30 de mai de 2014

O gnomo

Syd Barret, o guitarrista seminal do Pink Floyd participou (feliz ou infelizmente depende do ponto de vista do fã do grupo) apenas do primeiro disco da banda na integra: The Piper at the Gates of Dawn e de algumas canções do segundo: A Saucerful of Secrets (voz em “Jugband blues”, guitarra em “Set the controls for the heart of the sun” e violão em “Remeber a day”).

Costumava dizer que queria fazer das canções do grupo algo próximo de um conto de fadas lisérgico. E era mesmo assim que soava.
E tinha o desejo que também visualmente a coisa se assemelhasse a isto.
Tanto que em uma apresentação para duas mil e quinhentas pessoas em uma casa chamada Chalk Farm Roadhouse elaborou a ideia – de jerico – de jogar uma espécie de gelatina sobre a plateia.
Na hora “H” a coisa falhou e a geleca não desceu sobre o público.
Ao tentar “consertar” quebrou o container e acabou soterrado por quase cinco metros daquela coisa.
Neste mesmo show, para não dizer que tudo deu errado, durante a execução de “Interestellar overdrive” explorou os ruídos de sua guitarra esfregando seu isqueiro sobre as cordas da guitarra, antes de Jimi Hendrix.

Parece ou não um conto de fadas com tintas lisérgicas?

29 de mai de 2014

Uma teoria (conspiratória) sobre o campeonato

Round 1.  Não haverá concorrência e o campeonato será sem graça.

Hamilton e Rosberg dominam a primeira classificação da temporada.
Os outros estão anos luz atrás e não e a ideia geral é que não haverá oposição durante toda a temporada.
Aposta? Óbvio!
Hamilton é (afirmativamente) melhor piloto que Rosberg.
Hamilton tem um (inédito) problema e abandona a prova ainda no inicio e não pontua.
Mais obviamente ainda Rosberg ganha a corrida e abre uma vantagem grande, se contar que se pensava não haver concorrência e que o problema seria corrigido e não afetaria Rosberg (que sempre foi muito constante e regular) em um futuro próximo.

Round 2 – A lógica dá as cartas e o campeonato continua sem graça.

Nos próximos quatro embates o domínio nas classificações se mantém.
Hamilton, óbvio dos óbvios, ganha as quatro até previsivelmente, mas apenas na quarta vitória da sequencia é que o inglês consegue tomar a ponta da tabela de classificação.
 Se a lógica prosseguir dando as cartas vai ganhar mais algumas e abrir uma vantagem que por mais regular que seja, Nico não vai tirar.

Round 3 – Esperança de alguma emoção.

Se Lewis iria tomar a pole de Nico naquela última volta é coisa que nunca vamos saber de verdade. O que sabemos é que Hamilton – aparentemente - ficou putinho.
Nico sai na frente, honestamente, dizem os comissários e Lewis vem logo atrás, o que em uma pista como a do principado é um problema.
Nico vence com Lewis em segundo e sem uma luta real pela ponta.
Inocente quem pensou que haveria uma.
Passar lá só arriscando muito e entre dois companheiros de equipe a disputa é quase impossível de ser liberada já que a chance dos dois saírem da prova é gigantesca.
Para justificar o não combate uma desculpa que envergonharia o 1B: um cisco no olho.

Round 4 – O campeonato está salvo.

Como consequência da corrida no principado, além da retomada da ponta pelo filho do Keke, o corte das relações de amizade entre os dois pilotos da Mercedes partindo, claro, do inglês com direito a dizer que tirou o cofre da casa do outro e tudo.
A guerra está declarada?
Vai saber...
O que aconteceu é tão bom para o campeonato e para a audiência, mas tão bom que parece até armado.
Duvidar? Eu? Magina...
Tão crível quanto enfiar uma corneta no escapamento para aumentar o barulho do motor.

28 de mai de 2014

A crônica do GP: O fim do azar?

Logo após o fim da corrida em Mônaco, Felipe Massa foi para o motorhome feliz da vida.
Após largar em décimo sexto, conseguiu chegar ao sétimo lugar.
Parece pouco, mas ele lembra a todos os maledicentes que a corrida era nas ruas do principado.
-Lá é difícil passar, é apertado pra caramba! – diz.

Senta-se em sua cadeira e mesmo não tendo feito pódio, pede um champanhe para comemorar.
-Comemorar o que exatamente? – lhe pergunta seu secretário.
-O fim do azar! – responde referindo-se a todos os lances ruins do ano até aqui.
-Na corrida desta vez não fui acertado pelo Alonso, nem pelo japonês fiadaputa das vaquinhas e muito menos pelo moleque da Caterham como na classificação. Isto só pode significar o fim do azar! – e se prepara para espocar o espumante.

Então toca o telefone celular.
Olhando para o display descobre tratar-se de uma ligação de seu administrador, provavelmente para lhe dar o balanço de seus investimentos.
-Alô! Fala meu querido, boas noticias, presumo!
-Na verdade não Felipe, na verdade não...
-Como não? Agora estou com sorte, você não viu a corrida hoje?
-Vi, parabéns pelo sétimo lugar, mas...
-Mas?
-Sabe aquele terreno que o senhor comprou no Atacama?
-Sim... Aquele lote no deserto.
-Pois é.  Choveu tanto no deserto que inundou toda a região incluindo seu terreno.
-Hum... Só isto?
-Não... Os anões do espetáculo circense que o senhor patrocina...
-Opa! Os menores anões do mundo! Este é retorno certo.
-Então... Os anões estão crescendo, o menorzinho deles já está com 1m80cm.
-Sério? E o maior? Aquele que tinha 48 cm de altura?
-Está fazendo testes no Lakers hoje.
-Só falta você dizer que a grana da bolsa de valores também vai mal.
-O senhor não lê jornais? A Dilma voltou a subir nas pesquisas...

Felipe agradece e se despede, desliga o telefone, mas ainda assim se recusa a acreditar que a má fase continua. Tudo o que foi lhe relatado é anterior a corrida, portanto faz parte do passado.
 Pega uma fatia de pão e passa geleia, fica de pé sobre o tapete persa de cinco mil dólares que cobre o piso do motorhome e a deixa cair.
A face com a geleia cai para cima.
-E o fim do azar, eu disse!
Então pega a garrafa novamente e a abre fazendo o movimento de girar a rolha para estourar.
A rolha sobe, bate no teto e volta batendo no pote de geleia que derrama todo seu conteúdo sobre o referido tapete e não bastasse isto, o conteúdo da garrafa também cai sobre a geleia fazendo uma meleca considerável.
Antes mesmo de poder se lamentar, um batalhão de mecânicos juntamente com alguns repórteres invade o motorhome para comemorar e entrevistar o piloto espalhando a sujeira por todo o tapete.

27 de mai de 2014

Lado B do GP: With my good eye closed

Há mais de uma forma de se ombrear com os grandes pilotos em Mônaco.
Obviamente uma delas é vencer, mas também dá para fazer isto das seguintes formas:
Batendo o carro na entrada do túnel.
Freando o carro de propósito e provocando bandeira amarela durante a flying lap de alguém.
Ultrapassando na chicane da saída do túnel quando não se espera que seja possível.
E da forma mais estranha: não completando nem metade da prova junto com algum grande.
Sendo assim, Maldonado e Perez, dois dos mais manes, se igualaram nesta prova ao tetra campeão Vettel.
Nenhum dos três conseguiu chegar à metade da corrida.
Vettel, Maldonado e Perez em Mônaco.

Maldonado nem chegou a largar, ficando parado na saída para a volta de instalação e aquecimento.
Chegou-se a supor que ele iria ver a corrida no barco da Lotus ali na marina, mas depois alguém lembrou que a Lotus não tem barco lá.
Nem em nenhuma outra marina.
E a se confirmar o corte da verba da petroleira, também não vai ter carro logo, logo...

Felipe Massa correu como nunca! (largou em décimo sexto)
E chegou como sempre. (em sétimo)
Porém, dá para afirmar que Massa é extremamente religioso já que a bíblia diz que o sete é o numero da perfeição.
Ele vem levando isto ao pé da letra e chega perfeitamente em sétimo faz tempo.

A obsessão de Hamilton em se parecer com Senna é tanta que agora beirou o ridículo.
Depois de Senna vencer uma corrida e mandar na orelha do mundo que só tinha a quinta marcha, o Zé gotinha da Petrobrás não quis ficar para trás e soltou a “desculpa do cisco” para justificar a perda de performance atrás do alemãozinho purpurinado.
Nem o papa Francisco caiu nesta...
Ou seja: o cisco no olho é o novo “só tinha a quinta marcha” na F1.
E no sábado ainda tinha dito que trataria Rosberg como Senna tratava Prost nas pistas.
Sabe de nada, inocente...
O mais bacana foi o close da direção de TV em seu rosto no pódio e nem vermelho o olho do cara estava.
Caô do negão, caô...

Mas agora sério: Domínio das Mercedes à parte (danem-se eles) o grande nome da temporada é Daniel Ricciardo.
Vettel que abra o olho (e não deixe cair cisco nenhum dentro...).

25 de mai de 2014

F1 2014 - Mônaco: Não tem jeito de ser chato. Nunca!

Não tem jeito: Mônaco é essencial para o campeonato (financeiramente, historicamente etc., etc.) e sempre é uma corrida especial.
Se é boa, ou não, depende muito de vários fatores, mas é especial.

Passa a milímetros de distancia dos muros, dos guardrails por setenta e oito voltas é algo a louvar.
A emoção fica por conta da tensão em esperar que de um segundo para outro as coisas possam mudar com um toque mais forte, uma freada mal calculada enfim... Mônaco nunca é realmente ruim.

E não foi ruim este ano também.
Descarte a superioridade gigantesca dos carros prateados alemães e ainda assim vai sobrar muita coisa do terceiro para trás.
Várias disputas corajosas na freada da chicane na saída do túnel com direito a toques, fritadas de pneus, gente passando reto após ultrapassar e devolvendo posição.
Pode parecer pouco, mas para os padrões monegascos (pista apertada e – dizem – sem pontos aparentes de ultrapassagem) é bastante.

Outro ponto interessante a ser analisado é velha máxima que ninguém é grande de verdade sem vencer nas ruas do principado.
Vencer por lá é se igualar a gente especial como Senna, Prost e Schumacher.
A vitória de Nico Rosberg reafirma o direito de ele estar ombreado com este povo todo.
Esteve com Hamilton grudado nele durante a prova toda e mesmo com tamanha pressão suportou sem maiores erros que umas freadas mais fortes em algumas voltas.
Fora de série ele?
Não... Nem fu... Mas é um piloto realmente bom.

Se o imponderável não deu as caras com tanta força quando dois carros – em momentos distintos - ficaram parados na pista em pontos ditos perigosos (o guindaste deu jeito) e não foi necessária a entrada do safety car para embaralhar as cartas e forçar novas largadas para tentar mudar o líder da prova.
Deu o ar da graça quando enfiou um cisco no olho do Hamilton e o fez penar para segurar Daniel Ricciardo na briga pelo segundo lugar.

E por fim, para mostrar o quanto Mônaco é sempre especial a Marussia conseguiu seus primeiros pontos com o nono (!) lugar de Jules Bianchi.
Poderia ter sido em qualquer pista do mundo, mas foi em Mônaco e creia, isto é realmente especial.

23 de mai de 2014

Mônaco muito além da pista

E Mônaco é realmente especial.
Não bastasse os carros passarem – por setenta e oito voltas – arranhando os guard rails ainda tem a parte operacional, se é que se pode dizer assim, da F1.
É em Mônaco que se conversa sobre contratos futuros com fornecedores, patrocinadores, enfim... Conversas mil.

Este blog, num furo de reportagem não vespuciana flagramos alguns destes encontros e trazemos à tona o lado buzzines da corrida mais chique do calendário.





21 de mai de 2014

Mensagens ocultas

Por estes dias o baterista do Pink Floyd, Nick Mason, confirmou a uma revista Sonic Reality que a faixa "Empty Spaces", do sisudo álbum The Wall contém uma brincadeira escondida.
Se tocada de trás para frente é possível ouvir e identificar claramente a frase dita por Roger Waters: “Parabéns, você acabou de encontrar uma mensagem secreta” e outras coisas mais até ser interrompido por David Gilmour que lhe trazia o recado de que “Caroline” estava ao telefone.

Não é caso único.
Também circularam boatos de que mensagens menos “engraçadas” e inocentes estavam plantadas em discos do Led Zeppelin (um monte delas), do Queen (em "Another one bites the dust" a mensagem seria: “é legal fumar marijuana”) e até da Xuxa (com direito a satanismo e tudo).

Um dos casos mais conhecidos e controvertidos é a canção "I´m so tired", dos Beatles.
A canção e a história fazem parte da lenda que diz que Paul havia morrido em um acidente de carro em 1966.
Os “viajantes na maionese” desta história ainda usaram como argumentos o fato do baixista estar descalço na capa de Abbey Road; o verso “He blew his mind out in a car, He didn´t notice that the lights changed” de "A Day in the life" entre outros mais...
Na canção em questão (I´m so tired) se o disco for rodado ao contrário a frase que aparece é supostamente: “Paul is dead man, miss him, miss him.”.

Mas num esforço de apuração deste blog, colocamos o vinil na vitrola e com muito cuidado com a agulha (e com o vinil, claro) giramos a bolacha ao contrário e constatou-se mesmo a existência de uma mensagem oculta.
Porém, muito diferente do que o divulgado.
Eis a transcrição já traduzida.
“-Hey Paul, vamos contratar um baterista de verdade?”
 “-Oh John... Vamos dar mais uma chance ao Ringo, ele vai melhorar...”.

20 de mai de 2014

O troco

Quando ele contava a história, ninguém acreditava.
Também pudera!
Ter encontrado marcianos na plantação de trigo da fazenda de seus pais quando jovem e ainda por cima ter batido um belo papo com eles era pra lá de história para boi dormir.
Cresceu com aquilo.
Formou-se cientista pela afamada universidade de Berkeley e foi recrutado para trabalhar na agencia espacial norte americana.
Devido a seus conhecimentos, foi incluído no projeto que visava o planeta vermelho.
Uma de suas maiores realizações era o robô Curiosity, com o qual a NASA exploraria a superfície de Marte em busca de vestígios de vida.
O pequeno robô era a menina de seus olhos e chegava às raias da obsessão.
Preocupados, seus superiores o aconselharam a procurar ajuda profissional.
Pelo bem da missão.

Já inteirado com a ficha do paciente, o psiquiatra o recebeu para uma primeira sessão.
-Então você viu os marcianos?
-Vi.
-E eram verdes?
-Eram... E tinham olhinhos puxados igual de coreano.
-Hu hum... Conte mais.
-Eu estava em casa quando uma lua estranha veio do céu e foi baixando no meio da plantação de trigo, não me aguentei e fui até lá para ver o que era encontrei os marcianos lá.
-E como sabe que eram marcianos?
-Porque eu perguntei! Óbvio.
-E eles falam nossa língua?
-Sim, mas com um sotaque fiadaputa...
-E o que eles estavam fazendo lá?
-Disseram que estavam só de passagem, mas não acreditei... Vi aqueles desenhos que eles fizeram na plantação e fiquei muito curioso. Perguntei várias vezes o que significavam.
-Que desenhos? Como eram estes desenhos?
-O senhor já viu a capa daquela coletânea do Led Zeppelin: Remasters?

-Sim vi...
-Então... Aquele desenho foi fotografado na plantação de trigo dos meus pais.
-Interessante... E o que quer dizer aquilo? Eles explicaram?
-Explicaram... Mas não vou contar não... O senhor não vai acreditar.
-Tente.
-Não, não... Nem vou perder nosso tempo. Mas digo uma coisa: assim que puder, dou o troco neles.
-Troco?
-Sim... Vou fazer o equivalente lá no solo do planeta deles.
-Hum... E vai usar o Curiosity, presumo.
-Sim.
-Bom... De qualquer forma, apesar de sua história fantástica, não posso diagnosticar nada demais... O senhor pode continuar seu trabalho. Vou documentar que está apto.
-Muito obrigado...
-Só uma coisa, não deixe de me informar quando der “o troco”. Ok?
-Sem problemas...

E assim, alguns meses depois da consulta, o médico recebe um envelope enviado pelo cientista e dentro apenas uma foto...

livremente inspirado aqui>  Vi na internet, por Charles Nisz

19 de mai de 2014

Ironia é...

Xuxa ir a estádio de futebol para promover campanha contra exploração infantil.
Amor... Estranho amor da Xuxa só para baixinhos...

Michael Jackson lança (postumamente, claro) música sobre pedofilia.
Soa como Goebbels fazendo campanha contra a propaganda.
Título da música: “Do you know where your children are?”.
Perguntassem aos pais do Macaulay Culkin um tempo atrás e bem...

Gaviões se posta em torno do seu novíssimo estádio em Itaquera e avisa: “-Nosso patrimônio ninguém vandaliza!”.
Deu certo.
Deveriam então chamar os camisas negras de pouco miolo para evitar também vandalismo nos ônibus, no metrô e...
Não, pera! Lá são eles que vandalizam.
Façam o que digo e não façam o que faço.

As corridas na F1 andam meio chatas... Dizem.
Culpa do som dos motores, claro...
Nada a ver com pistas chatas e de pouca tradição e engessamento regulamentar em que um monte de coisa é considerado antiesportivo.
Defende posição?
Até pode, mas não dá quando o de trás vem com ERS, asa móvel e o cacete enquanto o da frente só pode mover o carro de lado uma vez.
Atacar?
Se parecer mais agressivo do que é, não pode.
Toques na pista?
De jeito nenhum...
Mas a culpa é mesmo do som dos motores, claro...
Povo corneteiro e...
Não, não... Corneta não resolve.
Só deixa mais feio.

Semana começa azeda, mas ao menos tem duas corridas de respeito no fim dela.
Mônaco e Indianápolis.
Único senão que é que uma tem setenta e oito voltas e a outra duzentas.
Se tivessem só cinco ou dez voltas cada, a emoção seria garantida full time.

16 de mai de 2014

A granja dos barbudos

Obviamente era uma ideia de jerico. E das grandes!
Billy Gibbons enfiou na cabeça que seria muito legal ter um palco enorme, no formato do Texas e nele um monte de coisas que lembrasse o estado americano.
Ele queria mostrar a todos como lá era legal.
Foram colocados no: abutres em gaiolas, terrários com cascavéis e até alguns búfalos.
Tudo de verdade, autêntico e texano.
No principio tudo correu bem.
As aves pareceram não se importar com o som alto, as cascavéis se comportaram e os búfalos ficaram lá, quietos ruminando.

Até que em uma noite um dos búfalos que provavelmente não gostava de blues se cansou e resolveu tocar o terror.
O bicho que devia ser fã do Alice Cooper desembestou no palco derrubando gaiolas e terrários liberando as aves e enchendo o palco com dezenas de cascavéis.
Lá da bateria, Frank Beard, o zz top que tem barba apenas no nome, sugeriu que tocassem algo tranquilo para acalmar as cobras.
Já saindo do palco e deixando a confusão toda para que os roadies resolvessem, Billy diz:
-Genial! Funcionaria muito bem se as serpentes não fossem surdas...

15 de mai de 2014

Também vou opinar #3: Tanta exclusividade assim?

Peter Parker foi picado por uma aranha de um experimento cientifico.
Teve seu DNA misturado com o da aranha e começou a desenvolver propriedades inerentes ao animal tais como grudar nas paredes e uma sensibilidade sensorial muito aguçada.
Por contingência de necessidade ou de consciência, acabou por se transformar no vigilante mascarado Homem Aranha.
Nos gibis antigos a teia saia de seus pulsos, nos mais modernos e nos filmes de um dispositivo criado por ele.
Para ganhar algum dinheiro (vida de herói também não é mole) Peter faz bicos de fotógrafo no jornal Clarim Diário (Daily Bugle no original) e garante à publicação de J. Jonah Jameson as melhores fotos do herói.
Não é lá muito ético, verdade, mas é só ficção, não é?

Não...
O genial fotógrafo Weegee (Usher Fellig - nos EUA: Arthur H. Fellig - Ucrânia:1899/1968) também dava um jeito de melhorar seu trabalho.
Com um rádio amador instalado em um Buick e sintonizado na frequência da policia, ouvia as informações e corria para o local chegando antes mesmo dos policiais nos locais dos crimes e “ajeitando” a cena para que suas fotos ficassem mais “bonitas” ou “impressionantes”.
Não raro dava uma maquiada ou penteava o cadáver antes de disparar seu flash.
Mas nada disso tem a mínima chance de acontecer nos dias de hoje, não?
Weegee que inspirou a série Le Sanateur deste blog

Mas cá entre nós...
Quando os traficantes no Rio de Janeiro derrubaram um helicóptero da polícia, o jornal Extra tinha imagens exclusivas.
Quando em uma história muito feia, triste e – principalmente – mal contada uma mulher ferida foi socorrida em um camburão da policia que (aqui reside a esquisitice já que se aquela porta se abre tão facilmente, como serve para transportar ladrão preso sem que ele fuja?) a portinhola se abriu derrubando a mulher e a arrastando por um enorme trecho.
O Extra tinha imagens exclusivas.
Agora, quando traficantes dão salva de tiros de fuzil em jogo de futebol quem aparece com as imagens exclusivas?

Alguém tem que avisar o JJJ que seu fotógrafo anda trabalhando também para uma publicação rival ou avisar ao Peter Parker que tem gente copiando seu modus operandi.
Ou será que tem um Weegee que ouve o rádio do outro lado?

14 de mai de 2014

A crônica do GP: Amplificadores e cornetas

-Bernie, ainda estamos preocupados! Os fãs vão voltar a reclamar...
-Estão preocupados? Muito?
-Muito...
-Mas reclamar do que agora? Do domínio da Mercedes?
-Não... Estão resignados com isto.
-Sério?
-Sim. Teve um que disse que pintaram a Red Bull de prata até.
-Este povo é criativo... Então estão reclamando da monotonia das corridas?
-Também não...  Inventaram um termo para isto até.
-Qual?
-“Corrida tensa”.
-Tensa?
-É...  Dizem que quando não há ação na corrida a estratégia a deixa tensa.
-Um eufemismo então?
-Claro. Não há mais reabastecimento, os pneus não são mais o lixo que eram até o ano passado, então a estratégia se resume a chamar um piloto mais cedo ou mais tarde que o outro para os pit stops. Geralmente só faz sentido nas disputas dentro da própria equipe.

-Do que reclamam então? Da nossa preocupação com os gastos exorbitantes?
-Que nada, disto nem falam direito porque sabem que é uma tremenda besteira.
-Concordo... Queremos limitar gastos, mas mandamos desenvolver ERS, KERS, asas moveis, controladores de fluxo e outras coisas que gastam muito mais do que economizam. Mas do que então?
-Do som dos motores.
-Eu também não gosto do som destes motores...
-Sério Bernie?
-Claro...
-O som é baixo né? Xoxo...
-É.
-Tira o prazer de ouvir um ronco de uma máquina potente, veloz como nenhuma outra e...
-Nada disto... Nada disto Jean.
-Não? O que então.
-Com aquele som baixo todo mundo pode prestar atenção nas conversas que tenho nos paddocks e como é que vou fazer negociatas para por o Butão no calendário assim?

13 de mai de 2014

Lado B do GP - Espanha: Uma nota só?

Não... A corrida não foi lado B
Foi extremamente lado Z, da onomatopeia do sono.
Pegaram a Red Bull do ano passado e pintaram de prata e o Vettel de preto.
Só esqueceram de continuar com a emoção no meio do grid...
E não adiantou nem o Pastor Maldonado tentar dar uma graça.
Nem ele conseguiu.

A melhor coisa do GP?
Foi o upgrade dado na carreira daquele fiscal de pista chinês que deu a bandeirada quadriculada para o Hamilton com duas voltas de antecedência.
Gostaram tanto da iniciativa dele para acabar com chatice daquela corrida que o promoveram a diretor de TV para a corrida espanhola e o cara não decepcionou.
Deu a vitória no gerador de caracteres para o Rosberg ainda na vigésima segunda volta.

Único senão foi a vitória foi do Vettel negão.

11 de mai de 2014

F1 2014 - Espanha: Chatice, teu nome é GP da Espanha.

Discos do Lulu Santos, músicas do Oswaldo Montenegro, fãs xiitas do Alonso, campeonatos regionais de futebol, xadrez na televisão, churrasco só com frango e suco...
Coisas chatas não?
Muito...
Some ai corridas de F1 em pistas espanholas, por favor.
Não interessa se em Barcelona, Jerez...
É na Espanha? A probabilidade de dar sono cinco minutos após a largada é enorme, gigantesca, monumental.

Quando as vermelhas se apagaram os L 1113 da Mercedes pularam na frente e com cinco voltas já tinha dez segundos de dianteira.
E lá atrás?
Bom...
Cabeças de peixe, lagostins, camarões, arroz, carne de porco...
O que é isto?
Receita de paella, outra coisa tão chata (e ruim) quanto corrida na Espanha.

Nem as estratégias de parada de boxe deram alguma graça à corrida.
As brigas internas foram pulverizadas, não houve uma sequer.
Ultrapassagens só com diferenças grandes de uso de pneu ou uso de asa.

Só nas cinco últimas voltas houve um esboço de emoção com uma “briga” entre o espanhol mais mala da história e o piloto herói de Pirassununga.
Na frente, já dando uma volta em cima do sétimo colocado, Hamilton e Rosberg fizeram uma graça, sem nenhuma esperança de ultrapassagem de verdade entre os dois primeiros colocados.
E ai?
Acabou.
Hamilton venceu. Rosberg em segundo.
Só não deem a sugestão das corridas na Espanha terem apenas cinco voltas porque, para lembrar, nas cinco primeiras voltas as Mercedes já tinham aberto onze segundos de vantagem.

Só há uma coisa realmente boa nestas horríveis corridas de F1 na Espanha: para nós aqui do Brasil ela se passa às nove da manhã.
Se tivesse de acordar de madrugada para assistir esta procissão seria realmente complicado.
E esperamos quase um mês para tão pouco... (bocejo)

9 de mai de 2014

Como era bom ser punk

O disco saiu com o singelo nome de: Mais Podres do que Nunca.
Obviamente, mainstream nunca foi o alvo dos caras, afinal, Mao, Mauro, Sukata e Português eram punks.
De verdade.
Eram os Garotos Podres.

O álbum foi gravado e mixado em doze horas, mais punk impossível, e em uma mesa de “apenas” oito canais.
O som, como se espera de um disco punk é seco, abafado, sem firulas de produção e as letras... Bom...

Os tempos ainda eram duros, apesar de já estar no ocaso do golpe e a abertura política ser iminente.
O ano era 1985, mas a censura ainda dava suas tesouradas em artistas a torto e a direito.
Com eles a coisa não podia ser diferente, afinal: eram punks.
Jhonny” foi censurada, “Maldita Policia” e “Papai Noel, filho da puta” caíram na malha fina.
Então a gravadora - a Lup-Som – mandou na lata: “-Ou ajeita ai as letras ou não podemos lançar.”.
A letra da primeira foi “suavizada” se é que se pode dizer isto sem ser irônico a segunda e a terceira, além das letras, tiveram os títulos trocados para “Maldita Preguiça” e “Papai Noel, velho batuta”.

Acredite ou não o disco esgotou.
Não se sabe se pela tiragem pequena ou porque realmente vendeu muito no esquema “boca a boca” entre os fãs já que a gravadora pouco fez para divulgar o produto.
Avisados que no “mercado negro” o disco era muito procurado, resolveram então relançar a bolacha e com um golpe de marketing digno dos “cunhados espertos” de presidentes de empresas avisam que trocarão a capa, a ordem das canções e possivelmente o título e pedem aos caras que pensem em alguma coisa.

Descontentes com o descaso da companhia em relação ao seu trabalho encontraram uma forma bem a caráter de dar o recado.
Deram um passeio pelas salas acarpetadas da gravadora calçados com seus coturnos – afinal eram punks – após pisar, e muito, em cocôs de cachorros pela rua.
O disco foi relançado em 1986 com o título – bem punk – “Pisando na Merda” e vendeu mais cinquenta mil cópias. Um recorde para lançamentos independentes.

8 de mai de 2014

Só mais um dia por aqui

(discando) #222*
Chamando; Túúúú. Túúúú
-Seja bem vindo a sua operadora, digite 1 para saldo; 2 para recarga fácil; 3 para planos; 4 para promoções; 5 para portabilidade; 6 para reclamações; 7 para retornar ao menu principal.
(pausa para pensamento) Menu principal? Mas este não é o menu principal?
(digitando) 6.
-Obrigado por acessar os serviços de sua operadora, aguarde alguns instantes para que possamos atendê-lo. (e cai a ligação)

(discando) #222*
Chamando: Túúúúú
-Seja bem vindo a blá,blá,blá...
(digitando) 6.
-Obrigado por acessar os serviços da sua operadora, seu saldo é: você não tem créditos ativos. Se deseja mais alguma operação digite 7 para retornar ao menu principal.
(pensamento) –Mas eu não pedi a opção do saldo...
 (digitando) 7
-Menu principal, digite 1 para blá, blá...
(digitando) 6.
-Para problemas com conexão digite 1; para problemas com chamadas digite 2 (entra musiquinha)
(digitando) 2.
-Obrigado por acessar os serviços de sua operadora, não deixe de responder a pesquisa de satisfação ao final do atendimento.
(pensando)  -Oba! Agora vai.
(fim da musiquinha) –Digite 1 para muito satisfeito; 2 para satisfeito; 3 para pouco satisfeito; 4 para insatisfeito; 5 para muito insatisfeito. (cai a ligação)

(pensando) -Pqpcaralhovaitomanocúfiadaputa...

(Discando)#222*
Chamando: Túúúú
-Seja bem vindo a blá, blá, blá.
(digitando antes da máquina mostrar as opções) 6.
Cai a ligação.
(pensando) –Que saudades de quando havia atendentes de verdade...

(discando) #222*
Chamando: Túúú...
(pensando) –Vou discar o 7, vamos ver qual é a deste menu principal...
-Seja bem vindo a blá, blá,
(digitando) 7.
-Se você deseja falar com um de nossos atendentes, digite 9.
(digitando 9 e pensando) –Se soubesse que era assim...
-Aguarde alguns instantes para ser atendido por uma de nossas consultoras.
(Esperando e quando finalmente a musiquinha acaba)
-Sua operadora boa tarde, no que posso ajudar?
-É que as ligações estão ruins demais, não consigo falar por conta do sinal muito ruim e...
-Senhor, por favor, a sua ligação está muito ruim.
-Isto! A ligação está sempre ruim e...
-Senhor, a ligação está muito ruim.
-Isto... Tá ruim, eu quero saber por que está tão ruim!
-Senhor, sua ligação está muito ruim, não consigo entender seu problema e nem sua identificação.
-Isto, isto... Alô! Alô! Alô?
-Peço que retorne mais tarde quando a ligação puder ser melhor, de outro local.
-Não, não! Você entendeu, a ligação está ruim, é isto mesmo que eu quero arrumar!
-Não deixe de responder a pesquisa de satisfação ao final do atendimento.
(Entra musiquinha e logo para)
-Digite 1 para muito satisfeito; 2 para satisfeito e blá, blá, blá...
(Encerrou a ligação sem responder a pesquisa)

Do telefone fixo fez uma ligação ao  PROCOM, passou os dados pedidos, os números de protocolo que recebeu por SMS e ainda ouviu da atendente do órgão publico.
-Da próxima vez responda a pesquisa, só assim para eles saberem que o serviço não está bom...

7 de mai de 2014

Azuis

Quem disse que canções de amor têm de ser melosas?
Quem inventou isto nunca ouviu “Layla”.
A canção gravada no disco Derek and the Dominos de 1970 e que na realidade é o primeiro disco solo de Eric Clapton é uma ode ao amor não correspondido.

Após tocar com os Yardbirds, John Mayal´s Bluesbrakers, Cream e até – por pouco tempo -com o Blind Faith, Eric resolve se lançar solo e convida alguns colaboradores para ser seu time de apoio.
Diz a lenda, que após a primeira apresentação do grupo alguém perguntou a Eric qual seria o nome da banda.
-Eric and the Dynamos. – respondeu o guitarrista.
-Como? Derek and the Dominos?
-É, é...  – e sai andando.
Se não era, ficou sendo.

E neste primeiro disco, Eric que sempre foi chegado a fazer de suas canções válvulas de escape para seus sentimentos, cunha uma das mais memoráveis canções de amor não correspondido da história: “Layla”.
Feita para Patti Boyd que à época era esposa de George Harrison - um dos melhore amigos de Eric - que parecia preferir “Something” ao trabalho de Clapton, a canção passa longe de ser melosa.
Em grande parte por culpa – ou mérito – de Duane Allman, que convidado para uma participação especial no disco, pilotou sua slide guitar como se esta fosse um trem desgovernado. Resultando em um dos riffs mais famosos e devastadores do rock até desembocar no final da canção com um lindo solo em contrapondo o piano elegantemente sóbrio e angelical.

O já veterano produtor Tom Dowd, conhecido à época pelo mau humor e pela má vontade com que tratava os singles que produzia, após a sessão de gravação da musica, saiu dos estúdios dizendo: “-Esta porra é o melhor disco que fiz em dez anos!”.
Porém o reconhecimento de quem mais importava demorou um pouco a vir.
A canção só chegou a seu ponto mais alto nas paradas – quarto lugar – dez anos depois e Patti só levou seus belos olhos azuis para junto de Eric em 1979.

6 de mai de 2014

Smart TV

O velho Monteiro estava sentado em uma das mesas no fundo do bar do Canário, com um copo de guaraná – mesmo – à sua frente.
Estava amuado.
Andrade, o professor aposentado, entra no estabelecimento ranzinza, como de hábito.
Canário, que no momento preparava uma tábua de frios trocando o presunto por mortadela, havia contratado um novo balconista: Dassilva.

Dassilva era gago, mas não admitia. Dizia que só gaguejava quando ficava nervoso. Mentira que Andrade tratava de desmascarar toda vez que ia ao bar.
-Tá nervoso? – sorrido cinicamente.
-Nu-num co-co-começa...
Ou como no dia em que conheceu o menino.
-Ô garoto, como é teu nome?
-Da-da... Da-dassilva, ao seu (enche a boca de ar) dispor.
-Ué... Você é gago?
-Não. – responde lacônico o balconista.
-Ah, entendi... Seu pai era gago e o escrivão do cartório que te registrou era um filhadaputa...
Porém, naquele dia o balconista queria dar o troco e assim que avistou Andrade resolveu que iria brincar com sua calvície.
-O Andra-drade... Quan-an--to cê pa-pa... Pa-paga pra cortar o (enche as bochechas de ar) cabe-be-lo? – e sorri.
-Menos do que você paga em uma ligação local de celular... – e se dirige até a mesa onde se encontrava o velho Monteiro.

-E ai? Que cara de tristeza é esta Monteiro?
-Tô chateado mesmo...
-Por quê? Vai até casar que eu to sabendo! E com uma mulher mais nova pô!
-Cê ta de brincadeira né? Eu tenho 74 anos, ia querer que casasse com alguém mais velho?
-Mas ela tem 37 pelo que soube.
-Isto...  Mas idade não tem nada a ver... O que importa é o que a gente sente...
-Concordo. Mas porque tá chateado então?
-O pessoal aqui do bar fez uma lista pra dar um presente coletivo.
-Legal da parte deles...  Eu estou participando.
-Obrigado... Sabia que na folha da lista escreveram que era pra comprar anticoncepcional?
-Sei, fizeram isto porque você brincou outro dia que não queria mais ter filhos... Mas é isto quer te chateia?
-Em partes...  Fiquei sabendo que compraram mesmo uma caixa destas pílulas.
-Poxa! Sacanagem... Na tua idade.
-Tá dizendo que eu não dou mais no coro? – diz visivelmente irritado o velho Monteiro
-Não! Claro que... Errr... Bom... Porra! Mas se dá no coro e não quer ter filhos... Do que ta reclamando?
-É que quando li anticoncepcional imaginei que fosse uma televisão daquelas com internet... Sabe como é...  Melhor anticoncepcional não tem!

5 de mai de 2014

Campanhas que os oportunistas não abraçam

Ao que parece o único gesto espontâneo na história toda foi o torcedor idiota jogar a banana no campo de jogo.
Dá para se discutir se o gesto de Daniel Alves também foi ou não, afinal, em menos de vinte e quatro horas depois já havia depoimento gravado para a Globo, centenas de “celebridades” e sub celebridades postando fotos com bananas nas redes sociais e uma porrada de macacos de imitação (literalmente) reproduzindo o gesto.
Não bastasse, havia também uma camiseta à venda por módicos R$69,00 da grife de um sujeito com histórico de oportunismo ao qual declinaremos de grafar seu nome ou de sua marca.
Por trás de tudo isto uma agência publicitária não menos oportunista.
E ai? Sentiu orgulho de ser macaco agora?

Depois de ver a charge feita pelo The Piauí Herald (thepiauiherald.com.br) e reproduzida logo abaixo, pipocaram ideias para camisetas e campanhas que duvido – e muito – fossem abraçadas quer pelo apresentador, pela agência ou pela cambada de puxa sacos e imitadores que os cercam e acompanham.
Ninguém fez foto com hashtag: #somostodosdeputados
São as seguintes situações:
Um cliente sai do puteiro sem pagar e ainda xingando a mulher que o atendeu:
Camiseta e hasgtag:
#somostodosputas

A polícia invade um morro prende um traficante procurado e acaba lhe dando uns tabefes à vista de um destes defensores de direitos humanos com uma câmera fotográfica.
Camiseta e hashtag:
#somostodostraficantes

Esta é até justa, mas também duvido que façam:
No fim do ano, lixeiros e varredores de rua costumam deixar nas caixas de correspondência ou mesmo avisar no “boca a boca” que gostariam (e merecem) de ganhar uma caixinha, uma gorjeta, uma gratificação pelos serviços prestados ao longo do ano.
Camiseta e hashtag: #somostodoslixeiros ou #somostodosgaris
É capaz de aparecer um meme com a hashtag: #istoéumavergonha. Se é que me entendem.

Algumas situações que realmente aconteceram e eu não vi movimentação neste sentido foram:
Após ver na TV as cenas da população prendendo bandido ao poste (como já aconteceu diversas vezes) os bonzinhos da vez não fizeram campanha por quê?
Seria interessante ver quantos famosos iriam aderir a hashtag: #somostodosladrões.
Só para deixar claro, a classe política em geral não usaria esta por motivos óbvios: nunca dizem a verdade nem em um momento de oportunismo barato.

Também tem o caso daquele jogador de vôlei Michael, que quando jogava pelo time Voley Futuro, sofreu discriminação sexual por parte da torcida do Cruzeiro, ou mesmo do futebolista Richarlyson que foi vitima da mesma coisa e ninguém saiu por ai tirando selfies com a legenda #somostodosgays ou, para ficar exatamente como gritavam as torcidas idiotas: #somostodosviados
Curiosamente, nem os que são assumidamente homossexuais levantaram a bandeira...

Tem mais alguma? Deixe ai nos comentários.

2 de mai de 2014

Verso da discórdia?

A Plebe Rude chega para passar o som em seu debut no Rio de Janeiro, no legendário e mítico Circo Voador.
De longe, Jander Bilaphra vê que o equipamento da guitarra já está ligado e sendo usado por um sujeito de óculos ao qual reconheceu sem nenhum esforço como sendo Herbert Vianna, guitarrista e líder dos Paralamas do Sucesso.
Achou melhor não falar nada já que a banda do cara era uma das atrações principais da noite e estava então capitaneando de alguma forma a chegada das bandas brasilienses ao sul/sudeste do país.

Porém, mais tarde quando o dono do equipamento, Philippe Seabra foi passar seu som e ensaiar um pouco descobriu que seu pedal de efeito predileto não estava funcionando. Ficou puto da vida e quando ficou sabendo que quem mexera nele por último tinha sido Herbert, resolveu ir tirar satisfação.

-Poxa! Será que ele fez isto porque colocamos o nome dele no meio “Minha Renda”? – pensou.
A canção em questão questiona a forma como alguns produtores queriam tratar o nascente rock brasileiro e a primeira vista a menção ao nome do guitarrista dos Paralamas não parecia lá muito elogiosa.
Mas Philippe foi assim mesmo, nem que fosse só para espairecer a raiva.
Viu Herbert de longe, sentado e de cabeça baixa e foi chegando e pensando em dar um pito no “baixinho”.
Só que quando encostou o paralama já se levantou e foi falando em um tom pouco amistoso:
-Quer dizer que você tá dizendo por ai que fui eu que estraguei seu pedal? Quem foi que te disse isto? Por que eu faria uma coisa destas?
Herbert de pé era bem maior que Philippe e mais corpulento e agitado ficava assustador.
Seabra só conseguiu balbuciar que estava tudo bem.

Durante o show ficou com os dois pés atrás de cantar o verso que em seu pensamento havia deixado Herbert bravo.
Quando chegou a hora, mandou:
“(...) Vou mudar meu nome para Herbert Vianna.”
E com os olhos procurou por Herbert que estava ao fundo da lona com um sorriso satisfeito e encantador.
Mais tarde soube Herbert havia adorado não só o verso, mas todo o repertório da banda, cantando - inclusive - o verso na gravação original do disco.
E muito mais tarde ainda, recebeu um pedal novo em folha, igualzinho ao que havia sido quebrado junto com a confissão:
-Cara, tinha sido eu mesmo, desculpa aê!

1 de mai de 2014

Lira dos vinte anos

Óbvio.
Você tem mais de vinte anos e viu Senna correndo.
Formou seu gosto pela F1 assistindo o brasileiro ganhar e se acostumando (muito mal, diga-se) a se sentir o torcedor do país mais importante do mundo do automobilismo.
Depois dele, algumas vitórias - não muitas - e a saída do país do rol dos protagonistas.
Se você não é um aficionado pela coisa – e não se envergonhe, nem todo mundo é – provavelmente deixou de ver regularmente as corridas e, claro, sente saudades deste tempo.

Mas, e os realmente loucos pela coisa ou os que não viram “ao vivo”? Sentem saudades também? Claro!
Dentre estes há aquele grupo que não considera o cara “o melhor de todos os tempos” - o que convenhamos, é uma besteira – mas são os mesmos que gostam das corridas pelo que elas são e assim sendo, sentem saudades dele por ter feito delas em seu tempo algo memorável e extremamente divertido.
Como Fangio, Clark, Hill, Ascari, Villeneuve, o pai e alguns outros mais incluindo Michael Schumacher que, ao contrário do que pensam, não inventou o domínio na F1, mas teve sim o seu por muito tempo, o que deixou o negócio chato por um lado e excitante pelo outro já que todos esperavam aparecer o cara que o bateria.
A estes sinto, mas só a idade o bateu.
Para existir um novo rei, o velho tem que sumir.

Qual o legado deixado por Senna às gerações atuais?
Além de todo o papo patriótico da bandeira nas mãos, do ídolo nacional que vingou uma pátria sofrida em domingos pela manhã e blá, blá, blá?
Não vale dizer que abriu portas... Este papel é de outro cara tão importante quanto e que ainda (e tomara que por muitos anos) está vivo.

Simples...
A F1 após a morte de Senna tornou-se obsessiva por segurança e se não se pode dizer que alcançaram a perfeição no quesito (perigoso sempre vai ser) é justo que se diga que o patamar alcançado é alto, muito alto.
Não tivesse existido aquele domingo há vinte anos muito provavelmente Senna estaria por ai (ou não, vai saber?), mas quantas outras vidas teriam se perdido?
Kubica, só para citar um exemplo, seria apenas mais um dado estatístico após aquela pancada em Montreal/2007.
Um ponto positivo na tragédia já que ninguém, absolutamente ninguém, quer ligar a TV para assistir um esporte - um entretenimento, portanto - e ver alguém perder a vida de uma forma que muito provavelmente será horrível.

Porém também há o lado negativo além da perda em si...
Esta mesma busca pela segurança tornou-se uma muleta para que outros interesses tolhessem da F1 sua competitividade natural a transformando cada vez mais em um circo “de luzes e cores” com alguma velocidade e pegas de vez em quando.
Tudo passou a ser visto como “perigoso”, “arriscado” ou “desnecessário ao espetáculo”.
De disputas às pistas.
Some-se isto a sede pela adequação econômico-ecológica e o que temos é que vemos.
Claro, não é culpa do cara, afinal, se ele pudesse escolher com certeza estaria aqui agora e o Kubica que se fodesse.
Mas é algo a se pensar... De qualquer forma: Lá se vão vinte anos...