31 de jan de 2014

Para evitar gafes

Definitivamente, beleza não é a tônica desta temporada, mas isto não deve impedir que ela seja emocionante.
Ao menos é o que esperamos.
Porém, há algumas precauções que devem ser tomadas para quem vai escrever sobre o campeonato durante o ano.
Há que se evitar algumas expressões, palavras e frases feitas.
Alguns exemplos:

Com estes bicos fálicos nos carros, ficará de muito mau tom dizer: pintou o campeão!
A menos, claro, se o campeão for o Nico Rosberg. Ele gosta de ser pintado, se é que me entendem...

No caso de uma simples batida na Loews é bom segurar os dedos.
A tentação de dizer que o bico de um carro entrou com tudo na caixa de marchas do outro pode mal entendido.
Ah, e claro se houver um engavetamento monstro na largada do GP da Bélgica, bem ali na La Source, policie-se.
Não vá escrever que aqueles carros todos engatados uns na traseira dos outros parecem aquela fila de cachorros que você viu perto de um terreno baldio.
Não vai pegar bem.
La Source erótica
Voltando ao primeiro parágrafo deste texto, já há uma gafe, perdão...
Foi usado o vocábulo “beleza” e complementado que ela (ou a falta dela) não será empecilho para um bom campeonato.
Trocando em miúdos foi dito que: “beleza não se põe à mesa”.
Ainda bem, pois poderia ser tomado como provocação se a “beleza” dos carros deste ano fosse posta à mesa.
Ou ninguém aqui conhece aquela expressão usada quando alguém resolve engrossar (ops) o caldo com outro e dizer umas verdades antes ir às vias de fato?
“-Fulano botou o pau na mesa e saiu na porrada!”.
Colocando o pau na mesa

Espero que este minúsculo e despretensioso guia sirva para alguma coisa.
Nem que seja para evitar que se faça como nos últimos anos em que os escrevedores pegavam uma palavra da moda e a usavam à exaustão.
Como quando Kimi Raikkonen tomou um pé na bunda e não ficou na categoria e todo mundo escreveu que ele ia tirar um ano “sabático”?

30 de jan de 2014

Solução nada convencional

Gê nunca tinha visto um bidê até se deparar com um no banheiro da casa de um amigo recém casado.
Estava atormentado por ter de reprimir por horas suas necessidades fisiológicas e demorou a criar coragem e pedir para usar o banheiro.
Ao entrar deu de cara com aquela “privada” diferente e após hesitar alguns segundos resolve experimentar aquela novidade e fazer suas necessidades naquele vaso com torneiras em vez de válvulas de descarga.

Feito o ‘serviço’ ficou surpreso em descobrir que aquelas torneiras não empurravam a ‘obra’esgoto abaixo, mas esguichavam um jato d´agua quente para cima.
Não adiantava apertar e segurar, a insistência neste caso não garantia o êxito.
O que fazer? Como tirar dali aquela coisa?
O arrependimento já dava sinais de sua chegada.
Por que fora se meter com coisas as quais nunca havia sido apresentado?

Os anfitriões já preocupados com a demora batiam à porta e perguntavam se estava tudo bem.
As respostas eram sempre afirmativas: “-Estou lavando as mãos! Já saio.”.
Mas como sair dali e deixar as coisas como estavam?
Então viu a solução! Simples como deveria ser. Bem ali em cima do toucador: a canequinha decorada com corações e cupidos onde repousavam as escovas de dente com as cerdas para dentro.

Então ouviu-se o ruído da descarga, o esguicho das torneiras do bidê e viu-se aparecer na sala de visitas um Gê com um semblante aliviado e satisfeito, deixando no banheiro uma canequinha agora úmida e com escovas de dente repousando com as cerdas para fora.

29 de jan de 2014

Criatividade: a gente via por aqui

O maestro Rogério Duprat se preparava para mais uma sessão de gravação com um trio de moleques muito promissores vindos do bairro da Pompéia, em São Paulo: Rita Lee, Arnaldo Baptista e seu irmão Sérgio Dias Baptista.
Encantado, dava passagem e forma a toda e qualquer ideia do grupo em relação ao arranjo das canções.
Ainda assim, o maestro ficara com uma pulga atrás da orelha ao ver Rita chegar ao estúdio carregando uma bomba de flit usada para borrifar veneno.

Passou por todos e pousou o estranho objeto (ao menos para o local e a ocasião) entre os instrumentos que costumava tocar nas gravações do grupo: pandeiros, meias-luas, cimbals, flautas...
Entrou na cabine de gravação e gravou algumas vozes e risadas para outra música até ouvir do maestro:
 -Vamos gravar a canção francesa?
Foi a deixa para que Rita saísse da cabine e pegasse a bomba de flit.
Já não se aguentando, Duprat pergunta para a menina o que ela pensava em fazer com aquilo.
A resposta foi surpreendente: -Tocar durante a canção.
Tocar? Sim... Isto mesmo.
O chiado que se ouve durante a canção Le premier Bonheur Du Jour e que pode ser facilmente confundido com o chimbau da bateria é na verdade o acionamento da bomba.

Após metade do primeiro take, obviamente, o ar dentro da cabine ficara irrespirável com tanto veneno.
Divertido com a história e gostando do resultado, o maestro ainda tentou encher a bomba com água pura e uma mistura de água com óleo.
Como não ficava tão bom o resultado, achou melhor então voltar com o veneno e que se dane...
Era este o clima das gravações que tanto o encantavam.
A liberdade, a criatividade, a descontração e a alegria que ia muito além da excelência dos irmãos Baptista em seus instrumentos.
E pensar que hoje tem nego que coloca um disco pra tocar, arranha o bicho pra lá, junta uma música no fim da outra (ou no meio) e se acha músico.

28 de jan de 2014

Alguns diálogos sobre os novos F1 2014

Colhidos por ai...

-O carro da Toro Rosso é uma homenagem ao Rocco Siffredi (ator pornô).
-Para nossa sorte, o carro não é preto...
-Mas o bico do Sauber C33 é.
-Então pode chamar de Kid Bengala.

Outro.

-C33 parece nome de modelo de caminhão.
-Pode crer! Caminhão da Mercedes. Imagina ai: “Só aqui no programa Siga Bem Caminhoneiro Shell você concorre a um C33 novinho!”.

Mais um

-Ferrari tem boca de bagre.
-Normal.
-Cê acha?
-Claro... Com um piloto boca de pinga e outro boca mole, ter boca de bagre é o mínimo que poderia ter o carro.

O último

-De tanto a gente dizer que o carro da McLaren não muda nunca, fizeram o mais feio do ano.
-Pois é... E nem tinha passado no crash test.
-Verdade... Será que é isto então? Apresentaram o carro que participou do teste?
-Provavelmente.

Bônus

E esta foi a pior.
Não tinha visto sobre o que era a matéria (enchimento frontal com aparência de pênis para iludir estupradores, coisa do Japão, China ou Coreia.) e retirei a foto para fazer uma gracinha:
Grid Girls da F1 seguirão tendência estética atual.
Só depois, alertado por uma amiga é que me toquei do conteúdo (da matéria, não da calça da modelo).
Nem precisava de zueira...

27 de jan de 2014

Personalidade

Já faz alguns anos que a maior reclamação do fã de automobilismo, além da falta de emoção com o domínio de algum piloto (reclamação na qual nunca incorri) é a falta de personalidade dos carros.
Segundo os fãs – e ai me incluo – os bólidos eram todos parecidos demais.
Suas diferenças ficavam por conta da pintura, claro, e por detalhes por vezes imperceptíveis a olhos leigos.
O complicado nisto é que – mesmo com olhos mais treinados – enxergar estas pequenas diferenças em imagens de TV e fotos em sites, revistas ou jornais é difícil. Então, dá-lhe “gato mestrice”, charlatanismo intelectual e muito, muito chute.

Este ano, os novos regulamentos trouxeram, além da esperança de um maior equilíbrio, a chance de que cada time, mesmo tendo de seguir tendências apontadas por estudos aerodinâmicos em cima das regras, de inovar e (por que não?) revolucionar no desenho de seu carro.
E então: voilà! Temos as apresentações dos carros 2014 revelando modelos distintos entre si.
Diferente de quando os estudos em tuneis de vento e simuladores apontaram como melhor solução o bico com “degrau” e ele apareceu em todas as equipes.

F14T da Casa Mafiosa e sua boca de bagre; Williams FW36 e seu bico fálico; MP4/29 da McLata e o nariz da Adriane Galisteu, tromba de elefante, ou qualquer coisa que o valha e E22 da Horrivelnaut anatomicamente feminino.
Todos horríveis, mas diferentes.
Ao menos nos narizes...

Arrisco dizer que as reclamações por falta de personalidade já podem cessar.
E isto porque o ponto de vista da fotografia feita do VJM07 da Force Índia não permite ver seu bico. Vergonha talvez?
E o C33 (não parece modelo de caminhão?) aparentemente tem um bico normal e – pasme – Bonito!

Em tempo: a quem diz que F1 é gourmet e que a apreciação começa pelos olhos, tal qual comida...
Sinto muito. Feijoada é feio para caramba, mas pouca coisa é mais gostosa.

24 de jan de 2014

Dois italianos e um bairro da aniversáriante

Paulo dedilhava um violão nos bastidores da TV Record quando João vem se sentar a seu lado.
-João... Me conta uma coisa?
-Claro Paulo, pois não, pode falar.
-João... Sabe... O povo que mora lá no Jaçanã é muito orgulhoso do bairro, ainda que longe para dedéu.
-E daí?
-Então... Lá eles se apegam a questões sabe...
-Não sei não... Sério?
-Não estou dizendo para você que eles falam tudo certinho, tudo direitinho como manda o figurino, mas se importam com algumas coisas.
-E eu com isto? Eles acham ruim que eu escrevo as letras dos sambas do jeito que escrevo?
-Não... Nem é isto.
-É o que então?
-É que você escreveu em Trem das Onze que mora “em” Jaçanã.
-Hum...
-E eles lá dizem que moram “no” Jaçanã. Entende?
-Entendo...
-Então João: por quê?
E João, dentro de toda a sua irreverência disparou:
-Sei lá...  Eu nem sei onde fica esta porcaria.
Paulo contém o riso.

Salve São Paulo, parabéns.

23 de jan de 2014

Também vou opinar #1 - rolezinhos.

Algum tempo atrás havia um grupo de gurus, sensitivos ou como queiram chamar estes embustes que acompanhavam artistas brasileiros como apêndices ou bolsas tiracolo.
O mais conhecido e comentado foi um tal Thomaz Green Morton.
Durante o primeiro Rock In Rio, frequentou os bastidores a convite de Baby Consuelo e Pepeu Gomes.
Segundo Rita Lee e Erasmo Carlos, enchia a paciência de todo mundo e ainda por cima exalava um cheiro forte de Leite de Rosas, aquele cosmético... Ainda segundo Rita, o cara era tão baixo astral que houve até um incêndio na área dos camarins.
Uma das características principais deste cidadão e segundo ele um dom, era o que chamava de: “criação e controle da luz”.
Gritava “Rá” e um flash de luz surgia em algum ponto perto de seu corpo deixando seu interlocutor estupefato.
Alguns caçadores de falsos “paranormais” diziam que Morton ao gritar também fazia algo sem noção o suficiente (como jogar cinzas na bebida ou no colo de alguém ou ameaçar colocar a mão nos genitais) para tirar a atenção do “pato” enquanto por meio eletrônico, elétrico ou o que seja, criava o “flash de luz”.
O cara foi deixado de lado e esquecido até pelos artistas aos quais vivia cortejando e sendo cortejado, mas seu modus operandi de enganação e desvio de atenção foi cooptado pela classe política. Tanto de esquerda quanto de direita...

Quer prova? Os tais “rolezinhos” são a cinza na bebida, a mão no genital enquanto o flash de luz se consome.
Enquanto a massa entra na discussão (inútil) sobre se é ou não discriminação impedir que jovens (brancos, pretos, amarelos, pobres, ricos...) juntem multidões para ir à shoppings (fazer arrastão ou apenas correr e gritar pelos corredores assustando lojistas e clientes e dando trabalho para os seguranças do estabelecimento), novas provas das propinas pagas pela Alston/Siemens ao governo do Estado de São Paulo são encontradas e publicadas pelos jornais.
Listas com nomes, empresas, setores do governo, quantias e datas... O suficiente para um berreiro generalizado que teria de ser ouvido até pelos surdos que deveriam tratar do caso e tirar de circulação o lado azul da sujeira, mas...
Ninguém ou pouquíssima gente tocou no assunto.

E o site que capta doações para que petistas condenados paguem as multas aplicadas pelo STF?
Como não há identificação dos doadores, ninguém audita e – em pouco tempo – se arrecada 670mil para o Genoíno Esperança.
Dado o sucesso da empreitada, cogitasse fazer o mesmo para Delúbio e Dirceu.
E ninguém (dos que poderiam e deveriam fazer) aventou a possibilidade de uma tremenda lavagem de dinheiro. Ou será que existe tanto idiota com grana sobrando?
Novamente nenhum ou pouquíssimos comentários.
Ou seja: enquanto se perde tempo olhando a cinza que vai ao copo ou a mão que se aproxima dos genitais, o flash de luz dispara e se consome.
E o “pato” fica estupefato, mas pelo motivo errado.
Resta saber quem é que anda jogando cinza na bebida para que ninguém preste muita atenção em de onde venha o flash de luz...

Em tempo: nunca vi jovens (negros, brancos, amarelos, ricos ou pobres) que entrassem em shoppings para consumir ou passear – sozinhos ou com alguns amigos - serem impedidos de fazê-lo.

22 de jan de 2014

Ron Groo entrevista: Tony Fernandes

A Caterham finalmente anunciou para a imprensa sua dupla de pilotos para a temporada de2014.
Sentado em um caixote a guisa de banco, o milionário Tony Fernandes procura algumas folhas de papel e, entre recortes de vouchers de desconto e ofertas de emprego recebeu este blogueiro para uma exclusiva após o anuncio oficial.

Tony Fernandes: -O que achou da nossa nova dupla de pilotos. Tivemos que mudar radicalmente para este ano, pois a dinâmica da F1 nos obrigou a isto Por isto escolhemos Marcus Ericsson e Kamui Kobayashi.
Ron Groo: -O senhor acha que estes dois pilotos estão mais apitos ao novo estilo de pilotagem que os carros deste ano vão requerer? Esta é a nova dinâmica?
TF: -Não, não... Eles vêm com mais dinheiro que os antigos.
(faço silencio)

TF: -Mas como eu dizia, procuramos novos caminhos para fugir da mesmice.
RG: -Que mesmice? Vocês vão sair dos últimos lugares do grid?
RF: -Não... Das piadas mesmo. O povo ficava falando que o carro não era rápido por que o piloto era De Vagarde ... Sem contar as piadas de duplo sentido com o Charles.
RG: -Duplo sentido?
TF: -É! Ficavam falando que: “agora que o Pic entrou...” e “...o carro não anda porque o Pic é mole...” estas coisas.
(seguro o riso)

RG: -Tá certo. Então explique a escolha dos novos para além do dinheiro que trazem.
TF: -O terceiro piloto será Robbie Williams.
RG: (interrompendo) -O cantor?
TF: -Que cantor? Ele é piloto poxa...
RG: -Ah! Então é o Robin Frijins.
TF: -Isto... Este ai. Novo talento ele...
RG: -Bom... Pelo que soube da pilotagem dele, era melhor ter escolhido o cantor mesmo...

TF:- Kamui Kobayashi foi uma escolha feita para agradar o clamor popular que pedia uma vaga para o japonês e até o chamava de mito.
RG: -Mito? O senhor não acha que o uso desta palavra era muito mais por ironia que qualquer outra coisa?
TF: -Acho que não... Ele é o melhor piloto japonês de todos os tempos.
RG: -Bom... Se considerar que antes dele teve Nakajimas, pai e filho; Takuma Sato, Taki Inoue; Aguri Suzuki; Tora Takagi; Sakon Yamamoto, Yuji Ide... A lista de manetões é grande... Ser o melhor entre estes quer dizer bem pouca coisa.
TF: -Você pode até ter razão, mas imagina se tivéssemos contratado um piloto do Irã, por exemplo... Quem você ia ter na lista para dizer que ele era o melhor de lá?
(silêncio constrangido)

RG: -E o Marcus Ericsson.
TF: -Este é fácil... Vai trazer o patrocínio da fábrica de telefones...
RG: -Que fábrica de telefones? Ele não tem nada haver com a Ericsson Telecom.
TF: -Não? Mesmo? Tem certeza disto?
RG: -Toda certeza.
Tony dá um suspiro longo, cansado... Mais um ano de fim de grid a vista.

21 de jan de 2014

Primeiro dia de Raikkonen de volta à Ferrari

Kimi chegou naquela manhã à Maranello como se fizesse isto há anos seguidos.
Nem parecia que já havia um tempo desde a última vez que cruzou os portões da fábrica da Ferrari.
Não havia sentimento de nostalgia, muito menos de euforia pela volta.
Na verdade, não havia sentimento nenhum. Era apenas mais um dia de trabalho em um local diferente.
Não tão diferente. Óbvio.

Ao cruzar o portão lembrou-se de algumas coisas.
A moita de capim ornamental delicadamente podada onde escondia um litro de vodca enquanto Luca Di Montezemolo estava presente.
Lembrou-se do velho Giuseppe, com quem trocava algumas palavras antes de vestir o macacão e ir para o simulador ou para o carro fazer ajustes e testes.
Lembrou-se que Giuseppe dizia ter dormido com Sophia Loren e ao vê-lo, após cumprimentar, disse novamente.
Kimi que sempre duvidara com um meio sorriso nos lábios, duvidou de novo.

O armário ainda era o mesmo.
A disposição das roupas dentro dele também: macacões, balaclavas e sapatilhas.
Até a tranca do armário continuava com o mesmo defeito irritante. É necessário bater várias vezes até ouvir o “clic” do destravamento.

Não conseguiu lembrar os nomes de muitos engenheiros, mecânicos, auxiliares de projetista que ia encontrando pelo caminho, mas ao chegar ao simulador lembrou-se de cada botão e cada função do volante.
Não parecia nem um pouco preocupado em esconder o fato de não lembrar.
Pelo contrário, dizia abertamente: “-Não me lembro de você.”.
Só recobrava a lembrança após ser confrontado com alguma história que tivessem vivido juntos, como quando Aldo, técnico responsável pelo simulador, achou que uma modelo sueca estava lhe dando mole em um evento em Madona di Campiglio, mas olhava para Kimi.
Com voz sensual se postou em frente da mesa onde ambos estavam e perguntou para Raikkonen: “-O que eu posso fazer para lhe deixar feliz?”.
E ele responde: “-Veja se tem magnun na geladeira e trás um para mim...”.

Porém, ao encontrar um espanhol com uma tatuagem de um samurai nas costas e uma cara de marrento passa sem falar nada.
O espanhol abre os braços e cumprimenta efusivamente recebendo de volta o mais completo silêncio.
-Qual é Kimi? Vai fingir que não se lembra de mim?
Silêncio.
-Pô! Já corremos um contra o outro várias vezes?
Silêncio.
-Já dividimos curvas? Já te venci já me venceu... Eu vim substituir você quando saiu do time, lembra?
Silêncio.
-Porra Kimi, Alonso! Fernando Alonso!
-Ah tá... Aquele cara que desde que não consegue ganhar do Vettel nem com reza brava... Nem com ajuda do segundo piloto da própria equipe e o da equipe do alemãozinho... Lembrei! E ai? Tá pronto para se foder este ano? Eu não sou o Massa não viu...

Crônica inspirada no título desta matéria  de Julianne Cerasoli.

20 de jan de 2014

Kubica: exercício ilegal da profissão

Um protesto inusitado, mas da maior importância: bonecos de crash test do setor automobilístico ameaçam parar o trabalho.
O que querem já que não podem pedir aumento salarial?
-Mais dignidade em nossa profissão. – comenta o líder do movimento.

Abaixo uma pequena lista das reivindicações com comentários da classe:

Não querem mais trabalhar sem roupas.
-É vergonhoso aparecer em programas automotivos completamente nus, incluindo bonecos criança. Queremos roupas e nem precisa ser de grife.

Querem uma maior diversidade: não aguentam mais que todos sejam branco gelo.
-Queremos alguns marrons, outros pretos, uns vermelhos e – por que não? – verdes.
Não querem amarelos também? Perguntei.
-Amarelos não... Lembra Homer Simpson e nós preferimos o Family Guy.

Por que ser careca? E porque todos são carecas?
-Queremos cabelos! Mas não duros como aqueles da boneca Barbie, por exemplo. Queremos cabelos bonitos, sedosos e macios como os das bonecas eróticas japonesas. - dizem
As bonecas de crash test adoraram esta reivindicação, mas avisaram que vão precisar de cabeleireiros semanalmente.

E por fim, pediram a regulamentação da profissão.
Mas para que?
Para, enfim, poderem processar e fazer com que Robert Kubica pare de roubar emprego deles.
-Vamos enquadrar o polonês braço duro no “exercício ilegal da profissão”. Do jeito que ele bate – diz um dos bonecos – não me venha dizer que ele é piloto...
E quem há de discordar de um profissional?

17 de jan de 2014

Novos e eternos baianos

Das bandas de rock nascidas no Brasil os Novos Baianos são – juntamente com Secos & Molhados e Mutantes – das mais criativas e inovadoras.
Cada qual com sua história e à sua maneira, deixaram legados riquíssimos.
Os Secos e Molhados implodiram e desapareceram tão rápido quanto surgiram. Deles sobrou Ney Matogrosso, o que definitivamente não é pouco.
Dos Mutantes e sua guinada rumo ao rock progressivo sobrou Rita Lee, primeira dama do rock no país. (Sérgio é um virtuose respeitado, Arnaldo é gênio ainda não reconhecido totalmente e Liminha o maior produtor do país, mas não são exatamente sucesso de público como Rita e Ney).
Já os Novos Baianos deixaram como herança, além de Moraes Moreira, o guitarrista Pepeu Gomes e Baby Consuelo.
É da trupe baiana que trata este texto.

Esta história foi ouvida – em entrevista do lançamento de seu livro: Anos 70: Novos e Baianos, 2006, Ed. - da boca de Luiz Galvão, letrista que participou das duas experiências coletivas de moradia promovidas pela banda (um apartamento de cobertura em Botafogo e um sítio em Jacarepaguá) e dá uma ideia do espírito libertário e anárquico da empreitada.
Em plena ditadura militar, um grupo de cabeludos hippies morando em uma cobertura de um prédio em bairro nobre era de se esperar que chamassem a atenção da repressão, não? Sim, claro, mas segundo Moraes Moreira, os milicos até que pegavam leve talvez pela impressão negativa que o caso do exílio de Gil e Caetano acabara deixando.
O que não impedia de levarem – regularmente – batidas policiais em busca de drogas.
E sempre havia muita com eles...

Em uma destas batidas, conta Galvão, o dançarino Gato, os percussionistas Bola e Jorge Negrita fumavam seus baseados quando o aviso que os “canas” estavam subindo.
O tradicional ritual de jogar os cigarros na privada foi cumprido à risca, porém, advertidos por Paulinho Boca de Cantor, teriam de dar um jeito no odor da diamba que ficara impregnado em seus dedos e que, segundo o vocalista, já serviria para incriminá-los.
Assim, após busca (não tão minuciosa assim) no apartamento nada acharam, mas como dissera Paulinho Boca, os agentes fizeram o “pente fino” nos músicos e agregados e, de fato, cheiraram os dedos do pessoal.
Seguiu-se o diálogo:
-Mas aqui todo mundo é muito higiênico! Todas as mão cheirando lux luxo...
-Pra ver, né? Autoridade.
-Mas e este aqui? – parando em frente ao dançarino Gato e cheirando seu dedo – Mas que fedentina de bosta é esta, homem?
-Sabe o que é doutor? Estava de boa, tranquilo, pensando... Daí bateu aquela vontade danada de dar uma coçada no cu, mas os senhores chegaram tão de surpresa que não deu tempo de lavar.
Os agentes saíram xingando, mas não sem antes acertarem uns tapas no dançarino pelo “desrespeito”.
Ao ser questionado sobre o caso, teria dito: “-Acabou o sabonete no banheiro, é muita gente pra lavar as mãos. Foi só no que consegui pensar...”.

E viva os Novos Baianos!

16 de jan de 2014

Um nome para a carroça vermelha

A Ferrari está tentando se popularizar.
Vai fazer carros com motor 1.0 e acabamento de plástico duro idêntico aos de algumas montadoras chinesas que já vendem aqui no Brasil.
Mas isto é para daqui alguns anos, quando o poder aquisitivo do brasileiro médio fique igual ao do cidadão rico de Dubai.
Por enquanto, o máximo de popularização que a marca está promovendo é deixar que os fãs ao redor do mundo escolham o nome do bólido de sua equipe de F1.

A casa mafiosa disponibilizou alguns nomes para serem votados, mas, aqui no Blig Groo a coisa é mais embaixo.
Se for para dar opção de escolha tem que dar a liberdade do eleitor de criar o nome.
Aqui ficam as minhas sugestões.

O manjado F14 T, que se prestar atenção lembra FIAT (Alô Bo77as, cobra royalty desta cambada de carcamanos) também tem outra leitura:
F1 – de Formula 1, claro.
4 em referência ao ano 14 (se juntar ao 1 do F1então faz mais sentido).
E o T, claro... Tranqueira.

Também pode se chamar MC-14, em homenagem ao líder da quadrilha Fernando Alonso, o chorão.
MC-14. = Mimimi Car 2014

Outro nome: FF1-V
Simples... Ferrari Formula 1 Vodca.
Afinal, a contratação do Kimi tem que ser lembrada e celebrada.

F1 TCC.
Nada de tese de conclusão de curso... Embora os carros da Cosa Nostra estejam saindo tão ruis que mais parecem ser desenhados por formandos e não projetistas profissionais.
Mas a ideia aqui é a frase malfadada e sem vergonha usada pelo time toda vez que estão fazendo uma dobradinha: Tragam as Crianças para Casa.
Mais Ferrari impossível.

É que o projeto deste ano tem que ser radicalmente diferente do carro do ano passado, até pelas modificações promovidas pelo regulamento, mas se o carro pudesse ser uma continuação do bólido pilotado por Alonso na temporada 2013 o carro teria de se chamar obrigatoriamente FSV.
Feito para Seguir Vettel.

15 de jan de 2014

Tosqueiras publicitárias.

Há um filmete comercial de uma TV por assinatura rodando por ai que é realmente um caso a ser estudado.
O casal sentado no cinema encarna uma série de clichês em piadinhas para lá de bobas.

Clichê um: A mulher reclama para caramba.
Clichê dois: As reclamações não fazem o menor sentido.
Clichê três: A moça é loira.
Clichê quatro: O rapaz é um dominado que acaba concordando e se resignando.

Esqueça o que ela diz concentre-se apenas nas reclamações.
Lembra muito aquela charge em que um cachorro aparece latindo na orelha do outro e a legenda pergunta: “adivinhe qual é o macho.”.
Ainda não se atente ao que ela diz, não é hora... Mas pense bem: que tipo de mulher reclama de ter saído de casa para ir ao cinema?
Fosse o contrário seria mais crível.

Não... Não é questão de preconceito, mas diz a piada (sexista e preconceituosa como só as piadas se permitem ser) que mulher loira pensa menos. Ou nem pensa...
Agora sim preste atenção no que ela diz: “-Amor, troca de canal?”.
Trocar de canal? No cinema?
E tem mais: com a negativa do rapaz em trocar de canal – o que em um cinema é, obviamente impossível – ela pede para que ele pause para que ela vá ao banheiro.
Lembre-se: é loira.
E ela dá como justificativa para o mau humor que na tal TV por assinatura dá para trocar de canal e pausar.
Repito: que mulher ficaria chateada por ter sido convidada (e aceitado) a sair de casa e ir ao cinema?
Quando o cidadão resolve tomar alguma posição e diz: “-Amor, sem show...”, ela responde: “-Sem show, sem musical... Se fosse na TV por assinatura tinha...” ou algo que o valha.

Ai eu pergunto: será que o serviço da operadora é tão ruim quando seu filmete?
Se bem que...  TV seja aberta ou por assinatura, deve ser realmente uma droga.

14 de jan de 2014

Poesia cantada

Já houve mais polemica sobre o assunto, mas hoje é quase consenso geral que letrista de música popular também pode ser considerado poeta.
Nem todos. Óbvio.
Não se pode generalizar para não cair no ridículo.

Jim Morrrison, por exemplo, publicou livros de poesia, mas algumas letras que lhe são atribuídas eram do tecladista da banda.
Renato Russo e Cazuza são considerados poetas.
Mas há quem discorde e diga que suas letras não sobrevivem sem as melodias...
Chorão também, mas cá entre nós: nem a pau! Suas letras, por muitas vezes não sobrevivem nem com as melodias...
Mas Paulino da Viola é. Que ninguém nunca duvide disto!
 Suas letras sobrevivem sem a melodia e suas melodias são poesias em forma de música.

Já o Bob Dylan, que é considerado poeta, não é.
Assim como Lou Reed ele é cronista.
Dylan, aliás, já foi indicado para o Nobel de Literatura em 2011.
Adoniran Barbosa é uma rara conjunção entre poeta e cronista.

Porém, há um caso em que as posições se invertem.
Antes de ser cantor, ele já era poeta. E dos Bons!
Lançou seu primeiro livro em 1956 e seu primeiro disco só em 1966, mas pode sem trauma nenhum ser considerado letrista. E dos bons!
Há poesia até na forma com que interpreta suas letras.
Senhoras e senhores: a poesia, a letra e a intensidade de Leonard Cohen.

13 de jan de 2014

Sobre números fixos

Sebastian Vettel ficou com o número 1.
Claro... O cara que ganha os quatro últimos campeonatos com a autoridade que ganhou tem que usar o 1.
Mas na boa? Se perder este ano, ele mantém o número?
Já seu companheiro de equipe vai com o 3.
Daniel Ricciardo é um cara consciente. Não tem bala nem pra usar o 2.

Já os dois pilotos da Toro Rosso escolheram números seguidos: 25 e 26 para Vergne e Kyiat respectivamente.
Explica-se...
Toro Rosso segunda equipe da Red Bull, por isto começa com o 2.
O cinco e o seis ficam por conta dos manes mesmo...
Hein? Não é isto? Mas podia ser...

O Kimi ficou com o 7.
Por quê?
Porque usou o ano passado e não viu motivo pra mudar.
Sensacional! Mais Kimi impossível.

Pastor Maldonado escolheu o 13 para desmistificar.
Quer provar que o número não dá azar.
E vai conseguir.
Afinal, o que acontecer com ele durante a temporada não vai ser culpa do azar e sim de sua enorme ruindade.
Manetão.

Alonso escolheu o 14.
Deu um monte de motivos para ter escolhido este.
Explicou, falou... Igual ao caso do samurai.
Mas a real?
Escolheu porque é um numero chato de ser falar...  Quatorze... Cu a tor ze.

Felipe Massa escolheu o 19 e seu companheiro escolheu o 77 em uma grande sacada: Bo77as.
O restante, tanto faz o que escolheu e por que...

Não sei o que pensar sobre os números fixos.
Na verdade não acho nada. Não faz tanta diferença.
Só fico com a dúvida: o piloto pode mudar seu número de um ano para outro ou o número só fica disponível novamente quando o piloto sair da categoria?
Porque se for assim, já para o ano que vem teremos o 22 disponível novamente.
Mas e ai? Quem é que liga para o 22?

10 de jan de 2014

Progressivos?

Hoje não tenho mais paciência para o chamado rock progressivo.
Deve ser a idade que quando chega trás junto um sentido de urgência - talvez pela proximidade da morte - em viver e, sendo assim, perder trinta minutos ouvindo uma mesma música se torna quase torturante.
Assim também deixamos de ver graça em contos de oceanos topográficos, portões de delírio, cordeiros que jazem na Broadway, etc, etc, etc.

Também pegava um pouco o fato das bandas se levarem muito a sério.
Quase intocáveis em seus olimpos, afastados dos fãs que podiam, no máximo, admirar seus ídolos que “tocavam pra caramba!”.

Uma das histórias desta “falta de humor” é até engraçada.
Reza a lenda que o Yes ensaiava durante uma turnê aos EUA à espera da chegada de seu tecladista Rick Wakeman ao estúdio.
Possivelmente influenciados por seu cantor Jon Anderson, o grupo havia se tornado vegetariano, ou coisa que o valha... Haviam banido a carne do cardápio ainda em Londres.
Ao que parece esqueceram-se de avisar Rick, ou ele mesmo não tinha ficado muito contente com a nova dieta e apareceu no estúdio com uma sacola de papel um tanto engordurada.
Ajeitou-se atrás de seus teclados e disse que a banda podia tocar que mesmo almoçando, ele acompanharia.
Sacou então um gorduroso hambúrguer da sacola de papel e mordeu com vontade, causando asco nos outros músicos e – o vocalista é sempre o mais fresco – vômitos em Jon Anderson.
Reza também a lenda que foi por isto que Wakeman saiu do grupo.

Mas nem todos eram assim afrescalhados ou sem humor.
Prova disto é o clipe do Jethro Tull, ícone do gênero, para sua canção Too old to rock and roll, too young to die que lembra, ainda que conceitualmente, o filme O curioso caso de Benjamin Button, se este tivesse sido feito pelo Monty Pyton.
Ah sim... A música também é bem legal, longe do rococó que assolou o gênero e a própria banda.

9 de jan de 2014

Lotus: as aparências que podem não estar enganando

A Lotus anunciou que não irá para Jerez onde irá rolar os primeiros testes para a temporada deste ano.
“Não é o ideal para nosso programa de concepção e desenvolvimento” – disseram.
A grosso modo quer dizer que: O dinheiro não dá pra desenvolver o carro e viajar para ir testar lá na Espanha em tão pouco tempo.
Não dá para afirmar, afinal ninguém viu extrato bancário, mas parece que o time está de cofres vazios.
Porém, diz que vai para o Bahrein...
Ué? Jerez não é mais perto de Enstone?
Algo está errado.

Ah... Mas agora eles têm o dinheiro da PDVSA.
Tem... Pastor Maldonado está lá, não?
Mas uma pergunta não quer calar.
Se a grana da petrolífera da terra do homem que adiantou o natal e criou um ministério para a felicidade do povo é certa (e em quantidade), por que catzo Frank Williams – que não rasga dinheiro – deixaria que saísse tão de boa?
Será que este dinheiro é tanto assim?
Parece que não.
E a impressão que dá é de que o time preto e dourado está perto de abrir o bico financeiramente.

Se for isto mesmo começa a fazer todo o sentido do mundo Kimi ter preferido voltar para um time que rasgou seu contrato.
E faz pensar que seria melhor se o nome Lotus tivesse ficado com o povo da Caterham.
Picaretas por picaretas, o time do fundão parece mais sólido dentro de sua filosofia devagar e sempre.
Na falta de fotos do novo carro da Lotus, vai estes cachorros fofinhos que ao menos tem a mesma cor e devem até ser mais rápidos.

8 de jan de 2014

Entrevista com Piloto encalhada

Por esta ninguém esperava!
Nem o Américo Vespúcio com toda sua vidência poderia supor que logo no terceiro post do ano o Blig Groo conseguisse uma entrevista destas.
Toma... Aqui é trabalho, diria o Muricy Ramalho.
Num esforço de reportagem e, em um esforço maior ainda de tradução, apresento a pequena entrevista feita com uma das baleias Piloto que encalharam em uma praia (na mata que não poderia ser...) da Nova Zelândia.

Ron Groo: -Por que vocês encalharam? Sempre achei que baleias eram dotadas de uma espécie de radar para se guiar nos oceanos.
Baleia Piloto: -Sim tem, mas os melhores ficam sempre com as Orcas, nós Piloto recebemos equipamento de segunda... O nosso tinha um defeito.
RG: -E que tipo de defeito foi?
BP: -Um defeito intermitente...
RG: -E este defeito causa exatamente o que?
BP: -Um buraco aerodinâmico.

RG: -Tem algo haver com estas nadadeiras arrebentadas?
BP: -Não, estas foram uns corais mais altos que eu peguei... O pessoal disse que eu ataquei os corais de forma estranha.

RG: -Mas você ia mesmo para a Nova Zelândia?
BP: -Na verdade ia para a Nova Guiné...
RG: -E o que aconteceu?
BP: -Desacelerei um pouco para que uma baleia Azul passar e acabei me perdendo.

RG: -E você estava sozinha?
BP: -Não, mas um crustáceo que estava grudado em mim escapou e acertou a outra Piloto que vinha logo atrás.

RG: -E se sair daqui? Vai seguir viagem?
BP: -Eu vou sair daqui. Nunca estive tão bem, vou para a Nova Guiné com a faca nos dentes...

RG: -Quer deixar alguma mensagem? Mais alguma desculpa sei lá... Mas deixa em sua língua.
BP: Iiiii iiiiiéeeee Iiiiióóóóóóóó Iiiiié Óóóóóóóóóó...
RG: -E o que quer dizer isto ai?
BP: -Sou uma simples baleia contra este oceano todo.

7 de jan de 2014

Dobrado para dar prazer

-Então?
-Eu estou tentando...
-Tenta com mais vontade. Ano retrasado foi melhor.
-É eu sei... Estou tentando repetir a dose.
-Em tempos de tão poucas emoções, foi inesquecível. Sete sem falhar!
-Eu sei, para de pressionar.
-Não estou pressionando.
-Tá sim... Falou do ano retrasado, das sete seguidas como quem diz: mas depois foi só decepção.
-E não foi? Depois foi tudo acabando antes da hora... Precoce.
-Não pressiona, já disse...
(silencio)

-Você podia tentar um estimulo químico né?
-De jeito nenhum... Até topo algumas práticas, mas isto nunca.
-Poxa, hoje em dia é tão normal. Nem tem efeito colateral.
-Não gosto destes estímulos. Já bastam as coisas artificiais que a gente já usa.
-Ah, mas confessa... Você gosta do resultado, vai.
-Gosto, claro... Dá um prazerzinho e tudo o mais... Mas nos bons tempos não precisava nem disto.
-Tá bom... Mas não estamos mais nos bons tempos. Nos tempos que a gente era até certo ponto ingênuo. Eu usaria.
-É... Não estamos. Mas nem por isto eu vou abusar de artificialidade para ter prazer... O dia que não der mais, a gente para.
-Nem penso em parar... Lá se vão 64 anos e ainda me sinto jovem.
-Jovem a gente não é. Mas não vou usar mais nada além do que já temos. Vamos dar outro jeito para manter o prazer.
-E o que você pensa em fazer Bernie? Colocar dobrado?
-É uma grande ideia Jean!. Dobrado.
-Fala sério...

No dia seguinte os sites estampam em suas home Page: FIA colocará pontuação dobrada na última corrida do campeonato.
-Dobrado vai dar mais prazer, Jean....

6 de jan de 2014

Enter 2014: sobras do ano que se foi.

Otto Lara Rezende disse uma vez que: “O mineiro só é solidário no câncer”, afinal ser solidário em doença muito grave é fácil.
A possibilidade da morte faz com que seja mais fácil perdoar defeitos e esquecer quaisquer rusgas ou reservas.

O caso de Michael Schumacher não deixa de ser prova.
Enquanto pouquíssimos viam em sua figura um grande esportista, um grande campeão, uma pessoa boa (só descoberto após o acidente com a revelação das doações que fez a diversos fins e fundos), a maioria esmagadora o tachava de mau caráter.
Motivos?  Vários.
Desde suas vitórias após manobras discutíveis do ponto de vista ético, mas muito normais do ponto de vista da competição (Senna jogou o carro em Prost e não venha falar que ele só revidou agressão anterior, não dizem que sempre é melhor dar a outra face?) até o fato de ter contrariado o que muitos têm como fato consumado: o fim da F1 no dia primeiro de Maio de 1994.
Agora, como num passe de mágica até dizer que ele é o maior (números não mentem e não confundam com o adjetivo “melhor”) vencedor de todos os tempos passou a ser “tolerável”.
Há gente sincera, claro, que entende os lados esportivo e pessoal e consegue separá-los de forma racional e expor seus sentimentos a respeito do fato, mas no geral...  Chega a ser deprimente.

Seria melhor se todos usassem como exemplo a genial parafraseada de Nelson Rodrigues sobre a máxima de Otto Lara: “Brasileiro só é solidário no cadarço do sapato”, aludindo à única dificuldade em que o brasileiro realmente se preocupa com o próximo.
“-Ei, psiu... Seu sapato está desamarrado.”
É menos nobre, mas é muito mais sincero.