30 de jun de 2014

Pequenas babaquices que otários adoram repetir

Esta é boa e foi escolhida para abrir os trabalhos.

“Quem não torce pela seleção não é patriota”

Desde quando 11 caras (quem em sua maioria nem moram aqui) novos ricos que chutam bolas (por uma bolada) são sinônimos de “patriotismo”?
Reduziram bastante o termo e seu significado.

Isto também é legal...
O sujeito passa a vida inteira dizendo que todo mundo é manipulado, que faz tudo que a emissora oficial da Copa manda, que protestou contra isto ou aquilo porque viu algo lá, que isto e que aquilo...
Ai vai para o estádio e enche os pulmões para cantar o hino à capela, mas não foi nem sugestionado e muito menos manipulado pelas insistentes aparições e citações da mesma emissora sobre o assunto em telejornais, programas esportivos, chamadas publicitárias.
Hu- hum... Tá.


Gosto desta:

“Estão roubando para o Brasil ser campeão” - ou – “ A copa está comprada.”.

Claro, claro... A FIFA (que não é santa) tem grana suficiente para subornar as trinta e duas seleções que vão ao torneio e ainda têm poder suficiente para manter de bico calado todos os envolvidos (que não são poucos).
E o espírito humano que pede notoriedade não está presente em ninguém e nenhum dos envolvidos quis seus quinze minutos de fama denunciando tudo.

O contra ponto também é engraçado.

“Estão roubando para o Brasil não ser campeão.”

Ah é? Por quê?
Só na falcatrua é que se para o “país do futebol”?
Cruyff, Paolo Rossi, Cannigia, Zidanne, Sneijder, entre outros, devem ser uns tremendos 171...
Ah ! E claro... A própria ruindade não tem nada com isto.
Seria irônico, se não fosse babaquice mesmo.

Mas de qualquer forma, nem isto estraga a beleza do que está acontecendo dentro dos campos. Esta é – de longe – uma das copas mais divertidas de todos os tempos.
Com as presepadas dos jogadores alemães, as festas dos torcedores estrangeiros...

Fora deles é outro assunto e não é para agora e nem para mim.
Com certeza o preço será cobrado e ai se cantará o hino à capela, se reclamarão das armações e, como de hábito, colocarão a culpa nos outros e vida que segue.

26 de jun de 2014

Samba? Blues? Só o idioma difere...

Há quem ache que o blues feito no Brasil é fake, puro pastiche da música negra de raiz norte americana.
Nem sempre.
Há quem defenda – por conta disto – que não temos bluesmans.
Besteira.
Temos sim e não devem nada aos americanos.
Só que vestem suas dores – como os americanos fazem com o blues – com sambas.
Quer dois?
Cartola e aquele que é objeto desta crônica: Nelson Cavaquinho.

Perguntado certa vez porque suas canções falavam tanto em morte, Nelson respondeu:
“-Falo muito nela para ver se ela se emociona e se fasta de mim. Quanto mais falo dela, mais ela fica agradecida e mais tempo demora pra me buscar.”

De outra, contou que teve um sonho em que morreria exatamente às três da manhã.
Acordou assustado e foi conferir no relógio que horas eram.
Faltavam exatos cinco minutos para as três da madrugada.
Pegou o despertador e não teve duvidas: atrasou o relógio para meia noite novamente.
Realmente foi embora na madrugada de 18 de Fevereiro de 1986, vitima de enfisema pulmonar. Mas não na hora marcada no sonho.
“-Pode até vir me buscar, mas não dou a ela o direito da pontualidade.” – disse.

Acredite... Se não fosse o idioma, você nem notaria a diferença entre os estilos.

24 de jun de 2014

Lado B do GP: Lado B devagarzinho...

E a corrida já começou sensacional.
Não, não estou falando da largada segura de Massa ou da agressividade do Bottas pra cima do Rosberg e sim da face multitarefa do Vettel.
Logo na largada deu tempo para ele checar o sistema com CCleaner, limpar o cachê e tentar sincronizar o carro com o Sync.Me.
Só que este último ele não tinha instalado.
Resolveu o problema visitando o Baixaki e baixando o aplicativo.
Único senão foi que se esqueceu de marcar para não instalar junto o Baidu e quando o treco instalou o sistema deu uma travada e seu carro foi ficando, ficando...
Mas bastou desinstalar e o carro voltou a funcionar.
Onde está o mérito de Vettel nisto tudo?
Poxa... Foi tudo isto ai antes de completar a primeira volta!
Mas ele foi malandro...
Saiu da prova mais cedo para assistir os jogos da copa.

Sentiu falta de alguém fazendo besteira?
Aqui também.
Nem Maldonado, nem Perez, nem Koba... Todo mundo comportadinho.

No meio da prova uma placa foi mostrada para Bottas com a inscrição: “it´s summer time”.
Era apenas para lembrá-lo de se hidratar tomando um gole...
Kimi Raikkonen, ao ver a placa sorriu, pensou: “-Iniciante, ainda precisam lembrar o cara...” e deu um gole em sua vodca.

Para finalizar: tradição.
Fiel aos princípios finlandeses, Valteri Bottas tira a rolha do champanhe e antes de jogar o liquido pra todo lado, dá um gole.
Kimi Raikkonen, ao ver aplaudiu.

22 de jun de 2014

F1 2014 - Áustria: o retorno.

O retorno de uma pista tradicional ao calendário é sempre bem vindo.
E uma pista como a da Áustria é ainda mais bem vinda.
Áustria retornado e com uma Williams na pole muito mais.
Williams na pode e também na segunda posição então...

E a largada segura de Felipe Massa, junto com a agressividade de Bottas retomando a segunda posição após ser ultrapassado por Rosberg só foram superadas em beleza pela largada alucinada de Lewis Hamilton, que pulou de nono para quinto e já na segunda volta passou em quarto lugar.

Então a corrida entrou naquela zona morta de poupança de combustível e voltas um tanto mais lentas e trenzinhos.
Carros de primeiro a quarto separados por pouco mais quatro segundos, mas sem agressividade.
Apenas o Bottas tentando aproveitar um cochilo da Mercedes rosa, mas sem efetividade.

O que ficou bem claro foi que a Williams montou uma estratégia para garantir ao menos um pódio com o terceiro lugar abrindo mão de brigar – seja na pista, o que era muito mais difícil, seja nos boxes - com as Mercedes.
Errado?
Não...
As Mercedes estão em outro nível em relação a todos os outros times e só problemas técnicos ou burradas de seus pilotos é que podem tirar suas vitórias.
Como torcedor (da Williams, claro) gostaria de ver mais ação, mas dá para entender perfeitamente a situação.

Sem mudanças até o fim da prova, o destaque ficou por conta do quinto lugar de Fernando Alonso.
Destaque?
Claro... Atrás de todo mundo.
Chupa Alonso.

De qualquer forma, uma corrida interessante e justa. Dentro do que é possível no atual cenário de forças.
Seja bem vinda de volta, Áustria.
Que fique muito tempo.

20 de jun de 2014

#Chico70 - 1Bnianamente atrasado

Chico Buarque é malandro.
E malandro tirador de sarro, diga-se.
Aqui três trollagens de sua lavra.

Quando interrogado pelo DOPS.
-O senhor sabe por que está sendo interrogado?
-Não sei não... Sou apenas um compositor.
-Nós sabemos, só queríamos que o senhor parasse de escrever sobre generais.
-Mas eu não escrevo sobre generais.
-Não? E escreve sobre o que?
-Generalidades...

Se o interrogador tivesse o mínimo de conhecimento da obra do homem, saberia que o “generalidades” não era literal e sim um neologismo criado por Chico para dizer que não fala sobre os homens que mandavam, e sim do que eles faziam quando mandavam.•.

Ao mostrar sua canção Bastidores (“Cantei, cantei... Como é cruel cantar assim.”) para Cauby Peixoto, o compositor ouviu.
-Mas Chico, esta canção é mais apropriada para uma mulher!
-Quem disse isto Cauby? A canção é a tua cara.
-Nem precisa, olha este verso: “... e os homens lá pedindo bis, bêbados e febris a se rasgar por mim...”.
-Besteira Cauby.
-Mas, Chico!
-Nada de mais, a letra foi feita pensando em você.
-Mas, Chico... Só se você pensasse que eu sou gay!
-Eeeeentão, Cauby! Pode gravar que não tem erro.

Perder o amigo pode ser... A piada nunca!

Quando Caetano Velloso começou a fazer certo sucesso, Chico inventou que o baiano havia passando por alguns distúrbios emocionais.
Que havia ficado paranoico e não reconhecia ninguém e no auge da crise afastava todos que o visitavam aos gritos de: “-Sai fora, carcará... Sai fora carcará!”.
Pediu também que quem fosse visitar Caetano, que não tocasse diretamente no assunto.
A história chegou até Santo Amaro da Purificação, provavelmente por um telefonema do próprio espírito de porco.
Caetano conta que estranhou muito o aumento de visitas que teve em seu apartamento, vindos inclusive de sua cidade natal, mas que estranhou mais ainda as insistentes perguntas: “-Você está bem? Mas está bem mesmo?”.

18 de jun de 2014

Nota do busão na copa


A copa tinha que – obrigatoriamente – render uma notinha do busão.
Claro... Embora não tenha sido exatamente dentro do coletivo, mas no ponto de ônibus.
Dois cidadãos conversando ao lado de duas cidadãs.
Impossível saber se havia algum grau de parentesco entre todos os envolvidos, mas supõe-se fossem cônjuges.
Segue-se o dialogo sem identificação por estar de costas ao grupo:
-Assim não vai dar tempo de ver o jogo... O ônibus tá demorando.
-Qual? O da Bélgica?
-Não! O do Brasil mesmo.
-Ah! Vai sim... Pode ficar tranquilo: o jogo é às quatro da tarde.
-E vai ser onde?
-Fortaleza...
-Ah... Mas vai ser às quatro da tarde lá! Cê contou o fuso horário?
-É... Não.
-Tá vendo? Tomara que o busão chegue logo.

Não houve risadas. Nem minhas.
Até a hora que sai de lá, nada de ônibus.
Ainda bem que tinha o fuso horário... Ainda bem.

16 de jun de 2014

Você já cantou pneu?

Há quem se ache quando canta pneu em alguma estrada por aí afora.
Um barulho irritante para alguns e para outros motivo de admiração, verdade?
Talvez porque se presume que alguém vai passar dos 100 km/h... Há gosto para tudo, já diz o ditado.
Mas se tem uns pneus que são mais famosos, e se fazem aquela zuadinha, representam um  diferencial positivo nas pistas, são os carros de Fórmula 1, concorda?

Mas você parou para pensar o que acontece depois de uma corrida com os ditos cujos?
No caso dos pneus da Pirelli após o uso - e imagine o desgasto deles - eles são enviados de volta para os Estados Unidos para serem incinerados e transformados em cimento.
Mas isso não vale só para os que ralaram nas pistas, mesmo os que foram apenas colocados nas rodas passam pelo mesmo processo.
Por causa do movimento lateral da roda, até quando ele é só testado sem uso nas competições segue o mesmo destino: vira cimento.
Isso porque depois desse encaixe, e se for usado  posteriormente, vai ocorrer uma vibração no pneu. Certamente levaria o piloto a ir para o box achando que tem um furo, o resultado seria uma corrida perdida. O que se repete sempre é, depois de ir para roda, o pneu precisa ser destruído.

Mas esse item tão importante em uma corrida e que permite o carro andar, não poderia ter uma história somente trágica, acabando nas cinzas.
Ele é fruto de diversas pesquisas e alvo de testes para melhoria. Os engenheiros de produção se debruçam em busca de melhoramentos nas pistas. Até sua composição exata é um segredo. Entre a borracha, os óleos,  o preto do carbono, há ainda o enxofre e os aditivos.

Ainda na década de 90 a Goodyear trouxe pneus com compostos diferentes, variando de A até D, na classificação de hard a very soft.
Mas o que trouxe realmente inovação para sua formação nas fábricas, foi em 1957, no circuito americano de Daytona, quando os testes feitos na época valeram para as confecções posteriores iniciadas como prática geral em 1962.
O aprofundamento das pesquisas e buscas de soluções existem não só para melhorar a vida do piloto e oferecer menos riscos, mas superar obstáculos.
Um deles é a aquaplanagem. Mas isso vale para todos os carros, F1 ou  "de rua".
Dirigir na chuva é mais perigoso, se você não teme ter água sob os pneus do seu carro, e segue em alta velocidade mesmo assim, garanta que seu seguro auto tenha assistência 24 horas.

No caso dos pilotos o problema vai mais além, não só a instabilidade quando chove, mas a altura dos carros também interfere muito, eles são muito baixos e apesar do peso chegar a 600 kg a aquaplanagem acontece até onde há somente água empoçada.
A exigência de devolvê-los após a corrida, ou seja, voltar para o destino de onde vieram, é também parte da manutenção do segredo em sua composição. Até nos eventos de promoção, como amostras, exposições fora das competições os pneus expostos não são os mesmos usados nas pistas. Para quem quer ouvir a verdadeira zuadinha, tem mesmo que virar espectador de corridas de Fórmula 1 ou se contentar com o vizinho cantando pneu.

13 de jun de 2014

Sexta 13, claro

-Mas o que cazzo aconteceu?
-Não enche...
-Como não enche? Você está todo molhado... O que deu errado.
-Já disse: não enche.
-Você trocou a torneira como pedi.
-Não.
-Poxa... Troca lá. De manhã tá muito frio e uma torneira elétrica vai quebrar nosso galho.

-Amanha compro outra.
-Outra? Comprar? Mas a torneira estava na caixa de ferramentas! O que houve?
-Queimou.
-Como assim queimou?
-Queimando... Não sei... Aquilo era uma porcaria.
-Fala sério! O que foi que você fez?
-Nada, já disse: não enche.
-Você fechou o registro?
-Fechei.
-Da água da caixa ou da rua?
-Tem um pra água da caixa?
-Não acredito...
-Você desligou a energia elétrica?
-Hum?
-Você tentou tirar a torneira e colocar outra sem fechar a água e sem desligar o disjuntor?
-Humpf...
-Como conseguiu?
-Teve uma hora que a água parou de sair.
-Quando secou a caixa?
-Deve ser...
-Bom... Isto explica você estar molhado, mas não explica ter queimado a torneira.
-Eu compro outra, já disse.
-Mas eu quero entender, explica.
-Eu tirei a torneira velha, começou a sair água de monte... Eu fiquei tentando por a torneira elétrica assim mesmo, tapando a água com a própria torneira. Não estava dando certo, mas a água parou de sair. Coloquei a torneira lá e liguei os fios na tomada da pia e...
-Tomou choque?
-Só dois, mas eu ia dizendo: liguei os fios, apertei a torneira e fui lá abrir o registro da água.
-Sem desligar a energia? E sem deixar a torneira encher de água antes de usar?
-Não interrompe... Foi ai que quando voltei lá do registro de água a torneira estava soltando um monte de fumaça e exalando um cheiro de plástico queimado.
-Ah! Então você sabe como e porque queimou...
-É que hoje é sexta feira 13, só pode ser.
-Claro... Claro...

12 de jun de 2014

#vaitercopasim

Vai ter copa sim, e vai ter muita copa.
Se ela foi feita em cima de um monte de sujeira é assunto para outro dia e outro lugar: as urnas.
Mas enquanto o dia de dar o recado não chega, ficamos com os jogos que podem – ou não – ser emocionantes.
Com os micos deste e de outros mundiais, como o da seleção boliviana que em 1930 que para adular os donos da casa resolveu bordar camisas com as letras da frase: "Viva Uruguay".
Os andinos só não contavam com a dor de barriga que assolou o jogador que usaria a camisa com o segundo “U”.

Ou como contam diversos jogadores (Pelé, Jairzinho, Gerson, Carlos Alberto com pouca variação entre si) que resolveram pregar uma peça – com o consentimento e auxílio de Zagallo – no cantor Wilson Simonal - que estava com a seleção para animar e entreter - que se dizia muito bom de bola.
Disseram que haveria um corte por conta de lesão e que na falta de tempo hábil (já estavam no México) para convocar outro jogador aqui no Brasil, Simonal faria um teste com bola e, aprovado, seria integrado ao time.
Simonal então se paramentou.
Vestiu uniforme, se aqueceu, fez o sinal da cruz e foi para campo. Deu piques, dominou, passou, chutou, porém, sem o preparo físico necessário tanto para jogar futebol, quanto para aguentar os efeitos da altitude da cidade de Guadalajara e com alguns minutos de treino desaba desmaiado no gramado.
Acorda mais tarde, com uma máscara de oxigênio e um monte de risadas.

11 de jun de 2014

A cronica do GP: Os coelhos e a tartaruga

Era uma vez uma tartaruga que vivia no meio de coelhos.
Só porque uma vez venceu um campeonato, ainda se achava a tartaruga mais rápida da história.
Ignorava que estava envelhecida e esquecida de que naquele campeonato não correu contra coelhos, mas contra outra tartaruga que por anos se disse injustiçada.
Mas isto não vem ao caso.
O que importa é que a tartaruga ainda vivia entre os coelhos, porém, ninguém lhe dava atenção.

Levava a vida por ali, devagar e sempre.
Quando tinha uma chance, se metia entre os vencedores.
Não no lugar mais alto, mas por ali.
Diziam que para voltar a vencer os coelhos, ela dependia de N fatores externos: chuva, desgaste excessivo das patas dos coelhos, etc.
Um chorume daqueles.

Eis que um dia, em uma prova de coelhos disputada na terra do lombo canadense, os coelhos (mais jovens e talentosos) dispararam na frente e sumiram.
Durante setenta voltas ninguém, como era de costume, ouviu falar da tartaruga e a vida seguia seu curso normal.

Até que, na última volta, dois coelhos (um burro e um azarado) se enroscam e saem da brincadeira.
Quem está exatamente atrás deles?
Ponto para quem disse: a tartaruga.

Moral da história?
Não tem moral nenhuma... Ganhar posição com porrada dos outros é coisa de piloto medíocre.
E não me venham falar que ele tem um caneco.
O armário de pratos da minha casa tem um monte...

10 de jun de 2014

Lado B do GP - Canadá - Lado A (quase) total!

Ao que parece o tão propagado “azar” de Felipe Massa não o abandonou.
Depois de liderar o fim de semana todo em relação ao companheiro de equipe, na hora que era para valer ficou atrás do Bottas.
Para piorar, na corrida teve seu primeiro pit stop estragado pela falha na pistola hidráulica da roda dianteira esquerda.

Ainda assim o cara se recuperou.
Fez a sua melhor corrida em muito, muito tempo.
Constante, ousado, aguerrido e – principalmente – rápido.
Depois de liderar a prova nas paradas de Nico e principalmente, na parada definitiva do Lewis, trocou pneus e voltou em sétimo.
Conseguiu chegar até a quinta posição passando por Bottas e pressionando Vettel e logo depois Sérgio Perez.
Só que quando tentou ultrapassar o mexicano...
Felipe precisa ir se jogar no Mar Morto para ver se tira a zica.


Não vou bancar o especialista e colocar a culpa em um ou outro.
A corrida fantástica que cada um fez para estar ali, naquela posição já é motivo suficiente para aplaudir os dois.
Mas se tivesse de escolher um lado, ficaria a favor do Felipe.
O histórico do mexicano depõe contra ele.
Kimi Raikkonen, que já quis sentar a mão no pé do ouvido dele que o diga.

Pergunta que não quer calar: como foi que o ancião do Button foi parar em quarto?
Eis ai um desserviço da espetacular porrada entre Williams e Force Índia: favoreceu um tonto.

E um pequeno comentário.
Raikkonen errou sozinho no hairpin.
Ou seja: O muro é dos campeões, mas o grampo... Este é dos manetões.

8 de jun de 2014

F1 2014 - Canadá - A corrida do ano (até aqui)

O clima quente com sol brilhando forte e céu azul já é motivo suficiente para o canadense sair de casa feliz da vida.
Ter F1 é um detalhe.
Não mero, porque o canadense ama F1.
Ajudado ainda pela beleza que é o traçado do circuito Gilles Villeneuve então...

A largada - que é muito complicada - com aquele S super fechado logo após o apagar das luzes sempre é um ponto de tensão.
Nico e Lewis até se estranharam, mas saiu tudo bem.
Pior para as carroças da Marussia que, depois do lucro em Mônaco, vai ter de gastar dinheiro para arrumar os dois carros que se enroscaram – um no outro - naquele mesmo ponto.
Safety car veio cedo para a brincadeira.

Mas em algum lugar Gilles deve ter feito uma intervenção na coisa.
Foi a primeira vez no ano que um carro que liderou uma ou mais voltas não era da Mercedes.
Para ficar ainda melhor, Lewis teve problemas e abandonou.
A esperança de que também acontecesse algo com o carro do Rosberg.
Doce ilusão!
O carro até deu uma fraquejada, mas retornou ao ritmo. Ou quase isto.

Acabou?
Não...
Foi o final mais épico de um GP em muito tempo!
E não só pela vitória conquistada na raça em uma ultrapassagem fantástica em cima de um Nico que vinha pilotando (com problemas ou não) o fino.
E a batida entre Massa e Perez (se fosse para apontar um culpado apontaria o Perez, afinal ele tem histórico) foi fortíssima e assustadora.
Por pouco não levam Vettel junto.

Como disse: dia quente e ensolarado com céu azul e o canadense sai de casa feliz da vida.
A F1 é só um detalhe na felicidade dele.
E como provou esta corrida, não é só um mero detalhe.
Digna de coroar a primeira vitória de Daniel Riccardo, que vem sendo o nome do ano.
Corridaça!
Até o troféu evidencia o seu sorriso.


5 de jun de 2014

Gigantes

Johnny soube que Bob estaria em sua cidade e quis conversar com ele.
Mandou-lhe uma carta por meio de sua gravadora e pediu que se encontrassem.
Pensou em duas ou três coisas que gostaria de lhe dizer. Talvez dissesse mais algumas.
Estava empolgado com a música que Bob vinha fazendo. Via nele a alma da canção americana, assim como haviam visto nele próprio alguns anos atrás.
Queria lhe alertar dos perigos do caminho, embora tivesse quase certeza que ele já os conhecesse.
Infelizmente Bob não ficou por muito tempo, e acabou nem respondendo a carta.

Alguns anos depois, em seu apartamento, recebe uma ligação inesperada.
Do outro lado da linha um tímido Bob se convida a ir ao apartamento de Johnny, que claro, aceita.
Já frente a frente conversam por horas e o dono da casa convida o visitante a participar de seu programa na TV.
O visitante aceita, agradece e convida o dono da casa a gravar um disco junto com ele.
Convite mais do que aceito, até pensam em algumas canções para o repertório.

Ao se despedir, Johnny pergunta na lata:
-Por que não se encontrou comigo daquela vez?
- Tive medo.
-Medo do que? Você é Bob Dylan!
-Sim, mas você é Johnny Cash...

4 de jun de 2014

Notinha do busão (até que enfim) - O caso da etiqueta

Muito tempo sem uma nota do busão, mas parece que a coisa persegue.
Basta subir em um coletivo e as coisas acontecem.
Basta apurar os ouvidos um pouquinho...
Esta foi assim, segue a transcrição da conversa.

-Véi, vou mandar um email pra uma fábrica reclamando de um produto ai...
-Sério? Celular? Televisão?
-Nada... Cueca!
-Ih, que foi? Alergia? Se for isto nem adianta reclamar. Tem nas etiquetas
-Não é alergia não... É sobre as próprias etiquetas.
-Como assim?
-Porra! Os caras colocam umas etiquetas enormes, de um material duro em partes sensíveis da nossa anatomia. Tá certo não.
-Como assim? (já rindo) Que tipo de cueca cê anda usando?
-Tô falando sério pô! Aquelas cuecas box, boxer... sei lá o nome.
-Sei aquelas que parecem um shortinho apertado. Acho confortável.
-Até é... Mas a porcaria da etiqueta fica lá incomodando.
-Geralmente fica do lado, na costura lateral.
-Pois é, mas nestas que comprei fica bem no rego.
(Ai já não seguro o riso e o interlocutor ia expor mais ainda o que eu já estava pensando)
-Ai é fora! Material duro no rego deve ser desconfortável mesmo.
-Cê ri porque não é contigo. Mas eu vou reclamar mesmo. Tem que trocar o lugar desta etiqueta, ou o material... Mas tem que dar um jeito.
-E se eles não derem ouvido pra suas reclamações?
-Não compro mais desta marca e ainda mando enfiar a etiqueta no cu...
-Bom, acho que isto eles já fizeram... E com você. (e cai na risada)

Puxo a cordinha da solicitação de parada, desço um ponto antes só para poder rir enquanto ia andando.

3 de jun de 2014

Preferencias canadenses (além do lombo, claro...)

Esta semana tem o GP do Canadá.
Oba!
A corrida canadense é uma festa.
Quem já viveu a experiência in loco conta que o clima de celebração toma conta da cidade.
A corrida se dá sempre bem perto do inicio do verão no hemisfério norte, o que garante o clima de festa entre o público que – sim – é fá de F1, mas também quer celebrar a chegada de um clima mais quente.
Pensa aí: o lugar é tão frio que durante grande parte do ano a vida (nas grandes cidades) se desenrola em tuneis que sob o solo ligando grandes centros comerciais e prédios públicos.
Nestes termos eu ficaria feliz até com evento de balé clássico ou torneio de xadrez.
Desde que, claro, fosse lá acompanhar ao vivo.
Quanto mais F1...

E mesmo quem assiste só pela TV costuma gostar muito da prova e tê-la em altas contas.
Claro, a pista é boa, tem tradição e sempre a possibilidade do “Muro dos Campeões” atrair alguém. Campeão ou mané, que mesmo sendo “dos campeões”, o muro não é preconceituoso.

A minha mais memorável é a de 2007, aquela em que o Kubica resolveu mostrar – na prática – que os bólidos de F1 pós 1994 eram realmente seguros.
 Ainda me lembro perfeitamente de ver a cena, me levantar do sofá e reviver por alguns instantes a agonia daquela pancada em Imola...
Mas depois de ver o cara bem, relaxar e só conseguir dizer: “-Putaquepariu, caceta”! Que puta pancada da porra.
E escutar do meu pai: “-Que boca suja do caraio heim?”.
A dele não...

Mas quem se lembra de grandes corridas por lá?
Aquela em que o asfalto foi se soltando e acabou custando um ano fora do calendário se não me engano?
Qual a preferida de vocês?

2 de jun de 2014

Funerária

E estavam todos no botequim, como sempre, aliás, no fim de tarde.
Canário, o balconista, já havia trazido à mesa dos aposentados mais sacanas do mundo ao menos duas dúzias de cerveja.
Lá já se encontravam Andrade, professor aposentado de língua e literatura; Lucas, o açougueiro; Pedro Marvio, que trabalhou durante anos na estrada de ferro; Derico, que as línguas irônicas diziam que era “fiscal da natureza” em um eufemismo claríssimo para “vagabundo” e ex-prefeito da cidade, Dito Fernandes que todos conheciam como Sapo - vai saber por quê? – quando chega ao recinto Anízio, cabo da polícia militar. De todos, o único que ainda exerce sua função, ainda que em serviços internos, mas exerce.

-Grande Anízio! Tá de folga hoje? – pergunta Lucas.
-Boa tarde a todos! Estou sim...
-Conta pra gente ai... Muito trabalho na delegacia? – Pergunta Pedro.
-Rapaz... Depois que passei para os serviços internos o trabalho dobrou!
-Mas a grana também deu um salto, não deu? – é a vez do ex-prefeito.
-Não... Claro que não... Você sabe.
-Sei... Sei também dos “por fora” que recebe por conta dos ilustres defuntos que tem o azar de morrer em nossa cidade...
Dito Fernando vivia dizendo – mesmo quando era prefeito – que a cidade era um péssimo lugar para viver, mas para morrer servia bem já que morto não tem luxo mesmo... No máximo um caixão de madeira nobre, mas: “-Isto ele nem fica sabendo.”.

-Isto é lenda... É maledicência. Não existe!
-Esqueceu que fui prefeito? Acha que isto foge ao conhecimento da gente?
-Senhor Dito... Nós também sabemos de muita coisa que acontece na Casa Verde (a prefeitura), mas nem por isto falamos por ai, não é?

Andrade, que até ali tinha se limitado a ouvir resolve dar uma palhinha na conversa.
-Mas meus caros... Tem coisas que não precisam ser ditas. Subentende-se... Tem coisas que só um olhar já denuncia... As coisas que Dito diz que sabe, todos sabemos. É fato, embora não tenhamos visto nunca!
-Ok... Vou dar a chance a vocês de dizerem o que sabem, não vou confirmar e nem negar nada...
-Tá bom... Como eu tenho os ouvidos da rua... – diz Derico
-Claro! É vagabundo! – interrompe Anízio.
-Como tenho os ouvidos da rua, digo que o que se fala é que você ganha dinheiro para informar as agências funerárias da cidade sobre os falecimentos que são registrados na delegacia. – conclui.
-Mentira... Pura invenção! Não há o menor fundamento nisto...
-Não? – perguntou Lucas.
-Não.
-Não mesmo? – insistiu Marvio.
-Não, já disse.
-Então tá! – encerra a questão Derico, enquanto Andrade apenas sorri, ironicamente.

Então toca o telefone celular de Anízio, que sem se importar em pedir licença ou se afastar, atende.
-Alô?(...) Sim é o cabo Anízio. (...) Como? Acidente? (...) E teve mortos? (...) Dezessete? Tantos assim? Foi ônibus?(...) Tem certeza? Dezessete mesmo? (...) Que beleza... Que beleza... – e enquanto falava sorria com uma satisfação assustadora.
Quando desliga o telefone se dá conta do silêncio constrangedor no bar.
-O que foi? – pergunta.
-Nada! – diz Andrade – Mas de qualquer forma, Anízio.... Beleza... Que beleza!