vettel disputou até a última prova com Fernando Alonso e acabou sagrado como o mais jovem tri campeão da história.
Além dos dois, também Jenson Button, Lewis Hamilton e Kimi Raikkonen fazem companhia ao alemão no clube dos campeões da F1.
Há um piloto indiano e o japonês cult da vez é Kamui Kobayashi.
Pilotos de mediano para baixo acabaram por tomar conta do grid em numero muito alto por conta dos patrocínios que conseguem amealhar: Pastor Maldonado, Bruno Senna e Nico Hulkemberg que apresentam um nível um tantinho maior de talento dividem espaço com nomes do quilate (baixo) de Timo Glock, Narain Karthikeyan, Charles Pic, Kovalainen e Vitaly Petrov. Fica difícil apontar uma promessa.
Nico Rosberg e Felipe Massa ainda estão na ativa. Pedro De La Rosa também está no grid, mas não se pode dizer que esteja na ativa, já que pilota um dos piores carros do grid.

Já nas equipes, além da onipresente Ferrari e das tradicionais Williams e McLaren, apenas a Sauber e as coirmãs Red Bull e Toro Rosso estavam no grid em 2006 e permanecem para a segunda despedida de Schumacher.
Midland, BMW, Toyota, Honda, Renault e Super Aguri foram sendo substituídas por nomes como Marussia, Caterhan, HRT, Force Índia.  Contando ainda com a volta de nomes consagrados como Lotus e Mercedes, a equipe da segunda aposentadoria.

França e Sam Marino ainda faziam parte do calendário em 2006, que contou com dezoito etapas.
Herman Tilke, o desenhista oficial de circuitos assinava – e assassinava – apenas quatro circuitos: Bahrein, Malásia, Turquia e China.
Destas, apenas a Turquia não faz mais parte do calendário em 2012 que conta com vinte grandes prêmios e o arquiteto alemão é responsável por nada menos que nove pistas da temporada: Bahrein, Malásia, China, Cingapura, Valência, Coréia do Sul, Índia, EUA e Abu Dhabi.

E por último, quando abandonou a categoria ao final de 2006, a Red Bull era apenas uma equipe muito promissora que andava no meio do grid, hoje, o time do austríaco Dietrich Mateschitz tem três títulos de construtores no currículo e é o time a ser batido.

Mas mais do que isto, quando Michael Schumacher se aposentou naquele ano, além das mudanças profundas na categoria e seus recordes, deixou também um saudável sentimento de quero mais, de que ainda não era a hora de parar.
Quando a prova em Interlagos terminou no domingo passado, a única coisa que Schumacher deixou foi a duvida: valeu a pena ter voltado?

28 de nov de 2012

Psicologia invertida


E de nada adiantaram os mind games de Fernando Alonso, Sebastian Vettel se manteve frio e calado o tempo todo.

Quando Alonso disse que não tinha Vettel como adversário, mas sim Adrian Newey, o alemãozinho não respondeu.
Juntou-se com o projetista e discutiu qual a melhor forma de utilizar seu equipamento em cada uma das pistas que faltavam.

Quando Alonso novamente abriu a boca para dizer que além dele, apenas Lewis Hamilton vence corridas com carros inferiores, também não houve resposta.
Venceu foi vencendo as corridas que pode e chegou otimamente classificado nas que não venceu: terceiro em Abu Dhabi, segundo em Austin e sexto em Interlagos.

Quando a Ferrari criou o factoide da punição a Felipe Massa em Austin, jogando o asturiano para o lado mais emborrachado da pista, Vettel não reclamou e nem solicitou a Red Bull que fizesse o mesmo com Webber.
Simplesmente largou e fez sua prova da melhor maneira possível.
Enquanto o espanhol falava, Vettel trabalhava.

A tal pressão psicológica que tanto se alardeou e que alguns disseram estar afetando o trabalho de Sebastian a ponto de não ter feito a pole no Brasil se mostrou uma grande piada.
Ou será que alguém pressionado faria uma corrida de recuperação como a do alemão após o choque na primeira curva?

Mas depois da corrida em Interlagos Vettel finalmente respondeu.
Como uma garrafa de refrigerante que acumula gás ao ser chacoalhado e jorra o liquido quando aberta mandou aos jornalistas:
“-Quero que vocês entendam minhas palavras: tentaram fazer de tudo contra a gente este ano. Mas eu aprendi desde criança a ser honesto. E ganhamos este campeonato assim: na honestidade.”.

Curiosamente, enquanto dava esta declaração, Fernando Alonso aparecia para parabenizar pelo título.
Não se sabe se o asturiano ouviu, mas que seria bem interessante saber de sua reação à frase, isto seria.

27 de nov de 2012

Lado B do GP - Os segundões


Nada mais lado B que piloto B, não?
Neste fim de semana tivemos um monte deles.
Foi tanto segundo piloto tentando inverter a ordem que foi uma maravilha.

Começa pelo sábado.
Felipe Massa acaba a classificação na frente de Fernando Alonso e dá entrevista todo bravinho e negando veementemente que haverá uma mutreta qualquer da equipe que fará o espanhol ganhar ao menos mais uma posição no grid.
Ao menos não mentiu.

No domingo, 1B original ataca de repórter da emissora oficial.
Não adiantou nem mudar de profissão.
A maldição do segundão o acompanhou e o boquirroto acabou como segundo repórter da Globo, correndo atrás de Carlos Gil pelo grid...
Mais lado B ainda foi quando tentou entrevistar Michael Schumacher, que nem deu bola, mandando afivelar o cinto de segurança e colocando o capacete.

Então aparece Webber, o segundão da Red Bull querendo a todo custo chamar a atenção para si.
Na largada consegue ficar atrás de Vettel, mesmo se classificando a frente.
Então espreme o alemão contra o muro na entrada do S e o força a frear, o que causou – em partes – a colisão com Bruno Senna.
Depois, após uma rodada de pit stops, volta perto do companheiro de equipe e se não tivesse errado na mesma entrada do S teria impedido a ultrapassagem de Vettel.
Isto se não o tivesse jogado para fora novamente.

Um que não é segundo piloto, mas protagonizou um belo lado B foi Kimi Raikkonen que ao errar na Junção acaba pegando uma entrada para o antigo traçado, só parando quando enxerga que não há saída.
A manobra e o retorno foram hilários.
Na hora lembrei do esporro que deu no engenheiro em Abu Dhabi.
Será que ali, ele sabia o que estava fazendo também?

25 de nov de 2012

F1 2012 - Brasil - CHUUUUUPA ALONSO!


A semana inteira o que mais ouvir falar foi (com voz irritante): “-Se chover o Alonso é campeão”.
Pois bem... Choveu.
E não foi pouco e nem foi constante. O que é pior já que obriga a uma troca constantes de pneus e estratégias.
Para ajudar, Vettel é tocado, roda, cai para último na primeira curva e ainda tem parte da carenagem do carro e do assoalho quebrados.
E o que aconteceu? Nada.

Alonso não conseguiu ser campeão da mesma forma.
O espanhol não é o deus supremo da pista molhada como parte da imprensa e seus fãs mais xiitas pintaram durante toda a semana.
E nem Vettel é o “Zé Mané” mor da pista molhada, basta lembrar de sua primeira vitória, debaixo de um senhor pé d´água, com uma carroça da Toro Rosso e no mais veloz dos circuitos da F1.

A maior prova disto é que mesmo com a pista molhada, Alonso não superou as McLarens - enquanto as duas estavam na pista – e Vettel, numa recuperação fantástica veio de último para a quarta posição e com o carro perdendo pedaços.
Não bastasse, ainda teve que brigar contra o próprio companheiro de equipe por duas vezes.
Na primeira, aliás, foi obrigado a frear para não ser espremido no muro da entrada do S e acabou sendo acertado por Bruno, sobrinho do dono da curva.

A corrida, por fim, foi emocionante e tensa. Uma verdadeira decisão.
Com tudo que a palavra pode trazer em si e serviu para acabar de vez com aquela farofada de que é possível vencer um campeonato com o carro inferior tirando apenas no braço e com joguinhos mentais ridículos.
Por mais que sejamos obrigados a reconhecer – seria burrice não fazer – que Alonso pilotou o fino nesta temporada, é impossível não rir de orelha a orelha vendo-o chegar em segundo, tanto na corrida quanto no campeonato.
Chupa Alonso.

No fim, a vitória de Button, que é mestre em guiar por pistas ligeiramente ensaboadas, acabou muito justa.
O inglês gente boa venceu a primeira do ano (Melbourne), a primeira após as férias (Spa) e a última da temporada.
Mas como digo sempre: Quem liga para o Button?

Viva Vettel, o mais jovem tri campeão da história.
E que venha 2013 e seja tão boa como a temporada deste ano.

23 de nov de 2012

1B no oftalmologista



-Que letra é esta? – pergunta o oftalmologista apontando o cartaz.
-F... – responde o paciente.
-Muito bem, muito bem... E esta aqui? – aponta uma menor.
-E.
-Hum... E esta?
-Agora complicou! Tá bem pequeno... Seria um R?
-Quase isto... São dois.
-E então? Estou bem da visão?
-Ruim não está... Mas acho que vou ter que lhe recomendar óculos.
-Para descanso?
-Para corrigir uns defeitinhos.
-Eu tenho defeito na visão?
-Sabe como é... Idade, esforço... Tudo isto prejudica um pouco.
-Mas doutor... Eu não quero usar óculos.
-Bem, se é por vaidade, pode usar lentes de contato.
-Não... Nem é questão de vaidade, é pelo trabalho mesmo.
-O que o senhor faz?
-Como assim o que faço? O senhor não me conhece? Não gosta de corridas?
-Não, não sei quem é o senhor e não gosto de corridas. Como não é negão e é brasileiro, não deve ser queniano.
-Não, não... Me expressei mal. Não gosta de automobilismo?
-Ah! Corrida de carros?
-Isto!
-Não gosto também não... Mas fiquei curioso: quem é o senhor?
-Sou Rubens Barrichello, duas vezes vice-campeão mundial de F1! – diz orgulhoso.
-Entendi... Acho que é por isto que não o conheço.
-Não gosta de F1?
-Não gosto de vices... Por isto não torço pelo Vasco, Mas falando sério: os óculos...
-Não, não... Eu não posso usar óculos... Eu ainda piloto e eles não ficam confortáveis por baixo dos capacetes. Prefiro as lentes mesmo.
-Mas o senhor ainda pilota? Nunca mais vi o senhor na Globo.
-Não assiste stock car?
-Não...
-Deve ser por isto, mas vai por mim, ainda há algumas pequenas chances de eu voltar para a F1, ai o senhor vai ouvir falar de mim mais vezes na Globo novamente.
-Ah... Claro... Me dá aqui então esta prescrição de óculos.
-Vai me prescrever lentes?
-Não... Cirurgia.
-Cirurgia? Mas por quê? Disse que eram apenas pequenos defeitos de cansaço!
-Me enganei... Você está vendo coisas onde não existem. Melhor operar logo...

21 de nov de 2012

Manchetes Win or Wall

E Perez continua causando dúvidas
Os últimos resultados e suas declarações não estão ajudando o mexicano. Ele sim vai ser o verdadeiro Win or Wall. Ou vence e cala a boca de todo mundo, ou dá razão a todos eles...

Mario Andretti sugere terceiro carro para equipes da F1
Mario sabe das coisas, tem visão americana da parte promocional do esporte. Isto é bom.
Só precisa aparar as arestas das idéias...

Originalidade no pódio texano
Ok, não é tão ridículo quanto a dancinha indiana, mas que ficou parecendo coisa da festa do peão em Barretos ninguém duvida.

Alonso elogia a "honestidade" da Ferrari em Austin
Depois desta, Martins Withmarsh, o chefe da McLaren disse que tinha dúvidas sobre o caráter de Alonso e disse também que quando correu por lá, teve este tipo de ação negada pela equipe. Hum... Sei... Sei... Mas xerocar o carro da Ferrari não foi pedido do asturiano foi?
O sujo falando do mal lavado.

Montezemolo elogia trabalho de Felipe Massa
Não poderia ser diferente. Aceitou de boa e nem reclamou de perder cinco posições sem necessidade aparente.
Ah se fosse aquele outro lá... Meu deus...

José Dirceu condenado pelo mensalão
Não é sobre F1, mas poderia ser... Ele só não seria condenado se fosse da Ferrari. Disto tenho certeza.

visite o tumblr (cazto de palavra) Win or Wall

20 de nov de 2012

Lado B do GP - O pódio


Com uma corrida dentro do que se pode chamar de boa, há pouca coisa há se destacar como lado B, mas, na boa?
Por mais que estivesse no contexto, os chapéus de cowboy poderiam ter ficado fora do pódio. Não?

Não.
Em categorias nacionais os americanos são os reis do pódio bizarro.
Há uma corrida no mesmo Texas que o vencedor comemora dando uns tiros para cima. Para eles faz sentido, ainda que para nós não.
Isto sem contar aquele em que o troféu é uma Gibson Les Paul e outras em que tomam leite, suco de laranja...
Esta do leite foi até copiada nas corridas da Indy aqui no Brasil, só que em vez do cara tomar o suco de vaca vindo de uma bonita garrafa de vidro, faz biquinho para mamar o liquido direto da caixa longa vida.

Agora, imagino se a moda dos chapéus pega e vão fazer corridas na Noruega, por exemplo.
Seria no mínimo surreal ver os pilotos com capacetes de viking com tranças e tudo.

Mas pelo lado bom não teve dancinha em frente aos pilotos como na Índia.
Se bem que sendo à moda texana, o mais provável é que Hamilton, Vettel e Alonso tivessem presenciar uma apresentação de jamboree - como diz a letra de Rio de Whisky do Matanza – “... dando tiro pro alto, bebendo e batendo o pé.”
Ou uma bela briga de sallon como nos filmes sobre o velho oeste...

19 de nov de 2012

F1 2012 - EUA : Texas blues


E pode-se dizer que o evento foi um sucesso.
Um tremendo sucesso.
A pista, ainda que calcada no CRTL C e CRTL V e por isto mesmo um tantinho sem alma, funcionou bem. Lisa, não castigou os pneus.
Ultrapassagens em todos os pelotões, público em bom número e participativo.

Ponto negativo para a história mal contada da troca de câmbio no carro de Felipe Massa onde – novamente- apenas Alonso saiu favorecido ao mudar de lado na fila de largada.
Saiu do lado “sujo”, sem emborrachamento para a o lado com melhor tração.
A conversa era de que largando do lado “sujo” além de não poder nem sonhar em saltar a frente, ainda corria-se o risco de perder uma ou duas posições para os que viessem de trás.
Realmente!
Foi o que aconteceu com quem ficou por lá.
Já Alonso deu um salto de duas posições
Mas isto vindo da casa do mal é coisa normal.
Como também foi normal – e louvável – a Red Bull não se utilizar do mesmo expediente e forçar uma punição por troca de qualquer coisa no carro do canguru motorista para devolver o piloto do lado sujo da força para o lado sujo da pista.

Na parte esportiva, a vitória de Lewis Hamilton acabou servindo – ainda que não tanto assim – a causa alonsiana não deixando a diferença ir níveis “intiraveis”.
A decisão fica mesmo para a última corrida e tem um cenário ainda confortável para Sebastian Vettel.
Basta o alemãozinho boca suja não perder Alonso de vista que será o mais jovem tri campeão da história.

E mesmo com o cara pilotando o fino, entramos em contagem regressiva para o maior “chupa Alonso” de todos os tempos.
Vou regar meu brado com um bom vinho espanhol e ouvindo blues, não é Javi?


17 de nov de 2012

GP dos EUA inesquecível


Grande Prêmio dos EUA, ao menos para os brasileiros é sempre cercado de uma mística, de uma aura histórica.
Primeiras vitórias de Emerson e Piquet.
O primeiro título de Piquet.
Vitórias de Ayrton Senna e até de Rubens Barrichello, ainda que deste último pareça – até hoje – uma compensação pela patacoada ocorrida na Austria no mesmo ano em que a poucos metros da linha de chegada o brasileiro tenha cedido – ou sido obrigado a ceder – a posição ao alemão Schumacher.

Mas olhando atentamente também há passagens cômicas ou dramáticas.
Pista em estacionamento de shopping, corridas com calor infernal em que pilotos até desmaiavam e o mais curioso de todos os casos: a corrida de 2005.

Não que a crise dos pneus a aquela altura fosse uma comédia, longe disto.
O perigo de haver muitos acidentes por conta da falha nos Michelin realmente existia e não tinha nada de engraçado.
O protesto – inusitado, inédito e muito válido – na largada do GP dos EUA de 2005 trouxe outras nuances, estas sim cômicas (quase trágicas) da F1.

A elas:
Ralf Schumacher, o irmão esquisitão foi um dos pivôs da crise ao bater na curva 13 - única curva original do circuito oval do templo de Indianápolis – onde curiosamente no ano anterior, sem problema nenhum nos pneus, ele bateu no mesmo lugar e tão forte quanto.
Era a primeira pole position da equipe Toyota, e nem sequer largaram.
Foi a única corrida como titular de Ricardo Zonta naquela temporada.
Mesmo largando apenas na quinta posição Michael Schumacher ainda estava a frente do seu companheiro de equipe.
Mesmo com apenas seis carros na corrida, o piloto indiano Narain Kartiqualquercoisa não escapou de ser um dos últimos.
Esta corrida foi o ponto alto da carreira de Patrick Friesacher na F1, marcando três pontos para a Minardi, que fazia então aquela sua ultima temporada. Depois, por motivos financeiros foi trocado por Robert Doornbos, o que convenhamos, não foi bom negócio para ninguém...
Foi também a última corrida em que a Minardi marcou pontos: 7, depois virou Toro Rosso, venceu um GP e revelou um campeão mundial.
Este GP acabou com a idéia estapafúrdia que em uma corrida head to head com Schumacher, Rubinho venceria.
Raras vezes a F1 reuniu nos EUA mais de 100 mil pessoas para assistir um grande prêmio, e justo daquela vez viram apenas seis carros largando para as 76 voltas.
Provavelmente foi a maior vaia que a categoria já tomou em um autódromo.


Os estadunidenses são acostumados com corridas com muitos pitstops, muitas interrupções por bandeira amarela, mas quando viram os carros se dirigirem aos boxes antes de completar a volta de apresentação devem ter pensado: “-Isto é ridículo...”.
E isto não deixa de ser engraçado...

16 de nov de 2012

F1 X Futebol: morre o burro fica o homem



A emissora oficial da F1 no Brasil optar por exibir na tarde deste domingo uma partida do – já decido – campeonato brasileiro de futebol já era até esperado. Favas contadas.
Nem com os atrativos de ser a penúltima corrida do ano, com possibilidade da decisão do título mundial de pilotos (em uma briga acirrada) e ser a primeira corrida na pista americana de Austin pesaram.
A emissora mostrará jogos de futebol de um campeonato decidido com três rodadas de antecedência e priorizará uma partida entre um time sem pretensões (Flamengo) e outro virtualmente rebaixado (Palmeiras) e exibirá em VT a corrida após o programa Fantástico.
Ao vivo apenas no canal pago SporTV, que também pertence à empresa.

Longe das questões comerciais que envolvem a grade da TV, o que se propõe aqui é discutir o valor jornalístico da escolha.
Qual é mais relevante?
Esqueça contratos de publicidade, com isto que se preocupem os anunciantes que pagam para exibir suas logomarcas tanto no futebol quanto na F1, mas jornalisticamente a decisão de um título que vem sendo anunciado pela própria emissora como o mais disputado e equilibrado em muito tempo parece ser mais relevante como noticia do que a queda (pela segunda vez em dez anos) de um time “grande” do futebol paulista.
Não?

Será um tremendo tiro no pé se por acaso o campeonato se decidir em favor de Sebastian Vettel neste fim de semana.
A emissora perderá de uma só vez o debut de Austin, a decisão do campeonato e a sagração do mais jovem tricampeão (real, seguido) da história e não terá um mote apelativo para as chamadas da corrida no Brasil, que perderá a importância esportiva totalmente.
Aí então todos nós fãs da F1 e da velocidade em geral, gostaríamos muito de ver a cara do homem, ou as caras do grupo que tomou a decisão.
Mas enfim: morre o burro e fica o homem.

Para quem não tem o canal pago ou não quer aguentar os narradores comentaristas com sotaque de furo em pneu (shiiiiiiiii, ou xiiiii) fica a dica: o site Ultrapassagem.org está exibindo um streaming ao vivo da prova com narração própria, mais precisamente minha e com comentários de Claudemir Freire e Sandro Pimenta a partir das quatro da tarde.
É uma forma de não perder a prova, não passar raiva com a narração sem sal do SporTV e ainda garantir boas risadas (espero).
Nos vemos por lá então.


15 de nov de 2012

Andretti e o terceiro carro


Mario Andretti, o campeão da temporada de 1978 foi escolhido – com muita justiça – o embaixador para a prova americana da Formula 1 em Austin.
Foi lá no circuito, deu algumas voltas e aprovou o traçado, tudo nos conformes.

Agora - como era de se esperar - faltando poucos dias para os carros entrarem para valer na pista, o patriarca do clã Andretti é procurado pela imprensa mundial (ao menos a ligada ao automobilismo) para entrevistas.
E não negou fogo:
“-Eu adoraria ver voltar à regra que permitia as equipes colocar um terceiro carro com um piloto local convidado a cada GP. Foi assim que eu entrei". – disse.

Mario fez sua estreia na categoria pilotando um terceiro carro da Lotus em 1968 nos GP´s da Itália e dos EUA, países onde nasceu e foi naturalizado respectivamente.

“-Esta é uma grande chance da F1 se afirmar mais nos eventos fora da Europa, afinal o público local adoraria ver um ídolo local levando a bandeira de seu país.” – e completou – “-Isto chama muito a atenção e quanto mais barulho, melhor.”.

Andretti acredita que, mesmo sem um piloto americano e após um intervalo de cinco anos as chances da corrida no novíssimo circuito texano ser um sucesso são muito grandes.
“-Mesmo com vários circuitos com mais tradição, poucas pistas de traçado misto tem as instalações e a estrutura para abrigar um evento deste porte. Penso que em toda a América do Norte apenas Montreal não ficou defasado.”

Mesmo sabendo que sua sugestão sobre a regra do terceiro carro está muito longe de vir a ser uma realidade é uma interessante visão de marketing e que os mais pragmáticos poderiam enxergar como mais um cockpit a ser vendido. O que não é assim tão ruim, já que com um cockpit a mais para ser negociado, as vagas dos pilotos “fixos” poderiam ser preenchidas com base na qualidade e não no montante financeiro do piloto.
Just business, mas desta vez para o bem.

14 de nov de 2012

Manchetes Win or Wall

Kimi confecciona e distribui camiseta com frase dita em Abu Dhabi


Luiz Razia: "-Piloto pagante não é vilão."


Descoberto o segredo da Red Bull: a união.


Withmarsh diz que Lewis se arrependeu de sair

Visite, comente e siga o tumblr (isto sim é palavrão) Win or Wall

13 de nov de 2012

Cockpits ou equipes de aluguel?


Carlos Slim, o mandachuva da Telmex disse em entrevista que confia no acordo com a Sauber para que Esteban Gutierrez seja piloto do time na temporada 2013, substituindo outro mexicano, o agora maclatano Sérgio Pérez.

O modus operandi não é exclusivo e nem é novo.
Em suas devidas proporções, Pastor Maldonado também só está na Williams por imposição do governo venezuelano. Não diretamente, mas por obra da petrolífera PDVESA, mas é correto?

Uma ação publicitária prevê que uma empresa pague para expor suas marcas nos carros, nos uniformes dos mecânicos e por vezes unem seus nomes aos da equipe como a Vodafone McLaren Mercedes.
Mas no caso dos dois citados vai além.
E não se discute aqui se Perez, Gutierrez ou Maldonado sejam bons ou maus pilotos, mas sim a imposição de seus nomes que faz com que, além de comprar o cockpit, a empresa também esteja alugando a equipe.

Ainda que segundo Frank Williams, a F1 seja um esporte apenas entre duas e quatro da tarde aos domingos (horário europeu) e um negócio no restante do tempo, espera-se que as equipes tenham, ou procurem ter, alguma autonomia.
Ao menos na parte desportiva.

Seria este o começo de uma derrocada rumo à extinção ou a redenção dos times?
Isto é bom ou ruim para o esporte?
A F1 ainda é um esporte, mesmo que nas proporções ditas por Sir Frank, ou há muito deixou de ser?

12 de nov de 2012

E se a camiseta do Kimi lançasse moda?


Quando Kimi Raikkonen disse a seu engenheiro ainda durante a corrida em Abu Dhabi que o deixasse em paz e que ele sabia o que estava fazendo o mundo inteiro achou engraçado.
Vivas a espontaneidade e sinceridade do finlandês foram ouvidos e lidos mundo afora, embora – como sempre – alguns azedos acabassem classificando a atitude como grosseria e falta de respeito.
A própria FIA soltou um comunicado solicitando aos pilotos que fossem mais educados, não falassem palavrões etc.
O comunicado não fazia menção ao ocorrido na Lotus, mas para bom entendedor...

Muito provavelmente Raikkonen não esteja nem ai para o que pensa a FIA ou mesmo os fãs, mas resolveu dar uma capitalizada em cima do acontecido com seu humor peculiar como já tinha feito após ser flagrado – e criticado por muitos - comendo um sorvete com refrigerante durante a interrupção da prova na Malásia em 2009 convidando em uma carta a imprensa para tomar sorvete com ele no seu retorno a Sepang.

Agora encomendou cerca de quinhentas camisetas pretas (a cor da equipe) com a frase: “Leave me alone, I know what I´m doing”, dita a seu engenheiro durante a corrida em Abu Dhabi.
A primeira vista tem-se a impressão que este novo ato é uma tentativa de amenizar algum tipo de mal estar gerado, uma forma de “desculpar-ser” tornando o episódio algo próximo a uma piada, mesmo não sendo.
Pontos para Kimi, mais uma vez...

Dando uma rápida passada pelos nomes do atual grid da F1, não encontramos muitos que pudessem fazer algo parecido.
Talvez só Sebastian Vettel faça companhia a Kimi em termos de não se levar tão a sério e fazer piadas com suas próprias atitudes.
Os outros ou são muito sisudos ou adeptos da correção política reinante, mas... E se não fossem? Com que frases ou atitudes fariam camisetas para distribuir?

Será que Fernando Alonso lembrando-se da força que recebeu de Lewis Hamilton, Felipe Massa e Nico Hulkemberg quando disse que brigava não contra Vettel, mas contra Adrian Newey pelo campeonato mandaria confeccionar ao menos três camisetas vermelhas com a seguinte frase: “Alonso is right!”?
Os três provavelmente usariam.

E Narain Karthikeyan? A camiseta que ele mandaria fazer viria com a inscrição: “Lewis like me!” após o piloto inglês dizer que o indiano deveria pilotar para a Force Índia para fortalecer o automobilismo do país perante o mundo?
A camiseta talvez fizesse pouco sentido, afinal, após dizer isto e reforçar dando como exemplo a si próprio, Lewis se mandou para a Mercedes que é alemã...

E Felipe Massa? Em sua camiseta poderia vir escrito: “I will follow”, mas não a canção do U2 e sim uma alusão à piada que diz que – por contrato – o brasileiro deve seguir e retuitar tudo que Alonso escrever no twiter.

E Michael Schumacher?
O hepta campeão poderia mostrar algum humor mandando fazer ao menos uma camiseta com os dizeres: “Veni, vidi, vici” (vim, vi e venci, em um latim bem popularesco) na frente.
E algo como: “returnus, no vidi e nem vici” (retornei, não vi e nem venci, agora com latim incorreto mesmo) nas costas.

Tem mais alguma ideia? Deixe ai nos comentários

9 de nov de 2012

Cem anos de Luiz Gonzaga


-Mestre Lua, eu vou com o senhor nesta turnê, mas vou daquele jeito...
-Mas rapaz... O que lhe aflige? Vamos tocar para nossos fãs e irmãos lá da nossa região...
-Eu sei mestre, e o senhor sabe o quanto eu gosto de voltar para nossa terra e tocar lá, ver aqueles rostos felizes. Lá onde tudo começou pra gente.. Mas fico cabreiro...
-Mas homem, se gosta de voltar pra lá, gosta de tocar lá, se gosta do povo... Qual o problema?
-É o avião mestre... Não gosto de voar e não escondo isto de ninguém. Se fosse pra este nordestino aqui voar o Pai eterno teria me feito carcará...
-Mas olha que bela lembrança... João do Valle... “Carcará pega mata e come”...  Mas Dominguinhos, eu não sabia deste teu medo de voar não. É verdade isto ou você está de fuleiragem?
-É a mais pura verdade. Se tiver de voar, eu vôo. Mas gostar mesmo eu não gosto não.
-Deixe de bestagem rapaz... Isto aí e o transporte mais seguro do mundo, a melhor invenção do homem... Imagina se não tivesse o avião a gente tava lascado pra poder fazer show neste país tão grande...
-Eu sei...
-E tem mais... Pensa comigo... Quanta gente não vai nisto ai todos os dias... O avião carrega quanta gente pra lá e pra cá todos os dias?
-Eu sei... Mas e se cai?
-Não cai... Nele vai todo dia gente muito importante, gente muito famosa... Isto leva gente do porte de FHC, Paulo Maluf, Lula, ACM...
-Eu sei, mas...
-Mas nada, se avie... Se não cai carregando estes trastes todos você acha que vai com dois sanfoneiros que nunca fizeram mal a ninguém?

8 de nov de 2012

Manchetes em charges (Win or Wall)

Daniel Ricciardo aliviado por renovar com Toro Rosso

Nico Hulkemberg assina com Sauber para 2013

GP de Abu Dhabi ameaçado por uma tempestade de areia (que nem soprou)

Vettel larga dos boxes e termina em terceiro após fazer muitas ultrapassagens

Kimi briga com engenheiro no rádio durante Gp.

siga o tumblr (palavra escrota) Win or Wall

7 de nov de 2012

Quem surfa nesta onda?


E de repente São Paulo virou um campo de guerra. Tão ou mais violento quanto o Iraque, o Irã ou os morros cariocas antes da pacificação.
Não há uma só chamada na TV, especialmente na rede Globo em que não apareça ao menos uma vez o selo: “Violência em SP!”.

Claro que o problema existe.
Uma megalópole como SP tem – obviamente - os problemas equivalentes a seu tamanho. Seja na educação, saúde e principalmente na segurança.
Porém, não esta se matando ou roubando mais nestas duas ou três semanas em que o selo “violência em SP” tem sido exibido, comentado e espalhado até no domingão do Faustão. Mas está se noticiando mais. Com mais frequência, com mais ênfase, mas sem profundidade.
Noticiam-se os assassinatos quantificando, mas nunca explicando.
Não se fala das motivações de cada caso.
Como se bandidos saíssem às ruas apenas para matar qualquer um que estiver dando bobeira. Sem motivo algum.
Não parece algo irresponsável?
E é... Isto cria efeitos colaterais perigosos. Muito perigosos.
O pânico é só uma delas.

Aqui onde moro mesmo notou-se este efeito ontem.
O pânico criado pela exposição às noticias apareceu de forma pesada.
Uma tentativa de assalto – bem má sucedida, diga-se – a uma atacadista de doces rendeu um tiroteio e um baleado.
Em questão de segundos, e inspirado pelas recentes noticias, os boatos começaram a voar pela cidade.
“-Bandidos estão tocando o terror na cidade!” – diziam uns.
“-Assaltaram o Giro (atacadista de doces), o Correio central, e mais uma loja!”
“-Estão baleando pessoas a esmo nas ruas!”- também foi ouvido.
“-Metade do comércio já baixou as portas.”
Nem é preciso dizer que não aconteceu nada disto, é?
Mas ainda assim era possível ver o terror nos rostos das pessoas. Muitas até se privaram dos afazeres ficando em casa.

Qual a motivação para a criação desta campanha toda?
Comercial? Política?
Altruísmo é que não é.
 Chame de misantropia ou do que quiser, mas você não me engana. Não Perde quem desconfia...

6 de nov de 2012

Lado B do GP abumdabense


O GP da Abumdabe teve sim seu lado B, talvez não sejam tão engraçados, mas foram irônicos.

Ironia 1:
Alonso disse na semana passada que Vettel não tinha feito nenhuma corrida espetacular para merecer a atenção que vem tendo.
Pronto, está ai o que ele queria: de último para terceiro e de quebra ainda mantém a ponta do campeonato.

Ironia 2:
Sérgio Perez não consegue pontuar depois que assinou com a McLata e resolveu agora ser uma maquina copiadora.
Primeiro copiou tudo de ruim que Hamilton já fez em pista e agora copiou Romain Grosjean, que era o único, em muito tempo, a tomar um stop and go.
Devia copiar ao menos os ruins que ganham como Maldonado e Nico Rosberg.
Se bem que copiar o Nico é algo temerário.

Ironia 3:
Hamilton, Hulkemberg e Felipe Massa se derreteram de elogios a Fernando Alonso.
Não que estivessem errados, mas curiosamente – ou ironicamente – nenhum dos três fez grande coisa na corrida. Os dois primeiros sequer terminaram a prova e Massa foi apenas o sétimo, nas beiras de perder a posição para Bruno Senna.
Mais do que elogiar, deviam imitar a pilotagem do asturiano.

Ironia 4:
Subiram ao pódio um cara que não havia ganho uma corrida desde 2009 por conta de um carro ruim da Ferrari e algum tempo inativo; um cara que está fazendo um ano maravilhoso em termos de performance e um cidadão que havia largado dos boxes, na ultima posição.
Deveria ser o trio mais sorridente da história, mas ironicamente só um sorria mesmo. E nem tinha subido a um dos dois lugares mais altos do pódio.

4 de nov de 2012

F1 2012: Abumdabe cinematográfica!


Eis uma coisa que ninguém esperava: uma corrida muito boa em Abumdabe.
Pela primeira vez em sua história, que nem é tão longa assim, a pista travesti proporcionou um espetáculo esportivo mais interessante que o jogo de luzes que iluminam o prestobarba gigante.
Não sobrou espaço nem para o parque de diversões da Ferrari, que visto de cima parece uma calcinha esticada na areia.

Foi uma prova agitada, emocionante e surpreendente como deveria ser, por exemplo, em Suzuka e não foi.
Queimou a língua de um monte de gente, eu incluso, que previa uma manhã de sono à frente da TV.
Então vamos dizer o seguinte: Abumdabe deixou de ser uma corrida travesti para ser uma corrida “mulher feia, mas muito gostosa”, que – convenhamos- é melhor. Não?

Se fosse roteirizada, a prova não seria melhor do que foi.
O líder da temporada, com o melhor carro, largando em último, lá dos boxes, tendo de passar por um sinuoso túnel antes de realmente poder acelerar na pista.
Ultrapassagens por toda a pista e em todos os pelotões. Dentro e fora da zona de DRS.
Emoção nas perseguições, drama no acidente impressionante de Nico Rosberg, de onde o piloto saiu apenas com um cílio postiço fora do lugar e comédia nos toques que, graças a Deus, foram considerados coisa de corrida. Finalmente.
Ah claro, e a parte previsível da coisa: assim como o mocinho beija a mocinha no fim do filme, também teve uma mancada merecedora de punição ao Sérgio Perez, que depois de assinar contrato com a McLata só fez porcaria em pista.
Deve ser pra que ninguém lá sinta saudades das besteiras do Hamilton.
Será que aquele pessoal que inventou o adjetivo (ridículo) “afrosenna” vai passar a chamar o Perez de “aztecasenna”?

Mais um dado curioso: outro vencedor diferente.
Apesar de não ser na sequencia como no inicio do campeonato, mas foi do mesmo jeito. Com propriedade.
Kimi largou muito bem e manteve – como em todo ano – um ritmo ótimo.
Foi beneficiado pela quebra (sei sei...) do McLata, mas teve o mérito de manter o ritmo e ainda abrir vantagem suficiente para parar, trocar pneus e ainda voltar à frente.
Sua vitória foi consequência de um trabalho muito bem feito ao longo de todos os GP´s.

Ao final, ainda tivemos a Red Bull se recuperando da trapalhada na qualificação, mudando a estratégia e possibilitando Vettel de tirar o pódio do piloto vagalume (pisca pisca de competitividade) e ir sorrindo – junto de Alonso e do vencedor – tomar suco de uva gaseificado.
Aliás, neste pódio só um sorriu e curiosamente, não foi o vencedor.

E agora vem a incógnita de Austin, que pelo que andamos vendo, tem tudo pra ser uma chatice com aquela quantidade de cotovelos instalados pelo alemão do paintbrush.
Só que depois de queimar a língua com Abumdabe, não arrisco nada.
Quem viver e tiver internet razoavelmente rápida, verá.
Os mortos e os dependentes da emissora oficial, provavelmente não...

2 de nov de 2012

Extremos opostos


A história e a produção musical do Pink Floyd podem ser divididas em três partes distintas.
A saber:
Psicodélica, sob a liderança de Syd Barret.
Progressiva, quando Roger Waters dominou tudo.
Cover, quando David Gilmour começou a mandar.

É muito complicado apontar as melhores canções das duas primeiras fases, tudo era muito original e há de tudo para todos os gostos.  Rock, jazz, blues, até música clássica.
Na terceira, o grupo começou a soar como uma ótima banda de covers de si mesma, o que na pior das hipóteses ainda é algo muito agradável.

Mas dá para arriscar dizer que, nas duas primeiras – e nem na terceira mesmo – há uma canção tão bonita e delicada quanto Poles Apart e seu solo de guitarra que remete o ouvinte á uma paisagem azulada, tranquila...

Esta é a escolha para a música de sexta, sem nenhum motivo especial além de ser bonita.

1 de nov de 2012

Areia nos buracos do Newey


-Fry, não quero nem saber, se vira...
-Mas, Fernando!
-Nem "mas", nem meio "mas"... Ou tiramos a diferença que os dois buracos do Newey estão fazendo na Red Bull ou falo com o Luca e pelo pra mandar todo mundo embora e contratar o Briattore e sua turma.
-Você não teria coragem?
-Quer apostar?

O silêncio impera na sala enquanto Alonso dá as costas à Pat Fry.
No mesmo momento chega à sala Stefano Domenicali.

-Eu falei para você não questionar o erro dele no Q3 da Índia, não falei?
-Mas ele jogar a culpa toda em cima da gente não tá certo.
-Como não? A parte dele está sendo feita. Ele pilota e arruma os resultados...
-Seu puxa-saco! Tá com medo de perder o emprego?
-E você não?
-Bem... Pior que to.
-Então melhor arrumar um jeito de parar as Red Bull com furo do Newey...
-Sei lá... Acho que só se chover...
-Água?
-Não, seu italiano burro... Se não for água vai chover o que?
-Não... Eu quis dizer... Água não adianta, Vettel corre bem na chuva... Só se fosse areia, né? Afinal aquilo é no meio do deserto. (e Domenicali ri da própria piada)

Então Pat Fry, com o olhar perdido no horizonte esboça também um sorriso enquanto pensa: “-Areia... Grande ideia!”.