30 de set de 2016

Stand up padre

E ele era padre.
Mas não era qualquer padre, não...
Se era cantor?
“- Nunca! ” – Diria ele.
Tinha voz de taquara rachada, se bem que a Joelma do Calypso também, mas...
Padres cantores existem aos montes por aí, gravando cd´s; dvd´s; fazendo shows monstros com canções do Roberto Carlos e, principalmente: negando que são pop stars.

Ele não.
Se chegasse a condição que os padres cantores chegaram não iria renegar a fama.
“-Hipócritas é o que são! Se não quisessem fazer sucesso que ficassem dizendo missa em latim! ”. – É o que dizia sempre.

Mas se ele não era padre cantor, qual era seu talento?
Com o que queria ele alcançar o estrelato como os padres cantores?
Ele era um padre humorista.
Piadista, imitador e avesso ao politicamente correto.

Na opinião das carolas de sua paróquia era mesmo um sem vergonha de marca maior. Fanfarrão que em muito pouco diferia dos beberrões habitantes dos bares que circundavam a igreja, mas que só pisavam o terreno da paróquia em época de quermesse.
O curioso é que nem assim abandonavam a sacristia.

Era conhecido em sua Diocese, não mostravam nenhum tipo de reação a sua forma de conduzir sua comunidade e assim ia levando a vida e tocando em frente o que chamava de sua platéia.

Nem por conta de seu humor o numero de fiéis aumentava, porém também não diminuía.
Era mesmo como se tivesse um publico cativo.
Sempre com um gracejo, um chiste, dava conta do recado.
E o momento maior de sua arte, por assim dizer, sua piece d´resistance eram os sermões das missas dominicais, onde usava piadas de salão ou não para dar seu recado.

Dificilmente uma missa sua terminava sem que ao menos uma senhora ficasse com a maquiagem borrada, ou cavalheiro tivesse que afrouxar o cinto para poder rir com mais conforto.
Usava piadas de judeus para falar que a caridade era necessária.
Contava causos de caipira para ilustrar o excesso de malicia no mundo.
Dizia trocadilhos infames a torto e a direito para ilustrar suas falas sobre o apocalipse...

Chegou a fazer um sermão inteiro chamando o diabo de Dualib e o inferno de sucursal da Secretaria da Fazenda.
Claro que ofendeu muitos corintianos e alguns funcionários públicos, mas fez rir e pensar quem não era...
Afinal imaginava-se que o coisa ruim era mesmo uma espécie de ladrão e o inferno, bem.... Já o descreveram como uma repartição publica algumas vezes.

Pior foi quando resolveu fazer um sermão sobre arrogância, e usou para isto a metáfora dos argentinos com sua mania de grandeza.
Disse coisas como: “-Argentinos cometem suicídio pulando de cima do próprio ego. ” E completou com a clássica: “-Quer obter lucro? Compre um argentino pelo que ele vale e venda-o pelo que ele pensa que vale.”.

As risadas foram muitas, e apenas um pequeno grupo de estudantes de direito se ofendeu. Moradores em uma das pensões da cidade e grandes entusiastas de sua forma de pregar, incentivando inclusive.
Não é preciso explicar que eram argentinos e que procuraram as autoridades católicas da região para fazer uma queixa contra o padre piadista.

Uma bronca tremenda adveio disto junto a uma ordem para que nunca mais ilustrasse seus sermões com piadas ou trocadilhos.

Porém esta era sua vocação, este era seu meio de fazer o trabalho ao qual tinha se preparado. Era como respondia ao chamado, como ele próprio costumava dizer.
Engoliu calado o que tratou como uma traição do pequeno grupo de portenhos.
Não prometeu revanche e nem vingança, mas guardou para si a pequena derrota.

Um dia ao enveredar sobre o assunto da traição acabou por tropeçar em seus próprios sentimentos contraditórios e entrar novamente pelo caminho da ironia:

-Hoje iremos falar da Santa Ceia! Naquela noite, Jesus disse: “-O meu traidor está aqui na mesa. ”
E Pedro diz: “-Mestre, por acaso sou eu? ”.
”-Não, não é você Pedro. ” Diz Jesus. E então João prossegue: “- Mestre, serei eu? ”
 E Jesus diz: “- Não é você João. ”
Ouvindo os colegas perguntarem Judas Iscariotes, assustando diz: “- Mestre, por acaso soy yo? ”.

Não se sabe se foi por esta recaída que deixou ou foi convidado a deixar o sacerdócio, mas dizem que ainda é possível vê-lo nos sábados à noite, fazendo figurações em programas humorísticos enquanto espera sua própria redenção.

28 de set de 2016

F1 2016: E ao chegar na Malásia...

Assim que chegaram à Malásia, Fernando Alonso, Lewis Hamilton, e Pascal Wehrlein são chamados para uma reunião com um representante dos organizadores da corrida.

-Senhores, chamamos vocês aqui para conversar sobre alguns costumes locais e, claro, a corrida. – Disse o representante.
-Mas corremos aqui há alguns anos já e nunca tivemos este tipo de reunião. – Falou Hamilton.
-És estrano.... – Arrematou Alonso.
-Mas em frente, por favor. – Solicitou Pascal.
-Bem...  É o seguinte: aqui na Malásia, como em alguns países asiáticos, não gostamos do número quatro.
-Por que? – Quis saber Hamilton.
-É uma questão complexa... Mas resumindo, foneticamente o quatro lembra muito outra palavra que é “morte”. Então para evitar atrair más energias a gente não usa o numeral.  Entende?
-Agora que você falou, realmente... – interrompeu Pascal – Não tinha o número quatro nos prédios onde estive. Mesmo aqui neste o quarto andar é 3A.
-Exato!
-Bem... E o que podemos fazer? – Quis saber Alonso.
-Como vocês são os únicos pilotos do grid que tem o numeral quatro nos carros, gostaríamos de pedir que usassem o “A’ para identificar os carros de vocês.
-Por mim tudo bem.  – Consentiu Pascal – Meu carro então seria o: 9A.
-Isto.
-E eu seria o: 1A? – Perguntou Alonso e continuou - Curti... 1A eu sempre fui. O que não poderia ser nunca era 1B. Este era outro...
-Não vou usar. – Disse Lewis.
-Mas o que custa? – Quis saber Alonso.
-Deixa de ser do contra – completou Pascal.
-É só por esta corrida, apenas para ser simpático à um costume local. É bom para a publicidade também, pode atrair público... – argumentou o representante.
-Não. – Irredutível.
-Pode ao menos dar uma explicação? – Quis o representante.
-Seguinte.... Meu carro é o 44, é um número que eu gosto muito e que escolhi pra correr na F1. Tem me dado sorte e tudo o mais. Não quero trocar.
-Todos nós escolhemos nossos números.  – Disse Alonso.
-E todos por um motivo ou por outro gostamos dos nossos números também. – Completou Pascal.
-Não colou. Tenta de novo. – Disse o representante.
-Ok.... Então vou falar a verdade. Se tiver que trocar meu número por conta do “quatro”, vou ter que estampar no bico “AA” e isto vai gerar uma confusão miserável na cabeça do público que acompanha a F1.
-Confusão? – Disseram todos.
-Claro.... Com o 44 virando AA, nego pode pensar que no carro prata em vez de mim venha o Kimi com o carro dos alcoólicos anônimos.

Um silêncio consensual pairou no ar.
Não se falou mais no assunto.

26 de set de 2016

F1 2016: Malásia vem aí

Nunca tive problemas em gostar da corrida na Malásia.
Um circuito moderno, largo, rápido e que tem as intempéries do clima sempre muito presentes. Quando está quente, está quente para caramba e quando chove...
Em 2009 o pé d´agua foi tão intenso que a prova teve apenas trinta e uma voltas, ficando praticamente impossível correr após a chuva que inundou algumas partes da pista por conta da falta de iluminação natural.
A prova foi mudada de posição no calendário, deixando de ser na primeira parte do calendário (geralmente a segunda ou terceira prova do ano) para a parte final do calendário exatamente para fugir das chuvas torrenciais que assolam a região no mês de abril.

O traçado é bem interessante: duas longas retas paralelas iniciam e terminam a volta.
Entre elas, curvas de alta, curvas de baixa e muito espaço para ultrapassagens.
O asfalto abrasivo e as altas temperaturas judiam e desgastam pneus e freios.

Algumas curiosidades sobre a etapa:
Entre os vencedores da corrida, que é disputada desde 1999, estão alguns dos vencedores mais sem graça de toda a categoria;
São eles: Eddie Irvine (Ferrari) em 1999; Ralf Schumacher (Williams/BMW) em 2002; Giancarlo Fisichella (Renault) em 2006 e Jenson Button com uma Brawn em 2009.

O país que mais venceu as corridas malaias foram a Alemanha com oito vitórias (Michael (2000,2001), Ralf (2002) e Vettel (2010, 2011,2913, 2915) seguido pelo Reino Unido com três (Irvine, Butts e Hamilton em 2014) e Finlândia e Espanha com duas vitórias cada, sempre com Kimi Raikkonen (2003, 2008) e Fernando Alonso (2005, 2012).

A melhor posição de largada de um brasileiro foi de Felipe Massa em 2007, porém chegou na quinta colocação na corrida.
A melhor posição de chegada pertence a Rubens Barrichello com um segundo lugar em 2001. Lugar onde, aliás, havia largado.

A Finlândia tem outro número importante nos GP´s da Malásia: é o país que tem mais pilotos que consumiram  Magnum com coca cola na história desta corrida com Kimi Raikkonen em 2009.
A gente lembra de cada besteira...

22 de set de 2016

Teatro, mais um conto de Le Sanatéur

-Eu não vou!
-Vai sim!
-Me recuso. Nem gosto de ópera.... Se ainda fosse um show de Art Blakey ou Louis Armstrong eu iria feliz, mas ópera eu não vou.
-Mas Ron, eu preciso de você lá.... Você tem de resenhar o espetáculo.
-L´Onça, você escreve tanto quanto eu.... Faz você o texto. Ópera e com balé eu me recuso.
-Você vai...
-Não vou.
Neste momento entra na sala Anselmo, um pacote de fotos numa das mãos e um alicate na outra.
-Bom dia chefe, bom dia Ron...
-Bom dia Anselmo, fala com o Ron aqui... Ele tá se recusando a ir cobrir a ópera para o Le Sanatéur hoje à noite...
-Não vou! – Afirma Ron novamente.
-Ópera? – Diz colocando as fotos na mesa e trocando o alicate de mão.
-É... Ópera. Vai dizer que não sabe o que é? – Diz irônico o chefe.
-Sei sim.... É aquele tipo de espetáculo que sempre tem canto lírico...
-Isto... – Marcel interrompe.
-... Balé... – Anselmo tenta prosseguir.
-Isto! – Marcel interrompe de novo se entusiasmando com um possível aliado.
-.... Um solista gritando em italiano, então vem um monte de caras suspeitos usando collant com enchimento nas partes, parecendo uma cambada de viadinhos e ficam dando saltinhos. Isto quando não vem um travesti e dá um tranco neles pos trás... Coisa esquisita aquilo.... Não gosto não...
Ron não consegue esconder o riso.
-Bárbaros! Hunos! É isto que vocês são, uns bárbaros longe de ser civilizados.... É só para você saber senhor Anselmo, o espetáculo de hoje é em alemão. Não em italiano.
-E desde quando você fala alemão para entender o espetáculo? Ou vai cair naquele lugar comum de que a linguagem da musica clássica é universal?
-Errr... Não... Claro que não!
-Mas você fala alemão? – Quis saber Ron.
-Não..., Mas você fala!
-Falo nada!  Quem te disse?
-O Anselmo.
-Eu? -Anselmo deixa cair o alicate que estava segurando. – Como assim?  - E ri.
-Grande camarada... Mas ele fala. Leva ele.
-Fala Anselmo? Você fala alemão?
-Não... Alemão não...
-Quer saber? Vão os dois.... Vão os dois comigo, um deve falar. Talvez os dois! E não to aceitando desculpas. To falando como chefe. É uma ordem. – E deixa a sala batendo a porta.
-Por que você disse que eu sabia alemão? – Quis saber Ron.
-Eu não falei. Ele jogou.... Disseram que ele precisa de um tradutor para impressionar uma mulher aí... E você por que disse que eu sabia?
-Autodefesa e tava querendo solidariedade.... Se eu me ferro cê vai junto. Somos uma dupla, né? Mas me diz.... Por que você está brincando com este alicate aí?
-O vidro do Studebacker quebrou e este foi o jeito que encontrei de tirar os cacos que ficaram presos na janela.
-Ah tá.... Já arrumou?
-Não.  Não tive tempo. Amanhã arrumo.
O Editor então volta à sala e diz:
-Estejam os dois à frente de minha casa hoje as nove em ponto, e Anselmo.... Limpe o carro.
-Ih.... É agora que não arrumo este carro mesmo!
-Quer que eu quebre os outros vidros?
-Não precisa.... Vou ferrar o carro apenas deixando que você dirija.
-Fato!

À noite o velho Studebacker - com Ron e Anselmo nos bancos dianteiros - encosta em frente ao luxuoso prédio em que morava Marcel L´Onça, na Park Avenue, onde o carro mais simples estacionado era um Rolls Royce Silver Ghost. Até o Studebacker estava envergonhado...
O chefe então surge ao lado de uma mulher loira usando um vestido de gala vermelho e adornada com jóias que pagariam o salário dos dois por alguns anos.
-Senhores, perdoem a demora, mas o elevador demora muito para vir da cobertura até o térreo. – E com um aceno de cabeça indica a Ron que desça do carro e abra a porta.
Visivelmente contrariado Ron faz às vezes de ajudante de chofer.
-Anselmo, meu caro! Por que veio com este velho carro? Onde está a Packard do jornal?
-Packard? – Estranha Anselmo.
-Do jornal? – Completa Ron.
-Realmente Marcel.... Este velho automóvel não condiz com a magnitude de um jornalista de renome como você...  Peça ao motorista que ao menos feche a janela. O vento está desarrumando meu cabelo.
Anselmo já se irritando com a situação que acabara de entender pede cínicas desculpas e diz que não há como fechar, por que o carro está sem vidro daquele lado.
Ron que também se sentiu traído sugere - com um sorriso ainda mais cínico que as desculpas de Anselmo - pare o carro e que os ilustres passageiros do banco traseiro troquem de lugar, afinal L´Onça é careca mesmo e o vento não lhe fará mal...
O chefe – que usa peruca - tosse em seco, mas se mantém calado. Sabe onde amarrou seu burro, agora é agüentar.
Já dentro do teatro o casal se senta obviamente um ao lado do outro, ficando Anselmo ao lado da mulher e tendo Ron imediatamente a seu lado.
A todo o momento ela pergunta a um dos dois o que está sendo dito. Pede que traduzam.
Marcel L´Onça transpira litros, preocupado com o que os dois vão dizer.

Em uma cena entra uma atriz vestida de rainha, a mulher pergunta à Ron:
-O que esta acontecendo?
-A rainha disse que vai mandar matar o rei.... Que ele é chifrudo.
Ela arregala os olhos.
Agora a rainha fala baixinho, com a boca quase colada ao ouvido de outro ator e a mulher faz a mesma pergunta para Anselmo que lhe responde:
-Agora ela esta falando que o rei é broxa.... Não dá no couro... E vai transar com o primeiro ministro.
Fica mais espantada ainda...
Então aparece um exército enquanto a rainha canta.... Ela apenas olha para Ron que traduz:
-Agora a rainha vai se divertir sexualmente com todo o exército.
Ela leva as mãos à boca: “Mas isto é uma obscenidade! ”.
Então aparecem em cena uns cavalos e Anselmo completa a informação.
-Agora ela vai se divertir também com os cavalos...
A mulher se levanta e sai correndo em direção à porta gritando: “-Isto é uma pornografia! Não me procure mais Marcel...”.
Os dois sacanas não conseguem segurar o riso, enquanto o chefe não segura o choro e a raiva.
Na manhã seguinte os dois são comunicados pela secretária de L´Onça de que – por vingança - terão de fazer obituários por um bom tempo e ainda ouvem da boca da funcionária: “-Ele disse que só assim vocês dois não arrumam confusão! ”.
Ainda lhes diz que é um desperdício, mas fazer o que?
Só que para azar do editor no mesmo dia há a confirmação de que o Papa Pio XI está com um dos pés gangrenado, por conta da diabete.
No dia seguinte o Le Sanatéur vai às bancas com a manchete de Ron na capa em oito colunas e com três pontos de exclamação e uma foto feita por Anselmo de um pé todo machucado.
PODRE O PÉ DO PAPA!!!

Em sua sala, Marcel, sem namorada, sem os melhores repórteres na ativa e com uma notificação do órgão que regula o jornalismo no país dando-lhe uma sonora bronca pelo mau gosto da manchete leva as mãos à cabeça, se arrependendo profundamente de ter acordado naqueles dias...

20 de set de 2016

F1 2016: Max Verstappen: o mal necessário

Não consigo entender quem critica Max Verstappen.
O cara tem algum tipo de ação em uma F1 cada vez mais bovina em direção ao abatedouro.
As disputas por posição foram praticamente suprimidas quando a regra começou a dizer que era desleal fechar o cara de trás.
Piorou quando deu ao cara de trás a vantagem de usar o DRS, o KERS, o ERS e uma muleta.
E ficou ainda mais engessada no passado quando os track limits começaram a ser cobrados efetivamente.
Curiosamente, os mesmos que criticam as atitudes do Verstapinho são os mesmos que babam de amores por disputas como as de Arnoux e Villeneuve.

O grande argumento é a “falta de lealdade”, ou mal caratismo e a insegurança que ele causa.
Sério?
Então tem que ser todo mundo bonzinho, bom moço, corretinho e sorridente?
E a segurança que a categoria persegue (com um êxito enorme) desde 1994? Não serve para nada?
Vimos coisas horríveis acontecer em pista desde aquele ano esquisito e (ainda bem!) Ninguém sofreu grandes coisas.
Exclua-se a morte em Suzuka porque, poxa, não se pode dizer que um trator na pista seja algo normal. Pode-se?

A dicotomia “bem e mal” é da vida, é necessária.
Não pode existir bem se não houver mal e a escolha de quem é o bem e quem é o mal nas histórias pode ser bastante subjetiva. Ainda mais em se tratando de disputa esportiva.

E se conseguirem fazer com que o moleque seja enquadrado e fique bundamolizado como diversos outros pilotos que já estão do meio para o fim da carreira será a vitória da buttonização: pilotos burocráticos e sem graças disputando corridas de autorama em escala real.
Lemmy nos livre disto.
Que venham mais Verstapinhos.

18 de set de 2016

F1 2016 - Cingapura: um novo vencedor

Gosto de Cingapura. Sempre gostei.
Pelo fato de ser a primeira noturna, pela plasticidade que isto traz, pelo traçado gigantesco.... Por N motivos.
Sempre tem alguma agitado e desta vez não demorou a mostrar.
Logo na largada Sainzinho tocou Hulkemberg e trouxe o safety car para a pista.
Nunca houve uma corrida em Cingapura sem a presença de pelo menos uma vez do SC.
A confusão serviu para jogar umas sombras na largada broxantes de Lewis Hamilton que estava logo atrás do pole cone#6.
Largada horrível também do Verstapinho que, no fundo, foi quem causou toda a celeuma. Caiu para oitavo.
Cena engraçada, o fiscal que limpava a pista acabou dando de cara com o pelotão de frente que vinha rugindo e disputando posição.
O cara correu mais que os carros da McLaren e saiu da pista por uma fresta do muro.

O modo cruzeiro foi acionado logo em seguida com nada, ou quase nada, acontecendo na pista.
Para salvar da pasmaceira total, Verstapinho entrou em disputa direta com o desafeto russo da Toro Rosso.
O menino de Putin resolveu engrossar e a disputa durou boas voltas até o filho do Jos ir trocar pneus.
Na volta, teve pela frente uma turma de Mexicanos correndo para entrar nos EUA.
Em uma manobra maravilhosa engoliu Sergio Perez e logo em seguida passou Gutierrez, que não é nada, não é nada.... Não é nada mesmo.

Lá na frente o cone#44 tomava passão de Kimi Raikkonen.
Não era só um dia ruim do piloto da Mercedes. Era O dia ruim.
Tomar passão do aposentado é terrível.
Perdeu a posição, perdeu a corrida (que nunca esteve ganha, diga-se) e perdeu a liderança para o companheiro de conisse, digo... Equipe.

Eis que a dez voltas do final a coisa resolve ter algum tipo de emoção diferente.
Ricciardo começa a baixar tempo volta atrás de volta e ameaçar a liderança tranquila do cone#6.
Acabou que não deu, mas ao menos inseriu algum tipo de tensão na ponta da prova.
Decepção para quem achava (como eu) que Rosberg iria entregar a rapadura, mas com uma prova tão broxante de Lewis Hamilton, nem valia a pena acontecer.
E acaba a supremacia do triunvirato Vettel/Alonso/Hamilton nas vitórias noturnas da cidade estado. Um novo membro no clube de vencedores foi adicionado.
Chato, mas com justiça.

16 de set de 2016

F1 2016 - Cingapura: Jovem, mas cheio de história

O grande prêmio de Cingapura é relativamente jovem. Está no calendário apenas desde 2008, mas já tem causos para garantir seu lugar na história da F1.
Começa que é a primeira corrida noturna da história da categoria.
O efeito das luzes sobre a pintura dos carros cria um efeito muito bonito e – obviamente – diferente de tudo que se viu.
Depois vieram corridas que começam com sol e terminam de noite, mas o pioneirismo de se correr com iluminação artificial é cingapuriano.

Não bastasse, logo na sua edição de inauguração houve lances dignos de roteiro de filmes, tanto faz se comédias pastelão, dramas ou tramas de suspense.
Felipe Massa lutando pelo título e saindo dos boxes com uma mangueira ainda acoplada ao bocal do tanque de combustível.
A grande demonstração de habilidade de Nelson Ângelo Piquet ao performar um acidente milimétricamente controlado sob a orquestração do torresmo de sunga Flávio Briattore e Pat Symonds dando início ao que seria mais tarde conhecido como Cingapuragate, ou, Crashgate da Renault.
A cara de pau de Fernando Alonso, vencedor ma non tropo, em dizer que não sabia de nada, mas cumpriu seu papel fielmente ao acelerar como louco a pedido dos boxes pouco antes da parada toda...

Algumas curiosidades:
Felipe Massa foi o primeiro pole position da história em Cingapura.
Também foi o primeiro a sair dos boxes com a mangueira de combustível no carro.

Sebastian Vettel é o maior vencedor com quatro vitórias seguido por Lewis Hamilton com duas (por enquanto...).
Fiquei na dúvida se creditava duas vitórias a Alonso por conta do narrado aí em cima, mas vá lá que seja.
Fora estes três, ninguém mais viu Marina Bay do lugar mais alto do pódio.

Mas a cena mais engraçada de todos estes anos de corridas na cidade estado é sem dúvida uma de 2011, quando Rubens Barrichello, após terminar a corrida em décimo terceiro (uma volta atrás do vencedor) resolveu dar um mimo para a galera que estava nas arquibancadas do estádio municipal (o traçado passa pelo estádio que tem suas arquibancadas separadas do gramado por um rio...) e jogou suas luvas e balaclava em sua direção.
Só que o forte vento não só impediu que os itens chegassem até os torcedores como também os levou direto para o rio.

14 de set de 2016

F1 2016: 2 toques

Bernie Ecclestone, o popular velhinho da fuzarca resolveu chutar o balde de vez.
Após vender o controle da F1 (ou parte dele) para o neto do tiozinho do Monopoly saiu por aí dando declarações amalucadas.
Desta vez mandou na lata que Alain Prost, o neto do Jean-Marie Balestre é o melhor piloto da história da F1.
Isto à frente de Senna e Schumacher.
Números por números sim: Narigudim é maior que Senna.
Se foi melhor é outra história.
Mas Schumacher? Prost maior ou melhor que Schumacher?
7>4 ou não?
E tem mais: se é para colocar na balança a pista pura e simples o alemão dá banho tranquilo.
Prost era muito bom largando na frente e sumindo. Quase perfeito.
Mas Michael era bom neste quesito e também no combate roda a roda.
Agora, se o caso é pesar a extra pista, bom.... Aí a briga é boa.
Enquanto Prost contava com a proteção paternal do dirigente citado lá em cima em brigas contra Ayrton (e isto não é pouca coisa), Michael Schumacher contou muitas vezes com a FIA (Ferrari International Aid).
E por último, Michael também leva na categoria Dickvigarices.
Não consigo me lembrar de nenhuma manobra polêmica de Prost além do enrosco em Suzuka que lhe deu o terceiro título mundial.
Quase um amador se pesar quantas vezes Schumacher fez das suas para garantir resultados nas corridas.

O outro piloto da McLaren resolveu se aposentar.
Enquanto Massa gerou até certa comoção na F1 ao anunciar sua saída da categoria, o outro piloto da McLaren seguiu sua sina de ser aquele que ninguém liga.
Sempre que acontece algo com ele que – em tese – seria digno de nota, algo ainda maior acontece e joga o cara para segundo plano.
Um grande exemplo foi o ano de 2008 foi campeão, mas o grande assunto foi o Crashgate da Renault em Singapura.
Agora, anuncia sua aposentadoria e além de ser posto de lado em relação à mesma notícia sobre Felipe Massa ainda acontece a venda da F1.
E lá se vai o poupador de equipamento.
Tô nem aí.

12 de set de 2016

Judas Priest: Muito além dos domínios da morte

Não foram poucos os artistas e bandas de rock, mais notadamente de heavy metal, que foram acusados de fomentar a violência e incentivar seus fãs a cometerem crimes e até suicídios.
Ozzy foi processado por conta de um fã que se matou supostamente sob a influência de “Suicide Solution”, faixa de seu primeiro disco solo Blizzard of Ozz.

Situação semelhante viveu outro ícone da música pesada, o Judas Priest.
A banda de Rob Halford, que já tinha sido obrigada a trocar o nome de um de seus álbuns nos EUA (Killing Machine, de 1978 foi lançado com o nome de Hell Bent for Leather) por conta da paranoia com a violência se viu no meio de uma discussão sobre o controle dos país sobre “mídias violentas” promovida por Susan Baker, então esposa do senador Al gore, e seu comitê Parents Music Resource Center (PMRC) que fez uma lista de quinze músicas consideradas nocivas à juventude.
Entre elas estava a canção “Eat me Alive” do disco Defenders of the Faith (1984) que segundo a senhora em questão, fazia alusão a sexo oral forçado.
O Judas respondeu com a canção “Parental Guindance” do disco Turbo (1986).

Em 1989 a banda foi a julgamento acusada de colocar mensagens subliminares – quando tocada ao contrário -  em uma de suas canções, “Better by you, better than me” do disco Stained Class (1978) após consumirem uma quantidade industrial de drogas e álcool.
O caso foi arquivado e o Judas absolvido após ser levado em consideração que a faixa em questão era um cover do grupo Spooky Tooth lançada nos anos sessenta.
Rob Halford declarou em relação ao caso que: “-Se fosse para por mensagens subliminares – e elas funcionassem – em nossas músicas certamente seria: “comprem mais nossos discos” e não “se matem”.
Se Halford não tem razão nesta questão, ninguém mais tem em questão alguma...

9 de set de 2016

A valise suspeita: um conto de Le Sanatéur

Na Rua 45 a excitação era palpável.
Nenhuma outra vez na história do periódico foram chamados até a sede da prefeitura.
Corria a boca pequena que o jornal era de oposição. Não interessava a quem.
Marcel L´Onça era adepto do dístico espanhol: “-Hay gobierno? Soy contra!”.
Talvez por isto nunca tenha lucrado vendendo espaço para campanhas políticas.

-Ron, Coyote, vocês dois vão até o palácio La Moeda e vão cobrir as agitações lá, diz que o prefeito recebeu uma ameaça. – conta o chefe.
-E só a melhor dupla que tem é capaz de cobrir né? – vangloria-se Coyote.
-Não...
-Não? – espantam-se os dois.
-Claro que não... Vão vocês porque é tudo que tenho aqui.

Os dois saem da redação no velho Studebacker em direção ao palácio de La Moeda.
Coyote limpa as lentes de sua Leica enquanto Ron dirige o carro de forma tensa.
-Você precisa superar isto.
-Tá falando do que?
-Deste trauma de dirigir. Não vai acontecer de novo.
-Pode acontecer sim. Atropelar uma pessoa é sempre possível.
-Quando digo que não vai acontecer, é porque a pessoa que você atropelou fugiu da cidade. Disse que não pode viver no mesmo lugar onde um louco como você tem carteira de habilitação.
-Se ferrou ela...
-Por quê?
-Não tenho habilitação.

Desembarcam em frente ao palácio e Ron joga a chave para um segurança que estava à porta.
O rapaz olha o velho Studebacker e entende exatamente o que fazer: chama o guincho e pede que recolham a lata velha.

Embarcam no velho elevador do prédio. Não há ascensorista.
Descem no décimo segundo andar. A confusão é grande.
Num canto está o prefeito. Ele está apavorado.
No outro, agentes da policia. A cidade não tinha pessoal antibomba. Nunca se soube de uma bomba por lá.
Ron tira umas palavras do prefeito.
-Tem inimigos?
-Todo político bem sucedido tem.
-Disse bem... Políticos bem sucedidos. Mas o que houve de verdade?
-Hoje quando cheguei, havia uma valise preta. Achei que eram documentos e tentei abrir, mas não consegui. Então dei uma chacoalhada e senti um volume se deslocando com um som pesado, grave... e finalmente ouvi um tique taque.
-Interessante... Quem acha que te mandaria uma bomba?
Ao ouvir a palavra bomba um silêncio sepulcral toma conta da sala. Até ali ninguém ousara sequer pensar na possibilidade.
Coyote que fotografava tudo em volta sentiu também o peso da situação.

Os agentes da policia que seguravam a valise a soltam e se afastam rapidamente.
Um deles realmente chegou a correr.
A secretária do prefeito desmaia e Coyote corre para ampará-la. Afinal, era boazuda.
O próprio prefeito dá três passos em direção à porta, mas esbarra em Ron que sorri.
-Tá com medo?
-Você não?
-Perguntei primeiro.
-Se eu disser a verdade você também diz?
-Digo.
-Tô sim.
-Bundão...
Ron vai até a valise e chama Coyote.
-Segura aqui que vou abrir.
-Tá...
Com um canivete suíço comprado de um contrabandista boliviano a tranca finalmente cede.
Os agentes da policia ao verem a valise aberta correm como loucos para o elevador.
A secretária tem outro desmaio. Desta vez Coyote não a ampara. Apenas contém o próprio riso. Ron também ri.
O prefeito se aproxima da valise e observa o conteúdo.
-Mas que raio é isto? – pergunta.
-Um relógio... Um despertador, para ser mais exato. – gargalha Coyote.
-Ao lado do relógio.
-Me parece um... Um... – e Ron não consegue dizer
-Mas... É um troço! É um cocô!  - espanta-se o mandatário.
-Pelo tamanho eu diria que é um cagalhão! Um enorme cagalhão! – e Ron gargalha mais.

No dia seguinte o Le Sanateur exibe fotos de toda situação avisa na manchete: Não leiam à mesa do café.
Nas ruas o burburinho era de que o povo entendera o lembrete de que a administração a toda hora só faz merda...

6 de set de 2016

F1 2016: Valeu Felipe!

E lá se vai Felipe Massa.
Felipe é entre os pilotos brasileiros da era pós Senna (juntamente com Rubens Barrichello) dos mais importantes.
Teve vitórias importantes, disputou o campeonato de 2008 até as últimas curvas do último GP, sofreu um dos acidentes mais bizarros e perigosos dos últimos tempos e voltou a pilotar em alto nível mesmo assim.
Foi companheiro de equipe de dois dos maiores pilotos de todos os tempos (Alonso e Schumacher) e fez o que dele se esperava nestas situações.
Ainda que o mimimi geral o pintasse como apenas uma continuação de uma tradição capachesca pós Senna (coisa besta se vista fora do âmbito da ironia e do humor) aglutinou fãs.
Também detratores, mas assim: quem não?

Massa tem apenas um senão em sua carreira e não é, nem de longe, não ter ganho um campeonato mundial - gente muito boa também não ganhou – mas não ter vencido, de fato, nas pistas mais tradicionais da F1.
Nunca venceu Mônaco, Silverstone, Spa ou Monza.
A vitória creditada a ele na pista belga em 2008 foi em decorrência de uma penalização à Lewis Hamilton.
Por outro lado, venceu em Interlagos, coisa que apenas Senna, Emerson e Pace conseguiram.
Piquet também venceu grandes prêmios no Brasil, mas em Jacarepaguá.
E venceu duas vezes, sendo que em uma, por pouco (muito pouco mesmo) não se sagrou campeão.

Não vai se aposentar, como alguns dizem.... Vai trocar de ares e continuar nas pistas, talvez vá para uma categoria de turismo qualquer destas em moda.
Talvez vá para os EUA, o que é pouco provável, mas eu, particularmente, gostaria de vê-lo na Stock, ao lado de Cacá Bueno, Valdeno Britto, Rubens Barrichello entre outros, disputando vitórias e campeonatos.
Desde que, claro, a Stock mostrasse um pouco mais de respeito próprio e se livrasse do ranço de ser apenas mais um produto da grade de atrações da Globo e se encarasse como deve: a mais importante categoria do automobilismo nacional.
Vai lá piloto, seja o que for fazer.
Obrigado Felipe.

4 de set de 2016

F1 2016 - Itália: Poderia ter sido melhor, mas não foi

Ah! Monza...  Quantas alegrias, quantas lembranças.
Foi a primeira pista em que por vontade própria me sentei em frente à um aparelho de TV para acompanhar uma corrida. Isto no longínquo 1983... Século passado.
E naquele dia vi Piquet ganhar! Formou-se então meu amor pela F1 e minha predileção pelo piloto que considero o melhor por N motivos, mas principalmente, por ter sido o primeiro que eu vi ganhar.
Também vi Schumacher anunciar aposentadoria em 2006 em uma corrida (que ele também ganhou) emocionante e um pós corrida ainda mais.
Para este ano, a aposentadoria de Felipe Massa, que não é campeão como Piquet ou Schumacher, mas foi tão importante quanto.
Há quem não goste e entende-se. Por mim é digno de um grande respeito, até mesmo por saber a hora certa de parar e assim ser o único piloto brasileiro que terá/teve uma despedida digna da categoria. Sem demérito às outras aposentadorias.
O único senão é nunca ter ganho – de fato já que herdou a vitória de Spa-Francorchamps em 2008 após a desclassificação de Lewis Hamilton – nas mais tradicionais pistas da F1: Mônaco, Monza, Spa e Silverstone.
Mas venceu – e bem – em Interlagos só que isto é para outro texto.

Nesta edição a tônica era, claro, a briga entre os cones da Mercedes e a vantagem na largada era – e foi – do cone#6 que manteve a ponta que havia conquistado na classificação.
Hamilton largou mal e caiu para quinto ao ser ultrapassado por duas surpreendentes Ferrari, uma Red Bull e até uma Williams(!).
Se quisesse algo na corrida, teria que remar e convenhamos: com esta Mercedes remar é força de expressão de verdade.

É sempre triste em que uma pista de velocidade pura como Monza, a corrida se transforme em uma imensa partida de xadrez.
Em vez de ultrapassagens na pista, um monte de estratégias de trocas de pneus envolvendo maciez, números de paradas, tocada de piloto.
Após a primeira rodada de paradas, Mercedes e Ferrari lideravam com pneus de cores diferentes e, portanto, estratégias diferentes, porém iguais entre os próprios pilotos.
E a estratégia da Ferrari era de duas paradas mesmo, dando assim o segundo lugar de bandeja para Lewis Hamilton que apenas comboiou Rosberg até o fim da prova.
É bem pouco para uma pista do tamanho e da tradição de Monza.
Mas é Monza, para mim isto basta.
Ciao baby, até o ano que vem.

1 de set de 2016

F1 2016: Itália - O melhor GP da Itália de todos os tempos

Muito se fala do fantástico GP da Itália de 1969, vencido por Jackie Stewart ou da corrida de 1971 em que a diferença de tempo entre o primeiro colocado Peter Gethin e o segundo Ronnie Peterson foi apontada como a menor da história da categoria: apenas um centésimo.
E mais: os cinco primeiros colocados terminaram a prova dentro do mesmo segundo.
Ambas foram disputadas em Monza, e só isto já é um handicap considerável, porém um dos mais emocionantes de todos os tempos não foi corrido no solo sagrado.
Nem em Brescia (1921) ou Livorno (1937), nem em Milão (1947) ou Parco Valentino (1948), muito menos em Imola (1980) que pela ordem foram os circuitos que também já foram palco da corrida italiana.
Mas sim em Roma (ano 1 DC) e teve lugar no Coliseu.

Alinharam para a largada as melhores bigas - como eram chamados os F1 da época. – E os melhores pilotos.
Por conta de um regulamento absurdo em que equipes que aceitavam algumas imposições da BIA (Bigas International Assossiation) tinham direito a algumas regalias, enquanto as equipes que gastavam o quanto queriam em seus orçamentos não.
Então equipes menores como a Toyotus que vinha do Oriente, a Torus Rossus que era de Roma mesmo e uma equipe vinda das Índias podiam usar mais cavalos do que as outras: quatro (Quadrigas).
Já MacLatun, de Londres; a Redburrus; a Ferrarus e uma equipe de bárbaros franceses: a Horrivelnault usavam apenas três cavalos, mas estes eram puro sangue, geralmente árabes.
Eram os chamados motores P12 (doze pernas)

As restantes não se enquadravam nas categorias acima citadas, usavam bigas de dois ou três cavalos, mas pangarés e geralmente eram apenas coadjuvantes nas corridas.
Eram: os bávaros da BMdablius e outros londrinos da Uiliams, que eram chefiados pelo lendário centurião Francus. Um sujeito teimoso que achava que conduzir uma de suas bigas era uma enorme honraria, e por isto geralmente não pagava bem seus legionários pilotos.
Às vezes Francus conseguia brigar até com seus cavalos... Era do contra ele.

A corrida em questão foi um sucesso de publico e até as autoridades mais importantes da época estiveram presentes: O imperador César Berlusconi e o governador francês Nicolaus Saicoizinha acompanhado de sua esposa, da qual o imperador não tirou os olhos durante toda a prova.
Na largada Kubicus da BMdablius se envolveu em um acidente bobo com Fisichelus que era romano, mas por laços financeiros e por ser também sua ultima chance no mundo das corridas aceitou conduzir pelo time Indiano.
Dizem que ao enroscarem as rodas das bigas, em uma tentativa patética e desesperada de soltar à base de força, Fisichellus gritava: “-Force Índia, force! ”.

Na volta numero trinta, outro acidente: o segundo condutor da Horrivelnault perde o controle dos cavalos e estampa o muro sujando a pista com detritos de sua biga e cocô de cavalo...
Naquela altura da prova apenas seu companheiro de equipe, o centurião Alonsus havia feito a parada para reabastecimento (não me pergunte onde enfiavam a mangueira, ou se a mangueira já era do cavalo...) e assume a ponta da corrida provocando suspeitas em todo o bigódromo.
Só que mais a frente o centurião Alonsus é obrigado a abandonar a corrida por conta de um de seus cavalos estar com a pata frouxa e ameaçando se soltar, o que lhe valeu o apelido de “Alonsus pernun frouxus”

No fim a vitória coube a Buton Hur, que conduzia uma Braus com difusor duplo na saída do terceiro cavalo.

Em segundo ficou Messala Humbê, que reclamou que os melhores cavalos sempre estavam na outra biga e que ele era apenas um romaninho contra o império.
Em terceiro chegou Kimem Raikkonus, que evitou dar declarações, mas bebeu as três ânforas de vinho reservadas no pódio para a festa da vitória.

Outro dado curioso é que o comerciante de togas Flavius Safatorus, também chefe da Horrivelnaut, foi convidado a explicar o acidente com Piquetinhus, mas este se limitou a dizer: “-Questo era um piloto que non valia o que o cavalo fazia...”.
E perguntaram a ele: “-O que? Exatamente? ”.
“-Correr, porca miséria, correr.... Seus mente suja…”