31 de jul de 2015

A primeira

A primeira vitória de um piloto é sempre algo marcante, e não só para o próprio.
Vettel venceu sua primeira em circunstâncias para lá de sensacionais: debaixo de um temporal no templo de Monza com um carro bem meia boca...
A primeira de Emerson, em Watikins Glen  garantiu o título póstumo para Jochen Rindt para ficar ainda mais inesquecível.
Senna e seu show particular em Portugal...
Piquet em Long Beach na primeira temporada transmitida na integra e ao vivo no Brasil (pela Bandeirantes, chupa Globo).
Entre outras...

E lá se vão quinze anos da primeira de um personagem controverso: Rubens Barrichello.
Nem tanto pelo talento ou velocidade, muito menos pela paixão que sempre demonstrou pelo que faz, mas pelas declarações desastradas e ter aceitado – aparentemente – a patacoada emissora oficial de que ele era o substituto de Ayrton na F1 e no coração dos (mal acostumados) fãs da categoria no Brasil.
E que vitória foi aquela!

Para começar foi no templo dos motores Hockenheim que à época ainda cortava a floreta Negra com retas intermináveis.
Para completar: choveu.
Mais? Largou da décima oitava posição.
Não tá contente? Um maluco - que alguns chegaram a confundir com o padre escocês que mais tarde pararia Vanderlei Cordeiro de Lima na Maratona olímpica em Atenas – protestando contra a Mercedes adentrou a pista causando a interrupção do ritmo da prova trazendo um safety car para o traçado.
E tem mais! Quando o safety saiu da pista, uma chuva safada molhou a pista e Rubens mostrou coragem ao insistir nos pneus slicks enquanto todos procuravam os pneus de chuva nos boxes.
Coragem, destreza, talento e sorte. Tudo bem temperado só podia resultar na vitória.

As curvas finais pareceram demorar muito mais que o normal e mesmo por baixo do capacete era possível pressentir a emoção de Rubens.
Pode-se dizer – embora seja reduzir um pouco o feito – que Barricas teve um dia de Schumacher.
Mas ali, no detalhe... Olhando a luz refletida na viseira do piloto brasileiro naquele dia, é possível ver – sem muito esforço até – a bandeira alemã estilizada.

29 de jul de 2015

Crônica do GP: Hungria acabando com dúvidas

Não há nada errado com grandes domínios na F1.
Eles sempre existiram em maior ou menor escala e por diferentes times ou pilotos.
Pode tanto durar meia temporada, como no caso da Brawn GP, como pode durar por muitos anos como quando a Ferrari com Michael Schumacher não deu chance à concorrência.
O que pega agora com o domínio da Mercedes, e muita gente vai discordar por motivos vários, é que não somos mais enganados. Não ficamos mais na dúvida.
Explico...

Quando a McLaren dominou tinha Prost e Senna.
Junção perfeita de pilotos de ponta e carros fantásticos.
A Williams dominou e em sua vez não deixou dúvidas também: era o carro que era maravilhoso e todos sabiam disto: Mansell (sorry God, mas é verdade) nunca foi um espetáculo técnico.
Quando Prost assumiu o carro não houve domínio.
Não por conta do francês ou do carro, mas por conta de um endiabrado Senna que complicou tudo guiando muito aquele ano.

Nos domínios da Ferrari com Schumacher e da Red Bull com Vettel, sempre havia a dúvida (ma non troppo) se era mérito só do carro ou do piloto.
Tanto Michael quanto Sebastian são pilotos fantásticos e históricos e é mais justo dizer, ao menos no primeiro caso, que o carro só era o que era por conta de um trabalho perfeito do piloto junto com a equipe.
A Red Bull, por sua vez, contava com um time acertado, um piloto fantástico (ganhar Monza na chuva com um carro para baixo de mediano não é para qualquer um...) e um projetista em fase dourada.
Só duvida do talento de Vettel quem – evidentemente – é de má vontade com o cara.

Mas e agora?
Basta uma pressãozinha de qualquer espécie nos cones da Mercedes que ambos saem fazendo burrice uma atrás da outra.
Com notória vantagem para o cone #44.
E no grande prêmio da Hungria acabou-se de vez a dúvida.
Se antes podíamos ficar pensando sobre quantidade de mérito a ser dividida no conjunto, agora a certeza é de 95% carro, cinco por cento para o piloto.
Bom é o carro!
Os dois pilotos são detalhes no time alemão.
E isto até o Google ou outra empresa qualquer não aprimorar um pouco mais os carros que andam sem motorista, porque ai, quando esta tecnologia estiver mais popular, nem dos dois cones a Mercedes vai precisar.
Ao menos vai ser um gasto a menos...

28 de jul de 2015

Lado B do GP: Hungria - Zurrou de novo.

Os lado B da Hungria já começaram na classificação do sábado.
A McLaren unida com a Honda, lançou o novíssimo conceito de carroça com motor central e tração traseira.
Foi a primeira vez na história que vimos o burro empurrando a carroça.

Piadas à parte, a Honda liberou força extra para os motores do time de Woking, e todos eles foram ajudar Alonso a empurrar o carro.

Enquanto o asturiano empurrava a geringonça, a torcida aplaudia o esforço.
Alonso, por baixo do capacete pensava: “-Aplaudir é fácil, vem aqui ajudar empurrar, porra”!

A largada teve pegadinha.
Vai largar... Não vai mais.
Duas voltas de apresentação para que todo mundo conheça os caras e carros.
Os do #44 e #6 são dois cones, muito prazer.
E quando foi para valer... O cone #44 zurrou. E como zurro alto!
Legal mesmo foi a desculpa: -Ióióió! (tradução: “-Nico ficou largo para cima de mim...”) Ops!
Cone #44
E a relargada heim?
Outra zurrada do cone #44. Sob pressão não falha... Zurra mesmo o burro.

A pista da Hungria é travada... Tão travada que Alonso correu pelos pontos.
Impressionante.
Empurrou bem durante a corrida o asturiano.
Chuuuuupa Hamilton! 
Os dois McLaren na zona de pontuação? 
É o apocalipse, é o fim do mundo, estão soando as trombetas das bestas!
Alonso e o outro cara lá nos pontos... Quem diria!

Que grande corrida na Hungria, que grande corrida!

26 de jul de 2015

F1 2015: Hungria - Que presentão!

Ao contrário de grande parte dos fãs de F1, gosto do circuito de Hungaroring.
É travado, de difícil ultrapassagem, mas é bonito... É simpático e – em minha visão – é desafiador.
Também é o circuito onde pela primeira vez eu ganhei uma corrida no PS2 em modo carreira... (Ué? Não pode?).

E começou com uma largada abortada, coisa que não acontecia há muito tempo.
Por conta, Massa foi punido com cinco segundos. Motivo? Parou no lugar errado para a largada.
Quando valeu as Ferrari saltaram na frente com propriedade ajudados pela largada horrível no cone #44 que mais à frente se embananou todo, saiu da pista, fez merda e colocou a culpa no cone #6.
O replay mostrou claramente que não houve nada de errado no comportamento do alemãozinho. Só burrada inglesa mesmo.
E as Ferrari iam sumindo na frente...

Após as paradas de boxes a corrida tomou ares mais normais.
Fora uma ou outra punição aos de sempre (Grosjean, Perez, Maldonado...) as Mercedes voltaram a andar de forma convincente.
Hamilton, zurrando aqui e ali conseguiu chegar atrás de Rosberg para brigar pelo campeonato.

Um dos momentos de maior susto do ano quando a Force Índia de Hulkemberg perdeu a asa dianteira que ficou debaixo do próprio carro e o transformou em passageiro.
A batida de frente foi forte, mas inofensiva.
Quase leva a Williams de Bottas junto.
Safety car virtual e logo após o real.
Neste tempo trocaram a asa dianteira do outro Force Índia.
Aparentemente o problema é de construção da asa, o que é grave.

Na relargada a parte mais emocionante da corrida: Um enrosco monstro entre Hamilton, Bottas, e outros dois carros.
Pneu furado da Williams, bico quebrado do Hamilton e mais uma zurrada para a conta.
Melhor para o cone #6 que ficou sozinho na briga com a Ferrari do Vettel pela vitória.
Kimi com problemas na parte elétrica do motor híbrido saiu da prova.
E para coroar a corrida burra do cone #44, tomou uma punição e saiu da briga ao menos pelo pódio. Burro!

Mais emoção: Daniel Ricciardo faz uma manobra monstruosa no fim da reta em cima do cone #6, na tentativa de X, o Mercedes tem seu pneu traseiro furado e sai da briga pela vitória.
Pode até ter dado caca, mas foi uma manobra monstruosa.
Ricciardo é um grande piloto. Grande!

Vitória maiúscula de Vettel, segundo lugar e primeiro pódio de Kvyat e terceiro de Daniel Ricciardo, o monstro! De quebra um quinto lugar de Fernando Alonso com a carroça da McLaren.
Periga esta ter sido das melhores corridas do ano.

24 de jul de 2015

Chico Maverick

A síntese da história desta banda traz em si uma característica básica: a curiosidade.
Curiosa a forma com que passaram pela década de 80, juntando-se e separando-se por diversas vezes sempre amparada no indefectível 'agora vai!', mas sem nunca forjar nada de especial, entraram então na década de noventa separados e cada um cuidando de sua própria vida. 

Ricardo tomou-se um renomado cartazista na região em que mora, tendo realizado trabalhos memoráveis junto a uma rede de supermercados. Mas seu melhor trabalho é, até hoje uma placa feita por encomenda de um amigo onde se lê: 'Matura Comesticos’.
Rogério empregou-se como auxiliar despachante fez trabalhos incríveis nesta função, sua especialidade são os recursos de multas. 
Expediente onde usa toda sua criatividade para argumentar em defesas do arco da velha para motoristas infratores, já recorreu mais de mil multas e reza a lenda que nunca conseguiu deferir uma sequer.
Alessandro ou simplesmente Sandro como é conhecido é um brilhante técnico de informática, prestando serviços às mais diversas empresas. 
Seu ultimo trabalho foi um retumbante sucesso, as notícias ainda um pouco confusas dão conta de que ele sozinho conseguiu derrubar - daqui do Brasil - a nave interplanetária Mars Lander, que se espatifou no solo de Marte na aterrissagem (ou será amartissagem?).

Curiosa também é a história que se passa já no fim dos anos 80, onde os três tiveram a chance de aparecer para um grande publico num show da série 'ESPAÇO ROCK' abrindo para o grupo "Ira!" do guitarrista Edgard Scandurra, mas minutos antes do início do show caiu um temporal diluviano fazendo o guitarrista Ricardo sumir sem deixar pista alguma e só aparecendo depois de horas, sequinho como se não houvesse chovido uma só gota e quando o resto da banda já embarcara num trem de volta para casa.
Conta-se também que neste mesmo dia Rogério conseguiu a proeza de sair do trem e ir até o banheiro da estação, voltar para o mesmo vagão em um espaço de tempo de apenas três minutos!
Mais curioso ainda é o fato de que o conhecimento musical dos três juntos não é suficiente para formar uma banda mediana, mas com uma insistência mastodôntica conseguiram compor algumas musicas nos primeiros ensaios no ano de 99.
Entre elas o provável hit de verão "Minha Menina" que fez com que Ricardo fosse considerado por todos (os familiares) uma espécie de Sheakspere do rock. 
Versos como: "Ah minha menina/sempre gostei de você/você nunca gostou de mim”, são um marco para o idioma nacional assim como as: frases secas e cortantes de Graciliano Ramos.

A base das musicas é o baixo de Sandro e a bateria de Rogério, que formam uma 'cozinha' muito especial, tão entrosada que eles são capazes de tocar duas musicas ao mesmo tempo! Isto somado a guitarra de Ricardo, que seja qual for o ritmo e a levada da musica, sempre emite os mesmos acordes, hora maiores, hora menores, mas, rigorosamente os mesmos. 
De suas influencias mais notadas é possível reconhecer logo de cara a selvageria do grupo Bee Gees e de seu par brasileiro o KLB, a eloquência poética de Reginaldo Rossi, sem deixar de fora nenhum trabalho do mestre Wanderlei Luxemburgo, que não faz musica, mas tem um trabalho de marketing pessoal muito legal.

No momento estão parados musicalmente, já que Sandro sumiu depois de seu último trabalho, mas eles têm uma fita demo pronta com covers e musicas próprias intitulada: "Hits again" puxada pelo proto-hit "Minha Menina" que traz o verso mais genial e harmonioso da musica brasileira: "Uma família de ursos te dei/você nunca gostou de mim...”.

22 de jul de 2015

Três tópicos não interligados

Gritaria, polêmica, discussões, insultos...
Não! Não é partida de futebol ou coisa parecida, mas a repercussão sobre uma medida da prefeitura paulistana que diminuiu as velocidades máximas nas pistas marginais do rio Tiete e Pinheiros.
Na pista de menor velocidade será obrigatória manter míseros 50 quilômetros por hora.
Que absurdo!
Logo nas marginais em que era possível se atingir os... Os... Não... Não dá pra andar normalmente nem a cinquentinha nos dias de semana.
E se tiver feriado à vista então...

E rolam os jogos Pan-americanos lá em Toronto.
O Brasil está em terceiro na classificação geral de medalhas, o que é bom e ruim ao mesmo tempo.
Bom porque coroa um trabalho hecúleo que é ser atleta neste país fora do binômio “futebol/voley”.
Dificuldades financeiras mil, descrédito, dificuldades para treinos, falta de material adequado, de técnicos mais qualificados... E por ai vai.
Ruim por conta da expectativa que gera o sucesso no Pan e que são – ao menos para o expectador mais popularesco – frustradas em relação às olimpíadas.
Porém, nisto tudo há um atenuante: o Pan de Toronto está sendo transmitido pela Rede Record de televisão, o que garante que muito pouca gente, quase ninguém está assistindo, o que concorre para deixar as expectativas bem baixas...
Comemoração das medalhas do Pan na Av. Paulista.

Por último o ataque do tubarão ao surfista.
Mais recentemente foi dito que já estão em estudos meios de afastar os tubarões dos locais de competição fazendo com que os surfistas usem tornozeleiras que emitam sons desconfortáveis ao bicho.
Mas heim?
O mar é habitat natural de quem afinal?
O BligGroo gostaria de sugerir as hashtags #weallshark, #fuckthesurfers, #seatothefish.
E por fim - sem # mesmo - um grande pau no cu dos surfistas.

21 de jul de 2015

McLaren: sempre dá para piorar

A situação na McLaren não é das melhores, pelo contrário, é a pior fase do time em toda sua história.
Pouquíssimos pontos no campeonato, corridas vexaminosas, diversas punições por troca de motor, câmbio, classificações ridículas apenas à frente da Manor e por ai vai.

A crise na casa de Woking serve ao menos para mostrar que piloto é parte pequena na equação para boas corridas na F1 atual.
Fernando Alonso e aquele outro cara são considerados dois dos mais talentosos dos últimos tempos (do segundo eu tenho lá minhas dúvidas) e nem assim as coisas melhoram.
Muita gente gastou saliva ou os dedos dando ideias de como melhorar as coisas no time de Ron Dennis.
Aqui não... Aqui é BligGroo e o que a gente quer ver é sangue!
Logo, aqui vão algumas sugestões para piorar a fase e o clima na McLaren.


  • Trocar o motor Honda que ainda pode melhorar por Renault, que está perto do fundo do poço.
  • Trocar os dois pilotos pelos dois da Mercedes.
  • Ter dois Button nos cockpits.
  • Passar a andar sistematicamente atrás das Manor.
  • Ter as corridas comentadas pelo Craqueneto; “-E fala a verdade, um time que – digassidipassage – já teve Senna, Prost, Hakkinen né? Fittipaldi... Não pode ficar nesta draga ai. Os cara ganha um caminhão de dinheiro pra ficar sempre fora do Q2 é uma vergonha...”.
  • Pintar os carros no estilo Romero Britto.

A coisa está tão escura na McLaren que, se por um milagre, um de seus pilotos chegar ao pódio ainda nesta temporada é capaz de um tubarão aparecer e atacar o cara...

20 de jul de 2015

GP da Hungria: nem tudo é chato por lá

Quando se pensa no GP da Hungria duas ultrapassagens vêm logo à mente: Nelson Piquet sobre Ayrton Senna em 1986 na primeira corrida de F1 disputada naquele país e Rubens Barrichello sobre Michael Schumacher em 2010.

A primeira cena é nítida na mente de todo fã de automobilismo: Nelson com sua Williams vindo por fora, tomando a frente, escorregando de lado nas quatro rodas por fora enquanto um impotente Ayrton Senna pode apenas observar reverente o desfecho de uma das maiores manobras já realizadas na F1 dita moderna.
Sobre ela disse Jackie Stewart: “-Foi como fazer um looping com um Boeing 747”.

Já a segunda, bem mais recente, mostra um corajoso Rubens Barrichello ultrapassando um recém-saído da aposentadoria Michael Schumacher por dentro na reta de Hungaroring.
Não seria nada demais se o alemão não resolvesse – de forma maldosa e perigosa até – espremer o brasileiro contra o muro dos boxes. Por pouco não tivemos um sério acidente naquele dia.
A piada corrente é que Rubens fechou os olhos, mandou um “foda-se” e depois de tudo terminado apenas conferiu se o macacão ainda estava limpo.

Algumas coisas em comum nas duas passagens
Em ambas, um carro da Williams levou a melhor e ficou com a posição disputada.
Também em ambas um brasileiro estava em um carro da Williams.
E nas duas, veja só, a voz corrente diz que o melhor piloto – em cada época respectivamente – é que foi batido.
Pode-se, claro, até haver alguma discordância sobre Senna/Piquet, ficando por conta da torcida pessoal de cada um na hora de opinar, mas no segundo caso...

Triste é que dificilmente vermos lances iguais no GP no fim desta semana.
Tanto pela falta de talentos semelhantes quanto pelo engessamento das regras e regulamentos.

17 de jul de 2015

Na barbearia

Hoje as barbearias não existem mais.
Pelo menos aquelas em que havia apenas um ou dois profissionais do corte chamados de barbeiros e que eram frequentadas exclusivamente por homens.
Os dias de maior movimento eram os sábados pela manhã, quando os homens, que geralmente trabalhavam durante a semana aproveitavam para ir cortar os cabelos e – os que tinham – levar os filhos para fazer o mesmo.
A decoração era sempre a mesma: azulejo branco até a metade das paredes e uma faixa da mesma cerâmica em cor azul arrematando.
Sofás velhos, vermelhos e com alguns rasgos, um rádio sintonizado em alguma estação de noticias, uma mesinha com revistas e jornais, porque barbeiro que se preza lê muito jornal, ouve e ouve muito rádio que é para ter assunto para conversar com a freguesia enquanto faz seu trabalho.

A barbearia é para os homens o equivalente ao salão de beleza para as mulheres.
Lá, além de dar um trato no visual, claro, também se põe os assuntos em dia, com o barbeiro e com os outros frequentadores que por cortarem o cabelo quase sempre à mesma época acabam por se encontrar lá.
Apenas que as fofocas ali dão lugar aos assuntos “de homem” como o futebol, política e claro: mulheres.
Ali só não se fala da mulher de quem está dentro do estabelecimento naquele momento, o resto é liberado.
Comentários curtos ou longos e quase sempre indelicados, seguidos de algumas gargalhadas dão à tônica.
E a senha para que a conversa vá para este assunto é sempre a mesma: alguém se levanta do sofá vermelho e rasgado e vai até a mesinha com os jornais e revistas, fuça um pouco e acaba descobrindo uma revista masculina, geralmente a playboy entre as Veja, Istoé, 4rodas e umas revistas Manchete muito velhas e geralmente sem capa.
Então o sujeito olhava as fotos das madames despidas e dizia algo como: “-Ô beleza!”
Pronto... Estava dada a largada para se falar de mulheres....

O garoto que é o objeto desta crônica ia com o pai sempre, tinha onze anos e não entendia patavina das conversas “adultas”, mas ria assim mesmo e até repetia para os amigos da rua e até na escola.
-Mas eles falavam assim mesmo? Gostosa?
-É sim... Falavam deste jeito...
-Mas eles olhavam o que? Só a revista?
-Não... Olhavam também as moças que passavam na calçada... E tinha alguns que diziam: “-Esta eu pegava.”
-Assim mesmo? Pegava? Que nem a gente fala quando vai brigar na saída da escola?
-É... Deve ser...
-E você? Viu a revista?
-Eu até tentei, mas quando meu pai viu que eu ia pegar ele não deixou... Me deu uma revista da Mônica e colocou a outra em cima de um armário.
-Pô... Mó chato seu pai...

E assim o menino ia todo mês cortar o cabelo com o pai e na segunda feira levava as novidades e seus avanços em relação a conseguir ver ou não a revista.
Em um dos sábados chegou a folhear a tal revista, mas antes de chagar às paginas com as donas sem roupa seu pai o colocou na cadeira para que cortasse o cabelo.
-Ah... Se tivesse mais um.. Mais um só na frente eu tinha visto... – pensou.

Mas eis que completou doze anos e, segundo seu pai, chegou à hora de ir cortar o cabelo sozinho, com afirmação de que estava crescendo e que já era digno de para que saísse sozinho para resolver pequenos problemas...
Porém a única forma para que fosse sozinho cortar o cabelo era não indo aos sábados, porque seu pai ia invariavelmente neste dia.
-Vai na sexta então... Ai cê corta o cabelo da forma que quiser. Se não ficar bom, a gente volta lá juntos no sábado e arruma.
-Fechado!
Era a chance de ver a tal revista.
Na sexta acordou cedo, arrumou a cama, fez os deveres de casa e almoçou... Iria cortar o cabelo e de lá para a escola.
A mãe lhe deu o dinheiro e recomendou cuidado nas ruas, se despediu com um beijo e: “-Já está virando um homenzinho o meu bebê!”.
Pelo caminho até a barbearia nem respirava. Andava o mais depressa possível torcendo para que houvesse ao menos duas pessoas na sua frente, para que tivesse tempo de olha a revista até o fim, e se desse tempo... Olhar de novo.
Mas só havia um cliente na sua frente e já estava na cadeira.
Já entrou no estabelecimento dizendo ao oficial barbeiro que queria cortar o cabelo.
-E a barba? Já que está ficando um homem tem que fazer a barba... – brinca o barbeiro.
-Deixa pra próxima... Hoje eu tenho só o dinheiro do cabelo mesmo... – e sorri.
-Então senta ai... Vai lendo uma revista, terminando este aqui já corto o seu.
Tinha pouco tempo então antes de se sentar foi à pilha de revistas e procurou seu objeto de desejo.
E lá estava... Era como se brilhasse entre as outras revistas.
Fez um esforço para ler o nome da revista em inglês: -Pplai bbóói... Plaibói.
Playboy! Lá estava ela... Tomou nas mãos e correu para o sofá vermelho e se colocou a folhear. Ávido, viu tudo... Deteve-se por algum tempo a mais nas paginas em que aparecia a mulher da capa...
E o melhor: ninguém nem tentou impedir que ele o fizesse.
Chegou sua vez, colocou a revista de volta à mesinha e sentou-se à cadeira.

Mais tarde na escola contou as novas aos amigos...
-E ai eu vi tudo...
-E tinha mesmo mulher pelada lá?
-Tinha, tinha...
-E o que você achou?
-Sinceramente... Não achei nada não... Aliás a mulher lá era até bem feia.
-É? Quem era?
-Ah... Eu não conheço, nunca tinha visto, mas tava escrito lá... Hortência, acho...
-E era feia mesmo? – quis saber um dos meninos.
-Era... Era sim...
-Ah... Então não quero saber disto não... Deixa pra lá, da próxima vez cê olha umas revistas de carro e conta pra gente...

16 de jul de 2015

E os carros ainda estão parados...

Massa disse que Bottas é o principal nome no mercado de pilotos hoje em dia.
Bottas disse que não vê a Williams voltando a ser campeã em breve.
Ron Groo disse que Massa pode até ter razão, mas depois de ler a declaração do finlandês gordinho passou a dizer: “-Vaitomanocu gordinho do cacete...”.

Button disse que por mais tempo com a família, prefere um calendário mais curto na F1.
Véio... Se aposenta.
Ai você vai ter todo o tempo do mundo para ficar com a japinha.
Para sorte do fã de F1, ninguém liga para o Button.

Mas vejam bem...
Bahrein, China, Cingapura, Rússia, Abu Dhabi e futuramente Baku... Dava pra encurtar mesmo o calendário.

Emerson Fittipaldi declarou que: “-Pilotos de F1 precisam de personalidade.”.
Curiosamente, nenhum dos atuais pilotos discordou, concordou, reclamou, apoiou... Ô povo sem personalidade este.

 “-As equipes tem que se envolver mais com a promoção da F1.”. – disse o chefe da Lotus que – a qualquer momento – ameaça deixar a categoria.

15 de jul de 2015

Erasmo e o careca

Erasmo Carlos conta em seu livro Minha Fama de Mau (Ed. Objetiva/2009) que o careca apareceu no bairro vindo do nada e sem ser convidado. E o pior: vinha de mãos dadas com Eleonor, a menina mais bonita, gostosa e desejada do lugar.
A turma, que por anos sonhou com a menina que só saia de sua casa acompanhada dos pais e, nunca, nem olhava para os lados - quanto menos para a turma – resolveu que aquilo era uma provocação.
Aquilo teria consequências...
Pensaram e decidiram que não usariam de violência, que tratariam o caso de forma anônima, mas avassaladora. Que atacariam a moral do careca.

O plano era o seguinte:
Primeira parte seria pichar nos muros do bairro por onde o careca passasse coisas como:
“O careca é terrível”, “O careca é perigoso.”, “O careca é imoral.”. “O careca é careca!”
A principio aquilo parecia ter surtido efeito. Era só ver as expressões faciais do careca ao passar pela rua e ler os “elogios” da galera...
Porém, agora já não só andava de mãos dadas com Eleonor, como também namorava no portão, trocando beijos recatados na bochecha e sob a supervisão dos irmãos menores na janela da casa.

A segunda parte foi infame: Nos banheiros dos botecos da região, nos banheiros dos mercados, das igrejas e principalmente nos banheiros públicos começaram a aparecer mais pichações: “O careca é viado”, “Careca é aberração”, “Careca é sonso”...
No sistema de alto falantes do bairro, de hora em hora apareciam mensagens do tipo: “E Madalena manda um beijo para o careca que namora Eleonor e lhe oferece uma musica.”.
Invariavelmente tocava logo em seguida a marchinha “Nós os carecas”, aquela que diz que é dos sem cabelo que elas gostam mais...
Neste ponto, todos no bairro já desconfiavam quem estava por trás das ações contra o cuca lisa e passaram a olhar torto para a turma. Até os familiares reprovavam.
Porém a ultima parte do plano foi posta em prática e, de diversas agencias de correio espalhadas pela cidade, começaram a chegar cartas à residência da agora noiva do careca desancando ainda mais o pouca telha: “O careca é brocha”.

Aquilo foi a gota d´água, todos, absolutamente todos se viraram contra a turma e até os irmãos da menina sumiram da janela, em um claro sinal de que agora até a família dela apoiava incondicionalmente o namoro e confiava no cabeça pelada. Em uma manhã de sábado o careca veio pessoalmente falar com a turma que estava reunida a sombra de uma arvore.
Chamou primeiro Tonho Croco, o líder do pessoal para um conversa particular que se desenrolou ali mesmo. Os outros assistiam prontos para a ação, porém, quando viram que Tonho e o careca apertavam as mãos, relaxaram e ouviram de Croco o seguinte discurso:
“-Gente, beleza, vamos acabar aqui a campanha contra o careca... Ele é de paz, é de boa, só não tem cabelo... E mais, a gente vai dar porrada em quem chamar o careca de careca. Ah, ele disse que não tem jeito, vai casar com a Eleonor de qualquer forma... E que vai se formar dentro em pouco em medicina e que não pega bem se ele ficar conhecido pelo apelido de careca... Então fica assim: vai na paz case com ela e tenha muitos carequinhas, pra gente poder chamar eles de “filhos do doutor careca”...
O careca ficou contente com o resultado e foi embora enquanto a turma arrumava outra diversão...

História contada só para celebrar o mais novo lançamento do Trmendão apenas com os lado B de seus maiores sucessos.
E também porque eu quis, oras...

14 de jul de 2015

Enquanto os carros estão parados...

Kevin Magnussen disse que: “-F1 no simulador é igual a filme pornô. Não é real”.
Não é pra quem não está no filme... Vai falar isto para a atriz que enfrenta o Kid Bengala.
Por outro lado... A declaração dele explica bastante o porquê se usa luva para pilotar no simulador.
Mas também... É o simulador da McLaren, logo o que ele disse tem razão de ser.
Não tem equipe neste ano que esteja f...dendo mais com seus pilotos do que o time de Woking.

Lewis Hamilton, pelo que foi dito nas redes sociais, foi barrado na final de Wimbledon por conta de seu figurino.
Muito puto, Hamilton ligou para seus personal stylists e soltou os cachorros: “-Porra Patati e Patatá! Cês falaram que eu tava bonito.”
Por sua vez, os palhaços infantis entraram em contato com seu guru visual e também reclamaram: “-Caramba Daniel Alves...”.

Rob Smedley declarou que a Williams esteve claramente mais rápida que a Ferrari em Silverstone.
E completou: “-Eu é que estava lento mentalmente e já não sabia se trabalhava na Williams ou na Ferrari. Ai pensei: se eu estiver na Ferrari, vou ferrar a corrida do Massa, que foi para a Williams, mas se eu estiver na Williams vou ferrar a corrida do Massa que trabalhou comigo na Ferrari e...”
Não faz sentido? Relaxa... As estratégias boladas e postas em prática por este cara também não fazem.

13 de jul de 2015

Dia mundial do Rock

Em 13 de julho 1985, Bob Geldof organizou um concerto que – segundo ele – chamaria a atenção para a fome na Etiópia.
Deste concerto, chamado apropriadamente de Live Aid, participaram monstros sagrados do rock: Queen, Scorpions, David Bowie, Paul McCartney, The Who, Dire Straits, uma quase reencarnação do Led Zeppelin que contava com Phil Collins no posto que pertenceu a John Bonzo Bohan, o então emergente U2 entre outros.
As apresentações foram em dois palcos, um em Wembley, Londres e outro na Filadélfia, no estádio JKF.
Houve também artistas se apresentando em Tókio, Moscou e Sidney.
A esta data foi atribuído dia mundial do rock.

Provavelmente não foi o primeiro concerto coletivo com fins beneficentes, mas foi com certeza o mais famoso, o mais visto ao redor do mundo.
Segundo alguns historiadores e pesquisadores musicais, o evento serviu definitivamente, para alçar o gênero - já há muito consolidado - à condição de musica adulta, séria e não mais um arroubo de adolescentes e baderneiros.

Balela…
O rock sempre foi e sempre será música libertária, desencanada e descompromissada, mesmo servindo a fins humanitários.
Tanto que perguntado ao fim do evento se o concerto conseguiria mudar a atitude do mundo em relação à situação do país africano, Bob Geldof não titubeou ao responder:
“-Não!”.

Mas que foi divertido, ah isto foi…

10 de jul de 2015

A umpla

Sandro sempre foi um sujeito surpreendente. Suas atitudes eram tão imprevisíveis quanto suas letras. Tinha rompantes geniais, e momentos de pasmaceira completa. Podia tanto ser uma besta como ser bestial. Tudo dependia do estimulo. Estivesse sua platéia a fim de por fogo e ele se incendiava. Mas se a recepção fosse morna, não precisava nem ser frívola, ele ia esfriando até se tornar um bloco de gelo. Geralmente queimava.

Os pais de seus amigos, não todos, mas uns e outros tinham o habito de assistir no domingo pela manhã o programa ‘Som Brasil’ do compositor e contador de causos Rolando Boldrin, o Sr. Brasil, e justamente neste dia um destes amigos estava na sala e viu de relance, enquanto Sr. Boldrin anunciava as atrações do dia, a figura do Sandro em cima do palco. Ligou pra um; que ligou pra outro; que ligou pra mais um e foi-se formando uma cadeia. Logo quase todos na Vila Bela e em parte de Franco da Rocha estavam sintonizados no Som Brasil.
Na volta dos comerciais aparece logo em cena o apresentador. Plano fechado da cintura pra cima e Sr. Boldrin conta um causo:
-Então o homem manda chamar o fiscal de bilhetes do trem e lhe diz: ”-O Senhor me acorde na estação de Limeira, que lá vou fechar negocio numa partida de laranja para suco. Lhe dou $500, adiantado, mas não deixe de me acordar em Limeira...” O fiscal aceita o encargo, embolsa o dinheiro e volta a sua ronda. O homem põe-se a dormir e ronca sono alto, dos justos. Passado os quilômetros o homem acorda com o fiscal gritando a plenos pulmões: “-São Carlos, São Carlos”. O Comerciante de laranjas que dormia acordou sobressaltado e com os olhos embaçados de sono, vê que sua estação passou e que seu negocio tinha sido arruinado. Levantou-se e pegou o fiscal pelo colarinho enquanto gritava: “- Vosmece arruinou meu negocio, eu lhe pedi, eu lhe paguei, tinha que descer em Limeira e nós já estamos à altura de São Carlos! Estas horas já não chego a tempo na fazenda, não compro mais a partida de laranja pra suco, estou arruinado comercialmente... O que foi que o senhor me fez? Hã?” Nisto duas velhinhas que estavam sentadas umas poltronas atrás do comerciante de laranjas comentam entre si: “-Como ficou bravo este senhor...” No que a outra responde: “-É porque você não viu como xingava o homem que ele jogou pra fora do trem em Limeira...” 

Os aplausos romperam o silencio e a admiração com que a platéia ouvia o apresentador e logo na seqüência um conjunto regional ataca tocando ‘O trem das Onze’do compositor paulista Adoniran Barbosa: “-Não posso ficar mais nem um minuto com você/sinto muito amor, mas, não pode ser/moro em Jaçanã, se eu perder este trem que parte agora às onze horas/só amanhã de manhã...”.
Enquanto a musica ia sendo tocada, as câmeras davam close nos cantores, nos instrumentistas, passeavam pelo palco, mostrando ora um, ora outro violeiro; percussionista; os cantores. As pessoas que assistiam ao programa perceberam que Sandro estava sentado entre os violeiros, com a viola no colo, fazendo os movimentos com a mão direita, mas sem mover um dedo da mão esquerda. Ou seja, não estava tocando absolutamente nada!
O Sr. Brasil também percebeu e ao fim da apresentação, como sempre fazia foi trocar um dedo de prosa com os convidados: “... tenho minha casa pra cuidar, eu não posso ficar”. – Aplausos.
-Parabéns ocês são muito bão! Parabéns... – Disse o Sr. Brasil.
-Obrigado Sr. Boldrin, pra nós é muito gratificante estar aqui! – Disse um dos cantores.
Nisto Rolando Boldrin, se vira para Sandro e emenda um dialogo rápido:
-Ocê deve de ser de uma família tradicionar de violeros, num é?
-Sou sim! – Mentiu Sandro. E continuou: - Meu pai tinha uma dupla com um amigo...
-E quem eram eles? – Quis saber Boldrin.
-Laurito e Loreto. – Continuou mentindo.
-E qual deles era o senhor seu pai?
-Até hoje eu não sei... – E a platéia explodiu em risos enquanto o apresentador olhava para a câmera com cara de espanto.
-Não, não... Não é que eu não saiba quem é meu pai, eu sei sim. Só não sei quem era quem na dupla...
- Ah bão! Assim, sim! – Aliviado o Sr. Brasil continuou. – Eu me lembro apenas de um, do Loreto...
- Pois é, esse ai era meu pai... – Continuou a mentira na maior cara de pau.
-Mas este cantava suzinho...
- Pois é... Meu pai foi um dos pioneiros. Foi cantar solo.
- Desmontou a dupra?
-É ele que começou com isto, de cantar sozinho... Desmontou a dupla e montou uma umpla!

Rolando Boldrin balançou a cabeça negativamente, a platéia riu e entraram os comerciais. Em um movimento como o da queda de dominós quase todos os televisores da Vila Bela e parte dos de Franco da Rocha foram sendo desligados ou mudados de sintonia. Exalando um aroma de decepção profunda no ar.

9 de jul de 2015

Pinga fogo

Nelson Ângelo Piquet, vulgo Nelsinho em entrevista recente soltou a pérola: “-Tentar carreira na Indy é “meio burrice”“.
Note o verbo: “tentar”.
O pai dele não deve ter gostado muito não... Já tentou andar por lá e... Sabe como é.
E era o pai dele, somente Nelson Piquet...
Ah! Mas o moleque é campeão da FE, pode falar...
Pode... Verdade.
Quem tem bom senso e discernimento é que não deve dar pelota.
Bizzzzzzzzziiiiizziiiizziiiiizziii (som daquilo que move os iphone com roda que ele dirige)

 Valteri Bottas pediu que a Williams pense melhor sobre as ordens da equipe quanto à troca de posições na pista.
-Quanto eu estiver atrás, seja claro: dê lugar para o finlandês. Ai não importa se depois eu vou rodar e cair lá para trás ou ser ultrapassado... Ah! E nem se eu vou sair da equipe no fim da temporada.

Max Mosley, aquele, disse que é muito difícil que as equipes grandes aceitem o teto orçamentário, caso ele seja criado...
Porra Max! Ai é fácil! Só fazer um teto com um bom fundamento para que elas possam construir em cima...
Teto orçamentário... piff... Vai acontecer nunca. E se acontecer, não vai ser respeitado jamais.

Já a Mercedes, por meio de Toto Wolf, disse que o teto orçamentário é um grande desafio.
Um grande desafio fazer com que ele aceite e não burle a regra... E mais desafio ainda forçar ele a ficar na categoria se seu time começar a perder corridas.

Olha ai o que ficar atrás da McLaren não faz...
E o Stevens apontou erros na estratégia da Manor no GP da Inglaterra.
Primeiro erro: a equipe existir.
Segundo erro: estar no campeonato.
Terceiro erro: ter o Stevens como piloto
Quarto erro: pensar que tem uma estratégia.
Quinto erro: dizer isto para um repórter.
Sexto erro: o repórter dar importância e publicar um treco destes.

8 de jul de 2015

Quase nota do busão (tem busão na história...)


Parado na fila do supermercado vejo chegar dois moleques.
Um, com calça caindo e cueca à mostra vem gesticulando e quando chega bem perto é possível ouvir um trecho da conversa.

-Ai os busão emparelhou e eu vi... Os maluco tava tudo com cara de enterro.
-Também! Tão na bica de cair.
-Também não é assim... Tem campeonato pra caramba ai na frente, dá pra recuperar;
-Daria, se tivesse técnico. Se tivesse time. Se tivesse diretoria.
-É... Tem que abrir oszolho... Se não vai se fu mesmo. Mas tenho fé. Nosso time não cai.
-Não cai... Time grande não cai.
-Mas falando do busão cara... Bonito! Bonito pra carai!
-Antes dos busão do Santos era tudo chamado de baleia... Tinha o baleia um, dois... Acho que até o seis.
-É. Tava escrito baleia embaixo da janela do motorista mesmo, mas não vi número.
-E o desenho?
-Tava lá... Mó peixão desenhado na lateral.
-Não é peixe... É uma baleia pô....
-E baleia não é peixe?
-Não... Baleia é mamífero.
Ah! Tá... Mamífero? Vaisefudê... Vive debaixo d’água é peixe. Que nem pinguim.
-Porra cara... Ó a vergonha. Pinguim é ave.
-Pinguim avoa?
-Não...
-Mas nada.
-Nada.
-É peixe... Que nem baleia.
-Putz... Para mano... Baleia é mamífero.
-Cê já viu baleia no shopping amamentando filhotinho? Já viu baleia com aqueles sutiã esquisito de amamentar? Não viu... Não tem. É peixe.

Paguei o que tinha de pagar, peguei a sacola e sai pensando que mesmo sendo santista, por estas e outras é às vezes torcemos para que o clube se ferre mesmo.

7 de jul de 2015

Lado B do GP: Abaixo os engenheiros. (pelo menos os da Williams)

E começa a corrida!
E já termina a corrida para Grosjean, Maldonado e Button.
E o inferno astral da McLaren continua.
Mas pelo Button, ninguém ligou.

Qual carro pode tirar uma Lotus da pista?
Outra Lotus, claro... E tirar alguém da pista é o esporte favorito dos dois pilotos da casa.
Ainda bem que eles existem... Ainda bem.


E Hamilton zurrou na relargada.
Zurrou: “Íóó íóó íóó!

Estratégias de parada.
Uma conserta burrice de piloto.
Outra faz burrice e estraga trabalho.
Abaixo engenheiros...
A propósito, vou voltar àquele questionário da GPDA e sugerir que acabem com o pitstop.
Só assim para a Williams não fazer mais porcaria e tirar pódio de seus pilotos.
A dificuldade em fazer dois pitstops bons seguidos é enorme. Sem falar em estratégia... Ai é até covardia.

Quando a fase não é boa, até o que costuma ajudar atrapalha.
A chuva tirou um pouco do brilho da corrida. Jogou no buraco comum do melhor carro.
Nivelou por baixo.
Tão por baixo que até o Alonso e sua McLaren de outro planeta conseguiu pontuar.

5 de jul de 2015

F1 2015: Inglaterra - Quando o que sempre salva vem para atrapalhar

Foi lá que tudo começou.
O traçado é diferente... Até o local da largada é diferente e confesso: não gosto.
Continua sendo uma pista ótima e é sempre bom ver algo tradicional nesta F1 tão desfigurada pelo tempo, pela grana, pela ganância e pela politicagem.
De qualquer forma, dá para ter um gosto de nostalgia em ver largadas lá.
Tomara que continuem largando em Silverstone por muito tempo ainda.

E que largada a deste ano...
Felipe Massa, Valteri Bottas e suas Williams maravilhosas pularam na frente com autoridade.
A diferença entre dois pilotos - ainda que um seja mediano - e dois cones em carros fantásticos.
E Bottas ainda deu uma erradinha, se não era P1 e P2.
Mas o tão propalado e propagado azar de Felipe conseguiu marcar presença quando as Lotus de Maldonado e Grosjean fizeram caquinha e trouxeram o SC para a pista.

E na relargada, o cone #44 fez o que sabe fazer melhor: burrada.
O burro atacou de forma atabalhoada o Williams 19, fritou pneu, saiu da pista, perdeu posição para o Bottas e fez a alegria de quem gosta de pilotos bons e não cones de capacete.
Hamilton burro.

E só a equipe, com uma estratégia de parada perfeita para consertar a burrice.
E só uma burrice na estratégia para destruir um trabalho.
Hamilton vai para a parada antes de todos, Massa demora uma volta a mais e perde a liderança.
Ainda ficam na frente do cone #6, que não tem balls suficiente para passar Bottas no retorno à pista.
E quando a corrida entrou no modo automático a torcida passou a ser pela chuva e ela veio...
Chuva fraca que só melecou a pista de leve.
Só serviu para mostrar a diferença entre os carros da Mercedes e da Williams.
Se no seco os ingleses equilibravam, quando choveu o banho – desculpe ai... – foi dado de balde.
E a briga passou a ser entre o cone #44 do burro e o #6, mas não por muito tempo.
O cone #44 trocou pneus para os de chuva no momento certo e acabou ganhando fácil.
Foi seguido pelo cone #6 e por Vettel que se aproveitou da deficiência crônica em fazer boas estratégias e pitstops decentes.

Pedir chuva em pista boa dá nisto: estraga bons espetáculos
Que chova só em pista porcaria... Dá para por isto naquele questionário da GPDA?

3 de jul de 2015

O cantor, a seleção e a injustiça

A semana vai se acabando, definhando e três temas foram dominantes.
A saber: As votações da redução da maioridade penal, a morte do cantor que ninguém conhecia, mas foi tão exposto que virou febre e mais um vexame da seleção de futebol.
Sobre a primeira não vale a pena gastar uma sexta feira para reclamar... É lixo feito por lixo, defendido e atacado por gente que não tem ideia do que está falando.
Já o segundo... Não é nada, não é nada... Não é nada mesmo.
E o terceiro, bom... Este sim, não vale uma frase, quanto mais uma crônica.

Mas e então?
Vamos falar de um cantor e de uma seleção de futebol, que pelo menos... Bom... Pode render algumas risadas.
O cantor é Wilson Simonal, o maior showman, entertainer... O maior cantor que este país já viu.
Duvida? Assista Ninguém Sabe o Duro Que Dei, o filme/documentário do casseta Claudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal e depois me diga se não tenho razão.
A seleção é a de 1970, considerada por muitos o time de futebol mais perfeito que já pisou um gramado.

Simonal acompanhava a delegação canarinho no México.
Era uma espécie de cantor oficial do grupo, como tinha sido Elza Soares em 1962 com a vantagem de que ninguém no time queria comer o cara...
A certa altura da preparação um atleta se contundiu e a comissão técnica tinha dúvidas se convocava outro para a mesma posição ou chamava Emerson Leão para a vaga de terceiro goleiro.
De sacanagem, Pelé, Jairzinho e Zagallo resolveram dizer a Simonal que, estando ele ali mesmo, porque não fazia um teste? Se fosse bem, porque não ficar ele com a vaga do jogador cortado?
E ele acreditou!
Solicitou ao técnico que fosse feito um treino de dois toques para que ele se ambientasse e mostrasse do que era capaz.
Não era evidentemente um atleta e ainda por cima partiu com tudo sob o ar rarefeito.
Com quinze minutos a conta foi cobrada e Simonal foi ao chão... Desmaiou.
Socorrido com máscara de oxigênio, aos poucos recobrou a consciência e deu de cara com muitos risos e gozações.
De presente, ganhou o tricampeonato.

Simonal – por problemas que não serão discutidos aqui – morreu quase no ostracismo e execrado pelos colegas da classe artística.
Eis uma injustiça terrível contra alguém que em toda sua vida nunca fez bara beré...
Porra Ron! Respeita o cara que morreu!
Morreu? Antes ele do que eu...
Viva Simonal.

2 de jul de 2015

Responderam, mas ajudaram?

Senna é o melhor da história?
Pode ser que sim... Pode ser que não. ´
Fica tudo muito subjetivo por conta das mudanças de regulamento, aumento do número de provas, diferença na pontuação e por ai vai...
Coloca-se como um dos grandes e tudo fica bem para quem tem o bom senso de não discutir torcida.

Trata-se aqui dos resultados da enquete feita pela GPDA (Grad Prix Drivers Association) divulgados há pouco. Alguns resultados:
Senna é o melhor piloto da história.
A F1 está muito “cara, tecnológica e chata”.
Precisa ficar mais competitiva, mas não precisa de uma revolução na forma da disputa.
Também pediu a volta da guerra dos pneus, do reabastecimento e rechaçaram (mais) artificialidades como: molhar a pista, lastro nos carros mais velozes, padronização (unificação) de motores quanto ao fabricante.
Até ai, nada de novo debaixo do sol, mas quando se chega ao item “pilotos mais populares do grid” a coisa azedou um pouco: Kimi Raikkonen, Fernando Alonso e outro cara lá foram os mais votados.

Populares? Sério?
Um é um talento nato dentro do carro, mas é visto como sujeito de caráter duvidoso até dentro de seu próprio país.
O outro é extremamente burocrático e inexpressivo no trato com imprensa, que nesta F1 moderna é o único canal de contato com os fãs.
E tem outro que não é nada, não é nada... Não é nada mesmo. Ninguém liga muito para ele.
Sem contar que o último deles a ter sido campeão foi em um longínquo 2009.

A se levar em consideração este resultado pode-se fazer uma projeção de que a corrida mais “empolgante”, “emocionante” e “mais esperada” do calendário para estes fãs seja Abu Dhabi, ou Russia...
Ao que parece, o novo fã médio da categoria é tão sem sal quanto à própria se tornou.

1 de jul de 2015

Quem não chora...

“-Se os motores forem mudados, podemos repensar nossa participação na F1”.
“-A relação financeira entre as equipes e a gestão precisa mudar, ou podemos sair.”
-”Chega-se a um ponto em que os investimentos têm que dar retorno, se eles não acontecem, é preciso repensá-los e até – por que não – abandoná-los.”.
“-Hegemonias e longos domínios deixam a categoria desinteressante, monótona. Isto afasta os torcedores e os investidores...”.

As frases acima não tem um único autor – embora tenham vindo do mesmo lugar - e não são nem Christian Horner e nem o todo poderoso da enlatadora de xixi de boi vermelho, Didier Masterseiláoque, mas poderiam ser...
Não há dia que não se leia nos sites especializados que a Red Bull, enquanto equipe de F1 esteja ameaçando se retirar e alguns boatos dizem que pode até apresentar proposta para compra da categoria.
Não se pode duvidar de nenhuma das hipóteses.
Deixar a F1 é uma coisa simples... Saem e pronto.
Assim fez a Honda quando começou a perder terreno com seus motores, depois voltou como equipe própria e fez a mesma coisa e pode fazer novamente diante do imenso fracasso da recente parceria com a McLaren.
Também a Renault e a Toyota já agiram assim.
A favor destas ao menos é que não houve ameaças, apenas saíram e não fizeram novelas.
Comprar a categoria... Por que não?
Sozinha talvez seja impossível, mas um consórcio é bem possível.
Negócios são negócios e este esporte só existe entre o apagar das luzes vermelhas e o agitar da bandeira quadriculada.

Mas voltando as frases lá em cima, depois de publicadas e repetidas à exaustão pela mídia, seus autores apareceram com um carro imbatível, ganharam um campeonato com o pé nas costas e se encaminham para o segundo apesar das tentativas de sabotagem por parte dos cones escolhidos para ir dentro dos carros...
Não me espantaria se após a choradeira e as ameaças todas dos últimos tempos, a Red Bull não voltasse a dar as cartas na categoria muito em breve.
Ai o choro que, aliás, é livre, mudaria novamente de lado e assim seguiria-se o equilíbrio da F1 atual.
Se não for a Mercedes será a Red Bull ou a Ferrari ou quem estiver mais próximo de quem estiver dominando.