30 de abr de 2014

Direito de resposta do macaco

-Ninguém nos perguntou nada... E de repente as redes sociais às quais nem temos acesso foram invadidas por fotos com palavras do tipo #somostodosmacacos.
São? Mesmo? Temos nossas dúvidas...

-Nós, macacos de verdade, somos ditos irracionais, certo?
Mas até onde sabemos - é bem verdade que sabemos pouco – não discriminamos outros macacos por conta da cor do pelo. Por que sim... Somos peludos e sabemos, sei lá como, que por baixo dos pelos nossas peles são da mesma cor.
E vocês? Quando vão aprender que por baixo da pele de vocês – todos! - o que há é sempre o vermelho?

-Nós vivemos em bando, sim... Mas por uma questão de sobrevivência.
Vocês nunca vão nos ver agindo iguais aos outros por modismo. E nem comprando camisetas que plagiam capas de disco lançadas por outro macaco oportunista.

-Nós brigamos e batemos uns nos outros sim. E quando brigamos é por comida, por domínio de território e por fêmeas, mas vale lembrar que somos irracionais. Vocês que pensam é que deveriam se envergonhar de nos imitar por conta de preferências, de times de futebol, gosto musical...

-E se é para dizer que vocês realmente são iguais a nós com estas fotos ai segurando e comendo bananas, pensem um pouco... Só comemos bananas quando nos dão. Na natureza, livres, nós não temos acesso às plantações da fruta.
Se quiserem mesmo dizer ao mundo que são todos macacos, assim como nós, façam um vídeo igual aquele em que um de nós sobe em um tronco, enfia um dedo no cu e depois cheira...

-E por fim, parem de nos incomodar com estas comparações absurdas. Por tudo que foi exposto, não nos envergonhe, porque nem com as faces vermelhas nós podemos ficar...

29 de abr de 2014

Tom

O homem é um dos ícones do que se convencionou chamar tropicalismo, aquele movimento do Gil e do Caetano que englobou música, teatro, cinema e outras coisas.
Mas rotular é besteira, na verdade Tom Zé não pertence a seguimento nenhum, mas tem que ser respeitado – e muito! – por todos eles.

Esta história foi contada pelo próprio em um programa de TV e nunca mais me esqueci.
Tom Zé conta que lá em Irará-BA, onde nasceu, o ponto de encontro da intelectualidade da cidade não era em cafés e confeitarias como no Rio de Janeiro da Corte ou Capital Federal; dos bares de turcos como nos romances de Jorge Amado e muito menos nas barbearias negras de algumas crônicas nova-iorquinas, mas na quitanda da cidade.

Ele, inquieto e curioso, se postava por baixo das bancas de frutas para ouvir as conversas entre os homens letrados, inteligentes ou sabidos da região.
Ouviu certa vez um diálogo entre eles sobre o povo mais notável do mundo: os russos.
-Eles colocaram um satélite espaço!
-Eles colocaram um cachorro no espaço!
-Um deles subiu lá no espaço e disse que a terra é azul!
Mas o que mais impressionou o menino Tom foi saber que lá naquele país tão distante, de gente tão ilustre e inteligente, todos tinham um colchão de molas, suprassumo da tecnologia conhecida em Irará, onde o mais comum e usual era se dormir em colchões de palha...

28 de abr de 2014

Post azedo de uma segunda feira azeda

E Simona de Silvestro teve finalmente seu primeiro contato com um F1.
Foi em um carro de temporadas passadas, mas tudo bem, se é só assim que a FIA permite, não há nada que se possa fazer.
E até onde se sabe ela foi muito bem!
Não rodou, não saiu da pista, não bateu em nenhum caminhão...

O especial sobre Ayrton Senna exibido pelo Esporte Espetacular da Rede Globo é correto e emocionante.
Sente-se a força de Ernesto Rodrigues por trás da obra e não se podia esperar menos.
Ouvir na emissora de maior alcance no país gente de peso e credibilidade dizer que houve falhas de caráter do ídolo na decisão do mundial em 1990 (todos sabem o que aconteceu) é sensacional.
O especial serve a causa da “descanonização” do piloto, colocando-o como ser humano comum passível de erros e até de mau caratismo sem lhe tosar um milímetro sequer de sua genialidade comprovada em pista.
E por fim, é mil vezes preferível esta “safadeza” de Senna e Schumacher dentro das pistas - do Prost não, a dele foi no tapetão (Prostinense ou Flumiprost?) - que a apatia e o bom mocismo forçado que acaba deixando os pilotos com aparência de caricaturas mal feitas de hoje em dia.

Para terminar o post azedo, uma citação de algo muito fora do eixo mestre do blog (velocidade e literatura), mas remetendo à outra paixão: o jornalismo.
Tem sido muito comum ver, ouvir e ler matérias mal feitas, mal escritas ou bizarras nos veículos jornalísticos por ai a fora, mas duvido que alguém tenha prestado atenção na perola solta pelo Globo Rural na manhã do último domingo.
Em uma matéria sobre a suspeita de um caso da doença da vaca louca em uma região fronteiriça com a Bolívia o repórter mandou:
“-O animal foi abatido e foram colhidas amostras para exames mais minuciosos, então o animal foi sacrificado e incinerado.”
Se popularmente é dito que gato tem sete (nove em algumas regiões) vidas, no Brasil, fronteira com a Bolívia, as vacas tem pelo menos duas...

25 de abr de 2014

A FIA e suas maquiagens em um produto que está ruim

Digamos que você tenha uma geladeira e ela não gele direito, não funcione da forma que voe espera. Não conserva as coisas da forma que você necessita.
O que você faz?

a) Compra outra de outro modelo
b) Tenta arrumar a que tem para que ela atenda ao que você precisa.
c) Faz uns ajustes estéticos (cola uns adesivos, adiciona uns leds...) e fica com ela mesmo com o defeito.

Se você respondeu A ou B, parabéns...
Mas se respondeu C, sugiro que mande um currículo para a FIA, afinal, tem o mesmo pensamento de jerico que os senhores que gerem aquela bagaça.

O som dos novos motores gerou uma gritaria entre os fãs da F1.
Aquela coisa chocha que fica entre o som de um liquidificador e uma lavadora Vap (se nunca prestou atenção, quando você aperta o gatilho da lavadora ela assobia igual aos turbos da F1 atual) está longe do ronco bonito dos V8 ou V10 já usados na categoria.
Até o som das tranqueiras usadas na Indy tem um som mais bonito.
Pior?
Não é só o som do motor que desagrada: a tal economia de combustível também é irritante.
Fizeram trocentas trocas no regulamento esportivo e técnico e o máximo que conseguiram foi trocar a cor da equipe dominante.
Para piorar, as corridas ficaram extremamente monótonas e pode esquecer as emoções vividas no deserto barenita, aquela corrida foi a exceção que confirma a regra.

Mas para não ser acusada de surdez e cegueira, a FIA começa a estudar a possibilidade de mais alterações para o próximo ano.
São elas:
A volta das suspensões ativas, das faíscas que os carros soltavam quando batiam com o assoalho em uma imperfeição da pista e freios incandescentes.
No que isto vai melhorar o nível de emoção das corridas?
Porra nenhuma, mas vai ficar bonitão no vídeo...
Ou seja, a geladeira vai continuar não conservando direito, mas vai ficar show de bola na cozinha.

Pensar em liberar o pessoal para sentar a bota no acelerador, tentar construir carros que sejam mais velozes que os outros, ousar nas soluções para melhorar os carros, enfim... Deixar que quem puder mais chore menos ninguém lá quer né?

24 de abr de 2014

Blakey: bateria ainda que na marra

Não sabia nada da mãe, nunca viu sequer uma foto.
O pai os abandonara antes mesmo do nascimento do garoto.
Na verdade o casamento só aconteceu por que ela engravidou, mas ainda no dia da cerimônia ele achou um jeito de pular fora da vida de casado.
Algumas quadras depois de sair da igreja disse que iria comprar charutos, fugiu pela porta dos fundos da mercearia que tinha entrado.
Cinco meses depois do parto ela faleceu, muito provavelmente de tristeza.
O menino foi criado pelo melhor amigo da mãe, já que o pai – um mulato – o rejeitara com o incrível argumento de que a pele do filho era mais escura que a sua própria...
Na casa onde foi criado havia um piano onde o menino aprendeu a dedilhar sozinho, de ouvido.

Casou-se aos quatorze anos e aos quinze já era pai.
Para sustentar a família em plena crise econômica de 1929 teve de arranjar um segundo emprego – o primeiro era em uma mineradora de carvão – e então formou uma big band para tocar em um clube local em Pittsbugh, o Ritz.
Durante dois anos encarou uma jornada dupla: até as dezessete na mina de carvão e das vinte e três até o amanhecer tocava piano.

Porém quando a direção da casa resolveu trazer um show de Nova York, cujas partituras seriam executadas pela banda e o já então rapaz teve de admitir que não sabia ler música.
Nem teve tempo de argumentar que poderia aprender em pouco tempo, um pianista bem mais novo ocupou o lugar.
O moleque já tinha ouvido uma gravação com as músicas do show e graças a uma memória fantástica tocou as partes de piano tão bem que ninguém notou que ele também não sabia ler as tais partituras.
Seu nome? Erroll Garner, que pouco tempo depois veio a ser conhecido como um dos mais originais pianistas de jazz.

Irritado por ver seu emprego indo para o ralo, o nosso personagem reclamou, afinal vinha dirigindo aquela banda havia dois anos!
E então o dono do clube – que vivia com um trinta e oito enfiado na cintura – o colocou contra a parede:
-Cê vai continuar trabalhando aqui? – disse enquanto rolava o charuto de um canto à outro da boca.
-Eu quero... – disse o nosso herói.
-Então vai tocar bateria! – disparou.
O rapaz ainda tentou reclamar, mas ao ver a expressão no rosto do patrão entendeu que se quisesse manter o emprego – e os dentes – era melhor ir se sentar à banqueta e tocar da melhor maneira possível àqueles tambores.
E assim Art Blakey, durante as seis décadas seguintes de sua vida, fez com que os fãs jamais lamentassem o fato dele nunca mais ter voltado ao piano.

23 de abr de 2014

Um bom motivo para ficar em casa

Ninguém gosta de bandas ou cantores de churrascaria, isto é fato!
Sei por que já estive dos dois lados.
Tolera-se.

E de muito mau-humor, diga-se, já que ao final da noite ainda se tem de pagar o maldito couvert artístico.
-Garçom!
-Pois não?
-Que são estes vinte por cento aqui?
-Couvert artístico...
-Mas eu não comi couve nenhuma...
-Não senhor... Couvert... É a porcentagem que cabe a atração artística da casa.
-Mas eu não pedi atração artística nenhuma, e até onde pude perceber, de artístico este cantor ai não tem nada...
-Infelizmente senhor, mas é cobrado.
-Eu não pedi!
-Mas consumiu...
-É... Tá certo. Da próxima vez enfio o miolo do pão nos ouvidos, ai não consumo e quero ver você cobrar...
-Cobraremos pelo pão, senhor...
-Então não venho mais aqui...

E nem é só em churrascarias que temos os cantores, grupos, duplas.... Nas pizzarias também e com agravante... Às vezes é arriscado encontrar grupos de tarantela.
-Uma “mezzo margherita, mezzo quatro queijos”, por favor...
-Sim signore...
E entra o grupo:
 –Iane, iane, ianeianeiane...

Ou pior!
Um cantor metido a napolitano cantando velhas canções do Pepino di Capri:
-Champagne, per brindare uno encontro...
-Mas o que são estes vinte por cento aqui?
-Couvert artístico signore...
-Mas que couvert? Que artístico? O cara ficou ai cantando em italiano!
-Ele interpretou Pepino di Capri, signore...
-Piorou! Pizza com pepino é sacrilégio.
-Pepino di Capri é uno buono cantante napolitano...
-Que pena, porque se fosse um pepino mesmo eu o colocaria nos ouvidos e não ouviria esta tortura...
-Cobraríamos o pepino signore.
-Não venho mais aqui...

Não ir mais a estes lugares é uma solução, claro, se você quiser se tornar um eremita sem vida social... Ou gastar horas procurando um estabelecimento que não tenha estes seres irritantes
Outra saída é convidar seus amigos, comprar carnes e cerveja e fazer aquele belo churrasco em casa....
A porcaria é que alguns açougues aderiram à moda e já colocam cantores em suas portas.
-Me vê três quilos de picanha  por favor!
-E agoraaaaaa que faço eu da vida sem.... (Coxão mole R$11,00 a peça)... Você não me ensinou a ... (Alcatra R$15,00 o quilo)...
-Mas que merda é esta?
-Ah... É nosso crooner, ele chama o público para o açougue com as músicas e de quebra vende o CD dele... Cinco reais só.
-Ah é... Só cinco? Me vê meio quilo então, pra eu levar pro meu cachorro, mas... Vai ver que é por conta disto que o açougue está vazio.

22 de abr de 2014

A crônica do GP - China: Motivos para acabar antes do previsto

-Calalio! – bocejou o chinês incumbido de agitar a quadriculada ao fim da corrida.
Quase uma hora de prova disputada e nada empolgava.
Tinha até vibrado um pouquinho com a largada de Felipe Massa, mas após o toque com o safado do Alonso nada mais aconteceu na prova.
Pegou então seu celular e liga para Charlie Whiting, diretor da prova.

-Alô, senhor Charlie?
-Sim... Quem é?
-É o Piong...
-Quem catzo é Piong?
-Piong Lee Chong, o cala que vai dar a bandeilada no final.
-Ah sim! No que posso ajudá-lo?
-O senhor pode mandar outla pessoa pla ficar no meu lugar?
-Como assim?
-Pede pla outlo vir aqui e dar a bandeilada.
-Pensei que tivesse achado isto uma honra.
-E achei, mas já estou aqui a quase duas holas e não acontece nada... Tá chato.
-Às vezes isto acontece... Veja o cara da corrida passada, ele teve mais sorte...
-Pode ser, mas aqui tá chato pla calalio e eu quelo ir embola... Chama outlo.
-Mas... Chamar quem? Isto nunca aconteceu...
-Tem semple a plimeila vez... E pode chamar qualquer chinês, não dizem que a gente é tudo igual?
-Fica ai... Só falta metade da corrida...
-Deve demolar mais quanto tempo?
-Mais uns quarenta ou cinquenta minutos.
-Muito tempo... Dá pla assistir um filme do Jackie Chan.
-Olha, fica ai... Por favor.
-Eu fico, mas quelo uma bandeja de pastel de flango, um lefligelante de dois litlos, um caixa de paçoca Amor e umas levistinhas.
-Tirando a paçoca Amor, o resto eu providencio, mas fica ai.
-Tá celto.

De fato, cinco minutos depois Piong foi atendido e recebeu o que havia pedido, com exceção das paçocas, claro.
Porém, ainda assim, acabou dando a bandeirada uma volta antes do previsto e saiu correndo para casa completamente entediado.

Perguntado depois o que havia acontecido, Piong respondeu:
-Acabalam os pastéis, acabou o lefligelante e as páginas da levista ficalam gludadas, não tinha mais nada intelessante pla fazer lá...

21 de abr de 2014

Lado B do GP: Era melhor ter ido ver o filme do Pelé, ou do Didi...

Foi muito lado B, lado B demais...
Uma corrida daquelas que só mesmo os três do pódio vão se lembrar.
O resto vai esquecer que ela existiu.
Incluindo os expectadores...

Massa vai querer esquecer porque fez mais uma de suas melhores largadas desde sempre, mas se tocou com o Alonso e teve problemas no carro.
Para completar a equipe ainda lambou (de “fazer lambança”) no pitstop.
Resultado: nem sétimo foi.

Vettel até vai querer esquecer, mas provavelmente Ricciardo não vai deixar...
Já é a segunda prova em que se ouve pelo rádio que o australiano estava mais rápido e não era para segurar.
O Tião alemão deve estar com saudades do Webber.

Pastor Maldonado talvez não queira esquecer.
Mas todos: pilotos rivais, fãs do esporte, quem vive deste esporte, gente que às vezes se informa sobre F1, dentistas.  Enfim... Todo mundo que não é o próprio Maldonado queria esquecer que ele está na F1.

E ao fim da corrida Hamilton dominou a prova toda para ganhar uma cumbuca para feijoada.

Nico, como lhe é mais conveniente ganhou uma panela para fundue, a loira não deve ser chegada a uma comida tão forte... Só nos paios, nas lingui... Deixa pra lá.

E o Alonso, bom... O Alonso que se foda.
A corrida nem bem terminou e já era possível ouvir aquela voz fina e chata de suas fãs gritando: “-Olha ai... Foi no braço, mimimi, carro ruim, mimimi, Domenicali, mimimi, novo chefe de equipe, mimimi...”.


E para terminar: Alguém viu o Kimi?

20 de abr de 2014

F1 2014 - China: Tudo como dantes no quartel de Abrantes. Chato pra caramba

Claro que a expectativa, otimista ou não, é de que a corrida chinesa fosse tão boa quanto no Bahrein.
Obviamente que cada corrida tem sua história e esperar que duas corridas em pistas bem mais ou menos promovessem grandes corridas seguidamente era pedir um pouco demais.
Porém, começou bem, mas...
Não demorou em tudo voltar a ser modorrento e monótono como as duas primeiras corridas do ano.

Preocupação com consumo de combustível dominou os assuntos e a seca por emoção era tão grande que muitos otimistas enxergaram uma possibilidade de briga entre Nico Rosberg e Sebastian Vettel.
Ainda que o segundo viesse com mais de um segundo mais rápido que o primeiro volta após volta...
Chegou, colocou de lado, passou e foi embora.
A “briga” que se viu foi mais desespero de causa de um tetra campeão tentando – em vão – não ser humilhado em uma parte um pouco mais sinuosa que qualquer outra coisa.
E acabou ai.

Claro que dá para entender perfeitamente os toques nos carros da Williams de Massa e Bottas por Alonso e Rosberg respectivamente foram coisas de corrida, sem mais.
Só gostaria de saber se assim seria tratado caso fosse o contrario os causadores.
Muito provavelmente por conta do toque, Felipe ficou nos boxes com problemas para trocar os pneus traseiros.
Caiu para penúltimo e passou o resto da prova tomando bandeira azul.

De resto, Lewis saiu na frente e lá ficou.
Nico fez valer o fato de ter o melhor carro da temporada nas mãos e chegou onde lhe foi possível.
A grande surpresa ficou por conta de um Alonso melhor na classificação final.
Não precisou comemorar um nono lugar.
Sinal de que a troca no comando do time deu resultado.
O tal Marco Matiacci acertou mais vezes na estratégia que em toda a gestão Domenicali: uma.

E para quem achou que veria uma corrida com brigas uma dica: dá próxima vez tente UFC...
A corrida no Bahrein foi a exceção que confirma a regra: a F1 está chata para caraca com esta poupança toda.

18 de abr de 2014

Macondo está triste

"Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendia havia de recordar da tarde  remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo.(,,,)
O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las se precisava apontar o dedo."

Foi assim que começou meu encanto com as histórias deste colombiano genial.
Não é justo pedir que alguém viva para sempre, viver cansa... Mas tem gente que gostaríamos que fossem eternas.
Gabriel Garcia Márquez é um destes.
O parágrafo acima é a abertura de Cem Anos de Solidão.  uma de suas obras primas.
Quem leu A aventura de Miguel Littín clandestino no Chile, ou Relato de um Naufrago sabe bem que são muitas.
Aliás, todos são.
Mas não precisa acreditar no que está lendo aqui, faça melhor: leia você mesmo o mais famoso dele clicando aqui: => MACONDO

Muitos anos depois, diante da luz fria da tela de um computador, o pretenso escritor Ron Groo havia de se recordar daquela tarde remota em que abriu Cem Anos de Solidão pela primeira vez e leu seu primeiro parágrafo. (...)
As letras eram tão recentes para ele que muitas coisas careciam de explicação, menos o encanto daquele livro mágico.
Nunca mais esqueceu.
Pensando bem... Quem disse que Gabo não é eterno?
Valeu Gabo! Valeu...

17 de abr de 2014

De páscoa

Provocavam-se o tempo todo.
Os amigos estranhavam e achavam que um dia aquelas peças que pregavam um no outro acabaria em uma briga mais séria.
Sempre se aborreciam um pouco, ficavam alguns dias sem se falar, mas nem assim deixavam de comemorar as datas festivas como o natal, dia dos pais, das mães e até o dia dos namorados. Sempre se provocando mutuamente.

Na páscoa não poderia ser diferente, ela queria uma forma de provocá-lo e ele idem...
Na manhã de Páscoa ele acordou, foi escovar os dentes e lembrou que a viu com dois ovos de páscoa pequenos.
Achou que desta vez não seria sacaneado.
Talvez tendesse a pensar que foi sacaneado no tamanho dos ovos, que ele achou realmente pequenos. Quase duas balas de chocolate.
Logo ele que tinha comprado um enorme, quase dois quilos de chocolate.
Saiu pela casa a procurar os seus dois minúsculos presentes.
Não achou nada... Voltou para cama de onde ela não tinha saído.
Ele deitou resmungou e logo dormiu de novo.

Ela aproveitou e se levantou para procurar aquele enorme ovo de chocolate que ele fez tanta força – em vão – para que ela não visse.
Pé ate pé e vasculhou a casa toda.
Nada.
Voltou para a cama e dormiu também.

Mais tarde ao acordarem quase simultaneamente sorriam um para o outro se perguntando:
-Cadê? – disseram juntos.
-Cadê o que? – continuaram em uníssono.
-Os chocolates! – disse ele.
-E o meu? – cobrou ela.
-Coloquei no local onde você não pensaria em procurar. Em um local que no fundo até parece com certa parte de sua anatomia...
-Que curioso, fiz à mesma coisa com o seu...
A já ira era visível nos olhares de ambos.

Ele foi até sua gaveta e encontrou os dois chocolates dentro de uma cueca sua. Ele odiava quando ela o chamava de “bolinhas”.
Ela foi até seu closet e descobriu o gigante ovo de páscoa, já aberto, separado e com suas duas metades devidamente instaladas uma em cada bojo de um sutiã seu. Odiava quando ele gracejava com o tamanho de seus seios.
Provavelmente não vão se falar até o natal...
A todos, uma feliz páscoa.

16 de abr de 2014

Perdeu a chance...

No último dia 12 de Abril completaram-se cinquenta e três anos que a frase “A terra é azul” foi pronunciada pelo astronauta russo Yuri Gagarin.
Sua nave, a Vostok, foi lançada às 9h7min de uma plataforma no Cazaquistão (Borat curtiu isto) e foi a primeira prova de que o corpo humano sobreviveria sob a condição de gravidade zero.
Reza a lenda de que no lançamento teria dito: “E lá vamos nós!” (A bruxa do Pica Pau curtiu isto agora...).

O voo também serviu para reafirmar a dianteira dos russos em relação aos americanos na corrida espacial.
Já haviam colocado em órbita o primeiro satélite artificial, o Sputnik e o primeiro ser vivo em órbita, a cadela Laika (Luiza Mell não curtiu isto).
Conta-se também que os russos passaram a perna nos americanos, que estavam preocupados em desenvolver uma caneta que escrevesse em qualquer posição e na gravidade zero mandando junto com Gagarin um arcaico e ultrapassado lápis.

Curiosamente, ninguém duvida dos feitos russos descritos ai em cima, mas uma corrente enorme defende que a chegada dos americanos à lua é falsa, montagem...
Vai saber.

Particularmente, penso que se Gagarin tivesse dito “A terra é azul, mas seu povo é multicolorido”, teria dado uma contribuição ainda mais gigantesca para toda a humanidade.
Teria sido a maior ação contra a intolerância racial já feita na história.

15 de abr de 2014

Domenicali fora, por que não Briattore?

E a Ferrari jogou o sofá fora.
Fez um carro muito abaixo do esperado, ficou em posições às quais seus pilotos não estão acostumados a andar, perderam pessoas do corpo técnico e não fizeram reposição.
De quem é a culpa?
Do chefe de equipe, claro!

Domenicali não pilota.
Se pilotasse não poderia fazer melhor que os titulares do time.
Talvez fizesse melhor que o piloto reserva, mas até ai penso que até o Stevie Wonder.
Domenicali não desenha carros.
Mas pelo que a equipe tem feito nos últimos anos, não faria muita diferença.

Ele pediu demissão, é fato.
Mas foi aceita de bate pronto, como se já tivessem em mente mandá-lo embora.
Mas não é para ficar triste, torcedor dos outros times.
O substituto também é italiano.
Ou seja: a zona continua.

Mas por que este Marco Mattiacci e não Briatore como andaram bafejando?
Explicação simples:
Dizem que ao chegar ao inferno, ACM encontrou o capeta e este lhe disse.
-Aqui você sossega!
-Sossego não... – respondeu o político baiano.
-Como não? – quis saber o capiroto.
-Veja bem... – explicou – Eu quando morri, por acaso era prefeito de Salvador?
-Hum... Não.
-Mas quem mandava lá?
-Você?
-Sim... Eu era o governador da Bahia?
-Não...
-E quem mandava lá?
-Você?
-Isso! Eu era o presidente do senado?
-Errr, não!
-Certo de novo. Mas quem mandava no senado?
-Você.
-Exato! E por acaso eu sou o capeta?
-Não... Sou eu.
-Pois é, mas adivinhe quem vai acabar mandando aqui?

Troque o Coisa Ruim pelo Montezemolo e coloque Briattore no lugar do ACM que a escolha do italiano sem experiência estará explicada totalmente.

14 de abr de 2014

Groo Translate

E parece que o fragmento de papiro encontrado em 2012 e fala sobre a esposa de Jesus é real.
Vindo provavelmente do Egito, traduziu-se que – dentre outras coisas – versa sobre a esposa de Jesus.
A descoberta – e a tradução – vai de encontro à tradição cristã de que Cristo não era casado e atiçou novamente o debate sobre celibato e o papel da mulher na igreja.
Mas este não é o assunto.

O papiro encontrado está escrito em língua copta e, penso eu, deve haver bem pouca gente versada na gramática desta linguagem.
Assim sendo, as traduções feitas podem estar erradas.
Num esforço fenomenal o BligGroo conseguiu traduções alternativas para o texto contido no papiro.
E adianto: deu trabalho pacas já que o Google não disponibiliza o tal copta no Google Translate.


Segue as traduções:


  • “Jesus, quando sair pra ir para o Monte das Oliveiras, leva o lixo pra fora...”.
  • “Assim não dá... Todo dia vai trazer estes doze pra jantar aqui?”
  • “Não precisa trazer vinho, tem muita água ai... Se vira.”. 
  • “Demorou isto tudo no deserto? Porque não veio sobre as águas em vez de contornar o Jordão?”
  • “Como assim não vai pintar a casa? Está esperando o milagre dela se pintar sozinha?”
  • Sermão na montanha? Sei, sei... Tava discutindo futebol de novo.”
  • “Vê se fala mais de mim nos teus sermões ou no futuro vão dizer que você nunca foi casado.”
  • "Você não me ama, nunca fez uma parábola que me incluísse... Só Martha e Maria."


Quem tiver mais alguma, pode ajudar deixando ai nos comentários.

11 de abr de 2014

Um groove visionário

O homem, além de sensacional e genial músico era um exímio frasista.
Claro, são frases carregadas na ironia, na fanfarronice e no humor.
Politicamente correto? Nem fodendo...
Tim era do tipo raro de artista que preferia perder grana ou amigos a refrear seus ímpetos e controlar a língua.

Ficou anos sem se apresentar na Globo por – além de bolos que dava nos programas – chamar seus diretores de mau caráter, dizer que o canal era manipulador entre outras coisas.
Verdades do Tim que muita gente vai concordar.
Também quebrava paus homéricos com os donos de casas noturnas.
Seu alvo principal, Chico Recarey, chegou a ter as primeiras filas de sua casa de shows tomadas por moradores de rua convidados por Tim para lhe dar um troco por ter colocado seus (reais) convidados afastados do palco em outra noite.

Porém uma de suas frases mais famosas necessita de uma pequena revisão.
Tim deu uma bola fora e suas palavras acabaram servindo de muleta para o lado ao qual ele não citou.
“O Brasil é o único lugar onde puta goza, cafetão sente ciúmes, traficante se vicia e pobre vota na direita.” - disse.

Para ajudar o Tim e dar um upgrade em sua frase e deixá-la com muito mais sentido nos dias de hoje, uma mexidinha, sem tirar o sentido da coisa, é necessária.
 “O Brasil é o único lugar onde puta goza, cafetão sente ciúmes, traficante se vicia e povo continua votando em quem lhe rouba. Seja de esquerda ou direita...”.

Tim não sabia quando escreveu “Batata frita, o ladrão de bicicletas” que num futuro bem próximo, todos os juízes seriam boa praça e cooperariam...
Com todos os lados.

O ladrão de bicicleta estava mal,
estava mal!
O vizinho era careta dedurou,dedurou!
O juiz um boa praça cooperou,cooperou!
Desta vez Batata-frita se deu bem,se deu bem!
As pessoas boa praça estão em paz,estão em paz!

10 de abr de 2014

Beronha

Para comemorar seu aniversário, resolveu dar-se um presente.
Fez reserva em um restaurante de sua cidade e na hora marcada rumou para lá com a esposa.
Ao chegar ao restaurante, a recepcionista lhes abriu a porta com um sorriso protocolar nos lábios e lhe perguntou o nome, olhou o livro e viu que tinham reservas.
-Ah! Mas hoje é seu aniversário! Então temos que comemorar mesmo! Vamos à mesa que reservamos para o senhor...
Ao ouvir a conversa, o grupo de uma mesa próxima levantou-se e começou a cantar parabéns.
-Parabéns pra você... - Etc.etc.etc. -  e levantando-se de suas cadeiras emendaram:
-Beronha é bom companheiro, Beronha é bom camarada!
Percebendo que eu não era o tal ‘Beronha’ desculparam-se rindo muito voltaram à sua mesa.

Já acomodado, fez seu pedido: ela um grelhado e ele peixe.
O maitre do lugar aproximou-se da mesa do casal em tom de confidencia sussurrou:
-Para o aniversariante da noite uma jarra de nosso melhor vinho.
Surpreso, agradeceu.
O maitre serviu – como manda a etiqueta -  a taça do cavalheiro o suficiente para que provasse e aprovasse.
Quando levou aos lábios sentiu no ato que era um ‘San Tomé’ branco.
Sorriu amarelo para o maitre e assentiu que servisse a taça da esposa.
Não se reclama de cortesia.

Após comer, pediram a conta e descobriram que já estava paga, porém, não lhes disseram quem havia sido e o garçom que trouxe a noticia ainda complementou:
-Foi um enorme prazer ter sua companhia esta noite!
Não entendendo perguntou se sabia quem ele era e a resposta foi sim e continuou:
-Gostamos  muito do que lemos no jornal da cidade, das colunas que o senhor escreveu.
Embora tenha mesmo um emprego no jornal local só fazia obituários.
Deixou a confusão como estava e decidiu ir embora logo.

Ao chegar à porta a mesma recepcionista de sorriso protocolar a abriu e antes que eles pudessem se me movimentar para sair, um sujeito gordinho acompanhado de uma ruiva de uns dois metros de altura entra e sem demora alguma se ouve:
-Parabéns pra você, etc.etc.etc. – e mais - Beronha é bom companheiro, Beronha é bom camarada...
De passagem ele felicita o tal ‘Beronha’ pelo aniversário, agradece e vai embora.

9 de abr de 2014

A crônica do GP - Bahrein: E depois é o Kimi quem bebe...

-E de um momento para o outro eu vi tudo girar, fiquei imensamente confuso e quando senti que estava novamente no controle da situação percebi que estava com uma dor de cabeça monstruosa e um gosto horrível na boca...
-E quantas vezes já se sentiu assim?
-Primeira vez.
-Sério? Este é o primeiro caso em que vejo alguém procurar ajuda assim, de primeira. Parabéns.
-Obrigado, mas...
-Não tem “mas”... Este é o tipo de doença que só precisa realmente do primeiro impulso, da primeira experiência, do primeiro copo para tomar conta do individuo de uma forma brutal...
-Sim, eu sei, mas...
-Se todos fizessem como o senhor e procurassem ajuda logo de cara, assim que sentissem que poderiam realmente ficar doentes o nosso trabalho aqui no AA seria imensamente facilitado.
-O senhor não está entendendo.
-Estou sim, rapaz... E estou lhe louvando a coragem para vir aqui após o primeiro porre.
-Porre? Mas que porre?
-Ué? Esta descrição que você nos deu não é de um porre?
-Não.
-Tontura, confusão, gosto ruim na boca... Só pode ser efeito de álcool!
-Não, não... De forma alguma, o que descrevi foi a sensação que tive depois que o imbecil do Pastor Maldonado acertou meu carro pelo meio e eu girei no ar...
-E onde foi isto?
-Lá no Bahrein...
-Mas lá não se pode beber! As leis deles são muito claras e duras quanto a isto.
-Pois é! Por isto eu vim procurar os AA, imagina ai... Se em um país islâmico, com leis duras sobre o assunto o cara fez o que fez é porque não tem mais limites na bebida. Só bêbado para entrar numa curva daquele jeito...
-Entendi... E o que quer que façamos?
-Internação involuntária deste bêbado já!

8 de abr de 2014

Lado B de um GP que tinha tudo para ser bem ZZZZZZZ e não foi

Bahrein legal vai vendo...
Da mesma forma que carro ruim as vezes privilegia piloto ruim (aquela história de fazer grandes campeonatos lá no meio do grid com carro meia boca) pista ruim parece privilegiar campeonatos com regulamentos esdrúxulos.
Foram várias brigas - inclusive na ponta e de ponta cabeça – com muita emoção.

Na Malásia o Felipe Massa reclamou da ordem de equipe.
Ganhou um pedido de desculpas do time e a promessa que não aconteceria mais.
Bom, mas nem tanto... Agora ele também não vai se valer de ser o primeiro piloto para exigir que o Bottas saia da frente. Vai ter que ser mesmo no braço e ao que parece, não vai ser moleza não.
Mas o Massa correu como nunca e chegou como sempre: sétimo lugar. E ainda reclamou de uma suposta agressividade do Vettel... Porra... É para deixar passar então? Sem briga? Hum... Tá certo.

A primeira briga entre os carros da Mercedes foi legal.
Teve puxão de cabelo, batom borrado...
Mas enfim Hamilton foi cavalheiro: foi para os boxes alegando que é injusto brigar com uma mulher... Opa! Pera ai caceta...

E se ninguém tinha visto Kimi Raikkonen na prova da Malásia, no Bahrein todo mundo viu as duas Ferrari.
Toda hora tinha alguém ultrapassando os caras.
Kimi teve até seu dia de roda presa e vai ter pesadelos com o Daniel Ricciardo.
precisa de legenda?

Piada pronta? Sim!
Galvão Bueno: -Como é bom uma corrida sem rádio né Rubinho?
Rubinho (constrangido): -Quando não tinha rádio acho que os pilotos eram mais felizes...

Eu não tiraria pontos da carteira do Maldonado pelo acidente com a Sauber... Tiraria quem deu a superlicença para este imbecil do cargo que ocupa.


E o Button mostrou que merece um lugar...
Um lugar no asilo. Piloto velho e lento é f...
Mas na boa? Quem liga?
O que espera o Button em breve.
E finalmente, a gente vê que a coisa está bizarra quando o Bahrein dá uma boa corrida, na verdade ótima, e a Austrália não...

6 de abr de 2014

F1 2014 - Bahrein: Quando uma pista ruim dá uma corrida boa...

Ponto positivo antes desta prova barenita? Tem?
Claro!
Foi a primeira em muito tempo que não correu o risco de ser cancelada por protestos.
Desta vez não houve dezenas e dezenas de matérias nos especializados e amadores falando da crueldade que é organizar um evento destes em um país que está conflagrado por brigas e blá blá blá...
Foram lá, treinaram, classificaram e largaram sem nenhum tipo de problema, como, aliás, não houve nas provas em que este assunto foi a tônica.

E ai começou a corrida.
Massa fez uma largada mágica, logo depois perdeu rendimento...
As Mercedes sumiram na frente e deu margem à conclusão de que: Pintaram a Red Bull do ano passado de prata e o Vettel de preto.
Curiosamente, estas vitórias fantásticas da equipe alemã vieram logo após um dos acionistas da montadora (não do time de F1) ameaçou tirar o time de campo se não aparecessem resultados.
Teoria da conspiração, sabemos, mas que é estranho não há duvidas.
Mexeram no regulamento esportivo e na construção para equilibrar, claramente o treco falhou.
E criou a F-Taxi, aquela que se preocupa com o desgaste do pneu e com o consumo de gasolina no afã de que isto não onere os lucros no fim do mês.
Mexer no preço da bandeirada para baixo nada né?

Para nossa sorte, claro, a Mercedes parece não interferir na corrida de seus pilotos.
A briga entre Hamilton e Rosberg na pista foi algo que não se via há tempos.
Ainda mais sendo carros da mesma equipe.
Nesta hora ficamos imensamente felizes por não ser um domínio rosso e sim dos teutônicos.
E por conta disto, a corrida não teve ordens claras e pode ser então a maravilha que foi.
Boas brigas e estratégias diferentes, único senão, de que a Mercedes de Hamilton desgarrou-se na frente e particularmente, não via jeito de Rosberg chegar nele.
Ou, na melhor das hipóteses, chegar e não passar.


Ai veio o ponto crucial da corrida: A entrada do safety car após Maldonado voltar a ser Maldonado e fazer com que a Sauber do mexicano Gutierrez desse um duplo twist carpado.
Aposto que muita gente ficou tonta só de ver o replay com a câmera onboard.
Depois disso a emoção realmente correu solta.
Juntou todo mundo e favoreceu ainda mais as disputas tanto na frente quanto no meio...
Mas principalmente na frente, onde Lewis fez sua melhor corrida em tempos e conseguiu segurar a posição com garra.
Mereceu a vitória como poucas vezes em sua carreira, pena que só faz uma corrida como esta uma vez por temporada...

Veredicto?
A melhor das três corridas até aqui.

4 de abr de 2014

Distinto... Muy distinto

A coriza incomodava demais.
Com o nariz escorrendo, gotejando sobre documentos recém-impressos e manchando tudo, o humor, que já é uma maravilha em dias normais, neste dia estava abaixo de cão. Tanto que respondeu vários ‘bom dia’ com alguns singelos ‘por quê?’.
Já no período da tarde adentra no escritório, devidamente paramentado com camisa de gola clerical, as famosas ‘clergyman’ um senhor distinto.
Na visão do povo que trabalha ao escritório, distinto até demais... Distintíssimo!

Todos fingem estar ocupados ou ignoram solenemente a figura sobrando para nosso ‘corizado’ atende-lo.
-Pois não?
-Boa tarde.
Até pensou em dizer que não tinha nada de boa na tarde, ainda mais com tão distinta presença ali... Mas calou-se.
-Posso ajudar?
-Quero fazer o documento de um carro zero quilometro.
-Pois não, posso ver a nota fiscal?
-Pode. – e saca de uma bolsa também muito distinta a dita nota. Em via única era uma nota fiscal direta da fábrica e descrevia como produto um Ford Fusion, preto como convém,  faturado em nome do padre, mas pago pela Mitra Diocesana.

Fez contas e apresentou os resultados ao padre que concordou com a quantia cobrada pelo primeiro emplacamento do veiculo.
-Ok! Então por favor, o senhor me dê seus documentos, CIC, RG e uma conta de luz, água ou telefone como comprovante de residência.
-Você vai ‘xerocar’, não é?
-Os documentos pessoais sim, a nota fiscal tem de ficar a original mesmo.
-Não pode!
-O que não pode?
-Ficar com a nota fiscal original.
-É necessário, sem ela não posso fazer o primeiro emplacamento.
-Não pode... A nota original tem que ficar comigo, tenho de prestar contas a Mitra.
-Eu faço uma cópia para o senhor.
-Não serve!
-Faço uma cópia autenticada. Em cartório...
-Não. Tenho de ficar com a original.
-Se o senhor ficar com a original, eu não posso fazer o documento. É exigência do DETRAN.
-Eu não quero saber se é ou não exigência de quem quer que seja, tem de ficar com a nota original.
-Eu já disse, sem a nota não posso fazer o documento...
-O senhor não serve para atender pessoas no balcão. É grosso, não tem educação! – diz o padre muy distinto elevando a voz e esganiçando-a. Distintamente.
-Pessoas eu sei atender muito bem. Os que eu não sirvo para atender são bestas, burros e mulas teimosas! Muares de plumagem empertigadas e metidas à dona da verdade! – disse o ‘corizado’, também elevando a voz já um tanto fanhosa enquanto secava a coriza com os dedos e os limpava na nota fiscal do sacerdote.
-O senhor me respeite que eu sou padre! – já gritando com as mãos na cintura.
-Eu não respeito nem Papa, vou lá respeitar padre? – em igual volume de voz, fanhosa, claro!
-Oras! Vá para o inferno!
-Vai pro inferno o senhor, e leva esta porcaria de nota fiscal junto! – e joga a nota, já muito amarfanhada e um tanto molhada de secreção nasal.

O padre girou nos calcanhares e saiu pisando duro. Não tão duro assim, de vez em quando dava uma reboladinha e saiu dizendo que procuraria um lugar onde fosse melhor atendido.
Quarenta minutos depois voltou, foi atendido por outro funcionário e concordou em deixar a nota original e levar com ele apenas uma fotocópia autenticada pelo cartório local.
Até onde se sabe, nenhum dos dois foi para o inferno. Ainda.

3 de abr de 2014

Que este canto torto feito faca corte a carne de vocês

Em excesso até fracasso faz sucesso.
 (Leindecker, Duca in Força do Silêncio).

Enquanto alguns ganham superexposição e fazem sucesso mesmo sem talento apenas xerocando uma ou outra fórmula esperta criada por produtores e seguem infestando TV´s, rádios e timelines, outros – com muito mais talento e conteúdo – precisam de divulgação quase que boca a boca para ter seu trabalho difundido.
E não se trata de dizer se é ou não cultura.
Cultura tudo é, afinal, a minha é diferente da sua e assim por diante, goste-se ou não.
Mas que é injusto é.

Um caso bem exemplar é o do cearense Belchior.
É certo que seu nome andou na mídia há bem pouco tempo, mas não pelos motivos que se desejaria.
É certo também que não movimenta sua obra há mais tempo ainda.
Não faz shows, não aparece em programas (nem os melhores e nem os piores) de TV e pior: não lança nada novo.
Só que pela qualidade de sua obra, que não é pequena, chega a ser trágico que o tenham esquecido.

Mas será que o esqueceram mesmo?
Será que ninguém mais reconhece a importância do legado do bigodudo fanho?
Não... Definitivamente não!
Um tributo à sua obra foi engendrado pelo jornalista Jorge Wagner e resgata o clássico disco do artista Alucinação (1976) e se chama: Ainda Somos os Mesmos.
Segundo Jorge, o disco iria se chamar "Apaixonado e Violento" por que: “-Mesmo após quase 40 anos de seu lançamento, é assim que ele soa ainda hoje.”.

O resultado, obviamente, é desigual já que agrupa grupos diferentes com diferentes visões sobre a obra, porém, não é nada que comprometa o resultado final.
Os grandes destaques do disco ficam por conta da versão “paulomikloniana” (de Paulo Miklos mesmo) dos mineiros do Transmissor em Fotografia 3x4 e da pegada indie pop do Nevilton com Sujeito de Sorte.
Mas vale muito a pena dar uma ouvida com mais atenção no disco todo e descobrir o que mais lhe agrada.
O disco pode ser baixado neste link gratuitamente => BIGODUDO

De brinde, vem um EP chamado Entre o Sonho e o Som, com mais releituras de faixas que não são do mesmo álbum e não fariam sentido estar nele.
Aqui o destaque é o peso da banda The Baggios com Todo Sujo de Batom e a delicadeza da versão de Paralelas feita por João Erbetta.
O ponto baixo é versão lotada de clichês de voz e violão cometida por nana (assim, em minúscula mesmo, vai saber por que) em Coração Selvagem.
Única faixa realmente dispensável de todo o tributo.

Não repara os anos de esquecimento à Belchior, mas ajuda a dar uma refrescada na memória e mostra para as novas gerações que o cearense fanho está ali, pau a pau com Raul Seixas, por exemplo, mas que leva vantagem por não ter uma legião de fãs malas.


1 de abr de 2014

A crônica do GP - Malásia: Muito relevante... Muito

E depois disto:

Em São Paulo, toca o telefone.
-Alô?
-Alô, Rubens?
-Sim, quem é?
-Felipe.
-Opa, fala velho, tudo em paz?
-Tudo... Viu só o que eu fiz?
-Não, o que?
-A equipe sugeriu que eu devia deixar o Bottas passar e eu não deixei.
-Sério?
-Sério... Mostrei do que sou feito, tá pensando o que?
-Parabéns cara!
-Obrigado! Agora quero ver quem é que vai dizer que eu sou o lado B do 1B.
-Ah, vá se f...  (e desliga o telefone).

Na Espanha toca o telefone.
-Residência de Alonso, el mas grande!
-Oi Fernando!
-Quien és?
-Felipe... Viu só o que eu fiz?
-Si, yo vi... No deixaste el Bottas passar.
-É... Me senti o próprio Vettel sacaneando o Webber.
-Vettel? Isto és fácil... Queria ver usted se sentindo igual a mim.
-A você? Mas você já teve que ignorar ordem de deixar passar?
-No, mas fiz usted sair da frente e não foi uma vez só...
-Ah! Vai se f... (agora Massa desliga o telefone)

E na Finlândia toca o telefone.
-Hi.
-Oi... Kimi? Sou eu o Felipe... Viu só o que fiz? Não deixei o Bottas passar!
-Fuck it all... (e desliga o telefone)