31 de ago de 2012

A queda dentro de nós



O que é preciso para que se realizem nossos sonhos de nação?
Talvez seja necessário se fazer mudar a essência do que se convencionou a chamar o povo brasileiro. É preciso mudar lá nos genes a nossa visão de Brasil e de seus problemas.
Dizia a antiga piada de que nossa catástrofe natural é a classe política. De que eles são tão devastadores quanto os terremotos, furacões e maremotos que atormentam outros países e continentes.
Penso de forma diferente: o mal do país está em nós, naquele gene “mau caráter” que se esconde em nosso DNA e que se desenvolve e aparece quando sabemos que estamos errados e ainda assim tentamos levar vantagem em algo.
Quando nas pequenas coisas usamos de artifícios para nos darmos bem, ou pelo simples fato de sermos malvados gratuitamente. Como aquele motorista de ônibus que mesmo com o farol fechado para si acelera o coletivo e força os pedestres a apressarem o passo ao atravessar a rua.
É esta a nossa singularidade enquanto povo tal como o “ão” é uma singularidade de nossa língua e que me faz duvidar daquela história de “brasileiro é um povo ordeiro”. É lobo. Infelizmente:
É seu próprio lobo.
Se não pensemos: o político corrupto é senão espelho de nós mesmos. É aquele pequeno gene “mau caráter” de nosso DNA elevado à nona potencia e embriagado pelo poder. Que como nos ensinou Lord Acton, corrompe.
Melhor pensar direito.
Existe uma grande inversão de valores que nos faz ficar admirados quando alguém é tido como ‘honesto’. Como se ‘ser honesto’ não fosse a nossa primeira obrigação! Agora já nos parece normal quando se apresentam senadores, deputados, vereadores, empreiteiros e mesmo cidadãos sem cargo que não conseguem explicar origem de seus bens. Nem conseguem afastar suspeitas que pairem sobre si.
Achamos normal no sentido de que isto não nos choca mais, não nos escandaliza.
Como também não nos chocam professores que não sabem ensinar, policiais que se valem do ofício em beneficio próprio, gente que usa o Estado em benefício próprio...

É necessário que mudemos dentro de nós esta visão, que cobremos de nós mesmo mais compromisso com a verdade e com a honestidade. Fazer com que esta particularidade tão nossa de querer se dar bem sempre se reverta em querer o bem coletivo.
Somos nós que votamos. Somos nós que elegemos. E somos nós que não sabemos escolher.
Falta-nos o discernimento para analisar nomes, propostas, biografias e perfis. Façamos nossa parte. Prestemos atenção ao que nos rodeia.
Existem tragédias que se anunciam... O mar recuando antes do Tsunami; A calmaria antes de uma tempestade; A campanha, como é feita e como se desenvolve antes de uma eleição.
Mudemos nós, aproveitemos a liberdade que temos para poder discutir, analisar e escolher, mas principalmente aproveitemos o momento para rever nossos próprios valores.
Façamos nós o nosso melhor para que se reflita em todos – que estes façam igual – e que isto se torne comum a todos.
Como nosso “ão”.

Mas se nós temos planos e eles são/o fim da fome e da difamação/porque não pô-los logo em ação?/tal seja agora a inauguração da nova nossa civilização/tão singular quanto o nosso ão e sejam belos, livres, luminosos/ os nossos sonhos de nação.
Lenine in ‘Ecos do ão’


30 de ago de 2012

Permitam-me definir beleza em dois atos.


Primeiro: Spa-Francorchamps
É ou não é lindo?

Quem gosta de automobilismo, gosta de Spa. Não há como dissociar.
A pista é um espetáculo, sempre foi. E mesmo agora em que com o passar dos anos, por necessidades nem sempre inerentes ao automobilismo ou a competição a pista foi sendo –pontualmente – modificada, nem assim conseguiram tirar a majestade desta seqüência de subidas, decidas, curvas para os dois lados, freadas fortes e muito flat - out no acelerador.

Começa-se pela La Sorce. Travadissíma e que faz com que a largada seja muito, mas muito mais tensa do que normalmente é. Com chuva então é quase um desafio de Titãs.
Não é raro que os pilotos usem – sem vergonha alguma – a área de escape desta curva.
Logo desembocam em uma reta em descida que precede um mito das curvas.
Eau Rouge não é apenas uma curva, é uma entidade.
Vencer a Eau Rouge com o pé em baixo é como chegar ao topo do Everst.
Berger disse que: “-enquanto se desce a pequena reta, a cabeça diz que não é possível contorna-la de pé embaixo. Mas o coração diz que sim e grita por isto como se fosse vital!”.
Nunca estive lá, claro, mas não duvido desta descrição.
A descarga de adrenalina no cérebro deve ser tão forte que apaga qualquer tentativa de raciocínio lógico em prol de uma “segurança” que lhe tiraria preciosos décimos de segundo.
Em resumo: Eau Rouge é para homens!
Ricardo Zonta que o diga...

A reta Kemmel é um trecho muito rápido e bonito, como todo o circuito é bonito, mas é onde se vê que o circuito é também uma bem urdida mistura de velocidade e inteligência na preparação do carro.
E foi nesta reta que Mika Hakkinen fez de bobo o grande Schumacher ao ultrapassá-lo usando como pivô Ricardo Zonta. Schumacher nunca imaginaria uma manobra daquelas e o brasileiro menos ainda. Uma das manobras mais bonitas da história deste esporte.

Diferente de Monza, onde se pede um bólido quase sem asas para aproveitar as retas, Spa pede um refinamento aerodinâmico que não impeça o carro de ser indescritivelmente rápido nas retas, mas também nas curvas.
E é no fim da Kemmel que vem a primeira prova disto: a seqüência Les Combes vem com uma freada tão forte que os estômagos mais sensíveis jogariam para fora o almoço de dois dias atrás.

A Rivage, Malmedy, Pouhon, Fagnes e Paul Frere são em descida, já dentro da histórica floresta de Ardennes, onde na Segunda Grande Guerra travou-se muitas batalhas sangrentas.
A batalha aqui é manter-se vivo e rápido o suficiente para ganhar tempo e força para encarar a subida que desemboca em outra lenda do automobilismo: a Blanchmont..
De pé empurrando o pedal do acelerador até tocar o assoalho do carro a curva é diabolicamente rápida e muito traiçoeira.
Um milésimo de distração e se é apresentado à barreira de pneus que tenta fazer a segurança do local.

A nova seqüência denominada de Bus Stop nada tem com a original. Na verdade é uma chicane das mais comuns, diferentemente do que era alguns anos atrás quando realmente se parecia com uma parada de ônibus.
O enquadramento da TV naquela época mostrava a dificuldade de fazer a chicane.
O carro vinha totalmente acelerado na saída da Blanchmont, freava muito forte e guinava para a direita, uma pequena reta e outro golpe no volante para a esquerda e tome aceleração...
Ayrton Senna fechou sua volta rápida em 1991 com fantásticos 1:47:08, na pole.
E some-se a tudo isto a sempre presente possibilidade de chuva, que se não no traçado todo, ao menos em algum ponto da pista. O que é ainda mais complicado.

E ainda há quem diga que o circuito original era ainda melhor! Para os que duvidam, fica aqui a sugestão. Veja a seqüência da corrida belga do filme Grand Prix, de John Frankenheimer.
A corrida que ele retrata lá á de 1966, com o circuito original.

Segundo: On a melancholy hill

'Cause you are my medicine, when you're close to me... When you're close to me.

29 de ago de 2012

Fórmula elétrica? Vai dar apagão


Veja ai se consegue se lembrar.
Aquela junção (ridícula) do automobilismo com futebol da Superleague formula, lembra?
E a A1GP?  Em que os carros eram pintados com cores de países, lembra?
Era de propriedade de um parente do Speeder...
Ou ainda aquela ideia meio maluca de colocar ex-pilotos de F1 para andar a mais de 200 por hora, mesmo os que já passavam dos cinquenta anos de idade? Grand Prix Masters, se não me engano.
Pois é... Nada vingou.

E não vai ser esta nova categoria oficializada pela FIA, a tal Formula E, que chega erguendo a bandeira de “categoria verde” que vai vingar.

Primeiro: O treco é movido por eletricidade.
E para gerar eletricidade é necessário construir usinas.
Sejam elas hidrelétricas monstruosas ou os cataventos das usinas eólicas, de qualquer forma vai se mexer com ecossistemas, seja desviando cursos de rio, inundando áreas inteiras ou influindo na rota migratória de pássaros.
Isto sem falar nas usinas nucleares e seu lixo que tem de ser enterrado e quando dá merda...
Limpa, limpa, não é não...
Então, verde é o cacete!

Segundo: O barulho do motor.
Vamos comprar uma destas e montar um carro
Aquelas jostas - como se pode ouvir nos vídeos - usam motor que tem som de furadeira ou parafusadeira, ou seja, apenas um ruído irritante que em vez de nos transportar a um mundo de potência vai nos lembrar das coisas que nossas mulheres querem que penduremos nas paredes e ficamos protelando por anos...

Terceiro: O cheiro...
O cheiro da borracha queimada dos pneus em largada é algo que marca para sempre quem vai ver uma corrida... Isto pode até estar lá nesta nova categoria, mas o doce aroma da gasolina não.
E fã de automobilismo é louco por este cheiro.

E haverá a questão dos pilotos...
Ou serão manetas no calibre daqueles que pilotavam na Superleague, que sequer conseguiam fazer a chicane no fim da reta de largada de Monza, ou entulhos e rejeitos de outras categorias como Narain Indiano, Kazuki, Ho Ping Tung...
Isto sem falar em ex-pilotos em atividade como o boquirroto do 1B.
Mais uma categoria pra ele mendigar lugar.

Como se vê tudo joga contra.
Será um fiasco... Com FIA maiúsculo.

28 de ago de 2012

A onda dos irônicos


Tem uma onda rolando nas redes sociais em que fotos de gente famosa ou nem tanto são agregadas a frases “engraçadas” ou irônicas.
Grande ícone da brincadeira talvez seja o Willy Wonka Irônico, em que o personagem principal da primeira versão da Fantástica Fábrica de Chocolates aparecia desancando alguns lugares comuns da “intelitzensia” interneteira. Desde socialistas de botequim, aqueles que bradam contra as empresas que “escravizam” seus funcionários pagando salários baixos, mas não abrem mão dos seus produtos Apple ou Samsung, até torcedores de futebol hipócritas...
As mais recentes são uma em que aparece a garota dos palitos de dente sendo mal educada ao responder perguntas e o apresentador do Top Gear, Jeremy Clarkson, ironizando proprietários e supostos conhecedores de carros.
A brincadeira é legal, embora às vezes torre o saco de forma rápida.

Fico imaginando aonde chegarão com a ideia, se é que vai continuar por muito tempo.
Algumas que podem aparecer ainda...

Uma mulher qualquer com aquelas calças legging que deixam qualquer mulher bunduda com a seguinte frase:
“-Comprou um legging tamanho P e ainda ficou frouxa na bunda.”

Um magrelo mordendo um big sanduba:
“-Come X-tudo na padoca e pra manter a forma pede junto refri diet”.

Um ambientalista:
“-Ama a natureza, mas todo ano diz que vai cortar a árvore que suja o quintal com folhas secas”.

E ai?  Alguma ideia? Coloca ai nos coments.

27 de ago de 2012

Man on the moon?


Neil Armstrong foi à lua... Bom para ele. Acho...
Tem gente que duvida, diz que é armação americana.
Não sei para que.
Qual a vantagem em se engambelar o mundo alardeando ter ido para um lugar tão ermo, sem ar, sem cerveja e sem graça quanto à lua?

Gastar uma caralhada de dinheiro para fazer voar um foguete (porque o foguete decolou e isto não teve como simular) levando gente e correndo o risco de explodir para - daqui da terra - fingir que pousaram no satélite natural da terra?
Besteira...
Depois daquela história dos milhões de dólares gastos para desenvolver a caneta que funcionasse em gravidade zero enquanto os russos apenas levaram um singelo lápis para o espaço. Duvido que fizessem algo do gênero correndo o risco de serem descobertos e passarem a história não como os grandes empreendedores, mas sim como os grandes farsantes da história.

Mas dizia que foi bom para o Sr. Armstrong ter ido à lua.
Poucos estiveram por lá e penso sinceramente que poucos irão.
Até porque, como disse, o lugar é sem graça, mas valeu pelo pioneirismo da empreitada.
E valeu também para que o Sr. Armstrong tivesse seu nome escrito definitivamente na história desta pobre humanidade que descobriu como chegar a outros planetas, mas não resolveu problemas tão simples como fome, distribuição de renda e preconceito racial e a cura da gripe...

Nada contra o Sr, Neil, mas para mim, faz muito mais falta outro Armstrong...
Ainda assim, que a terra lhe seja leve.

24 de ago de 2012

O incidente do espaguete?


Em 1990 o Guns`n`Roses era a maior banda de rock do mundo.
Claro que há controvérsias na frase, mas a bordo do excelente – ainda que pretensioso – par de álbuns duplos Use Your Ilusion, era impossível não conhecer a banda ou ficar impassível a sua exposição na mídia.
Porém não é difícil enxergar sua importância no cenário da época.
Basta lembrar a quantidade de bandas que de uma forma ou de outra os imitaram: Skid Row, Bon Jovi, Extreme, Motley Crüe, Poison... 
Muitas, graças aos deuses do rock (e a Kurt Cobain) não passaram de um ou dois discos de sucesso e caíram no ostracismo, ou, na melhor das hipóteses, ficaram na ativa apenas em seus nichos.

Por tudo isto, Roberto Medina e a sua Artplan – esperta e acertadamente – contratou o Guns como a principal atração para a segunda edição do Rock in Rio que aconteceria no mês de Janeiro de 1991 no estádio do Maracanã.
Tocando nas rádios a exaustão, eram alvo dos gritos histéricos das meninas que surfavam na onda do hard rock, mas admiravam muito mais as formas do cantor – que ainda não eram redondas – do que sua música. Ossos do oficio.

A banda então fez as exigências de praxe e entre elas, uma farta macarronada para ser servida nos camarins da banda e depois de tudo acertado, aterrissaram por aqui e fizeram o que melhor sabiam.
No dia 20 de Janeiro fizeram a primeira apresentação fechando a noite no festival – seriam dois shows sendo o outro na noite do dia 23 – e não decepcionaram nem os fãs (de verdade) da banda e nem as menininhas histéricas.
Após o show a banda e sua equipe se mandaram para o hotel onde estavam hospedados deixando para trás o vocalista Axl que queria deixar o estádio só depois de tomar banho.
Então Amin Khader, que era o responsável pela coordenação da equipe que cuidava dos camarins das estrelas percebeu que a tal macarronada estava lá ainda. Intocada.
-Você quer que eu mande entregar e servir a macarronada no hotel? – perguntou à Axl.
-Quantas pessoas você tem na sua equipe? – quis saber o cantor.
-Umas quinze... – respondeu Amin.
-Então pode chamar todos eles para jantar comigo aqui no backstage. – disse Axl para o agora espantado Khader.
Assim foi feito e ninguém ficou de fora: camareiras, copeiras, garçons, seguranças e varredores, todos se sentaram à imensa mesa preparada por Amin nos bastidores e jantaram com Mr. Rose.

Quando lá pelas tantas o chefe Roberto Medina apareceu e viu aquela cena digna de um filme de Federico Fellini lançou um olhar de reprovação fulminante.
Amin então se levanta com uma taça de vinho tinto à mão e convida: “-O senhor não quer se sentar conosco e jantar com o Sr. Axl?”.
Só então Medina viu quem estava à cabeceira da mesa e quase caiu para trás.
Em tempo: não há registros que dêem conta se Medina participou ou não do banquete e – curiosamente – o próximo álbum da banda levaria o nome de The Spaghetti Incident?
Vai saber...

22 de ago de 2012

Futurologia F1: Mercedes


O blog do amigo Marcelonso diz que a Mercedes estuda fazer uma reengenharia em sua equipe de F1.
Quando uma montadora diz: “fazer reengenharia” ela quer dizer mesmo é “sair da categoria.”, e na Mercedes a coisa parece mesmo caminhar pra este lado.
Três anos após comprar uma equipe campeã – ainda que naquelas... – o saldo é negativismo: uma vitória apenas.
Fala-se pelos lados da equipe germânica que, a principio, eles ficariam apenas fornecendo motores e sua equipe ficaria a cargo apenas da AMG, que é responsável pelos veículos de alta performance da marca, ou seja, deixaria de ser um time oficial.

Em um exercício de futurologia digno de Pai Tião, o e-macumbeiro, oficial do blog, apresentamos as manchetes que aparecerão em sites, jornais, blogs, facebook e twiter do fim do ano de 2013 até o fim do ano de 2014.


17 de Novembro de 2013: Mercedes deixa a categoria.
Agora é oficial. Após temporada extremamente ruim e sem marcar um ponto sequer, A Mercedes AMG Petronas anuncia que deixará a categoria, permanecendo apenas como fornecedora de motores às equipes clientes.

18 de Novembro de 2013: Mercedes não sabe ainda o que fará com espólio da equipe.
Mercedes estuda forma de não fechar a equipe e preservar empregos. Uma das hipóteses é deixar a fábrica e os funcionários sob o controle da AMG, preparadora de veículos oficial da marca.
O alto escalão da empresa não se pronunciou sobre o assunto.

25 de Novembro de 2013: Sem acordo.
AMG não aceita condições da Mercedes para gerir equipe de F1. O diretor da AMG responsável por dar andamento nas negociações não quer ficar obrigado a manter staff técnico do time: “-Porque vou insistir com gente que não deu resultado por três anos seguintes?”.
A incógnita sobre o futuro da equipe continua.

16 de Dezembro de 2013: E fica tudo para o ano que vem.
A Mercedes deu férias coletivas a todos os funcionários da equipe de F1 e o mais provável é que quando voltem ao trabalho não encontrem mais os logotipos da equipe tedesca. Comenta-se na Europa que apenas um Management buyout nos moldes do caso Honda/Brawn salvará o time e os empregos. Inclusive dos pilotos.

20 de Dezembro de 2013: Schumacher joga a toalha.
Em face da indefinição do futuro da equipe, Michael Schumacher anuncia sua retirada oficial da F1. O hepta campeão do mundo disse em entrevista que não quer mais comprometer sua credibilidade. “-Anos e anos de bons resultados seguidos por um retorno em que, muito por conta do carro, não consegui uma vitória sequer, acho melhor me aposentar de vez. Não estou mais a fim de aventuras e nem quero ficar na F1 apenas por ficar...” – disse o alemão que arrematou: “-Não sou o Barrichello!”

Com a proximidade das festas de fim de ano, não houve novas noticias até um mês antes do inicio do campeonato de 2014.

1 de Março de 2014: Uma luz no fim do túnel.
Ao que parece a vaga da Mercedes está salva na F1 em 2014.
Ross Brawn tenta uma parceria com a Hyundai para executar novo Management buyout e salvar o espólio da Mercedes.
“-Não, a nova equipe não será uma repetição da Brawn, não esperamos os mesmos resultados.”

3 de Março de 2014: Negócio fechado.
A montadora Hyndai e Ross Brawn fecham negócio e ficam com o espólio da equipe de F1 da Mercedes. A nova equipe contará com todos os profissionais – Brawn inclusive – da antiga equipe e com Nico Rosberg como piloto. A segunda vaga ainda não foi decidida.

5 de Março de 2014: Barrichello se oferece.
Após declarações e mais declarações de que gostaria de voltar para a F1, o veterano Rubens Barrichello joga novamente suas cartas e diz a Brawn que está no melhor de sua forma e aceitaria – mesmo sem ter sido convidado – pilotar para a nova equipe ainda sem nome: “-Eu não sou como aquele outro lá, que por conta de três anos ruins resolve se aposentar... Eu estou aqui pra vencer!” – declarou.


10 de Março de 2014: E nasce a Fênix F1 Team.
Finalmente a equipe de Ross Brawn é incluída oficialmente no campeonato deste ano sob o nome de Fênix F1 Team e contará com motores Hyundai, Nico Rosberg e – incrivelmente – Rubens Barrichello nos cockpits.
-Aqui não teremos primeiro e segundo pilotos!– diz o brasileiro – Todos estão interessados é no sucesso do time.

O campeonato começa em 16 de Março na Austrália e a etapa é vencida por Nico Rosberg, que aliás, vencerá 11 das 20 etapas do ano ficando com o título.
As outras etapas são dividas entre Fernando Alonso (Ferrari), Sebastian Vettel (Ferrari) e Jenson Button (McLaren), A ausência de Lewis Hamilton se dá pelo fato de ter preferido assinar com a Nascar.

20 de Janeiro de 2015: E a história se repete.
A Hyundai, montadora coreana compra a Fênix F1 Team e entrará no campeonato de 2015 com uma equipe própria.
Manterá Nico Rosberg como primeiro piloto, agradece Rubens Barrichello e – sutilmente – sugere que se aposente.
“-Obrigado ao Rubens por ter ajudado Nico a se firmar como grande piloto. Esperamos que não tenha problemas com o INSS de seu país...”.

21 de ago de 2012

Semana do folclore também na F1


Estamos na semana do folclore e por todas as escolas de educação básica do país os professores estão mostrando às crianças algumas figuras curiosas como o Curupira, a Iara, Saci Pererê, Boitatá e outros trecos esquisitos.
Aqui não...
Como diria Muricy Ramalho, técnico do Santos: “-Aqui é F1!”.
E assim sendo as figuras folclóricas são bem outras...


O Piloto sem cabeça.

No folclore brasileiro há um ser que é uma mula que não tem cabeça e em seu lugar sai uma labareda de fogo e que corre pelas florestas assustando caçadores.
Na F1 tem uma mula que também não tem cabeça.
Não tem labareda de fogo, é verdade, mas é tão mula quanto.
Dizem que aparece nas corridas e espanta pilotos.
Lewis Hamilton jura que já viu e conta com o apoio de Sérgio Perez.


A serpente adormecida...

No folclore maranhense tem a figura da cobra gigante que dorme ao redor da ilha de São Luiz e que se for acordada, abraçará a ilha por baixo da água fazendo com que a cidade afunde no mar.
Há quem diga que quando a família Sarney está toda em São Luiz, o povo faz muito barulho na intenção de acordar a serpente, mas – infelizmente – o bicho tem sono pesado ou é comprado pelo clã do bigodudo...
Já na F1 a serpente adormecida parece que já acordou...
E é cobra mesmo, tanto no talento quanto no temperamento, mas a diferença básica é que enquanto a maranhense tem que acordar para afundar algo, o da F1 não pode é dormir.
Se dormir, outra figura folclórica – o alemãozinho do pastoreio – é que afunda a Ferrari...

A Caapora.

Com gritos sobrenaturais a Caapora assusta caçadores, contrabandistas de madeira e de animais.
Na F1 tem o Caaipira...
Com declarações do tipo: “Ainda sou o mesmo”, “Eu quero ganhar”, “Sou velho, mas ou veloz”, “Sou só um brasileirinho contra este mundão todo”, “Um dia saberão a verdade” e a mais recente, “Meu coração ainda sangra...”, assusta e afasta torcida, imprensa e qualquer um que tenha bom senso e não tem saco para aguentar tanta besteira por tantos anos...

20 de ago de 2012

Curtas de mau humor


Bela vitória de Nelson Ângelo Piquet como, aliás, toda vitória é bela.
Mas por que catzo resolveu vencer só depois que abandonou o automobilismo?
Se Nascar (primeiro time, nationwide ou sei lá como se chama aquilo) já não é automobilismo, imagina a truck séries?
E isto, veja bem, não é só a opinião deste escriba.
Pergunte ao Nelsão o que ele acha de oval...

Felipe Massa diz que não é a primeira vez que tem dificuldades para negociar renovação de contrato.
Verdade...
Da última vez ele pediu um pouco mais que a Sauber queria dar e para resolver ele cedeu...
Agora a coisa meio que se inverte.
A scuderia está pedindo muito mais do que ele pode fazer...
E duvido que um dos dois vá ceder agora.

Interessante ler em alguns sites que após vitória na Hungria, Lewis Hamilton dá sinais de amadurecimento.
Fãs do cara e jornalistas sem pauta são todos iguais.
Faz merda o ano inteiro, ai vence uma e pronto, já é o bam bam bam novamente.
Mas, na boa? O cara melhorou.
Aos poucos vai largando o osso para pegar as carnes.
Só não precisava deixar ser fotografado com as barangas.

17 de ago de 2012

F1 nos EUA? They don't care


A F1 não atrai muito a atenção dos americanos e ao que parece nem os carros de fórmula de uma maneira geral.
Tentando imitar Mônaco?
Tanto que a F-Indy, categoria local com fumaças internacionais (uma corrida no Brasil e outra no Japão) perde em popularidade para o futebol americano (aquele dos armários que se chocam), basquete (o melhor esporte do mundo), Nascar (stock car com pilotos velhos, gordos ou simplesmente ruins de braço) e até do hóquei no gelo (que de tão bizarro, nem parece esporte).
Ainda mais depois do vexame de 2005, com uma largada de apenas seis carros no grid. Na verdade: quatro, já que dois não podem ser considerados carros ainda hoje.
E o mais impressionante: apenas um piloto de verdade. Os outros cinco eram – com muito boa vontade - apenas motoristas que às vezes excedem a velocidade.

Recentemente, na tentativa de criar algum interesse no povo do Tio Sam – ou atrair a audiência de hispânicos e estrangeiros em geral – os donos da categoria máxima do automobilismo resolveram tentar – de novo - se arranjar na América.
Primeiro incentivando a construção do “Circuito das Américas” em Austin, Texas, que quase furou por diversas vezes, mas parece que agora o tilkão vai mesmo ficar pronto para sediar o GP dos EUA do ano que vem.
E logo depois começou a se falar em uma corrida de rua em New Jersey, uma espécie de Osasco ou Niterói de Nova York.
Ciclistas nem ai...

Agora a Red Bull, uma das principais equipes da F1 na atualidade, engendrou uma campanha publicitária que visa não só divulgar a marca, mas também chamar a atenção para a corrida do ano que vem.

Porém o que se vê nas fotos da campanha (aqui espalhadas pelo texto) é a mais pura tradução do sentimento americano pela F1: desprezo.
O carro dos bois vermelhos passam por avenidas, túnel e nada.
Em uma delas – a mais emblemática, um aposentado prefere muito mais ficar olhando as calmas águas do rio Hudson a virar o pescoço para ver bólido passando.
Nem sei se tem peixe no Husdon, mas o F1 não chama a atenção mais que o rio.

A impressão que dá é que a cada vez que se fala em corrida de F1 por lá o pessoal canta em coro uma velha canção dos Ramones: “-I don’t care about this world/ I don’t care!”.


16 de ago de 2012

Voa?


Estes dias li um artigo, sei lá onde, sobre a vitória do bumdamolismo... Me recuso a capitular e reconhecer tal vitória. 
Por isto vou dar um re post neste texto...

-Tio, me ajuda com uma coisa?
-O que cê precisa?
-Eu quero escrever um e-mail.
-Te ajudo sim... Mas, quer que eu escreva o e-mail pra você?
-É!
-Pra quem é?
-Pro Luan Santana.
-Quem?
-O Luan Santana, tio... O cantor que eu mais gosto!
-Mas não era do Reestart que você gostava?
-Era... Mas aquilo é muito ruim... Coisa de criança.
-Ah, e você com seus onze anos é muito adulta, né?
-Vai me ajudar ou não?
-E por que você mesmo não escreve?
-Quero que fique bom.
-Tá... O que quer que eu escreva?
-É assim... Tem uma promoção que pede para gente dizer no e-mail o que mais impressiona no show dele... Quem escrever o melhor texto ganha um dia junto com o Luan e ainda vai ver o show do palco! Não é o máximo?
-Bem... Pra quem gosta... Mas como posso te ajudar? Nunca vi este cara. Nem sei quem é.
-Eu mostro. O you tube tá cheio.
-Mas não devia ser o que você sente?
-Ah, tio... Mas eu sou fã... Vou escrever como fã e vai ficar igual a todas as outras fãs que entrarem na promoção, tipo: te acho lindo, você é demais, sua música é maravilhosa... E eu não quero isto. Então to pedindo sua ajuda, que tem outra visão e pode escrever algo diferente. Assim eu acho que tenho mais chance.
-Tá bom... Me mostra o vídeo do cara então...

A menina se senta em frente ao computador e com dois cliques já apresenta ao tio um vídeo em que o cantor voa sob a platéia pendurado em fios.
Ele nem presta atenção na música, horrorizado com a baixa qualidade artística da coisa.

-E ai tio, gostou?
-Precisa responder?
-Não precisa... Mas vai fazer?
-Vou...
-Tá, então vou abrir o e-mail, por o endereço pra onde vai e você escreve direto lá tá? Quando terminar pode enviar. Eu vou sair com a tia para ir ao mercado.
-Tá bom...

Então ele senta-se frente ao teclado e começa a redigir o e-mail.
-Caro Luan Santana, ao ver seu vídeo – aquele em que você sobrevoa a platéia – fiquei impressionadíssimo. Nunca tinha visto nada parecido e o que mais me impressionou foi a quebra de paradigmas inserida na cena, afinal foi a primeira vez que vi um viado voar...

Até agora a menina não recebeu resposta....

15 de ago de 2012

Quando a paixão vira vexame


Já passava das três da madrugada e o silêncio era quase palpável.
A separação, que aos olhos do mundo era o caminho natural, mas aos seus próprios havia sido traumática.

A verdade é que a relação estava desgastada pelo tempo.
Nada dura para sempre e pior ainda quando o amor é unilateral.
E era o caso.

Dezenove anos de relacionamento.
Não se pode dizer que não houve bons momentos. Onze, para ser mais exato.
E o resto do tempo foi preenchido por polêmicas bobas, desculpas esfarrapadas, ameaças, momentos de ódio e juras de amor.
De tanto repetir roteiro, cansou, esgarçou, roeu a corda e o inevitável aconteceu.

Ela seguiu sua vida, dizem que em tanto tempo nunca esteve tão bem, apesar da aparente artificialidade.
Ele, bem... Sem outro jeito, se enveredou por outros relacionamentos e até procurou – ou foi procurado, não se sabe direito dos detalhes – alguém parecido fisicamente, mas de temperamento e personalidade completamente diferente.
Até se pensou que, por algum tempo, que estava feliz. Se não feliz, conformado ao menos.
Ledo engano.

Logo começaram as velhas manias: polêmicas, as pequenas brigas, as desculpas, as juras de amor...
Mas na verdade era tudo apenas ilusão, no fundo nunca havia esquecido aquele relacionamento.
E todos sabiam. Só esperavam o momento da explosão e então ele se deu.
Aparentemente movida a álcool
Naquela madrugada já passando das três da madrugada.
-Voxês são meush amigosh, Bonsh companheirosh..

-Amor! Eu te amo! Meu coração ainda sangra por eu não estar ai com você. Sei que poderia ensinar ainda muita coisa para os guris... Eu ainda sonho com a volta à você...
-Rubens?
-Sim, sou eu!
-Me esquece Rubens, vai viver tua vida... E por favor, não dá mais declaração depois de beber... Assim você me envergonha.
-Mas eu não bebi!
-Antes tivesse bebido... Ao menos tinha razão para desculpa. Mais uma...

14 de ago de 2012

Mantendo a personalidade, sempre


Uma das maiores virtudes de um homem é o poder de manter sua personalidade intacta em qualquer que seja a ocasião.
É horrível ver um cidadão se moldando igual água em pote apenas para agradar.
Nada mais odioso que um cara que ao se sentar em uma mesa alheia elogia o fígado frito mesmo odiando a iguaria.

Chega a ser nojento a pessoa ter que se vestir a caráter para ir a um determinado local apenas porque é moda.
Um exemplo?
Um ser tipicamente urbano, criado à fumaça de diesel saído dos escapamentos dos ônibus das grandes cidades que no fim de semana veste calça apertada, cinto com fivela enorme, botas, camisa xadrez e um descomunal chapelão e sai arrastando erres para se parecer com cantor sertanejo.
E faz tudo isto apenas porque “as muié gosta.”
Total falta de personalidade.

Em suma, é uma merda fingir que é outro apenas para agradar. Seja lá uma mulher, uma empresa, uma platéia ou mesmo apoiadores e patrocinadores.
Estes então...
Para que agradar apoiadores e patrocinadores tentando fazer algo que não é verdade?
Principalmente se eles já apóiam e patrocinam. Afinal, se colocam grana na carreira ou projeto é porque já conhecem o bastante para isto e não é dissimulando imperfeições que se garantirá a continuidade da coisa.
Estou certo?

É por isto que gosto de Pastor Maldonado...
Fez em uma exibição nas ruas venezuelanas - diante dos comandados de Hugo Chávez, aquele que assina os cheques que vão parar nas mãos de sir Frank Williams e da população que dá o dinheiro – exatamente o que tem feito nas pistas ao redor do globo quando é para valer: rodou, bateu e quebrou uma Williams.
Personalidade mantida.

13 de ago de 2012

A gente bronzeada não quer só bronze


E acabou a festa olímpica em Londres.  Agora começa a contagem regressiva para os jogos no Rio e junto com ele o ufanismo cego e a hipocrisia oficial em dizer que no Rio em 2016 poderemos – finalmente – despontar como potência olímpica.
Balela, falácia, besteira, burrice e mentira.

O Brasil nunca será potência olímpica nem que se faça uma edição dos jogos a cada dois anos em seu território.
E não é pela falta de vontade de seus atletas, mas pela forma como o esporte é visto pelo governo e por parte da sociedade: assistencialismo para evitar que os pobres se tornem problemas.

Não é raro encontrar “incensados” declarando que o esporte é o único caminho para livrar os jovens dos perigos da rua.
Ok! Também, mas não só isto.
O esporte tem que ser visto como possibilidade de carreira que gera lucro e ascensão social.
Muito mais que apenas uma tábua de salvação.

Não se deve incentivar o esportista apenas para que ele não vá para o desvio e sim para que ele vá além. Brilhe e vença na vida.
A história manjada de que em um projeto esportivo qualquer não se espera que saiam muitos atletas vencedores, mas muitas boas pessoas.

Boas pessoas devem sair dos lares com a educação dada pelos pais e das escolas com uma instrução de qualidade e verdadeiramente democratizada. Para todos, sem cotas, sem trambiques financeiros, sem protecionismos. Mas por uma meritocracia real.
Dos projetos esportivos tem que sair bons atletas vencedores e campeões.

Sem isto, continuaremos louvando décimo quinto lugar ou na melhor das hipóteses medalhas de bronze como o supra-sumo do esforço, como “o melhor que podemos fazer”.
Não é esta a mentalidade de uma potência, mas sim de um país que como dizia o genial Nelson Rodrigues: “-Tem complexo de vira latas.”

10 de ago de 2012

Caetano, 70 e ainda corajoso.


Só pelo fato de ter sido um dos responsáveis direto pelo último movimento cultural original brasileiro, a Tropicália, já teria garantido um lugar na galeria da fama dos melhores artistas brasileiros.
Ame ou odeie, fato é que não se fica impassível ante a figura e a obra de Caetano Emmanuel Viana Telles Veloso que nesta semana completou setenta anos de vida.

Caetano é corajoso, lançou discos geniais enquanto ainda no exílio e de volta ao país ataca com uma obra tão experimental (Araçá Azul) que liderou por muito tempo a lista dos discos mais devolvidos no país.
Coragem que mostrou ao formar uma banda de rock para acompanhá-lo na gravação e na turnê de divulgação do álbum Zii e Zie.
Coragem que outro ícone da canção brasileira nunca teve e prefere seguir cantando seus detalhes com orquestra em especiais globais.

Também mostrou coragem ao defender coisas que o “bom gosto” geralmente execra.
Flertou com o rock e as guitarras elétricas quando a ordem era ser “purista”
Flertou com a latinidade – desde sempre é verdade – quando a onda era ser americano ou inglês.
Enxertou trechos de funk carioca em seus shows, cita kudurus e quetais ao mesmo tempo em que ergue bandeira pela bossa nova.
Sempre se disse discípulo de João Gilberto, mas apoiou e cantou Roberto e Erasmo causando a ira dos bossanovistas.
Sem contar a coragem gravar um disco inteiro com Maria Gadú, coisa que fosse outro não mereceria perdão...

Ousa escrever música popular com letras complexas em um país que consome – forçado ou não – lixo populista que trata o ouvinte como retardado mental.  
O Quereres, Rapte-me Camaleoa, Jeito de Corpo, Outras Palavras, Fora de Ordem ou O Estrangeiro são bons exemplos.
Coragem de ser narcisista e dizer a quem quiser ouvir que o que é seu é melhor.
Quem leu Verdade Tropical, um catatau bem escrito, porém muito chato, sabe bem.

Mas nada e nem ninguém define melhor o que é Caetano do que sua própria obra:
“Toda essa gente se engana/Ou finge que não vê que eu nasci para ser o Superbacana”
Vai contrariar? Eu não...
Até faço coro.

9 de ago de 2012

São o que mesmo?


-O que são os candidatos?
-Como?
-O que eles são?
-Ainda não entendi...
-Veja bem... Eu sou povo. Certo?
-Certo. Todos nós somos povo.
-Até os candidatos?
-Sim... Todas as pessoas de um país formam o povo.  O povo de um país.
-Então por que eles falam que vão trabalhar para o povo?
-Hum... É que depois de eleitos eles passam a ser representantes do povo.
-E representante do povo não é povo?
-Você está me confundindo... Sim, continua sendo povo, mas passa a ser representante dele.
-Hum... E depois de eleitos eles ficam acima do povo?
-Não, porque a lei é igual pra todos.
-Eles são eleitos pra fazer as leis só pro povo?
-Não... Servem pra eles também.
-Mas como? Eles não ficam falando antes de ser eleito que vão trabalhar pro povo?
-É... É isto mesmo.
-Mas eles não são povo também?
-São...
-Então vão trabalhar pra eles também...
-Trabalham.
-Mas por que dizem que é só pro povo?
-Eles não dizem de verdade, é só para a propaganda...
-Então eles mentem?
-Não, quer dizer... Sim... Ah! Para, que bagunça.
-Tá, eu paro, mas você não me respondeu a pergunta que eu fiz...
-O que eles são?
-É...
-São uma classe de filhosdaputa... Com todo respeito a mãe deles.

8 de ago de 2012

Quebrando o cabresto


E começou a campanha eleitoral nas ruas.
Você já deve ter ouvido ai em suas cidades as infames musiquinhas berrados por sistemas de sons instalados em carros de passeio travestidos de trio elétrico.
E tem de tudo, desde paródia de sertanejo, forró até coisas originais que são tão sem graça quanto, mas que cumprem fortemente seu papel: grudar no ouvido e fixar na mente o nome e o numero da cambada.
Nem que seja por insistência.
Aqui o hit parede dos candidatos a usurpadores, digo, vereadores tem a seguinte ordem de uso:

Em terceiro lugar está a versão do abominável tchu e tchá o que é bem apropriado porque se eleitos os safados vão fazer exatamente isto com os eleitores: tchutchá a mandioca em todo mundo e encher o tchu da grana pública.

Em segundo lugar estão os jingles que usam como base outra imbecilidade criada pelos “universitários”: o tal tchê tchererê tchê tchê.
O que mais salta aos ouvidos é a criatividade dos boçais.
Tem um moleque que resolveu apenas enfiar o nome dele no meio do refrão substituindo o “Gustavo” por “Felipe” já que o sobrenome é o mesmo. Chama a atenção o corte na “música” original suprimindo e trocando os nomes.
Já um outro ser destes foi “novador” ao extremo e mandou na lata (e na edição): “Tchê tchererê tchê tchê Tchênório representa você!”. Se não pegou a piada explico: o nome do indigitado é Tenório...

Em primeiríssimo lugar, não pela quantidade de uso, mas pela insistência que é executada – deve haver uns cinco carros de som deste indivíduo pela cidade – vem uma inusitada versão de um hit infantil, o TchuTchucão da Xuxa.
Sintam o drama...
“Dê o seu voto para o Melecão! A cidade merece o Melecão! Dê uma chance para o Melecão...”
A calhar! Político, meleca... Deveriam ser sinônimos listados no Aurélio!

Impressiona a falta de seriedade das campanhas que tratam o eleitor como retardado mental, porém, como diz o ditado, cada povo tem o representante que merece, já que tem a espingarda de matar safados – o voto - nas mãos, mas usa para dar tiro de festim ou em protestos furados votando nesta cambada.

É por isto que prefiro o Falcão que emprestou o título e o fundo musical para este texto:
"Mas na hora de votar me lembrei de "seu" Dedé, lembrei de "dona" Maria, me lembrei de "seu" Raimundo, me lembrei do meu jumento e resolvi não perder tempo votando nestes nojentos..."


7 de ago de 2012

A culpa do fracasso?


Não...
Não podemos dizer muita coisa da participação brasileira nos jogos até aqui.
As duas medalhas de ouro ganhas fizeram história: judô feminino e a ginástica, que todos sabem, não tem gênero sexual.
Histórias bonitas como aquele saltador em distância que é grande promessa para a próxima edição dos jogos aqui no Rio.
Tudo muito bem...
Esta é a parte boa.

Mas e os que perderam?
Pode-se dizer que Ciello perdeu, não?
Perdeu para gente que estava tão bem preparado quanto ele, mas perdeu. Ainda que em jogos olímpicos um terceiro lugar, medalha de bronze, jamais possa realmente ser encarado como uma derrota.
Assim como perdeu a seleção de futebol dos homens que usam saia.
Também perderam aqueles irmãos que tem cara de cavalo...
E nem queria citar a menina que salta com vara.
Em outra edição sumiram com as dela e desta vez foi o vento que atrapalhou.
Ou será que o que atrapalhou mesmo, de verdade foi ninguém ter sumido com as varas?

Conjecturas, tudo conjecturas
Mas há uma corrente que usa basicamente um argumento que explica em parte o “fracasso” da delegação olímpica brasileira nestes jogos: Culpa da TVaberta que transmite o evento.

A) A Rede Record, que detém a exclusividade da transmissão para o país, vem fazendo um trabalho amador, chato e que por vezes beira o bizarro.
 O que teria envergonhado os atletas que não gostariam de ter seus momentos de glória máxima – ganhar uma medalha de ouro olímpica! – sendo registrados de uma forma tão tosca e quase sem audiência.

B) O medo de uma vingança divina já que a emissora oficial é de propriedade de uns safados filhos da puta que vivem de explorar os mais humildes usando o nome de Deus.
Uma grande bobagem... Se Deus não pune nem os canalhas, vai atrapalhar uns simples atletas?

Também, assim a boca pequena, cogita-se que a emissora concorrente esteja mandando uns SMS para os atletas lá em Londres:
“Vai ganhar medalha de ouro né? Vai aparecer sorrindo na Record, né? Será que nos vemos em 2016 no Rio?”

Vai saber... Quem tem c*, tem medo.

6 de ago de 2012

De volta ao samba


“Pensou que eu não vinha mais, pensou...”

Mas não tiveram tanta sorte, voltei!
Aos poucos as coisas vão indo para o lugar e a vida vai retomando a rotina.
E como diz o título da canção do Chico Buarque: “De volta ao samba”.
Foram alguns dias fora e claro, a vida não parou. Foram dias de sim e não.

Não.
Não vi a corrida húngara, que diferentemente de muitos, até gosto.
-Eu se dei bem!
Sei que Hamilton ganhou.
Sei que Raikkonen chegou em segundo depois de passar o Felipe Mas... Digo... O Rubens Bari... Não... O Romain Grosjean que, no fundo, não passa de um Massa ou 1B. Só que mais feio, se é que é possível.
Não é demérito e sei que a pista magiar é mesmo complicada para se ultrapassar, mas ao menos uma tentativa deveria caber.
Pelos compactos que vi na TV, não houve nenhuma e Kimi, de quem até gosto bastante, apenas comboiou o inglês esperando um erro que não veio (surpreendentemente).

Sim.
Vi a abertura dos jogos olímpicos.
Vi uma festa que muitos caracterizaram como “fria” ou “blasé”.
Discordo.
A festa foi britânica na acepção da palavra.
Imbuída do melhor sense of humour inglês, que é tão sui generis quanto o clima na ilha. O que não é ruim, muito pelo contrário.
E ainda por cima teve doses cavalares do melhor produto que a Inglaterra tem já há muitos anos: sua música.
Não podia ser outro a dar as boas vindas.
Ao vivo teve Mike Oldfield, Artic Monkeys, e Sir Paul McCartney dando as boas vindas a todos.
E mais: Stones, Beatles, Led, Queen, Purple, Pistols, Jam, Bee Gees, Bowie, Pet Shop Boys entre outros tantos.
O desfile das delegações foi aquela coisa de sempre: países em ordem alfabética e trocentos países africanos em que a delegação vinha quase toda vestida de “tia do acarajé”.
Dezenas de países que só tomamos ciência de sua existência durante estes eventos e um porrilhão de uniformes beirando o bizarro.
Faz parte.

Já nas disputas o esperado: sim.
Esperava que os valorosos atletas brasileiros (e isto não é ironia) fazendo o seu melhor.
Sem apoio oficial, sem patrocínio e matando um leão por dia para continuar treinando de forma decente, não dava para esperar saíssem trazendo medalhas a rodo.
Até por isto é necessário valorizar muito quem as consegue.
Mesmo aqueles que – teoricamente – decepcionaram como o nadador César Cielo.
Teoricamente sim, apesar de chegar a final de sua prova mais forte como atual campeão olímpico, nadou contra gente que tanto quanto ele estava bem preparado e, porra, ainda chegou em terceiro! Quantos não ficaram pelo caminho?
Só achei meio barrichellada a desculpa de que estava cansado por ter nadado outra prova antes.
O Phelps nada uma caralhada de provas e parece não se cansar. Mais que isto, ganha quase todas...

Decepção mesmo só com a saltadora Fabiana Murer que alegou barrichelianamente o vento como razão para não saltar e - ora vejam! – o futebol feminino que estava apagado.

E por último, sim.
Precisa legenda?
Vi o início do julgamento do mensalão e estou apostando com quem quiser que não vai haver punição para ninguém e o pior, todos voltarão a vida pública do país e farão tudo de novo.
Até a indignação do grande Joaquim Barbosa cairá no esquecimento.
Nestas horas, e só nestas horas, dá vontade de ficar off line em definitivo.
Dá vergonha de ser brasileiro.

Enfim: “Acenda o refletor, apure o tamborim, aqui é meu lugar eu vim!”